Cadbury aumenta seu valor para a Kraft

Fonte: The Wall Street Journal, de Londres
Por Cecilie Rohwedder

A fabricante britânica de doces Cadbury PLC apresentou sólidos números de vendas do terceiro trimestre que enviaram um recado claro para a potencial compradora americana Kraft Food Inc.: uma aquisição não sairá barata. A Cadbury também elevou suas projeções de vendas e lucro para o ano, numa medida que fortaleceu ainda mais sua defesa contra um comprador indesejado.

A empresa, que fabrica chocolate, goma de mascar e balas de marcas como Trident e Halls, informou que os novos números de faturamento e expectativa de crescimento mostraram aos acionistas que os interesses deles são melhor atendidos se ela continuar como companhia independente.

cadbury“Claramente estamos em contato com muitos de nossos acionistas”, disse o diretor-presidente da Cadbury, Todd Stitzer, por telefone ao Wall Street Journal ontem. “A mensagem para eles é que estamos concentrados em propiciar valor a eles e não vemos outra oportunidade de criação de valor que não seja a de mantermos uma empresa independente.”

Em setembro, a Kraft, dona da Lacta, fez uma oferta informal pela Cadbury de 40% em dinheiro, com o restante em novas ações dela. A oferta inicial avaliava a Cadbury em 745 pence, ou 10,2 bilhões de libras (US$ 16,7 bilhões), mas uma queda subsequente da ação da Kraft a deixa em atualmente 728 pence por ação, abaixo da atual cotação da Cadbury em bolsa. As ações da Cadbury fecharam estáveis ontem no mercado londrino, a 799 pence.

A Cadbury terá uma ideia mais clara de seu futuro nas próximas três semanas, porque a Kraft tem até 9 de novembro para fazer uma oferta formal ou então retrair-se por seis meses, de acordo com regra do Comitê de Aquisições do Reino Unido. A Cadbury informou que no trimestre encerrado em 30 de setembro as vendas cresceram 7%, excluindo os efeitos de oscilações cambiais. O aumento superou as expectativas dos analistas, que estavam em torno de 4%. O crescimento mais forte foi na América do Sul, de 18%, mas a empresa também teve bom desempenho no maduro mercado doméstico: as vendas no Reino Unido e Irlanda subiram 10%.

A Cadbury informou que espera crescimento das vendas em torno de 5% para todo o ano, ante projeção anterior de 4%, e que a margem de lucro operacional cresça em “pelo menos” 1,35 ponto porcentual, ante a meta anterior de 0,8 a 1 ponto porcentual. Ela não divulga o lucro trimestral. Analistas esperam agora o anúncio dos resultados trimestrais da Kraft, em 3 de novembro, quando a empresa deve reiterar seus motivos para fazer uma oferta.

Essa oferta, dizem muitos analistas, teria de incluir mais dinheiro e avaliar a Cadbury em pelo menos 850 pence por ação para ter alguma chance de convencer o conselho da empresa britânica. Até agora, nenhuma outra empresa fez uma oferta rival. Stitzer se negou ontem a citar um preço pelo qual o conselho e os acionistas da Cadbury poderiam aceitar uma oferta da Kraft ou a dizer se a Cadbury havia tido contato direto com a Kraft ou com outro potencial comprador.

Mabe Eletrodomésticos volta à mídia com Malu Mader

Fonte: Revista Fator Brasil

mabeA marca mabe – pertencente à Mabe Eletrodomésticos, líder em linha branca na América Latina – estréia, na próxima semana, campanha com a atriz Malu Mader. A ação faz parte do plano da empresa para a construção da marca e tem como objetivo alavancar as vendas de fim do ano. As peças publicitárias seguem o conceito multimulher, utilizado em toda a comunicação da marca mabe. A previsão de investimentos desde o lançamento da marca no País, em 2008, até os próximos 4 anos está na ordem de R$ 100 milhões.

Desenvolvida pela Energy, a campanha é composta por cinco filmes de 15” e vinhetas de 5”, além de peças para internet e material de PDV. A comunicação será veiculada nas TVs abertas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e nas cidades de Belo Horizonte, Salvador e Recife. A ação conta ainda com veiculação nacional em canais fechados.

O filme exibe a atriz Malu Mader em um set de gravação, destacando o design e a tecnologia inerentes aos produtos mabe. Com o mote “Mabe. A marca da multimulher”, o comercial traz a atriz em situações do cotidiano e reforça a importância de eletrodomésticos práticos que descomplicam a vida da mulher moderna, que concilia várias atividades pessoais e profissionais ao mesmo tempo.

“A nova campanha é um complemento das peças veiculadas em 2008. Agora, vamos mostrar como nossos eletrodomésticos descomplicam o dia-a-dia das multimulheres. Apresentaremos, por exemplo, o fogão duplo forno, a lavadora com função programar início e o refrigerador com a função férias, que economiza energia enquanto você está fora”, afirma Fernanda Afonso, gerente da marca no País.

“Na primeira etapa, ressaltamos a imagem de uma mulher que possui desenvoltura nos múltiplos papéis de mãe, esposa e profissional. Já nessa segunda, esse formato segue presente, porém com foco nas facilidades que os produtos da Mabe adicionam ao cotidiano das pessoas”, acrescentou Vitor Knijnik, vice-presidente de Criação da Energy.

Em pesquisas com as consumidoras, a empresa observou que as mulheres brasileiras são as verdadeiras gestoras de todas as atividades de uma casa e estão completamente antenadas às novas tecnologias, buscando fazer cada coisa a seu tempo de forma equilibrada. O conceito multimulher reflete esse estilo e os produtos da marca mabe oferecem funções que descomplicam essas atividades diárias.

“A escolha da Malu Mader como protagonista das nossas campanhas foi certeira, já que ela transmite a imagem de uma mulher segura, versátil e descomplicada, um verdadeiro exemplo de multimulher. Por isso, decidimos mantê-la em toda a comunicação da marca”, destaca a executiva. A imagem da Malu Mader poderá ser vista no filme e também nos anúncios de internet, materiais de PDV e nas demais ações de marketing da marca.

Revista Mabe – Para se aproximar dos vendedores das redes varejistas, a mabe desenvolve também uma revista, a Mabe Negócios. Com tiragem trimestral, a publicação traz reportagens, dicas de celebridades, técnicas de vendas e temas divertidos que irão auxiliar e entreter os profissionais da área.

Site mabe: O site www.mabebrasil.com.br destaca a multimulher, bem como a linha completa de produtos mabe, que chegou para descomplicar a vida das consumidoras da marca. No site, o internauta tem a chance de conhecer mais sobre os eletrodomésticos da mabe, explorar dicas de beleza, saúde, comportamento e relacionamento para descomplicar o dia-a-dia, além de sugestões de especialistas como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos entre outros profissionais.

O site foi desenvolvido pela empresa no Brasil, com apoio da mabe México, e pela Foster Web Solutions & Consulting.

A marca mabe – Com uma linha completa de eletrodomésticos – mais de 65 modelos -, design arrojado e tecnologia realmente útil, os novos produtos foram desenvolvidos para as mulheres brasileiras. A marca mabe oferece a praticidade necessária para descomplicar a vida dessas multimulheres. A mabe possui o exclusivo serviço pós-venda direto do fabricante, basta entrar em contato com o 0800-772-6223 para qualquer informação ou atendimento da mabe, que conta com uma rede de 400 postos de serviços em todo o país.

Perfil da Mabe – A Mabe Eletrodomésticos — detentora no Brasil das marcas GE, mabe, Dako, Bosch e Continental — é líder absoluta em linha branca na América Latina, maior exportadora do setor para os Estados Unidos e maior fabricante de fogões do mundo. Possui 20 fábricas, que faturam US$ 4,5 bilhões ao ano e empregam 21 mil colaboradores diretos. No Brasil, detém 5 unidades fabris, em Campinas (SP), Itu (SP) e Hortolândia (SP), emprega mais de 4 mil funcionários e possui assistência técnica em 26 Estados brasileiros, além do Distrito Federal.

Designing Brand Identidy – Alina Wheeler & Ed Wiley

capaDBIA terceira edição deste livro de Alina Wheeler está mais completa e é leitura obrigatória para quem estuda ou trabalha com Branding.

Este guia de Branding em sua primeira parte apresenta os conceitos fundamentais necessários para rapidamente entender o processo, a criação de identidade de marca e disseminar o vocabulário utilizado em Branding. Na segunda parte apresenta processos de identidade de marca com comentários dos escopos e a natureza dos projetos feitos pelos maiores escritórios de branding do mundo todo, permitindo ao leitor entender um pouco a visão de cada uma destas empresas.

Esta seção responde a pergunta: Porque demora tanto tempo um projeto de Branding?

Na última parte ele apresenta cases de sucesso e suas melhores práticas. Locais e globais, públicos e privados, que inspiram e exemplificam por serem originais, flexíveis e com soluções duradouras como: Obama, RED, MoMA, Coca Cola e a brasileira IUNI. Este ano pela primeira vez duas empresas brasileiras estão entre os cem cases apresentados a Per Creare Branding e a liDBrand sua parceira, com o case IUNI Educacional, um dos dez maiores grupos de educação do país.

Este livro pode ser encontrado na Amazon.com e ser lançado em português até o final do ano pela editora Bookman.

Wandy Cavalheiro – especialista em Branding pela FGV /SP, Diretora Executiva da Per Creare Branding | Gestão de Marcas. Autora de diversos capítulos e artigos de Branding.
e-mail: wandy@percreare.com.br

Deu no New York Times – Larry Rohter

Esse livro ficou famoso, pois é o autor que era correspondente do New York Times no Brasil e teve algum atrito com o presidente Lula. Mas não é esse o único tema desse livro. Esse livro é uma referência para os que querem conhecer mais sobre a cultura dos brasileiros em uma perspectiva de um “gringo” ou de uma pessoa de fora do Brasil.

capa - NY novo.aiPara que tenham uma idéia do livro, o autor descreve que jamais esquece um aviso que foi colocado em um restaurante em Copacabana: “É terminantemente proibido fazer batucada nas mesas, cantar ou tocar instrumentos musicais enquanto a clientela está comendo”. Diz o autor que somente no Brasil poderia existir uma situação como essa que ele presenciou. O autor é um daqueles correspondentes do NY Times no Brasil que descreve sobre diversas experiências sobre cultura, sociedade, Política, Amazônia, economia e outros tópicos diversos.

Em um artigo, “As exportações valiosas do Brasil se valem de escravos e terras arrasadas”, referente à Amazônia, o autor explica uma experiência do trabalho em regiões remotas da Amazônia. O autor critica duramente o sistema de trabalho utilizado. O autor ressalta que empresas moveleiras como Ethan Allen e a L. & J. G. Stickley dizem que Mogno vem de fornecedores que vem de práticas sustentáveis, porém compram matéria prima da região.

É um pouco do cuidado que temos que ter quando comunicamos responsabilidade social e sustentabilidade. Neste caso, a marca que adquire produtos de um sistema de produção com essas características é, sim, corresponsável.

Portanto, temos que entender que ao articularmos um posicionamento de marca, temos que verificar se em todos os relacionamentos com os públicos estratégicos, a marca deve ter sua proposta de valor bastante consistente. De nada adianta comunicar que é socialmente responsável se em todos os pontos de contatos a marca não tem este posicionamento. O que vai para a mídia é constantemente checada pelos públicos estratégicos e uma notícia dessas pode acabar com o posicionamento da marca.

Recomendo fortemente a leitura dessa obra para todas que estão envolvidos com branding e que querem ter a percepção de um “gringo ” que foi e é apaixonado pelo Brasil.

As Marcas – Jean-Noël Kapferer

O livro “As Marcas” é a referência primária dos cursos de MBA de Branding que leciono.

O Senhor Jean-Noël Kapferer é uma referência acadêmica e profissional quando se tratar do tema de branding.

70_As marcasA primeira parte do livro explica a importância do Branding nas organizações, partindo do conceito de que marcas são ativos intangíveis valiosos para empresas e que seu processo de gestão gera um substancial valor para os acionistas. Nesta primeira parte do livro o autor não se limita à indústria de bens de consumo, pois trata também a questão do branding  no segmento de marcas próprias, marcas de luxo e diversos outros setores e indústrias.

A segunda parte do livro aborda a conceito de identidade de marca e posicionamento de marca. Estes dois conceitos e dois capítulos talvez são no meu entendimento para  o conceito de branding e gestão de Marcas, por detalha um ferramenta que pode auxiliar muito a revelar uma identidade de marca que é o Prisma de Identidade.

A terceira parte diz respeito ao processo de criação e sustentabildade da marca no longo prazo.

O livro traz em detalhe todas as etapas sobre gestão de marca. O capítulo 8, em específico, se responsabiliza por trabalhar o lançamento de marca, passando por desafios de mercados maduros, o conceito de ciclo de vida de marca, brand life cicle, chegando até arquitetura de marcas e gestão multi-brand portfolios.

Além disso, o livro traz excelentes contribuições para o tema de reposicionamento de marcas e administração de mudanças de nomes (pós-aquisição) e gestão global de marcas.

A quarta e última etapa, diz respeito à avaliação financeira de marcas. Pois, ao final, para completar o ciclo, marcas geram valor ao acionista.

Existe a versão em português do livro (Terceira Edição – “As Marcas”), porém confesso que prefiro mais a quarta edição do livro (ainda somente em inglês – “The New Strategic Brand Management“). A razão de minha preferência é que a terceira edição traz muito exemplo de marcas francesas e quando muito europeias. Já a Quarta edição do livro traz exemplos de marcas globais. Isto faz uma certa diferença, principalmente se você não conhece profundamente as marcas Francesas.

Brand Failures – Matt Haig

Muito pensam que grandes marcas foram construídas através de um disciplinado processo ao longo do tempo. A grande maioria das marcas é fruto da ideologia de um fundador, que estruturou uma organização com pessoas alinhadas com seus princípios. A consistência desses valores junto aos públicos estratégicos gera uma percepção. Esta percepção são um reflexo da qualidade dos brand-equities.

brand failuresNeste processo de construção, obviamente, ocorreram falhas ao longo do tempo. O autor ilustra os 100 principais erros de marcas e dentre elas de empresas e marcas muito bem consolidadas.

Dentre eles, a destacar, está o New Coke. Em 1985 a Coca-Cola buscava um novo posicionamento inclusive mudando o sabor da Coca-Cola. Não preciso dizer que a campanha foi rapidamente abandonada e, em seguida, lançada a propaganda “Always Coca-Cola”.

Outro caso importante ressaltado é o da British Airways que em seu processo de branding definiu decorar as caudas das aeronaves com pintura de artistas plásticos de cada região atendida pela British. O único problema, mencionado pelo livro, era que essas pinturas substituíam a bandeira da Inglaterra, o que era um símbolo muito forte do povo britânico. Nossa colega Joanna Seddon, Executive Vice President da Millward Brown Optimor particupou do processo de retomada da identidade original e menciona que existiu um investimento bastante expressivo de repintar as caldas da aeronaves com a identidade original. É um caso definitivamente bastante controveso de Brand Failures que o leitor pode ter alguns detalhes interssantes nesta pulicação.

No Brand Failures são abordados outros inúmeros casos de insucessos que valem a pena um profissional de branding conhecer.

O VALOR DA MARCA IBOPE

Fonte: Ibope.com

Manter a relevância de uma marca num cenário de mudanças e quebra de paradigmas tão frequentes é certamente um enorme desafio que o IBOPE encara
cotidianamente. Marcas fortes podem ser os ativos mais valiosos de uma organização, e a marca IBOPE é particularmente valiosa. Um valor que demonstra a relevância e a solidez de uma empresa que está no mercado há mais de 65 anos. “A nossa marca é o nosso maior patrimônio”, declara Carlos Augusto Montenegro, presidente do Grupo IBOPE. “Ela representa toda uma história que está sendo escrita baseada em confiança, credibilidade, pioneirismo e prestígio de uma instituição sólida e integrada, independentemente do mercado ou da região em que está presente”, diz.
E por estar cada vez mais internacionalizada e sinalizar com planos para continuar sua expansão na Europa e nos Estados Unidos que a empresa vem continuamente investindo em ações para fortalecer cada vez mais esse ativo valioso. “Entender a essência e conhecer o valor da marca IBOPE foi um passo fundamental para referendar a importância de consolidar no mercado a imagem de uma empresa única, transmitindo os valores de tradição e idoneidade, com rígidos padrões de excelência em seus produtos e serviços”, afirma Rogerio Cajado, diretor corporativo do Grupo IBOPE.
Nesse sentido, um amplo trabalho de comunicação vem sendo conduzido nos
últimos quatro anos. Além de avaliar o valor da marca, por meio de um estudo
realizado pela consultoria global de marcas Interbrand, adotou-se o conceito do sistema monolítico para a logotipia que transmite força e abrangência para as empresas do Grupo e para seus produtos e serviços. O próximo passo foi o desenvolvimento do Manual de Identidade Visual (Miv), importante balizador de comunicação da empresa, que aborda questões variadas sobre o correto uso da marca, sua aplicabilidade, entre outros relevantes conceitos sobre a imagem do IBOPE.
Implantado recentemente pela área de comunicação institucional, todo esse trabalho foi baseado em uma pesquisa realizada com os principais públicos de
relacionamento da empresa. Detectou-se que o mercado já reconhecia os atributos
de imagem transmitidos pela marca que o IBOPE quer manter. Entre eles: tradição,
idoneidade, pioneirismo, confiança, profissionalismo e qualidade. “Esse resultado coloca a organização numa posição privilegiada”, afirma o presidente Montenegro. “O reconhecimento que a nossa marca possui é algo que muitas empresas têm o sonho de conquistar”, diz ele, referindo-se ao fato de a marca IBOPE ser verbete no dicionário brasileiro como sinônimo de prestígio e audiência, atributos inerentes ao negócio da empresa.

marca_id41197221_Manter a relevância de uma marca num cenário de mudanças e quebra de paradigmas tão frequentes é certamente um enorme desafio que o IBOPE encara cotidianamente. Marcas fortes podem ser os ativos mais valiosos de uma organização, e a marca IBOPE é particularmente valiosa. Um valor que demonstra a relevância e a solidez de uma empresa que está no mercado há mais de 65 anos. “A nossa marca é o nosso maior patrimônio”, declara Carlos Augusto Montenegro, presidente do Grupo IBOPE. “Ela representa toda uma história que está sendo escrita baseada em confiança, credibilidade, pioneirismo e prestígio de uma instituição sólida e integrada, independentemente do mercado ou da região em que está presente”, diz.

E por estar cada vez mais internacionalizada e sinalizar com planos para continuar sua expansão na Europa e nos Estados Unidos que a empresa vem continuamente investindo em ações para fortalecer cada vez mais esse ativo valioso. “Entender a essência e conhecer o valor da marca IBOPE foi um passo fundamental para referendar a importância de consolidar no mercado a imagem de uma empresa única, transmitindo os valores de tradição e idoneidade, com rígidos padrões de excelência em seus produtos e serviços”, afirma Rogerio Cajado, diretor corporativo do Grupo IBOPE.

Nesse sentido, um amplo trabalho de comunicação vem sendo conduzido nos últimos quatro anos. Além de avaliar o valor da marca, por meio de um estudo realizado pela consultoria global de marcas Interbrand, adotou-se o conceito do sistema monolítico para a logotipia que transmite força e abrangência para as empresas do Grupo e para seus produtos e serviços. O próximo passo foi o desenvolvimento do Manual de Identidade Visual (Miv), importante balizador de comunicação da empresa, que aborda questões variadas sobre o correto uso da marca, sua aplicabilidade, entre outros relevantes conceitos sobre a imagem do IBOPE.

Implantado recentemente pela área de comunicação institucional, todo esse trabalho foi baseado em uma pesquisa realizada com os principais públicos de relacionamento da empresa. Detectou-se que o mercado já reconhecia os atributos de imagem transmitidos pela marca que o IBOPE quer manter. Entre eles: tradição, idoneidade, pioneirismo, confiança, profissionalismo e qualidade. “Esse resultado coloca a organização numa posição privilegiada”, afirma o presidente Montenegro. “O reconhecimento que a nossa marca possui é algo que muitas empresas têm o sonho de conquistar”, diz ele, referindo-se ao fato de a marca IBOPE ser verbete no dicionário brasileiro como sinônimo de prestígio e audiência, atributos inerentes ao negócio da empresa.

Para o diretor-geral da consultoria BrandAnalytics, Eduardo Tomiya, a marca IBOPE materializa toda a sua história, desde a fundação, e sua logomarca tangibiliza o que está sendo construído. “A marca IBOPE tem DNA muito próprio” afirma. “E seus atributos são usufruídos por todas as empresas do Grupo”.

A marca de uma empresa manifesta-se e é percebida de diversas formas e por públicos diferenciados. No IBOPE, a excelência e a diversidade de seus produtos e serviços, assim como a competência de seus colaboradores, são indicadores decisivos na construção e manutenção da força da marca. “A empresa investe incansavelmente na inovação e na diversificação de seus produtos”, afirma Cajado.

De acordo com Tomiya, outro fator fundamental para o sucesso, principalmente para uma empresa do setor de serviços, é o respeito ao capital humano. “Pensar no IBOPE só no aspecto do conhecimento é muito pouco, é preciso ir além”, garante. E assim ocorre. A atuação da empresa é reconhecida pelo alto desempenho de seus profissionais, que atuam de maneira preparada e motivada para interagir com as questões mais relevantes do cenário nacional e latino-americano.

Segundo o presidente Montenegro, o que mais lhe chama a atenção é a capacidade de renovação e profissionalização do IBOPE. “Os novos desafios do mercado, ampliados pela convergência dos meios de comunicação e pela conectividade das pessoas, exigem de todos nós um exercício diário de renovação de ideias, de reflexão sobre o futuro e um novo olhar sobre nossos negócios, produtos e serviços”, diz. “Somos uma empresa multinacional brasileira, dinâmica e em constante evolução. Não há espaço para acomodação”.

Entrega de valor

O sucesso de marcas e empresas depende também da capacidade de entregar mais valor ao cliente. “Estamos na era da economia de valor, em que uma marca não pode se preocupar apenas com seu impacto sobre o consumidor, mas, sim, sobre a cadeia de valor inteira”, afirma Tomiya. Para o executivo, a comunicação tem o papel de potencializar todos os atributos que a empresa de fato pode entregar. “A imagem institucional pode gerar um valor bastante elevado para uma empresa e é fundamental ter diretrizes que orientem a aplicação da marca”, sentencia. Trabalhar isso é essencial”, garante. “Nosso desafio, a partir de agora, é manter a comunicação integrada e consistente com o seu posicionamento e seus atributos, orquestrando todas as ferramentas de construção da marca para otimizar verbas e mostrar uma mensagem clara na mente de nossos clientes, colaboradores, fornecedores e sociedade”, conclui Cajado.

Yes, a Petrobras também é minha

Fonte: Revista Exame
Por Giuliana Napolitano

O carioca Alexandre Quintão, coordenador da área de relações com investidores da Petrobras, teve recentemente uma inusitada demonstração do novo status da economia brasileira — e de sua principal empresa. Quintão desembarcou no aeroporto JFK, de Nova York, às 6 da manhã do dia 14 de setembro para acompanhar o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, numa série de reuniões com investidores. No guichê da imigração, ele mal teve tempo de explicar ao oficial a razão de sua visita aos Estados Unidos. Disse apenas que trabalhava na maior companhia brasileira de petróleo e foi interrompido pelo funcionário da imigração. “Na Petrobras?”, perguntou o americano. Meio perplexo, Quintão só teve tempo de dizer “sim” — para então ouvir uma entusiasmada demonstração de conhecimento sobre as descobertas do pré-sal. “Ele se disse impressionado com as notícias”, diz Quintão. “O contraste com o que acontecia antes é grande. Há alguns anos, muitos investidores estrangeiros não sabiam o que era aPetrobras. Várias vezes ouvi de gente graúda do mercado: ‘Petrowhat?’”

tab_financas_bolsa1_gO oficial da Alfândega é apenas mais um da crescente legião de americanos interessados na Petrobras — e também em outras empresas brasileiras. Vale e Petrobras já estão entre as 35 companhias mais negociadas da bolsa de Nova York, acima de ícones como Coca-Cola e Visa. As duas têm hoje mais de 400 000 acionistas nos Estados Unidos — um número impressionante, que equivale a um terço do total de investidores que elas mantêm aqui. São pessoas como Michael Crawford, de 28 anos, acionista das duas companhias brasileiras há dois anos. “Até 2007, o Brasil não me dizia nada. De lá para cá, passei a receber muitos relatórios de bancos e corretoras falando bem da economia e das empresas do país. Hoje, acredito que, no mundo emergente, a Petrobras e a Vale, são as duas companhias mais promissoras e, por isso, vou aplicar mais nelas”, diz ele, que é diretor do Investor Relations Group, firma com sede em Nova York que assessora empresas de capital aberto. Em escala menor, outras companhias do país, como CSN e AmBev, também têm avançado no mercado americano. “O Brasil de fato mudou de patamar graças à evolução da economia e da qualidade de suas empresas”, diz Scott Cutler, vice-presidente da bolsa de Nova York (ou Nyse, na sigla em inglês).

Mais que uma informação curiosa, o fato de as empresas brasileiras terem cada vez mais investidores lá fora é algo estratégico. Uma parcela dos estrangeiros não pode ou não está disposta a encarar a burocracia de abrir uma conta no Brasil para aplicar diretamente na Bovespa. Isso tem levado várias companhias locais a lançar papéis (batizados de ADRs) na bolsa de Nova York para conseguir atrair mais acionistas. “Quando fazíamos apresentações internacionais, vários investidores, especialmente os fundos soberanos da Ásia e do Oriente Médio, diziam que só não aplicavam nas nossas ações porque não tínhamos papéis ADRs”, diz Marco Geovanne, executivo da área de relações com investidores do Banco do Brasil, que foi autorizado em setembro pelo governo a ser listado na bolsa americana, o que deve ocorrer em 2010. O BB segue o caminho de Bradesco e Itaú, que são listados lá fora desde o início da década, e também do Santander, que vai emitir ações de sua operação brasileira tanto na Bovespa como na bolsa de Nova York, no que pode ser a maior operação de mercado de capitais do ano no mundo. Somadas às companhias de outros setores, mais da metade de todos os negócios com ações de empresas brasileiras hoje ocorre no mercado americano.

Ao atrair mais investidores, as empresas brasileiras podem estar pavimentando o caminho para captar ainda mais recursos no futuro. Possuir ações muito negociadas é crucial para negócios que pretendem se financiar usando a bolsa, especialmente lá fora. Os fundos de pensão e outros gigantes institucionais só investem em papéis com um volume mínimo de transações por dia, para garantir que conseguirão comprá-los e vendê-los com facilidade. “Senão, toda vez que eles decidem negociar os papéis acabam interferindo no preço e, dependendo do caso, perdem dinheiro”, diz Edward Kuczman, analista da Van Eck, firma americana de investimentos que atende clientes institucionais. Daí a importância de avançar no ranking das ações mais negociadas. Hoje, o Brasil já é o segundo país em termos de movimentação de ações em Nova York, atrás apenas dos Estados Unidos.

tab_financas_bolsa2_gDezenas de estudos internacionais mostram que ter ações num grande mercado global pode trazer vantagens para as companhias. Um dos principais trabalhos, feito pelo professor René Stulz, da Universidade de Ohio, diz que a presença internacional pode reduzir os custos de captação de dinheiro. Não se trata, ele ressalva, de algo que ocorre da noite para o dia. “É preciso, primeiro, que as empresas consolidem uma base de acionistas globais”, diz Stulz. Uma vez conquistado esse portfólio de investidores, fica mais barato levantar capital. A Gafisa é um exemplo de como a expansão lá fora pode vitaminar os negócios. Se não tivesse decidido lançar ações na bolsa de Nova York em 2007, pouco depois de sua abertura de capital na Bovespa, a incorporadora provavelmente não teria conseguido levantar os quase 500 milhões de reais obtidos em Nova York que a ajudaram a duplicar seu volume de lançamentos e a comprar a antiga concorrente na baixa renda, a Tenda. “Hoje, embora não sejamos a maior incorporadora do país, temos as ações mais negociadas do mercado”, diz Alceu Duílio Calciolari, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da Gafisa.

Lançar e manter ações na bolsa em Nova York, porém, é um processo caro. Estima-se que as empresas gastem, por ano, cerca de 2 milhões de dólares só para cumprir as exigências da temida lei contábil americana, a Sarbanes-Oxley — fora o pagamento das taxas normais cobradas pela bolsa. Tudo somado, é mais que o dobro do que se gasta aqui. “Não existe almoço grátis”, diz Roberto Castello Branco, diretor de relações com investidores da Vale. Essa é uma das razões que explicam por que apenas as companhias brasileiras de grande porte são listadas lá fora — são apenas 31 empresas, que movimentam grandes somas de dinheiro. Para as demais, resta como consolo o salto de qualidade da Bovespa nos últimos anos. De um mercado essencialmente local, com base numa regulação vista como frouxa, a bolsa paulista passou por um processo de modernização e avanço regulatório na última década, que incluiu a criação do Novo Mercado, um segmento que reúne empresas com alto nível de governança corporativa. O melhor reflexo dos resultados desses progressos foram as 170 aberturas de capital e as ofertas de ações que ocorreram na bolsa de 2004 para cá — e que tiveram, entre os compradores, 70% de investidores internacionais.

Um dos grandes projetos da Bovespa é atrair mais estrangeiros para o mercado local. Há poucos meses, os novos executivos da bolsa iniciaram uma ofensiva internacional. Estão sendo negociadas parcerias com a Nasdaq, dos Estados Unidos, e com mercados de ações na América Latina para permitir que os investidores desses países comprem papéis na Bovespa por meio de suas corretoras locais. A bolsa também ampliou seus escritórios em Xangai e Nova York e está abrindo um em Londres. “Isso é muito melhor para as empresas, que ficam no próprio mercado e têm condições de conhecer melhor seus investidores”, diz Paulo Oliveira Jr., diretor executivo da BM&FBovespa (que, aliás, não tem ações em Nova York). “Hoje, a Bovespa é uma das poucas bolsas do mundo procuradas pelos estrangeiros, mais que qualquer mercado da América Latina e mesmo de parte dos europeus. Nossa meta é ampliar isso.”

A bolsa nega, mas comenta-se que a motivação desse movimento seja contra-atacar Wall Street. “É lógico que existe uma competição por empresas e investidores”, diz um ex-executivo da Bovespa. A Nyse, por sua vez, não está só assistindo aos planos da Bovespa: neste ano, Scott Cutler, responsável pela listagem de empresas na bolsa americana, já esteve três vezes no Brasil — e, na última delas, em agosto, trouxe o presidente da bolsa, Duncan Niederauer, para visitar companhias e investidores em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Seu objetivo é manter em crescimento o número de empresas brasileiras em Nova York. A primeira, a Aracruz, estreou lá em 1995 — hoje, são 31.

É cedo para dizer quais podem ser os resultados do pretendido avanço da Bovespa lá fora. A bolsa já tentou fechar uma parceria com o mercado do México no passado, mas o projeto naufragou por falta de aprovação dos órgãos reguladores. O que parece um caminho sem volta é a exposição que as empresas brasileiras vêm conseguindo no exterior. Companhias como ValePetrobras, Bradesco e Itaú Unibanco realizam em torno de 30 eventos com investidores no exterior por ano — fora as visitas que elas recebem aqui. É possível que Michael Crawford, o americano que investe em Vale e Petrobras, seja um desses visitantes em breve. “Nunca fui ao Brasil, mas quero ver de perto como funciona essa economia que está numa fase tão diferente da americana”, diz. Ele vai ter de se explicar na imigração, mas é improvável que não seja bem-vindo.

Que história é essa de branding?

Por André Galiano

O meio empresarial adora termos técnicos. É benchmark disso, audit daquilo. Quando o termo assume sentido amplo e é usado para designar mais de uma coisa fica ainda mais interessante – e difícil de entender o que realmente estão querendo dizer. Então que história é essa de branding?

marcas

Primeiro: não é um termo novo e embora os acadêmicos se esforcem para encontrar uma definição comum, ainda é usado no mercado de diversas maneiras, muitas vezes até confusas. Com base em sua tradução literal, branding é o processo de marcar. Ou deixar uma marca. Simples. Então fica a pergunta: marca, o que é?

Antes de complicar mais, vamos olhar para casos típicos:

i) Contratei um designer para mudar meu logotipo.
ii) Contratei uma agência de publicidade pra fazer a comunicação da minha empresa.
iii) Fechei uma cota de patrocínio num evento.

Isto é branding? A resposta é não e sim.

Por que não? Porque marca não é logo, comunicação ou qualquer outro tipo de ativação. Marca é o reflexo da cultura de uma empresa vista sob a perspectiva de todos seus públicos. Isto é, não é o que nós estamos dizendo para eles, é como eles estão nos enxergando. É o registro que fica para eles depois de todo o histórico de experiências com a empresa: ver o logo, assistir o anúncio, visitar o canal, reconhecer a embalagem, comprar e usar o produto, ligar para telefonista para reclamar etc. Sendo assim, não dá pra se afirmar que estamos fazendo branding apenas por mudar o logo, fazer anúncio ou ativar um patrocínio. É preciso se pensar em toda a cadeia.

Mas a resposta também é sim, porque se estamos modificando alguns pontos de contato (mudança de logo, anúncio, patrocínio etc.) – e dessa forma tentando moldar a maneira como somos percebidos – então estamos, de fato, contribuindo para a gestão deste ativo na mente de seus públicos.

Talvez esta seja a definição mais aceitável: branding não é um processo isolado, mas sim um esforço estruturado que envolve todas as áreas da empresa, não só aquelas que estão na ponta final da cadeia. Esse esforço todo tem um único objetivo: orquestrar a empresa de tal maneira a permitir que a experiência do consumidor seja não só a mesma em cada ponto, mas única (diferente de outras empresas) e relevante.

E que no fim, o que ele diga de nós para os outros seja exatamente o que a gente deseja. Como uma história que se repete sempre da mesma maneira.

Branding é essa história.

André Galiano Diretor da BrandAnalytics. Formado em Comunicação Social pela USP, pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV/SP e Especialização em Finanças pela University of California. Foi Consultor na Interbrand de 2002-2006. Galiano participou de equipe de projetos para empresas no Brasil, Argentina, Espanha, México, Chile, Peru e EUA. Galiano leciona em cursos de pós-graduação pela faculdade FAAP.

Reputação ou morte!

Fonte: Época Negócios
Por Philip Kotler

Quando o assunto é marca, a maioria das pessoas logo pensa em Coca-Cola, Apple, Ikea, Starbucks, Nokia e, talvez, Harley Davidson. Para essas companhias, suas marcas representam um ativo de valor e durabilidade, um motivador de sucesso. Já no mercado business-to-business (de empresa para empresa) tudo soa muito diferente – o branding é algo a que não se empresta grande relevância. Muitos executivos têm a firme convicção de que a marca é um fenômeno relevante apenas para os chamados mercados de consumo. Motores elétricos, lubrificantes industriais ou componentes de alta tecnologia seriam escolhidos mediante um processo decisório objetivo, que dá importância apenas a fatos concretos, como funcionalidade, preços, serviços e qualidade. Dados subjetivos como a reputação da empresa – se é ou não conhecida -, não despertariam interesse.

Será verdade? Alguém realmente acredita que as pessoas conseguem se transformar em máquinas destituídas de sentimentos e extremamente racionais quando estão no trabalho? Não creio. Microsoft, IBM, General Electric, Intel, HP, Cisco Systems, Dell, Oracle, SAP, Siemens, FedEx, Boeing são exemplos emblemáticos. Embora também produzam para os consumidores, seus principais negócios estão concentrados no mercado corporativo. Veja a Boeing. No início desta década ela formalizou a primeira estratégia de marca de sua história, integrada à estratégia geral de estender seu alcance além dos limites da aviação comercial. Hoje, sua marca abrange virtualmente tudo. Até mesmo o plano destinado a transferir sua sede de Seattle para Chicago foi desenvolvido tendo a marca como a maior preocupação. Dois anos atrás, a Boeing lançou um novo modelo de avião. Numa campanha mundial com a AOL, toda a empresa se lançou à busca de um nome capaz de representar as proporções daquilo que estava vendendo – o aparelho foi batizado de Dreamliner.

As marcas são cada vez mais importantes em quase todas as indústrias. Por quê? Há, de um lado, a explosão de ofertas presente em quase todas as áreas de atividades. Clientes de todos os tipos de bens, de aços especiais a software, encontram pela frente um número formidável de potenciais fornecedores. Na verdade, fornecedores demais para que seja viável conhecer cada um deles, e muito menos para que possam ser avaliados e analisados com o necessário rigor. A internet, além disso, disponibiliza uma megavariedade de escolhas a compradores em qualquer parte do mundo com um simples toque no mouse do computador. Sem contar com marcas confiáveis como parâmetros, os compradores seriam atropelados por uma sobrecarga de informações sem relação com aquilo que procuram. As marcas também amplificam o acesso a novos mercados, atuando como embaixadores numa economia globalizada.

A marca e o CEO

Construir, promover, apoiar e proteger marcas sólidas é tarefa de todos na empresa, a começar pelo CEO. A participação ativa dos líderes é indispensável. São eles que devem orientar o esforço de branding. Marcas precisam ser reconhecidas como os ativos estratégicos que na verdade são: a base da vantagem competitiva e da lucratividade a longo prazo. Nomear um vice-presidente de branding, alguém com a exclusiva responsabilidade de administrar a marca, seria um passo decisivo nesse sentido. Mas será que serão dignas dos esforços e do tempo nelas investidos? Avaliar e mensurar o sucesso das marcas e de sua gestão é uma questão difícil e controvertida. Mais ainda: nem sempre é possível atribuir a elas a concretização de metas e números – algo que muitos especialistas de marketing certamente iriam preferir. Como resultado, são limitadas as pesquisas analíticas que buscam quantificar o verdadeiro retorno dos investimentos em marcas. Recente estudo conduzido pela BBDO Consulting destaca a força de criação da marca.

42% dos americanos punem marcas condenadas socialmente

A fim de visualizar o efeito das marcas e do branding no preço da ação, foram comparados o desempenho nos mercados financeiros de 23 das 30 companhias do índice Dax (que inclui ações blue chips negociadas na Bolsa de Valores de Frankfurt). O resultado da enorme diferença em desempenho acentua a importância das marcas. Companhias com marcas sólidas conseguiram recuperar-se com rapidez significativamente maior do abalo sofrido pelo mercado de ações em conseqüência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Marcas sólidas, portanto, proporcionam às respectivas companhias retornos mais sólidos.

Na década de 80, os computadores pessoais começaram a entrar na casa dos consumidores. Naquela época, as marcas altamente reconhecidas na indústria eram IBM, Apple e Hewlett-Packard. Apenas os usuários mais especializados sabiam então qual era o tipo de chip que suas máquinas utilizavam, e nem todos conheciam os fabricantes dessas peças. Tudo isso mudou em 1989, quando a Intel decidiu identificar seus processadores pela marca. Seus gestores entenderam que estabelecer a marca constituía a única forma de se manter à frente dos concorrentes. Hoje, a Intel é líder em produção e tecnologia de semicondutores, apoiada e movida por sua poderosa marca, uma vantagem competitiva praticamente imbatível. O logo Intel Inside é usado atualmente por cerca de 2,7 mil fabricantes de PCs em todo o mundo, e sua percepção pelos consumidores chega a 90 %.

A história da empresa vai do estágio de fornecedor invisível de partes de computador ao status de uma das dez marcas mais conhecidas no mundo. Foi em 1989 que a Intel lançou seu primeiro programa destinado a comercializar um microprocessador, o 386SX, para os gerentes de tecnologia da informação que compravam PCs para suas empresas. Embora o programa tenha obtido sucesso, vários desafios rapidamente surgiram em seu caminho, entre eles questões legais. A Intel garantia que seus processadores 368 e 486 eram marcas registradas protegidas e lutava nos tribunais para garantir esse direito, a fim de que nenhuma outra empresa pudesse usá-las. Infelizmente para ela, os tribunais decidiram o oposto, o que abriu as portas para que os concorrentes passassem a fazer livre uso dos numéricos – a essa altura, de grande renome. Sem se abalar com essa derrota, a Intel passou imediatamente a trabalhar numa nova campanha que entraria para a história do branding. Àquela altura, era absoluta novidade que uma empresa de semicondutores negociasse diretamente com o usuário final. A empresa examinou as táticas utilizadas por companhias renomadas que forneciam um componente ou ingrediente de produtos acabados, como NutraSweet, Teflon e Dolby. O programa Intel Inside lentamente tomou forma e foi lançado em 1991. Um de seus principais objetivos era tornar a marca a opção principal, a número 1 entre os gerentes de TI. Mas, igualmente, pretendeu criar uma exigência dos consumidores pela marca Intel quando da compra de um PC. Hoje a companhia busca oportunidades fora da sua tradicional corrente de negócios com PCs. A Apple e seus computadores iMac foram acrescentados à lista de clientes da Intel recentemente. Além de computadores, o mercado-alvo da Intel abrange atualmente telefones celulares, TVs de tela plana, players portáteis de música e vídeo, redes domésticas wireless e até mesmo instrumental médico. Com uma única tacada, a companhia está mirando em dez novas áreas de produtos para os seus chips.

Ataque às corporações

Um debate travado atualmente questiona se as corporações devem à sociedade mais do que satisfazer as necessidades dos consumidores e ganhar dinheiro. Em 2004, o documentário The Corporation, baseado no livro homônimo de Joel Bakan, professor de direito canadense, atraiu considerável atenção. Evocando a decisão da Suprema Corte norte-americana, que no século 19 garantiu às corporações o status de “pessoa”, o filme busca a antropoformização da corporação, imaginando que tipo de “pessoa” ela seria. Aplicando o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais à persona das corporações, chega-se à conclusão de que ela seria julgada como “psicopática”, sem nenhuma obrigação moral ou social. Esse recurso publicitário de patologia é usado ao longo do filme, mas na verdade nada faz para esclarecer as características essenciais da entidade. Por ser provocador e emocional, o documentário consegue atrair principalmente as platéias jovens envolvidas na antiglobalização – mas sem estabelecer nenhuma crítica fundamentada e séria da vida social e econômica contemporânea. Confuso, o filme pode ser visto inclusive como reacionário. Suas recomendações finais não passam de soluções tipo band-aid, um tipo de credo estatizante.

Tom Peters: “É preciso mais poetas e mais músicos nas empresas”

Os contestadores da globalização, que atacam as empresas multinacionais e suas marcas como “agressoras”, não constituem um fenômeno inovador. Um ativista que protesta e exige melhor comportamento social das chamadas “agressoras” pode ser comparado às candidatas de concursos de beleza fazendo apelos em prol da paz mundial. Nenhum dos dois é levado muito a sério, e os desejos por eles manifestados não se concretizarão tão cedo. As companhias não estão aqui para tornar o mundo um lugar melhor, mas, sim, para suprir nossas necessidades em termos de tornar nossas vidas mais confortáveis, enquanto ganham dinheiro. Se quisermos realmente ver maiores demonstrações de consciência social por parte dessas companhias, a demanda em tal sentido cabe aos funcionários, consumidores e stakeholders. E é aqui que entra em cena o poder da marca. As corporações estão em um mundo digitalizado que a tudo enxerga. As empresas não têm outro caminho a não ser funcionar de acordo com as regras. E o mais forte incentivo para que se portem assim parte do desejo de contar com uma marca global com imagem positiva. A fim de proteger a reputação de suas marcas, toda empresa precisa admitir que seu sucesso exige uma abordagem holística da promoção de seus produtos ou serviços, o que inclui demonstrações práticas de responsabilidade social. As marcas do futuro terão de garantir não apenas qualidade do produto e uma imagem desejável. Terão igualmente de sinalizar que alguma coisa de valor existe por trás delas. “O próximo grande passo em matéria de marcas é o da responsabilidade social”, sustenta o consultor Wally Olins, autor de A Marca. Longe de representar o mal, as marcas estão se transformando numa arma eficiente para garantir que mesmo as maiores corporações multinacionais assumam suas responsabilidades.

As marcas são geradoras centrais de riqueza para negócios e economias, e, por isso, só podem desenvolver um papel positivo. Cresce o número de corporações que entendem e têm testemunhado os efeitos positivos da implementação de campanhas de marketing em benefício de causas, mas qual é o espaço ainda restante para a filantropia das corporações? E de que forma podem as corporações desejosas de ajudar a comunidade, e principalmente os setores mais necessitados, lucrar com as experimentações de seus pares? Branding e responsabilidade social buscam criar um mundo equânime e sustentável, ao trabalhar com as empresas a fim de promover práticas de negócios mais reativas, bem como inovação e colaboração. A reputação das companhias e a nacionalidade das corporações muitas vezes afetam a capacidade de uma empresa para operar no exterior ou influenciar o comportamento dos consumidores em suas compras. Conforme o relatório Corporate Social Responsibility Monitor, 42% dos americanos adotam medidas punitivas – ao se recusar a comprar os produtos por elas oferecidos – de empresas socialmente irresponsáveis.

Empresas cujas práticas comerciais correspondam às preocupações de seus múltiplos stakeholders contam com uma vantagem estratégica nos negócios. Muitas companhias americanas estão descobrindo o que suas congêneres no exterior conhecem e tentam praticar há anos: que a reputação como corporação socialmente responsável é importante, e que a transparência e confiabilidade nessa ação de cidadania pode melhorar a imagem da marca e a boa vontade em relação a ela. A instituição dessas práticas é evidenciada pelo fato de que o número de companhias proclamando a adoção de metas de responsabilidade social aumentou de 200, cinco anos atrás, para mais de 4 mil, na atualidade. Com tais ações, as companhias refletem o entendimento de que fazem parte integral do mundo econômico e social em que operam. É por isso que os executivos precisam fazer com que a sociedade chegue às empresas, e também por isso é que eles precisam transformar suas marcas em símbolos que a sociedade sinta como apropriados. No emergente mundo pós-industrial interligado por redes, esse relacionamento se torna progressivamente um dos mais importantes desafios enfrentados por todo tipo de empreendimento. As companhias que entenderem os elementos desse desafio e se dedicarem a colocá-los em prática estão predestinadas a ser as grandes vencedoras do futuro.

O design é outra ferramenta de crescente importância em termos de diferenciação. A humanidade sempre lançou mão de símbolos para expressar fervoroso individualismo, orgulho, lealdade e propriedade. É fascinante encontrar paralelos entre os mundos das belas-artes e do branding. Pode-se identificar grandes líderes culturais, como Rembrandt ou mesmo Andy Warhol como os inspiradores de poderosas marcas. A chave de seu sucesso reside na habilidade única de fazer eco aos valores culturais de suas sociedades. O que se exige hoje é um nível mais profundo de insight, que nos capacite a nos tornar condutores da mudança mediante a antecipação de valores emergentes nos negócios e na sociedade. A linguagem do design e a identidade de marca de uma companhia andam juntas. Enquanto as marcas falam à mente e ao coração, sua identidade é tangível e desperta os sentidos. A identidade é a expressão visual e verbal da marca. Ela sustenta, manifesta, comunica, sintetiza e visualiza a marca. Trata-se da forma de comunicação mais sintética, ágil e onipresente.

Uma história de sucesso nesse campo é a da Philips. Desde 1991, o designer Stefano Marzano, CEO da Philips Design, desenvolve uma nova função para o design, com base num ideal tão simples quanto desafiante – antecipar e criar futuros idealizados por meio do design. Essa linha de pensamento deu como fruto a noção do High Design. A premissa é que o design se torne uma síntese multidisciplinar enriquecida por corpos diversificados e complementares de conhecimento das ciências humanas, tecnologia e especializações materiais em estética e ciências da comunicação. Essa visão levou a Philips Design à definição de Futuros Estratégicos, uma metodologia que facilita o alinhamento de rotas de negó cios, tendências de tecnologias, previsões culturais globais/regionais e insight sociológico para sustentar de maneira criativa soluções realizáveis. O ponto de partida fundamental do High Design é sua capacidade de focar nos valores e necessidades emergentes das pessoas. Ao longo da década passada, a Philips Design formou uma equipe multicultural de pesquisadores (reunindo etnógrafos, antropólogos culturais, sociólogos, caçadores de tendências na cultura popular e estrategistas de sustentabilidade) e a colocou a serviço de um objetivo muito claro – estudar as diferentes sociedades e injetar todo esse conhecimento reunido no processo do design e da marca.

Para um número crescente de companhias, o design tornou-se uma obsessão profissional. Tom Peters resume, no seu livro Essential: “Precisamos de menos fanáticos tecnológicos e mais poetas em nossos departamentos de design, e mais artistas, mais músicos de jazz, e mais dançarinos”. Como consumidores, somos cercados pelas chamadas lovemarks – marcas que conseguiram muito mais do que a mera percepção e a lealdade. Elas são partes essenciais de nossas vidas. As pessoas sentiriam a falta de Coca-Cola, McDonald’s e Starbucks se elas repentinamente desaparecessem da face da Terra. Essas marcas têm maior possibilidade de sobreviver a manchetes negativas – por exemplo, sobre defeitos nos produtos – ou outros problemas similares que, em relação a outras marcas, causariam danos devastadores. Tudo isso porque os consumidores “gostam delas” e internalizaram por inteiro sua mensagem. Veja o iPod da Apple com suas baterias insubstituíveis. Depois que dois viciados em Apple fizeram o filme chamado iPod’s Dirty Secret (“O segredo sujo do iPod”) e lançaram um site de protesto, a Apple localizou o problema e o eliminou. A parte fascinante é que o protesto foi um ato de amor. Em vez de ficar desapontados e mudar para outra marca, eles “investiram” nela para assegurar melhor desempenho da marca no futuro.

Adaptado de Gestão de Marcas em Mercados B2B, que foi lançado no Brasil no final de agosto pela editora Bookman

O baReputação ou morte!
No novo mundo digital e globalizado, até as marcas mais poderosas correm o risco de ser superadas por novatas. O que sua empresa deve fazer – já – para manter o prestígio e a relevância
Philip Kotler
Quando o assunto é marca, a maioria das pessoas logo pensa em Coca-Cola, Apple, Ikea, Starbucks, Nokia e, talvez, Harley Davidson. Para essas companhias, suas marcas representam um ativo de valor e durabilidade, um motivador de sucesso. Já no mercado business-to-business (de empresa para empresa) tudo soa muito diferente – o branding é algo a que não se empresta grande relevância. Muitos executivos têm a firme convicção de que a marca é um fenômeno relevante apenaspara os chamados mercados de consumo. Motores elétricos, lubrificantes industriais ou componentes de alta tecnologia seriam escolhidos mediante um processo decisório objetivo, que dá importância apenas a fatos concretos, como funcionalidade, preços, serviços e qualidade. Dados subjetivos como a reputação da empresa – se é ou não conhecida -, não despertariam interesse.
A Intel foi de fornecedor invisível à posição de marca global
Será verdade? Alguém realmente acredita que as pessoas conseguem se transformar em máquinas destituídas de sentimentos e extremamente racionais quando estão no trabalho? Não creio. Microsoft, IBM, General Electric, Intel, HP, Cisco Systems, Dell, Oracle, SAP, Siemens, FedEx, Boeing são exemplos emblemáticos. Embora também produzam para os consumidores, seus principais negócios estão concentrados no mercado corporativo. Veja a Boeing. No início desta década ela formalizou a primeira estratégia de marca de sua história, integrada à estratégia geral de estender seu alcance além dos limites da aviação comercial. Hoje, sua marca abrange virtualmente tudo. Até mesmo o plano destinado a transferir sua sede de Seattle para Chicago foi desenvolvido tendo a marca como a maior preocupação. Dois anos atrás, a Boeing lançou um novo modelo de avião. Numa campanha mundial com a AOL, toda a empresa se lançou à busca de um nome capaz de representar as proporções daquilo que estava vendendo – o aparelho foi batizado de Dreamliner.
As marcas são cada vez mais importantes em quase todas as indústrias. Por quê? Há, de um lado, a explosão de ofertas presente em quase todas as áreas de atividades. Clientes de todos os tipos de bens, de aços especiais a software, encontram pela frente um número formidável de potenciais fornecedores. Na verdade, fornecedores demais para que seja viável conhecer cada um deles, e muito menos para que possam ser avaliados e analisados com o necessário rigor. A internet, além disso, disponibiliza uma megavariedade de escolhas a compradores em qualquer parte do mundo com um simples toque no mouse do computador. Sem contar com marcas confiáveis como parâmetros, os compradores seriam atropelados por uma sobrecarga de informações sem relação com aquilo que procuram. As marcas também amplificam o acesso a novos mercados, atuando como embaixadores numa economia globalizada.
A marca e o CEO
Construir, promover, apoiar e proteger marcas sólidas é tarefa de todos na empresa, a começar pelo CEO. A participação ativa dos líderes é indispensável. São eles que devem orientar o esforço de branding. Marcas precisam ser reconhecidas como os ativos estratégicos que na verdade são: a base da vantagem competitiva e da lucratividade a longo prazo. Nomear um vice-presidente de branding, alguém com a exclusiva responsabilidade de administrar a marca, seria um passo decisivo nesse sentido. Mas será que serão dignas dos esforços e do tempo nelas investidos? Avaliar e mensurar o sucesso das marcas e de sua gestão é uma questão difícil e controvertida. Mais ainda: nem sempre é possível atribuir a elas a concretização de metas e números – algo que muitos especialistas de marketing certamente iriam preferir. Como resultado, são limitadas as pesquisas analíticas que buscam quantificar o verdadeiro retorno dos investimentos em marcas. Recente estudo conduzido pela BBDO Consulting destaca a força de criação da marca.
42% dos americanos punem marcas condenadas socialmente
A fim de visualizar o efeito das marcas e do branding no preço da ação, foram comparados o desempenho nos mercados financeiros de 23 das 30 companhias do índice Dax (que inclui ações blue chips negociadas na Bolsa de Valores de Frankfurt). O resultado da enorme diferença em desempenho acentua a importância das marcas. Companhias com marcas sólidas conseguiram recuperar-se com rapidez significativamente maior do abalo sofrido pelo mercado de ações em conseqüência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Marcas sólidas, portanto, proporcionam às respectivas companhias retornos mais sólidos.
Na década de 80, os computadores pessoais começaram a entrar na casa dos consumidores. Naquela época, as marcas altamente reconhecidas na indústria eram IBM, Apple e Hewlett-Packard. Apenas os usuários mais especializados sabiam então qual era o tipo de chip que suas máquinas utilizavam, e nem todos conheciam os fabricantes dessas peças. Tudo isso mudou em 1989, quando a Intel decidiu identificar seus processadores pela marca. Seus gestores entenderam que estabelecer a marca constituía a única forma de se manter à frente dos concorrentes. Hoje, a Intel é líder em produção e tecnologia de semicondutores, apoiada e movida por sua poderosa marca, uma vantagem competitiva praticamente imbatível. O logo Intel Inside é usado atualmente por cerca de 2,7 mil fabricantes de PCs em todo o mundo, e sua percepção pelos consumidores chega a 90 %.
A história da empresa vai do estágio de fornecedor invisível de partes de computador ao status de uma das dez marcas mais conhecidas no mundo. Foi em 1989 que a Intel lançou seu primeiro programa destinado a comercializar um microprocessador, o 386SX, para os gerentes de tecnologia da informação que compravam PCs para suas empresas. Embora o programa tenha obtido sucesso, vários desafios rapidamente surgiram em seu caminho, entre eles questões legais. A Intel garantia que seus processadores 368 e 486 eram marcas registradas protegidas e lutava nos tribunais para garantir esse direito, a fim de que nenhuma outra empresa pudesse usá-las. Infelizmente para ela, os tribunais decidiram o oposto, o que abriu as portas para que os concorrentes passassem a fazer livre uso dos numéricos – a essa altura, de grande renome. Sem se abalar com essa derrota, a Intel passou imediatamente a trabalhar numa nova campanha que entraria para a história do branding. Àquela altura, era absoluta novidade que uma empresa de semicondutores negociasse diretamente com o usuário final. A empresa examinou as táticas utilizadas por companhias renomadas que forneciam um componente ou ingrediente de produtos acabados, como NutraSweet, Teflon e Dolby. O programa Intel Inside lentamente tomou forma e foi lançado em 1991. Um de seus principais objetivos era tornar a marca a opção principal, a número 1 entre os gerentes de TI. Mas, igualmente, pretendeu criar uma exigência dos consumidores pela marca Intel quando da compra de um PC. Hoje a companhia busca oportunidades fora da sua tradicional corrente de negócios com PCs. A Apple e seus computadores iMac foram acrescentados à lista de clientes da Intel recentemente. Além de computadores, o mercado-alvo da Intel abrange atualmente telefones celulares, TVs de tela plana, players portáteis de música e vídeo, redes domésticas wireless e até mesmo instrumental médico. Com uma única tacada, a companhia está mirando em dez novas áreas de produtos para os seus chips.
Ataque às corporações
Um debate travado atualmente questiona se as corporações devem à sociedade mais do que satisfazer as necessidades dos consumidores e ganhar dinheiro. Em 2004, o documentário The Corporation, baseado no livro homônimo de Joel Bakan, professor de direito canadense, atraiu considerável atenção. Evocando a decisão da Suprema Corte norte-americana, que no século 19 garantiu às corporações o status de “pessoa”, o filme busca a antropoformização da corporação, imaginando que tipo de “pessoa” ela seria. Aplicando o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais à persona das corporações, chega-se à conclusão de que ela seria julgada como “psicopática”, sem nenhuma obrigação moral ou social. Esse recurso publicitário de patologia é usado ao longo do filme, mas na verdade nada faz para esclarecer as características essenciais da entidade. Por ser provocador e emocional, o documentário consegue atrair principalmente as platéias jovens envolvidas na antiglobalização – mas sem estabelecer nenhuma crítica fundamentada e séria da vida social e econômica contemporânea. Confuso, o filme pode ser visto inclusive como reacionário. Suas recomendações finais não passam de soluções tipo band-aid, um tipo de credo estatizante.
Tom Peters: “É preciso mais poetas e mais músicos nas empresas”
Os contestadores da globalização, que atacam as empresas multinacionais e suas marcas como “agressoras”, não constituem um fenômeno inovador. Um ativista que protesta e exige melhor comportamento social das chamadas “agressoras” pode ser comparado às candidatas de concursos de beleza fazendo apelos em prol da paz mundial. Nenhum dos dois é levado muito a sério, e os desejos por eles manifestados não se concretizarão tão cedo. As companhias não estão aqui para tornar o mundo um lugar melhor, mas, sim, para suprir nossas necessidades em termos de tornar nossas vidas mais confortáveis, enquanto ganham dinheiro. Se quisermos realmente ver maiores demonstrações de consciência social por parte dessas companhias, a demanda em tal sentido cabe aos funcionários, consumidores e stakeholders. E é aqui que entra em cena o poder da marca. As corporações estão em um mundo digitalizado que a tudo enxerga. As empresas não têm outro caminho a não ser funcionar de acordo com as regras. E o mais forte incentivo para que se portem assim parte do desejo de contar com uma marca global com imagem positiva. A fim de proteger a reputação de suas marcas, toda empresa precisa admitir que seu sucesso exige uma abordagem holística da promoção de seus produtos ou serviços, o que inclui demonstrações práticas de responsabilidade social. As marcas do futuro terão de garantir não apenas qualidade do produto e uma imagem desejável. Terão igualmente de sinalizar que alguma coisa de valor existe por trás delas. “O próximo grande passo em matéria de marcas é o da responsabilidade social”, sustenta o consultor Wally Olins, autor de A Marca. Longe de representar o mal, as marcas estão se transformando numa arma eficiente para garantir que mesmo as maiores corporações multinacionais assumam suas responsabilidades.
As marcas são geradoras centrais de riqueza para negócios e economias, e, por isso, só podem desenvolver um papel positivo. Cresce o número de corporações que entendem e têm testemunhado os efeitos positivos da implementação de campanhas de marketing em benefício de causas, mas qual é o espaço ainda restante para a filantropia das corporações? E de que forma podem as corporações desejosas de ajudar a comunidade, e principalmente os setores mais necessitados, lucrar com as experimentações de seus pares? Branding e responsabilidade social buscam criar um mundo equânime e sustentável, ao trabalhar com as empresas a fim de promover práticas de negócios mais reativas, bem como inovação e colaboração. A reputação das companhias e a nacionalidade das corporações muitas vezes afetam a capacidade de uma empresa para operar no exterior ou influenciar o comportamento dos consumidores em suas compras. Conforme o relatório Corporate Social Responsibility Monitor, 42% dos americanos adotam medidas punitivas – ao se recusar a comprar os produtos por elas oferecidos – de empresas socialmente irresponsáveis.
Empresas cujas práticas comerciais correspondam às preocupações de seus múltiplos stakeholders contam com uma vantagem estratégica nos negócios. Muitas companhias americanas estão descobrindo o que suas congêneres no exterior conhecem e tentam praticar há anos: que a reputação como corporação socialmente responsável é importante, e que a transparência e confiabilidade nessa ação de cidadania pode melhorar a imagem da marca e a boa vontade em relação a ela. A instituição dessas práticas é evidenciada pelo fato de que o número de companhias proclamando a adoção de metas de responsabilidade social aumentou de 200, cinco anos atrás, para mais de 4 mil, na atualidade. Com tais ações, as companhias refletem o entendimento de que fazem parte integral do mundo econômico e social em que operam. É por isso que os executivos precisam fazer com que a sociedade chegue às empresas, e também por isso é que eles precisam transformar suas marcas em símbolos que a sociedade sinta como apropriados. No emergente mundo pós-industrial interligado por redes, esse relacionamento se torna progressivamente um dos mais importantes desafios enfrentados por todo tipo de empreendimento. As companhias que entenderem os elementos desse desafio e se dedicarem a colocá-los em prática estão predestinadas a ser as grandes vencedoras do futuro.
O design é outra ferramenta de crescente importância em termos de diferenciação. A humanidade sempre lançou mão de símbolos para expressar fervoroso individualismo, orgulho, lealdade e propriedade. É fascinante encontrar paralelos entre os mundos das belas-artes e do branding. Pode-se identificar grandes líderes culturais, como Rembrandt ou mesmo Andy Warhol como os inspiradores de poderosas marcas. A chave de seu sucesso reside na habilidade única de fazer eco aos valores culturais de suas sociedades. O que se exige hoje é um nível mais profundo de insight, que nos capacite a nos tornar condutores da mudança mediante a antecipação de valores emergentes nos negócios e na sociedade. A linguagem do design e a identidade de marca de uma companhia andam juntas. Enquanto as marcas falam à mente e ao coração, sua identidade é tangível e desperta os sentidos. A identidade é a expressão visual e verbal da marca. Ela sustenta, manifesta, comunica, sintetiza e visualiza a marca. Trata-se da forma de comunicação mais sintética, ágil e onipresente.
Uma história de sucesso nesse campo é a da Philips. Desde 1991, o designer Stefano Marzano, CEO da Philips Design, desenvolve uma nova função para o design, com base num ideal tão simples quanto desafiante – antecipar e criar futuros idealizados por meio do design. Essa linha de pensamento deu como fruto a noção do High Design. A premissa é que o design se torne uma síntese multidisciplinar enriquecida por corpos diversificados e complementares de conhecimento das ciências humanas, tecnologia e especializações materiais em estética e ciências da comunicação. Essa visão levou a Philips Design à definição de Futuros Estratégicos, uma metodologia que facilita o alinhamento de rotas de negó cios, tendências de tecnologias, previsões culturais globais/regionais e insight sociológico para sustentar de maneira criativa soluções realizáveis. O ponto de partida fundamental do High Design é sua capacidade de focar nos valores e necessidades emergentes das pessoas. Ao longo da década passada, a Philips Design formou uma equipe multicultural de pesquisadores (reunindo etnógrafos, antropólogos culturais, sociólogos, caçadores de tendências na cultura popular e estrategistas de sustentabilidade) e a colocou a serviço de um objetivo muito claro – estudar as diferentes sociedades e injetar todo esse conhecimento reunido no processo do design e da marca.
Para um número crescente de companhias, o design tornou-se uma obsessão profissional. Tom Peters resume, no seu livro Essential: “Precisamos de menos fanáticos tecnológicos e mais poetas em nossos departamentos de design, e mais artistas, mais músicos de jazz, e mais dançarinos”. Como consumidores, somos cercados pelas chamadas lovemarks – marcas que conseguiram muito mais do que a mera percepção e a lealdade. Elas são partes essenciais de nossas vidas. As pessoas sentiriam a falta de Coca-Cola, McDonald’s e Starbucks se elas repentinamente desaparecessem da face da Terra. Essas marcas têm maior possibilidade de sobreviver a manchetes negativas – por exemplo, sobre defeitos nos produtos – ou outros problemas similares que, em relação a outras marcas, causariam danos devastadores. Tudo isso porque os consumidores “gostam delas” e internalizaram por inteiro sua mensagem. Veja o iPod da Apple com suas baterias insubstituíveis. Depois que dois viciados em Apple fizeram o filme chamado iPod’s Dirty Secret (“O segredo sujo do iPod”) e lançaram um site de protesto, a Apple localizou o problema e o eliminou. A parte fascinante é que o protesto foi um ato de amor. Em vez de ficar desapontados e mudar para outra marca, eles “investiram” nela para assegurar melhor desempenho da marca no futuro.
Adaptado de Gestão de Marcas em Mercados B2B, que será