International Meal Company vai abrir capital

Fonte: Valor Econômico

A International Meal Company (IMC) entrou com pedido de registro de companhia aberta e de oferta pública primária e secundária de ações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

logo-novo-frango-assadoA oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) será coordenada pelo Credit Suisse, Itaú BBA e Santander.

A empresa atua no segmento de serviço alimentar e se intitula como a maior do ramo na América Latina em sua página na internet. Aqui no Brasil ela é dona de marcas como Viena, Frango Assado, RA Catering e Brunella.

A IMC, que tem sede em Miami, é controlada pela empresa de private equity Advent e atua também no México e em alguns países do Caribe.

Conforme a minuta do prospecto preliminar, a companhia opera atualmente 195 restaurantes próprios, com mais de 7 mil funcionários.

O documento indica que a IMC destinará 50% dos recursos captados com a operação para abertura de novas lojas e remodelação das já existentes. Outros 35% vão para aquisições e os 15% restantes para pagamento de dívidas.

Entre as dívidas da IMC, existe uma de R$ 192,5 milhões com o Itaú, coordenador líder, que poderá ser total ou parciamente quitada com os recursos que a companhia vier a obter com a oferta.

De janeiro a setembro deste ano, a IMC teve receita líquida de R$ 507,0 milhões, o que representa um crescimento de 65,6% ante igual período de 2008. Já a última linha do balanço foi negativa em R$ 19,8 milhões nos nove primeiros meses deste ano, ante perda de R$ 3,9 milhões no mesmo intervalo do ano passado.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 64,9 milhões de janeiro a setembro, com alta de 62,3% na comparação anual.

Vale mantém liderança em carteiras recomendadas pelo terceiro mês seguido

Fonte: InfoMoney

Pelo terceiro mês consecutivo, as ações preferenciais classe A da Vale receberam o maior número de recomendações nas carteiras dos analistas para o mês de outubro, segundo levantamento realizado pela InfoMoney que incluiu 19 portfólios sugeridos por corretoras e bancos de investimentos. A Petrobras e o Bradesco também mantiveram as posições dos meses anteriores, na segunda e terceira posição no ranking, respectivamente. As carteiras selecionadas neste mês são de: Ativa, BB Investimentos, Banif, Bank of America Merrill Lynch, BNP Paribas, Bradesco, Coinvalores, Fator, Itaú, Link, Omar Camargo, Planner, Senso, SLW, Socopa, Spinelli, TOV, Win e XP Investimentos.

Vale na liderança pela terceira vez

valeA mineradora brasileira se manteve no topo da lista de preferências dos analistas pelo terceiro mês consecutivo – apenas três não mencionaram a empresa em suas carteiras. De maneira geral, a expectativa de aumento nos volumes é o principal argumento dos analistas em favor dos ativos da Vale. Em evento com investidores no início do mês, a mineradora apresentou suas projeções para o último trimestre deste ano e para 2010. Entre os destaques estão as expectativas de que o segmento de ferro bruto passe a operar próximo da capacidade máxima em 2010 e a vasta lista de projetos de expansão, que, somados, demandariam investimentos de US$ 100 bilhões.

Para os analistas da Itaú Corretora, a Vale é atrativa do ponto de vista de valuation e pelas perspectivas de crescimento. Segundo a corretora, a empresa tem um desconto de 7% em relação ao setor de siderurgia e esperam-se resultados melhores para o terceiro trimestre, com os preços dos minérios de ferro, níquel e cobre subindo e a demanda chinesa também crescendo. Apesar de avaliar que o cenário ainda é favorável para a mineradora brasileira, os analistas da Socopa também acreditam em melhora gradual dos volumes exportados neste segundo semestre. “As negociações com as siderúrgicas chinesas estão em andamento, mas não devem fugir dos descontos firmados ate aqui, em razão da recuperação do preço spot do minério de ferro nos últimos meses”, afirmam.

Os analistas do Bank of America Merrill Lynch ressaltaram as perspectivas positivas que a mineradora apresentou para o segmento de ferro bruto, baseada na continuação da força da demanda na China, em reflexo aos estímulos governamentais. O BofA também deu destaque para os projetos da companhia, que incluem a construção de um centro de distribuição de ferro-bruto na Malásia, visando fornecer um produto de qualidade “sub Carajás” no mercado chinês, para se aproveitar da demanda da região. O Banif também projeta um aumento nos volumes, e afirma que manteve a “aposta no setor de mineração e siderurgia em função dos ganhos provenientes principalmente da melhora de volumes vendidos”.

A Spinelli destaca que a mineradora já apresenta forte recuperação nos volumes exportados para praças importantes, como a Europa e o Japão. “Considerando o uso corrente de capacidade praticamente total por parte das mineradoras australianas, atualmente a Vale é a companhia melhor posicionada para tirar proveito desta conjuntura, melhorando as perspectivas para o terceiro trimestre”. Os analistas também acreditam que os papéis ligados à construção civil e siderurgia serão os primeiros beneficiados com os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Em linha, a Link mantém o papel preferencial da companhia como top pick. “Apesar de estar passando ainda por um momento de baixa procura por minério de ferro, ainda estamos otimistas com a Vale”. A corretora espera por uma recuperação da demanda europeia e ressalta que a China continua com um “bom fôlego na demanda por minério”. Após reunião com o presidente da Vale, Roger Agnelli, os analistas do Goldman Sachs acreditam que a mineradora produzirá em torno de 340 milhões de toneladas de minério de ferro em 2010, enquanto a prévia anterior era de 306 milhões de toneladas.

De acordo com o banco norte americano, a ação não parece estar precificada, com a melhora na demanda e no de minério de ferro no curto prazo. Com isso, elevou a recomendação para os ativos, de neutro para compra, além de elevar as projeções para o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora. Conforme análise do banco, os investidores estão com “alocações abaixo da média” na Vale, o que pode contribuir para um momentum positivo das ações no curto prazo. Dentre os principais riscos para a Vale está a discussão de um possível aumento dos royalties para o setor. Segundo a Link, caso haja uma mudança no pagamento de royalties, “será uma notícia ruim para o setor e principalmente para a Vale”.

Petrobras é vice

petrobrasCom 14 recomendações, a Petrobras manteve o segundo lugar nas preferências dos analistas. O pré-sal continua em foco nas discussões. De acordo com a análise do Bank of America Merrill Lynch, as ações da petrolífera tiveram um desempenho abaixo da média do índice MSCI Brasil nos últimos seis meses, o que confere certa atratividade aos papéis. “O risco de mudanças nas regras de regulação não nos preocupa tanto, e inclusive pode acabar beneficiando as operações da estatal, caso de fato ocorra”.

Recentemente, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli discordou da fixação de um percentual mínimo para o excedente da produção de petróleo da região que ficará com a União. Ele também afirmou que os quatro projetos de lei enviados pelo Executivo para a exploração do pré-sal não são inconstitucionais e que a legislação brasileira não limita os modelos de exploração. Gabrielli disse que existe grande interesse das empresas estrangeiras em vir para o País, para participar da exploração do pré-sal. Uma sinalização é a valorização das ações da companhia depois que o governo enviou o marco legal para a Câmara, no final de agosto, atingindo o melhor desempenho dentre as empresas do setor no mundo todo durante o período. Mas, de acordo com a agência de classificação de risco Fitch, a regulação proposta pelo governo brasileiro para o setor de petróleo e de gás pode aumentar o risco de crédito para a Petrobras. Para eles, a regulação eleva os riscos para a estatal, incluindo a qualidade do crédito, aumento da alavancagem e da intervenção política.

Os analistas afirmaram, contudo, que o rating da estatal permanece estável e não deve ser alterado, apesar dos marcos para o setor. Segundo a Fitch, o eventual impacto no rating da Petrobras depende da velocidade do desenvolvimento dos campos de petróleo e do valuation na capitalização da companhia. Vale lembrar que a Petrobras começou a refinar a primeira carga de petróleo extraída da camada pré-sal. Segundo a companhia, a carga é composta de um total de 264 mil barris extraídos do campo de Tupi – o primeiro do pré-sal onde a estatal começou a extrair petróleo.

Os analistas da Spinelli destacam o bom resultado apresentado no segundo trimestre deste ano, que superou as expectativas do mercado. “O principal destaque do resultado pode ser atribuído aos efeitos da otimização do parque de refino nacional, cujo contínuo aprimoramento através do Programa de Maximização de Diesel tem possibilitado maior extração deste derivado como proporção da Carga Fresca Processada, com reflexos na melhora de margens e na sua balança comercial”.

A Gradual destaca ainda que as ações da Petrobras subiram consideravelmente no ano na esteira da valorização do preço do barril do petróleo no mercado internacional, e na diminuição do risco macroeconômico do Brasil. “Os resultados trimestrais devem melhorar no segundo semestre com o preço do petróleo mais alto, mas o crescimento da produção da companhia deve ficar abaixo do esperado no começo do ano”. Para os analistas, o potencial de valorização ainda é atrativo, mas o preço do barril do petróleo terá que continuar a subir para esse potencial se materializar. Assim, para o longo prazo, as perspectivas da Companhia continuam bem positivas, principalmente, em função do potencial exploratório das descobertas feitas na camada pré-sal.

Bradesco se beneficia de perspectivas do setor

bradescoO Bradesco, por sua vez, manteve sua posição e completa o ranking do mês de outubro, com 8 recomendações. As boas perspectivas para o setor ajudaram o banco a se manter entre os três ativos mais recomendados por analistas. Para a Socopa, as instituições financeiras estão atrasadas em relação ao mercado. Os bancos brasileiros apresentam fortes fundamentos, estão bem capitalizados e o sistema financeiro brasileiro é muito regulado. Acreditamos que a escassez de crédito internacional possa ser contornada pelas instituições nacionais e algumas medidas para dar maior liquidez ao nosso mercado estão sendo tomadas pelo Banco Central.

Para a Spinelli, as perspectivas para o banco também são positivas. “Passado o período de forte aumento nas provisões contra inadimplência e estagnação na concessão de crédito, o Bradesco deve apresentar comportamento melhor no terceiro trimestre, aproveitando a recuperação da economia brasileira” afirma a corretora. A Link Investimentos também projeta bons resultados para o setor. “Reiteramos nosso otimismo com o crescimento do crédito no segundo semestre devido à melhora do cenário macroeconômico. Esperamos que o volume de crédito do sistema financeiro nacional avance entre 10% e 11% em 2009 e 20% e 22% em 2010″.

A Link destaca que o Bradesco deverá continuar focado no crescimento orgânico para diminuir sua distância em relação aos líderes do setor. “Acreditamos que este crescimento se dará com a abertura de novas agências, segmentação de clientes e aumento do cross-selling”, avaliou. Outro ponto positivo é a política de pagamento de dividendos mensais, que deve continuar estável. Além disso, na avaliação da Link, o Bradesco está bem posicionado para aproveitar a recuperação do crédito na segunda metade desse ano, mas a inadimplência deve deteriorar no terceiro trimestre.

A aquisição do Ibi também conta pontos para o banco. Apesar de relativamente pequeno, o Ibi possui um valor estratégico no crédito ao consumo, segundo a corretora.

Yes, a Petrobras também é minha

Fonte: Revista Exame
Por Giuliana Napolitano

O carioca Alexandre Quintão, coordenador da área de relações com investidores da Petrobras, teve recentemente uma inusitada demonstração do novo status da economia brasileira — e de sua principal empresa. Quintão desembarcou no aeroporto JFK, de Nova York, às 6 da manhã do dia 14 de setembro para acompanhar o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, numa série de reuniões com investidores. No guichê da imigração, ele mal teve tempo de explicar ao oficial a razão de sua visita aos Estados Unidos. Disse apenas que trabalhava na maior companhia brasileira de petróleo e foi interrompido pelo funcionário da imigração. “Na Petrobras?”, perguntou o americano. Meio perplexo, Quintão só teve tempo de dizer “sim” — para então ouvir uma entusiasmada demonstração de conhecimento sobre as descobertas do pré-sal. “Ele se disse impressionado com as notícias”, diz Quintão. “O contraste com o que acontecia antes é grande. Há alguns anos, muitos investidores estrangeiros não sabiam o que era aPetrobras. Várias vezes ouvi de gente graúda do mercado: ‘Petrowhat?’”

tab_financas_bolsa1_gO oficial da Alfândega é apenas mais um da crescente legião de americanos interessados na Petrobras — e também em outras empresas brasileiras. Vale e Petrobras já estão entre as 35 companhias mais negociadas da bolsa de Nova York, acima de ícones como Coca-Cola e Visa. As duas têm hoje mais de 400 000 acionistas nos Estados Unidos — um número impressionante, que equivale a um terço do total de investidores que elas mantêm aqui. São pessoas como Michael Crawford, de 28 anos, acionista das duas companhias brasileiras há dois anos. “Até 2007, o Brasil não me dizia nada. De lá para cá, passei a receber muitos relatórios de bancos e corretoras falando bem da economia e das empresas do país. Hoje, acredito que, no mundo emergente, a Petrobras e a Vale, são as duas companhias mais promissoras e, por isso, vou aplicar mais nelas”, diz ele, que é diretor do Investor Relations Group, firma com sede em Nova York que assessora empresas de capital aberto. Em escala menor, outras companhias do país, como CSN e AmBev, também têm avançado no mercado americano. “O Brasil de fato mudou de patamar graças à evolução da economia e da qualidade de suas empresas”, diz Scott Cutler, vice-presidente da bolsa de Nova York (ou Nyse, na sigla em inglês).

Mais que uma informação curiosa, o fato de as empresas brasileiras terem cada vez mais investidores lá fora é algo estratégico. Uma parcela dos estrangeiros não pode ou não está disposta a encarar a burocracia de abrir uma conta no Brasil para aplicar diretamente na Bovespa. Isso tem levado várias companhias locais a lançar papéis (batizados de ADRs) na bolsa de Nova York para conseguir atrair mais acionistas. “Quando fazíamos apresentações internacionais, vários investidores, especialmente os fundos soberanos da Ásia e do Oriente Médio, diziam que só não aplicavam nas nossas ações porque não tínhamos papéis ADRs”, diz Marco Geovanne, executivo da área de relações com investidores do Banco do Brasil, que foi autorizado em setembro pelo governo a ser listado na bolsa americana, o que deve ocorrer em 2010. O BB segue o caminho de Bradesco e Itaú, que são listados lá fora desde o início da década, e também do Santander, que vai emitir ações de sua operação brasileira tanto na Bovespa como na bolsa de Nova York, no que pode ser a maior operação de mercado de capitais do ano no mundo. Somadas às companhias de outros setores, mais da metade de todos os negócios com ações de empresas brasileiras hoje ocorre no mercado americano.

Ao atrair mais investidores, as empresas brasileiras podem estar pavimentando o caminho para captar ainda mais recursos no futuro. Possuir ações muito negociadas é crucial para negócios que pretendem se financiar usando a bolsa, especialmente lá fora. Os fundos de pensão e outros gigantes institucionais só investem em papéis com um volume mínimo de transações por dia, para garantir que conseguirão comprá-los e vendê-los com facilidade. “Senão, toda vez que eles decidem negociar os papéis acabam interferindo no preço e, dependendo do caso, perdem dinheiro”, diz Edward Kuczman, analista da Van Eck, firma americana de investimentos que atende clientes institucionais. Daí a importância de avançar no ranking das ações mais negociadas. Hoje, o Brasil já é o segundo país em termos de movimentação de ações em Nova York, atrás apenas dos Estados Unidos.

tab_financas_bolsa2_gDezenas de estudos internacionais mostram que ter ações num grande mercado global pode trazer vantagens para as companhias. Um dos principais trabalhos, feito pelo professor René Stulz, da Universidade de Ohio, diz que a presença internacional pode reduzir os custos de captação de dinheiro. Não se trata, ele ressalva, de algo que ocorre da noite para o dia. “É preciso, primeiro, que as empresas consolidem uma base de acionistas globais”, diz Stulz. Uma vez conquistado esse portfólio de investidores, fica mais barato levantar capital. A Gafisa é um exemplo de como a expansão lá fora pode vitaminar os negócios. Se não tivesse decidido lançar ações na bolsa de Nova York em 2007, pouco depois de sua abertura de capital na Bovespa, a incorporadora provavelmente não teria conseguido levantar os quase 500 milhões de reais obtidos em Nova York que a ajudaram a duplicar seu volume de lançamentos e a comprar a antiga concorrente na baixa renda, a Tenda. “Hoje, embora não sejamos a maior incorporadora do país, temos as ações mais negociadas do mercado”, diz Alceu Duílio Calciolari, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da Gafisa.

Lançar e manter ações na bolsa em Nova York, porém, é um processo caro. Estima-se que as empresas gastem, por ano, cerca de 2 milhões de dólares só para cumprir as exigências da temida lei contábil americana, a Sarbanes-Oxley — fora o pagamento das taxas normais cobradas pela bolsa. Tudo somado, é mais que o dobro do que se gasta aqui. “Não existe almoço grátis”, diz Roberto Castello Branco, diretor de relações com investidores da Vale. Essa é uma das razões que explicam por que apenas as companhias brasileiras de grande porte são listadas lá fora — são apenas 31 empresas, que movimentam grandes somas de dinheiro. Para as demais, resta como consolo o salto de qualidade da Bovespa nos últimos anos. De um mercado essencialmente local, com base numa regulação vista como frouxa, a bolsa paulista passou por um processo de modernização e avanço regulatório na última década, que incluiu a criação do Novo Mercado, um segmento que reúne empresas com alto nível de governança corporativa. O melhor reflexo dos resultados desses progressos foram as 170 aberturas de capital e as ofertas de ações que ocorreram na bolsa de 2004 para cá — e que tiveram, entre os compradores, 70% de investidores internacionais.

Um dos grandes projetos da Bovespa é atrair mais estrangeiros para o mercado local. Há poucos meses, os novos executivos da bolsa iniciaram uma ofensiva internacional. Estão sendo negociadas parcerias com a Nasdaq, dos Estados Unidos, e com mercados de ações na América Latina para permitir que os investidores desses países comprem papéis na Bovespa por meio de suas corretoras locais. A bolsa também ampliou seus escritórios em Xangai e Nova York e está abrindo um em Londres. “Isso é muito melhor para as empresas, que ficam no próprio mercado e têm condições de conhecer melhor seus investidores”, diz Paulo Oliveira Jr., diretor executivo da BM&FBovespa (que, aliás, não tem ações em Nova York). “Hoje, a Bovespa é uma das poucas bolsas do mundo procuradas pelos estrangeiros, mais que qualquer mercado da América Latina e mesmo de parte dos europeus. Nossa meta é ampliar isso.”

A bolsa nega, mas comenta-se que a motivação desse movimento seja contra-atacar Wall Street. “É lógico que existe uma competição por empresas e investidores”, diz um ex-executivo da Bovespa. A Nyse, por sua vez, não está só assistindo aos planos da Bovespa: neste ano, Scott Cutler, responsável pela listagem de empresas na bolsa americana, já esteve três vezes no Brasil — e, na última delas, em agosto, trouxe o presidente da bolsa, Duncan Niederauer, para visitar companhias e investidores em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Seu objetivo é manter em crescimento o número de empresas brasileiras em Nova York. A primeira, a Aracruz, estreou lá em 1995 — hoje, são 31.

É cedo para dizer quais podem ser os resultados do pretendido avanço da Bovespa lá fora. A bolsa já tentou fechar uma parceria com o mercado do México no passado, mas o projeto naufragou por falta de aprovação dos órgãos reguladores. O que parece um caminho sem volta é a exposição que as empresas brasileiras vêm conseguindo no exterior. Companhias como ValePetrobras, Bradesco e Itaú Unibanco realizam em torno de 30 eventos com investidores no exterior por ano — fora as visitas que elas recebem aqui. É possível que Michael Crawford, o americano que investe em Vale e Petrobras, seja um desses visitantes em breve. “Nunca fui ao Brasil, mas quero ver de perto como funciona essa economia que está numa fase tão diferente da americana”, diz. Ele vai ter de se explicar na imigração, mas é improvável que não seja bem-vindo.

Aquisições de empresas de tecnologia

Totvs adquire o controle da TotalBanco

Fonte: TI Inside

A Totvs, fabricante brasileira de software de gestão, anunciou nesta terça-feira, 13, a aquisição da TotalBanco Consultoria e Sistemas. Sediada em Porto Alegre, a empresa tem mais de 150 empregados e atua há 21 anos no mercado de aplicativos e consultoria especializada para o setor financeiro.

A Totvs vai adquirir 70% do capital total da TotalBanco, por valor equivalente a 5,5 vezes o Ebitda projetado para 2009 e os 30% remanescentes do capital poderão ser comprados por meio do exercício de uma opção de compra, a partir de janeiro de 2011, pelo montante de até R$12,2 milhões, de acordo com o cumprimento pela TotalBanco de determinadas metas operacionais estabelecidas para os exercícios de 2009 e 2010. A receita líquida e o Ebitda (lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciações e amortizações) da TotalBanco projetados para este ano é de R$ 17,8 milhões e R$ 2,8 milhões, respectivamente.

De acordo com a Totvs, a operação da TotalBanco complementa o seu atual portfólio para gestão de crédito e cartões, além de incorporar novas soluções para gestão de leasing e crédito para pessoas jurídicas, e ampliar as ofertas voltadas ao core-banking, permitindo a integração da gestão de investimentos e da gestão de crédito no back-end. Ainda conforme a empresa, os fundadores da TotalBanco e seu corpo diretivo permanecem à frente da operação e passam a reportar à estrutura de financial services da Totvs.

“Nossa escolha se deu pelo domínio que a TotalBanco já tem no negócio financeiro e tecnológico. Juntas, queremos ser uma opção natural ao mercado, que espera de uma companhia não só a oferta do software certo para sua necessidade, mas que busque por um parceiro que oferte soluções, serviços, infraestrutura e consultoria para que possa manter o foco em seu negócio e deixar toda a gestão com nossos profissionais”, ressaltou José Rogério Luiz, vice-presidente executivo e financeiro e diretor de Relações com Investidores da Totvs.

Cisco compra Starent para avançar no mercado de wireless

Fonte: G1
Por Vanessa Dezem

A fabricante americana de equipamentos de rede Cisco anunciou hoje a aquisição da Starent Networks, que fornece infraestrutura para rede sem fio.

O valor do negócio, segundo a Cisco, totalizará US$ 2,9 bilhões, ou US$ 35 por ação da Starent, o que significa um prêmio de cerca de 20% ante o valor dos papéis da empresa no fechamento do mercado ontem.

As companhias esperam que o acordo seja concluído no início do ano que vem. Com isso, a Cisco deve ter o lucro reduzido em 2010 e 2011, já que os resultados da companhia começarão a mostrar os efeitos positivos da aquisição a partir de 2012.

Segundo John Chambers, o executivo-chefe da Cisco, os produtos da Starent beneficiarão os clientes do setor de telecomunicações da companhia, já que eles terão mais opções no mercado de internet móvel.

Com a aquisição, a companhia ambiciona alcançar o mercado de wireless. Depois de fechado o negócio, a Starent se tornará o Grupo de Tecnologia de Internet Móvel dentro do segmento de provedor de serviços da Cisco. O novo grupo será administrado pelo executivo-chefe da Starent, Ashraf Dahod.

No inicio do mês, a Cisco já tinha anunciado a compra da norueguesa Tandberg, por US$ 2,97 bilhões, para ampliar sua oferta equipamentos para videoconferência. A Cisco encerrou o ano fiscal de 2009 com lucro líquido de US$ 6,1 bilhões, um recuo de 24% ante o ano anterior.

Fitch eleva notas de risco da Aracruz e rebaixa as da VCP

Fonte: Valor Online

A agência de classificação de riscos Fitch revisou as notas da Aracruz e da Votorantim Papel e Celulose, tendo em vista o movimento de fusão entre as duas empresas até o final deste ano que criará a Fibria. 

No caso da VCP houve rebaixamento de “BB+” para “BB” da nota de probabilidade de inadimplência do emissor em moeda local e estrangeira (IDR, na sigla em inglês). O rating em escala nacional passou de “AA-” para “A+”.

Concomitantemente, a nota de IDR da Aracruz teve sua classificação elevada de “BB-” para “BB” e o rating em escala nacional passou para “A+”, ante a classificação anterior “A”. Em ambos os casos, tanto da VCP como da Aracruz, a perspectiva das novas notas é “estável”

De acordo com a Fitch, as novas classificações “refletem a convergência da qualidade de crédito destas duas companhias durante os últimos nove meses”, em decorrência do aumento de participação da VCP na Aracruz e futura fusão, prevista para o final deste ano. A avaliação da agência é de que o endividamento da nova empresa deverá permanecer alto até 2011.

O volume de dívida de ambas as empresas continuou aumentando em 2009, embora medidas tomadas no período tenham compensado parcialmente esse movimento, com a emissão de R$ 3 bilhões de capital pela VCP e a venda, pela Aracruz, da sua unidade Guaíba, por US$ 1,430 bilhão, dos quais US$ 1 bilhão serão usados para pagamento de dívida.

A agência estima que o Ebitda combinado da companhia deverá cair de US$ 1,1 bilhão em 2008 para US$ 900 milhões neste ano por conta da baixa de preços da celulose na primeira metade deste ano. Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda subirá de 5 vezes em 2008 para 6,2 vezes em 2009.

Ainda assim, a Fitch entende que as duas empresas têm posição “muito forte de negócios” e a produção integrada da Fibria deverá alcançar 5,350 milhões de toneladas de celulose de mercado, “quase o dobro da segunda maior empresa no mercado”, além de 360 mil toneladas de papel. 

Ainda que a liquidez continue restrita, a agência avalia o cenário como administrável. Ambas as empresas devem levantar em breve US$ 1,750 bilhão de dívida nova e somar ao caixa o montante da venda da unidade de Guaíba, de US$ 1,430 bilhão, para antecipar o pagamento dos próximos vencimentos, “assim como quase dois terços do restante da dívida associados às perdas da Aracruz com derivativos”.

Deloitte: fusões e aquisições retornam a níveis pré-crise

Fonte: Agência Estado

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Pesquisa da Deloitte obtida com exclusividade pela Agência Estado mostra que os resultados favoráveis apresentados pelos indicadores econômicos no terceiro trimestre de 2009 apontam para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios. O movimento é corroborado pelo crescimento das transações de fusões e aquisições no mercado brasileiro no último trimestre.

No terceiro trimestre deste ano foram 194 operações, o que indica uma evolução gradual em 2009, que teve 108 negócios no primeiro trimestre e 135 no segundo. Em 2008, os trimestres anteriores à crise indicaram 212 negócios (2ºtri) e 206 transações (3ºtri). A pesquisa mensal mostra que o número de operações saiu de 31 em fevereiro deste ano (menor nível desde janeiro de 2008) para 71 em setembro. A média do primeiro semestre de 2008 foi de 61 negócios por mês, com pico em junho (84).

Oliveira conta que, passada a instabilidade, as empresas melhor estruturadas e capitalizadas estão voltando a analisar investimentos e buscar oportunidades de consolidação em seus setores de atuação.”Há uma forte retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. É um retorno da tendência de formação de conglomerados”, diz.

O sócio observa que, no Brasil, a economia local tem sido uma grande impulsionadora de negócios. “As empresas querem ganhar musculatura para competir, se antecipar e se beneficiar do forte crescimento econômico projetado.” Ele lembra que muitos setores no País são pulverizados, e que a volta do crédito funciona como um disparador de consolidações e permite que empresas entrem em áreas onde ainda não atuavam. “Os setores que deram uma pausa em suas transações com a crise voltam agora.”

Para Oliveira, a expectativa é que o número de fusões e aquisições continue crescendo, sobretudo em segmentos ligados a varejo, consumo e alimentos. “Esses setores se beneficiam do aumento da renda da população, que traz maior poder de compra.” Ele comenta ainda que, nos contatos da Deloitte com investidores, foi detectado grande interesse dos estrangeiros. “É natural que eles queiram diversificar seus investimentos e riscos. O Brasil está em evidência e o lançamento de ações do Santander é uma boa sinalização de como os estrangeiros estão apostando no crescimento do País.”

Entre julho e setembro deste ano, no entanto, o capital nacional ainda foi maioria e esteve presente em 127 transações, sendo que 46% dos negócios referem-se a transações entre empresas brasileiras e 20% a investimentos brasileiros adquirindo empresas de capital estrangeiro. No mesmo período em 2008, o capital nacional esteve presente em 134 transações, mantendo a proporção e representando 65% das operações.

Setores de Atividade

Atividades financeiras, tecnologia da informação e Internet e alimentos foram os setores que tiveram maior representatividade nas transações do terceiro trimestre de 2009, concentrando 47 transações ou 24% do total dos negócios.

No setor financeiro (11% do total) destaca-se a fusão das operações de seguros residências e de automóveis da Porto Seguro e do Itaú Unibanco, o que representa mais um movimento importante no processo de consolidação do setor de seguros no Brasil.

A Deloitte também menciona as duas operações realizadas pela Totvs, que adquiriu os 10% remanescentes da Tools Arquitetura Financeira de Negócios que ainda não detinha, e os 20% restantes das ações da YMF Arquitetura Financeira de Negócios (tecnologia com 8% do total).

Uma transação marcante concluída logo após o fechamento desse trimestre foi a aquisição de 91% do site de comparação de preços Buscapé pelo grupo sul-africano Naspers, em uma operação avaliada em R$ 600 milhões. Segundo a Deloitte, o negócio marca a volta das grandes operações no segmento de internet e tecnologia no País.

A indústria alimentícia, lembra a Deloitte, foi destaque (5%) com a aquisição da norte-americana Pilgrim’s Pride pela JBS Friboi, que se tornou a maior empresa global de processamento de carnes, e a sua fusão com o Bertin. Outro destaque nesse período foi a compra da Seara pelo frigorífico Marfrig, e a aquisição da empresa Amacoco, líder no mercado de água de coco no Brasil, pela Pepsico.

Tipo de operações

Ainda segundo a pesquisa da Deloitte, as operações de aquisição e joint ventures continuaram a responder por aproximadamente 70% do volume de transações realizadas. Essa situação reflete o interesse dos investidores em compartilhar riscos e oportunidades, principalmente em situações de entrada em outros setores e atividades onde a empresa alvo detém profundo conhecimento e expertise, diz a Deloitte. Essas operações são também uma forma de otimizar utilização de capital, capacidade instalada e canais de venda, para atender um segmento ou oportunidade específica de mercado.

Telefônica faz oferta para comprar GVT que pode atingir R$ 6,5 bilhões

Fonte: Valor Online
Por Paula Cleto

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A Telefônica entrou na disputa pela GVT, empresa de telecomunicações que atua nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Sua subsidiária Telesp anunciou hoje que vai fazer uma oferta para adquirir até 100% das ações da GVT ao preço unitário de R$ 48, em dinheiro. Essa proposta avalia a companhia em cerca de R$ 6,5 bilhões.

A oferta da Telefônica supera a proposta feita no começo de setembro pelo grupo francês Vivendi, que ofereceu R$ 42 por ação da operadora. Dessa forma, a Vivendi avaliou a totalidade das ações da GVT em R$ 5,4 bilhões ou 2 bilhões de euros.

Assim como a Vivendi, a Telefônica estabeleceu como condições para fechar o negócio adquirir pelo menos 51% dos papéis, e a dispensa do cumprimento do artigo do estatuto da GVT que desincentiva ofertas de aquisição. Esse tipo de dispositivo é chamado de poison pill (pílula de veneno) no jargão do mercado. O negócio também está sujeito à aprovação da Anatel.

A oferta faz disparar as ações da GVT na bolsa paulista. Há pouco, os papéis ON operavam em alta de 15,40%, a R$ 47,20.

Em nota a Telefônica justifica a iniciativa dizendo visar uma ” presença ainda maior fora do Estado de São Paulo, o que contribuirá para ampliar sua base de usuários, além de fortalecer a concorrência no mercado brasileiro de telecomunicações ”

Notícia Complementar: Análise Revista Exame

Telefônica faz oferta de R$ 6,5 bi para comprar a GVT

Fonte: Revista Exame
Por Camila Fusco

A Telecomunicações São Paulo, subsidiária do Grupo Telefônica no Brasil, enviou nesta quarta-feira (07/10) um comunicado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também à Bovespa informando que fará uma oferta pública para adquirir a GVT.

A oferta pública para 100% da empresa será feita ao preço de 48 reais por ação, o que totaliza um valor aproximado de 6,5 bilhões de reais. Segundo comunicado ao mercado, “a operação está condicionada à aquisição de pelo menos 51% das ações da GVT, à dispensa da aplicação dos mecanismos de proteção previstos no seu estatuto (poison pills) e à aprovação pela Anatel”.

No dia 8 de setembro, a Vivendi do ramo de comunicações e entretenimento, havia firmado um acordo com o Grupo Swarth e Global Village Telecom – acionistas fundadores e controladores da GVT – para lançar uma oferta pública amigável para a aquisição de 100% da GVT ao preço de 42 reais por ação, 12,5% a menos do que a Telefônica ofereceu hoje.

O Grupo Telefônica tem hoje 62,4 milhões de clientes e 85 000 funcionários. Só no Estado de São Paulo, tem 11,5 milhões de linhas fixas. No ano passado, o grupo faturou 15 bilhões de reais. A GVT oferece telefonia fixa e banda larga nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Até o fim do segundo trimestre, a empresa detinha 2,5% do mercado de linhas fixas e 540 864 linhas de banda larga, ou 4,77% de participação.

O mercado recebeu bem a notícia da intenção de compra e às 10h30, as ações da GVT na Bovespa subiam 13,2%, cotadas a 46,30 reais — embora no Twitter a maioria dos comentários seja contrária à aquisição. Os papéis mantiveram a tendência de alta durante todo o dia e fecharam com tendência positiva de 13,74% cotados a 46,52 reais. Procurada pela reportagem, a GVT informou que tomou conhecimento da oferta pelo comunicado a CVM e que vai reunir seu conselho de administração para analisar cada detalhe da proposta.

Na avaliação da Ativa Corretora, caso a venda seja concretizada, representará uma movimentação positiva para a GVT, mas negativa para a Telefônica. Para os acionistas da GVT a vantagem óbvia está no valor da oferta. No entanto, a Telefônica estaria pagando caro pela empresa – 8,6 vezes a relação de seu valor de mercado e seu EBITDA –, enquanto suas próprias ações são transacionadas por uma relação de 3,7 vezes.

Ainda de acordo com a Ativa, se por um lado a Telefônica adquire uma empresa complementar às suas operações, por outro, pode reduzir significativamente o pagamento de dividendos. A companhia possuía caixa de 934 milhões de reais, com dívida líquida de 2,4 bilhões de reais. A transação de 6,5 bilhões de reais poderá dar espaço para alavancagem adicional e, por isso, a redução possível nos dividendos.

Operadora valorizada

O ágio proposto pela Telefônica, de 31%, surpreendeu o mercado e pode ser interpretado como uma tentativa definitiva de bloquear de vez a venda da GVT outra empresa. E a Telefônica está disposta a pagar tão caro pela operadora principalmente pela presença na região 2, onde não atuava. Com isso, passará a concorrer com operadoras como Oi e Net. Não à toa que o clima é de total otimismo hoje na Telefônica, segundo informou um executivo próximo às negociações.

“A Telefônica sempre teve interesse na GVT, desde a época do IPO. Uma das explicações para esse ágio é que a GVT representa uma oportunidade grande para a Telefônica ganhar presença onde ainda não tem. Outra razão é a tentativa da Telefônica de bloquear de vez a venda para a Vivendi”, afirma Julio Püschel, gerente geral do Yankee Group no Brasil.

A Vivendi havia proposto um ágio de 14,3% sobre as ações da GVT e via na aquisição uma possibilidade interessante para entrar no mercado brasileiro. Para alguns analistas, porém, apesar do alto valor oferecido pela Telefônica, é possível surgirem novas propostas pela GVT, gerando praticamente um leilão em torno da operadora.

A GVT faz sentido para a Telefônica nem tanto pela capilaridade da rede, mas pela qualidade e por ter uma infraestrutura de fibra mais próxima do ponto de acesso do usuário – a chamada fiber to the home.  Essa estrutura, geralmente cara de ser implantada, permite altas velocidades de acesso à internet. “A GVT não tem levado pacotes de internet com mínimo de 10 MB nos lugares onde atua e com velocidades reais bem próximas disso. A Telefônica pode aproveitar essa iniciativa”, diz Püschel.

A iniciativa de comprar a GVT, porém, vai muito além dos investimentos de 6,5 bilhões de reais. Segundo o analista, novos investimentos serão necessários para integrar a rede da GVT e aumentar a capilaridade e estrutura de última milha.

Investidor local ganha força no mercado de capitais brasileiro

Fonte: DCI
Por Eduardo Puccioni

A participação do investidor brasileiro no que pode ser a maior oferta de ações da história da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), na ocasião o do banco Santander, mostra uma tendência de enfraquecimento dos estrangeiros no mercado de capitais brasileiro.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid) sobre o mercado de capitais no Brasil durante os nove primeiros meses do ano, em todas as operações de renda variável no ano, somente 55,7% ficou na mão dos estrangeiros. Até agosto, ainda de acordo com a Anbid, a participação de estrangeiros nas ofertas de ações estava em 65,6%.

Ao todo foram realizadas 10 operações de renda variável de janeiro a setembro de 2009, com um volume financeiro de R$ 21,982 bilhões. Como já era esperado, a renda fixa predominou no período, encerrando com 202 operações, que movimentou R$ 35,624 bilhões. O volume total das emissões foi de R$ 57,606 bilhões.

“O mercado de renda fixa, apesar da queda da taxa de juros, continua muito mais forte em matéria de número de operações que a renda variável. Os da renda variável R$ 21 bilhões ficaram concentrados em 10 empresas, infelizmente este resultado é pouco. O mercado de renda variável cresceu, mas ainda é pequeno para a capacidade e necessidade que as empresas tem de captação”, explica Manfred Back, professor de Administração do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) e especialista no mercado de capitais.

O volume das emissões de renda variável e dívida em setembro de 2009 apresentou um aumento de 40,8% se comparado ao do mesmo período de 2008. Neste mesmo intervalo, o destaque foi para as emissões de notas promissórias e debêntures que apresentaram aumento de 2.640,0% e 25,0%, respectivamente.

No ano, foram realizadas 32 operações que envolveram debêntures, com volume financeiro de R$ 15,715 bilhões, e 56 operações em notas promissórias, o que gerou uma movimentação de R$ 14,372 bilhões. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) registraram 74 operações, com R$ 2,193 bilhões e os Fundos de Investimento com Direitos Creditórios (FIDCs) encerraram os nove primeiros meses do ano com movimentação de R$ 3,344 bilhões em 40 operações.

“A nossa cultura é conservadora: o investidor brasileiro tem medo de arriscar. O grande competidor de quem emite renda fixa é o próprio governo na emissão de seus papéis: boa parte das emissões de renda fixa é de títulos do governo. É mais fácil explicar ao investidor quanto ele vai ganhar na renda fixa do que quanto ele vai ganhar na renda variável”, acrescenta o especialista.

O professor explica ainda que o investimento no mercado de capitais ainda é assunto desconhecido da maioria dos brasileiros. Segundo Back, faltam ações de marketing mais efetivas para o público ter mais conhecimento. Por isso, a maioria das pessoas opta pela poupança ou por aplicações em renda fixa, enquanto as empresas preferem o sistema bancário para obtenção de financiamento ou capital de giro.

De acordo com o especialista, o receio do brasileiro de investir no mercado de capitais pode ser então compreendido. “É preciso ação de marketing mais efetiva para explicar, a pessoas físicas e jurídicas, as maneiras de se fazer este tipo de investimento”, alerta.

O professor acredita que quem deve orientar o investidor é o próprio órgão regulador do mercado de capitais. Quanto ao Santander, pode-se afirmar que é a primeira instituição que investe fortemente em campanhas de marketing para atrair a pessoa física.

“O Santander tem um grande interesse em espalhar essas ações, e, como no Brasil temos pouca cultura, é preciso fazer campanha de marketing. Mas não sei se isso explica muito bem o que é a operação. Sempre considero que o papel mais importante é de quem regula. A instituição pode explicar, mas não é o papel dela”, acrescenta o professor.

O professor da FEI destaca, ainda, que, enquanto no Brasil há quase 2 milhões de investidores aplicam em ações diretamente cadastrados, nos Estados Unidos eles são 90 milhões.

Um veneno para os negócios?

Fonte: Revista Exame
Por Guilherme Fogaça

Muitas empresas que abriram o capital na Bovespa nos últimos cinco anos incluíram uma regra controversa em seus estatutos: a que torna praticamente impossível que um investidor compre grandes quantidades de seus papéis. O objetivo da medida — chamada, sugestivamente, de poison pill, ou pílula de veneno — é tornar mais difícil para um acionista de fora do bloco de controle acumular ações suficientes para influenciar as decisões da companhia (ou, dependendo do caso, virar dono dela). Parecia ser uma boa solução para tranquilizar empresários dispostos a abrir o capital, mas preocupados em manter as rédeas de seus negócios. Só que, em muitos casos, a poison pill tornou-se um problema e não uma salvação. Nos últimos meses, empresas como a operadora de telefonia GVT não conseguiram receber investimentos de novos sócios por terem em seus estatutos as tais pílulas de veneno. “Hoje, essa é uma das grandes preocupações das empresas que abriram o capital recentemente. Todas estão estudando formas de acabar com a regra ou torná-la mais flexível”, diz Renato Ximenes de Melo, sócio da área de mercado de capitais do escritório Mattos Filho, que assessorou 72 das 111 companhias que foram a mercado desde 2004.

O caso da GVT é um bom exemplo de como as poisson pills funcionam – e de como podem jogar contra os negócios. No início de setembro, o grupo francês Vivendi fez uma oferta para comprar a operadora por 5,4 bilhões de reais, o que representava uma alta de 16% sobre o valor das ações da GVT na época da proposta. A telefônica queria dizer sim. Mas a cláusula de Poisson Pills prevê que qualquer investidor que quiser adquirir mais de 15% de suas ações precisar pagar ágio de 25% sobre o valor mais alto que atingiu nos últimos 12 meses anteriores à oferta – o que elevaria a proposta para mais de 6 bilhões de reais. Poe esse preço, os franceses já deram a entender que o negócio não sai. Agora, a GVT precisa convocar uma assembléia de acionistas para tentar aprovar o fim da Poisson Pills.

A situação da incorporadora Klabin Segall é masi crítica. A empresa nem teve chance de colocar em votação o fim de sua cláusula de poisson pill, que limita a participação de qualquer investidor minoritário a 15% da companhia.Um item draconiano da poisson pills obriga qualquer acionista que votar pela mudança, obrigatoriamente, fazer uma oferta para comprar 100% da companhia. Recentemente, a Klabin Segall tentou vender 15% das ações à gestora de recursos carioca Polo Capital, mas teve dificuldades. Como a Polo já tinha papéis da empresa, a solução foi vendê-los para depois poder comprar o lote de 15%. “A experiência do mercado está mostrando que essa limitação mais atrapalha do que ajuda as empresas”, diz José Olympio Pereira, diretor do banco Credit Suisse, um dos mais ativos no mercado de IPO nos últimos anos.

Como o próprio nome sugere, as poisson pills não são uma invenção brasileira. Foram importadas dos Estados Unidos. O que não foi levado em conta, em muitos casos, é o fato de o mercado acionário americano ter características bem diferentes do brasileiro. Nos Estados Unidos, a maior parte das empresas tem capital pulverizado – na média, apenas 6% do capital total das companhias abertas está nas mãos dos maiores acionistas. Isso significa que, se não houver a poisson pills, qualquer investidor endinheirado pode ir a mercado, comprar uma pequena parcela de ações e se tornar dono do negócio. Esse é um movimento conhecido como aquisição hostil – foi, por exemplo, o que a belgo-brasileira InBev fez em 2008 para adquirir o controle da cervejaria Anheuser-Busch.

No Brasil, empresas com controle pulverizado são uma raridade. Na maior parte dos casos, as ações disponíveis na bolsa são insuficientes para tomada de controle. “Como as companhias brasileiras têm, em geral, uma estrutura de comando bem definida, a adoção indiscriminada das pílulas por aqui foi um excesso de zelo”, diz Érica Gorga, professora de direito societário da Fundação Getulio Vargas. Uma das exceções foi o caso da Perdigão, que em 2006 evitou uma oferta hostil da Sadia com ajuda da Poisson Pills. A lista da companhia em que o veneno acabou afugentando investidores bem-vindos é maior. Agora, é provável que o mercado passe a buscar o antídoto.

Branding no mercado de capitais: Como comunicar os ativos intangíveis da empresa?

Por Eduardo Tomiya

O presente estudo analisa o tema da comunicação dos ativos intangíveis da corporação para o mercado. Esta análise tem foco no tema Valor de Marca. Uma possível abordagem poderia ser o registro de valor de marca em Balanços Patrimoniais.  Esta alternativa pode esbarrar em aspectos contábeis que mencionaremos, como, por exemplo, a liquidez deste ativo (marca) isolado do negócio, entre outros aspectos.

Uma outra abordagem é o resultado do estudo Intelectual Assets e Value Creation 2004-2006, realizado pela Organization for Economic Co-Operation and Development (OECD) que reside no estabelecimento de regras para a comunicação dos ativos intangíveis em um relatório. Em minha visão, prefiro esta última abordagem, que é a criação de um relatório dos ativos intangíveis das empresas.

Novidades da Lei 11.638/07

Em 28 de Dezembro de 2007 foi sancionada a Lei 11.638/07, com fez importantes alterações em relação à Lei 6.404/76 (lei das S/A’s).

Existiram inegáveis melhorias, tais como:

1. Inclusão de um Grupo de Intangíveis no Ativo Permanente (artigo 179)

2. O critério de avaliação destes ativos será pelo custo incorrido na aquisição, critério para efetuação dos testes de impairment (análise sobre recuperação de valores registrados no imobilizado, intangível e diferido)

A partir daqui nossa análise tem foco na Marca – um dos ativos intangíveis da corporação.

Devemos esclarecer que a nova lei não permite o registro de valor de marca ou de outros ativos intangíveis avaliados pelo método da rentabilidade futura no balanço patrimonial, exceto em casos de compra, venda, fusão ou aquisição.

Então, no caso de empresas que desde sua origem utilizam uma marca (é o caso de Coca-cola, Banco do Brasil, Petrobras, entre outras), são  classificadas no chamado grupo de empresas com marcas geradas internamente, e não podem ter seu valor de marca registrado em balanços patrimoniais.

Faz sentido o valor de marca ser registrado no valor contábil das empresas?

Na metodologia de avaliação de marcas da BrandAnalytics é utilizado o princípio do uso econômico. Este princípio norteia o processo de avaliação das empresas pela rentabilidade futura – ou seja, uma empresa vale pelo quanto de lucro futuro ela pode gerar ao seu acionista[1]. Uma marca vale o quanto ela desempenha o papel da geração econômico-financeira de lucros futuros da empresa[2].

Sendo assim, se o Balanço Patrimonial deve refletir uma posição patrimonial dos ativos tangíveis da empresa (diferença entre ativos passivos da corporação na data-base), então:

1. Em primeiro lugar, faria sentido refletir no Balanço Patrimonial o valor de um ativo cujo valor foi determinado em função de uma projeção de rentabilidade futura?

2. Quais são implicações legais e fiscais para este registro?

3. Qual é a liquidez deste ativo ‘marca’ isolado do negocio? Ele possui liquidez de maneira isolada[3]?

Tanto o FASB (Financial Accounting Standards Board – através do FASB 141/142) e o IAS (International Accounting Standard – IAS 38) recomendam muito fortemente que o valor da marca e ativos intangíveis não sejam registrados quando a marca for gerada internamente.

Acredito que, talvez, este seja o maior argumento para não se registrar o valor de marca em balanços patrimoniais, pois tanto nos Estados Unidos como na Europa os padrões contábeis não permitem o registro de ativos intangíveis (a não ser em casos de aquisição, compra,etc) no balanço patrimonial.

Então, como efetuar o disclosure dos ativos intangíveis da Empresa?

A alternativa que está sendo muito discutida é a criação de um novo relatório de informações ao mercado, o denominado relatório de Intelectual Asset Statement.

Yoshiaki Tojo, Líder da Divisão de Economia e Estatística da OECD menciona as três conclusões de um estudo inicial sobre Intelectual Assets e Value Creation conduzido pela instituição referente ao período 2004-2006:

1. Os Intelectual Assets desempenham papel substancial no crescimento da economia. A boa gestão das empresas é indispensável:

  • Deve-se encorajar a difusão de melhores práticas de non-financial reporting e IA management

2. As empresas necessitam acessar o capital humano qualificado, base de conhecimento e controle sobre o uso dos IA (patentes, registros de marcas, etc)

3. O papel dos Intelectual Assets em inovação e o processo de criação de valor necessitam ter uma investigação mais detalhada

  • Deve-se conduzir um estudo sobre a medição dos IAs para as empresas em um nível macro-econômico.

O Professor Patrick Sullivan (Univesity of Standford) descreve um modelo que é ilustrado a seguir e mostra a cadeia do valor do IA. Utilizamos esta abordagem em projetos a fim de compreender e mensurar o valor dos IA.

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O governo da Dinamarca (Ministério da Indústria e Comércio) publicou um documento “A Guideline for Intellectual Capital Statements – a key to knowledge management”. Este trabalho iniciou-se em 1998, foi coordenado pelo Ministério em 17 empresas privadas participantes, a auditoria Arthur Andersen, Copenhagen Business School e The Aarthus School of Business.

Neste trabalho foram estabelecidos padrões e indicadores recomendados para empresas elaborarem o Relatório  de Capital Intelectual.

Entendemos que iniciativas como a do governo da Dinamarca poderiam ser seguidas pelo governo brasileiro, uma vez que esta pode ser uma fonte importante para a competitividade das empresas nacionais e, como mostrou um dos itens do relatório da OECD, pode ter importantes impactos positivos para a economia do País.

A inserção de empresas brasileiras no contexto global e no contexto dos ativos tangíveis faz com que cada vez mais as empresas precisem entender o valor dos ativos intangíveis e, principalmente, a definição de uma estratégia de comunicação clara em seus relatórios financeiros disponibilizados ao mercado.

Entendo também que a solução de se registrar o valor de ativos intangíveis (e de marcas) em balanços patrimoniais, exceto em caso de Fusões e Aquisições, pode ser algo que está muito contra todas as tendências e talvez seja contra alguns princípios básicos da contabilidade.

A criação de um relatório dos ativos intangíveis com métricas não exclusivamente financeiras, envolvendo os públicos estratégicos da empresa (Marca, Capital Humano, Sistema de Distribuição,Base de Clientes, Reputação Corporativa, Tecnologia, P&D, Patentes,etc), pode ser uma alternativa interessante para que as empresas (brasileiras) consigam tangibilizar para outros mercados o seu real valor.

Entendemos a relevância de um trabalho de branding junto aos investidores para empresas de capital aberto nacionais, principalmente considerando um contexto de Investment Grade que favorece muito as nossas corporações. As empresas brasileiras precisam ser conhecidas e reconhecidas fora do Brasil e hoje podem acessar um capital que anteriormente seria bem mais difícil. É indiscutível os diferenciais competitivos das corporações brasileiras, mas, para um investidor que pode estar em qualquer parte do mundo, estes diferenciais talvez não sejam muito claros.

Para isso, as empresas precisam se preparar e estruturar seus procedimentos internos a fim de que este disclosure seja bastante efetivo.  E talvez a primeira medida seja saber o valor dos ativos intangíveis e gerenciá-los para que este valor seja sempre otimizado. (Gets Measured, Gets Done, Gets Capitalized)

[1] Para os que desconhecem, a metodologia do uso econômico é um dos métodos mais utilizados pelas empresas de auditoria/consultoria quando necessitam justificar através um parecer o goodwill, fundo de comércio ou ágio oriundo de uma aquisição. Em vários casos, este procedimento foi utilizado para determinar o preço mínimo de empresas em leilões de privatização e operações de fusões e aquisições.

[2] Já a metodologia de avaliação de marcas parte do valor dos lucros futuros e entende através de pesquisas de mercado junto a consumidores a importância da marca no processo de compra (como a marca alavanca os lucros do negócio) e quão forte ela é para dar maior estabilidade aos lucros futuros da marca. O valor da marca é o valor presente líquido dos lucros futuros da marca.

[3] Esta é uma das dificuldades com as quais lidamos quando em uma securitização de dívidas, mais especificamente fornecendo marcas como garantias de empréstimos. Os bancos têm dificuldades de realizar este ativo fora do contexto normal de operação desta marca. Uma marca tem valor para um determinado contexto operacional ou dentro do contexto de normalidade dos negócios da empresa. O caso de um ‘default’ do pagamento de um passivo significa em primeiro lugar que a empresa não está mais no contexto de normalidade. Então, a marca teria dificuldade de ter liquidez isoladamente. Vou exemplificar com o caso do Mappin. No ano passado a marca Mappin foi a leilão. Isoladamente, qual é o valor deste ativo? Nenhum interessado deu um lance mínimo determinado no leilão, ainda que existisse uma procura grande por informações para a participação no mesmo.