Fonte: Agência Estado
Por Ana Paula Ribeiro
O Banco do Brasil (BB) e a SulAmérica negociam não só o fim da parceria na área de veículos (Brasilveículos), mas também no segmento de saúde (Brasilsaúde), segundo comunicado divulgado hoje pela seguradora. Não há previsão de quanto será desembolsado pelo banco federal nos dois negócios nem o prazo para a conclusão das negociações. “A SulAmérica sairá ainda mais fortalecida e capitalizada, com uma posição de liderança junto ao canal de corretores, permanecendo como a maior seguradora independente do País”, disse, em nota, o presidente da companhia, Patrick Larragoiti Lucas.
Hoje, o BB anunciou que pretende comprar a participação de 30% da SulAmérica na Brasilveículos, joint venture criada em meados dos anos 90 para atuar no ramo de veículos. A compra faz parte da reestruturação que o banco federal promove em sua área de seguros, que culminou na formação de uma parceria com a Mapfre para a exploração dos segmentos de veículos, prestamistas, vida e ramos elementares (residencial e patrimonial).
O presidente do BB, Aldemir Bendine, afirmou hoje que a instituição não deseja mais ter em sua área de seguros empresas parceiras que sejam concorrentes indiretas do banco, como acontece hoje. “Não queremos mais competição entre sócios. Nada impede que uma parceria tenha continuidade, desde que prevaleça uma única plataforma de vendas”, disse durante entrevista para anunciar a joint venture com a Mapfre.
Para a seguradora, a Brasilveículos representava, em 2008, a 13,5% do total de prêmios de seguros e 3,7% do lucro recorrente. Já na Brasilsaúde a participação é de 50,05%, o que equivale a 2,2% dos prêmios e a 0,7% do lucro.
A SulAmérica comunicou ainda que o fim das duas parcerias deve ser pouco representativo nos resultados, já que o principal canal de vendas da companhia é a rede formada por 26 mil corretores em todo País. A seguradora conta ainda com parcerias junto a outras instituições financeiras.
Entre as parcerias existentes, apenas duas são em caráter exclusivo. Uma com o Banrisul e outra com a BV Financeira. O BB possui 49,99% do capital da BV Financeira. A SulAmérica também tem parcerias com o Banco de Brasília, Banco da Amazônia, HSBC e Santander.
NOTÍCIA COMPLEMENTAR: SulAmérica pode compensar rompimento com BB só em 2011
Fonte: Portal Exame
Seguradora tentará conciliar expansão das parcerias com bancos e preservação da rentabilidade das operações.
A Sul América Seguros pode compensar só em 2011 a perda de clientes pelo fim da parceria com o Banco do Brasil na área de seguros de veículos. Com base na ampliação dos canais de vendas e no crescimento orgânico das vendas via corretores, porém, a companhia acredita que pode não apenas recuperar o espaço no segmento de automóveis como avançar também em outros setores.
O acordo com o Banco do Brasil, representava entre 13,5% e 14% das receitas da SulAmérica. A venda em agências espalhadas por todo o Brasil era um dos principais canais de distribuição dos produtos da seguradora, tanto que a estratégia da companhia para reverter a perda de clientes concentra-se principalmente em acordos nos mesmos moldes da que ela mantinha com o BB.
“O principal efeito será uma redução da receita no canal de automóveis”, diz o vice-presidente corporativo e diretor de relações com investidores, Arthur Farme D’Amoed Neto. Ele afirma que a recuperação deve ocorrer já em 2010, mas pode se estender ao longo do 1º semestre de 2011.
Hoje a SulAmérica já tem acordos com 20 bancos para a comercialização de apólices em agências. Entre os parceiros estão Santander, Safra, Banrisul, HSBC e BV Financeira, mas a meta é expandir com mais agilidade o contato com o consumidor pelo atendimento bancário, tanto em veículos como em saúde.
Para fechar acordos de distribuição, o banco não teria problemas em utilizar parte do caixa que construiu a partir da sua abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo, em 2007. O volume disponível é de 1 bilhão de reais, mas a SulAmérica ainda poderá contar com o montante que deve receber do Banco do Brasil pela compra da participação na Brasilveículos.
O valor não é estimado pela seguradora, já que oficialmente as negociações não começaram. Na terça-feira, no entanto, o BB anunciou abertamente o plano de encerrar a parceria, por meio de uma carta de intenções enviada ao presidente da SulAmérica, Patrick de Larragoiti Lucas. O banco manifestou interesse em comprar a totalidade das ações detidas pela seguradora na Brasilveículos, correspondentes a 30% do capital total, como parte do seu processo de reorganização societária.
Como agravante, o novo desenho do BB em seguros prevê uma aliança com a Mapfre, empresa espanhola concorrente da Sulamérica, na áreas de seguros de risco, pessoas, ramos elementares e automóveis.
O caminho da união com um grande banco deve ajudar, ainda, outra das seguradoras mais importantes do país, a Porto Seguro, que há menos de dois meses anunciou uma fusão com a área de seguros do Itaú Unibanco.
Até poucas semanas atrás, a própria SulAmérica era vista como alvo principal do interesse dos bancos. Analistas cogitaram que a empresa estaria em negociação com o Bradesco e, mais tarde, com o BB. Sem resultados nesse sentido, a empresa agora buscará por conta própria a presença no varejo bancário.
“Não se brinca com preço”
A boa notícia para a SulAmérica é que o impacto do rompimento com o BB começará a ser sentido apenas em 2010. Segundo D’Amoed Neto, as negociações para o fim da parceria devem durar até dezembro e, portanto, há poucas chances de a mudança afetar os resultados de 2009.
Ele também diz que neste momento ainda não há conversas entre a SulAmérica e o BB no sentido de a seguradora comprar a participação do banco na Brasilsaúde, empresa na qual a SulAmérica já tem participação acionária de 50,05%.
D’Amoed Neto explica que as duas empresas já mostraram interesse em rediscutir a parceria em seguros de saúde, mas a negociação estaria um passo atrás da que deve ter início no setor de automóveis
Mesmo que o negócio se concretize, ele explica, não se trata de uma compensação à quebra da união em veículos, já que a operação da área de saúde corresponde a 50 milhões de reais, enquanto a de automóveis equivalia a mais de 300 milhões de reais.
O diretor de relações com investidores descarta, ainda, estratégias muito agressivas de redução de preço, que ponham em risco a rentabilidade das operações. A venda por meio dos corretores, canal em que a competitividade de preços é um dos fatores essenciais, responde por 80% da receita da SulAmérica, mas o cenário de juros mais baixos estimula a disciplina na precificação.
“Em seguros é muito fácil crescer, se você corta preços, no dia seguinte vende toneladas de apólices, mas logo vai pagar por isso. Não se brinca com preço em seguros”, afirma.
A empresa conta com 26 mil corretores ativos e deve fechar 2009 com 6,3 milhões de clientes.
Fonte: Valor Econômico
Por Altamiro Silva Júnior
A SulAmérica prepara a contra-ofensiva à perda de sua participação na sociedade com o BB na Brasilveículos
A SulAmérica prepara a contra-ofensiva à perda de sua participação na sociedade com o Banco do Brasil na Brasilveículos. Com R$ 1 bilhão em caixa, a empresa da família Larragoiti quer a Brasilsaúde, a seguradora de saúde do BB, seja comprando sua totalidade ou a carteira de clientes. O plano em análise inclui outras aquisições, acordos com o varejo, parcerias estratégicas e estímulos aos corretores.
Patrick de Larragoiti Lucas, presidente da SulAmérica, disse ao Valor que foi informado na terça-feira, por carta, que havia perdido a chance de ser parceiro do BB no novo modelo de seguros que o banco desenha.
Larragoiti admite que a seguradora perdeu um canal de vendas importante, que são as agências do BB espalhadas pelo país. Mas ele minimiza o impacto nas vendas. “Nosso principal canal de distribuição são os corretores. Sempre foram e sempre serão”. São 26 mil corretores que receberam R$ 40 milhões em comissões adicionais nos últimos meses. Ele cita ainda acordos firmados com 20 bancos para a distribuição de apólices nas agências, entre eles HSBC e Santander.