Cadbury aumenta seu valor para a Kraft

Fonte: The Wall Street Journal, de Londres
Por Cecilie Rohwedder

A fabricante britânica de doces Cadbury PLC apresentou sólidos números de vendas do terceiro trimestre que enviaram um recado claro para a potencial compradora americana Kraft Food Inc.: uma aquisição não sairá barata. A Cadbury também elevou suas projeções de vendas e lucro para o ano, numa medida que fortaleceu ainda mais sua defesa contra um comprador indesejado.

A empresa, que fabrica chocolate, goma de mascar e balas de marcas como Trident e Halls, informou que os novos números de faturamento e expectativa de crescimento mostraram aos acionistas que os interesses deles são melhor atendidos se ela continuar como companhia independente.

cadbury“Claramente estamos em contato com muitos de nossos acionistas”, disse o diretor-presidente da Cadbury, Todd Stitzer, por telefone ao Wall Street Journal ontem. “A mensagem para eles é que estamos concentrados em propiciar valor a eles e não vemos outra oportunidade de criação de valor que não seja a de mantermos uma empresa independente.”

Em setembro, a Kraft, dona da Lacta, fez uma oferta informal pela Cadbury de 40% em dinheiro, com o restante em novas ações dela. A oferta inicial avaliava a Cadbury em 745 pence, ou 10,2 bilhões de libras (US$ 16,7 bilhões), mas uma queda subsequente da ação da Kraft a deixa em atualmente 728 pence por ação, abaixo da atual cotação da Cadbury em bolsa. As ações da Cadbury fecharam estáveis ontem no mercado londrino, a 799 pence.

A Cadbury terá uma ideia mais clara de seu futuro nas próximas três semanas, porque a Kraft tem até 9 de novembro para fazer uma oferta formal ou então retrair-se por seis meses, de acordo com regra do Comitê de Aquisições do Reino Unido. A Cadbury informou que no trimestre encerrado em 30 de setembro as vendas cresceram 7%, excluindo os efeitos de oscilações cambiais. O aumento superou as expectativas dos analistas, que estavam em torno de 4%. O crescimento mais forte foi na América do Sul, de 18%, mas a empresa também teve bom desempenho no maduro mercado doméstico: as vendas no Reino Unido e Irlanda subiram 10%.

A Cadbury informou que espera crescimento das vendas em torno de 5% para todo o ano, ante projeção anterior de 4%, e que a margem de lucro operacional cresça em “pelo menos” 1,35 ponto porcentual, ante a meta anterior de 0,8 a 1 ponto porcentual. Ela não divulga o lucro trimestral. Analistas esperam agora o anúncio dos resultados trimestrais da Kraft, em 3 de novembro, quando a empresa deve reiterar seus motivos para fazer uma oferta.

Essa oferta, dizem muitos analistas, teria de incluir mais dinheiro e avaliar a Cadbury em pelo menos 850 pence por ação para ter alguma chance de convencer o conselho da empresa britânica. Até agora, nenhuma outra empresa fez uma oferta rival. Stitzer se negou ontem a citar um preço pelo qual o conselho e os acionistas da Cadbury poderiam aceitar uma oferta da Kraft ou a dizer se a Cadbury havia tido contato direto com a Kraft ou com outro potencial comprador.

Oetker contesta fusão de Sadia e Perdigão

Fonte: Valor Online
Por Juliano Basile e Lílian Cunha

BRFDe olho em uma possível aquisição e na possibilidade de aumentar sua participação de mercado, a alemã Dr. Oetker ingressou no último dia 9 com um pedido de oposição à fusão entre Sadia e Perdigão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Esse é o primeiro registro de oposição ao negócio divulgado há cinco meses registrado na autarquia vinculada ao Ministério da Justiça brasileiro.

No Brasil desde a década de 30, a Dr. Oetker é conhecida por seus chás e gelatinas, mas também fabrica e vende aromas, fermentos, sobremesas, confeitos, snacks, misturas para bolos e tortas. O interesse em impedir a fusão – ou pelo menos em conseguir restrições a ela – tem a ver com o segmento de pratos prontos. Embora no exterior a Oetker tenha uma linha completa de iogurtes, sobremesas prontas refrigeradas e pratos congelados, no Brasil ela atua nesse segmento apenas com a marca Dr. Oetker Ristorante, de pizza pronta congelada, que, segundo fontes de mercado, tem menos de 1% das vendas. 

Já a BRF – Brasil Foods (a empresa resultante da união entre Perdigão e Sadia) é dona das marcas de pizza pronta Rezende, Batavo, Apreciata e Sadia, que juntas têm 83% das vendas em volume, segundo estimativas da revista especializada Supermercado Moderno. 

” A Oetker está muito preocupada com a concentração, principalmente no segmento de pizzas prontas congeladas, e também teme possíveis práticas anticompetitivas nos canais de distribuição ” , disse Juliano Maranhão, advogado do escritório Sampaio Ferraz, contratado pela multinacional alemã. 

Maranhão relatou que a Oetker encomendou um estudo à consultoria americana Bates White para diagnosticar como ficaria o segmento de pratos congelados caso a fusão fosse aprovada sem restrições. Segundo a consultoria, a fusão irá dificultar a entrada de novas companhias no setor. O levantamento apontou que a aprovação sem restrições provocaria um fenômeno chamado de ” efeito portfólio ” , ou seja, a blindagem do mercado por várias marcas fortes que, entretanto, pertencem a uma única empresa. 

A estratégia da Oetker é fazer pressão para que o Cade aprove a fusão impondo restrições, tais como a venda de marcas e ativos em segmentos onde haja alta concentração de mercado. Pressionada pelo órgão antitruste, a BRF teria de vender essas marcas e ativos por preços mais baixos. Nesse caso, a Oetker faria aquisições gastando pouco e ganharia quase instantaneamente uma boa participação de mercado. A companhia sediada em Bielefeld, na Alemanha, é conhecida internacionalmente por já ter feito aquisições em termos semelhantes. A própria divisão de pizzas foi comprada da Unilever em 2004, quando a companhia holandesa, que passava por dificuldades, decidiu reduzir seu portfólio de 1600 para 400 marcas. 

Uma associação de suinocultores também deve apresentar em breve oposição à fusão. Pedidos de como esses são comuns no Cade e muitas vezes são determinantes na decisão do órgão. No caso da compra da Garoto pela Nestlé, por exemplo, a oposição da Kraft Foods foi crucial para que o Cade decidisse contra o negócio em 2004. Os advogados da BRF disseram que ainda não vão se pronunciar.

Aquisições de empresas de tecnologia

Totvs adquire o controle da TotalBanco

Fonte: TI Inside

A Totvs, fabricante brasileira de software de gestão, anunciou nesta terça-feira, 13, a aquisição da TotalBanco Consultoria e Sistemas. Sediada em Porto Alegre, a empresa tem mais de 150 empregados e atua há 21 anos no mercado de aplicativos e consultoria especializada para o setor financeiro.

A Totvs vai adquirir 70% do capital total da TotalBanco, por valor equivalente a 5,5 vezes o Ebitda projetado para 2009 e os 30% remanescentes do capital poderão ser comprados por meio do exercício de uma opção de compra, a partir de janeiro de 2011, pelo montante de até R$12,2 milhões, de acordo com o cumprimento pela TotalBanco de determinadas metas operacionais estabelecidas para os exercícios de 2009 e 2010. A receita líquida e o Ebitda (lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciações e amortizações) da TotalBanco projetados para este ano é de R$ 17,8 milhões e R$ 2,8 milhões, respectivamente.

De acordo com a Totvs, a operação da TotalBanco complementa o seu atual portfólio para gestão de crédito e cartões, além de incorporar novas soluções para gestão de leasing e crédito para pessoas jurídicas, e ampliar as ofertas voltadas ao core-banking, permitindo a integração da gestão de investimentos e da gestão de crédito no back-end. Ainda conforme a empresa, os fundadores da TotalBanco e seu corpo diretivo permanecem à frente da operação e passam a reportar à estrutura de financial services da Totvs.

“Nossa escolha se deu pelo domínio que a TotalBanco já tem no negócio financeiro e tecnológico. Juntas, queremos ser uma opção natural ao mercado, que espera de uma companhia não só a oferta do software certo para sua necessidade, mas que busque por um parceiro que oferte soluções, serviços, infraestrutura e consultoria para que possa manter o foco em seu negócio e deixar toda a gestão com nossos profissionais”, ressaltou José Rogério Luiz, vice-presidente executivo e financeiro e diretor de Relações com Investidores da Totvs.

Cisco compra Starent para avançar no mercado de wireless

Fonte: G1
Por Vanessa Dezem

A fabricante americana de equipamentos de rede Cisco anunciou hoje a aquisição da Starent Networks, que fornece infraestrutura para rede sem fio.

O valor do negócio, segundo a Cisco, totalizará US$ 2,9 bilhões, ou US$ 35 por ação da Starent, o que significa um prêmio de cerca de 20% ante o valor dos papéis da empresa no fechamento do mercado ontem.

As companhias esperam que o acordo seja concluído no início do ano que vem. Com isso, a Cisco deve ter o lucro reduzido em 2010 e 2011, já que os resultados da companhia começarão a mostrar os efeitos positivos da aquisição a partir de 2012.

Segundo John Chambers, o executivo-chefe da Cisco, os produtos da Starent beneficiarão os clientes do setor de telecomunicações da companhia, já que eles terão mais opções no mercado de internet móvel.

Com a aquisição, a companhia ambiciona alcançar o mercado de wireless. Depois de fechado o negócio, a Starent se tornará o Grupo de Tecnologia de Internet Móvel dentro do segmento de provedor de serviços da Cisco. O novo grupo será administrado pelo executivo-chefe da Starent, Ashraf Dahod.

No inicio do mês, a Cisco já tinha anunciado a compra da norueguesa Tandberg, por US$ 2,97 bilhões, para ampliar sua oferta equipamentos para videoconferência. A Cisco encerrou o ano fiscal de 2009 com lucro líquido de US$ 6,1 bilhões, um recuo de 24% ante o ano anterior.

Fitch eleva notas de risco da Aracruz e rebaixa as da VCP

Fonte: Valor Online

A agência de classificação de riscos Fitch revisou as notas da Aracruz e da Votorantim Papel e Celulose, tendo em vista o movimento de fusão entre as duas empresas até o final deste ano que criará a Fibria. 

No caso da VCP houve rebaixamento de “BB+” para “BB” da nota de probabilidade de inadimplência do emissor em moeda local e estrangeira (IDR, na sigla em inglês). O rating em escala nacional passou de “AA-” para “A+”.

Concomitantemente, a nota de IDR da Aracruz teve sua classificação elevada de “BB-” para “BB” e o rating em escala nacional passou para “A+”, ante a classificação anterior “A”. Em ambos os casos, tanto da VCP como da Aracruz, a perspectiva das novas notas é “estável”

De acordo com a Fitch, as novas classificações “refletem a convergência da qualidade de crédito destas duas companhias durante os últimos nove meses”, em decorrência do aumento de participação da VCP na Aracruz e futura fusão, prevista para o final deste ano. A avaliação da agência é de que o endividamento da nova empresa deverá permanecer alto até 2011.

O volume de dívida de ambas as empresas continuou aumentando em 2009, embora medidas tomadas no período tenham compensado parcialmente esse movimento, com a emissão de R$ 3 bilhões de capital pela VCP e a venda, pela Aracruz, da sua unidade Guaíba, por US$ 1,430 bilhão, dos quais US$ 1 bilhão serão usados para pagamento de dívida.

A agência estima que o Ebitda combinado da companhia deverá cair de US$ 1,1 bilhão em 2008 para US$ 900 milhões neste ano por conta da baixa de preços da celulose na primeira metade deste ano. Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda subirá de 5 vezes em 2008 para 6,2 vezes em 2009.

Ainda assim, a Fitch entende que as duas empresas têm posição “muito forte de negócios” e a produção integrada da Fibria deverá alcançar 5,350 milhões de toneladas de celulose de mercado, “quase o dobro da segunda maior empresa no mercado”, além de 360 mil toneladas de papel. 

Ainda que a liquidez continue restrita, a agência avalia o cenário como administrável. Ambas as empresas devem levantar em breve US$ 1,750 bilhão de dívida nova e somar ao caixa o montante da venda da unidade de Guaíba, de US$ 1,430 bilhão, para antecipar o pagamento dos próximos vencimentos, “assim como quase dois terços do restante da dívida associados às perdas da Aracruz com derivativos”.

Bloomberg vai comprar a revista de negócios BusinessWeek

Fonte: Valor Online

A Bloomberg está comprando a revista BusinessWeek, em um acordo que vai unir um serviço de notícias financeiras especializado em tempo real a uma publicação impressa que luta para se adaptar ao redemoinho de informação da internet. 

Os termos da venda anunciada hoje não foram revelados. Citando fontes próximas à negociação, o blog da BusinessWeek estimou o preço de aquisição entre US$ 2 milhões a US$ 5 milhões, em dinheiro. A Bloomberg também seria responsável pelo pagamento de outros custos, como indenizações trabalhistas a qualquer dos 400 funcionários que possam vir a ser demitidos, de acordo com as informações disponíveis no site da revista. 

A Bloomberg, empresa privada criada pelo atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, espera assumir o controle da BusinessWeek no fim deste ano. A revista esteve por 80 anos sob o comando da McGraw-Hill – que também possui a agência de classificação de risco Standard & Poor´s.

A McGraw-Hill colocou a BusinessWeek à venda em julho, aparentemente cansada de arcar com os prejuízos que se acumularam desde que a receita publicitária da revista começou a cair. 

Como muitas publicações impressas, a BusinessWeek tem sofrido um duplo golpe: a mais longa recessão nos EUA desde a Segunda Guerra Mundial e uma mudança massiva no consumo de mídia, que se deslocou para a publicidade online – cujos preços são geralmente bem mais baixos do que os do meio impresso.

Com uma circulação de cerca de 921 mil exemplares, a BusinessWeek tem se dado melhor ao reter assinantes do que anunciantes. O total de páginas de anúncio vendidas pela revista caiu do pico de 6 mil no ano 2000 para menos de 1,9 mil no ano passado, de acordo com as informações do Publishers Information Bureau. O declínio se aprofundou neste ano, com uma queda de 37% em volume até junho. A deterioração deve deixar a publicação com um prejuízo de cerca de US$ 40 milhões pelo segundo ano consecutivo, incluindo o aluguel da sede e despesas gerais.

A aquisição representa uma das mais ousadas e possivelmente arriscadas tentativas da Bloomberg de expandir sua audiência além de seu meio principal de comunicação: os cerca de 300 mil terminais eletrônicos instalados em escritórios de gestores de recursos, banqueiros, operadores e outros profissionais das finanças em todo o mundo. 

” A BusinessWeek nos ajudará a melhor servir nossos clientes ao atingir as empresas e os corredores do poder no governo, onde as notícias que afetam os mercados e os negócios são feitas por CEOs, CFOs, advogados, banqueiros e altos funcionários públicos, que não são clientes típicos dos terminais ” , disse o presidente da Bloomberg, Daniel L. Doctoroff.

SulAmérica pode compensar rompimento com BB só em 2011

Fonte: Agência Estado
Por Ana Paula Ribeiro

O Banco do Brasil (BB) e a SulAmérica negociam não só o fim da parceria na área de veículos (Brasilveículos), mas também no segmento de saúde (Brasilsaúde), segundo comunicado divulgado hoje pela seguradora. Não há previsão de quanto será desembolsado pelo banco federal nos dois negócios nem o prazo para a conclusão das negociações. “A SulAmérica sairá ainda mais fortalecida e capitalizada, com uma posição de liderança junto ao canal de corretores, permanecendo como a maior seguradora independente do País”, disse, em nota, o presidente da companhia, Patrick Larragoiti Lucas.

sul_americaHoje, o BB anunciou que pretende comprar a participação de 30% da SulAmérica na Brasilveículos, joint venture criada em meados dos anos 90 para atuar no ramo de veículos. A compra faz parte da reestruturação que o banco federal promove em sua área de seguros, que culminou na formação de uma parceria com a Mapfre para a exploração dos segmentos de veículos, prestamistas, vida e ramos elementares (residencial e patrimonial).

O presidente do BB, Aldemir Bendine, afirmou hoje que a instituição não deseja mais ter em sua área de seguros empresas parceiras que sejam concorrentes indiretas do banco, como acontece hoje. “Não queremos mais competição entre sócios. Nada impede que uma parceria tenha continuidade, desde que prevaleça uma única plataforma de vendas”, disse durante entrevista para anunciar a joint venture com a Mapfre.

Para a seguradora, a Brasilveículos representava, em 2008, a 13,5% do total de prêmios de seguros e 3,7% do lucro recorrente. Já na Brasilsaúde a participação é de 50,05%, o que equivale a 2,2% dos prêmios e a 0,7% do lucro.

A SulAmérica comunicou ainda que o fim das duas parcerias deve ser pouco representativo nos resultados, já que o principal canal de vendas da companhia é a rede formada por 26 mil corretores em todo País. A seguradora conta ainda com parcerias junto a outras instituições financeiras.

Entre as parcerias existentes, apenas duas são em caráter exclusivo. Uma com o Banrisul e outra com a BV Financeira. O BB possui 49,99% do capital da BV Financeira. A SulAmérica também tem parcerias com o Banco de Brasília, Banco da Amazônia, HSBC e Santander.

NOTÍCIA COMPLEMENTAR: SulAmérica pode compensar rompimento com BB só em 2011

Fonte: Portal Exame

Seguradora tentará conciliar expansão das parcerias com bancos e preservação da rentabilidade das operações.

A Sul América Seguros pode compensar só em 2011 a perda de clientes pelo fim da parceria com o Banco do Brasil na área de seguros de veículos. Com base na ampliação dos canais de vendas e no crescimento orgânico das vendas via corretores, porém, a companhia acredita que pode não apenas recuperar o espaço no segmento de automóveis como avançar também em outros setores.

O acordo com o Banco do Brasil, representava entre 13,5% e 14% das receitas da SulAmérica. A venda em agências espalhadas por todo o Brasil era um dos principais canais de distribuição dos produtos da seguradora, tanto que a estratégia da companhia para reverter a perda de clientes concentra-se principalmente em acordos nos mesmos moldes da que ela mantinha com o BB.

“O principal efeito será uma redução da receita no canal de automóveis”, diz o vice-presidente corporativo e diretor de relações com investidores, Arthur Farme D’Amoed Neto. Ele afirma que a recuperação deve ocorrer já em 2010, mas pode se estender ao longo do 1º semestre de 2011.

Hoje a SulAmérica já tem acordos com 20 bancos para a comercialização de apólices em agências. Entre os parceiros estão Santander, Safra, Banrisul, HSBC e BV Financeira, mas a meta é expandir com mais agilidade o contato com o consumidor pelo atendimento bancário, tanto em veículos como em saúde.

Para fechar acordos de distribuição, o banco não teria problemas em utilizar parte do caixa que construiu a partir da sua abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo, em 2007. O volume disponível é de 1 bilhão de reais, mas a SulAmérica ainda poderá contar com o montante que deve receber do Banco do Brasil pela compra da participação na Brasilveículos.

O valor não é estimado pela seguradora, já que oficialmente as negociações não começaram. Na terça-feira, no entanto, o BB anunciou abertamente o plano de encerrar a parceria, por meio de uma carta de intenções enviada ao presidente da SulAmérica, Patrick de Larragoiti Lucas. O banco manifestou interesse em comprar a totalidade das ações detidas pela seguradora na Brasilveículos, correspondentes a 30% do capital total, como parte do seu processo de reorganização societária.

Como agravante, o novo desenho do BB em seguros prevê uma aliança com a Mapfre, empresa espanhola concorrente da Sulamérica, na áreas de seguros de risco, pessoas, ramos elementares e automóveis.

O caminho da união com um grande banco deve ajudar, ainda, outra das seguradoras mais importantes do país, a Porto Seguro, que há menos de dois meses anunciou uma fusão com a área de seguros do Itaú Unibanco.

Até poucas semanas atrás, a própria SulAmérica era vista como alvo principal do interesse dos bancos. Analistas cogitaram que a empresa estaria em negociação com o Bradesco e, mais tarde, com o BB. Sem resultados nesse sentido, a empresa agora buscará por conta própria a presença no varejo bancário.

“Não se brinca com preço”

A boa notícia para a SulAmérica é que o impacto do rompimento com o BB começará a ser sentido apenas em 2010. Segundo D’Amoed Neto, as negociações para o fim da parceria devem durar até dezembro e, portanto, há poucas chances de a mudança afetar os resultados de 2009.

Ele também diz que neste momento ainda não há conversas entre a SulAmérica e o BB no sentido de a seguradora comprar a participação do banco na Brasilsaúde, empresa na qual a SulAmérica já tem participação acionária de 50,05%.

D’Amoed Neto explica que as duas empresas já mostraram interesse em rediscutir a parceria em seguros de saúde, mas a negociação estaria um passo atrás da que deve ter início no setor de automóveis

Mesmo que o negócio se concretize, ele explica, não se trata de uma compensação à quebra da união em veículos, já que a operação da área de saúde corresponde a 50 milhões de reais, enquanto a de automóveis equivalia a mais de 300 milhões de reais.

O diretor de relações com investidores descarta, ainda, estratégias muito agressivas de redução de preço, que ponham em risco a rentabilidade das operações. A venda por meio dos corretores, canal em que a competitividade de preços é um dos fatores essenciais, responde por 80% da receita da SulAmérica, mas o cenário de juros mais baixos estimula a disciplina na precificação.

“Em seguros é muito fácil crescer, se você corta preços, no dia seguinte vende toneladas de apólices, mas logo vai pagar por isso. Não se brinca com preço em seguros”, afirma.

A empresa conta com 26 mil corretores ativos e deve fechar 2009 com 6,3 milhões de clientes.

Fonte: Valor Econômico
Por Altamiro Silva Júnior

A SulAmérica prepara a contra-ofensiva à perda de sua participação na sociedade com o BB na Brasilveículos

A SulAmérica prepara a contra-ofensiva à perda de sua participação na sociedade com o Banco do Brasil na Brasilveículos. Com R$ 1 bilhão em caixa, a empresa da família Larragoiti quer a Brasilsaúde, a seguradora de saúde do BB, seja comprando sua totalidade ou a carteira de clientes. O plano em análise inclui outras aquisições, acordos com o varejo, parcerias estratégicas e estímulos aos corretores.

Patrick de Larragoiti Lucas, presidente da SulAmérica, disse ao Valor que foi informado na terça-feira, por carta, que havia perdido a chance de ser parceiro do BB no novo modelo de seguros que o banco desenha.

Larragoiti admite que a seguradora perdeu um canal de vendas importante, que são as agências do BB espalhadas pelo país. Mas ele minimiza o impacto nas vendas. “Nosso principal canal de distribuição são os corretores. Sempre foram e sempre serão”. São 26 mil corretores que receberam R$ 40 milhões em comissões adicionais nos últimos meses. Ele cita ainda acordos firmados com 20 bancos para a distribuição de apólices nas agências, entre eles HSBC e Santander.

Deloitte: fusões e aquisições retornam a níveis pré-crise

Fonte: Agência Estado

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Pesquisa da Deloitte obtida com exclusividade pela Agência Estado mostra que os resultados favoráveis apresentados pelos indicadores econômicos no terceiro trimestre de 2009 apontam para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios. O movimento é corroborado pelo crescimento das transações de fusões e aquisições no mercado brasileiro no último trimestre.

No terceiro trimestre deste ano foram 194 operações, o que indica uma evolução gradual em 2009, que teve 108 negócios no primeiro trimestre e 135 no segundo. Em 2008, os trimestres anteriores à crise indicaram 212 negócios (2ºtri) e 206 transações (3ºtri). A pesquisa mensal mostra que o número de operações saiu de 31 em fevereiro deste ano (menor nível desde janeiro de 2008) para 71 em setembro. A média do primeiro semestre de 2008 foi de 61 negócios por mês, com pico em junho (84).

Oliveira conta que, passada a instabilidade, as empresas melhor estruturadas e capitalizadas estão voltando a analisar investimentos e buscar oportunidades de consolidação em seus setores de atuação.”Há uma forte retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. É um retorno da tendência de formação de conglomerados”, diz.

O sócio observa que, no Brasil, a economia local tem sido uma grande impulsionadora de negócios. “As empresas querem ganhar musculatura para competir, se antecipar e se beneficiar do forte crescimento econômico projetado.” Ele lembra que muitos setores no País são pulverizados, e que a volta do crédito funciona como um disparador de consolidações e permite que empresas entrem em áreas onde ainda não atuavam. “Os setores que deram uma pausa em suas transações com a crise voltam agora.”

Para Oliveira, a expectativa é que o número de fusões e aquisições continue crescendo, sobretudo em segmentos ligados a varejo, consumo e alimentos. “Esses setores se beneficiam do aumento da renda da população, que traz maior poder de compra.” Ele comenta ainda que, nos contatos da Deloitte com investidores, foi detectado grande interesse dos estrangeiros. “É natural que eles queiram diversificar seus investimentos e riscos. O Brasil está em evidência e o lançamento de ações do Santander é uma boa sinalização de como os estrangeiros estão apostando no crescimento do País.”

Entre julho e setembro deste ano, no entanto, o capital nacional ainda foi maioria e esteve presente em 127 transações, sendo que 46% dos negócios referem-se a transações entre empresas brasileiras e 20% a investimentos brasileiros adquirindo empresas de capital estrangeiro. No mesmo período em 2008, o capital nacional esteve presente em 134 transações, mantendo a proporção e representando 65% das operações.

Setores de Atividade

Atividades financeiras, tecnologia da informação e Internet e alimentos foram os setores que tiveram maior representatividade nas transações do terceiro trimestre de 2009, concentrando 47 transações ou 24% do total dos negócios.

No setor financeiro (11% do total) destaca-se a fusão das operações de seguros residências e de automóveis da Porto Seguro e do Itaú Unibanco, o que representa mais um movimento importante no processo de consolidação do setor de seguros no Brasil.

A Deloitte também menciona as duas operações realizadas pela Totvs, que adquiriu os 10% remanescentes da Tools Arquitetura Financeira de Negócios que ainda não detinha, e os 20% restantes das ações da YMF Arquitetura Financeira de Negócios (tecnologia com 8% do total).

Uma transação marcante concluída logo após o fechamento desse trimestre foi a aquisição de 91% do site de comparação de preços Buscapé pelo grupo sul-africano Naspers, em uma operação avaliada em R$ 600 milhões. Segundo a Deloitte, o negócio marca a volta das grandes operações no segmento de internet e tecnologia no País.

A indústria alimentícia, lembra a Deloitte, foi destaque (5%) com a aquisição da norte-americana Pilgrim’s Pride pela JBS Friboi, que se tornou a maior empresa global de processamento de carnes, e a sua fusão com o Bertin. Outro destaque nesse período foi a compra da Seara pelo frigorífico Marfrig, e a aquisição da empresa Amacoco, líder no mercado de água de coco no Brasil, pela Pepsico.

Tipo de operações

Ainda segundo a pesquisa da Deloitte, as operações de aquisição e joint ventures continuaram a responder por aproximadamente 70% do volume de transações realizadas. Essa situação reflete o interesse dos investidores em compartilhar riscos e oportunidades, principalmente em situações de entrada em outros setores e atividades onde a empresa alvo detém profundo conhecimento e expertise, diz a Deloitte. Essas operações são também uma forma de otimizar utilização de capital, capacidade instalada e canais de venda, para atender um segmento ou oportunidade específica de mercado.

Telefônica faz oferta para comprar GVT que pode atingir R$ 6,5 bilhões

Fonte: Valor Online
Por Paula Cleto

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A Telefônica entrou na disputa pela GVT, empresa de telecomunicações que atua nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Sua subsidiária Telesp anunciou hoje que vai fazer uma oferta para adquirir até 100% das ações da GVT ao preço unitário de R$ 48, em dinheiro. Essa proposta avalia a companhia em cerca de R$ 6,5 bilhões.

A oferta da Telefônica supera a proposta feita no começo de setembro pelo grupo francês Vivendi, que ofereceu R$ 42 por ação da operadora. Dessa forma, a Vivendi avaliou a totalidade das ações da GVT em R$ 5,4 bilhões ou 2 bilhões de euros.

Assim como a Vivendi, a Telefônica estabeleceu como condições para fechar o negócio adquirir pelo menos 51% dos papéis, e a dispensa do cumprimento do artigo do estatuto da GVT que desincentiva ofertas de aquisição. Esse tipo de dispositivo é chamado de poison pill (pílula de veneno) no jargão do mercado. O negócio também está sujeito à aprovação da Anatel.

A oferta faz disparar as ações da GVT na bolsa paulista. Há pouco, os papéis ON operavam em alta de 15,40%, a R$ 47,20.

Em nota a Telefônica justifica a iniciativa dizendo visar uma ” presença ainda maior fora do Estado de São Paulo, o que contribuirá para ampliar sua base de usuários, além de fortalecer a concorrência no mercado brasileiro de telecomunicações ”

Notícia Complementar: Análise Revista Exame

Telefônica faz oferta de R$ 6,5 bi para comprar a GVT

Fonte: Revista Exame
Por Camila Fusco

A Telecomunicações São Paulo, subsidiária do Grupo Telefônica no Brasil, enviou nesta quarta-feira (07/10) um comunicado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também à Bovespa informando que fará uma oferta pública para adquirir a GVT.

A oferta pública para 100% da empresa será feita ao preço de 48 reais por ação, o que totaliza um valor aproximado de 6,5 bilhões de reais. Segundo comunicado ao mercado, “a operação está condicionada à aquisição de pelo menos 51% das ações da GVT, à dispensa da aplicação dos mecanismos de proteção previstos no seu estatuto (poison pills) e à aprovação pela Anatel”.

No dia 8 de setembro, a Vivendi do ramo de comunicações e entretenimento, havia firmado um acordo com o Grupo Swarth e Global Village Telecom – acionistas fundadores e controladores da GVT – para lançar uma oferta pública amigável para a aquisição de 100% da GVT ao preço de 42 reais por ação, 12,5% a menos do que a Telefônica ofereceu hoje.

O Grupo Telefônica tem hoje 62,4 milhões de clientes e 85 000 funcionários. Só no Estado de São Paulo, tem 11,5 milhões de linhas fixas. No ano passado, o grupo faturou 15 bilhões de reais. A GVT oferece telefonia fixa e banda larga nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Até o fim do segundo trimestre, a empresa detinha 2,5% do mercado de linhas fixas e 540 864 linhas de banda larga, ou 4,77% de participação.

O mercado recebeu bem a notícia da intenção de compra e às 10h30, as ações da GVT na Bovespa subiam 13,2%, cotadas a 46,30 reais — embora no Twitter a maioria dos comentários seja contrária à aquisição. Os papéis mantiveram a tendência de alta durante todo o dia e fecharam com tendência positiva de 13,74% cotados a 46,52 reais. Procurada pela reportagem, a GVT informou que tomou conhecimento da oferta pelo comunicado a CVM e que vai reunir seu conselho de administração para analisar cada detalhe da proposta.

Na avaliação da Ativa Corretora, caso a venda seja concretizada, representará uma movimentação positiva para a GVT, mas negativa para a Telefônica. Para os acionistas da GVT a vantagem óbvia está no valor da oferta. No entanto, a Telefônica estaria pagando caro pela empresa – 8,6 vezes a relação de seu valor de mercado e seu EBITDA –, enquanto suas próprias ações são transacionadas por uma relação de 3,7 vezes.

Ainda de acordo com a Ativa, se por um lado a Telefônica adquire uma empresa complementar às suas operações, por outro, pode reduzir significativamente o pagamento de dividendos. A companhia possuía caixa de 934 milhões de reais, com dívida líquida de 2,4 bilhões de reais. A transação de 6,5 bilhões de reais poderá dar espaço para alavancagem adicional e, por isso, a redução possível nos dividendos.

Operadora valorizada

O ágio proposto pela Telefônica, de 31%, surpreendeu o mercado e pode ser interpretado como uma tentativa definitiva de bloquear de vez a venda da GVT outra empresa. E a Telefônica está disposta a pagar tão caro pela operadora principalmente pela presença na região 2, onde não atuava. Com isso, passará a concorrer com operadoras como Oi e Net. Não à toa que o clima é de total otimismo hoje na Telefônica, segundo informou um executivo próximo às negociações.

“A Telefônica sempre teve interesse na GVT, desde a época do IPO. Uma das explicações para esse ágio é que a GVT representa uma oportunidade grande para a Telefônica ganhar presença onde ainda não tem. Outra razão é a tentativa da Telefônica de bloquear de vez a venda para a Vivendi”, afirma Julio Püschel, gerente geral do Yankee Group no Brasil.

A Vivendi havia proposto um ágio de 14,3% sobre as ações da GVT e via na aquisição uma possibilidade interessante para entrar no mercado brasileiro. Para alguns analistas, porém, apesar do alto valor oferecido pela Telefônica, é possível surgirem novas propostas pela GVT, gerando praticamente um leilão em torno da operadora.

A GVT faz sentido para a Telefônica nem tanto pela capilaridade da rede, mas pela qualidade e por ter uma infraestrutura de fibra mais próxima do ponto de acesso do usuário – a chamada fiber to the home.  Essa estrutura, geralmente cara de ser implantada, permite altas velocidades de acesso à internet. “A GVT não tem levado pacotes de internet com mínimo de 10 MB nos lugares onde atua e com velocidades reais bem próximas disso. A Telefônica pode aproveitar essa iniciativa”, diz Püschel.

A iniciativa de comprar a GVT, porém, vai muito além dos investimentos de 6,5 bilhões de reais. Segundo o analista, novos investimentos serão necessários para integrar a rede da GVT e aumentar a capilaridade e estrutura de última milha.

Uma festa de R$ 600 milhões

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Roberta Namour e Claudio Gatti (foto)

Durante dois dias, o celular de Romero Rodrigues tocou ininterruptamente. Do outro lado da linha, cumprimentos calorosos, vindos até de velhos rivais. Cada vez que atendia às ligações, a euforia era a mesma. O peito estufado de satisfação, a risada nada contida. Rodrigues completou 32 anos na quinta-feira 1º. Mas a alegria não se deve apenas à comemoração do aniversário. No dia anterior, 30 de setembro, sua empresa fechou uma das maiores negociações da história da internet brasileira. É a mais relevante, pelo menos, desde o estouro da bolha, no início do século. O Buscapé, site de comparação de preços que ele criou em 1999 com três amigos, recebeu US$ 342 milhões por 91% de suas ações, o equivalente a cerca de R$ 600 milhões. “Até agora não me dei conta do que isso representa”, diz Rodrigues, que ocupa o cargo de presidente do Buscapé. Ele pode estar atônito de felicidade – e talvez só daqui a alguns dias possa dimensionar o que o negócio significa – mas até a concorrência já tem na ponta da língua um palpite. “A operação projeta o Brasil de volta ao radar de grandes investidores globais”, afirma Rodin Spielmann, diretor de Relações com Investidores da Ideiasnet. A cifra, digna de transações de países desenvolvidos, é vista por analistas do mercado como o início de uma nova onda de investimentos na internet. “A diferença é que, desta vez, o mercado está mais desenvolvido e os negócios, mais estruturados”, acrescenta Spielmann. A oferta milionária veio da sulafricana Naspers – maior grupo de mídia da África. A companhia, dona de 30% da Editora Abril, comprou a parte do fundo Great Hill Parners, até então sócio majoritário do Buscapé, e a fatia de cinco dos nove sócios minoritários. Foi nesse clima festivo que Romero Rodrigues, Rodrigo Borges e Ronaldo Takahashi, fundadores do site, e Rodrigo Guarino, fundador do Bondfaro, concorrente adquirido três anos antes, receberam a equipe da DINHEIRO, quinta-feira da semana passada. O encontro foi realizado no escritório da empresa na Vila Olímpia, em São Paulo.

Junho de 1999: formação original da equipe do Buscapé, com o estudante de administração Mario Letelier (primeiro à direita)

Com um sorriso contagiante, de jeans e camiseta, Romero Rodrigues abre as portas do escritório se desculpando pelo atraso. Perdeu a hora ao receber dos pais uma cesta de café da manhã em comemoração ao seu aniversário. No local, os outros três sócios o aguardam com ansiedade para apagar as velinhas de uma festa improvisada. O bolo ficou pequeno para os 350 funcionários que hoje integram a equipe. Há nove anos, naquele mesmo lugar, o grupo se resumia a pouco mais de uma dezena de pessoas. No ambiente, que atualmente abriga uma tevê gigante com videogame ligado e um hockey de mesa (jogo de mesa comum em bufé infantil), ficava apenas um computador e um beliche. A cama de dois andares era usada em esquema de revezamento durante as muitas madrugadas viradas na programação do site. Um ano antes disso, as reuniões eram feitas em casa, pelo ICQ, ferramenta de comunicação pela internet, anterior ao MSN. “Trabalhávamos de madrugada para economizar com a tarifa da internet”, lembra Ronaldo Takahashi. Na época, o acesso à rede era discado e a tarifa telefônica, mais barata depois da meia-noite. Os criadores do Buscapé eram estudantes e estagiários da Poli, faculdade de engenharia da Universidade de São Paulo, e tinham renda mensal de R$ 300 cada um.

O Buscapé foi a terceira tentativa empreendedora do grupo de jovens. Antes trabalharam na criação de um software para uma empresa de logística. A ideia de fazer um site de comparação de preços aconteceu por acaso. Rodrigo Borges queria comprar uma impressora pela internet, mas não conseguiu fazer uma pesquisa por falta de informações disponíveis na rede. O empecilho se tornou uma oportunidade de negócios. “Era só uma brincadeira. Decidimos apostar nela”, lembra Rodrigues. O investimento inicial de cada um foi de R$ 100 para pagar a hospedagem do site e a conta do celular. “Eu nunca acreditei no Buscapé, mas eles conseguiram transformá-lo no melhor negócio do mundo”, afirma Alexander Mandic, o precurssor da internet no Brasil. Atualmente, o site possui mais de 600 mil lojas cadastradas e recebe a visita de 62 milhões de usuários por mês (leia quadro).

De acordo com os especialistas, o estouro da bolha da internet expulsou do mercado as empresas que tinham projetos menos viáveis

Os jovens empreendedores não sabiam que seria tão difícil convencer os varejistas a disponibilizar a lista de seus preços. A equipe chegou a ser ameaçada pelo advogado de uma grande rede de varejo, contrariada por ter sido citada no Buscapé. A empresa queria que suas ofertas fossem removidas da página. Pouco tempo depois, o site passaria a cobrar uma taxa por clique efetuado pelos internautas em seus produtos. A varejista em questão foi retirada do site por não ter concordado com o esquema de cobrança. “No dia seguinte o mesmo advogado ligou dizendo que ia me processar se não voltasse a publicar suas ofertas”, afirma Rodrigues.

Esse não foi o único obstáculo que a equipe do Buscapé teve de enfrentar. “Chegamos a ficar nove meses sem retirar o salário, com medo de não conseguir sobreviver à crise que se alastrou pela rede”, lembra Rodrigo Borges. O Buscapé foi criado um ano antes do chamado estouro da bolha na internet, em 2000. Depois de um período de euforia, muitos investimentos milionários acabaram se transformando em enormes prejuízos. Com isso, os negócios rarearam e as dúvidas sobre a viabilidade financeira de empresas ligadas à internet passaram a ser cada vez maiores. “Não foi a internet que estourou e sim o modelo de fazer negócios”, lembra o especialista em economia digital Cid Torquato. “A bolha expulsou quem tinha projetos menos viáveis”, acrescenta. Foi o caso da brasileira Zip.Net, especializada em informações e correio eletrônico – o popular e-mail. Aos 33 anos, Marcos Augusto de Moraes tornou-se um dos primeiros brasileiros milionários da internet ao vender seu negócio para o grupo Portugal Telecom Multimedia, em 2000. O serviço, que estava no mercado havia três anos, foi comprado por US$ 365 milhões. Vale lembrar, é mais do que os US$ 342 milhões que Rodrigues e seus sócios receberam pelo Buscapé, quase dez anos depois. A venda da Zip.Net dá a dimensão da euforia desmedida dos tempos pré-bolha. Tratava-se de uma empresa que jamais havia dado lucro (o Buscapé é rentável desde 2002) e que não era tão conhecida quanto o site que compara preços. Mesmo assim, acredite, Moraes embolsou uma bolada maior.

Fabiano Cerchiari/AG. ISTOé - DANIEL WAINSTEIN/AG.
Alexander Mandic: “No início não acreditei no potencial do modelo de negócios do Buscapé” Antes do estouro da bolha: Marcos Augusto de Moraes, do Zip.Net, foi um dos primeiros brasileiros milionários da internet

A nova onda de investimentos da internet dá sinais de mais maturidade. “Os valores continuam altos, mas os investimentos são focados em negócios mais pé no chão”, afirma Torquato. Para preservar a eficiência da empresa, a gestão do Buscapé será mantida. O valor recebido pela transação poderia proporcionar ao grupo de jovens empresários uma bela e precoce aposentadoria. No entanto, eles não estão dispostos a abandonar o barco. Nenhum executivo da Naspers ficará no Brasil. A diretoria atual será integralmente preservada. “O Buscapé tem a escala e a gestão necessárias para se tornar a âncora do e-commerce do grupo Naspers na América Latina”, disse à DINHEIRO Meloy Horn, diretor de relação com o investidor do Naspers. A estrutura do site permitirá à Naspers criar na região um tipo de operação que já possui na África do Sul e no Leste Europeu. Nessas regiões, tem presença significativa na área de comércio eletrônico, algo que pretende repetir na América Latina a partir da plataforma brasileira. O interesse da Naspers pelo País é antigo. Em setembro de 2008, adquiriu 49% de participação da Compera nTime, especializada em sistemas para celular. Em maio de 2006, desembolsou US$ 422 milhões para comprar 30% do capital da editora Abril. “Regiões menos maduras, como o Brasil, oferecem oportunidades únicas a serem exploradas”, ressalta Horn.

O preço alto da banda larga no Brasil é um dos desafios que os investidores enfrentam para ganhar dinheiro com a internet

A internet brasileira não voltou ao radar apenas dos grupos internacionais. A Oi anunciou recentemente um plano de negócios agressivo para o universo digital. Além de fornecer o acesso à rede a seus usuários, a operadora quer usar a internet como uma plataforma de distribuição de serviços de voz, tevê e música. “O envolvimento das empresas de telecom com a internet é inevitável”, afirma Pedro Ripper, diretor de novos negócios e estratégia da Oi. “Não tirar proveito da estrutura que temos para isso seria um erro.” Nessa perspectiva, a empresa irá unificar o serviço de tevê por assinatura com o Oi TV Móvel, para celulares. Além disso, transformará o portal IG em uma ferramenta convergente de mídias. “O IG nos permite chegar a geografias onde não temos acesso com a telefonia”, diz Ripper. A Oi não abre o investimento destinado ao projeto. Diz apenas que está dentro do bolo de R$ 5 bilhões que investe no País anualmente. Mas o modelo da internet brasileira continua a ser um desafio para os investidores. “O governo não valoriza a internet como prioridade para o futuro do País”, afirma Torquato. Além disso, a banda larga do Brasil ainda é uma das mais caras do mundo, graças principalmente à elevada carga tributária sobre o serviço. “Esse tipo de dificuldade faz com que o Brasil não desenvolva todo o seu potencial de empreendedorismo online”, diz Torquato. Mesmo assim, analistas apostam num futuro promissor para o setor no País. Para empresários como Romero Rodrigues, esse futuro já chegou. “Eu sempre soube que tinha ao meu lado um time campeão”, diz o empresário. “Agora mostrei ao mundo que eu estava certo.”

O Nobel da internet

O paulistano Romero Rodrigues franze a sobrancelha sempre que alguém lhe pergunta algo sobre economia. Não é a praia dele. Como engenheiro elétrico, tem vocação nata para tecnologia. No entanto, sua invenção – um comparador virtual de preços – equacionou uma das maiores falhas da economia de mercado: a assimetria da informação. O conceito pode parecer complexo, mas é relativamente simples. Exemplo: um empresário, quando fabrica um produto, tem muito mais informações sobre seu real valor do que seu cliente. E este só seria capaz de encontrar a melhor oferta se estivesse disposto a fazer uma extensa pesquisa de preços – o que, antes da internet, não ia além de um quarteirão. Daí a assimetria: quem sabe mais, lucra mais. Com um serviço como o Buscapé, o poder foi transferido do produtor para o consumidor.

Stiglitz: teoria criada pelo prêmio Nobel foi confirmada pelo escritório da Vila Olímpia, em São Paulo

O conceito de assimetria chegou até a render, em 2001, o Nobel de Economia ao americano Joseph Stiglitz, que foi braço direito do ex-presidente Bill Clinton. Stiglitz dedicou grande parte da carreira a estudar os impactos na economia do abismo de informações existente entre quem produz e quem compra. E os mercados mais competitivos, nos quais a assimetria é menor, tendem a ser mais eficientes e também menos inflacionários.

O foco das pesquisas acadêmicas de Stiglitz, que se transformou num negócio nas mãos de Romero Rodrigues, produziu uma das maiores transações já realizadas no e-commerce brasileiro: R$ 600 milhões. Muito? Em princípio parece, mas é pouco se comparado com o potencial de vendas que seu buscador virtual proporciona às empresas de comércio online.

A afirmação faz todo o sentido. No ano passado, 77% de todas as vendas nos Estados Unidos foram influenciadas pela internet – as compras foram efetivadas em lojas virtuais ou a rede mundial serviu como fonte de pesquisa. E esse movimento, ao que tudo indica, é um caminho sem volta. Cada vez mais, a internet se consolida como um aliado indispensável do consumidor. Por outro lado, as empresas estão empenhadas em se ajustar a essa nova realidade: precisam reduzir as margens e ganhar em volume.

Sobre assimetria da informação, Romero Rodrigues só ouviu falar. No entanto, sem que soubesse, ele ajudou a corrigir uma falha da economia de mercado e inventou um novo jeito de comprar e vender. O que começou como uma simples diversão, atacou um problema central da teoria econômica.

Hugo Cilo

Investidor local ganha força no mercado de capitais brasileiro

Fonte: DCI
Por Eduardo Puccioni

A participação do investidor brasileiro no que pode ser a maior oferta de ações da história da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), na ocasião o do banco Santander, mostra uma tendência de enfraquecimento dos estrangeiros no mercado de capitais brasileiro.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid) sobre o mercado de capitais no Brasil durante os nove primeiros meses do ano, em todas as operações de renda variável no ano, somente 55,7% ficou na mão dos estrangeiros. Até agosto, ainda de acordo com a Anbid, a participação de estrangeiros nas ofertas de ações estava em 65,6%.

Ao todo foram realizadas 10 operações de renda variável de janeiro a setembro de 2009, com um volume financeiro de R$ 21,982 bilhões. Como já era esperado, a renda fixa predominou no período, encerrando com 202 operações, que movimentou R$ 35,624 bilhões. O volume total das emissões foi de R$ 57,606 bilhões.

“O mercado de renda fixa, apesar da queda da taxa de juros, continua muito mais forte em matéria de número de operações que a renda variável. Os da renda variável R$ 21 bilhões ficaram concentrados em 10 empresas, infelizmente este resultado é pouco. O mercado de renda variável cresceu, mas ainda é pequeno para a capacidade e necessidade que as empresas tem de captação”, explica Manfred Back, professor de Administração do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) e especialista no mercado de capitais.

O volume das emissões de renda variável e dívida em setembro de 2009 apresentou um aumento de 40,8% se comparado ao do mesmo período de 2008. Neste mesmo intervalo, o destaque foi para as emissões de notas promissórias e debêntures que apresentaram aumento de 2.640,0% e 25,0%, respectivamente.

No ano, foram realizadas 32 operações que envolveram debêntures, com volume financeiro de R$ 15,715 bilhões, e 56 operações em notas promissórias, o que gerou uma movimentação de R$ 14,372 bilhões. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) registraram 74 operações, com R$ 2,193 bilhões e os Fundos de Investimento com Direitos Creditórios (FIDCs) encerraram os nove primeiros meses do ano com movimentação de R$ 3,344 bilhões em 40 operações.

“A nossa cultura é conservadora: o investidor brasileiro tem medo de arriscar. O grande competidor de quem emite renda fixa é o próprio governo na emissão de seus papéis: boa parte das emissões de renda fixa é de títulos do governo. É mais fácil explicar ao investidor quanto ele vai ganhar na renda fixa do que quanto ele vai ganhar na renda variável”, acrescenta o especialista.

O professor explica ainda que o investimento no mercado de capitais ainda é assunto desconhecido da maioria dos brasileiros. Segundo Back, faltam ações de marketing mais efetivas para o público ter mais conhecimento. Por isso, a maioria das pessoas opta pela poupança ou por aplicações em renda fixa, enquanto as empresas preferem o sistema bancário para obtenção de financiamento ou capital de giro.

De acordo com o especialista, o receio do brasileiro de investir no mercado de capitais pode ser então compreendido. “É preciso ação de marketing mais efetiva para explicar, a pessoas físicas e jurídicas, as maneiras de se fazer este tipo de investimento”, alerta.

O professor acredita que quem deve orientar o investidor é o próprio órgão regulador do mercado de capitais. Quanto ao Santander, pode-se afirmar que é a primeira instituição que investe fortemente em campanhas de marketing para atrair a pessoa física.

“O Santander tem um grande interesse em espalhar essas ações, e, como no Brasil temos pouca cultura, é preciso fazer campanha de marketing. Mas não sei se isso explica muito bem o que é a operação. Sempre considero que o papel mais importante é de quem regula. A instituição pode explicar, mas não é o papel dela”, acrescenta o professor.

O professor da FEI destaca, ainda, que, enquanto no Brasil há quase 2 milhões de investidores aplicam em ações diretamente cadastrados, nos Estados Unidos eles são 90 milhões.