As Marcas – Jean-Noël Kapferer

O livro “As Marcas” é a referência primária dos cursos de MBA de Branding que leciono.

O Senhor Jean-Noël Kapferer é uma referência acadêmica e profissional quando se tratar do tema de branding.

70_As marcasA primeira parte do livro explica a importância do Branding nas organizações, partindo do conceito de que marcas são ativos intangíveis valiosos para empresas e que seu processo de gestão gera um substancial valor para os acionistas. Nesta primeira parte do livro o autor não se limita à indústria de bens de consumo, pois trata também a questão do branding  no segmento de marcas próprias, marcas de luxo e diversos outros setores e indústrias.

A segunda parte do livro aborda a conceito de identidade de marca e posicionamento de marca. Estes dois conceitos e dois capítulos talvez são no meu entendimento para  o conceito de branding e gestão de Marcas, por detalha um ferramenta que pode auxiliar muito a revelar uma identidade de marca que é o Prisma de Identidade.

A terceira parte diz respeito ao processo de criação e sustentabildade da marca no longo prazo.

O livro traz em detalhe todas as etapas sobre gestão de marca. O capítulo 8, em específico, se responsabiliza por trabalhar o lançamento de marca, passando por desafios de mercados maduros, o conceito de ciclo de vida de marca, brand life cicle, chegando até arquitetura de marcas e gestão multi-brand portfolios.

Além disso, o livro traz excelentes contribuições para o tema de reposicionamento de marcas e administração de mudanças de nomes (pós-aquisição) e gestão global de marcas.

A quarta e última etapa, diz respeito à avaliação financeira de marcas. Pois, ao final, para completar o ciclo, marcas geram valor ao acionista.

Existe a versão em português do livro (Terceira Edição – “As Marcas”), porém confesso que prefiro mais a quarta edição do livro (ainda somente em inglês – “The New Strategic Brand Management“). A razão de minha preferência é que a terceira edição traz muito exemplo de marcas francesas e quando muito europeias. Já a Quarta edição do livro traz exemplos de marcas globais. Isto faz uma certa diferença, principalmente se você não conhece profundamente as marcas Francesas.

Yes, a Petrobras também é minha

Fonte: Revista Exame
Por Giuliana Napolitano

O carioca Alexandre Quintão, coordenador da área de relações com investidores da Petrobras, teve recentemente uma inusitada demonstração do novo status da economia brasileira — e de sua principal empresa. Quintão desembarcou no aeroporto JFK, de Nova York, às 6 da manhã do dia 14 de setembro para acompanhar o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, numa série de reuniões com investidores. No guichê da imigração, ele mal teve tempo de explicar ao oficial a razão de sua visita aos Estados Unidos. Disse apenas que trabalhava na maior companhia brasileira de petróleo e foi interrompido pelo funcionário da imigração. “Na Petrobras?”, perguntou o americano. Meio perplexo, Quintão só teve tempo de dizer “sim” — para então ouvir uma entusiasmada demonstração de conhecimento sobre as descobertas do pré-sal. “Ele se disse impressionado com as notícias”, diz Quintão. “O contraste com o que acontecia antes é grande. Há alguns anos, muitos investidores estrangeiros não sabiam o que era aPetrobras. Várias vezes ouvi de gente graúda do mercado: ‘Petrowhat?’”

tab_financas_bolsa1_gO oficial da Alfândega é apenas mais um da crescente legião de americanos interessados na Petrobras — e também em outras empresas brasileiras. Vale e Petrobras já estão entre as 35 companhias mais negociadas da bolsa de Nova York, acima de ícones como Coca-Cola e Visa. As duas têm hoje mais de 400 000 acionistas nos Estados Unidos — um número impressionante, que equivale a um terço do total de investidores que elas mantêm aqui. São pessoas como Michael Crawford, de 28 anos, acionista das duas companhias brasileiras há dois anos. “Até 2007, o Brasil não me dizia nada. De lá para cá, passei a receber muitos relatórios de bancos e corretoras falando bem da economia e das empresas do país. Hoje, acredito que, no mundo emergente, a Petrobras e a Vale, são as duas companhias mais promissoras e, por isso, vou aplicar mais nelas”, diz ele, que é diretor do Investor Relations Group, firma com sede em Nova York que assessora empresas de capital aberto. Em escala menor, outras companhias do país, como CSN e AmBev, também têm avançado no mercado americano. “O Brasil de fato mudou de patamar graças à evolução da economia e da qualidade de suas empresas”, diz Scott Cutler, vice-presidente da bolsa de Nova York (ou Nyse, na sigla em inglês).

Mais que uma informação curiosa, o fato de as empresas brasileiras terem cada vez mais investidores lá fora é algo estratégico. Uma parcela dos estrangeiros não pode ou não está disposta a encarar a burocracia de abrir uma conta no Brasil para aplicar diretamente na Bovespa. Isso tem levado várias companhias locais a lançar papéis (batizados de ADRs) na bolsa de Nova York para conseguir atrair mais acionistas. “Quando fazíamos apresentações internacionais, vários investidores, especialmente os fundos soberanos da Ásia e do Oriente Médio, diziam que só não aplicavam nas nossas ações porque não tínhamos papéis ADRs”, diz Marco Geovanne, executivo da área de relações com investidores do Banco do Brasil, que foi autorizado em setembro pelo governo a ser listado na bolsa americana, o que deve ocorrer em 2010. O BB segue o caminho de Bradesco e Itaú, que são listados lá fora desde o início da década, e também do Santander, que vai emitir ações de sua operação brasileira tanto na Bovespa como na bolsa de Nova York, no que pode ser a maior operação de mercado de capitais do ano no mundo. Somadas às companhias de outros setores, mais da metade de todos os negócios com ações de empresas brasileiras hoje ocorre no mercado americano.

Ao atrair mais investidores, as empresas brasileiras podem estar pavimentando o caminho para captar ainda mais recursos no futuro. Possuir ações muito negociadas é crucial para negócios que pretendem se financiar usando a bolsa, especialmente lá fora. Os fundos de pensão e outros gigantes institucionais só investem em papéis com um volume mínimo de transações por dia, para garantir que conseguirão comprá-los e vendê-los com facilidade. “Senão, toda vez que eles decidem negociar os papéis acabam interferindo no preço e, dependendo do caso, perdem dinheiro”, diz Edward Kuczman, analista da Van Eck, firma americana de investimentos que atende clientes institucionais. Daí a importância de avançar no ranking das ações mais negociadas. Hoje, o Brasil já é o segundo país em termos de movimentação de ações em Nova York, atrás apenas dos Estados Unidos.

tab_financas_bolsa2_gDezenas de estudos internacionais mostram que ter ações num grande mercado global pode trazer vantagens para as companhias. Um dos principais trabalhos, feito pelo professor René Stulz, da Universidade de Ohio, diz que a presença internacional pode reduzir os custos de captação de dinheiro. Não se trata, ele ressalva, de algo que ocorre da noite para o dia. “É preciso, primeiro, que as empresas consolidem uma base de acionistas globais”, diz Stulz. Uma vez conquistado esse portfólio de investidores, fica mais barato levantar capital. A Gafisa é um exemplo de como a expansão lá fora pode vitaminar os negócios. Se não tivesse decidido lançar ações na bolsa de Nova York em 2007, pouco depois de sua abertura de capital na Bovespa, a incorporadora provavelmente não teria conseguido levantar os quase 500 milhões de reais obtidos em Nova York que a ajudaram a duplicar seu volume de lançamentos e a comprar a antiga concorrente na baixa renda, a Tenda. “Hoje, embora não sejamos a maior incorporadora do país, temos as ações mais negociadas do mercado”, diz Alceu Duílio Calciolari, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da Gafisa.

Lançar e manter ações na bolsa em Nova York, porém, é um processo caro. Estima-se que as empresas gastem, por ano, cerca de 2 milhões de dólares só para cumprir as exigências da temida lei contábil americana, a Sarbanes-Oxley — fora o pagamento das taxas normais cobradas pela bolsa. Tudo somado, é mais que o dobro do que se gasta aqui. “Não existe almoço grátis”, diz Roberto Castello Branco, diretor de relações com investidores da Vale. Essa é uma das razões que explicam por que apenas as companhias brasileiras de grande porte são listadas lá fora — são apenas 31 empresas, que movimentam grandes somas de dinheiro. Para as demais, resta como consolo o salto de qualidade da Bovespa nos últimos anos. De um mercado essencialmente local, com base numa regulação vista como frouxa, a bolsa paulista passou por um processo de modernização e avanço regulatório na última década, que incluiu a criação do Novo Mercado, um segmento que reúne empresas com alto nível de governança corporativa. O melhor reflexo dos resultados desses progressos foram as 170 aberturas de capital e as ofertas de ações que ocorreram na bolsa de 2004 para cá — e que tiveram, entre os compradores, 70% de investidores internacionais.

Um dos grandes projetos da Bovespa é atrair mais estrangeiros para o mercado local. Há poucos meses, os novos executivos da bolsa iniciaram uma ofensiva internacional. Estão sendo negociadas parcerias com a Nasdaq, dos Estados Unidos, e com mercados de ações na América Latina para permitir que os investidores desses países comprem papéis na Bovespa por meio de suas corretoras locais. A bolsa também ampliou seus escritórios em Xangai e Nova York e está abrindo um em Londres. “Isso é muito melhor para as empresas, que ficam no próprio mercado e têm condições de conhecer melhor seus investidores”, diz Paulo Oliveira Jr., diretor executivo da BM&FBovespa (que, aliás, não tem ações em Nova York). “Hoje, a Bovespa é uma das poucas bolsas do mundo procuradas pelos estrangeiros, mais que qualquer mercado da América Latina e mesmo de parte dos europeus. Nossa meta é ampliar isso.”

A bolsa nega, mas comenta-se que a motivação desse movimento seja contra-atacar Wall Street. “É lógico que existe uma competição por empresas e investidores”, diz um ex-executivo da Bovespa. A Nyse, por sua vez, não está só assistindo aos planos da Bovespa: neste ano, Scott Cutler, responsável pela listagem de empresas na bolsa americana, já esteve três vezes no Brasil — e, na última delas, em agosto, trouxe o presidente da bolsa, Duncan Niederauer, para visitar companhias e investidores em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Seu objetivo é manter em crescimento o número de empresas brasileiras em Nova York. A primeira, a Aracruz, estreou lá em 1995 — hoje, são 31.

É cedo para dizer quais podem ser os resultados do pretendido avanço da Bovespa lá fora. A bolsa já tentou fechar uma parceria com o mercado do México no passado, mas o projeto naufragou por falta de aprovação dos órgãos reguladores. O que parece um caminho sem volta é a exposição que as empresas brasileiras vêm conseguindo no exterior. Companhias como ValePetrobras, Bradesco e Itaú Unibanco realizam em torno de 30 eventos com investidores no exterior por ano — fora as visitas que elas recebem aqui. É possível que Michael Crawford, o americano que investe em Vale e Petrobras, seja um desses visitantes em breve. “Nunca fui ao Brasil, mas quero ver de perto como funciona essa economia que está numa fase tão diferente da americana”, diz. Ele vai ter de se explicar na imigração, mas é improvável que não seja bem-vindo.

Deloitte: fusões e aquisições retornam a níveis pré-crise

Fonte: Agência Estado

DeloitteLogo

Pesquisa da Deloitte obtida com exclusividade pela Agência Estado mostra que os resultados favoráveis apresentados pelos indicadores econômicos no terceiro trimestre de 2009 apontam para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios. O movimento é corroborado pelo crescimento das transações de fusões e aquisições no mercado brasileiro no último trimestre.

No terceiro trimestre deste ano foram 194 operações, o que indica uma evolução gradual em 2009, que teve 108 negócios no primeiro trimestre e 135 no segundo. Em 2008, os trimestres anteriores à crise indicaram 212 negócios (2ºtri) e 206 transações (3ºtri). A pesquisa mensal mostra que o número de operações saiu de 31 em fevereiro deste ano (menor nível desde janeiro de 2008) para 71 em setembro. A média do primeiro semestre de 2008 foi de 61 negócios por mês, com pico em junho (84).

Oliveira conta que, passada a instabilidade, as empresas melhor estruturadas e capitalizadas estão voltando a analisar investimentos e buscar oportunidades de consolidação em seus setores de atuação.”Há uma forte retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. É um retorno da tendência de formação de conglomerados”, diz.

O sócio observa que, no Brasil, a economia local tem sido uma grande impulsionadora de negócios. “As empresas querem ganhar musculatura para competir, se antecipar e se beneficiar do forte crescimento econômico projetado.” Ele lembra que muitos setores no País são pulverizados, e que a volta do crédito funciona como um disparador de consolidações e permite que empresas entrem em áreas onde ainda não atuavam. “Os setores que deram uma pausa em suas transações com a crise voltam agora.”

Para Oliveira, a expectativa é que o número de fusões e aquisições continue crescendo, sobretudo em segmentos ligados a varejo, consumo e alimentos. “Esses setores se beneficiam do aumento da renda da população, que traz maior poder de compra.” Ele comenta ainda que, nos contatos da Deloitte com investidores, foi detectado grande interesse dos estrangeiros. “É natural que eles queiram diversificar seus investimentos e riscos. O Brasil está em evidência e o lançamento de ações do Santander é uma boa sinalização de como os estrangeiros estão apostando no crescimento do País.”

Entre julho e setembro deste ano, no entanto, o capital nacional ainda foi maioria e esteve presente em 127 transações, sendo que 46% dos negócios referem-se a transações entre empresas brasileiras e 20% a investimentos brasileiros adquirindo empresas de capital estrangeiro. No mesmo período em 2008, o capital nacional esteve presente em 134 transações, mantendo a proporção e representando 65% das operações.

Setores de Atividade

Atividades financeiras, tecnologia da informação e Internet e alimentos foram os setores que tiveram maior representatividade nas transações do terceiro trimestre de 2009, concentrando 47 transações ou 24% do total dos negócios.

No setor financeiro (11% do total) destaca-se a fusão das operações de seguros residências e de automóveis da Porto Seguro e do Itaú Unibanco, o que representa mais um movimento importante no processo de consolidação do setor de seguros no Brasil.

A Deloitte também menciona as duas operações realizadas pela Totvs, que adquiriu os 10% remanescentes da Tools Arquitetura Financeira de Negócios que ainda não detinha, e os 20% restantes das ações da YMF Arquitetura Financeira de Negócios (tecnologia com 8% do total).

Uma transação marcante concluída logo após o fechamento desse trimestre foi a aquisição de 91% do site de comparação de preços Buscapé pelo grupo sul-africano Naspers, em uma operação avaliada em R$ 600 milhões. Segundo a Deloitte, o negócio marca a volta das grandes operações no segmento de internet e tecnologia no País.

A indústria alimentícia, lembra a Deloitte, foi destaque (5%) com a aquisição da norte-americana Pilgrim’s Pride pela JBS Friboi, que se tornou a maior empresa global de processamento de carnes, e a sua fusão com o Bertin. Outro destaque nesse período foi a compra da Seara pelo frigorífico Marfrig, e a aquisição da empresa Amacoco, líder no mercado de água de coco no Brasil, pela Pepsico.

Tipo de operações

Ainda segundo a pesquisa da Deloitte, as operações de aquisição e joint ventures continuaram a responder por aproximadamente 70% do volume de transações realizadas. Essa situação reflete o interesse dos investidores em compartilhar riscos e oportunidades, principalmente em situações de entrada em outros setores e atividades onde a empresa alvo detém profundo conhecimento e expertise, diz a Deloitte. Essas operações são também uma forma de otimizar utilização de capital, capacidade instalada e canais de venda, para atender um segmento ou oportunidade específica de mercado.

Investidor local ganha força no mercado de capitais brasileiro

Fonte: DCI
Por Eduardo Puccioni

A participação do investidor brasileiro no que pode ser a maior oferta de ações da história da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), na ocasião o do banco Santander, mostra uma tendência de enfraquecimento dos estrangeiros no mercado de capitais brasileiro.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid) sobre o mercado de capitais no Brasil durante os nove primeiros meses do ano, em todas as operações de renda variável no ano, somente 55,7% ficou na mão dos estrangeiros. Até agosto, ainda de acordo com a Anbid, a participação de estrangeiros nas ofertas de ações estava em 65,6%.

Ao todo foram realizadas 10 operações de renda variável de janeiro a setembro de 2009, com um volume financeiro de R$ 21,982 bilhões. Como já era esperado, a renda fixa predominou no período, encerrando com 202 operações, que movimentou R$ 35,624 bilhões. O volume total das emissões foi de R$ 57,606 bilhões.

“O mercado de renda fixa, apesar da queda da taxa de juros, continua muito mais forte em matéria de número de operações que a renda variável. Os da renda variável R$ 21 bilhões ficaram concentrados em 10 empresas, infelizmente este resultado é pouco. O mercado de renda variável cresceu, mas ainda é pequeno para a capacidade e necessidade que as empresas tem de captação”, explica Manfred Back, professor de Administração do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) e especialista no mercado de capitais.

O volume das emissões de renda variável e dívida em setembro de 2009 apresentou um aumento de 40,8% se comparado ao do mesmo período de 2008. Neste mesmo intervalo, o destaque foi para as emissões de notas promissórias e debêntures que apresentaram aumento de 2.640,0% e 25,0%, respectivamente.

No ano, foram realizadas 32 operações que envolveram debêntures, com volume financeiro de R$ 15,715 bilhões, e 56 operações em notas promissórias, o que gerou uma movimentação de R$ 14,372 bilhões. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) registraram 74 operações, com R$ 2,193 bilhões e os Fundos de Investimento com Direitos Creditórios (FIDCs) encerraram os nove primeiros meses do ano com movimentação de R$ 3,344 bilhões em 40 operações.

“A nossa cultura é conservadora: o investidor brasileiro tem medo de arriscar. O grande competidor de quem emite renda fixa é o próprio governo na emissão de seus papéis: boa parte das emissões de renda fixa é de títulos do governo. É mais fácil explicar ao investidor quanto ele vai ganhar na renda fixa do que quanto ele vai ganhar na renda variável”, acrescenta o especialista.

O professor explica ainda que o investimento no mercado de capitais ainda é assunto desconhecido da maioria dos brasileiros. Segundo Back, faltam ações de marketing mais efetivas para o público ter mais conhecimento. Por isso, a maioria das pessoas opta pela poupança ou por aplicações em renda fixa, enquanto as empresas preferem o sistema bancário para obtenção de financiamento ou capital de giro.

De acordo com o especialista, o receio do brasileiro de investir no mercado de capitais pode ser então compreendido. “É preciso ação de marketing mais efetiva para explicar, a pessoas físicas e jurídicas, as maneiras de se fazer este tipo de investimento”, alerta.

O professor acredita que quem deve orientar o investidor é o próprio órgão regulador do mercado de capitais. Quanto ao Santander, pode-se afirmar que é a primeira instituição que investe fortemente em campanhas de marketing para atrair a pessoa física.

“O Santander tem um grande interesse em espalhar essas ações, e, como no Brasil temos pouca cultura, é preciso fazer campanha de marketing. Mas não sei se isso explica muito bem o que é a operação. Sempre considero que o papel mais importante é de quem regula. A instituição pode explicar, mas não é o papel dela”, acrescenta o professor.

O professor da FEI destaca, ainda, que, enquanto no Brasil há quase 2 milhões de investidores aplicam em ações diretamente cadastrados, nos Estados Unidos eles são 90 milhões.

Um veneno para os negócios?

Fonte: Revista Exame
Por Guilherme Fogaça

Muitas empresas que abriram o capital na Bovespa nos últimos cinco anos incluíram uma regra controversa em seus estatutos: a que torna praticamente impossível que um investidor compre grandes quantidades de seus papéis. O objetivo da medida — chamada, sugestivamente, de poison pill, ou pílula de veneno — é tornar mais difícil para um acionista de fora do bloco de controle acumular ações suficientes para influenciar as decisões da companhia (ou, dependendo do caso, virar dono dela). Parecia ser uma boa solução para tranquilizar empresários dispostos a abrir o capital, mas preocupados em manter as rédeas de seus negócios. Só que, em muitos casos, a poison pill tornou-se um problema e não uma salvação. Nos últimos meses, empresas como a operadora de telefonia GVT não conseguiram receber investimentos de novos sócios por terem em seus estatutos as tais pílulas de veneno. “Hoje, essa é uma das grandes preocupações das empresas que abriram o capital recentemente. Todas estão estudando formas de acabar com a regra ou torná-la mais flexível”, diz Renato Ximenes de Melo, sócio da área de mercado de capitais do escritório Mattos Filho, que assessorou 72 das 111 companhias que foram a mercado desde 2004.

O caso da GVT é um bom exemplo de como as poisson pills funcionam – e de como podem jogar contra os negócios. No início de setembro, o grupo francês Vivendi fez uma oferta para comprar a operadora por 5,4 bilhões de reais, o que representava uma alta de 16% sobre o valor das ações da GVT na época da proposta. A telefônica queria dizer sim. Mas a cláusula de Poisson Pills prevê que qualquer investidor que quiser adquirir mais de 15% de suas ações precisar pagar ágio de 25% sobre o valor mais alto que atingiu nos últimos 12 meses anteriores à oferta – o que elevaria a proposta para mais de 6 bilhões de reais. Poe esse preço, os franceses já deram a entender que o negócio não sai. Agora, a GVT precisa convocar uma assembléia de acionistas para tentar aprovar o fim da Poisson Pills.

A situação da incorporadora Klabin Segall é masi crítica. A empresa nem teve chance de colocar em votação o fim de sua cláusula de poisson pill, que limita a participação de qualquer investidor minoritário a 15% da companhia.Um item draconiano da poisson pills obriga qualquer acionista que votar pela mudança, obrigatoriamente, fazer uma oferta para comprar 100% da companhia. Recentemente, a Klabin Segall tentou vender 15% das ações à gestora de recursos carioca Polo Capital, mas teve dificuldades. Como a Polo já tinha papéis da empresa, a solução foi vendê-los para depois poder comprar o lote de 15%. “A experiência do mercado está mostrando que essa limitação mais atrapalha do que ajuda as empresas”, diz José Olympio Pereira, diretor do banco Credit Suisse, um dos mais ativos no mercado de IPO nos últimos anos.

Como o próprio nome sugere, as poisson pills não são uma invenção brasileira. Foram importadas dos Estados Unidos. O que não foi levado em conta, em muitos casos, é o fato de o mercado acionário americano ter características bem diferentes do brasileiro. Nos Estados Unidos, a maior parte das empresas tem capital pulverizado – na média, apenas 6% do capital total das companhias abertas está nas mãos dos maiores acionistas. Isso significa que, se não houver a poisson pills, qualquer investidor endinheirado pode ir a mercado, comprar uma pequena parcela de ações e se tornar dono do negócio. Esse é um movimento conhecido como aquisição hostil – foi, por exemplo, o que a belgo-brasileira InBev fez em 2008 para adquirir o controle da cervejaria Anheuser-Busch.

No Brasil, empresas com controle pulverizado são uma raridade. Na maior parte dos casos, as ações disponíveis na bolsa são insuficientes para tomada de controle. “Como as companhias brasileiras têm, em geral, uma estrutura de comando bem definida, a adoção indiscriminada das pílulas por aqui foi um excesso de zelo”, diz Érica Gorga, professora de direito societário da Fundação Getulio Vargas. Uma das exceções foi o caso da Perdigão, que em 2006 evitou uma oferta hostil da Sadia com ajuda da Poisson Pills. A lista da companhia em que o veneno acabou afugentando investidores bem-vindos é maior. Agora, é provável que o mercado passe a buscar o antídoto.