Samsung inicia novo posicionamento estratégico

Fonte: TeleTime
Por Daniel Machado

samsung_logoO crescimento dos serviços 3G e a convergência dos handsets com os serviços de valor adicionado (SVA) estão motivando a área de telecomunicações da Samsung a um reposicionamento estratégico global. A tradicional fabricante de celulares pretende se tornar, já a partir de 2010, um forte provedor de multiplataformas de entrega de serviços móveis. Para isso, segundo o vice-presidente da divisão de telecom da Samsung, Silvio Stagni, a companhia aposta na convergência da comunicação entre as “três telas”, ou seja, dos celulares, dos computadores e das TVs, tendo o acesso à Internet como o elemento em comum. A empresa, que em abril deste ano lançou TVs com acesso a conteúdos web do Terra e Youtube, começou a revelar os primeiros passos rumo a essa convergência nesta quinta-feira, 22, ao apresentar, simultâneamente em diversos países, nove smartphones, mercado no qual possui participação irrisória e que pretende liderar no país já em 2010. E no início de novembro lançará no país sua nova linha de notebooks e netbooks, pegando carona no crescimento dos serviços 3G e em um segmento de eletroeletrônicos que, segundo a consultoria ABI Research, deve vender no mundo cerca de 139 milhões de unidades (apenas dos netbooks) até 2013. Os novos smartphones, bem como os minicomputadores, serão produzidos localmente. E as novidades não param por aí. A importância de se posicionar como um provedor de serviços é tão grande para a Samsung que a empresa anunciará, em janeiro de 2010, sua loja de aplicativos na Internet (app store), seara onde não é especialista. “Apesar de não ser este nosso core business, a loja agregará aplicativos e inovação à plataforma móvel da Samsung e isso é importante”, revela Hamilton Yoshida, diretor de marketing para a divisão de telecom da Samsung. A companhia lançou app stores na França, Itália e Reino Unido e, segundo o Stagni, outros países serão contemplados. O Brasil, no entanto, está entre os quatro países-chave dentro dessa estratégia. O executivo não revela os nomes dos outros três, apenas que são da Europa e Ásia.

Smartphones

A estratégia da Samsung para liderar o mercado de smartphones em 2010 é ser, cada vez mais, multiplataforma. “Fomos a primeira a lançar aparelhos com Android no país. Também temos handsets com Windows Mobile e com o nossa próprio sistema e lançaremos outros smartphones com Symbian no ano que vem. E teremos também o Linux Mobile, quando ele existir”, antecipa Stagni, que não perdeu a oportunidade de alfinetar a concorrência. “Ao contrário de alguns dos nossos concorrentes, que trabalham com plataforma única, acreditamos que há públicos para todos, ou seja, cada sistema operacional atende a uma determinada demanda”.

Outro pilar no qual a Samsung se apóia para se tornar líder no segmento de smartphones é o crescimento da base de usuários. O executivo cita os números da consultoria GFK, segundo os quais a empresa conquistou 13 pontos de market-share no segmento de handsets nos últimos 12 meses, chegando a 23%, atrás somente da Nokia e da LG. “Estamos a somente dois pontos do segundo colocado e a cinco pontos do primeiro”, comemora. O mercado total de celulares no Brasil, segundo ele, foi de 42 milhões de handsets comercializados, contra 45 milhões no ano passado. “O primeiro semestre foi mais retraído, mas já há uma recuperação em curso desde julho. Além do mais, há um mercado muito grande de substituição dos terminais, que acontece em média a cada 1 ano e meio”, diz. Para ele, com o advento dos celulares inteligentes, a tendência é que esse tempo de substituição de terminais reduza ainda mais.

TV digital

Outra oportunidade de negócio, para a Samsung, está no mercado de celulares com recepção para a TV digital. “Notamos um crescimento grande nesse segmento e acreditamos que ele irá explodir com a Copa do Mundo, atingindo uma fatia de cerca de 5% da produção já no ano que vem”, disse.

No segmento de minimodems, a Samsung segue firme com o intuito de não produzi-los. “Nossos handsets 3G operam como modems. Se o cliente assim desejar, basta ligá-los no cabo USB e utilizar a Internet no computador”, explica.

Lançamentos

Os nove smartphones lançados nesta quinta-feira, 22, pela Samsung são o Samsung Galaxy (i7500), o Galaxy Lite (GT-i5700), o Omnia II (i8000), Samsung Pixon 12, Samsung Scrapy2, Scrapy Touch, Samsung Beat Techno (M2520), Samsung Corby e o Samsung Blue Earth (S7550). São handsets voltados para diferentes aplicações, públicos e faixas etárias, com recursos que permitem desde o carregamento de energia por meio de raios solares e o fácil acesso a redes sociais até recursos multimídia de última geração. Um dos handsets (S7550), é produzido com acabamento em plástico reciclado e foi desenvolvido para os usuários com consciência ecológica. Um outro (M2520) reconhece a música que está tocando no ambiente no qual o usuário se encontra e permite que o mesmo compre aquela canção utilizando a rede da operadora. Já o Samsung Pixon 12 está sendo apresentado como o primeiro do mundo com câmera fotográfica de 12 megapixels. Todos os lançamentos estão disponíveis em todas as operadoras e nas maiores redes varejistas do país e custam de R$ 399 a R$ 1799.

“É preciso reestatizar a Telefônica “

Fonte: Istoé Dinheiro

Ele não é petista, socialista, chavista ou adepto de qualquer outro “ismo” ligado à esquerda. Ao contrário, foi um dos principais executivos do Brasil em telecomunicações, no período pós-privatização.

Esse é Virgílio Freire, um consultor de 64 anos, que já presidiu companhias como a Lucent, subsidiária da AT&T, e a Vésper, a empresa-espelho na região de São Paulo. Hoje, ele prega algo que soa quase como uma heresia: a reestatização do setor, em especial da Telefônica.

telefonicaE explica: “As empresas estão mais preocupadas com o lucro do que com a qualidade dos serviços.” Ele ainda questiona o investimento de R$ 2 bilhões anunciado pela empresa na reformulação do Speedy. “Não estão comprando nenhum equipamento”, afirma.

DINHEIRO – Por que o sr. passou a defender a reestatização das telecomunicações?
VIRGíLIO FREIRE
- A questão vai além de ser estatal ou privado. Não sou petista ou qualquer outro rótulo que queiram me dar. O problema da telefonia no Brasil está na concentração de mercado. Hoje, um pequeno grupo de empresários detém a maior fatia da telefonia fixa. Isso é ruim para o País e péssimo para o consumidor. Eles estão mais preocupados com o lucro do que com a qualidade dos serviços. As decisões são sempre tomadas de acordo com os interesses dos sócios. A volta do Estado funcionaria como um regulador, assim como ocorre no setor bancário, com o Banco do Brasil e a Caixa

DINHEIRO – Seu alvo é a Telefônica, em São Paulo?
FREIRE
- É a maior empresa e a que presta o pior serviço. Há muitos anos é a líder de reclamações no Procon. Dentro do contrato de concessão, assinado quando a Telesp foi privatizada, há cláusulas que preveem a retomada da empresa pelo Estado. Então, o governo pode pedir a empresa de volta. A telefonia, sem dúvida, precisa voltar para as mãos do Estado.

DINHEIRO – Estatizar ao estilo do venezuelano Hugo Chávez?
FREIRE
- Não. Sei que a proposta de reestatizar uma empresa soa agressiva, radical. Ninguém vai rasgar contrato ou expulsar um grupo privado, como acontece na Venezuela. É exatamente o contrário. Trata-se de fazer cumprir o contrato, defender o consumidor e adotar medidas legais cabíveis em caso de descumprimento das regras. E a reestatização não é a apropriação indevida. É só pagar à Telefônica o valor que a empresa vale.

DINHEIRO – A regulação não é papel da Agência Nacional de Telecomunicações?
FREIRE
- Seria, mas a Anatel não cumpre seu dever. Caberia a ela zelar pelos interesses dos consumidores, mas ela se preocupa mais em atender aos interesses políticos do governo e agradar a grupos de empresários. É um órgão absolutamente ausente, passivo e negligente na defesa dos consumidores. Alguém duvida disso? É inoperante, ineficiente e incapaz…

DINHEIRO – Mas recentemente a Telefônica foi multada em quase R$ 2 bilhões e o Speedy teve sua venda proibida. Não foi uma resposta do governo?
FREIRE
- No caso da suspensão do Speedy, foi uma decisão defasada. A Telefônica vendia um serviço que não funcionava, instável e de péssima qualidade. No caso da multa, é uma piada, no mínimo. A Anatel divulga multas milionárias, mas os valores nunca são cobrados. Ou seja, é só para enganar a opinião pública. Até hoje a Telefônica não pagou um real sequer em multas para a Anatel. É por isso que as operadoras não estão nem aí para a Anatel. As empresas devem rir da Anatel quando essas punições são divulgadas. Por mais que o presidente da agência tenha boas intenções, o órgão que ele dirige não funciona.

DINHEIRO – Logo depois da multa, a Telefônica entregou à Anatel um plano emergencial de melhoria dos serviços e lançou um programa de modernização de mais de R$ 2 bilhões. Isso não basta?
FREIRE
- Esse plano de investimentos é, no mínimo, propaganda institucional. Não existe de fato. Desafio qualquer um a apresentar um pedido de compra de equipamentos feito pela Telefônica. A Associação de Engenharia de Telecomunicação entrou em contato com todos os fornecedores no País, todos mesmo, de componentes para telecomunicações para saber para onde estavam indo os investimentos de R$ 2 bilhões anunciados pela Telefônica. Consultaram Alcatel-Lucent, Motorola, Siemens, Nokia, Huawei e todas as outras. Para nossa surpresa, até hoje não existe nenhum pedido ou compra de equipamento. Então, podemos concluir que isso é uma falácia.

DINHEIRO – A Telefônica tem capital aberto e é fiscalizada aqui e na Espanha. Como é possível?
FREIRE
- Bom, vamos fazer uma análise do balanço divulgado pela Telefônica no ano passado. Daí, cada um tira a conclusão que quiser. A empresa informou que investiu R$ 2,3 bilhões em 2008. Desse total, R$ 459 milhões foram para desenvolvimento de sistemas, que nada mais é do que atualização de softwares, um valor dez vezes maior do que um grande contrato de TI. Totalmente desproporcional. Também divulgaram investimento de R$ 471,8 milhões em aquisição de equipamentos de assinante. Ou seja, modem para internet e aparelhos telefônicos. O preço mais alto desses aparelhos é R$ 100. Se a gente dividir R$ 471,8 por R$ 100, chegamos à seguinte conclusão: a Telefônica comprou 4,7 milhões de aparelhos em 12 meses. Muito estranho, não? A empresa possui hoje 13 milhões de linhas.

DINHEIRO – O balanço foi auditado por uma consultoria independente.
FREIRE
- Prefiro não comentar sobre a reputação da Ernst&Young.

DINHEIRO – Como o sr. avalia a telefonia celular? É melhor do que a fixa?
FREIRE
- Não é monopolista, mas é muito ruim por falta de pulso firme da Anatel. As empresas estão mais preocupadas em remunerar os acionistas do que em investir de forma a prestar um serviço de qualidade à população.

DINHEIRO – A própria competição entre as empresas não equaciona esse problema?
FREIRE
- Um aspecto interessante sobre esta excessiva competição na área de celulares é que, por incrível que pareça, as operadoras não estão bem de lucros. A razão é simples. Elas acham que market share é quanto do número de assinantes ou clientes cada uma tem. Na verdade, 80% de todos as linhas celulares no Brasil são pré-pagas, que geram por mês uma receita que não chega nem à metade do que gera um pós-pago. Elas se concentram em vender, vender, e os pré-pagos quase não fazem ligações. São usados para receber, e consequentemente, não geram receita.

DINHEIRO – A estratégia está errada?
FREIRE
- É uma estratégia suicida. Se eu fosse presidente de uma operadora de celular, iria concentrar esforços em vender a quem gera receita, os pós-pagos. Iria criar novos serviços. Iria paparicar meu cliente

DINHEIRO – Isso custa caro.
FREIRE
- Já notou como a publicidade de todas as operadoras de celular é igual? E, sem sentido, do tipo “vocês sem limites”. Um slogan vazio. Se eu dirigisse uma operadora de celular, criaria um excelente atendimento ao cliente, sem terceirizar.

DINHEIRO – A terceirização é um problema?
FREIRE -
Terceirizar qualquer função de contato com o cliente é suicídio. Você já notou que nenhuma empresa aérea terceiriza aeromoças?

DINHEIRO – A Telesp, onde o sr. já foi diretor, e a Vésper não tinham atendimento bom.
FREIRE
– Muito melhor do que o atendimento de hoje. Foi com essa filosofia que criei a Vésper.

DINHEIRO – Então, por que a empresa não deu certo?
FREIRE
- Porque os acionistas brigaram. A Bell Canadá, principal acionista, resolveu sair do Brasil e parar de investir na Vésper. Assim, cortou mais de US$ 2 bilhões de investimentos.

DINHEIRO – Na maioria dos países, o Estado não compete no setor de telefonia e as coisas funcionam bem. O que acontece lá?
FREIRE
- Como se vê, não há como escapar do papel fiscalizador e protetor do consumidor que o Estado deve assumir. Na pátria do capitalismo, os Estados Unidos, tudo o que disse até agora é executado com competência pela Anatel deles, o Federal Communications Commision, que é todo ocupado por profissionais que têm anos de experiência. O FCC foi o modelo para a Anatel, mas nossa agência desde o início foi uma caricatura, não uma cópia benfeita.

DINHEIRO – Apesar das falhas, a Anatel tem tentado mudar. Concorda?
FREIRE
- A agência não sabe trabalhar. Vou dar um exemplo simples de como a Anatel funciona de forma burra. A fim de promover a competição, a agência inventou uma coisa que existe em nenhum outro país do mundo. Inventou a discagem da operadora de longa distância a cada chamada. Isso nos força a discar 13 dígitos a cada chamada interurbana. Gastou-se uma fortuna para adaptar as centrais para isso, quando bastava ter copiado o que os Estados Unidos fazem. Lá, você faz assinatura com uma operadora de longa distância e pronto.

DINHEIRO – Isso pode ser mudado, não?
FREIRE
- A Anatel não entende de satisfação do cliente. No caso dos Estados Unidos, a competição é até mais eficaz porque a operadora de longa distância que você contratou não quer perdê-lo

DINHEIRO – Afinal, qual a solução para o setor de telefonia no Brasil?
FREIRE
Caímos de novo na atuação do Estado, da Anatel, que deveria ter gente capaz de avaliar as operadoras por dentro.

DINHEIRO – Quem garante que a estatização será o fim dos problemas?
FREIRE
- Não há garantias, mas é a alternativa mais sensata.

DINHEIRO – Sua ofensiva contra a Telefônica não prejudica seu futuro profissional?
FREIRE
- Não me preocupo com isso. Hoje sou consultor de empresas internacionais de telefonia. Meu ganha-pão não está no Brasil. Por isso, tenho independência para falar.

O peso do nome

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Carolina Guerra

Em 2006, a americana Black&Decker, conhecida principalmente por suas ferramentas e eletrodomésticos, resolveu trazer para o Brasil uma linha de metais sanitários e outra de fechaduras.

blackEm vez de vender o produto com sua própria marca, decidiu utilizar dois nomes diferentes (Geo Metais e o difícil de pronunciar Kwikset). Resultado: desconhecidos e sem uma grife forte que pudesse atrair consumidores, eles alcançaram apenas 1,4% das vendas totais da Black&Decker no País.

A empresa quer corrigir o erro. Os artigos continuam nas gôndolas, mas agora trazem a marca Black&Decker estampada com destaque.

“Mudamos nossa estratégia porque percebemos que a força do nome Black&Decker pode alavancar o desempenho desses produtos”, diz Paulo Fernando Martins, que há seis meses assumiu a presidência da empresa no Brasil.

Com faturamento de R$ 580 milhões a empresa vive o melhor momento de sua história no país

Apesar do ajuste, a empresa vai repetir a fórmula que consiste em testar outras marcas no País. A Black&Decker vai colocar no mercado brasileiro, até o final do ano, duas grifes que pertencem ao grupo: a Price Pfister, líder nos Estados Unidos em metais sanitários do segmento de luxo, e a Baldwin, especializada em produzir fechaduras e maçanetas de alto padrão.

“Estamos aproveitando o crescimento do segmento premium no Brasil para ver como essas novas marcas se encaixam no mercado”, afirma Martins. Por enquanto, a empresa não decidiu se vai associar seu nome a essa nova linha de artigos sofisticados. Isso porque, segundo o presidente da empresa, o consumidor de alto padrão já conheceria as marcas Price Pfister e Baldwin, nomes conhecidos na Europa e nos Estados Unidos.

Primeiro, a empresa quer, digamos, sentir o mercado. Para alguns especialistas, a estratégia é arriscada. “O risco de usar o mesmo nome para vários produtos é que a marca principal perca a percepção que o público tem dela”, afirma Fábio Fiorini, diretor-executivo da consultoria Net Branding.

A Black&Decker vive seu melhor momento no Brasil. A empresa viu seu faturamento saltar de R$ 413 milhões em 2007 para R$ 580 milhões em 2008. Segundo o presidente, a meta é crescer 8,5% em 2009. Isso se deve ao aumento expressivo de vendas de eletrodomésticos, que são o carro-chefe da companhia no País, respondendo por mais da metade de seu faturamento. “Por isso, um dos meus grandes desafios é equilibrar melhor as vendas por categoria de produtos”, afirma o executivo.

O futuro segundo o Google

Fonte: Mundo do Marketing
Por James Manyika, da McKinsey para a HSM Management

Poucos negariam que a internet está se tornando o coração do mundo. Bem poucos negariam que o Google já é o coração da internet. Líder dos sistemas de busca, trata-se da principal marca da rede mundial de computadores e da empresa de serviços gratuitos mais poderosa do planeta. Administrar essa posição de comando é, em grande parte, responsabilidade do experiente executivo de tecnologia Eric Schmidt, que, em 2001, foi nomeado para o cargo de CEO pelos fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page. 

Nos oito anos passados, Schmidt vem expandindo o sistema Google e, antecipando as maneiras como as pessoas ampliam o uso da internet, tem lançado novos produtos. E o futuro? Nesta entrevista, ele antevê assistentes digitais mais potentes e muito espaço para a criatividade humana – se as organizações permitirem, é claro.

materia_google_schmidtA internet mudou o mundo. Que novos desenvolvimentos você antevê?
Quando as pessoas tiverem equipamentos pessoais poderosos, conectados a redes infinitamente rápidas e servidores com muito conteúdo, o que elas farão? Haverá um tipo novo de aplicativo, pessoal. Vai rodar em algo equivalente a seu telefone celular. Saberá onde você está por meio de um GPS, e você o usará como seu assistente pessoal e social. Saberá quem são seus amigos e quando eles estarão próximos de você. Ele o lembrará dos aniversários de seus parentes e amigos e o divertirá. Vai avisá-lo de ameaças iminentes e atualizá-lo sobre os acontecimentos. Usará todo o poder computacional que está na “nuvem”, como costumamos dizer. Por exemplo, quando você for a uma loja, esse aparelho lhe permitirá decidir o que comprar ao melhor preço e com a melhor entrega. Quando estiver na escola, ele o ajudará a aprender, uma vez que ele “saberá” muito mais do que você um dia conseguirá saber. Assim, essa visão de um poder computacional praticamente infinito, o poder das redes, e esse equipamento poderoso são a base para a próxima geração de computadores.

Munidas de todo esse arsenal tecnológico, o que acontecerá com as pessoas e o modo como vivem e trabalham?
Já há enorme explosão de conteúdo, mas ainda muito pouca compreensão sobre isso. Eu penso que o gap entre o que os computadores fazem (que é trabalho de análise e replicação em volumes muito altos) e as coisas que os seres humanos podem realizar (que são essencialmente intuitivas) é grande. Nós provavelmente não veremos essa lacuna se fechar muito. As empresas mudarão a maneira como vendem os produtos às pessoas, que serão cada vez mais auxiliadas por computadores. Mas, em última instância, nós ainda controlaremos o mundo. A parte difícil da mensagem é que tudo acontecerá mais rapidamente – cada ciclo de produto, cada ciclo de informação, cada bolha –, devido aos efeitos de rede, uma vez que todos estarão conectados e conversando entre si. Os que já estão cansados do ritmo das mudanças ficarão ainda mais estressados, mas uma nova geração está crescendo tendo isso como a cadência normal de sua vida.

A internet derrubará barreiras, tornando os mercados mais democráticos?
Eu queria poder responder que a internet criou um campo tão plano que a cauda longa é certamente o lugar onde se deve estar e que há muita diferenciação, diversidade, vozes novas… Infelizmente, não é esse o caso. O que realmente acontece é algo chamado “lei do poder”, caracterizada por um pequeno número de coisas altamente concentradas e por uma grande quantidade de outras coisas de volume relativamente pequeno. Virtualmente, todos os novos mercados de rede seguem essa lei. Em outras palavras, ainda que a cauda seja muito interessante, a maior parte da receita permanecerá na cabeça. E essa é uma lição que as empresas têm de aprender. Ao mesmo tempo em que você pode seguir uma estratégia de cauda longa, é melhor que tenha a cabeça, porque é aí que o dinheiro está. É provável que a internet leve a grandes sucessos de vendas e a maior concentração de marcas, o que nem faz muito sentido, por ser o meio que é, com maior capacidade de distribuição. Mas, quando se juntam as pessoas, elas ainda querem uma superestrela – só que não mais uma estrela norte-americana, e sim mundial.

Como as empresas fazem dinheiro nesses mercados?
“Grátis” é melhor do que “barato”. Esse princípio tão simples foi deixado de lado por muitos gestores. Alguns modelos de negócio envolvem o “grátis” como fonte adjacente de recursos, quando, na verdade, “grátis” é um modelo viável pelas vantagens de branding, nas cobranças de serviços e outras coisas. Há um modelo de negócio diferente daquele ao qual a maioria de nós está acostumada, porque vai contra a velha lei da economia que diz que o preço do produto tende, no final, ao custo marginal de sua produção e distribuição. No mundo digital, para produtos digitais, o custo marginal de fabricação e distribuição é efetivamente zero ou próximo de zero. Assim, para essa categoria de produtos, é razoável esperar que o modelo do “grátis”, com o auxílio do branding e das oportunidades de receita, seja muito bom.

Dê um exemplo sobre como um setor pode se adaptar a essas mudanças…
Obviamente, para coisas que têm algum custo físico de produção, você estará perdendo dinheiro em um milhão de unidades de uma vez, a menos que surja alguma receita compensatória. A telefonia seria um exemplo clássico disso. A maior parte dos custos de infraestrutura física de telefonia é perdida. O custo operacional não é tão grande – basicamente, cobrança e afins. Imagine uma situação na qual a telefonia passasse da cobrança por minuto para a cobrança na aquisição do telefone. Você compraria o telefone e, embutida no custo, estaria parte daquela infraestrutura. Com isso, você poderia usar o telefone para sempre. Mas, pelo menos no mundo digital, as pessoas têm de aceitar que o custo de transmissão e distribuição não aumentará. Está caindo. Quem constrói o aparato físico que se conecta à transmissão e à distribuição transformará seus modelos em algo mais similar à forma pré-paga, porque será mais eficiente do ponto de vista do consumidor.

Em face disso, que mudanças serão necessárias na gestão de empresas?
A internet está nivelando as empresas de diferentes portes de várias maneiras: distribuição, branding, dinheiro e acesso. Mas há muitas outras implicações para o modo como elas operam. Elas não podem ser tão controladoras. Têm de deixar a informação sair. Precisam ouvir os clientes, porque os clientes estão falando com elas. E, se não falarem com eles, o concorrente falará. Enfim, há uma longa lista de razões pelas quais uma empresa mais transparente significa uma organização melhor. Muitos modelos de negócio ainda são baseados em controle; meu exemplo favorito é o de distribuição de filmes. Como consumidor, quero assistir aos filmes quando me der vontade e no meio que eu desejar. No entanto, toda a estrutura econômica do negócio dos filmes, até recentemente, era organizada em torno da distribuição em determinado formato, a dado preço, o que pressupunha um pouco de espera. Mas, no novo mundo, não esperarão. Além disso, já temos muitas evidências de que grupos tomam melhores decisões que indivíduos, especialmente quando são selecionados entre as pessoas mais inteligentes e as mais interessantes. A sabedoria das multidões argumenta que você pode operar uma empresa por consenso, que é como o Google opera.

Como vocês fazem isso?
Duas coisas são necessárias para uma empresa operar por consenso. A primeira é ter alguém que determine um prazo. Em uma organização, o papel de um líder geralmente não é forçar um resultado, mas a execução, ou seja, estabelecer um prazo, seja em uma crise real ou criando uma crise. E uma boa estratégia gerencial é: “Vamos criar uma crise nesta semana para que todos ultrapassem tal barreira”. A segunda coisa é ter alguém que discorde. Se não houver discordância, você terá um rei. E o novo modelo de governança se opõe radicalmente a isso. O que eu tento fazer em reuniões é descobrir as pessoas que não falaram, que costumam ser as que têm medo de falar, mas possuem opinião divergente. Eu faço com que digam o que pensam realmente e isso promove a discussão – e a coisa certa acontece. Encorajar essa abertura é uma arte, não ciência. Fato é que as melhores ideias normalmente não vêm dos executivos. E, infelizmente, os executivos não concordam comigo a esse respeito.

Em sua opinião, existe um tipo de organização que tenha vantagem na hora de inovar?
Executivos sempre querem simplificar a vida e, por isso, estruturam seu negócio  em três divisões, quatro produtos, o departamento de marketing e assim por diante. A fórmula até pode continuar funcionando em algumas empresas, mas a maioria, devido à natureza da tecnologia, ficará mais complexa. As empresas terão mais produtos e mais variação de linha ao longo do tempo. E será importante, para manter uma barreira aos competidores, ter produtos resilientes, em escala, diferenciados e de alcance internacional, o que significa que não podem mais ser criados por duas pessoas apenas. Em nosso caso, como reconhecemos que a inovação vem de pequenas equipes e nos organizamos de acordo com isso, nós também encorajamos as pessoas a falar umas com as outras. Uma das coisas que tentamos evitar no Google é o tipo de estrutura divisional e de unidades de negócios que impede a colaboração entre as unidades. É difícil. Mas tentamos porque isso elimina os laços informais, que, em uma cultura aberta, levam a muita colaboração. Se as pessoas entendem os valores da empresa para a qual trabalham, devem ser capazes de se organizar para lidar com os problemas mais interessantes. Se não são capazes de fazê-lo, é porque você não conversou com elas, não construiu uma cultura de valores compartilhados.

Para terminar, quais são os perigos que você enxerga no contínuo desenvolvimento da internet?
Há uma série de iniciativas de construção de um padrão global para a web. Dada a história das guerras e da política global, é altamente improvável que vejamos um único regime, por exemplo, para leis de direitos autorais, para definir quais conteúdos são apropriados, ou quais são as penas para o conteúdo inapropriado ou para todas as questões que as pessoas enfrentam no mundo on-line. O modo de solucionar esse problema, hoje, é usar domínios por país. Assim, um domínio de um país é visto como diferente, como o domínio americano, que é o “ponto com”. É provável que ocorram desafios legais e políticos ao longo dos anos, e eu acho que o próximo virá em breve. Na internet, as pessoas sempre estão sujeitas às leis locais. Mas será uma tragédia, por essas questões, que ela se torne dividida em um nível físico. Não será? Será uma tragédia se cada país construir uma espécie de polícia em torno de sua internet [no Brasil, por exemplo, essa questão está em tramitação no Congresso Nacional]. É muito melhor usar outras abordagens para se assegurar de que o que for legal em um país e ilegal em outro não vá de um para outro sem a supervisão apropriada. Dada a complexidade disso tudo, meu conselho é que as empresas globais tenham muitos advogados, cada um especializado em determinada lei nacional – um na lei brasileira, outro na turca, outro na europeia etc.

Como o Google inova, segundo Schmidt
“A inovação sempre foi liderada por uma pessoa ou por uma pequena equipe que se dá ao luxo de ter uma nova ideia e ir atrás dela. Não há exemplos contrários. Já era verdade há 100 anos e será verdade nos próximos 100. A inovação é algo que vem quando você não está sob a mira de uma arma. Então, é importante que, mesmo que não haja equilíbrio em sua vida, você tenha tempo para reflexão, de modo que possa dizer ‘Bem, talvez eu não esteja trabalhando na coisa certa’ ou ‘Talvez eu devesse ter uma nova ideia’. As partes criativas da mente de uma pessoa não seguem uma agenda.

Em nosso caso, tentamos estimular a inovação com coisas como os 20% do tempo [reservados à criação pessoal] e as pequenas equipes de tecnologia, que não têm uma direção. Tentamos encorajar o verdadeiro pensar fora da caixa. Também procuramos pequenas empresas que possamos adquirir, porque, com frequência, são elas que têm as grandes novas ideias. Elas começam essas ideias, mas não podem, de fato, completá-las.

O objetivo do Google é ser uma inovadora sistemática e em escala. ‘Escala’ significa mais de um. ‘inovadora’ significa produtora de coisas que realmente fazem você gritar ‘uau!’. E ‘sistemática’ quer dizer que podemos sistematizar a abordagem – nós realmente podemos conseguir que nossos grupos inovem. Nós não sabemos, necessariamente, quem será bem-sucedido neste mês, mas temos grupos suficientes para que umas poucas inovações surjam. E, é claro, também eliminamos aqueles que não são bem-sucedidos. Nós os pressionamos para tentarem fazer algo diferente ou redefinir o objetivo se necessário. É claro que os projetos são cancelados quando não funcionam, mas isso é relativamente raro.”

Mabe Eletrodomésticos volta à mídia com Malu Mader

Fonte: Revista Fator Brasil

mabeA marca mabe – pertencente à Mabe Eletrodomésticos, líder em linha branca na América Latina – estréia, na próxima semana, campanha com a atriz Malu Mader. A ação faz parte do plano da empresa para a construção da marca e tem como objetivo alavancar as vendas de fim do ano. As peças publicitárias seguem o conceito multimulher, utilizado em toda a comunicação da marca mabe. A previsão de investimentos desde o lançamento da marca no País, em 2008, até os próximos 4 anos está na ordem de R$ 100 milhões.

Desenvolvida pela Energy, a campanha é composta por cinco filmes de 15” e vinhetas de 5”, além de peças para internet e material de PDV. A comunicação será veiculada nas TVs abertas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e nas cidades de Belo Horizonte, Salvador e Recife. A ação conta ainda com veiculação nacional em canais fechados.

O filme exibe a atriz Malu Mader em um set de gravação, destacando o design e a tecnologia inerentes aos produtos mabe. Com o mote “Mabe. A marca da multimulher”, o comercial traz a atriz em situações do cotidiano e reforça a importância de eletrodomésticos práticos que descomplicam a vida da mulher moderna, que concilia várias atividades pessoais e profissionais ao mesmo tempo.

“A nova campanha é um complemento das peças veiculadas em 2008. Agora, vamos mostrar como nossos eletrodomésticos descomplicam o dia-a-dia das multimulheres. Apresentaremos, por exemplo, o fogão duplo forno, a lavadora com função programar início e o refrigerador com a função férias, que economiza energia enquanto você está fora”, afirma Fernanda Afonso, gerente da marca no País.

“Na primeira etapa, ressaltamos a imagem de uma mulher que possui desenvoltura nos múltiplos papéis de mãe, esposa e profissional. Já nessa segunda, esse formato segue presente, porém com foco nas facilidades que os produtos da Mabe adicionam ao cotidiano das pessoas”, acrescentou Vitor Knijnik, vice-presidente de Criação da Energy.

Em pesquisas com as consumidoras, a empresa observou que as mulheres brasileiras são as verdadeiras gestoras de todas as atividades de uma casa e estão completamente antenadas às novas tecnologias, buscando fazer cada coisa a seu tempo de forma equilibrada. O conceito multimulher reflete esse estilo e os produtos da marca mabe oferecem funções que descomplicam essas atividades diárias.

“A escolha da Malu Mader como protagonista das nossas campanhas foi certeira, já que ela transmite a imagem de uma mulher segura, versátil e descomplicada, um verdadeiro exemplo de multimulher. Por isso, decidimos mantê-la em toda a comunicação da marca”, destaca a executiva. A imagem da Malu Mader poderá ser vista no filme e também nos anúncios de internet, materiais de PDV e nas demais ações de marketing da marca.

Revista Mabe – Para se aproximar dos vendedores das redes varejistas, a mabe desenvolve também uma revista, a Mabe Negócios. Com tiragem trimestral, a publicação traz reportagens, dicas de celebridades, técnicas de vendas e temas divertidos que irão auxiliar e entreter os profissionais da área.

Site mabe: O site www.mabebrasil.com.br destaca a multimulher, bem como a linha completa de produtos mabe, que chegou para descomplicar a vida das consumidoras da marca. No site, o internauta tem a chance de conhecer mais sobre os eletrodomésticos da mabe, explorar dicas de beleza, saúde, comportamento e relacionamento para descomplicar o dia-a-dia, além de sugestões de especialistas como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos entre outros profissionais.

O site foi desenvolvido pela empresa no Brasil, com apoio da mabe México, e pela Foster Web Solutions & Consulting.

A marca mabe – Com uma linha completa de eletrodomésticos – mais de 65 modelos -, design arrojado e tecnologia realmente útil, os novos produtos foram desenvolvidos para as mulheres brasileiras. A marca mabe oferece a praticidade necessária para descomplicar a vida dessas multimulheres. A mabe possui o exclusivo serviço pós-venda direto do fabricante, basta entrar em contato com o 0800-772-6223 para qualquer informação ou atendimento da mabe, que conta com uma rede de 400 postos de serviços em todo o país.

Perfil da Mabe – A Mabe Eletrodomésticos — detentora no Brasil das marcas GE, mabe, Dako, Bosch e Continental — é líder absoluta em linha branca na América Latina, maior exportadora do setor para os Estados Unidos e maior fabricante de fogões do mundo. Possui 20 fábricas, que faturam US$ 4,5 bilhões ao ano e empregam 21 mil colaboradores diretos. No Brasil, detém 5 unidades fabris, em Campinas (SP), Itu (SP) e Hortolândia (SP), emprega mais de 4 mil funcionários e possui assistência técnica em 26 Estados brasileiros, além do Distrito Federal.

Designing Brand Identidy – Alina Wheeler & Ed Wiley

capaDBIA terceira edição deste livro de Alina Wheeler está mais completa e é leitura obrigatória para quem estuda ou trabalha com Branding.

Este guia de Branding em sua primeira parte apresenta os conceitos fundamentais necessários para rapidamente entender o processo, a criação de identidade de marca e disseminar o vocabulário utilizado em Branding. Na segunda parte apresenta processos de identidade de marca com comentários dos escopos e a natureza dos projetos feitos pelos maiores escritórios de branding do mundo todo, permitindo ao leitor entender um pouco a visão de cada uma destas empresas.

Esta seção responde a pergunta: Porque demora tanto tempo um projeto de Branding?

Na última parte ele apresenta cases de sucesso e suas melhores práticas. Locais e globais, públicos e privados, que inspiram e exemplificam por serem originais, flexíveis e com soluções duradouras como: Obama, RED, MoMA, Coca Cola e a brasileira IUNI. Este ano pela primeira vez duas empresas brasileiras estão entre os cem cases apresentados a Per Creare Branding e a liDBrand sua parceira, com o case IUNI Educacional, um dos dez maiores grupos de educação do país.

Este livro pode ser encontrado na Amazon.com e ser lançado em português até o final do ano pela editora Bookman.

Wandy Cavalheiro – especialista em Branding pela FGV /SP, Diretora Executiva da Per Creare Branding | Gestão de Marcas. Autora de diversos capítulos e artigos de Branding.
e-mail: wandy@percreare.com.br

Oetker contesta fusão de Sadia e Perdigão

Fonte: Valor Online
Por Juliano Basile e Lílian Cunha

BRFDe olho em uma possível aquisição e na possibilidade de aumentar sua participação de mercado, a alemã Dr. Oetker ingressou no último dia 9 com um pedido de oposição à fusão entre Sadia e Perdigão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Esse é o primeiro registro de oposição ao negócio divulgado há cinco meses registrado na autarquia vinculada ao Ministério da Justiça brasileiro.

No Brasil desde a década de 30, a Dr. Oetker é conhecida por seus chás e gelatinas, mas também fabrica e vende aromas, fermentos, sobremesas, confeitos, snacks, misturas para bolos e tortas. O interesse em impedir a fusão – ou pelo menos em conseguir restrições a ela – tem a ver com o segmento de pratos prontos. Embora no exterior a Oetker tenha uma linha completa de iogurtes, sobremesas prontas refrigeradas e pratos congelados, no Brasil ela atua nesse segmento apenas com a marca Dr. Oetker Ristorante, de pizza pronta congelada, que, segundo fontes de mercado, tem menos de 1% das vendas. 

Já a BRF – Brasil Foods (a empresa resultante da união entre Perdigão e Sadia) é dona das marcas de pizza pronta Rezende, Batavo, Apreciata e Sadia, que juntas têm 83% das vendas em volume, segundo estimativas da revista especializada Supermercado Moderno. 

” A Oetker está muito preocupada com a concentração, principalmente no segmento de pizzas prontas congeladas, e também teme possíveis práticas anticompetitivas nos canais de distribuição ” , disse Juliano Maranhão, advogado do escritório Sampaio Ferraz, contratado pela multinacional alemã. 

Maranhão relatou que a Oetker encomendou um estudo à consultoria americana Bates White para diagnosticar como ficaria o segmento de pratos congelados caso a fusão fosse aprovada sem restrições. Segundo a consultoria, a fusão irá dificultar a entrada de novas companhias no setor. O levantamento apontou que a aprovação sem restrições provocaria um fenômeno chamado de ” efeito portfólio ” , ou seja, a blindagem do mercado por várias marcas fortes que, entretanto, pertencem a uma única empresa. 

A estratégia da Oetker é fazer pressão para que o Cade aprove a fusão impondo restrições, tais como a venda de marcas e ativos em segmentos onde haja alta concentração de mercado. Pressionada pelo órgão antitruste, a BRF teria de vender essas marcas e ativos por preços mais baixos. Nesse caso, a Oetker faria aquisições gastando pouco e ganharia quase instantaneamente uma boa participação de mercado. A companhia sediada em Bielefeld, na Alemanha, é conhecida internacionalmente por já ter feito aquisições em termos semelhantes. A própria divisão de pizzas foi comprada da Unilever em 2004, quando a companhia holandesa, que passava por dificuldades, decidiu reduzir seu portfólio de 1600 para 400 marcas. 

Uma associação de suinocultores também deve apresentar em breve oposição à fusão. Pedidos de como esses são comuns no Cade e muitas vezes são determinantes na decisão do órgão. No caso da compra da Garoto pela Nestlé, por exemplo, a oposição da Kraft Foods foi crucial para que o Cade decidisse contra o negócio em 2004. Os advogados da BRF disseram que ainda não vão se pronunciar.

As Marcas – Jean-Noël Kapferer

O livro “As Marcas” é a referência primária dos cursos de MBA de Branding que leciono.

O Senhor Jean-Noël Kapferer é uma referência acadêmica e profissional quando se tratar do tema de branding.

70_As marcasA primeira parte do livro explica a importância do Branding nas organizações, partindo do conceito de que marcas são ativos intangíveis valiosos para empresas e que seu processo de gestão gera um substancial valor para os acionistas. Nesta primeira parte do livro o autor não se limita à indústria de bens de consumo, pois trata também a questão do branding  no segmento de marcas próprias, marcas de luxo e diversos outros setores e indústrias.

A segunda parte do livro aborda a conceito de identidade de marca e posicionamento de marca. Estes dois conceitos e dois capítulos talvez são no meu entendimento para  o conceito de branding e gestão de Marcas, por detalha um ferramenta que pode auxiliar muito a revelar uma identidade de marca que é o Prisma de Identidade.

A terceira parte diz respeito ao processo de criação e sustentabildade da marca no longo prazo.

O livro traz em detalhe todas as etapas sobre gestão de marca. O capítulo 8, em específico, se responsabiliza por trabalhar o lançamento de marca, passando por desafios de mercados maduros, o conceito de ciclo de vida de marca, brand life cicle, chegando até arquitetura de marcas e gestão multi-brand portfolios.

Além disso, o livro traz excelentes contribuições para o tema de reposicionamento de marcas e administração de mudanças de nomes (pós-aquisição) e gestão global de marcas.

A quarta e última etapa, diz respeito à avaliação financeira de marcas. Pois, ao final, para completar o ciclo, marcas geram valor ao acionista.

Existe a versão em português do livro (Terceira Edição – “As Marcas”), porém confesso que prefiro mais a quarta edição do livro (ainda somente em inglês – “The New Strategic Brand Management“). A razão de minha preferência é que a terceira edição traz muito exemplo de marcas francesas e quando muito europeias. Já a Quarta edição do livro traz exemplos de marcas globais. Isto faz uma certa diferença, principalmente se você não conhece profundamente as marcas Francesas.

Brand Failures – Matt Haig

Muito pensam que grandes marcas foram construídas através de um disciplinado processo ao longo do tempo. A grande maioria das marcas é fruto da ideologia de um fundador, que estruturou uma organização com pessoas alinhadas com seus princípios. A consistência desses valores junto aos públicos estratégicos gera uma percepção. Esta percepção são um reflexo da qualidade dos brand-equities.

brand failuresNeste processo de construção, obviamente, ocorreram falhas ao longo do tempo. O autor ilustra os 100 principais erros de marcas e dentre elas de empresas e marcas muito bem consolidadas.

Dentre eles, a destacar, está o New Coke. Em 1985 a Coca-Cola buscava um novo posicionamento inclusive mudando o sabor da Coca-Cola. Não preciso dizer que a campanha foi rapidamente abandonada e, em seguida, lançada a propaganda “Always Coca-Cola”.

Outro caso importante ressaltado é o da British Airways que em seu processo de branding definiu decorar as caudas das aeronaves com pintura de artistas plásticos de cada região atendida pela British. O único problema, mencionado pelo livro, era que essas pinturas substituíam a bandeira da Inglaterra, o que era um símbolo muito forte do povo britânico. Nossa colega Joanna Seddon, Executive Vice President da Millward Brown Optimor particupou do processo de retomada da identidade original e menciona que existiu um investimento bastante expressivo de repintar as caldas da aeronaves com a identidade original. É um caso definitivamente bastante controveso de Brand Failures que o leitor pode ter alguns detalhes interssantes nesta pulicação.

No Brand Failures são abordados outros inúmeros casos de insucessos que valem a pena um profissional de branding conhecer.

O VALOR DA MARCA IBOPE

Fonte: Ibope.com

Manter a relevância de uma marca num cenário de mudanças e quebra de paradigmas tão frequentes é certamente um enorme desafio que o IBOPE encara
cotidianamente. Marcas fortes podem ser os ativos mais valiosos de uma organização, e a marca IBOPE é particularmente valiosa. Um valor que demonstra a relevância e a solidez de uma empresa que está no mercado há mais de 65 anos. “A nossa marca é o nosso maior patrimônio”, declara Carlos Augusto Montenegro, presidente do Grupo IBOPE. “Ela representa toda uma história que está sendo escrita baseada em confiança, credibilidade, pioneirismo e prestígio de uma instituição sólida e integrada, independentemente do mercado ou da região em que está presente”, diz.
E por estar cada vez mais internacionalizada e sinalizar com planos para continuar sua expansão na Europa e nos Estados Unidos que a empresa vem continuamente investindo em ações para fortalecer cada vez mais esse ativo valioso. “Entender a essência e conhecer o valor da marca IBOPE foi um passo fundamental para referendar a importância de consolidar no mercado a imagem de uma empresa única, transmitindo os valores de tradição e idoneidade, com rígidos padrões de excelência em seus produtos e serviços”, afirma Rogerio Cajado, diretor corporativo do Grupo IBOPE.
Nesse sentido, um amplo trabalho de comunicação vem sendo conduzido nos
últimos quatro anos. Além de avaliar o valor da marca, por meio de um estudo
realizado pela consultoria global de marcas Interbrand, adotou-se o conceito do sistema monolítico para a logotipia que transmite força e abrangência para as empresas do Grupo e para seus produtos e serviços. O próximo passo foi o desenvolvimento do Manual de Identidade Visual (Miv), importante balizador de comunicação da empresa, que aborda questões variadas sobre o correto uso da marca, sua aplicabilidade, entre outros relevantes conceitos sobre a imagem do IBOPE.
Implantado recentemente pela área de comunicação institucional, todo esse trabalho foi baseado em uma pesquisa realizada com os principais públicos de
relacionamento da empresa. Detectou-se que o mercado já reconhecia os atributos
de imagem transmitidos pela marca que o IBOPE quer manter. Entre eles: tradição,
idoneidade, pioneirismo, confiança, profissionalismo e qualidade. “Esse resultado coloca a organização numa posição privilegiada”, afirma o presidente Montenegro. “O reconhecimento que a nossa marca possui é algo que muitas empresas têm o sonho de conquistar”, diz ele, referindo-se ao fato de a marca IBOPE ser verbete no dicionário brasileiro como sinônimo de prestígio e audiência, atributos inerentes ao negócio da empresa.

marca_id41197221_Manter a relevância de uma marca num cenário de mudanças e quebra de paradigmas tão frequentes é certamente um enorme desafio que o IBOPE encara cotidianamente. Marcas fortes podem ser os ativos mais valiosos de uma organização, e a marca IBOPE é particularmente valiosa. Um valor que demonstra a relevância e a solidez de uma empresa que está no mercado há mais de 65 anos. “A nossa marca é o nosso maior patrimônio”, declara Carlos Augusto Montenegro, presidente do Grupo IBOPE. “Ela representa toda uma história que está sendo escrita baseada em confiança, credibilidade, pioneirismo e prestígio de uma instituição sólida e integrada, independentemente do mercado ou da região em que está presente”, diz.

E por estar cada vez mais internacionalizada e sinalizar com planos para continuar sua expansão na Europa e nos Estados Unidos que a empresa vem continuamente investindo em ações para fortalecer cada vez mais esse ativo valioso. “Entender a essência e conhecer o valor da marca IBOPE foi um passo fundamental para referendar a importância de consolidar no mercado a imagem de uma empresa única, transmitindo os valores de tradição e idoneidade, com rígidos padrões de excelência em seus produtos e serviços”, afirma Rogerio Cajado, diretor corporativo do Grupo IBOPE.

Nesse sentido, um amplo trabalho de comunicação vem sendo conduzido nos últimos quatro anos. Além de avaliar o valor da marca, por meio de um estudo realizado pela consultoria global de marcas Interbrand, adotou-se o conceito do sistema monolítico para a logotipia que transmite força e abrangência para as empresas do Grupo e para seus produtos e serviços. O próximo passo foi o desenvolvimento do Manual de Identidade Visual (Miv), importante balizador de comunicação da empresa, que aborda questões variadas sobre o correto uso da marca, sua aplicabilidade, entre outros relevantes conceitos sobre a imagem do IBOPE.

Implantado recentemente pela área de comunicação institucional, todo esse trabalho foi baseado em uma pesquisa realizada com os principais públicos de relacionamento da empresa. Detectou-se que o mercado já reconhecia os atributos de imagem transmitidos pela marca que o IBOPE quer manter. Entre eles: tradição, idoneidade, pioneirismo, confiança, profissionalismo e qualidade. “Esse resultado coloca a organização numa posição privilegiada”, afirma o presidente Montenegro. “O reconhecimento que a nossa marca possui é algo que muitas empresas têm o sonho de conquistar”, diz ele, referindo-se ao fato de a marca IBOPE ser verbete no dicionário brasileiro como sinônimo de prestígio e audiência, atributos inerentes ao negócio da empresa.

Para o diretor-geral da consultoria BrandAnalytics, Eduardo Tomiya, a marca IBOPE materializa toda a sua história, desde a fundação, e sua logomarca tangibiliza o que está sendo construído. “A marca IBOPE tem DNA muito próprio” afirma. “E seus atributos são usufruídos por todas as empresas do Grupo”.

A marca de uma empresa manifesta-se e é percebida de diversas formas e por públicos diferenciados. No IBOPE, a excelência e a diversidade de seus produtos e serviços, assim como a competência de seus colaboradores, são indicadores decisivos na construção e manutenção da força da marca. “A empresa investe incansavelmente na inovação e na diversificação de seus produtos”, afirma Cajado.

De acordo com Tomiya, outro fator fundamental para o sucesso, principalmente para uma empresa do setor de serviços, é o respeito ao capital humano. “Pensar no IBOPE só no aspecto do conhecimento é muito pouco, é preciso ir além”, garante. E assim ocorre. A atuação da empresa é reconhecida pelo alto desempenho de seus profissionais, que atuam de maneira preparada e motivada para interagir com as questões mais relevantes do cenário nacional e latino-americano.

Segundo o presidente Montenegro, o que mais lhe chama a atenção é a capacidade de renovação e profissionalização do IBOPE. “Os novos desafios do mercado, ampliados pela convergência dos meios de comunicação e pela conectividade das pessoas, exigem de todos nós um exercício diário de renovação de ideias, de reflexão sobre o futuro e um novo olhar sobre nossos negócios, produtos e serviços”, diz. “Somos uma empresa multinacional brasileira, dinâmica e em constante evolução. Não há espaço para acomodação”.

Entrega de valor

O sucesso de marcas e empresas depende também da capacidade de entregar mais valor ao cliente. “Estamos na era da economia de valor, em que uma marca não pode se preocupar apenas com seu impacto sobre o consumidor, mas, sim, sobre a cadeia de valor inteira”, afirma Tomiya. Para o executivo, a comunicação tem o papel de potencializar todos os atributos que a empresa de fato pode entregar. “A imagem institucional pode gerar um valor bastante elevado para uma empresa e é fundamental ter diretrizes que orientem a aplicação da marca”, sentencia. Trabalhar isso é essencial”, garante. “Nosso desafio, a partir de agora, é manter a comunicação integrada e consistente com o seu posicionamento e seus atributos, orquestrando todas as ferramentas de construção da marca para otimizar verbas e mostrar uma mensagem clara na mente de nossos clientes, colaboradores, fornecedores e sociedade”, conclui Cajado.