Lembra da Chrysler?

Fonte: Isto é dinheiro
Por Rafael FREIRE
Publicado em 18 de maio de 2012

Agora sob a gestão da italiana Fiat, a montadora americana quer brigar com Mercedes, BMW e Audi na faixa de carros de luxo.

Desde meados de setembro do ano passado, quando foi anunciado o aumento da alíquota de importação para automóveis, Sérgio Ferreira, diretor-geral da americana Chrysler do Brasil, tem usado uma parábola para mostrar a posição que a marca tem tomado diante desse cenário. Ele conta que dois amigos estavam em um safári e se depararam com um leão. Um deles, antes de sair correndo, resolveu calçar um tênis de corrida, pois sabia que teria de ser mais rápido que seu companheiro, e não do que a fera. “O leão, para nós, pode ser o aumento da alíquota, as cotas para produtos vindos do México e muitas outras variáveis”, diz Ferreira. “Estamos trabalhando como se estivéssemos de tênis, prontos para correr e deixar a concorrência para trás.”

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Ferreira, da Chrysler: “Estamos trabalhando como se estivéssemos de tênis,
prontos para correr e deixar a concorrência para trás”.
Com essa filosofia, a empresa pretende brigar pelo mercado de automóveis de luxo, uma área dominada pelas alemãs Mercedes-Benz, BMW e Audi, no País. Será um caminho árduo. Em 2010, a marca vendeu pouco mais de quatro mil carros no Brasil. A Mercedes, líder do pedaço, comercializa quase quatro vezes mais. O principal trunfo da Chrysler é que ela, agora, conta com a força da italiana Fiat, sua atual controladora. Os reflexos da nova administração já começaram a aparecer. De acordo com dados da Abeiva, a associação dos importadores de veículos, a Chrysler cresceu 23,4% em 2011. Nos primeiros quatro meses deste ano foi um pouco mais que o dobro. São números expressivos, mas é preciso lembrar que são reflexo da base pequena de comparação.
A Fiat passou efetivamente a exercer seu controle na empresa em fevereiro de 2011. A nomeação de Ferreira, logo em seguida, foi a primeira medida para retirar a montadora do ostracismo. Ele até então era diretor-geral da Case New Holland Brasil, o braço de máquinas agrícolas do grupo Fiat. Já havia também passado pelo comando das filiais da fabricante de pneus Michelin, na Argentina e na Grécia. Assim que assumiu a Chrysler, Ferreira elaborou um novo plano que previa a reestruturação da rede de concessionárias e do serviço de pós-venda, além da renovação de quase todo o portfólio de produtos. “Estávamos com a linha toda defasada”, diz Ferreira. Desde que assumiu a direção da empresa, o executivo lançou sete veículos. Até o fim do ano trará mais dois modelos: a versão a diesel da Grand Cherokee e o Dodge Durango.
Como parte da nova estratégia, Ferreira também focou na reorganização da rede de revendedores, criando show-rooms exclusivos dos veículos do grupo, nas concessionárias Mercedes-Benz, antiga controladora da Chrysler. O executivo pretende, ainda, mais do que dobrar a rede de autorizadas, que deverá chegar a 50 até o fim deste ano. “Mapeamos os melhores revendedores da concorrência e apresentamos a eles nosso plano”, afirma. De acordo com Roberto Barros, analista da consultoria IHS, esse era um degrau essencial para a expansão da Chrysler. “Os clientes que gastam mais de R$ 100 mil em um carro valorizam muito a qualidade dos serviços de pós-venda”, afirma Barros. Pensando nesses consumidores, a marca assumiu também a gestão do serviço de pós-venda, que estava nas mãos da Mercedes.
Para isso, inaugurou um centro de distribuição de peças em Louveira, no interior de São Paulo. O empreendimento possui 4,5 mil metros quadrados e vai ter um arsenal de mais de 20 mil de peças das marcas Jeep, Chrysler, Dodge e Ram. Com todas essas medidas e mais a chegada de novos carros para as quatro marcas, Ferreira espera fechar 2012 com 11 mil carros vendidos, um crescimento de 100% em relação ao ano passado. Ele também estuda a produção local. “Mas ainda não temos uma posição oficial”, afirma. As principais opções da empresa são produzir na nova fábrica da Fiat, em Goiana, na região metropolitana do Recife. Não está, descartado, porém, o aumento da capacidade das unidades da Chrysler no México e na Venezuela.
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Ação do Banco do Brasil cai forte ante rumor de comprar parte do Santander BR

Fonte: InfoMoney
Por Fernando Ladeira
Publicado em 23 de maio de 2012

SÃO PAULO – Diante de rumores de que o Banco do Brasil (BBAS3) comprará até 49% de participação no Santander Brasil (SANB11), as ações do banco estatal têm forte queda de 4,20% nesta quarta-feira (23), aos R$ 20,51, enquanto o Ibovespa recuou 0,76%, aos 54.619 pontos. Já os units do Santander Brasil tiveram alta de 0,67%, aos R$ 16,61.

Na mínima do dia, o papel do Banco do Brasil chegou a cair 7,89%, aos R$ 19,72. Vale mencionar que as ações dos outros bancos tiveram um desempenho bem mais ameno, como é o caso do Bradesco (BBDC4-1,14%, R$ 28,62) e Itaú Unibanco (ITUB4-0,14%, R$ 28,52). Vale mencionar que os papéis BBAS3 movimentaram R$ 279,8 milhões, bem acima da sua média diária vista nos últimos 21 pregões – algo em torno de R$ 155 milhões.

Especulações
Mais cedo, a colunista do Estadão, Sonia Racy, afirmou que circula em Brasília o rumor de que o banco estatal teria interesse em menos de 49% do Santander, desde que o negócio também envolva o Votorantim. Após contato da InfoMoney com as instituições, o Santander disse que não comenta especulações de mercado. Já a assessoria do BB negou totalmente as informações, dizendo que desconhece as notícias referentes ao assunto.

“Apesar de ainda no campo especulativo, a mesma pode ser potencialmente positiva para o Santander, enquanto negativa para o BB”, escreve a equipe de análise da XP Investimentos, em relatório.

Segundo os analistas, essa trajetória positiva para o Santander e negativa para o Banco do Brasil ocorreria por conta do prêmio que o primeiro deveria receber por ceder parte relevante de seu capital, enquanto o segundo ainda enfrenta problemas de inadimplência por conta dos mal pagadores na carteira de crédito do Votorantim.

“Essa aquisição teria um impacto significativo no Banco do Brasil. Um dos motivos seria o desembolso razoável, o que afetaria o índice de Basileia do banco”, completa Leonardo Zanfelicio, analista da Concórdia Corretora, ao ressaltar que tal índice para o banco estatal é, atualmente, baixo em relação ao de seus concorrentes. Por fim, o analista da Concórdia ainda diz que é cedo para avaliar os impactos desta possível fusão, mas avisa que a instituição teria que captar recursos no mercado.

Se estiver com o papel, não venda
Por sua vez, Zanfelicio lembra aos investidores que a notícia ainda está meramente no campo especulativo. “Para quem está fora do papel, o melhor é ficar de fora. Mas, para quem está dentro, o ideal é aguardar para ver se realmente é verídico, porque se não for a ação tende a recuperar”, alerta.

Um negócio de R$ 100 bilhões

Fonte: Isto é dinheiro
Por Arnaldo COMIN
Publicado em 18 de maio de 2012


Depois de conquistar 60 países, as franquias brasileiras redescobrem a potência do mercado interno e sonham com a entrada na bolsa.

A agenda do empresário Carlos Wizard Martins estava atribulada na semana passada. Seu primeiro destino era uma rodada de conversas com investidores em Nova York, seguindo depois para a Costa Rica, onde inauguraria a primeira unidade da escola de idiomas cuja marca leva no próprio nome. Fundada há exatos 25 anos, em Campinas, a Wizard tornou-se ponta de lança de uma operação bem maior, a Multi Holding, cuja presença chega até a China e, desde 2005, vem acumulando aquisições de redes de ensino, como Skill, SOS Computadores e Bit Company. A reportagem “O professor ficou bilionário”, publicada pela DINHEIRO em novembro de 2010, dava a dimensão do grupo de Martins, que acabara de receber um aporte estimado de R$ 200 milhões do fundo Kinea, do banco Itaú.

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Martins, do grupo Multi: “Nosso próximo passo é estruturar a holding
para a abertura de capital”.
Uma semana depois, a Multi compraria o Yázigi, por um valor estimado pelo mercado em R$ 100 milhões. “Nosso próximo passo é estruturar a holding para a abertura de capital”, afirma o professor, que responde hoje por uma rede de mais 1,1 mil escolas e faturamento de R$ 3 bilhões no ano passado. A história da Multi reflete bem a velocidade de expansão das franquias no Brasil. Neste ano, a atividade irá ultrapassar a barreira dos R$ 100 bilhões em receita bruta, equivalente à receita líquida obtida pela Vale, em 2011. São mais de duas mil marcas, 100 delas estrangeiras, fazendo do País o quarto maior mercado mundial, colado na Coreia do Sul, nos Estados Unidos e na China.
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No início, o negócio era sinônimo de lanchonetes do McDonald’s, mas hoje quem brilha, mesmo, são as empresas brasileiras. O Boticário, comandado por Artur Grynbaum, segue como líder nacional, com 3,2 mil unidades e faturamento próximo a R$ 6,5 bilhões em 2012. “Desde 2008 abrimos mais de 200 lojas por ano”, diz Osvaldo Moscon, diretor de franquias do Boticário. “Em 2012, serão mais 250.” A maturidade do mercado está permitindo a formação de grandes grupos, com modelos de gestão sofisticados e escala global. É o caso da rede de livrarias Nobel, um negócio familiar que aos poucos incorporou diversas marcas, formando o primeiro fundo de investimento independente do ramo, o Franchising Ventures.
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Grynbaum, o CEO: O Boticário tem aberto mais de 200 lojas por ano no Brasil.
Dono de 80% do grupo Brasil Franchising, o fundo gerencia a Sapataria do Futuro, Café Donuts, Zastras Brinquedos e Franquia Imóveis, entre outras redes, com unidades que vão da Espanha a Angola. “Temos crescido uma média de 20%, incorporando pelo menos uma marca a cada ano”, diz o fundador Sérgio Milano Benclowicz. “Dentro de mais algum tempo teremos porte para concretizar o plano de abrir capital.” Os empresários brasileiros de sucesso têm em comum mais visão de negócios do que fortunas para investir. Aos 17 anos, Alexandre Costa pegou US$ 500 emprestados do tio para reativar a marca Cacau Show, que a mãe usava como vendedora de porta em porta. Foram 15 anos fornecendo chocolates para o pequeno comércio e grandes supermercados até que o empreendedor paulistano optasse por abrir a própria rede.
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Lanchonetes: redes de fast-food, como o McDonald’s,
eram uma das poucas opções de franquia nos anos 1990.
“Criamos um modelo que não existia, entre os produtos commoditizados da indústria e as marcas artesanais para o consumidor de alto poder aquisitivo”, diz Costa, que hoje possui cinco fábricas, 1,2 mil lojas franqueadas e faturamento previsto de R$ 1,5 bilhão, em 2012. Outro fator que tem favorecido a expansão das franquias é a redução do valor inicial de investimento. Embora o gasto médio gire em torno de R$ 250 mil , é possível abrir um ponto com até R$ 7 mil. Essa é a grande aposta do grupo Zaiom, que surfa na onda das microfranquias, com as redes Tutores (reforço escolar), Home Angel (cuidado de idosos), entre outras franquias. Aberto em 2008, o negócio já soma quase 500 unidades e deve faturar R$ 40 milhões em 2012. “Esse modelo transforma trabalhadores, muitos na informalidade, em verdadeiros empresários”, diz o fundador do Zaiom Artur Hipólito.
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Construir marca é preocupação também das pequenas empresas

Fonte: Terra Economia
Publicado em 26 de abril de 2012

Do logotipo do negócio até o mobiliário e a atitude dos funcionários, um pequeno negócio tem que atentar para cada detalhe na hora de constituir sua .... Foto: Dreamstime/Especial para Terra

Do logotipo do negócio até o mobiliário e a atitude dos funcionários, um pequeno negócio tem que atentar para cada detalhe na hora de constituir sua identidade e sua marca
Foto: Dreamstime/Especial para Terra

Para manter o espaço conquistado e crescer junto a novos públicos, grandes empresas, como Coca-Cola ou McDonald’s, não poupam esforços em divulgar e reforçar os atributos de suas marcas. Por meio de campanhas milionárias, compram espaços na TV, patrocinam celebridades, investem na decoração das lojas e até mesmo atuam como grifes, lançando roupas e outras mercadorias com suas marcas. O objetivo é fincar raízes sólidas no imaginário dos consumidores e passar uma mensagem clara a respeito do que é aquela marca e para quem ela é feita. A mesma lógica pode ser aplicada a pequenas empresas que querem se firmar com o seu público.

Para Marcos Machado, professor de Branding da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), investir na identidade de um negócio é crucial tanto para grandes quanto para pequenas empresas, mas com uma diferença: “As empresas grandes têm capital para se dar ao luxo de cometer erros; as pequenas, não”.

Ele explica que criação de uma marca envolve a escolha e a afirmação de uma identidade, um conjunto de princípios e valores. Para isso, é importante considerar a que tipo de público se almeja falar e quais são os referenciais dele.

“Muitas vezes, alunos me perguntam se um nome ou um logotipo é bom ou ruim. Eu respondo: não sei, depende do seu público. Um nome inglês para classe mais baixa é um fator de afastamento, mas não existe um nome ruim em si.” Ele explica, no entanto, que há uma tendência no mercado para a valorização de nomes curtos e fáceis de dizer. “Como comprar em uma loja cujo nome você não consegue pronunciar?”, pergunta.

Simplicidade também é a tendência para logotipos. “Use símbolos fáceis, curtos e curvilíneos. Hoje os símbolos são suaves, com curvas que se associam à velocidade.”

Ele destaca, no entanto, que a formação de uma marca vai muito além do logotipo. “Trata-se da forma como a empresa se comunica, se seus funcionários têm uma fala complexa ou simples, se eles recepcionam de maneira formal ou informal, se usam uniformes ou se estão com roupas comuns, seu vocabulário etc.”

Machado lembra que é necessário se preocupar também com aspectos que transcendem o logotipo, mas também ajudam a formar a imagem de uma marca – com o mobiliário da loja. “Se o clima for descontraído, tudo bem comprar cadeiras amarelas, de plástico. Se for mais sofisticado, cadeiras de couro são uma melhor opção”, exemplifica.

Design ao alcance de todos
Pequenas empresas que querem investir em sua identidade visual têm novas possibilidades à sua disposição.

Um exemplo é o serviço prestado pela Logovia. Com sede em Fortaleza, o negócio trabalha com o conceito decrowd sourcing. Ele consiste basicamente num site para o qual empresas podem enviar suas demandas de design gráfico, especificando o que e como querem. Designers dentre os mais de 3 mi credenciados pela Logovia oferecem então ideias e esboços, que o empresário avalia e direciona. No final do processo, ganha o projeto que mais agradar ao cliente.

“Com o serviço, um empresário pequeno pode ter de 20 a 40 pessoas trabalhando na demanda dele”, explica Carmelo Queiroz, diretor de relacionamento e expansão da Logovia. Para ele, micro e pequenas empresas já se vêm hoje em condições de lidar com sua identidade gráfica de uma forma que era antes restrita às médias e grandes.

Queiroz diz que sua empresa oferece serviços, como o desenvolvimento de nomes, slogans e logotipos, a preços mais acessíveis do que a média do mercado. “Um logotipo custaria, no mercado, de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, mas cobramos apenas R$ 700″, declara.

Ele coloca ainda a possibilidade de interação entre os artistas como um diferencial. “Eu vim com minha arte azul, João, com a vermelha. Cada designer lança propostas e o cliente vai dando feedback e começa a direcionar o projeto. A vantagem é que os designers se inspiram na arte uns dos outros, com base no gosto do cliente”, diz.

Embora tenha aberto as portas em março de 2011, por trabalhar online já recebe clientes do País inteiro, chegando a atender também a empresas de países tão diversos como Inglaterra, Portugal, Canadá e Paraguai.

Cross Content
Especial para o Terra

Dona da Häagen-Dazs compra brasileira Yoki por R$ 1,75 bi mais dívida

DE SÃO PAULO
A empresa de produtos alimentícios dos Estados Unidos General Mills, dona da sorvetes Häagen-Dazs, anunciou nesta quinta-feira que acertou a compra da fabricante brasileira de alimentos Yoki por cerca de R$ 1,75 bilhão.
A General Mills informou que também assumirá uma dívida de R$ 200 milhões e que a adição da Yoki a seu portfólio vai mais que dobrar suas vendas anuais na América Latina, para quase US$ 1 bilhão.
A empresa espera que a transação seja concluída no primeiro semestre do ano fiscal de 2013, que começa em 28 de maio deste ano.
“A Yoki acrescenta recursos chaves e escala geográfica que irão acelerar o nosso crescimento no Brasil”, afirmou o vice-presidente executivo da General Mills, Chris O’Leary, em comunicado.
“Planejamos focar na construção de um forte portfólio de produtos Yoki e Kitano, expandir os negócios de Haagen-Daz e Nature Valley no Brasil, e introduzir novas marcas da General Mills nesse importante mercado.”
A empresa também espera que a adição da Yoki a seu portfólio vai mais que dobrar suas vendas anuais na América Latina, para quase US$ 1 bilhão.
GENERAL MILLS
Uma das maiores empresas de alimentos do mundo, a General Mills é dona, no Brasil, do sorvete Häagen-Dazs e das barras de granola Nature Valley. O sorvete também é vendido em países como Chile, Grécia, Indonésia, Marrocos e Rússia.
Nos EUA, se destaca pela marca de farinha Gold Medal, que hoje a primeira em vendas naquele país.
Outras marcas de destaque nos EUA são Pillsbury (massa refrigerada), Green Giant (legumes congelados), Cheerios (cereal matinal) e Betty Crocker (misturas para sobremesas).
Em países como Austrália, Alemanha e Japão a empresa possui a marca de comida mexicana Old El Paso.
No ano passado, a General Mills comprou 50% da fabricante de iogurtes Yoplait, por cerca de US$ 1,1 bilhão. A empresa francesa é a segunda do mundo em iogurtes, atrás da Danone. A aquisição foi feita junto ao fundo de investimentos PAI. Os 50% restantes são de propriedade da cooperativa francesa Sodiaal.
Outro foco de atuação do grupo é o fornecimento de misturas de bolos e farinhas para padarias e restaurantes; de cereais, iogurtes e snacks para escolas, restaurantes e hotéis; e produtos para lojas de conveniência e máquinas de venda automática.
A empresa afirma estar presente em mais de cem países e 35 mil funcionários. No ano fiscal de 2011, as vendas líquidas globais do grupo totalizaram US$14,9 bilhões –dos quais US$ 10,2 bilhões foram nos EUA. “Categorizamos as vendas em três segmentos de negócios: Varejo nos EUA, área Internacional e Padarias & Foodservice”, informou.
YOKI
A Yoki, um dos maiores grupos de alimentação do Brasil, vende aproximadamente 620 itens. Entre outros, a empresa tem pipocas, condimentos naturais e industrializados, snacks, produtos naturais, chás, misturas para bolo, sobremesas, confeitos, sopas, refrescos, cereais e farináceos de milho, mandioca e trigo e pet food.
Também fazem parte da Yoki as marcas Yoki, Kitano, Yokitos, Mais Vita, Lin Tea, Tori e Chef Line.
A empresa foi fundada em 1960 e emprega atualmente mais de 5 mil funcionários. A companhia encerrou 2011 com faturamento de R$ 1,1 bilhão.
A empresa, devido à pouca oferta de produtos de qualidade no mercado interno e dependente de importações, principalmente de milho pipoca, foi em busca de variedades mais produtivas e específicas para sua linha industrial.
A empresa passou a oferecer novos cultivares aos produtores e a produção nacional substitui as importações.
Um dos feitos mais recentes da Yoki foi a “nacionalização” da ervilha, produto originalmente importado do Canadá. Embora ainda esteja dependente de compras externas, a Yoki já conseguia cultivares adaptáveis a regiões do Rio Grande do Sul.
A empresa trabalhava para, em pouco tempo, deixar de importar esse produto.

Branding além da morte: qual o segredo das marcas que nunca morrem?

Fonte: Administradores.com.br
Por Redação
Publicado em 8 de maio de 2012

Reportagem da revista Administradores nº 14 apresenta e discute casos de marcas que, mesmo após as empresas fecharem as portas, continuam vivas na cabeça dos consumidores

Marcas como Banco Nacional, Kolynos e TV Manchete têm em comum o fato de representarem empresas ou produtos que deixaram de existir já há alguns anos. Mas, mais que isso, elas integram o seleto grupo das que têm conseguido sobreviver mesmo depois de decretada a morte dos negócios ao qual estavam vinculadas. Por que algumas marcas conseguem se manter vivas na memória do público mesmo após deixarem de existir oficialmente?

“Embora afetada pelo fim do negócio, a marca só deixará de existir, de fato, quando ninguém mais lembrar dela”, explica Flávio Ferrari, especialista em Inteligência Competitiva, Marketing e Comunicação.

Ferrari destaca que é importante separar organização e marca, algo que – enquanto ambas estão ativas – é praticamente impossível de se fazer. Com o fim de um negócio, entretanto, a separação se torna mais evidente e, na maioria dos casos, a morte deste não acarreta necessariamente a extinção da percepção de valores que o público tem sobre ele.

Tal separação é importante, inclusive, na hora de colocar uma marca à venda. Como explica o professor Marcelo Boschi, da ESPM/RJ, “existem muitos casos relatados na bibliografia sobre marcas de empresas em processo falimentar que, mesmo após o fechamento de suas atividades, conseguem negociar suas marcas”.

Imagem: divulgação

A cadeia de lojas de departamentos Mesbla é um exemplo disso. Mesmo em meio a várias dificuldades, sua reputação construída ao longo de 85 anos garantiu a venda de seu controle acionário por R$ 600 milhões.

“A questão central é tratar a marca como um ativo, ou seja, algo que tem valor e consequentemente é possível de ser comprada e vendida em qualquer fase de sua vida”, complementa Marcelo Boschi.

Ação do Facebook decepciona na estreia

Fonte: Estadão Economia&Negócios
Por Gustavo Chacra
Publicado em 19 de maio de 2012

NOVA YORK – O Facebook fechou praticamente estável na sua estreia na Nasdaq, a Bolsa de Valores Eletrônica de Nova York. A alta de apenas 0,6% foi descrita como um fiasco por muitos investidores e analistas, em um resultado inesperado tanto no Silicon Valley como em Wall Street.

O pregão também foi marcado por uma série de atrasos no início das negociações das ações da empresa. Investidores precisaram esperar horas até as suas ordens de compra e venda serem cumpridas, por causa de problemas técnicos causados pela enorme demanda e oferta de papéis da rede social.

No fim, mesmo com a queda, o Facebook bateu o recorde em volume negociado na Bolsa de Valores depois de um IPO (oferta inicial de ações), com 515 milhões de ações mudando de mãos ao longo do dia.

Pouco depois das 11 horas da manhã, bem depois de Mark Zuckerberg ter tocado o sino simbólico para marcar o início do pregão em cerimônia na sede do Facebook na Califórnia, a ação começou a ser negociada em US$ 43. Esse número estava dentro das previsões da maior parte dos analistas, que esperavam uma valorização entre 10% e 50%.

Minutos depois da abertura, porém, as ações começaram a voltar para o patamar do preço determinado pelo IPO, em US$ 38. Ao redor da hora do almoço, a empresa voltou a subir acima dos US$ 40, mas, no final do pregão, caiu novamente para o preço de abertura.

Bancos responsáveis pelo IPO, como o Morgan Stanley, segundo analistas, defenderam o preço de US$ 38 para que o Facebook não fechasse negativo logo em seu primeiro dia. No fim, a ação terminou o dia valendo US$ 38,23.

Performance

Comparada a outras empresas de tecnologia que realizaram IPOs recentes, o pregão inicial do Facebook foi o pior. O Linkedin mais do que dobrou o seu valor no primeiro dia, enquanto o Groupon subiu 31% e a Pandora, 11%.

Para completar o dia de decepção com as ações de tecnologia, a Zynga, que produz aplicativos e jogos para o Facebook, viu os negócios de suas ações serem interrompidos duas vezes porque a queda ultrapassava os 10%. A Nasdaq, onde são negociadas a maior parte das ações de tecnologia, fechou em queda de 1,24%. O índice Dow Jones, que mede a variação de algumas das principais ações da Bolsa de Valores de Nova York, caiu pelo quinto dia seguido.

O cenário macroeconômico, com a crise na Europa se acentuando, além de problemas no mercado financeiro americano envolvendo o JPMorgan, influenciaram o desempenho das ações do Facebook. Ainda assim, a sensação era de decepção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Na guerra das fraldas, marcas lutam – surpresa – pelo preço alto

Fonte: Exame.com
Por Marcela Ayres
Publicado em 15 de maio de 2012

Empresas como Procter & Gamble, Hypermarcas e Kimberly-Clark apostam em inovação e tecnologia para ganhar mercado

Bebê com fralda

Mercado brasileiro de fraldas movimentou 3,4 bilhões de reais em 2011

São Paulo – Enquanto esperam seus filhos frequentarem o banheiro por conta própria, os pais sentem no bolso o peso do aprendizado: estima-se que um bebê use em média 5.000 fraldas descartáveis até se familiarizar com a descarga. Há pouco mais de 20 anos, o luxo era reservado a pouquíssimas crianças no Brasil. Com um preço salgado, as fraldas de plástico eram adotadas em festas e viagens – e apenas pelos pais mais endinheirados. De lá para cá, o consumidor ficou mais rico e o mercado agigantou-se: em 2011, o mercado movimentou mais de 3,4 bilhões de reais.

“Não dá para pensar nessa mudança sem associá-la à ascensão das classes C e D”, afirma Renato Meirelles, sócio diretor do Data Popular. “Com mais dinheiro no bolso do consumidor e a ida da mulher para o mercado de trabalho, passou a sobrar menos tempo e disposição para lavar a fralda de pano.”

Houve, contudo, quem não acompanhasse o embalo. A Johnson & Johnson, que dominava o mercado com uma participação superior a 70% no começo dos anos 90, aposentou sua linha de produção no mês passado. As empresas que assumiram a dianteira no setor apostaram no alargamento da base compradora. O barateamento das fraldas ajudou. Mas não parece ser mais a estratégia das companhias para crescer.

“O grande desafio é mudar o hábito da maioria dos que ainda usam fraldas de baixo valor agregado e fazê-los migrar para as linhas que oferecem melhor custo-benefício”, afirma Thiago Icassati, diretor de marketing da Procter & Gamble no Brasil. Com a Pampers, a empresa abocanha uma fatia de 31,5% do segmento, apesar de ser 20% mais cara que a média do mercado.

O caminho até o topo do ranking foi tortuoso: apesar de ter sido introduzida no país em 90, a Pampers só caiu no gosto dos brasileiros treze anos depois. Foi quando a P&G lançou o modelo “Básico”, que prometia evitar vazamentos, mas por um preço ainda competitivo. Foi o suficiente para triplicar o negócio em menos de três meses.

Na China, onde chegou alguns anos depois, a empresa também teve que suar a camisa para ganhar em escala. Inicialmente, a ideia foi oferecer fraldas com qualidade inferior, assumindo que os consumidores seriam seduzidos pelo preço baixo. Não foi o que aconteceu. A virada só aconteceu depois da P&G investir em tecnologia para deixar o bebê seco por mais de 10 horas, dispensando, ao mesmo tempo, adicionais que encareceriam o produto, como creme anti-assadura.

Joesley, o aprendiz de empreiteiro

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Tatiana BAUTZER, Ralphe MANZONI Jr. e Denise BACOCCINA
Publicado em 11 de maio de 2012

Por que a J&F, controladora do JBS e comandada pelo empresário Joesley Batista, entra na área de infraestrutura com a compra da polêmica construtora Delta, envolvida no escândalo Cachoeira.

A sede da Delta Construções, sexta maior construtora do País e acusada de envolvimento nos escândalos de corrupção que tem como pivô o bicheiro Carlinhos Cachoeira, será invadida nesta semana. Não por policiais em busca de provas contra a empresa, seguidos por um batalhão de câmeras de tevê e empurra-empurra de jornalistas. Na verdade, o escritório central, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, será tomado por dezenas de homens engravatados da holding J&F, controladora do JBS, maior fornecedora de proteína animal do mundo. Advogados, contadores e auditores, responsáveis por iniciar o processo de averiguação das contas da construtora, cuja gestão será assumida pelo grupo comandado pelo empresário goiano Joesley Batista, começam a trabalhar na segunda-feira 14.

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Joesley Batista CEO da J&F, controladora do JBS: “Nosso objetivo é honrar
os contratos e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta”
Pelos termos do negócio, anunciado na quarta-feira 9, a J&F não utilizará um centavo de seus cofres para ficar com a Delta. Só depois de uma rigorosa diligência, que será realizada pela consultoria KPMG, a holding decidirá se comprará a construtora do empresário pernambucano Fernando Cavendish, usando os recursos da distribuição de dividendos futuros da própria Delta para pagar os antigos controladores. “Nosso objetivo é honrar os contratos e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta”, disse Batista, em comunicado sobre a transação. Por que a J&F, um colosso cujo faturamento deve atingir R$ 70 bilhões em 2012 e é um dos três maiores grupos brasileiros, atrás apenas da Petrobras e da Vale, resolveu assumir a gestão e a possível compra de uma empresa problemática como a Delta, envolvida até a última saca de cimento num dos maiores escândalos da República das últimas décadas?
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Henrique Meirelles, presidente do conselho consultivo da J&F: “A Delta, na situação em que está,
é uma oportunidade para o grupo entrar em infraestrutura”.
A resposta veio do presidente do conselho consultivo da holding e ex-presidente do Banco Central no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Henrique Meirelles. “A Delta, na situação em que está, é uma grande oportunidade para o grupo entrar em infraestrutura, um desejo que já existia antes”, afirmou Meirelles com exclusividade à DINHEIRO. Em outras palavras, foi a oportunidade de comprar na bacia das almas uma construtora de grande porte, com uma carteira de R$ 4,7 bilhões em contratos, receita de R$ 3 bilhões e um corpo técnico experimentado, estreando em um setor que deve receber estonteantes R$ 380 bilhões em investimentos, entre 2011 e 2014, segundo previsão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por esse motivo, Batista tinha pressa de fechar o negócio.

O primeiro encontro teria acontecido em um almoço oferecido pelo CEO da J&F para Cavendish em sua casa, em São Paulo, no fim de abril. Em apenas dez dias, eles acertaram os termos da venda, que foi assinada na segunda-feira 7, na sede da J&F, na Marginal Pinheiros. Se for adiante e comprar a Delta depois da auditoria, Batista entrará, graças a um negócio de oportunidade, para o seleto clube dos grandes empreiteiros nacionais. Trata-se de um grupo reduzido, que conta com sobrenomes como Odebrecht, Camargo, Andrade, Gutierrez e Queiroz Galvão. Ao contrário dessas famílias, donas de grandes conglomerados formados inicialmente na área de construção e que depois diversificaram suas operações, os Batistas iniciaram a vida com um negócio modesto, que nada tinha a ver com o setor: um pequeno açougue em Anápolis, no interior de Goiás, aberto em 1953 por José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro.
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Nas cinco décadas seguintes, com a ajuda de seus três filhos, Júnior, Joesley e Wesley, o patriarca deu origem ao JBS, cuja receita líquida chegou a R$ 61,7 bilhões em 2011, e se transformou em um império com atividades nos setores de celulose, produtos de higiene e limpeza, laticínios e financeiro (confira quadro “Mãos à obra”). No plano estratégico da J&F, a entrada em infraestrutura ocupava uma posição prioritária, justamente por conta dos bilionários investimentos em curso no País. O modelo perseguido pelos Batistas, que hoje controlam 50 marcas e 140 mil funcionários em todo o mundo, é o de um conglomerado global diversificado, que atua em setores que vão de bens de consumo à indústria de base, semelhante aos maiores grupos asiáticos, como os coreanos Samsung e Hyundai.
O grupo avaliou criar um negócio do zero, mas via grandes barreiras de entrada. “Poderíamos começar devagar, mas seria difícil competir com as gigantes da área”, diz um executivo da J&F. “Se abstrairmos as acusações e as questões envolvendo seus dirigentes, a Delta é uma companhia que entrou para o bloco das grandes, tem um importante número de obras no Brasil inteiro e é uma empresa de custo de produção baixo.” Com as mazelas políticas e as supostas ligações com o esquema do bicheiro Cachoeira, a Delta, no entanto, estava à beira da insolvência. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em 19 de abril, Cavendish, seu controlador, admitiu que temia quebrar. “Agora virei leproso, né? Só tenho defeitos e sou bandido”, afirmou o empresário. “Não tenho caixa. Se não receber antes de acabar meu dinheiro, quebrei.”
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Mudanças à vista: Humberto Junqueira de Farias, ex-CEO da produtora de etanol Renuka,
foi anunciado como presidente da Delta.
Por esse motivo, antes do acerto com a J&F, ele procurou compradores para evitar a falência. Executivos de duas grandes construtoras brasileiras disseram à DINHEIRO que não tinham nenhum interesse em assumir a Delta, porque não consideravam o portfólio de contratos interessante. “São obras commodity, como estradas, que têm margem de lucro muito baixa”, disse um deles, referindo-se aos maiores contratos da construtora sob o guarda-chuva do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). As empreiteiras líderes estão focadas em obras mais complexas e caras, como usinas hidrelétricas ou refinarias de petróleo, que exigem qualificação e têm margens de lucro maiores. “O que mais falta no Brasil é engenheiro e eu não vou colocar os meus para fazer pavimentação de estrada”, disse o outro executivo.
Segundo fontes próximas a Cavendish, algumas construtoras de médio porte chegaram a se interessar por lotes de contratos, mas não pela empresa inteira. O primeiro passo da J&F na Delta será enfrentar o imbróglio jurídico e político para tentar preservar o máximo possível de sua carteira de obras públicas, que representam 99% de sua receita, segundo o anuário da revista O Empreiteiro, com números de 2010. A construtora é a empresa que mais recebeu recursos do orçamento da União nos últimos três anos. No ano passado, foram R$ 830,6 milhões. Neste ano, R$ 197,6 milhões, até 9 de maio. Embora interlocutores da presidenta Dilma Rousseff afirmem que ela desaprova a operação e que o governo não foi consultado sobre a venda, há fortes indícios de que houve articulação política antes de fechar o negócio.
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O empresário José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que o grupo goiano recebeu o sinal verde do governo. Júnior definiu como “conversa de bêbado, de louco” dizer o contrário. “Imagina que o doutor Henrique Meirelles vai fazer um negócio que o governo não quer!”, disse. Oficialmente, a J&F, que desautorizou publicamente a entrevista de Júnior, garante que não procurou o governo. “Suas declarações refletem única e exclusivamente uma opinião pessoal, que está em completo desacordo com os fatos ocorridos”, diz a nota divulgada. No entanto, as estreitas relações do grupo com o governo federal são amplamente conhecidas. O BNDES detém uma participação de 31,4% na JBS e está financiando mais da metade do investimento de R$ 5,1 bilhões para a construção da fábrica de celulose da Eldorado, em Mato Grosso do Sul, que será a maior do mundo, de acordo com a família Batista.
Na Eldorado, que foi colocada sob o comando do executivo José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem, do grupo Odebrecht, os fundos de pensão da Petrobras e da Caixa Econômica Federal serão acionistas. O problema principal da Delta daqui para a frente será a eventual declaração de inidoneidade da empresa pela Controladoria-Geral da União (CGU), num processo iniciado em 24 de abril, a pedido do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O Palácio do Planalto dá como certo esse fato. Na interpretação de um graduado assessor da presidenta Dilma Rousseff, essa declaração não apenas impediria a Delta de assinar novos contratos com os governos federal, estaduais e municipais, como cancelaria automaticamente todas as obras em andamento, que seriam então concedidas às companhias que ficaram em segundo lugar nas licitações.
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No limite: Cavendish, controlador da Delta, procurou compradores para a construtora
que corria o risco de quebrar.
Se houver alguma dificuldade na transferência dos contratos, os trabalhos seriam assumidos pelo Batalhão de Engenharia do Exército, que já executa dezenas de obras em todo o País com problemas na licitação ou abandonadas pelas construtoras. “Eles estão comprando com uma premissa que não é a verdadeira”, diz esse assessor, referindo-se ao portfólio de obras públicas da Delta. Mas há ampla margem para interpretações jurídicas diferentes. A própria CGU não deixa claro se a transferência de controle interfere no processo que está em curso, avaliando se a companhia é inidônea. “Há que se aguardar a forma da anunciada transação para uma avaliação mais completa de suas conse­quências jurídicas”, disse a controladoria, em comunicado. Se for declarada inidônia, a Delta ficará impedida de participar de novas licitações.
Mas há dúvidas sobre as obras em andamento. O advogado Carlos Sundfeld, professor da Fundação Getulio Vargas, de São Paulo, e especialista em licitações, acredita ser muito difícil que a empresa seja declarada inidônea e que perca os contratos que já estão em andamento. “A meu ver os contratos se mantêm, a não ser que cada um deles tenha irregularidades”, afirma Sundfeld. Os novos gestores da Delta apostam nessa alternativa. Eles argumentam que os problemas da construtora estão concentrados nas ações de seu controlador, Fernando Cavendish, e da atual diretoria, e não na execução dos contratos. “É diferente de uma empresa que não entrega as obras”, argumenta um executivo da J&F. “Mudando o controlador, o motivo do processo de inidoneidade se extingue.”
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Tanto que uma das primeiras medidas da J&F foi afastar o presidente-tampão, Carlos Alberto Verdini. Na sexta-feira 11, a J&F anunciou a contratação de Humberto Junqueira de Farias, CEO da Renuka, uma das dez maiores produtoras de etanol do País, que pertence à indiana Shree Renuka Sugars, para presidir a Delta. Formado em engenharia pelo Mackenzie e com pós-graduação no IMD, na Suíça, Junqueira de Farias, 43 anos, foi CEO da Camargo Corrêa Cimentos de 2008 a 2010. “Será mudado quem for necessário por razão técnica ou jurídica”, diz esse executivo da holding, indicando que a contratação de Junqueira de Farias é apenas uma das etapas das mudanças que ocorrerão.
O grupo goiano alega também que outra grande construtora brasileira foi considerada inidônea por dez anos e conseguiu manter-se atuando em obras públicas por meio de liminares. Além disso, a concessão de obras para um segundo colocado que queira cobrar mais do que o preço da Delta, que ganhou a licitação, poderia dar margem a contestação em outros órgãos públicos, como o Tribunal de Contas da União (TCU). O executivo da J&F, no entanto, admite que há riscos em assumir a Delta, mas lembra o modelo de contrato assinado pela holding. “Vamos supor que tudo dê errado. Nesse caso, devolve-se a empresa aos seus antigos controladores”, diz essa fonte. “Não há risco financeiro assumido pela J&F nesse negócio.”
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O contraventor: o bicheiro Carlos Cachoeira é acusado de ser sócio oculto da construtora Delta
cuja gestão será assumida pela J&F.
Só depois de arrumar a casa, nos primeiros dois anos, a J&F terá condições de implantar sua estratégia de investimento em infraestrutura por meio da Delta. A intenção é usar a experiência nas obras públicas para disputar concessões. Antes disso, a holding terá o desafio de recuperar a credibilidade da construtora. Não se trata de uma missão impossível. Há vários exemplos de empresas que assumiram companhias com problemas e que conseguiram reverter o quadro. O caso mais recente envolve a compra do PanAmericano, do empresário e apresentador de tevê Silvio Santos, pelo BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. Envolvido em uma fraude contábil que superou os R$ 10 bilhões em 2011, o banco esteve perto de quebrar.
Nas mãos de um novo dono, que o comprou pela pechincha de R$ 450 milhões, não só sobreviveu como conseguiu virar o jogo. No fim do ano passado, o PanAmericano comprou a Brazilian Finance and Real Estate (BFRE), maior financiadora independente de imóveis do Brasil, por R$ 1,2 bilhão. Uma prova de que os problemas de credibilidade dependem muito mais dos homens que dirigem um negócio do que o negócio em si, que o BTG Pactual chegou a contemplar a troca de nome do banco. Após pesquisas com clientes, os novos controladores concluíram que, apesar do escândalo, a marca PanAmericano ainda era muito forte. Por esse motivo desistiram da mudança. É certamente de olho na reprodução desse modelo que Joesley Batista sustenta sua decisão de se transformar num aprendiz de empreiteiro.
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Colaboraram: Guilherme Queiroz, Guilherme Barros e Marcelo Cabral

As preces de Abilio

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Marcio ORSOLINI
Publicado em 11 de maio de 2012

Enquanto espera o desfecho da disputa com o grupo Casino, o dono do Pão de Açúcar prega lições de gestão e recebe tratamento de popstar.

A um mês de transferir o controle do Grupo Pão de Açúcar ao seu sócio francês Casino, o empresário Abilio Diniz continua com sua agenda de palestras e cursos para mostrar a eficácia de sua gestão, sob a qual o grupo se tornou líder do varejo brasileiro. Só na semana passada foram dois eventos em São Paulo: um no centro educacional Casa do Saber, frequentado por ricos e famosos paulistanos, também conhecido como Daslusp, e outro na 28ª edição do Congresso e Feira de Negócios em Supermercados, realizado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas). A movimentação não vai parar por aí e deve continuar mundo afora. No fim do mês, Diniz desembarca na Universidade de Bentley, em Washington, e em junho chega a Istambul, na Turquia, para o Fórum Mundial de Bens de Consumo.

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Diniz, na Apas: “Todo mundo tem seu substituto, mas nem todos gostam
de pensar nessa ideia”
Na Casa do Saber, em que sua primogênita, Ana Maria, integra o conselho diretor, Diniz inaugurou o ciclo de encontros Grandes Empresários: Estilos de Gestão. Foi uma das poucas vezes em que o empresário, que preside o conselho de administração do grupo desde 2003, manifestou-se em público sobre os desentendimentos com o francês Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, que se iniciaram há dez meses. Diniz, que tem o costume de rezar todas as noites, afirmou que tudo anda bem em sua vida e que, se tivesse um pedido que suas orações pudessem resolver, faria o seguinte: “Me ajuda a resolver o problema com o francês…” E a ajuda tem de vir rápido: segundo o acordo de acionistas firmado em 2005, no dia 22 de junho Naouri assumirá o controle do Pão de Açúcar.
Perguntas que pediam mais detalhes sobre a tentativa frustrada de Diniz de fusão com a subsidiária brasileira do Carrefour, sem a notificação ao sócio, não foram respondidas. Já no encontro com profissionais do setor de supermercados na feira realizada pela Apas, Abilio subiu ao palco sob aplausos copiosos, como se fosse um popstar. Todos os convidados que tiveram a chance de fazer perguntas ao empresário diziam inicialmente: “Te admiro muito.” Na palestra de pouco mais de uma hora, Diniz baseou sua fala em supostos diferenciais abstratos do Pão de Açúcar, como coração e alma. A conversa, no entanto, evoluiu para assuntos mais concretos, como a gestão de uma grande rede e a necessidade de gerar valor aos acionistas.
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De sócio a dono: Jean-Charles Naouri, do Casino, assumirá o controle
do Pão de Açúcar em junho.
O empresário também criticou seus concorrentes. “Os grandes competidores mundiais estão com dificuldades para reinventar sua identidade”, afirmou. “Este é o momento de os brasileiros ensinarem como se faz.” Para exemplificar, ele disse que modelos de megaloja, como as do Carrefour, não funcionam mais. Mesmo com toda a paixão pelo setor – que fez questão de frisar – Diniz falou das dificuldades do dia a dia. “Tenho grande orgulho de estar neste setor, mas em outra vida quero voltar numa área diferente”, disse. “É muito gratificante trabalhar com supermercados, mas já me meti em cada enrascada que só com fé em Deus para sair delas.” A lembrança da disputa com Naouri foi o único momento que o fez ficar mais sério. Novamente evitou responder perguntas sobre o assunto. “Isso foi no ano passado”, disse. “Sempre que comento alguma coisa vira uma confusão.”
A diferença dessa apresentação para àquela da Casa do Saber foi exatamente o tom. Mais otimista, exibindo autoconfiança, nem parecia que Diniz está prestes a deixar o controle do grupo fundado por seu pai, Valentim, em 1948. Os novos capítulos dessa disputa começaram na semana passada, quando foi instalada uma arbitragem em São Paulo, a pedido do Casino, para avaliar supostas violações cometidas por Diniz, ao negociar com o arquirrival Carrefour uma fusão à revelia do sócio francês. Paralelamente às discussões na comissão de arbitragem, Diniz terá de mergulhar de cabeça na busca de uma saída para o conflito aberto no ano passado com o Casino. Entre as muitas alternativas apresentadas, duas têm mais chances de emplacar: a compra de sua participação pelos franceses ou a saída do grupo, com determinados ativos, como a Viavarejo.
Tampouco está descartada, embora seja pouquíssimo provável, sua permanência pura e simples, nos moldes estabelecidos no acordo de acionistas, em 2005. Qualquer que seja a decisão, não será fácil de ser adotada por Diniz, um homem acostumado a dar a última palavra em todos os assuntos relevantes de um gigante que faturou R$ 52,6 bilhões em 2011 e que emprega 149 mil funcionários. Pelo acordo, Diniz seguiria como presidente do conselho de administração, podendo escolher o presidente com base numa lista tríplice enviada pelo Casino. Sua luta para manter o poder de decisão e continuar dando as cartas foi sintetizada na frase com que encerrou sua apresentação aos varejistas: “Todo mundo tem seu substituto, mas nem todos gostam disso.”
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