O futuro segundo o Google

Fonte: Mundo do Marketing
Por James Manyika, da McKinsey para a HSM Management

Poucos negariam que a internet está se tornando o coração do mundo. Bem poucos negariam que o Google já é o coração da internet. Líder dos sistemas de busca, trata-se da principal marca da rede mundial de computadores e da empresa de serviços gratuitos mais poderosa do planeta. Administrar essa posição de comando é, em grande parte, responsabilidade do experiente executivo de tecnologia Eric Schmidt, que, em 2001, foi nomeado para o cargo de CEO pelos fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page. 

Nos oito anos passados, Schmidt vem expandindo o sistema Google e, antecipando as maneiras como as pessoas ampliam o uso da internet, tem lançado novos produtos. E o futuro? Nesta entrevista, ele antevê assistentes digitais mais potentes e muito espaço para a criatividade humana – se as organizações permitirem, é claro.

materia_google_schmidtA internet mudou o mundo. Que novos desenvolvimentos você antevê?
Quando as pessoas tiverem equipamentos pessoais poderosos, conectados a redes infinitamente rápidas e servidores com muito conteúdo, o que elas farão? Haverá um tipo novo de aplicativo, pessoal. Vai rodar em algo equivalente a seu telefone celular. Saberá onde você está por meio de um GPS, e você o usará como seu assistente pessoal e social. Saberá quem são seus amigos e quando eles estarão próximos de você. Ele o lembrará dos aniversários de seus parentes e amigos e o divertirá. Vai avisá-lo de ameaças iminentes e atualizá-lo sobre os acontecimentos. Usará todo o poder computacional que está na “nuvem”, como costumamos dizer. Por exemplo, quando você for a uma loja, esse aparelho lhe permitirá decidir o que comprar ao melhor preço e com a melhor entrega. Quando estiver na escola, ele o ajudará a aprender, uma vez que ele “saberá” muito mais do que você um dia conseguirá saber. Assim, essa visão de um poder computacional praticamente infinito, o poder das redes, e esse equipamento poderoso são a base para a próxima geração de computadores.

Munidas de todo esse arsenal tecnológico, o que acontecerá com as pessoas e o modo como vivem e trabalham?
Já há enorme explosão de conteúdo, mas ainda muito pouca compreensão sobre isso. Eu penso que o gap entre o que os computadores fazem (que é trabalho de análise e replicação em volumes muito altos) e as coisas que os seres humanos podem realizar (que são essencialmente intuitivas) é grande. Nós provavelmente não veremos essa lacuna se fechar muito. As empresas mudarão a maneira como vendem os produtos às pessoas, que serão cada vez mais auxiliadas por computadores. Mas, em última instância, nós ainda controlaremos o mundo. A parte difícil da mensagem é que tudo acontecerá mais rapidamente – cada ciclo de produto, cada ciclo de informação, cada bolha –, devido aos efeitos de rede, uma vez que todos estarão conectados e conversando entre si. Os que já estão cansados do ritmo das mudanças ficarão ainda mais estressados, mas uma nova geração está crescendo tendo isso como a cadência normal de sua vida.

A internet derrubará barreiras, tornando os mercados mais democráticos?
Eu queria poder responder que a internet criou um campo tão plano que a cauda longa é certamente o lugar onde se deve estar e que há muita diferenciação, diversidade, vozes novas… Infelizmente, não é esse o caso. O que realmente acontece é algo chamado “lei do poder”, caracterizada por um pequeno número de coisas altamente concentradas e por uma grande quantidade de outras coisas de volume relativamente pequeno. Virtualmente, todos os novos mercados de rede seguem essa lei. Em outras palavras, ainda que a cauda seja muito interessante, a maior parte da receita permanecerá na cabeça. E essa é uma lição que as empresas têm de aprender. Ao mesmo tempo em que você pode seguir uma estratégia de cauda longa, é melhor que tenha a cabeça, porque é aí que o dinheiro está. É provável que a internet leve a grandes sucessos de vendas e a maior concentração de marcas, o que nem faz muito sentido, por ser o meio que é, com maior capacidade de distribuição. Mas, quando se juntam as pessoas, elas ainda querem uma superestrela – só que não mais uma estrela norte-americana, e sim mundial.

Como as empresas fazem dinheiro nesses mercados?
“Grátis” é melhor do que “barato”. Esse princípio tão simples foi deixado de lado por muitos gestores. Alguns modelos de negócio envolvem o “grátis” como fonte adjacente de recursos, quando, na verdade, “grátis” é um modelo viável pelas vantagens de branding, nas cobranças de serviços e outras coisas. Há um modelo de negócio diferente daquele ao qual a maioria de nós está acostumada, porque vai contra a velha lei da economia que diz que o preço do produto tende, no final, ao custo marginal de sua produção e distribuição. No mundo digital, para produtos digitais, o custo marginal de fabricação e distribuição é efetivamente zero ou próximo de zero. Assim, para essa categoria de produtos, é razoável esperar que o modelo do “grátis”, com o auxílio do branding e das oportunidades de receita, seja muito bom.

Dê um exemplo sobre como um setor pode se adaptar a essas mudanças…
Obviamente, para coisas que têm algum custo físico de produção, você estará perdendo dinheiro em um milhão de unidades de uma vez, a menos que surja alguma receita compensatória. A telefonia seria um exemplo clássico disso. A maior parte dos custos de infraestrutura física de telefonia é perdida. O custo operacional não é tão grande – basicamente, cobrança e afins. Imagine uma situação na qual a telefonia passasse da cobrança por minuto para a cobrança na aquisição do telefone. Você compraria o telefone e, embutida no custo, estaria parte daquela infraestrutura. Com isso, você poderia usar o telefone para sempre. Mas, pelo menos no mundo digital, as pessoas têm de aceitar que o custo de transmissão e distribuição não aumentará. Está caindo. Quem constrói o aparato físico que se conecta à transmissão e à distribuição transformará seus modelos em algo mais similar à forma pré-paga, porque será mais eficiente do ponto de vista do consumidor.

Em face disso, que mudanças serão necessárias na gestão de empresas?
A internet está nivelando as empresas de diferentes portes de várias maneiras: distribuição, branding, dinheiro e acesso. Mas há muitas outras implicações para o modo como elas operam. Elas não podem ser tão controladoras. Têm de deixar a informação sair. Precisam ouvir os clientes, porque os clientes estão falando com elas. E, se não falarem com eles, o concorrente falará. Enfim, há uma longa lista de razões pelas quais uma empresa mais transparente significa uma organização melhor. Muitos modelos de negócio ainda são baseados em controle; meu exemplo favorito é o de distribuição de filmes. Como consumidor, quero assistir aos filmes quando me der vontade e no meio que eu desejar. No entanto, toda a estrutura econômica do negócio dos filmes, até recentemente, era organizada em torno da distribuição em determinado formato, a dado preço, o que pressupunha um pouco de espera. Mas, no novo mundo, não esperarão. Além disso, já temos muitas evidências de que grupos tomam melhores decisões que indivíduos, especialmente quando são selecionados entre as pessoas mais inteligentes e as mais interessantes. A sabedoria das multidões argumenta que você pode operar uma empresa por consenso, que é como o Google opera.

Como vocês fazem isso?
Duas coisas são necessárias para uma empresa operar por consenso. A primeira é ter alguém que determine um prazo. Em uma organização, o papel de um líder geralmente não é forçar um resultado, mas a execução, ou seja, estabelecer um prazo, seja em uma crise real ou criando uma crise. E uma boa estratégia gerencial é: “Vamos criar uma crise nesta semana para que todos ultrapassem tal barreira”. A segunda coisa é ter alguém que discorde. Se não houver discordância, você terá um rei. E o novo modelo de governança se opõe radicalmente a isso. O que eu tento fazer em reuniões é descobrir as pessoas que não falaram, que costumam ser as que têm medo de falar, mas possuem opinião divergente. Eu faço com que digam o que pensam realmente e isso promove a discussão – e a coisa certa acontece. Encorajar essa abertura é uma arte, não ciência. Fato é que as melhores ideias normalmente não vêm dos executivos. E, infelizmente, os executivos não concordam comigo a esse respeito.

Em sua opinião, existe um tipo de organização que tenha vantagem na hora de inovar?
Executivos sempre querem simplificar a vida e, por isso, estruturam seu negócio  em três divisões, quatro produtos, o departamento de marketing e assim por diante. A fórmula até pode continuar funcionando em algumas empresas, mas a maioria, devido à natureza da tecnologia, ficará mais complexa. As empresas terão mais produtos e mais variação de linha ao longo do tempo. E será importante, para manter uma barreira aos competidores, ter produtos resilientes, em escala, diferenciados e de alcance internacional, o que significa que não podem mais ser criados por duas pessoas apenas. Em nosso caso, como reconhecemos que a inovação vem de pequenas equipes e nos organizamos de acordo com isso, nós também encorajamos as pessoas a falar umas com as outras. Uma das coisas que tentamos evitar no Google é o tipo de estrutura divisional e de unidades de negócios que impede a colaboração entre as unidades. É difícil. Mas tentamos porque isso elimina os laços informais, que, em uma cultura aberta, levam a muita colaboração. Se as pessoas entendem os valores da empresa para a qual trabalham, devem ser capazes de se organizar para lidar com os problemas mais interessantes. Se não são capazes de fazê-lo, é porque você não conversou com elas, não construiu uma cultura de valores compartilhados.

Para terminar, quais são os perigos que você enxerga no contínuo desenvolvimento da internet?
Há uma série de iniciativas de construção de um padrão global para a web. Dada a história das guerras e da política global, é altamente improvável que vejamos um único regime, por exemplo, para leis de direitos autorais, para definir quais conteúdos são apropriados, ou quais são as penas para o conteúdo inapropriado ou para todas as questões que as pessoas enfrentam no mundo on-line. O modo de solucionar esse problema, hoje, é usar domínios por país. Assim, um domínio de um país é visto como diferente, como o domínio americano, que é o “ponto com”. É provável que ocorram desafios legais e políticos ao longo dos anos, e eu acho que o próximo virá em breve. Na internet, as pessoas sempre estão sujeitas às leis locais. Mas será uma tragédia, por essas questões, que ela se torne dividida em um nível físico. Não será? Será uma tragédia se cada país construir uma espécie de polícia em torno de sua internet [no Brasil, por exemplo, essa questão está em tramitação no Congresso Nacional]. É muito melhor usar outras abordagens para se assegurar de que o que for legal em um país e ilegal em outro não vá de um para outro sem a supervisão apropriada. Dada a complexidade disso tudo, meu conselho é que as empresas globais tenham muitos advogados, cada um especializado em determinada lei nacional – um na lei brasileira, outro na turca, outro na europeia etc.

Como o Google inova, segundo Schmidt
“A inovação sempre foi liderada por uma pessoa ou por uma pequena equipe que se dá ao luxo de ter uma nova ideia e ir atrás dela. Não há exemplos contrários. Já era verdade há 100 anos e será verdade nos próximos 100. A inovação é algo que vem quando você não está sob a mira de uma arma. Então, é importante que, mesmo que não haja equilíbrio em sua vida, você tenha tempo para reflexão, de modo que possa dizer ‘Bem, talvez eu não esteja trabalhando na coisa certa’ ou ‘Talvez eu devesse ter uma nova ideia’. As partes criativas da mente de uma pessoa não seguem uma agenda.

Em nosso caso, tentamos estimular a inovação com coisas como os 20% do tempo [reservados à criação pessoal] e as pequenas equipes de tecnologia, que não têm uma direção. Tentamos encorajar o verdadeiro pensar fora da caixa. Também procuramos pequenas empresas que possamos adquirir, porque, com frequência, são elas que têm as grandes novas ideias. Elas começam essas ideias, mas não podem, de fato, completá-las.

O objetivo do Google é ser uma inovadora sistemática e em escala. ‘Escala’ significa mais de um. ‘inovadora’ significa produtora de coisas que realmente fazem você gritar ‘uau!’. E ‘sistemática’ quer dizer que podemos sistematizar a abordagem – nós realmente podemos conseguir que nossos grupos inovem. Nós não sabemos, necessariamente, quem será bem-sucedido neste mês, mas temos grupos suficientes para que umas poucas inovações surjam. E, é claro, também eliminamos aqueles que não são bem-sucedidos. Nós os pressionamos para tentarem fazer algo diferente ou redefinir o objetivo se necessário. É claro que os projetos são cancelados quando não funcionam, mas isso é relativamente raro.”

Deu no New York Times – Larry Rohter

Esse livro ficou famoso, pois é o autor que era correspondente do New York Times no Brasil e teve algum atrito com o presidente Lula. Mas não é esse o único tema desse livro. Esse livro é uma referência para os que querem conhecer mais sobre a cultura dos brasileiros em uma perspectiva de um “gringo” ou de uma pessoa de fora do Brasil.

capa - NY novo.aiPara que tenham uma idéia do livro, o autor descreve que jamais esquece um aviso que foi colocado em um restaurante em Copacabana: “É terminantemente proibido fazer batucada nas mesas, cantar ou tocar instrumentos musicais enquanto a clientela está comendo”. Diz o autor que somente no Brasil poderia existir uma situação como essa que ele presenciou. O autor é um daqueles correspondentes do NY Times no Brasil que descreve sobre diversas experiências sobre cultura, sociedade, Política, Amazônia, economia e outros tópicos diversos.

Em um artigo, “As exportações valiosas do Brasil se valem de escravos e terras arrasadas”, referente à Amazônia, o autor explica uma experiência do trabalho em regiões remotas da Amazônia. O autor critica duramente o sistema de trabalho utilizado. O autor ressalta que empresas moveleiras como Ethan Allen e a L. & J. G. Stickley dizem que Mogno vem de fornecedores que vem de práticas sustentáveis, porém compram matéria prima da região.

É um pouco do cuidado que temos que ter quando comunicamos responsabilidade social e sustentabilidade. Neste caso, a marca que adquire produtos de um sistema de produção com essas características é, sim, corresponsável.

Portanto, temos que entender que ao articularmos um posicionamento de marca, temos que verificar se em todos os relacionamentos com os públicos estratégicos, a marca deve ter sua proposta de valor bastante consistente. De nada adianta comunicar que é socialmente responsável se em todos os pontos de contatos a marca não tem este posicionamento. O que vai para a mídia é constantemente checada pelos públicos estratégicos e uma notícia dessas pode acabar com o posicionamento da marca.

Recomendo fortemente a leitura dessa obra para todas que estão envolvidos com branding e que querem ter a percepção de um “gringo ” que foi e é apaixonado pelo Brasil.

As Marcas – Jean-Noël Kapferer

O livro “As Marcas” é a referência primária dos cursos de MBA de Branding que leciono.

O Senhor Jean-Noël Kapferer é uma referência acadêmica e profissional quando se tratar do tema de branding.

70_As marcasA primeira parte do livro explica a importância do Branding nas organizações, partindo do conceito de que marcas são ativos intangíveis valiosos para empresas e que seu processo de gestão gera um substancial valor para os acionistas. Nesta primeira parte do livro o autor não se limita à indústria de bens de consumo, pois trata também a questão do branding  no segmento de marcas próprias, marcas de luxo e diversos outros setores e indústrias.

A segunda parte do livro aborda a conceito de identidade de marca e posicionamento de marca. Estes dois conceitos e dois capítulos talvez são no meu entendimento para  o conceito de branding e gestão de Marcas, por detalha um ferramenta que pode auxiliar muito a revelar uma identidade de marca que é o Prisma de Identidade.

A terceira parte diz respeito ao processo de criação e sustentabildade da marca no longo prazo.

O livro traz em detalhe todas as etapas sobre gestão de marca. O capítulo 8, em específico, se responsabiliza por trabalhar o lançamento de marca, passando por desafios de mercados maduros, o conceito de ciclo de vida de marca, brand life cicle, chegando até arquitetura de marcas e gestão multi-brand portfolios.

Além disso, o livro traz excelentes contribuições para o tema de reposicionamento de marcas e administração de mudanças de nomes (pós-aquisição) e gestão global de marcas.

A quarta e última etapa, diz respeito à avaliação financeira de marcas. Pois, ao final, para completar o ciclo, marcas geram valor ao acionista.

Existe a versão em português do livro (Terceira Edição – “As Marcas”), porém confesso que prefiro mais a quarta edição do livro (ainda somente em inglês – “The New Strategic Brand Management“). A razão de minha preferência é que a terceira edição traz muito exemplo de marcas francesas e quando muito europeias. Já a Quarta edição do livro traz exemplos de marcas globais. Isto faz uma certa diferença, principalmente se você não conhece profundamente as marcas Francesas.

Brand Failures – Matt Haig

Muito pensam que grandes marcas foram construídas através de um disciplinado processo ao longo do tempo. A grande maioria das marcas é fruto da ideologia de um fundador, que estruturou uma organização com pessoas alinhadas com seus princípios. A consistência desses valores junto aos públicos estratégicos gera uma percepção. Esta percepção são um reflexo da qualidade dos brand-equities.

brand failuresNeste processo de construção, obviamente, ocorreram falhas ao longo do tempo. O autor ilustra os 100 principais erros de marcas e dentre elas de empresas e marcas muito bem consolidadas.

Dentre eles, a destacar, está o New Coke. Em 1985 a Coca-Cola buscava um novo posicionamento inclusive mudando o sabor da Coca-Cola. Não preciso dizer que a campanha foi rapidamente abandonada e, em seguida, lançada a propaganda “Always Coca-Cola”.

Outro caso importante ressaltado é o da British Airways que em seu processo de branding definiu decorar as caudas das aeronaves com pintura de artistas plásticos de cada região atendida pela British. O único problema, mencionado pelo livro, era que essas pinturas substituíam a bandeira da Inglaterra, o que era um símbolo muito forte do povo britânico. Nossa colega Joanna Seddon, Executive Vice President da Millward Brown Optimor particupou do processo de retomada da identidade original e menciona que existiu um investimento bastante expressivo de repintar as caldas da aeronaves com a identidade original. É um caso definitivamente bastante controveso de Brand Failures que o leitor pode ter alguns detalhes interssantes nesta pulicação.

No Brand Failures são abordados outros inúmeros casos de insucessos que valem a pena um profissional de branding conhecer.

O VALOR DA MARCA IBOPE

Fonte: Ibope.com

Manter a relevância de uma marca num cenário de mudanças e quebra de paradigmas tão frequentes é certamente um enorme desafio que o IBOPE encara
cotidianamente. Marcas fortes podem ser os ativos mais valiosos de uma organização, e a marca IBOPE é particularmente valiosa. Um valor que demonstra a relevância e a solidez de uma empresa que está no mercado há mais de 65 anos. “A nossa marca é o nosso maior patrimônio”, declara Carlos Augusto Montenegro, presidente do Grupo IBOPE. “Ela representa toda uma história que está sendo escrita baseada em confiança, credibilidade, pioneirismo e prestígio de uma instituição sólida e integrada, independentemente do mercado ou da região em que está presente”, diz.
E por estar cada vez mais internacionalizada e sinalizar com planos para continuar sua expansão na Europa e nos Estados Unidos que a empresa vem continuamente investindo em ações para fortalecer cada vez mais esse ativo valioso. “Entender a essência e conhecer o valor da marca IBOPE foi um passo fundamental para referendar a importância de consolidar no mercado a imagem de uma empresa única, transmitindo os valores de tradição e idoneidade, com rígidos padrões de excelência em seus produtos e serviços”, afirma Rogerio Cajado, diretor corporativo do Grupo IBOPE.
Nesse sentido, um amplo trabalho de comunicação vem sendo conduzido nos
últimos quatro anos. Além de avaliar o valor da marca, por meio de um estudo
realizado pela consultoria global de marcas Interbrand, adotou-se o conceito do sistema monolítico para a logotipia que transmite força e abrangência para as empresas do Grupo e para seus produtos e serviços. O próximo passo foi o desenvolvimento do Manual de Identidade Visual (Miv), importante balizador de comunicação da empresa, que aborda questões variadas sobre o correto uso da marca, sua aplicabilidade, entre outros relevantes conceitos sobre a imagem do IBOPE.
Implantado recentemente pela área de comunicação institucional, todo esse trabalho foi baseado em uma pesquisa realizada com os principais públicos de
relacionamento da empresa. Detectou-se que o mercado já reconhecia os atributos
de imagem transmitidos pela marca que o IBOPE quer manter. Entre eles: tradição,
idoneidade, pioneirismo, confiança, profissionalismo e qualidade. “Esse resultado coloca a organização numa posição privilegiada”, afirma o presidente Montenegro. “O reconhecimento que a nossa marca possui é algo que muitas empresas têm o sonho de conquistar”, diz ele, referindo-se ao fato de a marca IBOPE ser verbete no dicionário brasileiro como sinônimo de prestígio e audiência, atributos inerentes ao negócio da empresa.

marca_id41197221_Manter a relevância de uma marca num cenário de mudanças e quebra de paradigmas tão frequentes é certamente um enorme desafio que o IBOPE encara cotidianamente. Marcas fortes podem ser os ativos mais valiosos de uma organização, e a marca IBOPE é particularmente valiosa. Um valor que demonstra a relevância e a solidez de uma empresa que está no mercado há mais de 65 anos. “A nossa marca é o nosso maior patrimônio”, declara Carlos Augusto Montenegro, presidente do Grupo IBOPE. “Ela representa toda uma história que está sendo escrita baseada em confiança, credibilidade, pioneirismo e prestígio de uma instituição sólida e integrada, independentemente do mercado ou da região em que está presente”, diz.

E por estar cada vez mais internacionalizada e sinalizar com planos para continuar sua expansão na Europa e nos Estados Unidos que a empresa vem continuamente investindo em ações para fortalecer cada vez mais esse ativo valioso. “Entender a essência e conhecer o valor da marca IBOPE foi um passo fundamental para referendar a importância de consolidar no mercado a imagem de uma empresa única, transmitindo os valores de tradição e idoneidade, com rígidos padrões de excelência em seus produtos e serviços”, afirma Rogerio Cajado, diretor corporativo do Grupo IBOPE.

Nesse sentido, um amplo trabalho de comunicação vem sendo conduzido nos últimos quatro anos. Além de avaliar o valor da marca, por meio de um estudo realizado pela consultoria global de marcas Interbrand, adotou-se o conceito do sistema monolítico para a logotipia que transmite força e abrangência para as empresas do Grupo e para seus produtos e serviços. O próximo passo foi o desenvolvimento do Manual de Identidade Visual (Miv), importante balizador de comunicação da empresa, que aborda questões variadas sobre o correto uso da marca, sua aplicabilidade, entre outros relevantes conceitos sobre a imagem do IBOPE.

Implantado recentemente pela área de comunicação institucional, todo esse trabalho foi baseado em uma pesquisa realizada com os principais públicos de relacionamento da empresa. Detectou-se que o mercado já reconhecia os atributos de imagem transmitidos pela marca que o IBOPE quer manter. Entre eles: tradição, idoneidade, pioneirismo, confiança, profissionalismo e qualidade. “Esse resultado coloca a organização numa posição privilegiada”, afirma o presidente Montenegro. “O reconhecimento que a nossa marca possui é algo que muitas empresas têm o sonho de conquistar”, diz ele, referindo-se ao fato de a marca IBOPE ser verbete no dicionário brasileiro como sinônimo de prestígio e audiência, atributos inerentes ao negócio da empresa.

Para o diretor-geral da consultoria BrandAnalytics, Eduardo Tomiya, a marca IBOPE materializa toda a sua história, desde a fundação, e sua logomarca tangibiliza o que está sendo construído. “A marca IBOPE tem DNA muito próprio” afirma. “E seus atributos são usufruídos por todas as empresas do Grupo”.

A marca de uma empresa manifesta-se e é percebida de diversas formas e por públicos diferenciados. No IBOPE, a excelência e a diversidade de seus produtos e serviços, assim como a competência de seus colaboradores, são indicadores decisivos na construção e manutenção da força da marca. “A empresa investe incansavelmente na inovação e na diversificação de seus produtos”, afirma Cajado.

De acordo com Tomiya, outro fator fundamental para o sucesso, principalmente para uma empresa do setor de serviços, é o respeito ao capital humano. “Pensar no IBOPE só no aspecto do conhecimento é muito pouco, é preciso ir além”, garante. E assim ocorre. A atuação da empresa é reconhecida pelo alto desempenho de seus profissionais, que atuam de maneira preparada e motivada para interagir com as questões mais relevantes do cenário nacional e latino-americano.

Segundo o presidente Montenegro, o que mais lhe chama a atenção é a capacidade de renovação e profissionalização do IBOPE. “Os novos desafios do mercado, ampliados pela convergência dos meios de comunicação e pela conectividade das pessoas, exigem de todos nós um exercício diário de renovação de ideias, de reflexão sobre o futuro e um novo olhar sobre nossos negócios, produtos e serviços”, diz. “Somos uma empresa multinacional brasileira, dinâmica e em constante evolução. Não há espaço para acomodação”.

Entrega de valor

O sucesso de marcas e empresas depende também da capacidade de entregar mais valor ao cliente. “Estamos na era da economia de valor, em que uma marca não pode se preocupar apenas com seu impacto sobre o consumidor, mas, sim, sobre a cadeia de valor inteira”, afirma Tomiya. Para o executivo, a comunicação tem o papel de potencializar todos os atributos que a empresa de fato pode entregar. “A imagem institucional pode gerar um valor bastante elevado para uma empresa e é fundamental ter diretrizes que orientem a aplicação da marca”, sentencia. Trabalhar isso é essencial”, garante. “Nosso desafio, a partir de agora, é manter a comunicação integrada e consistente com o seu posicionamento e seus atributos, orquestrando todas as ferramentas de construção da marca para otimizar verbas e mostrar uma mensagem clara na mente de nossos clientes, colaboradores, fornecedores e sociedade”, conclui Cajado.

As lições de Branson

Fonte: Istoé Dinheiro
Por José Sergio Osse

Richard Branson, o bilionário britânico que criou o conglomerado Virgin, é um palhaço. Pelo menos é o que ele diz a respeito de si próprio. “Uma das táticas que usei para chamar a atenção dos grandes concorrentes foi me fazer de palhaço”, disse ele com exclusividade à DINHEIRO, numa raríssima entrevista concedida a uma publicação brasileira. Branson é a personificação da importância da imagem no capitalismo do século 21. Para fazer barulho, vestiuse de noiva antes de inaugurar uma loja, fez rapel num prédio em Londres ao anunciar sua nova empresa de telefonia celular e deixou-se fotografar nu em pelo em uma praia do Caribe.

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“Para chamar a atenção e enfrentar os grandes, me disseram que o ideal seria bancar o palhaço. É isso o que tenho feito há muito tempo”

Desde seu primeiro negócio (a revista Student Magazine, lançada quando tinha apenas 16 anos), Branson construiu uma trajetória impressionante. Foi com uma loja de discos e uma gravadora que seu império surgiu. Na década de 70, após ser preso por vender discos pelo correio e violar leis fiscais da Inglaterra, Branson abriu a primeira loja da Virgin, que mais tarde se tornaria uma rede e daria origem à gravadora Virgin Records. Em 1984, deu o primeiro passo para se tornar o multiempresário. Naquele ano, penhorou casa, carro e gastou todas as suas economias para criar a Virgin Atlantic Airways, uma companhia aérea cujo objetivo era brigar com a poderosa British Airways.

Branson sempre foi obcecado por holofotes. Uma das formas que encontrou de chamar a atenção foi tentar quebrar recordes mundiais. Sua primeira aventura do gênero foi em 1985, quando tentou cravar o recorde de velocidade, por barco, da travessia do Atlântico Norte. Depois que sua lancha virou em alto-mar, ele teve de ser resgatado por helicópteros da Força Aérea britânica. A ampla cobertura do evento – e principalmente do resgate – provou que o caminho era aquele. Nos anos que se seguiram, Branson construiu um conglomerado que fatura US$ 17 bilhões e reúne mais de 250 empresas, com atuação em setores tão diversos quanto serviços financeiros, telefonia celular e aviação. Sua fórmula de sucesso? Descubra na entrevista a seguir.

DINHEIRO – Como é possível fazer sucesso em áreas tão diferentes quanto aviação, telefonia celular e serviços financeiros, para citar só algumas?
Richard Branson – Uma das razões do nosso sucesso é que, na Virgin, somos permanentemente guiados por nossos valores. Por valores, entendase oferecer serviços de qualidade e acessíveis, de forma inovadora e em áreas nas quais possamos desafiar a estagnação do mercado.

“Eu realmente tenho que me beliscar quando estou em Necker Island, minha casa nas lindas Ilhas Virgens Britânicas. Até hoje eu não consigo acreditar que ela é minha”

DINHEIRO – Qual é o segredo para conseguir fazer tudo isso e, ainda assim, se divertir no processo?
Branson – Antes de tudo, as coisas têm que começar com a sua atitude. Você precisa ter habilidade para ouvir outras pessoas e não ter um ego muito inflado. Em outras palavras: você precisa reconhecer quando as sugestões das outras pessoas são melhores do que as suas. Nunca fui orgulhoso a ponto de não aceitar que estou errados. Tenho sido abençoado por ter as pessoas certas à minha volta, que amam a Virgin tanto quanto eu. Essa paixão tem ajudado a Virgin a crescer tremendamente. Se você ama o que faz, isso o motiva a ter sucesso. Uma dica: divirta-se e não se leve tão a sério, pois do contrário um eventual tombo será muito pior. Ah, e uma outra coisa: os caras grandes… Nunca tenha medo de encará-los.

DINHEIRO – Além de encarar os caras grandes, que outros ingredientes contribuem para o sucesso de uma empresa?
Branson – Você precisa ter toneladas de confiança, tanto em si próprio quanto nas pessoas que o cercam. Não tenha medo de assumir riscos. Minha mãe (Eve Branson) sempre me disse: “Se você falhar, considere isso apenas como um aprendizado e toque em frente com ainda mais motivação e determinação.” Entrar em novos mercados com novos produtos e serviços é muito natural para mim e para muitos outros empreendedores que cuidam dos negócios da Virgin em todo o mundo. Tenha sempre um monte de ideias e incentive seus funcionários a fazer o mesmo. Não importa se metade dessas ideias é ruim. O fundamental é ser criativo. Lembre-se: às vezes você erra, mas, quando acerta, não há nada no mundo que seja melhor do que esse sentimento. Por isso, entre de cabeça em tudo o que for fazer. Afinal, o que você tem a perder?

Multiempresário: companhia aérea , loja de CDs e aviões experimentais fizeram a fama de Branson “Divirta-se e não se leve
tão a sério. Do contrário, um
eventual tombo será muito pior”

DINHEIRO – Qual é a importância para uma companhia ter um líder carismático como o sr.? Como isso ajuda a Virgin a ser reconhecida e obter resultados?
Branson – Há 25 anos, quando abri a Virgin Atlantic Airways, me tornei amigo do falecido Freddie Laker (fundador da britânica Laker Airways), um homem carismático, corajoso e modesto. E ele me deu esse conselho: “Você nunca terá o poder publicitário necessário para vender mais que a British Airways. Você terá que ir à luta e usar a si mesmo. Talvez tenha até que se fazer de palhaço para sobreviver.” Pois bem, como muita gente já percebeu, tenho me feito de palhaço desde então. E não me arrependo.

DINHEIRO – Como a Virgin se preparou para enfrentar a crise financeira?
Branson – Não acredito que alguém pudesse ter previsto essa crise financeira ou imaginado o efeito que teria sobre a economia global. Por isso, como tantas outras companhias, a Virgin tem trabalhado duro para assegurar que nossos negócios estejam robustos e prontos para se adaptar às mudanças. Obviamente, nesse ambiente de preocupação o crédito ficou muito mais difícil e, como consequência, passou a ser vital desenvolver negócios que possam se autofinanciar. Aliás, foi o que fiz com meu primeiro negócio, a Student Magazine. Eu não tinha dinheiro nenhum, mas consegui vender um número suficiente de anúncios que me permitiu cobrir as despesas de papel e impressão antes de lançar a revista. Eu sou o exemplo vivo de que existem formas de financiar um negócio sem necessariamente ter que emprestar dinheiro de alguém para torná-lo realidade.

“Minha mãe me disse: ‘Se você falhar, considere isso um aprendizado e siga em frente com mais motivação’”

DINHEIRO – Entre todos os negócios que levam a marca Virgin, qual foi o mais difícil de criar e transformar em uma companhia bem-sucedida?
Branson – Nunca é fácil criar nenhum tipo de negócio e, por isso mesmo, todas as nossas empresas tiveram que superar desafios. Mas tudo se resume a ter determinação, motivação e amor naquilo que você faz. Houve momentos em que pensei que a companhia toda iria para o ralo, especialmente no começo.

DINHEIRO – Que momentos?
Branson – Quando lancei a Virgin Airlines, eu coloquei minha casa, meu carro e todas as poucas economias que tinha em risco. E não esqueça que estava fazendo tudo isso para competir com a British Airlines, a maior companhia aérea do Reino Unido. Os riscos eram enormes, mas nunca pensei que estivesse fazendo a coisa errada. Mesmo nos momentos de dificuldade, eu e as pessoas ao meu redor acreditávamos 100% que poderíamos fazer da Virgin Atlantic um sucesso. Olhe para nós agora.

“Passei por momentos assustadores ao criar empresas de áreas tão diferentes quanto de trens e aviões. Mas nunca deixei de acreditar no sucesso”

DINHEIRO – Vamos inverter a pergunta. Qual foi, entre todos os seus negócios, o mais divertido de criar?
Branson – Todos eles, da empresa ferroviária à companhia aérea. E não estou falando por falar. Tive momentos difíceis e assustadores. Afinal, enfrentar indústrias gigantes como as de serviços financeiros e de telefonia móvel não foi nada fácil. Mas, no geral, posso assegurar que me diverti muito ao longo do caminho. A Virgin tem tudo a ver com seus funcionários. Acredite: esse pessoal sabe se divertir

DINHEIRO – Em que momento da sua vida o sr. teve a certeza de que tinha alcançado o sucesso? Foi quando checou sua conta bancária?
Branson – Minha vida certamente não foi direcionada para alcançar riqueza ou qualquer tipo de sucesso pessoal num nível material. Sempre fui motivado pelo desafio, pelo desejo de aprender novas coisas todos os dias, descobrir lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes. Não sou muito ligado em carros, pinturas caras ou moda. Mas eu realmente tenho que me beliscar quando estou em Necker Island, minha casa nas lindas Ilhas Virgens Britânicas (o paraíso, de 300 mil metros quadrados, está avaliado em US$ 10 milhões). Até hoje eu não consigo acreditar que ela é minha.

DINHEIRO – Por que ir para o espaço? Essa é sua forma de dizer que o céu não é o limite? Branson – Por que não ir para o espaço? Tudo começou em 1969, na casa da minha família na Inglaterra, com meus pais e minhas duas irmãs assistindo às imagens ao vivo dos astronautas viajando para outros mundos. Isso me enfeitiçou e desde então minha determinação sempre foi um dia seguir seus passos no espaço. Esse sonho em breve vai se tornar uma realidade. Com o trabalho de pessoas extraordinárias, a Virgin Galactic em breve vai decolar, levando pessoas das mais diferentes origens para o espaço. Quase não consigo esperar.

DINHEIRO – A morte de Steve Fossett (aventureiro americano que desapareceu há dois anos em um acidente de avião) mudou de alguma forma os planos do sr. no que diz respeito a novas aventuras?
Branson – Steve Fossett foi um homem extraordinário e um dos grandes aventureiros de nosso tempo. Pessoalmente, perdi um amigo muito querido, com o qual compartilhei muitas e sensacionais experiências. O mundo perdeu uma verdadeira fonte de inspiração. Aprendi muito com Steve e sinto profundamente sua falta. Mas eu tentarei sempre quebrar recordes, fazer algo diferente, buscar coisas jamais tentadas. Aliás, você mesmo deveria tentar quebrar um recorde, para provar ao mundo que isso pode ser feito. E não é apenas uma questão de marketing. Você teria que ser muito maluco para colocar sua vida em risco se o motivo for apenas esse. É algo muito maior.

DINHEIRO – Em que tipo de negócio o sr. gostaria de investir?
Branson – Sou apaixonado pelo meio ambiente. Há alguns anos, decidi investir no setor de transportes para tentar desenvolver combustíveis limpos. Essa é uma área na qual vamos nos concentrar daqui para a frente. Sempre estou aberto para novas oportunidades. Na Virgin, somos conhecidos por agitar o mercado, por oferecer algo absolutamente novo para o consumidor. E uma das novas fronteiras é justamente o meio ambiente.

DINHEIRO – Quais são os planos da Virgin para o Brasil? A companhia pretende trazer os aviões da Virgin Atlantic para cá?
Branson – Essa pergunta é uma pegadinha? O Brasil tem toneladas de sex appeal. Estamos sempre procurando formas de expandir os negócios da Virgin em novos territórios. Então, fique de olho.

O que pensa o idoso brasileiro

Fonte: Época Negócios
Por Elisa Campos

Em 2010, 10% da população brasileira será composta poridosos e a expectativa de vida no país alcançará 73,4 anos. Uma enorme diferença em relação a 1980, quando apenas 6% dos brasileiros eram idosos e a expectativa não ultrapassava 62,6 anos. Mas pouco na comparação com o que se espera para 2050, quando os idosos representarão 30% da população, ou 64 milhões, e a expectativa de vida alcançará os 81,3 anos. Mas quem é o idoso brasileiro?

Segundo pesquisa apresentada nesta quinta-feira (01/10), Dia Internacional do Idoso, pelo Bradesco Seguros e Previdência, a maioria dos idosos brasileiros tem orgulho e satisfação de ter chegado onde estão, tendo superado desafios e criado seus filhos.

A aposentadoria representa para eles um divisor de águas. “É como se eles tivessem a sensação de que o dever foi cumprido e que agora é a hora de aproveitar a vida”, afirma Jorge Nasser, diretor-executivo do Bradesco Seguros e Previdência.

Mas essa fase da vida não é feita só de conquistas. Ela vem acompanhada por uma redução drástica dos rendimentos da família e da necessidade da “invenção” de uma nova rotina.

Essa situação, segundo apontou a pesquisa, costuma ser mais difícil para oshomens. Eles se ressentem mais com a perda de status financeiro. “Ele vê seu papel de provedor acabar”, explica Nasser. Além disso, os homens têm maior dificuldade para se socializar.

Já as mulheres se revelam mais joviais e com mais energia, conseguindo se integrar mais na sociedade, estabelecendo mais facilmente grupos de amigos.

Solidão
Os maiores medos enfrentados nessa etapa da vida são a falta de recursos financeiros, a solidão e as doenças. Os idosos, de modo geral, não acreditam que contarão com a ajuda dos filhos na velhice e tendem a carregar um certo amargor por isso.

De acordo com o levantamento, eles consideram o porteiro seu melhor amigo. “Os idosos vêem neles alguém que está lá na hora em que eles precisam, que pode ajudá-los com tarefas extras como levar as compras do supermercado e em quem podem confiar”, fala o diretor-executivo.

Levando em consideração essa realidade, o Bradesco Seguros e Previdência irá lançar em novembro o projeto piloto do programa Amigo do Idoso. A iniciativa começará nos bairros de Higienópolis, em São Paulo, e Copacabana, no Rio de Janeiro.

Pelo Programa de Aperfeiçoamento Profissional de Porteiros de Condomínios, os profissionais serão capacitados para lidar e ajudar os idosos. O curso, que será gratuito, terá 16 horas de duração e classes de até 30 porteiros. As primeiras turmas devem ser iniciadas em janeiro.

Quem sou eu?
Ser idoso para 53% dos mais velhos é ter que lidar com doenças físicas. Para 44% é ser mais experiente, para 33% ter mais tempo e para 20% ter que lidar com maus tratos e desrespeito, aponta outra pesquisa do Bradesco Seguro e Previdência, realizada com 1, 2 mil entrevistados.

A maioria concorda que o idoso não é respeitado no Brasil, 80% dizem que “a sociedade ainda não está preparada para o idoso”.

Para 59% dos idosos, os parentes acabam mesmo se esquecendo deles. Os que mais concordam com essa frase são os homens (62%) e a classe C (64%).

A falta de dinheiro (37%), de tempo (29%) e de saúde (20%) são os principais motivos apontados que impedem os idosos de fazerem mais o que gostam. Segundo a pesquisa, 37% querem viajar mais a lazer, 4% querem sair para dançar ou ir à academia, enquanto 3% querem trabalhar.

A cultura das marcas no sucesso de processos de pós-aquisição

por Eduardo Tomiya

Em situações de crise econômica, como o que vivemos atualmente, criam-se oportunidades para o aumento nas operações de Fusões e Aquisições. As dificuldades encontradas na pós-aquisição – entre os colaboradores, por exemplo – é o tema de uma grande quantidade de obras.

Uma possível definição de marca é “a representação da cultura de todos os que possuem contato com o negócio” [1]. Neste caso, os que possuem contato com o negócio, os chamados stakeholders, são: clientes, sociedade, acionistas, fornecedores, colaboradores entre outros.  Assim, é importante que o entendimento da relação entre a marca e seus stakeholders seja considerada nos processos de pós-aquisição.

Este artigo mostra que o correto diagnóstico da cultura das marcas é um dos pontos críticos para o sucesso deste tipo de operação.

São inúmeros os casos de Fusões e Aquisições em que os compradores respeitam a marca comprada como sendo um pacto importante com os consumidores. Um bom exemplo de sucesso, no segmento de telefonia, foi a aquisição da AT&T pela SBS, que deu origem à nova at&t.

No entanto, isto não é o mais comum. Na maioria das vezes, o que prevalece é a marca compradora, mesmo que seja mais fraca. A decisão, porém, pode vir acompanhada do aumento do risco de longo prazo na sustentabilidade do negócio.

O caso da Snapple, adquirida pela Quaker, é um exemplo clássico.

Em primeiro lugar, para os interessados neste tema, recomendamos o livro “Brand Failures”, de Matt Haig. Nesta obra, além do caso que descreveremos a seguir – o fracasso da aquisição da Snapple pela Quaker -, existem outros 99 erros de branding cometidos por empresas globais.

Sob pressão por crescimento em 1994, a Quaker adquiriu a Snapple por US$ 1,7 bilhão. Em 1997, a Snapple foi vendida por US$ 300 milhões para uma empresa chamada Triarc. O mais interessante é que, pouco depois, no ano 2000, a Triarc vendeu a Snapple para a Cadbury por US$ 1 bilhão.

A operação da compra da Snapple pela Quaker foi eleita pela BusinessWeek como um dos dez piores negócios da década de 90.  Mas, o que ocorreu de errado com esta operação de aquisição?

Primeiro, vale a pena detalhar um pouco a marca Snapple, que possuía uma cultura muito forte estabelecida junto a seus públicos consumidores:

1. Proposta de Valor – If it is not found in nature, it is not found in Snapple – Bebida natural, alternativa aos refrigerantes.

2. Distribuição – normalmente em lojas de conveniência e pontos ou canais mais exclusivos.

3. Campanhas ousadas – “Real Life” – Wendy Kauffman personificava a marca e respondia cartas de fãs. Seu carisma era semelhante ao carisma e à popularidade de Carlinhos Moreno, enquanto as campanhas da Snapple eram tão famosas e criativas como as da Bombril.

A marca representava uma cultura ou um jeito de ser de seus consumidores. Este tipo de relacionamento faz com que os consumidores se utilizem da imagem da marca para comunicar o seu próprio estilo e forma de pensar.

Um ponto importante a ser considerado, antes de avaliar o que aconteceu na pós-aquisição da Snapple pela Quaker, é que no início da década de 90 apareceram alguns concorrentes, como Nestea, Lipton e Arizona.

Segundo Haig, ao adquirir a Snapple em 1994, a Quaker traça como estratégia de vendas a mesma (vencedora) utilizada para a marca Gatorade: distribuição centralizada, focada principalmente em supermercados.

O objetivo do novo posicionamento era tornar a Snapple a terceira bebida mais consumida no mercado norte-americano, utilizando, inclusive, campanhas com técnicas de marketing de massa – abandonando o posicionamento vencedor baseado em distribuição e comunicação diferenciada e, ainda, deixando de lado a cultura de “exclusividade” através da qual a Snapple havia construído sua imagem.

Resultado: Três anos após a aquisição, a Quaker vende a operação para a Triarc por menos de 1/5 do valor que foi comprada.

Mais tarde, nas mãos da Triarc, ela retornou à sua identidade original: Made From the best stuff on Earth, uma bebida alternativa. Voltou com a personagem Wendy Kauffman em campanhas, relançou uma série de produtos. Em 2000, a Snapple foi vendida para a Cadbury por US$ 1 bilhão, e o dono da Triarc, Michael Weinstein, virou o Presidente de “Global Inovation” da Cadbury.

Este é um claro sinal de que, em processos de pós-aquisição, compreender a cultura das marcas é um fator-chave em operações de fusão e aquisição.

Alguns estudos recentes mostram que a diversidade cultural também pode ser encarada como uma vantagem competitiva da empresa. Carlos Ghosn, atual CEO da Renault Nissan, costuma dizer que “as diferenças culturais podem ser vistas como uma desvantagem ou como uma semente poderosa para algo novo”.

Em matéria do jornal Valor Econômico, de 7 de Dezembro de 2006, denominada “A verdadeira sinergia brota de uma revolução cultural”, há algumas recomendações que podem e devem ser pontos de reflexão importantes nos processos de pós-aquisição:

1. Avaliação da cultura da empresa como parte do processo de due dilligence. A referência enfatiza a cultura interna. É importante complementar com a análise da força da marca ou da cultura estabelecida junto aos públicos externos.

2. Flexibilidade na abordagem de integração – cuidado em abordagens radicais em relação à marca, porque elas podem ser desastrosas. Na Argentina, a espanhola Repsol teve de respeitar muito a marca YPF após sua aquisição.

3. Oportunidade de criar uma nova cultura – por que não uma nova marca?

4. Criar oportunidades para o aprendizado cultural.

Com o cenário favorável ao aumento no número de fusões e aquisições, estas reflexões devem ser consideradas com bastante cuidado. Espero que você, leitor e empresário, não seja como aquele gestor que quase destruiu a Snapple, e sim como um ‘Michael Weinstein’, que, entendendo a cultura e os princípios como os maiores e mais importantes diferenciais da marca, aumentou substancialmente o valor do acionista. Isto é Gestão do Valor da Marca.


[1] Consenso obtido sobre a definição de marca – AMA – American Marketing Association – 2003