Samsung inicia novo posicionamento estratégico

Fonte: TeleTime
Por Daniel Machado

samsung_logoO crescimento dos serviços 3G e a convergência dos handsets com os serviços de valor adicionado (SVA) estão motivando a área de telecomunicações da Samsung a um reposicionamento estratégico global. A tradicional fabricante de celulares pretende se tornar, já a partir de 2010, um forte provedor de multiplataformas de entrega de serviços móveis. Para isso, segundo o vice-presidente da divisão de telecom da Samsung, Silvio Stagni, a companhia aposta na convergência da comunicação entre as “três telas”, ou seja, dos celulares, dos computadores e das TVs, tendo o acesso à Internet como o elemento em comum. A empresa, que em abril deste ano lançou TVs com acesso a conteúdos web do Terra e Youtube, começou a revelar os primeiros passos rumo a essa convergência nesta quinta-feira, 22, ao apresentar, simultâneamente em diversos países, nove smartphones, mercado no qual possui participação irrisória e que pretende liderar no país já em 2010. E no início de novembro lançará no país sua nova linha de notebooks e netbooks, pegando carona no crescimento dos serviços 3G e em um segmento de eletroeletrônicos que, segundo a consultoria ABI Research, deve vender no mundo cerca de 139 milhões de unidades (apenas dos netbooks) até 2013. Os novos smartphones, bem como os minicomputadores, serão produzidos localmente. E as novidades não param por aí. A importância de se posicionar como um provedor de serviços é tão grande para a Samsung que a empresa anunciará, em janeiro de 2010, sua loja de aplicativos na Internet (app store), seara onde não é especialista. “Apesar de não ser este nosso core business, a loja agregará aplicativos e inovação à plataforma móvel da Samsung e isso é importante”, revela Hamilton Yoshida, diretor de marketing para a divisão de telecom da Samsung. A companhia lançou app stores na França, Itália e Reino Unido e, segundo o Stagni, outros países serão contemplados. O Brasil, no entanto, está entre os quatro países-chave dentro dessa estratégia. O executivo não revela os nomes dos outros três, apenas que são da Europa e Ásia.

Smartphones

A estratégia da Samsung para liderar o mercado de smartphones em 2010 é ser, cada vez mais, multiplataforma. “Fomos a primeira a lançar aparelhos com Android no país. Também temos handsets com Windows Mobile e com o nossa próprio sistema e lançaremos outros smartphones com Symbian no ano que vem. E teremos também o Linux Mobile, quando ele existir”, antecipa Stagni, que não perdeu a oportunidade de alfinetar a concorrência. “Ao contrário de alguns dos nossos concorrentes, que trabalham com plataforma única, acreditamos que há públicos para todos, ou seja, cada sistema operacional atende a uma determinada demanda”.

Outro pilar no qual a Samsung se apóia para se tornar líder no segmento de smartphones é o crescimento da base de usuários. O executivo cita os números da consultoria GFK, segundo os quais a empresa conquistou 13 pontos de market-share no segmento de handsets nos últimos 12 meses, chegando a 23%, atrás somente da Nokia e da LG. “Estamos a somente dois pontos do segundo colocado e a cinco pontos do primeiro”, comemora. O mercado total de celulares no Brasil, segundo ele, foi de 42 milhões de handsets comercializados, contra 45 milhões no ano passado. “O primeiro semestre foi mais retraído, mas já há uma recuperação em curso desde julho. Além do mais, há um mercado muito grande de substituição dos terminais, que acontece em média a cada 1 ano e meio”, diz. Para ele, com o advento dos celulares inteligentes, a tendência é que esse tempo de substituição de terminais reduza ainda mais.

TV digital

Outra oportunidade de negócio, para a Samsung, está no mercado de celulares com recepção para a TV digital. “Notamos um crescimento grande nesse segmento e acreditamos que ele irá explodir com a Copa do Mundo, atingindo uma fatia de cerca de 5% da produção já no ano que vem”, disse.

No segmento de minimodems, a Samsung segue firme com o intuito de não produzi-los. “Nossos handsets 3G operam como modems. Se o cliente assim desejar, basta ligá-los no cabo USB e utilizar a Internet no computador”, explica.

Lançamentos

Os nove smartphones lançados nesta quinta-feira, 22, pela Samsung são o Samsung Galaxy (i7500), o Galaxy Lite (GT-i5700), o Omnia II (i8000), Samsung Pixon 12, Samsung Scrapy2, Scrapy Touch, Samsung Beat Techno (M2520), Samsung Corby e o Samsung Blue Earth (S7550). São handsets voltados para diferentes aplicações, públicos e faixas etárias, com recursos que permitem desde o carregamento de energia por meio de raios solares e o fácil acesso a redes sociais até recursos multimídia de última geração. Um dos handsets (S7550), é produzido com acabamento em plástico reciclado e foi desenvolvido para os usuários com consciência ecológica. Um outro (M2520) reconhece a música que está tocando no ambiente no qual o usuário se encontra e permite que o mesmo compre aquela canção utilizando a rede da operadora. Já o Samsung Pixon 12 está sendo apresentado como o primeiro do mundo com câmera fotográfica de 12 megapixels. Todos os lançamentos estão disponíveis em todas as operadoras e nas maiores redes varejistas do país e custam de R$ 399 a R$ 1799.

O peso do nome

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Carolina Guerra

Em 2006, a americana Black&Decker, conhecida principalmente por suas ferramentas e eletrodomésticos, resolveu trazer para o Brasil uma linha de metais sanitários e outra de fechaduras.

blackEm vez de vender o produto com sua própria marca, decidiu utilizar dois nomes diferentes (Geo Metais e o difícil de pronunciar Kwikset). Resultado: desconhecidos e sem uma grife forte que pudesse atrair consumidores, eles alcançaram apenas 1,4% das vendas totais da Black&Decker no País.

A empresa quer corrigir o erro. Os artigos continuam nas gôndolas, mas agora trazem a marca Black&Decker estampada com destaque.

“Mudamos nossa estratégia porque percebemos que a força do nome Black&Decker pode alavancar o desempenho desses produtos”, diz Paulo Fernando Martins, que há seis meses assumiu a presidência da empresa no Brasil.

Com faturamento de R$ 580 milhões a empresa vive o melhor momento de sua história no país

Apesar do ajuste, a empresa vai repetir a fórmula que consiste em testar outras marcas no País. A Black&Decker vai colocar no mercado brasileiro, até o final do ano, duas grifes que pertencem ao grupo: a Price Pfister, líder nos Estados Unidos em metais sanitários do segmento de luxo, e a Baldwin, especializada em produzir fechaduras e maçanetas de alto padrão.

“Estamos aproveitando o crescimento do segmento premium no Brasil para ver como essas novas marcas se encaixam no mercado”, afirma Martins. Por enquanto, a empresa não decidiu se vai associar seu nome a essa nova linha de artigos sofisticados. Isso porque, segundo o presidente da empresa, o consumidor de alto padrão já conheceria as marcas Price Pfister e Baldwin, nomes conhecidos na Europa e nos Estados Unidos.

Primeiro, a empresa quer, digamos, sentir o mercado. Para alguns especialistas, a estratégia é arriscada. “O risco de usar o mesmo nome para vários produtos é que a marca principal perca a percepção que o público tem dela”, afirma Fábio Fiorini, diretor-executivo da consultoria Net Branding.

A Black&Decker vive seu melhor momento no Brasil. A empresa viu seu faturamento saltar de R$ 413 milhões em 2007 para R$ 580 milhões em 2008. Segundo o presidente, a meta é crescer 8,5% em 2009. Isso se deve ao aumento expressivo de vendas de eletrodomésticos, que são o carro-chefe da companhia no País, respondendo por mais da metade de seu faturamento. “Por isso, um dos meus grandes desafios é equilibrar melhor as vendas por categoria de produtos”, afirma o executivo.

Velhinha das Havaianas aumenta vendas em 74%

Nada como uma boa polêmica para aumentar as vendas

havLembra daquele comercial da velhinha atrevida que sugeria à neta fazer sexo com um moço bonito como o ator Cauã Reymond? Aquele que acabou sendo retirado do ar (e ficou só na internet) por causa de reclamações de consumidores? Pois o modelo anunciado no filme nunca vendeu tanto.

Em setembro, nas quase 60 lojas das Havaianas espalhadas pelo país, as vendas do modelo Fit aumentaram 74% em comparação ao mês de agosto. Quem me passou o número, que acaba de ser consolidado, foi a executiva Carla Schmitzberger, diretora da Alpargatas (empresa dona da marca Havaianas). Segundo ela, sempre que um modelo vai para uma campanha de TV as vendas aumentam entre 30% e 40%. O resultado da campanha da avó moderninha, porém, foi muito superior.

Eu já tinha achado a campanha muito bem bolada. Agora, vi que ela também deu bom resultado — e no fundo é isso que importa.

Quer ver (ou rever) o filme?

Comercial \”Avó\” havainas no You Tube

Designing Brand Identidy – Alina Wheeler & Ed Wiley

capaDBIA terceira edição deste livro de Alina Wheeler está mais completa e é leitura obrigatória para quem estuda ou trabalha com Branding.

Este guia de Branding em sua primeira parte apresenta os conceitos fundamentais necessários para rapidamente entender o processo, a criação de identidade de marca e disseminar o vocabulário utilizado em Branding. Na segunda parte apresenta processos de identidade de marca com comentários dos escopos e a natureza dos projetos feitos pelos maiores escritórios de branding do mundo todo, permitindo ao leitor entender um pouco a visão de cada uma destas empresas.

Esta seção responde a pergunta: Porque demora tanto tempo um projeto de Branding?

Na última parte ele apresenta cases de sucesso e suas melhores práticas. Locais e globais, públicos e privados, que inspiram e exemplificam por serem originais, flexíveis e com soluções duradouras como: Obama, RED, MoMA, Coca Cola e a brasileira IUNI. Este ano pela primeira vez duas empresas brasileiras estão entre os cem cases apresentados a Per Creare Branding e a liDBrand sua parceira, com o case IUNI Educacional, um dos dez maiores grupos de educação do país.

Este livro pode ser encontrado na Amazon.com e ser lançado em português até o final do ano pela editora Bookman.

Wandy Cavalheiro – especialista em Branding pela FGV /SP, Diretora Executiva da Per Creare Branding | Gestão de Marcas. Autora de diversos capítulos e artigos de Branding.
e-mail: wandy@percreare.com.br

As Marcas – Jean-Noël Kapferer

O livro “As Marcas” é a referência primária dos cursos de MBA de Branding que leciono.

O Senhor Jean-Noël Kapferer é uma referência acadêmica e profissional quando se tratar do tema de branding.

70_As marcasA primeira parte do livro explica a importância do Branding nas organizações, partindo do conceito de que marcas são ativos intangíveis valiosos para empresas e que seu processo de gestão gera um substancial valor para os acionistas. Nesta primeira parte do livro o autor não se limita à indústria de bens de consumo, pois trata também a questão do branding  no segmento de marcas próprias, marcas de luxo e diversos outros setores e indústrias.

A segunda parte do livro aborda a conceito de identidade de marca e posicionamento de marca. Estes dois conceitos e dois capítulos talvez são no meu entendimento para  o conceito de branding e gestão de Marcas, por detalha um ferramenta que pode auxiliar muito a revelar uma identidade de marca que é o Prisma de Identidade.

A terceira parte diz respeito ao processo de criação e sustentabildade da marca no longo prazo.

O livro traz em detalhe todas as etapas sobre gestão de marca. O capítulo 8, em específico, se responsabiliza por trabalhar o lançamento de marca, passando por desafios de mercados maduros, o conceito de ciclo de vida de marca, brand life cicle, chegando até arquitetura de marcas e gestão multi-brand portfolios.

Além disso, o livro traz excelentes contribuições para o tema de reposicionamento de marcas e administração de mudanças de nomes (pós-aquisição) e gestão global de marcas.

A quarta e última etapa, diz respeito à avaliação financeira de marcas. Pois, ao final, para completar o ciclo, marcas geram valor ao acionista.

Existe a versão em português do livro (Terceira Edição – “As Marcas”), porém confesso que prefiro mais a quarta edição do livro (ainda somente em inglês – “The New Strategic Brand Management“). A razão de minha preferência é que a terceira edição traz muito exemplo de marcas francesas e quando muito europeias. Já a Quarta edição do livro traz exemplos de marcas globais. Isto faz uma certa diferença, principalmente se você não conhece profundamente as marcas Francesas.

Brand Failures – Matt Haig

Muito pensam que grandes marcas foram construídas através de um disciplinado processo ao longo do tempo. A grande maioria das marcas é fruto da ideologia de um fundador, que estruturou uma organização com pessoas alinhadas com seus princípios. A consistência desses valores junto aos públicos estratégicos gera uma percepção. Esta percepção são um reflexo da qualidade dos brand-equities.

brand failuresNeste processo de construção, obviamente, ocorreram falhas ao longo do tempo. O autor ilustra os 100 principais erros de marcas e dentre elas de empresas e marcas muito bem consolidadas.

Dentre eles, a destacar, está o New Coke. Em 1985 a Coca-Cola buscava um novo posicionamento inclusive mudando o sabor da Coca-Cola. Não preciso dizer que a campanha foi rapidamente abandonada e, em seguida, lançada a propaganda “Always Coca-Cola”.

Outro caso importante ressaltado é o da British Airways que em seu processo de branding definiu decorar as caudas das aeronaves com pintura de artistas plásticos de cada região atendida pela British. O único problema, mencionado pelo livro, era que essas pinturas substituíam a bandeira da Inglaterra, o que era um símbolo muito forte do povo britânico. Nossa colega Joanna Seddon, Executive Vice President da Millward Brown Optimor particupou do processo de retomada da identidade original e menciona que existiu um investimento bastante expressivo de repintar as caldas da aeronaves com a identidade original. É um caso definitivamente bastante controveso de Brand Failures que o leitor pode ter alguns detalhes interssantes nesta pulicação.

No Brand Failures são abordados outros inúmeros casos de insucessos que valem a pena um profissional de branding conhecer.

As lições de Branson

Fonte: Istoé Dinheiro
Por José Sergio Osse

Richard Branson, o bilionário britânico que criou o conglomerado Virgin, é um palhaço. Pelo menos é o que ele diz a respeito de si próprio. “Uma das táticas que usei para chamar a atenção dos grandes concorrentes foi me fazer de palhaço”, disse ele com exclusividade à DINHEIRO, numa raríssima entrevista concedida a uma publicação brasileira. Branson é a personificação da importância da imagem no capitalismo do século 21. Para fazer barulho, vestiuse de noiva antes de inaugurar uma loja, fez rapel num prédio em Londres ao anunciar sua nova empresa de telefonia celular e deixou-se fotografar nu em pelo em uma praia do Caribe.

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“Para chamar a atenção e enfrentar os grandes, me disseram que o ideal seria bancar o palhaço. É isso o que tenho feito há muito tempo”

Desde seu primeiro negócio (a revista Student Magazine, lançada quando tinha apenas 16 anos), Branson construiu uma trajetória impressionante. Foi com uma loja de discos e uma gravadora que seu império surgiu. Na década de 70, após ser preso por vender discos pelo correio e violar leis fiscais da Inglaterra, Branson abriu a primeira loja da Virgin, que mais tarde se tornaria uma rede e daria origem à gravadora Virgin Records. Em 1984, deu o primeiro passo para se tornar o multiempresário. Naquele ano, penhorou casa, carro e gastou todas as suas economias para criar a Virgin Atlantic Airways, uma companhia aérea cujo objetivo era brigar com a poderosa British Airways.

Branson sempre foi obcecado por holofotes. Uma das formas que encontrou de chamar a atenção foi tentar quebrar recordes mundiais. Sua primeira aventura do gênero foi em 1985, quando tentou cravar o recorde de velocidade, por barco, da travessia do Atlântico Norte. Depois que sua lancha virou em alto-mar, ele teve de ser resgatado por helicópteros da Força Aérea britânica. A ampla cobertura do evento – e principalmente do resgate – provou que o caminho era aquele. Nos anos que se seguiram, Branson construiu um conglomerado que fatura US$ 17 bilhões e reúne mais de 250 empresas, com atuação em setores tão diversos quanto serviços financeiros, telefonia celular e aviação. Sua fórmula de sucesso? Descubra na entrevista a seguir.

DINHEIRO – Como é possível fazer sucesso em áreas tão diferentes quanto aviação, telefonia celular e serviços financeiros, para citar só algumas?
Richard Branson – Uma das razões do nosso sucesso é que, na Virgin, somos permanentemente guiados por nossos valores. Por valores, entendase oferecer serviços de qualidade e acessíveis, de forma inovadora e em áreas nas quais possamos desafiar a estagnação do mercado.

“Eu realmente tenho que me beliscar quando estou em Necker Island, minha casa nas lindas Ilhas Virgens Britânicas. Até hoje eu não consigo acreditar que ela é minha”

DINHEIRO – Qual é o segredo para conseguir fazer tudo isso e, ainda assim, se divertir no processo?
Branson – Antes de tudo, as coisas têm que começar com a sua atitude. Você precisa ter habilidade para ouvir outras pessoas e não ter um ego muito inflado. Em outras palavras: você precisa reconhecer quando as sugestões das outras pessoas são melhores do que as suas. Nunca fui orgulhoso a ponto de não aceitar que estou errados. Tenho sido abençoado por ter as pessoas certas à minha volta, que amam a Virgin tanto quanto eu. Essa paixão tem ajudado a Virgin a crescer tremendamente. Se você ama o que faz, isso o motiva a ter sucesso. Uma dica: divirta-se e não se leve tão a sério, pois do contrário um eventual tombo será muito pior. Ah, e uma outra coisa: os caras grandes… Nunca tenha medo de encará-los.

DINHEIRO – Além de encarar os caras grandes, que outros ingredientes contribuem para o sucesso de uma empresa?
Branson – Você precisa ter toneladas de confiança, tanto em si próprio quanto nas pessoas que o cercam. Não tenha medo de assumir riscos. Minha mãe (Eve Branson) sempre me disse: “Se você falhar, considere isso apenas como um aprendizado e toque em frente com ainda mais motivação e determinação.” Entrar em novos mercados com novos produtos e serviços é muito natural para mim e para muitos outros empreendedores que cuidam dos negócios da Virgin em todo o mundo. Tenha sempre um monte de ideias e incentive seus funcionários a fazer o mesmo. Não importa se metade dessas ideias é ruim. O fundamental é ser criativo. Lembre-se: às vezes você erra, mas, quando acerta, não há nada no mundo que seja melhor do que esse sentimento. Por isso, entre de cabeça em tudo o que for fazer. Afinal, o que você tem a perder?

Multiempresário: companhia aérea , loja de CDs e aviões experimentais fizeram a fama de Branson “Divirta-se e não se leve
tão a sério. Do contrário, um
eventual tombo será muito pior”

DINHEIRO – Qual é a importância para uma companhia ter um líder carismático como o sr.? Como isso ajuda a Virgin a ser reconhecida e obter resultados?
Branson – Há 25 anos, quando abri a Virgin Atlantic Airways, me tornei amigo do falecido Freddie Laker (fundador da britânica Laker Airways), um homem carismático, corajoso e modesto. E ele me deu esse conselho: “Você nunca terá o poder publicitário necessário para vender mais que a British Airways. Você terá que ir à luta e usar a si mesmo. Talvez tenha até que se fazer de palhaço para sobreviver.” Pois bem, como muita gente já percebeu, tenho me feito de palhaço desde então. E não me arrependo.

DINHEIRO – Como a Virgin se preparou para enfrentar a crise financeira?
Branson – Não acredito que alguém pudesse ter previsto essa crise financeira ou imaginado o efeito que teria sobre a economia global. Por isso, como tantas outras companhias, a Virgin tem trabalhado duro para assegurar que nossos negócios estejam robustos e prontos para se adaptar às mudanças. Obviamente, nesse ambiente de preocupação o crédito ficou muito mais difícil e, como consequência, passou a ser vital desenvolver negócios que possam se autofinanciar. Aliás, foi o que fiz com meu primeiro negócio, a Student Magazine. Eu não tinha dinheiro nenhum, mas consegui vender um número suficiente de anúncios que me permitiu cobrir as despesas de papel e impressão antes de lançar a revista. Eu sou o exemplo vivo de que existem formas de financiar um negócio sem necessariamente ter que emprestar dinheiro de alguém para torná-lo realidade.

“Minha mãe me disse: ‘Se você falhar, considere isso um aprendizado e siga em frente com mais motivação’”

DINHEIRO – Entre todos os negócios que levam a marca Virgin, qual foi o mais difícil de criar e transformar em uma companhia bem-sucedida?
Branson – Nunca é fácil criar nenhum tipo de negócio e, por isso mesmo, todas as nossas empresas tiveram que superar desafios. Mas tudo se resume a ter determinação, motivação e amor naquilo que você faz. Houve momentos em que pensei que a companhia toda iria para o ralo, especialmente no começo.

DINHEIRO – Que momentos?
Branson – Quando lancei a Virgin Airlines, eu coloquei minha casa, meu carro e todas as poucas economias que tinha em risco. E não esqueça que estava fazendo tudo isso para competir com a British Airlines, a maior companhia aérea do Reino Unido. Os riscos eram enormes, mas nunca pensei que estivesse fazendo a coisa errada. Mesmo nos momentos de dificuldade, eu e as pessoas ao meu redor acreditávamos 100% que poderíamos fazer da Virgin Atlantic um sucesso. Olhe para nós agora.

“Passei por momentos assustadores ao criar empresas de áreas tão diferentes quanto de trens e aviões. Mas nunca deixei de acreditar no sucesso”

DINHEIRO – Vamos inverter a pergunta. Qual foi, entre todos os seus negócios, o mais divertido de criar?
Branson – Todos eles, da empresa ferroviária à companhia aérea. E não estou falando por falar. Tive momentos difíceis e assustadores. Afinal, enfrentar indústrias gigantes como as de serviços financeiros e de telefonia móvel não foi nada fácil. Mas, no geral, posso assegurar que me diverti muito ao longo do caminho. A Virgin tem tudo a ver com seus funcionários. Acredite: esse pessoal sabe se divertir

DINHEIRO – Em que momento da sua vida o sr. teve a certeza de que tinha alcançado o sucesso? Foi quando checou sua conta bancária?
Branson – Minha vida certamente não foi direcionada para alcançar riqueza ou qualquer tipo de sucesso pessoal num nível material. Sempre fui motivado pelo desafio, pelo desejo de aprender novas coisas todos os dias, descobrir lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes. Não sou muito ligado em carros, pinturas caras ou moda. Mas eu realmente tenho que me beliscar quando estou em Necker Island, minha casa nas lindas Ilhas Virgens Britânicas (o paraíso, de 300 mil metros quadrados, está avaliado em US$ 10 milhões). Até hoje eu não consigo acreditar que ela é minha.

DINHEIRO – Por que ir para o espaço? Essa é sua forma de dizer que o céu não é o limite? Branson – Por que não ir para o espaço? Tudo começou em 1969, na casa da minha família na Inglaterra, com meus pais e minhas duas irmãs assistindo às imagens ao vivo dos astronautas viajando para outros mundos. Isso me enfeitiçou e desde então minha determinação sempre foi um dia seguir seus passos no espaço. Esse sonho em breve vai se tornar uma realidade. Com o trabalho de pessoas extraordinárias, a Virgin Galactic em breve vai decolar, levando pessoas das mais diferentes origens para o espaço. Quase não consigo esperar.

DINHEIRO – A morte de Steve Fossett (aventureiro americano que desapareceu há dois anos em um acidente de avião) mudou de alguma forma os planos do sr. no que diz respeito a novas aventuras?
Branson – Steve Fossett foi um homem extraordinário e um dos grandes aventureiros de nosso tempo. Pessoalmente, perdi um amigo muito querido, com o qual compartilhei muitas e sensacionais experiências. O mundo perdeu uma verdadeira fonte de inspiração. Aprendi muito com Steve e sinto profundamente sua falta. Mas eu tentarei sempre quebrar recordes, fazer algo diferente, buscar coisas jamais tentadas. Aliás, você mesmo deveria tentar quebrar um recorde, para provar ao mundo que isso pode ser feito. E não é apenas uma questão de marketing. Você teria que ser muito maluco para colocar sua vida em risco se o motivo for apenas esse. É algo muito maior.

DINHEIRO – Em que tipo de negócio o sr. gostaria de investir?
Branson – Sou apaixonado pelo meio ambiente. Há alguns anos, decidi investir no setor de transportes para tentar desenvolver combustíveis limpos. Essa é uma área na qual vamos nos concentrar daqui para a frente. Sempre estou aberto para novas oportunidades. Na Virgin, somos conhecidos por agitar o mercado, por oferecer algo absolutamente novo para o consumidor. E uma das novas fronteiras é justamente o meio ambiente.

DINHEIRO – Quais são os planos da Virgin para o Brasil? A companhia pretende trazer os aviões da Virgin Atlantic para cá?
Branson – Essa pergunta é uma pegadinha? O Brasil tem toneladas de sex appeal. Estamos sempre procurando formas de expandir os negócios da Virgin em novos territórios. Então, fique de olho.

Deloitte: fusões e aquisições retornam a níveis pré-crise

Fonte: Agência Estado

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Pesquisa da Deloitte obtida com exclusividade pela Agência Estado mostra que os resultados favoráveis apresentados pelos indicadores econômicos no terceiro trimestre de 2009 apontam para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios. O movimento é corroborado pelo crescimento das transações de fusões e aquisições no mercado brasileiro no último trimestre.

No terceiro trimestre deste ano foram 194 operações, o que indica uma evolução gradual em 2009, que teve 108 negócios no primeiro trimestre e 135 no segundo. Em 2008, os trimestres anteriores à crise indicaram 212 negócios (2ºtri) e 206 transações (3ºtri). A pesquisa mensal mostra que o número de operações saiu de 31 em fevereiro deste ano (menor nível desde janeiro de 2008) para 71 em setembro. A média do primeiro semestre de 2008 foi de 61 negócios por mês, com pico em junho (84).

Oliveira conta que, passada a instabilidade, as empresas melhor estruturadas e capitalizadas estão voltando a analisar investimentos e buscar oportunidades de consolidação em seus setores de atuação.”Há uma forte retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. É um retorno da tendência de formação de conglomerados”, diz.

O sócio observa que, no Brasil, a economia local tem sido uma grande impulsionadora de negócios. “As empresas querem ganhar musculatura para competir, se antecipar e se beneficiar do forte crescimento econômico projetado.” Ele lembra que muitos setores no País são pulverizados, e que a volta do crédito funciona como um disparador de consolidações e permite que empresas entrem em áreas onde ainda não atuavam. “Os setores que deram uma pausa em suas transações com a crise voltam agora.”

Para Oliveira, a expectativa é que o número de fusões e aquisições continue crescendo, sobretudo em segmentos ligados a varejo, consumo e alimentos. “Esses setores se beneficiam do aumento da renda da população, que traz maior poder de compra.” Ele comenta ainda que, nos contatos da Deloitte com investidores, foi detectado grande interesse dos estrangeiros. “É natural que eles queiram diversificar seus investimentos e riscos. O Brasil está em evidência e o lançamento de ações do Santander é uma boa sinalização de como os estrangeiros estão apostando no crescimento do País.”

Entre julho e setembro deste ano, no entanto, o capital nacional ainda foi maioria e esteve presente em 127 transações, sendo que 46% dos negócios referem-se a transações entre empresas brasileiras e 20% a investimentos brasileiros adquirindo empresas de capital estrangeiro. No mesmo período em 2008, o capital nacional esteve presente em 134 transações, mantendo a proporção e representando 65% das operações.

Setores de Atividade

Atividades financeiras, tecnologia da informação e Internet e alimentos foram os setores que tiveram maior representatividade nas transações do terceiro trimestre de 2009, concentrando 47 transações ou 24% do total dos negócios.

No setor financeiro (11% do total) destaca-se a fusão das operações de seguros residências e de automóveis da Porto Seguro e do Itaú Unibanco, o que representa mais um movimento importante no processo de consolidação do setor de seguros no Brasil.

A Deloitte também menciona as duas operações realizadas pela Totvs, que adquiriu os 10% remanescentes da Tools Arquitetura Financeira de Negócios que ainda não detinha, e os 20% restantes das ações da YMF Arquitetura Financeira de Negócios (tecnologia com 8% do total).

Uma transação marcante concluída logo após o fechamento desse trimestre foi a aquisição de 91% do site de comparação de preços Buscapé pelo grupo sul-africano Naspers, em uma operação avaliada em R$ 600 milhões. Segundo a Deloitte, o negócio marca a volta das grandes operações no segmento de internet e tecnologia no País.

A indústria alimentícia, lembra a Deloitte, foi destaque (5%) com a aquisição da norte-americana Pilgrim’s Pride pela JBS Friboi, que se tornou a maior empresa global de processamento de carnes, e a sua fusão com o Bertin. Outro destaque nesse período foi a compra da Seara pelo frigorífico Marfrig, e a aquisição da empresa Amacoco, líder no mercado de água de coco no Brasil, pela Pepsico.

Tipo de operações

Ainda segundo a pesquisa da Deloitte, as operações de aquisição e joint ventures continuaram a responder por aproximadamente 70% do volume de transações realizadas. Essa situação reflete o interesse dos investidores em compartilhar riscos e oportunidades, principalmente em situações de entrada em outros setores e atividades onde a empresa alvo detém profundo conhecimento e expertise, diz a Deloitte. Essas operações são também uma forma de otimizar utilização de capital, capacidade instalada e canais de venda, para atender um segmento ou oportunidade específica de mercado.

Que história é essa de branding?

Por André Galiano

O meio empresarial adora termos técnicos. É benchmark disso, audit daquilo. Quando o termo assume sentido amplo e é usado para designar mais de uma coisa fica ainda mais interessante – e difícil de entender o que realmente estão querendo dizer. Então que história é essa de branding?

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Primeiro: não é um termo novo e embora os acadêmicos se esforcem para encontrar uma definição comum, ainda é usado no mercado de diversas maneiras, muitas vezes até confusas. Com base em sua tradução literal, branding é o processo de marcar. Ou deixar uma marca. Simples. Então fica a pergunta: marca, o que é?

Antes de complicar mais, vamos olhar para casos típicos:

i) Contratei um designer para mudar meu logotipo.
ii) Contratei uma agência de publicidade pra fazer a comunicação da minha empresa.
iii) Fechei uma cota de patrocínio num evento.

Isto é branding? A resposta é não e sim.

Por que não? Porque marca não é logo, comunicação ou qualquer outro tipo de ativação. Marca é o reflexo da cultura de uma empresa vista sob a perspectiva de todos seus públicos. Isto é, não é o que nós estamos dizendo para eles, é como eles estão nos enxergando. É o registro que fica para eles depois de todo o histórico de experiências com a empresa: ver o logo, assistir o anúncio, visitar o canal, reconhecer a embalagem, comprar e usar o produto, ligar para telefonista para reclamar etc. Sendo assim, não dá pra se afirmar que estamos fazendo branding apenas por mudar o logo, fazer anúncio ou ativar um patrocínio. É preciso se pensar em toda a cadeia.

Mas a resposta também é sim, porque se estamos modificando alguns pontos de contato (mudança de logo, anúncio, patrocínio etc.) – e dessa forma tentando moldar a maneira como somos percebidos – então estamos, de fato, contribuindo para a gestão deste ativo na mente de seus públicos.

Talvez esta seja a definição mais aceitável: branding não é um processo isolado, mas sim um esforço estruturado que envolve todas as áreas da empresa, não só aquelas que estão na ponta final da cadeia. Esse esforço todo tem um único objetivo: orquestrar a empresa de tal maneira a permitir que a experiência do consumidor seja não só a mesma em cada ponto, mas única (diferente de outras empresas) e relevante.

E que no fim, o que ele diga de nós para os outros seja exatamente o que a gente deseja. Como uma história que se repete sempre da mesma maneira.

Branding é essa história.

André Galiano Diretor da BrandAnalytics. Formado em Comunicação Social pela USP, pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV/SP e Especialização em Finanças pela University of California. Foi Consultor na Interbrand de 2002-2006. Galiano participou de equipe de projetos para empresas no Brasil, Argentina, Espanha, México, Chile, Peru e EUA. Galiano leciona em cursos de pós-graduação pela faculdade FAAP.

Reputação ou morte!

Fonte: Época Negócios
Por Philip Kotler

Quando o assunto é marca, a maioria das pessoas logo pensa em Coca-Cola, Apple, Ikea, Starbucks, Nokia e, talvez, Harley Davidson. Para essas companhias, suas marcas representam um ativo de valor e durabilidade, um motivador de sucesso. Já no mercado business-to-business (de empresa para empresa) tudo soa muito diferente – o branding é algo a que não se empresta grande relevância. Muitos executivos têm a firme convicção de que a marca é um fenômeno relevante apenas para os chamados mercados de consumo. Motores elétricos, lubrificantes industriais ou componentes de alta tecnologia seriam escolhidos mediante um processo decisório objetivo, que dá importância apenas a fatos concretos, como funcionalidade, preços, serviços e qualidade. Dados subjetivos como a reputação da empresa – se é ou não conhecida -, não despertariam interesse.

Será verdade? Alguém realmente acredita que as pessoas conseguem se transformar em máquinas destituídas de sentimentos e extremamente racionais quando estão no trabalho? Não creio. Microsoft, IBM, General Electric, Intel, HP, Cisco Systems, Dell, Oracle, SAP, Siemens, FedEx, Boeing são exemplos emblemáticos. Embora também produzam para os consumidores, seus principais negócios estão concentrados no mercado corporativo. Veja a Boeing. No início desta década ela formalizou a primeira estratégia de marca de sua história, integrada à estratégia geral de estender seu alcance além dos limites da aviação comercial. Hoje, sua marca abrange virtualmente tudo. Até mesmo o plano destinado a transferir sua sede de Seattle para Chicago foi desenvolvido tendo a marca como a maior preocupação. Dois anos atrás, a Boeing lançou um novo modelo de avião. Numa campanha mundial com a AOL, toda a empresa se lançou à busca de um nome capaz de representar as proporções daquilo que estava vendendo – o aparelho foi batizado de Dreamliner.

As marcas são cada vez mais importantes em quase todas as indústrias. Por quê? Há, de um lado, a explosão de ofertas presente em quase todas as áreas de atividades. Clientes de todos os tipos de bens, de aços especiais a software, encontram pela frente um número formidável de potenciais fornecedores. Na verdade, fornecedores demais para que seja viável conhecer cada um deles, e muito menos para que possam ser avaliados e analisados com o necessário rigor. A internet, além disso, disponibiliza uma megavariedade de escolhas a compradores em qualquer parte do mundo com um simples toque no mouse do computador. Sem contar com marcas confiáveis como parâmetros, os compradores seriam atropelados por uma sobrecarga de informações sem relação com aquilo que procuram. As marcas também amplificam o acesso a novos mercados, atuando como embaixadores numa economia globalizada.

A marca e o CEO

Construir, promover, apoiar e proteger marcas sólidas é tarefa de todos na empresa, a começar pelo CEO. A participação ativa dos líderes é indispensável. São eles que devem orientar o esforço de branding. Marcas precisam ser reconhecidas como os ativos estratégicos que na verdade são: a base da vantagem competitiva e da lucratividade a longo prazo. Nomear um vice-presidente de branding, alguém com a exclusiva responsabilidade de administrar a marca, seria um passo decisivo nesse sentido. Mas será que serão dignas dos esforços e do tempo nelas investidos? Avaliar e mensurar o sucesso das marcas e de sua gestão é uma questão difícil e controvertida. Mais ainda: nem sempre é possível atribuir a elas a concretização de metas e números – algo que muitos especialistas de marketing certamente iriam preferir. Como resultado, são limitadas as pesquisas analíticas que buscam quantificar o verdadeiro retorno dos investimentos em marcas. Recente estudo conduzido pela BBDO Consulting destaca a força de criação da marca.

42% dos americanos punem marcas condenadas socialmente

A fim de visualizar o efeito das marcas e do branding no preço da ação, foram comparados o desempenho nos mercados financeiros de 23 das 30 companhias do índice Dax (que inclui ações blue chips negociadas na Bolsa de Valores de Frankfurt). O resultado da enorme diferença em desempenho acentua a importância das marcas. Companhias com marcas sólidas conseguiram recuperar-se com rapidez significativamente maior do abalo sofrido pelo mercado de ações em conseqüência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Marcas sólidas, portanto, proporcionam às respectivas companhias retornos mais sólidos.

Na década de 80, os computadores pessoais começaram a entrar na casa dos consumidores. Naquela época, as marcas altamente reconhecidas na indústria eram IBM, Apple e Hewlett-Packard. Apenas os usuários mais especializados sabiam então qual era o tipo de chip que suas máquinas utilizavam, e nem todos conheciam os fabricantes dessas peças. Tudo isso mudou em 1989, quando a Intel decidiu identificar seus processadores pela marca. Seus gestores entenderam que estabelecer a marca constituía a única forma de se manter à frente dos concorrentes. Hoje, a Intel é líder em produção e tecnologia de semicondutores, apoiada e movida por sua poderosa marca, uma vantagem competitiva praticamente imbatível. O logo Intel Inside é usado atualmente por cerca de 2,7 mil fabricantes de PCs em todo o mundo, e sua percepção pelos consumidores chega a 90 %.

A história da empresa vai do estágio de fornecedor invisível de partes de computador ao status de uma das dez marcas mais conhecidas no mundo. Foi em 1989 que a Intel lançou seu primeiro programa destinado a comercializar um microprocessador, o 386SX, para os gerentes de tecnologia da informação que compravam PCs para suas empresas. Embora o programa tenha obtido sucesso, vários desafios rapidamente surgiram em seu caminho, entre eles questões legais. A Intel garantia que seus processadores 368 e 486 eram marcas registradas protegidas e lutava nos tribunais para garantir esse direito, a fim de que nenhuma outra empresa pudesse usá-las. Infelizmente para ela, os tribunais decidiram o oposto, o que abriu as portas para que os concorrentes passassem a fazer livre uso dos numéricos – a essa altura, de grande renome. Sem se abalar com essa derrota, a Intel passou imediatamente a trabalhar numa nova campanha que entraria para a história do branding. Àquela altura, era absoluta novidade que uma empresa de semicondutores negociasse diretamente com o usuário final. A empresa examinou as táticas utilizadas por companhias renomadas que forneciam um componente ou ingrediente de produtos acabados, como NutraSweet, Teflon e Dolby. O programa Intel Inside lentamente tomou forma e foi lançado em 1991. Um de seus principais objetivos era tornar a marca a opção principal, a número 1 entre os gerentes de TI. Mas, igualmente, pretendeu criar uma exigência dos consumidores pela marca Intel quando da compra de um PC. Hoje a companhia busca oportunidades fora da sua tradicional corrente de negócios com PCs. A Apple e seus computadores iMac foram acrescentados à lista de clientes da Intel recentemente. Além de computadores, o mercado-alvo da Intel abrange atualmente telefones celulares, TVs de tela plana, players portáteis de música e vídeo, redes domésticas wireless e até mesmo instrumental médico. Com uma única tacada, a companhia está mirando em dez novas áreas de produtos para os seus chips.

Ataque às corporações

Um debate travado atualmente questiona se as corporações devem à sociedade mais do que satisfazer as necessidades dos consumidores e ganhar dinheiro. Em 2004, o documentário The Corporation, baseado no livro homônimo de Joel Bakan, professor de direito canadense, atraiu considerável atenção. Evocando a decisão da Suprema Corte norte-americana, que no século 19 garantiu às corporações o status de “pessoa”, o filme busca a antropoformização da corporação, imaginando que tipo de “pessoa” ela seria. Aplicando o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais à persona das corporações, chega-se à conclusão de que ela seria julgada como “psicopática”, sem nenhuma obrigação moral ou social. Esse recurso publicitário de patologia é usado ao longo do filme, mas na verdade nada faz para esclarecer as características essenciais da entidade. Por ser provocador e emocional, o documentário consegue atrair principalmente as platéias jovens envolvidas na antiglobalização – mas sem estabelecer nenhuma crítica fundamentada e séria da vida social e econômica contemporânea. Confuso, o filme pode ser visto inclusive como reacionário. Suas recomendações finais não passam de soluções tipo band-aid, um tipo de credo estatizante.

Tom Peters: “É preciso mais poetas e mais músicos nas empresas”

Os contestadores da globalização, que atacam as empresas multinacionais e suas marcas como “agressoras”, não constituem um fenômeno inovador. Um ativista que protesta e exige melhor comportamento social das chamadas “agressoras” pode ser comparado às candidatas de concursos de beleza fazendo apelos em prol da paz mundial. Nenhum dos dois é levado muito a sério, e os desejos por eles manifestados não se concretizarão tão cedo. As companhias não estão aqui para tornar o mundo um lugar melhor, mas, sim, para suprir nossas necessidades em termos de tornar nossas vidas mais confortáveis, enquanto ganham dinheiro. Se quisermos realmente ver maiores demonstrações de consciência social por parte dessas companhias, a demanda em tal sentido cabe aos funcionários, consumidores e stakeholders. E é aqui que entra em cena o poder da marca. As corporações estão em um mundo digitalizado que a tudo enxerga. As empresas não têm outro caminho a não ser funcionar de acordo com as regras. E o mais forte incentivo para que se portem assim parte do desejo de contar com uma marca global com imagem positiva. A fim de proteger a reputação de suas marcas, toda empresa precisa admitir que seu sucesso exige uma abordagem holística da promoção de seus produtos ou serviços, o que inclui demonstrações práticas de responsabilidade social. As marcas do futuro terão de garantir não apenas qualidade do produto e uma imagem desejável. Terão igualmente de sinalizar que alguma coisa de valor existe por trás delas. “O próximo grande passo em matéria de marcas é o da responsabilidade social”, sustenta o consultor Wally Olins, autor de A Marca. Longe de representar o mal, as marcas estão se transformando numa arma eficiente para garantir que mesmo as maiores corporações multinacionais assumam suas responsabilidades.

As marcas são geradoras centrais de riqueza para negócios e economias, e, por isso, só podem desenvolver um papel positivo. Cresce o número de corporações que entendem e têm testemunhado os efeitos positivos da implementação de campanhas de marketing em benefício de causas, mas qual é o espaço ainda restante para a filantropia das corporações? E de que forma podem as corporações desejosas de ajudar a comunidade, e principalmente os setores mais necessitados, lucrar com as experimentações de seus pares? Branding e responsabilidade social buscam criar um mundo equânime e sustentável, ao trabalhar com as empresas a fim de promover práticas de negócios mais reativas, bem como inovação e colaboração. A reputação das companhias e a nacionalidade das corporações muitas vezes afetam a capacidade de uma empresa para operar no exterior ou influenciar o comportamento dos consumidores em suas compras. Conforme o relatório Corporate Social Responsibility Monitor, 42% dos americanos adotam medidas punitivas – ao se recusar a comprar os produtos por elas oferecidos – de empresas socialmente irresponsáveis.

Empresas cujas práticas comerciais correspondam às preocupações de seus múltiplos stakeholders contam com uma vantagem estratégica nos negócios. Muitas companhias americanas estão descobrindo o que suas congêneres no exterior conhecem e tentam praticar há anos: que a reputação como corporação socialmente responsável é importante, e que a transparência e confiabilidade nessa ação de cidadania pode melhorar a imagem da marca e a boa vontade em relação a ela. A instituição dessas práticas é evidenciada pelo fato de que o número de companhias proclamando a adoção de metas de responsabilidade social aumentou de 200, cinco anos atrás, para mais de 4 mil, na atualidade. Com tais ações, as companhias refletem o entendimento de que fazem parte integral do mundo econômico e social em que operam. É por isso que os executivos precisam fazer com que a sociedade chegue às empresas, e também por isso é que eles precisam transformar suas marcas em símbolos que a sociedade sinta como apropriados. No emergente mundo pós-industrial interligado por redes, esse relacionamento se torna progressivamente um dos mais importantes desafios enfrentados por todo tipo de empreendimento. As companhias que entenderem os elementos desse desafio e se dedicarem a colocá-los em prática estão predestinadas a ser as grandes vencedoras do futuro.

O design é outra ferramenta de crescente importância em termos de diferenciação. A humanidade sempre lançou mão de símbolos para expressar fervoroso individualismo, orgulho, lealdade e propriedade. É fascinante encontrar paralelos entre os mundos das belas-artes e do branding. Pode-se identificar grandes líderes culturais, como Rembrandt ou mesmo Andy Warhol como os inspiradores de poderosas marcas. A chave de seu sucesso reside na habilidade única de fazer eco aos valores culturais de suas sociedades. O que se exige hoje é um nível mais profundo de insight, que nos capacite a nos tornar condutores da mudança mediante a antecipação de valores emergentes nos negócios e na sociedade. A linguagem do design e a identidade de marca de uma companhia andam juntas. Enquanto as marcas falam à mente e ao coração, sua identidade é tangível e desperta os sentidos. A identidade é a expressão visual e verbal da marca. Ela sustenta, manifesta, comunica, sintetiza e visualiza a marca. Trata-se da forma de comunicação mais sintética, ágil e onipresente.

Uma história de sucesso nesse campo é a da Philips. Desde 1991, o designer Stefano Marzano, CEO da Philips Design, desenvolve uma nova função para o design, com base num ideal tão simples quanto desafiante – antecipar e criar futuros idealizados por meio do design. Essa linha de pensamento deu como fruto a noção do High Design. A premissa é que o design se torne uma síntese multidisciplinar enriquecida por corpos diversificados e complementares de conhecimento das ciências humanas, tecnologia e especializações materiais em estética e ciências da comunicação. Essa visão levou a Philips Design à definição de Futuros Estratégicos, uma metodologia que facilita o alinhamento de rotas de negó cios, tendências de tecnologias, previsões culturais globais/regionais e insight sociológico para sustentar de maneira criativa soluções realizáveis. O ponto de partida fundamental do High Design é sua capacidade de focar nos valores e necessidades emergentes das pessoas. Ao longo da década passada, a Philips Design formou uma equipe multicultural de pesquisadores (reunindo etnógrafos, antropólogos culturais, sociólogos, caçadores de tendências na cultura popular e estrategistas de sustentabilidade) e a colocou a serviço de um objetivo muito claro – estudar as diferentes sociedades e injetar todo esse conhecimento reunido no processo do design e da marca.

Para um número crescente de companhias, o design tornou-se uma obsessão profissional. Tom Peters resume, no seu livro Essential: “Precisamos de menos fanáticos tecnológicos e mais poetas em nossos departamentos de design, e mais artistas, mais músicos de jazz, e mais dançarinos”. Como consumidores, somos cercados pelas chamadas lovemarks – marcas que conseguiram muito mais do que a mera percepção e a lealdade. Elas são partes essenciais de nossas vidas. As pessoas sentiriam a falta de Coca-Cola, McDonald’s e Starbucks se elas repentinamente desaparecessem da face da Terra. Essas marcas têm maior possibilidade de sobreviver a manchetes negativas – por exemplo, sobre defeitos nos produtos – ou outros problemas similares que, em relação a outras marcas, causariam danos devastadores. Tudo isso porque os consumidores “gostam delas” e internalizaram por inteiro sua mensagem. Veja o iPod da Apple com suas baterias insubstituíveis. Depois que dois viciados em Apple fizeram o filme chamado iPod’s Dirty Secret (“O segredo sujo do iPod”) e lançaram um site de protesto, a Apple localizou o problema e o eliminou. A parte fascinante é que o protesto foi um ato de amor. Em vez de ficar desapontados e mudar para outra marca, eles “investiram” nela para assegurar melhor desempenho da marca no futuro.

Adaptado de Gestão de Marcas em Mercados B2B, que foi lançado no Brasil no final de agosto pela editora Bookman

O baReputação ou morte!
No novo mundo digital e globalizado, até as marcas mais poderosas correm o risco de ser superadas por novatas. O que sua empresa deve fazer – já – para manter o prestígio e a relevância
Philip Kotler
Quando o assunto é marca, a maioria das pessoas logo pensa em Coca-Cola, Apple, Ikea, Starbucks, Nokia e, talvez, Harley Davidson. Para essas companhias, suas marcas representam um ativo de valor e durabilidade, um motivador de sucesso. Já no mercado business-to-business (de empresa para empresa) tudo soa muito diferente – o branding é algo a que não se empresta grande relevância. Muitos executivos têm a firme convicção de que a marca é um fenômeno relevante apenaspara os chamados mercados de consumo. Motores elétricos, lubrificantes industriais ou componentes de alta tecnologia seriam escolhidos mediante um processo decisório objetivo, que dá importância apenas a fatos concretos, como funcionalidade, preços, serviços e qualidade. Dados subjetivos como a reputação da empresa – se é ou não conhecida -, não despertariam interesse.
A Intel foi de fornecedor invisível à posição de marca global
Será verdade? Alguém realmente acredita que as pessoas conseguem se transformar em máquinas destituídas de sentimentos e extremamente racionais quando estão no trabalho? Não creio. Microsoft, IBM, General Electric, Intel, HP, Cisco Systems, Dell, Oracle, SAP, Siemens, FedEx, Boeing são exemplos emblemáticos. Embora também produzam para os consumidores, seus principais negócios estão concentrados no mercado corporativo. Veja a Boeing. No início desta década ela formalizou a primeira estratégia de marca de sua história, integrada à estratégia geral de estender seu alcance além dos limites da aviação comercial. Hoje, sua marca abrange virtualmente tudo. Até mesmo o plano destinado a transferir sua sede de Seattle para Chicago foi desenvolvido tendo a marca como a maior preocupação. Dois anos atrás, a Boeing lançou um novo modelo de avião. Numa campanha mundial com a AOL, toda a empresa se lançou à busca de um nome capaz de representar as proporções daquilo que estava vendendo – o aparelho foi batizado de Dreamliner.
As marcas são cada vez mais importantes em quase todas as indústrias. Por quê? Há, de um lado, a explosão de ofertas presente em quase todas as áreas de atividades. Clientes de todos os tipos de bens, de aços especiais a software, encontram pela frente um número formidável de potenciais fornecedores. Na verdade, fornecedores demais para que seja viável conhecer cada um deles, e muito menos para que possam ser avaliados e analisados com o necessário rigor. A internet, além disso, disponibiliza uma megavariedade de escolhas a compradores em qualquer parte do mundo com um simples toque no mouse do computador. Sem contar com marcas confiáveis como parâmetros, os compradores seriam atropelados por uma sobrecarga de informações sem relação com aquilo que procuram. As marcas também amplificam o acesso a novos mercados, atuando como embaixadores numa economia globalizada.
A marca e o CEO
Construir, promover, apoiar e proteger marcas sólidas é tarefa de todos na empresa, a começar pelo CEO. A participação ativa dos líderes é indispensável. São eles que devem orientar o esforço de branding. Marcas precisam ser reconhecidas como os ativos estratégicos que na verdade são: a base da vantagem competitiva e da lucratividade a longo prazo. Nomear um vice-presidente de branding, alguém com a exclusiva responsabilidade de administrar a marca, seria um passo decisivo nesse sentido. Mas será que serão dignas dos esforços e do tempo nelas investidos? Avaliar e mensurar o sucesso das marcas e de sua gestão é uma questão difícil e controvertida. Mais ainda: nem sempre é possível atribuir a elas a concretização de metas e números – algo que muitos especialistas de marketing certamente iriam preferir. Como resultado, são limitadas as pesquisas analíticas que buscam quantificar o verdadeiro retorno dos investimentos em marcas. Recente estudo conduzido pela BBDO Consulting destaca a força de criação da marca.
42% dos americanos punem marcas condenadas socialmente
A fim de visualizar o efeito das marcas e do branding no preço da ação, foram comparados o desempenho nos mercados financeiros de 23 das 30 companhias do índice Dax (que inclui ações blue chips negociadas na Bolsa de Valores de Frankfurt). O resultado da enorme diferença em desempenho acentua a importância das marcas. Companhias com marcas sólidas conseguiram recuperar-se com rapidez significativamente maior do abalo sofrido pelo mercado de ações em conseqüência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Marcas sólidas, portanto, proporcionam às respectivas companhias retornos mais sólidos.
Na década de 80, os computadores pessoais começaram a entrar na casa dos consumidores. Naquela época, as marcas altamente reconhecidas na indústria eram IBM, Apple e Hewlett-Packard. Apenas os usuários mais especializados sabiam então qual era o tipo de chip que suas máquinas utilizavam, e nem todos conheciam os fabricantes dessas peças. Tudo isso mudou em 1989, quando a Intel decidiu identificar seus processadores pela marca. Seus gestores entenderam que estabelecer a marca constituía a única forma de se manter à frente dos concorrentes. Hoje, a Intel é líder em produção e tecnologia de semicondutores, apoiada e movida por sua poderosa marca, uma vantagem competitiva praticamente imbatível. O logo Intel Inside é usado atualmente por cerca de 2,7 mil fabricantes de PCs em todo o mundo, e sua percepção pelos consumidores chega a 90 %.
A história da empresa vai do estágio de fornecedor invisível de partes de computador ao status de uma das dez marcas mais conhecidas no mundo. Foi em 1989 que a Intel lançou seu primeiro programa destinado a comercializar um microprocessador, o 386SX, para os gerentes de tecnologia da informação que compravam PCs para suas empresas. Embora o programa tenha obtido sucesso, vários desafios rapidamente surgiram em seu caminho, entre eles questões legais. A Intel garantia que seus processadores 368 e 486 eram marcas registradas protegidas e lutava nos tribunais para garantir esse direito, a fim de que nenhuma outra empresa pudesse usá-las. Infelizmente para ela, os tribunais decidiram o oposto, o que abriu as portas para que os concorrentes passassem a fazer livre uso dos numéricos – a essa altura, de grande renome. Sem se abalar com essa derrota, a Intel passou imediatamente a trabalhar numa nova campanha que entraria para a história do branding. Àquela altura, era absoluta novidade que uma empresa de semicondutores negociasse diretamente com o usuário final. A empresa examinou as táticas utilizadas por companhias renomadas que forneciam um componente ou ingrediente de produtos acabados, como NutraSweet, Teflon e Dolby. O programa Intel Inside lentamente tomou forma e foi lançado em 1991. Um de seus principais objetivos era tornar a marca a opção principal, a número 1 entre os gerentes de TI. Mas, igualmente, pretendeu criar uma exigência dos consumidores pela marca Intel quando da compra de um PC. Hoje a companhia busca oportunidades fora da sua tradicional corrente de negócios com PCs. A Apple e seus computadores iMac foram acrescentados à lista de clientes da Intel recentemente. Além de computadores, o mercado-alvo da Intel abrange atualmente telefones celulares, TVs de tela plana, players portáteis de música e vídeo, redes domésticas wireless e até mesmo instrumental médico. Com uma única tacada, a companhia está mirando em dez novas áreas de produtos para os seus chips.
Ataque às corporações
Um debate travado atualmente questiona se as corporações devem à sociedade mais do que satisfazer as necessidades dos consumidores e ganhar dinheiro. Em 2004, o documentário The Corporation, baseado no livro homônimo de Joel Bakan, professor de direito canadense, atraiu considerável atenção. Evocando a decisão da Suprema Corte norte-americana, que no século 19 garantiu às corporações o status de “pessoa”, o filme busca a antropoformização da corporação, imaginando que tipo de “pessoa” ela seria. Aplicando o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais à persona das corporações, chega-se à conclusão de que ela seria julgada como “psicopática”, sem nenhuma obrigação moral ou social. Esse recurso publicitário de patologia é usado ao longo do filme, mas na verdade nada faz para esclarecer as características essenciais da entidade. Por ser provocador e emocional, o documentário consegue atrair principalmente as platéias jovens envolvidas na antiglobalização – mas sem estabelecer nenhuma crítica fundamentada e séria da vida social e econômica contemporânea. Confuso, o filme pode ser visto inclusive como reacionário. Suas recomendações finais não passam de soluções tipo band-aid, um tipo de credo estatizante.
Tom Peters: “É preciso mais poetas e mais músicos nas empresas”
Os contestadores da globalização, que atacam as empresas multinacionais e suas marcas como “agressoras”, não constituem um fenômeno inovador. Um ativista que protesta e exige melhor comportamento social das chamadas “agressoras” pode ser comparado às candidatas de concursos de beleza fazendo apelos em prol da paz mundial. Nenhum dos dois é levado muito a sério, e os desejos por eles manifestados não se concretizarão tão cedo. As companhias não estão aqui para tornar o mundo um lugar melhor, mas, sim, para suprir nossas necessidades em termos de tornar nossas vidas mais confortáveis, enquanto ganham dinheiro. Se quisermos realmente ver maiores demonstrações de consciência social por parte dessas companhias, a demanda em tal sentido cabe aos funcionários, consumidores e stakeholders. E é aqui que entra em cena o poder da marca. As corporações estão em um mundo digitalizado que a tudo enxerga. As empresas não têm outro caminho a não ser funcionar de acordo com as regras. E o mais forte incentivo para que se portem assim parte do desejo de contar com uma marca global com imagem positiva. A fim de proteger a reputação de suas marcas, toda empresa precisa admitir que seu sucesso exige uma abordagem holística da promoção de seus produtos ou serviços, o que inclui demonstrações práticas de responsabilidade social. As marcas do futuro terão de garantir não apenas qualidade do produto e uma imagem desejável. Terão igualmente de sinalizar que alguma coisa de valor existe por trás delas. “O próximo grande passo em matéria de marcas é o da responsabilidade social”, sustenta o consultor Wally Olins, autor de A Marca. Longe de representar o mal, as marcas estão se transformando numa arma eficiente para garantir que mesmo as maiores corporações multinacionais assumam suas responsabilidades.
As marcas são geradoras centrais de riqueza para negócios e economias, e, por isso, só podem desenvolver um papel positivo. Cresce o número de corporações que entendem e têm testemunhado os efeitos positivos da implementação de campanhas de marketing em benefício de causas, mas qual é o espaço ainda restante para a filantropia das corporações? E de que forma podem as corporações desejosas de ajudar a comunidade, e principalmente os setores mais necessitados, lucrar com as experimentações de seus pares? Branding e responsabilidade social buscam criar um mundo equânime e sustentável, ao trabalhar com as empresas a fim de promover práticas de negócios mais reativas, bem como inovação e colaboração. A reputação das companhias e a nacionalidade das corporações muitas vezes afetam a capacidade de uma empresa para operar no exterior ou influenciar o comportamento dos consumidores em suas compras. Conforme o relatório Corporate Social Responsibility Monitor, 42% dos americanos adotam medidas punitivas – ao se recusar a comprar os produtos por elas oferecidos – de empresas socialmente irresponsáveis.
Empresas cujas práticas comerciais correspondam às preocupações de seus múltiplos stakeholders contam com uma vantagem estratégica nos negócios. Muitas companhias americanas estão descobrindo o que suas congêneres no exterior conhecem e tentam praticar há anos: que a reputação como corporação socialmente responsável é importante, e que a transparência e confiabilidade nessa ação de cidadania pode melhorar a imagem da marca e a boa vontade em relação a ela. A instituição dessas práticas é evidenciada pelo fato de que o número de companhias proclamando a adoção de metas de responsabilidade social aumentou de 200, cinco anos atrás, para mais de 4 mil, na atualidade. Com tais ações, as companhias refletem o entendimento de que fazem parte integral do mundo econômico e social em que operam. É por isso que os executivos precisam fazer com que a sociedade chegue às empresas, e também por isso é que eles precisam transformar suas marcas em símbolos que a sociedade sinta como apropriados. No emergente mundo pós-industrial interligado por redes, esse relacionamento se torna progressivamente um dos mais importantes desafios enfrentados por todo tipo de empreendimento. As companhias que entenderem os elementos desse desafio e se dedicarem a colocá-los em prática estão predestinadas a ser as grandes vencedoras do futuro.
O design é outra ferramenta de crescente importância em termos de diferenciação. A humanidade sempre lançou mão de símbolos para expressar fervoroso individualismo, orgulho, lealdade e propriedade. É fascinante encontrar paralelos entre os mundos das belas-artes e do branding. Pode-se identificar grandes líderes culturais, como Rembrandt ou mesmo Andy Warhol como os inspiradores de poderosas marcas. A chave de seu sucesso reside na habilidade única de fazer eco aos valores culturais de suas sociedades. O que se exige hoje é um nível mais profundo de insight, que nos capacite a nos tornar condutores da mudança mediante a antecipação de valores emergentes nos negócios e na sociedade. A linguagem do design e a identidade de marca de uma companhia andam juntas. Enquanto as marcas falam à mente e ao coração, sua identidade é tangível e desperta os sentidos. A identidade é a expressão visual e verbal da marca. Ela sustenta, manifesta, comunica, sintetiza e visualiza a marca. Trata-se da forma de comunicação mais sintética, ágil e onipresente.
Uma história de sucesso nesse campo é a da Philips. Desde 1991, o designer Stefano Marzano, CEO da Philips Design, desenvolve uma nova função para o design, com base num ideal tão simples quanto desafiante – antecipar e criar futuros idealizados por meio do design. Essa linha de pensamento deu como fruto a noção do High Design. A premissa é que o design se torne uma síntese multidisciplinar enriquecida por corpos diversificados e complementares de conhecimento das ciências humanas, tecnologia e especializações materiais em estética e ciências da comunicação. Essa visão levou a Philips Design à definição de Futuros Estratégicos, uma metodologia que facilita o alinhamento de rotas de negó cios, tendências de tecnologias, previsões culturais globais/regionais e insight sociológico para sustentar de maneira criativa soluções realizáveis. O ponto de partida fundamental do High Design é sua capacidade de focar nos valores e necessidades emergentes das pessoas. Ao longo da década passada, a Philips Design formou uma equipe multicultural de pesquisadores (reunindo etnógrafos, antropólogos culturais, sociólogos, caçadores de tendências na cultura popular e estrategistas de sustentabilidade) e a colocou a serviço de um objetivo muito claro – estudar as diferentes sociedades e injetar todo esse conhecimento reunido no processo do design e da marca.
Para um número crescente de companhias, o design tornou-se uma obsessão profissional. Tom Peters resume, no seu livro Essential: “Precisamos de menos fanáticos tecnológicos e mais poetas em nossos departamentos de design, e mais artistas, mais músicos de jazz, e mais dançarinos”. Como consumidores, somos cercados pelas chamadas lovemarks – marcas que conseguiram muito mais do que a mera percepção e a lealdade. Elas são partes essenciais de nossas vidas. As pessoas sentiriam a falta de Coca-Cola, McDonald’s e Starbucks se elas repentinamente desaparecessem da face da Terra. Essas marcas têm maior possibilidade de sobreviver a manchetes negativas – por exemplo, sobre defeitos nos produtos – ou outros problemas similares que, em relação a outras marcas, causariam danos devastadores. Tudo isso porque os consumidores “gostam delas” e internalizaram por inteiro sua mensagem. Veja o iPod da Apple com suas baterias insubstituíveis. Depois que dois viciados em Apple fizeram o filme chamado iPod’s Dirty Secret (“O segredo sujo do iPod”) e lançaram um site de protesto, a Apple localizou o problema e o eliminou. A parte fascinante é que o protesto foi um ato de amor. Em vez de ficar desapontados e mudar para outra marca, eles “investiram” nela para assegurar melhor desempenho da marca no futuro.
Adaptado de Gestão de Marcas em Mercados B2B, que será