Fonte: Agência Estado
Por Renato Cruz
A Olimpíada no Rio de Janeiro será uma oportunidade de promover o Brasil mundialmente, e transformar as marcas locais em globais, na visão do presidente mundial da agência Ogilvy, Miles Young. “A Olimpíada e a Copa do Mundo são muito importantes para o País, principalmente a Olimpíada”, disse Young, que visitou São Paulo há duas semanas, para reuniões de orçamento com os responsáveis pelas operações da América Latina.
Antes de assumir o comando da Ogilvy em janeiro deste ano, em Nova York, o executivo viveu 14 anos na China: “Ajudei a montar a operação chinesa e acompanhei a preparação para a Olimpíada de Pequim, do começo ao fim.” “Destaco a maneira com que o país e o governo usaram a Olimpíada para atingir objetivos nacionais.”

O mesmo efeito obtido na China pode ocorrer no País. “O evento vai marcar a emergência do Brasil como uma grande potência econômica, cultural e em todos os sentidos da palavra”. explicou. “Ele vai formalizar o que já está acontecendo naturalmente. A Olimpíada será um grande catalisador para a entrada do Brasil na economia global.”
Na visão do executivo, o País tem oportunidade de aprender com a Olimpíada anterior. “Além de trazer investimentos de empresas internacionais, o evento fornece estímulo para marcas locais. Na China, permitiu que marcas como Lenovo e China Mobile se tornassem pela primeira vez reconhecidas mundialmente.”
Para o Brasil, a oportunidade vai além de projetar as marcas locais para o mundo, segundo Young.”O evento é uma vitrine fantástica para tudo o que existe no Brasil. É uma oportunidade única na história do seu país para levar o Made in Brazil para o mundo exterior”, afirmou.”
A Olimpíada de Pequim incentivou naquele país um debate sobre o que o Made In China significava. “A discussão ficou não somente no Made in China (fabricado na China). Chegou ao Designed in China (criado na China). Porque muitas coisas costumam ser projetadas fora da China e fabricadas lá. A Olimpíada será um grande estímulo à criatividade no Brasil.”
O primeiro passo, segundo Young, seria entender como as pessoas de fora veem o Brasil. “As pessoas que vivem aqui não são as melhores para julgar como está a imagem do País lá fora”, explicou. “O Brasil tem uma imagem em grande parte ainda indefinida. Se você falar com alguém na China sobre o Brasil, provavelmente essa pessoa não saberá que aqui se fala português. Acham que é igual aos outros países latino-americanos. Existem coisas que se destacam, como a seleção brasileira. Mas, em geral, não há muito conhecimento a respeito.”
Existe a oportunidade de o Brasil traçar uma estratégia de marca nacional. “O Vietnã e a China têm uma política de criar um certo número de marcas reconhecidas mundialmente em 10 ou 15 anos”, apontou. “Não conheço uma iniciativa do Brasil tão consciente quanto essa. Estamos começando a falar com nossos clientes daqui, e esperamos atrair novos clientes com essa ideia.”
Ele acrescentou que a publicidade institucional sobre turismo não ajuda. “Na minha visão pessoal, ela não é muito boa. A publicidade de turismo muitas vezes não usa inglês correto. Se você é uma pessoa que fala inglês, olha para ela e pensa: esse não é um país sofisticado. A Olimpíada força os países a adotarem alguns padrões. Na China, impôs padrões para as comunicações do governo.”
Segundo Young, o mercado latino-americano de publicidade vai bem, com destaque para o Brasil e o México. “A crise econômica não está sendo tão profunda na região, como está sendo na Ásia e nos Estados Unidos”, disse. “Particularmente no Brasil, houve iniciativas realmente fortes do governo e políticas econômicas sensatas durante a recessão. Talvez a Argentina e a Venezuela não estejam tão bem.” Ele ressaltou o crescimento de mercados como a Colômbia e o Peru, que deve ultrapassar o Chile em importância.
Ao analisar os Brics, grupo de países que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, Young diz que a China e o Brasil vão melhor que os outros dois. “Existem muitas coisas similares. A China passa por um desenvolvimento massivo de infraestrutura, assim como o Brasil. Ambos têm grande densidade de TV, telefones celulares e internet, e uma grande classe média. E, para ser sincero, vindo para São Paulo, até os prédios se parecem com os de Xangai e Pequim.”