Mercado de luxo atrai o olhar de marcas internacionais

Fonte: Exame.com
Por Letícia Muniz do Mundo do Marketing
Publicado em 18 de julho de 2012


Estudo aponta que crescimento econômico faz com que empresas de alto padrão voltem seus olhos para o país e busquem espaços e parceiros para a abertura de novas lojas

Projeto do JK Iguatemi: a inauguração do shopping estava prevista inicialmente para esta quinta-feira

Projeto do JK Iguatemi: Shopping recém-inaugurado é exemplo de como o investimento de marcas estrangeiras tem crescido

Rio de Janeiro - Pela primeira vez, o Brasil desponta como potencial mercado de luxo no mundo. Marcas nacionais e internacionais vêm investindo em lojas físicas no país de olho no crescimento econômico. Um exemplo é o recém inaugurado shopping JK Iguatemi, em São Paulo, que reúne lojas de marcas como Prada, Carolina Herrera, Chanel, Calvin Klein, Dolce & Gabanna, Channel e Gucci.

O JK Iguatemi nasceu com a proposta de atrair a atenção dos clientes em potencial de alto padrão, cada vez mais propensos a gastar. Para isso, o shopping foi construído com uma proposta diferente, com as lojas de padrão mais alto no térreo, com grifes nacionais como Amsterdan Sauer, H.Stern e Vivara. “É como se fosse uma pirâmide de Maslow invertida, onde os primeiros pisos são ocupados pelas marcas de alto luxo, que estão ingressando no Brasil de forma pesada. Isso mostra que o país é um foco em potencial para essas companhias”, explica Paulo Al-Assal, Diretor-Geral da Voltage e especialista em tendências, em entrevista ao
Mundo do Marketing.

A expectativa, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, é que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo, à frente da França e da Alemanha. Segundo o estudo Brazil Market, coordenado pela agência Voltage em parceria com a inglesa The Future Laboratory, o crescimento econômico brasileiro atingiu a marca de 7,5% em 2010 e, até agora, já chegou a 3,5%, ultrapassando o Reino Unido. O Brasil conta atualmente com 50 bilionários e cerca de 155 mil milionários. Esse aumento na renda vem movimentando o mercado de luxo.

Entendimento do consumidor

O bom desempenho das marcas no Brasil, no entanto, depende do entendimento de que o consumidor brasileiro é diferente do de mercados mais amadurecidos. O mercado de luxo brasileiro aponta características próprias diferentes de outros países e que devem ser observadas pelas marcas. Enquanto nos Estados Unidos e Europa esse público está mais interessado em valores ligados a heranças ou questões históricas ou de arte, no Brasil, o interesse maior está ligado ao status e à ostentação. “O grande erro que muitas marcas cometem quando vêm para o Brasil é não observar essa diferença. O brasileiro busca mais esse brilho, o prestígio. São tipos diferentes de luxo, mas o que posso dizer é que esse mercado no Brasil ainda tem muito para crescer”, diz Al-Assal.

Mesmo com o aumento da renda, estudos apontam para o surgimento de um consumidor mais consciente, preocupado com sustentabilidade. Uma análise em parceria com a Bridge Research mostra que o brasileiro busca valores humanos nas marcas e tem a expectativa de construir um relacionamento pautado pela transparência, honestidade, integridade, respeito e ética.

Essa consciência, no entanto, é diferente para o consumidor de alto padrão. “Com relação ao mercado de luxo, essa consciência ainda é diferente. As pessoas ainda não pensam muito na sustentabilidade, infelizmente. O brasileiro ainda está mais preocupado com o consumo”, completa Paulo Al-Assal. A mesma pesquisa mostra que o brasileiro não está satisfeito com o que as empresas apresentam como propósitos: 63% dos entrevistados mostram insatisfação ao afirmar que falta honestidade nas marcas e 53% nas as associam a características humanas valorizadas.

Marcas trazem lojas para o Brasil

Ainda de acordo com o estudo, nos próximos anos, não haverá uma marca de luxo que não tenha uma loja no Brasil. A marca de acessórios Coach, por exemplo, tem planos de abrir, em 2012, sete lojas no país e prevê, com a iniciativa, um crescimento anual de 20%. Embora o Brasil tenha taxas de importação elevadas, as marcas internacionais estão dispostas a investir. As vendas anuais da Tommy Hilfiger no Brasil são de cerca de US$ 320 milhões, as mais elevadas entre todos os países latinoamericanos.

Os brasileiros gostam de consumir marcas que são ícones internacionais. Cerca de 75% do consumo de bens de luxo é feito por mulheres que compram perfumes, cosméticos, roupas, acessórios e jóias. Em contrapartida, a “Geração Y”, de acordo com a pesquisa, passa a associar o consumismo com algo que deve ser evitado. “A marca Osklen está atenta a essa nova demanda e tem desenvolvido um trabalho com os povos da Amazônia, criando seda orgânica e outros tecidos naturais. Ou seja, está reinventando o conceito de luxo”, analisa Paulo Al-Assal.

Fundo Mercapital compra 70% da rede Rubaiyat por 46 milhões de euros

Fonte: Valor Econômico
Por Alberto Komatsu
Publicado em 29 de julho de 2012

SÃO PAULO – O fundo espanhol de private equity Mercapital anunciou, na noite de sexta-feira, a aquisição de 70% do capital da rede brasileira de restaurantes Rubaiyat, por 46 milhões de euros.

Por meio de comunicado em seu site, o Mercapital informou que o fundador do grupo Rubaiyat, Belarmino Fernández Iglesias, sai do capital da empresa. Seu filho, Belarmino Fernández Iglesias Filho, permanece com 30% do capital e à frente da administração da rede de restaurantes.

O Rubaiyat tem atualmente três estabelecimentos em São Paulo e um em Madri. Em parceria com o grupo agropecuário argentino Cabaña Las Lilas, o Rubaiyat tem ainda um restaurante em Buenos Aires, o Rubaiyat Cabaña Las Lilas.

O Mercapital também informou que o plano de expansão da rede Rubaiyat contempla a abertura de 10 restaurantes, nos próximos quatro anos. Até o fim deste ano, estão previstas as inaugurações de duas unidades, uma no Rio de Janeiro e outra na Cidade do México.

Em recente entrevista ao Valor, no início de maio, Iglesias Filho havia afirmado que planejava sair do comando da rede, fundada por seu pai em 1951, em quatro anos. De acordo com ele, o plano de expansão também inclui filiais do Rubaiyat em Lima, Bogotá e Santiago, até 2016.

(Alberto Komatsu | Valor)

Daslu criará coleção para Riachuelo

Fonte: Meio e Mensagem
Por Lais Peterlini
Publicado em 24 de julho de 2012

Grife desenvolverá coleção de verão a ser comercializada na rede de varejo Riachuelo

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Loja Daslu no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo
Crédito: Divulgação

Para ampliar a receita e atingir um novo público, a Daslu passará a vender uma linha de produtos nas lojas Riachuelo. Controlada pela Laep Investments, a grife afirma que os produtos da coleção serão fabricados para comercialização exclusiva nos 148 pontos da rede de varejo Riachuelo. Ou seja: as lojas da Daslu nos shoppings JK Iguatemi e Cidade Jardim, em São Paulo, e no Fashion Mall, no Rio de Janeiro, não receberão esses produtos.

“É incrível saber que vamos difundir a nossa moda a um público tão grande”, diz Patrícia Cavalcanti, diretora de marketing da Daslu.

A Riachuelo afirma que ainda não há data de lançamento prevista, mas garante que a primeira coleção será lançada ainda este ano.

Laureate compra mais uma faculdade no Brasil

Fonte: Exame.com
Por Daniela Barbosa
Publicado em 06 de julho de 2012

Dona da Anhembi Morumbi adquiriu o Cedepe Business School, rede de ensino superior
do Recife

Sala de Aula

Laureate: companhia faz mais uma aquisição no Brasil

São Paulo – A Laureate, conglomerado americano do setor de educação, comprou mais uma faculdade no Brasil. A companhia adquiriu o Cedepe Business,  School, rede de ensino superior, do Recife.

A aquisição é a 11º fechada pela Laureate no país. “Trata-se de uma instituição com posicionamento, DNA e
perfil de alunos alinhados com a missão da Laureate de expandir o acesso ao ensino superior de qualidade e
promover a internacionalidade com foco na empregabilidade”, afirmou Oscar Hipólito, diretor-geral da
Laureate Brasil. 

Para Otávio Moraes, sócio fundador do Cedepe, a associação com a Laureate possibilitará uma nova etapa no processo de crescimento da instituição.

“Vamos passar a integrar um grande grupo internacional de educação e, a partir dessa associação, a contar também com todos os diferenciais da rede, como testados sistemas de gestão internacional, infraestrutura moderna, qualidade do corpo acadêmico, aulas práticas direcionadas ao mercado de trabalho, programas de intercâmbio, certificação internacional, além de grades curriculares definidas sob uma perspectiva global”, disse o Moraes.

No Brasil, a Laureate é dona da Univeridade Anhembi Morumbi,  BSP – Business School São Paulo, Centro Universitário IBMR; ESADE – Escola Superior de Administração, Direito e Economia; Centro Universitário do Norte (Uninorte), Universidade Salvador (Unifacs), Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Universidade Potiguar (UnP); Faculdade dos Guararapes (FG), e Faculdade Unida da Paraíba (UNPB).

Santander fortalece imagem no Brasil em momento de Espanha frágil

Fonte: Valor Econômico
Por Filipe Pacheco
Publicado em 26 de julho de 2012


Hoyos, do Santander Brasil, desvincula nova campanha de marketing no mercado local a temores de contaminação da marca por crise na Espanha

Num momento em que os mercados demonstram sinais de forte nervosismo e mantêm o foco quase que totalmente voltado para a Espanha, o Santander lançou, na semana passada, uma campanha de marketing de grande porte para fortalecer sua imagem no Brasil.

O banco não revela quanto gastou – sob pretexto do período de silêncio que acaba hoje, com a divulgação do balanço -, e afirma querer aproveitar o momento de mudança do cenário financeiro pelo qual o Brasil atravessa, após as rodadas de corte de juros e spreads nos últimos meses. Oficialmente, a instituição informa que a piora da crise espanhola não tem relação com o lançamento das novas peças de comunicação na mídia.

Mas, muitas vezes, a diferença entre os problemas na Espanha e a saúde financeira do banco pode não ficar clara para o cliente de varejo no Brasil, e a associação acaba sendo quase que automática – e fortalecer a boa imagem por aqui é estratégico para o banco. Sozinha, a operação no país responde por 27% do lucro do grupo espanhol, a maior fatia separadamente, e equivalente aos resultados de México, Espanha e Portugal somados

“É inevitável que haja uma contaminação da imagem da empresa”, diz Eduardo Tomiya, da consultoria de marca Brand Analytics, sobre o caso do Santander. “E isso não acontece somente com bancos, mas também com outros setores.”

Essa é a maior investida em marketing do Santander Brasil desde março de 2010, quando entrou no ar a campanha “Vamos fazer juntos?”, com investimentos da ordem de R$ 40 milhões e cuja intenção era consolidar a imagem institucional do banco após a compra do Real, em 2008.

O projeto novo foi planejado pela equipe local de marketing, em conjunto com a agência Talent em cerca de quatro semanas, e carrega o mote “Investindo forte no Brasil.”

O vice-presidente de marca, marketing e estratégia do Santander Brasil, Juan Hoyos, diz que a campanha atual nada tem a ver com o imbróglio espanhol. “Queremos que o público brasileiro em geral conheça melhor quem é o Santander e o compromisso que tem com o país”, diz. “Este é o início de um processo de transformação, e achamos que é o momento de apostarmos que estamos totalmente alinhados”, afirma, referindo-se aos cortes da taxa básica de juros e de empréstimos vistos nos últimos meses.

José Eustachio, sócio-diretor da Talent, assegura que em nenhum momento da formulação da campanha a questão “Espanha” foi colocada em pauta. “O objetivo era prestar contas sobre o que o banco tem feito no país e reiterar a fé e confiança no Brasil e no brasileiro.”

Coincidentemente, a primeira propaganda na TV foi ao ar na sexta-feira, quando o Eurogrupo anunciou a aprovação do resgate a bancos espanhóis de até € 100 bilhões, num dia de forte tensão nos mercados. O grupo Santander, entretanto, tem perfil incomparável ao das combalidas “cajas”, bancos de poupança que estão no epicentro da crise. A instituição não integra o grupo de instituições que vai necessitar de socorro.

Uma das frases propagadas na mídia comercial é que o Santander é “um banco que abre uma agência a cada 3 dias.” Ironicamente, na segunda-feira seguinte ao início da campanha, com anúncios estampados nos principais jornais e revistas de circulação nacional, a imprensa britânica informava que o Santander pretende fechar 96 filiais no Reino Unido, onde tem 25 milhões de clientes, em cidades em que haja alguma sobreposição geográfica.

Ao longo do primeiro semestre, o Santander reiterou diversas vezes que suas operações locais são sólidas e que não está à venda. Reafirmou ainda que não há planos de cortes de investimentos para a subsidiária brasileira e que não passa por debilidade de capital devido a possíveis problemas enfrentados pela matriz.

Ainda que os investimentos da campanha tenham sido de grande porte – um anúncio em horário nobre de TV custa cerca de R$ 350 mil por 30 segundos, enquanto página dupla em um dos maiores jornais de circulação nacional sai por R$ 260 mil cada -, o Santander ainda está longe dos gastos dos grandes grupos financeiros brasileiros nesse quesito: o banco espanhol estava no 59º lugar entre os maiores anunciantes do país no ano passado, com valor que considera descontos (quanto mais um cliente anuncia em um veículo, mais descontos ganha), com R$ 83,2 milhões pagos, de acordo com ranking do Ibope/Monitor.

O banco está atrás de Caixa (5º e R$ 428,5 milhões), Bradesco (11º e R$ 305,5 milhões), Banco do Brasil (22º e R$ 211,5 milhões), e, Itaú (26º e R$ 201,3 milhões) na mesma lista.

Dona da Le Lis Blanc compra marca Rosa Chá por R$ 10 milhões

Fonte: Folha.com
Por Reuters
Publicado em 11 de julho de 2012

A varejista de vestuários Restoque adquiriu a titularidade da marca de roupas de banho Rosa Chá por R$ 10 milhões, informou a empresa em comunicado nesta quarta-feira.

Com isso, a Restoque acrescenta a Rosa Chá ao leque de cinco marcas que já opera: Le Lis Blanc, Noir Le Lis, Bo.Bô, John John e Le Lis Beauté.

A compra não inclui ativos ou passivos nem a assunção de responsabilidades e funcionários pela empresa.

A empresa informou em nota que pretende ampliar a linha de produtos da Rosa Chá, que passará a ter foco em vestuário esportivo, casual/esportivo e casual, além da continuidade de sua linha de roupas de banho.

Assim, a varejista iniciará, no segundo semestre de 2013, a distribuição de produtos da marca Rosa Chá através de uma rede de lojas próprias, com a abertura de dez pontos de venda, além de vendas no atacado para lojas multimarcas.

A empresa também vai elaborar um plano de longo prazo com potencial para pelo menos 100 lojas no país.

“Em função da relevância da marca e do portfólio de produtos que vislumbramos para a marca Rosa Chá, vemos um bom potencial para abertura de lojas desta marca em todo Brasil”, disse o comunicado.

“O cronograma e planejamento de abertura dessas lojas dependerão de estudos de mercado e discussões internas específicas, sendo oportunamente informados ao mercado”, acrescentou a empresa.

Caio Guatelli – 1º.jul.03/Folhapress  
Naomi Campbell em desfile da Rosa Chá no São Paulo Fashion Week; marca foi comprada por grupo da Le Lis Blanc
Naomi Campbell em desfile da Rosa Chá no SP Fashion Week; marca foi comprada por grupo da Le Lis Blanc

Volkswagen compra restante da Porsche e anuncia investimento para segmento premium

Fonte: Uol
Por André Deliberato
Publicado em 05 de julho de 2012

Volkswagen toma controle absoluto da Porsche em 1º de agosto e mira segmento premium 
Volkswagen toma controle absoluto da Porsche em 1º de agosto e mira segmento premium

Depois de um longo período de negociações e de alguns prazos não cumpridos, finalmente a Volkswagen conseguiu o sinal verde para comprar os 50,1% restantes da Porsche: a partir de 1º de agosto deste ano, as duas empresas começam as operações em conjunto — mesmo já tendo integrado uma linha de montagem. A VW vai pagar 4,46 bilhões de euros (aproximadamente R$ 11,3 bilhões) para ficar com todas as ações da fabricante de modelos esportivos. 

A novela entre as duas empresas perdurava desde 2009 e tinha de ser concluída até o final do ano passado. No entanto, como o governo alemão exigia cerca de 1,5 bilhão de euros em impostos pela transação, os acordos entre as marcas  foram revistos e a decisão só ficou para 2012, sem prazo oficial definido.

A Porsche alega que vendeu a parcela restante de suas ações por motivos estratégicos para a reestruturação financeira da empresa – desde que a marca fez uma tentativa frustrada de comprar a Volkswagen, em 2008, acumulou um déficit de mais de 10 bilhões de euros.

A VW, como majoritária, já tomou até sua primeira medida após o anúncio do acordo: vai investir 320 milhões de euros —  ou R$ 813 milhões — para dar um salto de vendas de seus modelos do segmento premium. A decisão faz parte da estratégia de crescimento do grupo, que pretende se tornar líder mundial de vendas até 2018. Com a crise no Velho Continente, as marcas que atendem esse tipo de consumidor foram as que menos sentiram os reflexos.

E o Itaú ri por último

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Tatiana Bautzer
Publicado em 13 de julho de 2012

Num acordo-relâmpago de R$ 1 bilhão, banco passa concorrentes e associa-se ao BMG para
reinar no consignado.

Na primeira semana de julho, o banqueiro Flávio Pentagna Guimarães estava muito perto de vender seu banco, o BMG. Embora houvesse outro pretendente conhecido, o BTG Pactual, a negociação estava bem avançada com o Bradesco. Mas o controlador do banco mineiro ainda tinha dúvidas sobre o preço final da transação. Também temia ter de esperar por muito tempo para receber o valor total. Como em outras aquisições de bancos médios fechadas pelas grandes instituições, a última parcela do pagamento seria vinculada ao desempenho futuro do BMG, já sob novo controle acionário. “Doutor Flávio”, como é mais conhecido, atualmente com mais de 80 anos, já havia rejeitado uma oferta do BTG Pactual porque considerou o preço baixo demais. 

 
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Roberto Setubal: ligação para Flávio Pentagna Guimarães,
na última hora, fez o Itaú vencer a disputa pelo BMG.
 
A indefinição de Pentagna Guimarães acabou produzindo um desfecho inesperado para a trajetória do banco
fundado por seu pai, Antonio, na década de 1930. Trabalhando em silêncio, o Itaú Unibanco, atacou,
aos 46 minutos do segundo tempo de jogo. Mais uma vez, foi a ousadia do banqueiro Roberto Setubal, que
ao perceber que a negociação do BMG estava na reta final, o levou a ligar pessoalmente para Pentagna
Guimarães, com uma sugestão que soou como música aos ouvidos do patriarca da tradicional família
mineira: ele não precisaria abrir mão inteiramente do banco. O Itaú assumiria apenas as operações daqui
para a frente. Segundo uma fonte próxima à família, Setubal convidou Flávio e o filho Ricardo, que
preside o BMG, para viajar a São Paulo, no sábado 7, e negociar. 
 
No fim de semana, as linhas gerais do acordo foram delineadas: seria constituída uma joint venture, na qual
o Itaú deteria 70% do capital, ficando os outros 30% para os Pentagna Guimarães. A estrutura do BMG
repassaria à instituição 70% dos novos empréstimos gerados. O banco paulista indicaria os principais
executivos na nova empresa, mas o BMG continuaria existindo separadamente. Os Pentagna Guimarães
fecharam o acordo rapidamente — o contrato foi redigido e assinado na segunda-feira 9, feriado estadual
em São Paulo. No dia seguinte, ao anunciar o acordo, na presença de Ricardo, o CEO do BMG, Setubal
disse que o modelo escolhido facilitou as negociações. “O formato é muito simples, não exige due diligence,
discussões sobre o preço ou garantias”, afirmou. 
 
O banco BMG Itaú, que deve começar a operar até o fim do ano, nasce com patrimônio de R$ 1 bilhão e
expectativa de atingir uma carteira de R$ 12 bilhões em empréstimos consignados, até 2015. O Itaú
fornecerá R$ 300 milhões mensais ao BMG pelo prazo de cinco anos. A flexibilidade de Setubal como
negociador já lhe rendera frutos anteriormente — o mais notável, a fusão com o cobiçadíssimo Unibanco,
foi fechado numa negociação direta entre ele e o banqueiro Pedro Moreira Salles, em 2008, levou o Itaú
ao primeiro lugar no ranking dos bancos privados. Há, ainda, vários outros exemplos, como a associação
com Fernão Bracher, que controlava o antigo BBA, para criar o que hoje é o banco de investimentos do
conglomerado, e com a seguradora Porto Seguro, do empresário Jayme Garfinkel. 
 
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Setubal, Flávio e Ricardo Guimarães: Itaú fecha em poucos dias operação com o BMG,
que negociou com o Bradesco e o BTG.
 
É certo que os Pentagna Guimarães precisavam de uma solução com alguma urgência para os destinos
do banco. As alternativas de sobrevivência do BMG, o 14º no ranking dos bancos privados nacionais,
com boa rentabilidade, vinham encolhendo.
Altos custos para captar recursos, novas regras exigidas pelo
Banco Central (BC) para contabilizar os lucros com a venda de carteiras de crédito e a concorrência com
os gigantes bancários vinham minando a instituição, uma das pioneiras nos empréstimos consignados no País,
desde que esta modalidade que desconta as parcelas na folha de pagamento foi criada, no início da década
passada. O banco mineiro tem a segunda maior carteira do País desse produto, de R$ 28 bilhões, atrás apenas
dos R$ 56 bilhões emprestados pelo Banco do Brasil. 
 
(O Itaú, que tem uma carteira de crédito total de R$ 400 bilhões, tem só R$ 11 bilhões em consignado e
fica em sexto lugar.) Sua rede é composta de 580 lojas próprias, mais de mil correspondentes bancários
e contratos com mais de 30 mil agentes de crédito. No ano passado, o BMG iniciou um tímido processo de
diversificação para outras carteiras de crédito pessoal, com a incorporação do banco Schahin, que contou
com recursos do Fundo Garantidor de Crédito, e comprou a operação da GE Money no Brasil. Os altos
investimentos da instituição no patrocínio de clubes de futebol e compra de participações dos direitos
econômicos de jogadores popularizaram o banco, fazendo-o conhecido nacionalmente, mas pouco ajudaram
para torná-lo competitivo em relação aos grandes, que invadiram a seara do consignado. 
 
O BMG já chegou a liderar os rankings de rentabilidade no setor financeiro, mas no primeiro trimestre do ano
amargou prejuízo de R$ 69 milhões. Além disso, seu balanço recebeu ressalva dos auditores, por cujo critério
a perda seria ainda maior. Agora, o banco mineiro terá acesso a recursos mais baratos, da base dos 40 milhões de
clientes do Itaú. “A redução do custo nos permite competir em taxas e volumes satisfatórios”, afirmou o presidente
do BMG, Ricardo Pentagna Guimarães. Como a partir de agora a maior parte do crédito gerado pelo BMG não
ficará em seu balanço, será possível crescer sem novos aportes de capital. No ano passado, a família, que além do
BMG tem negócios nos ramos imobiliário, industrial e agropecuário, já havia colocado R$ 1,1 bilhão na instituição. 
 
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Se futuramente resolver vender sua participação de 30% no banco, o Itaú terá direito de preferência. Setubal diz
que a sociedade com a família permite crescer mais rapidamente no crédito consignado. “Nós não temos essa
especialização”, afirmou. O modelo da joint venture, simples, mas engenhoso, poderá ser replicado nos
próximos negócios do setor, afirma Renato Oliva, presidente da ABBC, associação que representa os bancos
médios. “É interessante, preserva o que o banco médio faz de melhor, que é emprestar, e resolve a falta de
capital para manter as carteiras”, diz. 
 
MODELO EM XEQUE Mas, afinal, o que o Setubal viu no BMG e no crédito consignado? Por que investir num
produto que deu prejuízo aos bancos médios? Algumas razões são bem claras. A mais óbvia é que um banco grande
ganha dinheiro na operação porque seus custos de captação são mais baixos. Além disso, a inadimplência no
crédito consignado é próxima de zero, uma vantagem quando outras carteiras, como a de veículos, sofrem
com os calotes. “Estamos procurando ativos com risco mais baixo e spreads menores, em linha com a direção
do governo de reduzir os juros”, disse Setubal. A menção ao governo não foi gratuita: na semana anterior,
o banqueiro foi cobrado publicamente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para baratear o crédito.
 
Enquanto os bancos privados vêm reduzindo sua expectativa de expansão do crédito neste ano de 20% para
a faixa de 10% a 15% por conta do menor crescimento econômico, os empréstimos consignados exibem
alta de 45%, neste ano, e chegaram ao recorde de R$ 9,5 bilhões em maio. Já representam 59% do estoque de
crédito pessoal. A tendência é que a modalidade cresça ainda mais, daqui para a frente. Segundo o
vice-presidente de varejo do Banco do Brasil, Alexandre Abreu, muitos clientes estão trocando dívidas mais
caras, em cheque especial ou crédito pessoal, pelo consignado. “Ainda há muito espaço para crescer: os clientes
querem juros mais baixos e os bancos, maior segurança contra a inadimplência”, diz Abreu. 
 
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Disputa pela segurança: grandes bancos investem no consignado, mesmo com juros menores,
porque as perdas são muito pequenas.
 
As perdas com consignado são bem menores que as do crédito pessoal. Mas há uma razão ainda não explícita
para a compra do BMG pelo Itaú: a completa mudança do mercado de crédito consignado que está sendo
negociada, na surdina, entre os bancos e grandes conveniados, como a Previdência e
governos
estaduais, sob o olhar atento do BC.
Um dos problemas para tornar o consignado rentável para os bancos
médios é que todos os custos são pagos no início. O maior gasto é com a comissão para os “pastinhas”, que chega a
representar até 20% do total emprestado. Isso faz com que os empréstimos consignados comecem dando prejuízo
e se tornem rentáveis só depois de alguns meses. Os grandes bancos usam a estrutura de suas redes com milhares
de agências. 
 
Mas os médios dependem dos agentes de crédito para emprestar. O problema é que o pagamento imediato das
comissões estimula o refinanciamento entre os bancos médios. Ao trocar um crédito no banco X por outro do
banco Y, o cliente paga antecipadamente a primeira operação, ainda numa fase em que ela está gerando perda. No
novo empréstimo, o pastinha recebe mais 20% imediatamente. O que os bancos discutem agora, segundo apurou
a DINHEIRO, é pagar as comissões aos milhares de pastinhas em parcelas. Assim, o agente de crédito teria interesse
em manter a operação no primeiro banco por mais tempo. Com isso, todo o sistema teria os mesmos prazos, desde
o pagamento das comissões até o reconhecimento da receita com a venda de carteiras. 
 
A mudança é bem vista pelo BC, às voltas com uma sucessão de problemas em bancos médios nos últimos meses.
A maior parte dos bancos que quebraram recentemente concentrava seus negócios em consignado, como o
Matone, vendido à J&F, holding do frigorífico JBS, o Panamericano, controlado pelo BTG Pactual e pela Caixa,
e o Cruzeiro do Sul, sob administração do FGC. Os casos de fraude, em parte, tentavam mascarar as operações
deficitárias. Os compradores desses bancos, que contaram com a ajuda do FGC, agora enfrentam o problema.
O presidente da J&F, Joesley Batista, que rebatizou o Matone de Original, diz que o modelo de consignado como é
feito hoje pelos bancos médios não se sustenta. 
 
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Rei do patrocínio: marca brilhou nas camisas do palmeiras e do coritiba,
na final da Copa do Brasil, na quarta-feira 11.
 
“Todo mundo está procurando uma solução, que até agora não existe”, afirmou à DINHEIRO. Por isso, o Original
está explorando outros nichos de negócio, como crédito a empresas médias, concessão de crédito pessoal e venda
de seguros. Mudar a forma de pagamento das comissões pode ser o primeiro passo para chegar à solução — mas
ninguém diz que será fácil. O fato é que está muito clara a crise pela qual passam as instituições médias que
não tem sócios de peso. “A questão crucial é a dificuldade e o preço cobrado para levantar recursos no mercado”,
afirma o professor da Fipecafi, Silvio Paixão. 
 
A desconfiança dos investidores já era grande desde o escândalo do Banco Panamericano, e se acentuou após a
quebra do Cruzeiro do Sul, em junho. Para sobreviver sozinhos, esses bancos precisariam ser mais competentes
que os de grande porte em atividades onde a margem é mais alta. Esse já foi o caso do consignado e do crédito
a empresas médias. Não é mais: os gigantes bancários disputam o terreno palmo a palmo. “Só vai sobreviver
quem tiver bons serviços, num nicho ou região muito específicos”, diz Paixão. Por tudo isso, o negócio do BMG
com o Itaú representa uma luz no fim do túnel para os banqueiros de médio porte. 
 
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Solidez internacional

O cenário não está fácil para os bancos de médio porte, mas as grandes instituições brasileiras são consideradas cada vez mais sólidas em rankings internacionais. A agência de classsificação de risco de crédito Standard & Poor’s, por exemplo, elevou a nota atribuída a oito bancos brasileiros na semana passada: Bradesco, Citibank, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Santander Brasil, HSBC Brasil, Itaú Unibanco e Itaú BBA. A nota atribuída aos bancos acompanhou a elevação da classificação soberana brasileira, explicou a S&P. 

A S&P eleva nota de 8 bancos e 2 estão entre os mais sólidos do mundo

 

Investidores estrangeiros estão mais ressabiados com ações e títulos de dívida externa de bancos médios, e agora preferem comprar os ativos dos grandes grupos brasileiros. Para eles, o cenário é outro: o Brasil é hoje classificado como “grau de investimento”, enquanto países europeus estão sendo rebaixados e seus bancos negociam pacotes de resgate bilionários. Com isso, os bancos nacionais estão sendo considerados muito seguros internacionalmente. Num levantamento recente feito pela revista Bloomberg Markets, por exemplo, o Bradesco e a filial brasileira do Santander aparecem na lista dos 20 bancos mais sólidos do mundo. 

Especialistas: suspensão de vendas marca nova postura da Anatel

Fonte: Terra.com.br
Por Felipe Oliveira
Publicado em 19 de junho de 2012

A suspensão por tempo indeterminado de vendas da novas linhas telefônicas das operadoras TIM, Claro e Oi, anunciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na quarta-feira marca uma mudança de postura da agência, dizem especialistas. 

Segundo o advogado especialista em direito regulatório, Rodrigo Pinto de Campos, antes da medida, quando as empresas apresentavam índices ruins, havia investigação e uma multa era aplicada. “A postura da Anatel até hoje era de multar as empresas e, muitas vezes, elas não concordando com a punição iam para a Justiça. Desta vez a medida foi diferente”, afirmou o advogado.

Para ele, a solicitação feita pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pedindo a suspensão de vendas no Rio Grande do Sul motivou a Anatel a ter um posicionamento mais forte com relação às operadoras. Campos acredita que medidas como a tomada pela Anatel fazem com que as empresas regularizem seus serviços de forma mais rápida. “Quando a Anatel suspende as vendas de linhas, ela atinge diretamente o coração da empresa. As empresas param de vender e não vão ganhar dinheiro e, por isso, terão de agir de forma rápida”, disse.

Para o advogado especialista em direito do consumidor, Rodrigo de Souza Leite, a Anatel deveria observar alguns requisitos técnicos antes de proibir as vendas. “Em meu entendimento, o aumento de reclamações, isoladamente, não deveria servir de parâmetro para suspensão de serviços. Outros requisitos técnicos deveriam ser considerados, como por exemplo, os investimentos realizados pelas empresas, o número de antenas, o número de acessos disponibilizados. Ao longo do tempo tudo isso deve ser considerado antes de ser tomada uma medida como essa de suspensão de serviços”, afirmou.

Leite afirma ainda que as empresas podem entrar com recurso antes mesmo da medida passar a valer, na próxima segunda-feira. “Existe a possibilidade de as empresas recorrerem, assim como existe a possibilidade de uma eventual reversão da medida. As empresas podem pleitear a suspensão da medida até a próxima segunda-feira”, disse.

Leite, contudo, acredita que a decisão da Anatel é importante e dá mais força ao consumidor. “A decisão é importante por dois aspectos: primeiro porque ela demonstra que a agência reguladora dos serviços está atenta ao que esta ocorrendo entre as prestadoras de serviços. Outro ponto é que com esta atitude o serviço tende a melhorar”, disse.

Campos lembra que a agência tem poder para tomar este tipo de medida se estiver se baseada em questões concretas, como fez apontando a falha nas comunicações e os problemas em completar as ligações. “A Anatel tem competência para tomar esta medida e outras até piores, como a cassação da atividade da empresa”.

Portabilidade
A suspensão das vendas das linhas telefônicas pelas operadoras Claro, TIM e Oi se estendem também à portabilidade. Por exemplo, no Estado de São Paulo estão suspensas as vendas de novos chips da Claro, portanto, os consumidores não podem fazer a portabilidade para esta operadora, mas estão liberados para realizar a troca para todas as outras. O advogado Rodrigo de Souza Leite acredita que os consumidores não devem se sentir lesados por esta decisão.

“No caso da portabilidade, não acredito que o consumidor deva reclamar. A Anatel não pretende proteger um consumidor individualmente, mas sim uma coletividade. A intenção da Anatel com essa medida é de que todos os consumidores passem a ter um melhor serviço. Podemos ter casos individuais, mas a tendência é que os serviços melhorem ao consumidor”, diz.

Ele afirma que suspendendo a portabilidade, as operadoras também serão lesadas e tendem a tomar providências mais rápidas com relação aos problemas apontados pela Anatel. “Também é importante a suspensão da portabilidade, já que o objetivo da Anatel é diminuir o número de acessos e com a portabilidade esse número aumentaria”, concluiu.

Entenda
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou, na quarta-feira, a suspensão por tempo indeterminado da venda de novas linhas telefônicas de três companhias de telefonia celular a partir da próxima segunda-feira. Segundo a agência, a proibição aconteceu devido a problemas na qualidade dos serviços prestados. A portabilidade para as operadoras também está suspensa nos Estados em que a venda foi proibida.

A decisão da Anatel proíbe a TIM de vender em 19 Estados, a Oi em cinco Estados e a Claro em três. A agência afirma que para os clientes que já possuem linhas das operadoras punidas nada deve mudar.

Estados
Todos os Estados do País serão afetados pela decisão da Anatel. Entretanto, a agência determinou que apenas uma operadora poderá ser suspensa por Estado. Juntas, as três empresas penalizadas detêm cerca de 70% do mercado de telefonia.

A suspensão por tempo indeterminado de vendas da novas linhas telefônicas das operadoras TIM, Claro e Oi, anunciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na quarta-feira marca uma mudança de postura da agência, dizem especialistas. 

Segundo o advogado especialista em direito regulatório, Rodrigo Pinto de Campos, antes da medida, quando as empresas apresentavam índices ruins, havia investigação e uma multa era aplicada. “A postura da Anatel até hoje era de multar as empresas e, muitas vezes, elas não concordando com a punição iam para a Justiça. Desta vez a medida foi diferente”, afirmou o advogado.

Para ele, a solicitação feita pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pedindo a suspensão de vendas no Rio Grande do Sul motivou a Anatel a ter um posicionamento mais forte com relação às operadoras. Campos acredita que medidas como a tomada pela Anatel fazem com que as empresas regularizem seus serviços de forma mais rápida. “Quando a Anatel suspende as vendas de linhas, ela atinge diretamente o coração da empresa. As empresas param de vender e não vão ganhar dinheiro e, por isso, terão de agir de forma rápida”, disse.

Para o advogado especialista em direito do consumidor, Rodrigo de Souza Leite, a Anatel deveria observar alguns requisitos técnicos antes de proibir as vendas. “Em meu entendimento, o aumento de reclamações, isoladamente, não deveria servir de parâmetro para suspensão de serviços. Outros requisitos técnicos deveriam ser considerados, como por exemplo, os investimentos realizados pelas empresas, o número de antenas, o número de acessos disponibilizados. Ao longo do tempo tudo isso deve ser considerado antes de ser tomada uma medida como essa de suspensão de serviços”, afirmou.

Leite afirma ainda que as empresas podem entrar com recurso antes mesmo da medida passar a valer, na próxima segunda-feira. “Existe a possibilidade de as empresas recorrerem, assim como existe a possibilidade de uma eventual reversão da medida. As empresas podem pleitear a suspensão da medida até a próxima segunda-feira”, disse.

Leite, contudo, acredita que a decisão da Anatel é importante e dá mais força ao consumidor. “A decisão é importante por dois aspectos: primeiro porque ela demonstra que a agência reguladora dos serviços está atenta ao que esta ocorrendo entre as prestadoras de serviços. Outro ponto é que com esta atitude o serviço tende a melhorar”, disse.

Campos lembra que a agência tem poder para tomar este tipo de medida se estiver se baseada em questões concretas, como fez apontando a falha nas comunicações e os problemas em completar as ligações. “A Anatel tem competência para tomar esta medida e outras até piores, como a cassação da atividade da empresa”.

Exigências
As empresas deverão apresentar, nos próximos 30 dias, um plano de investimentos para o setor que contemple a melhora na oferta dos serviços. Se a determinação for desrespeitada, as operadoras pagarão multa de R$ 200 mil por dia. Por ter sido uma determinação da Superintendência de Serviços Privados da Anatel, e não uma decisão conjunta dos conselheiros, as empresas podem recorrer.

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O México de olho na Petrobras

Fonte: Isto é Dinheiro
Por Denise Bacoccina
Publicado em 06 de julho de 2012 – Atualizado em 10 de julho de 2012

O presidente eleito Enrique Peña Nieto,casado com a atriz Angelica Rivera, terá de discutir um tabu: a quebra do monopólio estatal da Pemex.

A vitória de Enrique Peña Nieto, um jovem de 45 anos de tradicional família de políticos, ex-governador do Estado do México e casado com uma atriz de novelas, Angelica Rivera, recoloca o Partido Revolucionário Institucional (PRI) na Presidência do México depois de uma janela de 12 anos, retomando um domínio que começou em 1929. O PRI retorna ao poder atendendo a um desejo de mudança, num momento em que a economia mexicana consolida a recuperação iniciada após a crise de 2008. Mas o partido mais tradicional do país também volta renovado num aspecto. Desde a nacionalização da Pemex, em 1938, e até pouco tempo atrás, era impensável sequer discutir o monopólio estatal do petróleo.

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Porém, a queda na produção, acompanhada pelo aumento dos preços no mercado internacional fizeram os mexicanos perceber que o capital privado podia aumentar a receita do petróleo – historicamente, 40% do orçamento federal são provenientes da Pemex, que é administrada não como uma empresa, mas como se fosse um ministério, sem autonomia ou receita própria. O México parece pronto para mudanças e o modelo apontado por dez entre dez especialistas é o da Petrobras. Não o da Petrobras do pré-sal, que com sua participação onipresente pode engessar o mercado, mas a Petrobras atual, que tem um orçamento independente do governo, investe bilhões de dólares todos os anos em novos campos, e apesar da dificuldade em cumprir a meta, vem aumentando sua produção a cada ano.
E, embora seja dominante, não está sozinha no mercado brasileiro, que pode ser explorado por empresas privadas. Enquanto isso, a Pemex, 100% estatal, viu sua produção despencar. Na última década, a produção diária caiu de 3,5 milhões de barris para 2,5 milhões. Muitos poços já esgotaram suas reservas mais superficiais, e precisam de mais investimentos para voltar a produzir. Com reservas no pré-sal, o país também precisa de novas tecnologias e aí a Pemex pode se aliar à Petrobras. A presidenta Dilma Rousseff quer uma aproximação entre as duas empresas para atuação conjunta em outros países.
Se o México decidir mesmo enfrentar o sentimento nacionalista e acabar com o monopólio estatal, não vai faltar interesse das empresas estrangeiras. A começar pelas americanas, já que o México é um dos três principais fornecedores de petróleo para o país. Atrasados em relação ao Brasil quanto à gestão do petróleo, os mexicanos já tomaram a dianteira no que se refere ao crescimento econômico e podem se tornar sérios concorrentes na atração de investimento estrangeiro. Durante a reunião do G-20, realizada na cidade de Los Cabos, no litoral mexicano, na terceira semana de junho, não foram poucas as análises publicadas na imprensa e em relatórios de bancos e consultorias comparando os dois países.
Com um certo exagero, é verdade, lembravam que o México deverá crescer o dobro do Brasil neste ano. Entre os motivos, estaria a recuperação de seu status de fornecedor privilegiado dos Estados Unidos, substituindo parte das importações made in China – que, ironicamente sofreram aumentos de custos e perderam competitividade para a produção local. Enfim, depois de sofrer as conseqüências da crise de 2008, com uma recessão de 6,2% em 2009, o país já se recuperou plenamente, com expansão de 5,5% em 2010, 4% no ano passado e previsão de repetir esste resultado neste ano. Pelo jeito, no momento, o México já pode aspirar a ser a bola da vez, na América Latina.