A reconstrução da Dell

Fonte: ISTOÉ Dinheiro
Por Bruno GALO, enviado especial a Austin, no Texas
Publicado em 21 de outubro de 2011

O bilionário americano Michael Dell, que revolucionou o setor de computadores entre as décadas de 1980 e 2000, conta à DINHEIRO como é a estratégia para recolocar sua companhia no centro do mercado mundial de tecnologia.

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Confira a entrevista com o repórter de tecnologia da Dinheiro, Bruno Galo

Na área de desembarque do aeroporto de Austin, capital do Estado americano do Texas, logo avisto uma placa grafada com o meu sobrenome. Pego a mala na esteira de bagagem e me apresento ao homem que me levará ao hotel onde ficarei por alguns dias. O motorista logo faz a pergunta de praxe: “O que o traz a Austin?” Digo que vim participar de um evento da Dell, empresa fundada por Michael Dell, em 1984. O sujeito se anima. “Você sabia que a Dell nasceu nos dormitórios da Universidade do Texas, a alguns quilômetros daqui?”, pergunta, entusiasmado. “Sim, já li a respeito”, respondo. Ele continua: “Dell é um cara bastante popular por aqui.” Alguns minutos de bate-papo depois, chego ao hotel já sabendo de algumas obras de caridade financiadas pelo empresário, como um hospital para crianças, que a fundação criada por ele e sua esposa, Susan, mantêm na região.

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A conversa com o taxista foi apenas um exemplo da popularidade de Dell, que largou a faculdade de medicina para tocar o negócio próprio – até então uma pequena empresa de computadores, aos 19 anos – na cidade. No plano da tecnologia mundial, seu nome também ressoa. Ícone empresarial nos anos 1990, Dell ganhou fama ao revolucionar o mercado de computadores com seu modelo de venda direta e fabricação sob encomenda. Foi em grande medida por causa dele que o PC se tornou um produto acessível a uma imensa gama de pessoas. Seu maior legado foi ter sido um dos maiores responsáveis por colocar o poder dos computadores ao alcance de milhões de consumidores. Nas primeiras duas décadas que se seguiram à fundação da empresa, não houve rival capaz de fazer frente a Dell.
O reinado começou a ruir por volta de 2006, quando o modelo consagrado pela Dell deu sinais de desgaste. No início daquele ano, pela primeira vez em 22 anos, a companhia anunciou resultados abaixo do esperado pelos investidores e suas ações despencaram. A situação se agravou com a perda da liderança no mercado de PCs para a HP e uma investigação da SEC, a CVM americana, sobre práticas contábeis da Dell. Hoje, os holofotes da mídia mundial e dos investidores estão voltados para empresas como Apple, Google, IBM, Amazon e Facebook. Mas é melhor não considerar Michael Dell carta fora do baralho da indústria tecnológica, um setor caracterizado – mais do que qualquer outro – por mudanças constantes.
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Michael Dell: “A necessidade de nossos clientes mudou e nós evoluímos com eles”
Para recuperar o sucesso dos velhos tempos, o empresário americano está promovendo uma profunda reestruturação na empresa que fundou há 27 anos. O primeiro passo para isso foi entender as necessidades e os principais desafios dos seus clientes. Entre 2008 e 2009, ele conduziu uma imensa pesquisa com mais de nove mil clientes de todos os seus segmentos de atuação nos principais mercados no mundo. Com as respostas em mãos, seus executivos começaram a preparar uma grande transformação – ainda em curso –, algo como nunca fora feito em sua história. “Construímos a Dell ouvindo os nossos consumidores”, disse Dell à DINHEIRO, durante o primeiro Dell World. “Essa é a nossa raiz.” O encontro aconteceu em Austin, cidade vizinha a Round Rock, onde fica o QG mundial da empresa, entre os dias 12 e 14 de outubro.
Participaram mais de três mil pessoas, entre representantes da imprensa mundial, clientes e parceiros poderosos, como Steve Ballmer, CEO da Microsoft, e Paul Otellini, CEO da Intel, além de analistas de mercado e funcionários. Apesar de bastante assediado, como se fosse um autêntico popstar, Michael Dell não exibia sinais de cansaço ou desconforto. Sempre solícito, tirou fotos e conversou animadamente com boa parte daqueles que o abordaram. Postura, aliás, semelhante à adotada pela empresa nas redes sociais, área em que é frequentemente citada como referência de boas práticas. “A necessidade de nossos clientes mudou e nós evoluímos com eles”, diz Dell. E que mudanças estão acontecendo? Ele responde: “Nosso foco não está mais no aparelho, mas na solução, na gestão do mundo digital.” Para ele, em cinco anos a Dell já será reconhecida pelo público como “uma provedora de soluções e serviços, e não mais apenas uma vendedora de computadores”.
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Quartel-general digital: referência no bom uso das redes sociais nos negócios, a Dell está presente em todos os principais sites
do gênero, como Twitter, Facebook e LinkedIn. A equipe da empresa (na foto, o centro de controle de mídias sociais
da Dell, no Texas) interage e resolve problemas dos clientes, divulga novos produtos e até fecha vendas
Tradicionalmente avessa a aquisições, a Dell comprou dez empresas nos últimos dois anos e assim espalhou seus tentáculos por áreas como software, segurança, virtualização, armazenamento de dados, consultoria, centro de dados e computação em nuvem. Forrada de dinheiro, com nada menos que US$ 16 bilhões em caixa, o plano da da companhia é continuar indo às compras. Não pense, no entanto, que esse bilionário, listado no ranking da revista Forbes como o 44º homem mais rico do mundo e dono de uma fortuna pessoal de US$ 15 bilhões, vá sair por aí torrando uma dinheirama em transações barulhentas e controversas. O zelo nesse tipo de assunto ficou claro no ano passado, durante uma dura disputa com a HP pelo controle da empresa de armazenamento de dados 3Par. A concorrente acabou desembolsando US$ 2,4 bilhões e levou o negócio, apontado por muitos analistas como supervalorizado. “Eu gasto o dinheiro dos meus acionistas como se fosse meu, como se fosse dinheiro de verdade.
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E você sabe por quê? Porque ele é de verdade”, declarou Dell na ocasião. Em todo caso, Dell já abriu o cofre certa vez para um negócio de vulto. O grande exemplo, nesse departamento, foi  sua maior aquisição até hoje, a compra por US$ 3,9 bilhões da Perot Systems, do ex-candidato a presidente dos Estados Unidos Ross Perot,  fornecedora de serviços de TI no setor de saúde e agências do governo americano, em setembro de 2009. Foi a partir dessa aquisição que a Dell montou uma unidade de negócio chamada Dell Services, com objetivo de oferecer soluções completas aos seus clientes que desejam reduzir os gastos com tecnologia. Embora modestos, os resultados começam a aparecer. No balanço do segundo trimestre fiscal de 2011, divulgado em 16 de agosto, a empresa reportou um crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano passado. Só a área de serviços teve alta de 6%. Já o lucro cresceu 63% no período, chegando a US$ 890 milhões.
“Estamos substituindo as áreas de negócio responsáveis por margens pequenas por outras de melhor retorno”, disse à DINHEIRO Steve Schuckenbrock, presidente de serviços da Dell. “O forte crescimento do nosso lucro nos últimos trimestres comprova o acerto de nossa estratégia de longo prazo.” Basicamente, a Dell segue, com uma diferença de mais de 15 anos, o mesmo caminho percorrido pela IBM, que optou pela concentração e fortalecimento dos serviços, com menor ênfase na área de hardware. Para não bater de frente com a gigante centenária, Michael Dell tem apostado principalmente na comercialização de serviços e soluções para a sua base de clientes corporativos, bem como para pequenas e médias empresas nos EUA e companhias em expansão nos mercados emergentes. “A IBM é – e provavelmente sempre será – o melhor jogador no mercado de grandes empresas”, diz o analista Rob Enderle, da consultoria Enderle Group.
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Velhos amigos: a parceria entre a Microsoft, de Bill Gates, e a companhia de Michael Dell, que já rendeu lançamentos de produtos
ao lado de astros como o cantor Bono Vox, do U2, vem de longa data. E, para fazer frente ao iPad, Dell aposta nos avanços do Windows 8
A Big Blue, no entanto, sempre teve problemas para crescer no setor de médio porte. “A Dell, por sua vez, está mais bem estruturada para lidar com empresas menores e governos de forma mais lucrativa”, diz Enderle. De um jeito ou de outro, o exemplo da IBM ilustra bem o tamanho do desafio que a Dell ainda tem pela frente. Foi apenas em 2005, após a venda da sua divisão de computadores para a chinesa Lenovo que a área de serviços superou a de hardware na receitas da IBM. Diferentemente da rival,  Dell garante não ter planos de abrir mão da sua divisão de PCs. Para Luciano Crippa, analista da consultoria IDC, especializada em tecnologia, isso realmente não deve acontecer. “As vendas de computadores ainda são um negócio lucrativo para a Dell”, afirma Crippa. Para ele, o que muda, na verdade, é o foco da companhia. “O setor de hardware vai se transformar em um canal para a comercialização de serviços”, diz Crippa. “Nesse sentido, a experiência da Dell com as vendas diretas conta a favor da estratégia.”
A ironia com que  Dell tratou a notícia de que a HP estudava abandonar o mercado de PCs é um sinal de que ele não deve mesmo sair desse setor. “Adeus HP”, foi a mensagem publicada por ele no Twitter em agosto. “Lamento que vocês não queiram mais atuar no setor de PCs”, escreveu. Aparentemente a HP deixou de lado esse projeto. Mas, caso fosse levada adiante, seria a medida mais ousada da HP desde que começou a se reposicionar no mercado de TI, em 2006.  De lá pra cá, a HP tem apostado alto – e pago caro, na opinião de muitos analistas – em mais de 100 aquisições para crescer na área de software e serviços. Seria então essa a hora para a Dell centrar forças para reassumir a liderança no mercado mundial de PCs? “Ser ou não a maior fabricante de computadores do mundo é irrelevante para nós hoje”, disse à DINHEIRO Steve Felice, presidente de consumo, pequenas e médias empresas da Dell. A explicação para esse movimento é simples.
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A Dell, assim como a HP, quer fugir da guerra global de preços no mercado de hardware, que, com a chegada das fabricantes asiáticas, se tornou ainda mais competitivo e com margens cada vez mais magras. “Exceção feita à Apple, está cada vez mais difícil manter boas margens com a venda pura e simples de equipamentos”, diz Ivair Rodrigues, analista da consultoria paulistana IT Data. Embora esteja reforçando a atuação na área de serviços e soluções, Dell considera um absurdo a ideia de que os PCs estão com os dias contados. Para ele, todas as novas maquininhas portáteis, como smartphones e tablets, são complementares ao bom e velho computador pessoal.  O que é algo muito bom, segundo ele, pois significa o crescimento da indústria de TI global, que, pelas suas contas, já é hoje um negócio de mais de US$ 3 trilhões. “Somos uma empresa de US$ 61,5 bilhões de faturamento”, diz Dell. “Essa é, portanto, uma imensa oportunidade para nós.”
Em meio ao redesenho da operação, os mercados emergentes despontam como prioridade nos planos da Dell, com China e Brasil à frente do pelotão. Sua receita no País já se aproxima dos US$ 2 bilhões. “O Brasil está no mapa para futuras aquisições”, afirmou Dell. “Não pautamos necessariamente nossas compras por países ou regiões. Nosso foco está na tecnologia desenvolvida e no modo como ela se encaixa em nossa proposta.” Ao analisar o histórico recente de aquisições da empresa – todas na área de software e serviços –, é possível deduzir que os alvos no Brasil também sejam companhias dessas duas áreas, e não fabricantes de hardware. Aqui, algumas das principais empresas dos segmentos que interessam a Dell são a Totvs, a Tivit, a Bematech e a Stefanini, entre outras.
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Essas companhias, no entanto, parecem ser apostas muito grandes e dispendiosas para o perfil de aquisições da Dell. O foco mais provável são companhias relativamente pequenas e jovens que detêm tecnologias inovadoras em suas respectivas áreas e poderiam ser replicadas em escala mundial. O fato é que, com ou sem aquisições, a Dell tem investido de forma sistemática na operação brasileira – e assim deve continuar. Sem abrir os números envolvidos, Raymundo Peixoto, diretor-geral da Dell no Brasil, afirma que metade das contratações feitas em toda a América Latina no último ano foi direcionada ao País. Com sede em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, a subsidiária nacional já tem mais de quatro mil funcionários.
Há também um núcleo de desenvolvimento de software na capital gaúcha e uma unidade fabril em Hortolândia, em São Paulo. A operação vai ficar maior a partir do ano que vem. Deve ser inaugurado no primeiro trimestre um centro de soluções tecnológicas voltado para setores como varejo, bancos, saúde e educação, entre outros, no Brasil. A empresa também deve instalar um data center no País. Será o primeiro investimento deste tipo na América Latina. “O potencial de crescimento da nossa operação no Brasil é enorme”, afirma Peixoto.

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Colaborou Rodrigo Caetano
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Entrevista:

“O Brasil está no nosso mapa para aquisições”
Entre clientes, parceiros e funcionários do mundo inteiro que estiveram presentes no Dell World, evento internacional da companhia realizado no Texas, nos EUA, o empresário Michael Dell conversou com a DINHEIRO. Nesta entrevista, ele detalha a estratégia para fazer a sua companhia brilhar novamente no mercado mundial de tecnologia.
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Como será a Dell daqui a cinco anos?
Uma provedora de soluções e serviços, e não apenas uma vendedora de computadores. Será uma nova Dell. A necessidade de nossos clientes mudou e evoluímos com eles. Nosso foco não é mais no aparelho, mas na gestão do mundo digital.
Vivemos hoje uma era pós-PC?
O mercado de PCs está mudando, mas segue em expansão. Falar em era pós-PC é loucura. O mercado de tablets hoje é basicamente de iPads. Smartphones, tablets e computadores são complementares. E nós estaremos presentes em todos esses mercados.
Não há smartphones nem tablets da Dell no Brasil…
Adoraria poder lhe dar as datas de lançamento, mas não as tenho. Estamos bem entusiasmados com os avanços da Microsoft, com o sistema operacional Windows 8, para tablets, e o Windows Phone, para smartphones. E o Android, do Google, é outra oportunidade. Certamente teremos novidades no próximo ano.
Qual a importância do mercado brasileiro na estratégia da Dell?
Estamos muito animados com o Brasil, que é hoje um dos nossos dez principais mercados, o segundo entre os países emergentes. Perde apenas para a China. Temos uma operação integrada com fábrica e centro de soluções. Grande parte do nosso crescimento nos próximos anos virá dos mercados emergentes.
Com US$ 16 bilhões em caixa e a intenção de prosseguir com compra de empresas, haverá aquisições no Brasil?
Sim, o Brasil está no nosso mapa para aquisições futuras. Não pautamos necessariamente nossas aquisições por países ou regiões. Nosso foco está na tecnologia desenvolvida e no modo como ela se encaixa em nossa proposta.
A Dell é hoje referência entre as empresas no uso das redes sociais. Qual a grande contribuição dessa ferramenta para os negócios?
Construímos a Dell ouvindo os nossos clientes. Essa é a nossa raiz. Com as redes sociais ganhamos a oportunidade de ouvir a voz de nossos consumidores ao redor do mundo. Estamos aprendendo todos os dias com eles. E isso já é algo realmente muito poderoso hoje. Imagine como será daqui a cinco, dez anos.
As ações da Dell estão subindo neste ano, com uma alta acumulada de aproximadamente 20%. Ainda assim, trata-se de um nível distante daquele que foi alcançado entre 2000 e 2005, por exemplo. Qual a explicação?
Desde o IPO, em 1988, até hoje, nossas ações subiram mais de 15.000%. Você conhece alguma empresa cuja ação tenha tido uma alta maior que a da Dell desde o seu IPO? (*)
Não sei, talvez a Apple?
Não. Obrigado. Tchau.
(*) Desde a abertura de capital, as  ações da Dell tiveram uma alta de mais de 16.000% até a terça-feira, 18. Em meados de 2000, no entanto, a valorização da companhia chegou a superar a incrível marca de 58.000%. Já a ação da Apple apresenta uma valorização de mais de 13.000% desde o seu IPO, em 1988. Mas, diferentemente da Dell,  seu pico histórico foi registrado em 2011. Mas há, sim, empresas que obtiveram uma alta superior a 15.000% desde o IPO, além da Dell. A Microsoft registra uma alta de cerca de 34.000%, por exemplo, desde 1984. O melhor momento dos papéis da empresa de Bill Gates foi em 1999.
por Bruno Galo

Laboratório só para mulheres cresce atento aos detalhes

Fonte: Estadão PME
Por Carolina Dall’Olio
Publicado em 10 de outubro de 2011

Laboratório só para mulheres cresce atento aos detalhes Femme faturou mais de R$ 13 milhões em 2010 e agora planeja a abertura de novas unidades

Femme

Ao decidir atender apenas mulheres e eleger a qualidade do atendimento como principal diferencial competitivo, os sócios do laboratório Femme tiveram de aprender a prestar atenção aos detalhes. E, graças a esse olhar minucioso, eles conseguiram criar um ambiente que não lembra em nada as salas frias da concorrência.

Mas, depois de crescer mais de 50% ao ano e faturar R$ 13 milhões em 2010, os empresários agora se veem forçados a pensar grande. “Para dar continuidade à expansão, não tem jeito: precisamos abrir outras unidades”, reconhece o radiologista Décio Roveda Junior, sócio do laboratório. O desafio será manter nos outros endereços o mesmo clima intimista da matriz.

Na única unidade do Femme, inaugurada em 2000 no bairro paulistano do Paraíso, há quadros de artistas plásticas renomadas nas paredes, flores nas mesinhas e salões aromatizados. Existe uma sala de espera destinada apenas a quem fará exames de rotina e outra para mulheres que estão aguardando por exames mais específicos.

A divisão se explica. “O primeiro grupo deseja que nós sejamos rápidos e eficientes, porque não querem perder tempo com exames periódicos”, justifica Roveda. “Já o segundo grupo precisa de mais cuidado e atenção porque muitas vezes essas mulheres já sabem que estão doentes ou estão fragilizadas, pois vieram aqui para descartar ou confirmar alguma suspeita médica.”

Para atender 4 mil mulheres e realizar 40 mil exames por mês, os 90 funcionários do laboratório recebem treinamento contínuo. “Basicamente, nós os ensinamos a se anteciparem aos possíveis questionamentos que as mulheres farão, deixando-as mais seguras”, explica Roveda.

Um sistema eletrônico monitora cada passo da paciente no laboratório. “Não queremos que ela fique esperando. Assim que ela termina um exame, já encaminhamos para o próximo procedimento”, diz Roveda.

Assim, a empresa também ganha produtividade. “No setor de serviços, tempo parado é tempo perdido. Por isso, ao reduzir os intervalos entre um exame e outro, conseguimos atender mais pessoas e aumentar o faturamento”, afirma o médico.

Mas isso não significa que Roveda queira superlotar a unidade. Pelo contrário. Com espaço limitado e casa cheia, a empresa passou a selecionar melhor seus clientes. Descredenciou os convênios que ofereciam baixa remuneração e passou a fazer ações de marketing direcionadas a uma seleta lista de médicos renomados na cidade. Com isso, a lucratividade aumentou.

Em 2012, o laboratório poderá receber mais pacientes, porque sua área será ampliada em 650 metros quadrados. No edifício em construção ao lado da unidade atual, o Femme vai ocupar a parte térrea do prédio – resultado de um acordo feito entre os sócios do laboratório e a incorporadora responsável pela obra.

Para competir com gigantes do setor, entretanto, o Femme precisa de capilaridade. Por isso, os sócios já estudam propostas para receber aporte de um fundo de investimentos. Com a entrada de capital, Roveda planeja abrir uma unidade a cada ano.

“Como no setor de serviços a qualidade é um valor essencial, o ritmo de expansão precisa ser estudado para que isso não se perca”, avalia Vladimir Valladares, da consultoria V2 Consulting. “A maior dificuldade, nesse caso, é conseguir contratar e treinar mão de obra para que os processos sejam reproduzidos em cada detalhe.”

Classe média amplia gastos com serviços

Fonte: M&MOnline
Publicado em 10 de outubro de 2011

A cada R$ 100 gastos, apenas R$ 34,80 são direcionados para a aquisição de bens duráveis e produtos
Serviços

Em nove anos, o acréscimo dos gastos da classe média com serviços cresceram, proporcionalmente, 31,72%
Segundo estatísticas do Data Popular, a classe média gasta quase o dobro com serviços do que com a aquisição de bens duráveis e produtos diversos. As projeções foram calculadas a partir de cruzamento de dados de pesquisas do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios e Pesquisa de Orçamento Familiar).

De acordo com o estudo, a cada R$ 100 gastos pela classe média, R$ 65,20 são direcionados para a remuneração de empresas e profissionais prestadores de serviços. O restante (R$ 34,80) é investido na compra de bens e artigos diversos.

Há nove anos, segundo a pesquisa, os gastos da classe média eram praticamente divididos ao meio. Em 2002, a cada R$ 100, R$ 49,50 eram destinados para serviços, enquanto aquisição de produtos ficava com R$ 50,50. Ou seja, o acréscimo dos gastos com serviços cresceram, proporcionalmente, 31,72% no período.

Dentre os consumidores de alta renda, os serviços representam 74,7% dos gastos. Nas classes D e E, o índice fica em 57,5%

Menos barulho e mais estilo na classe C

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Marili Ribeiro
Publicado em 03 de outubro de 2011
Orquestra

Morador do bairro Parque Santo Antonio, região de Capão Redondo, periferia de São Paulo, Hamilton, por exemplo, é um voraz consumidor de DVDs de filmes de sucesso, usa o celular para ouvir música e adora dar palpites sobre comerciais. A partir dele, a equipe da agência chegou a outros oito “comunicadores” em seus ambientes de origem, que indicaram mais sete amigos de seus círculos de convivência. No total, 64 pessoas desse universo foram acompanhadas por três meses. Ao todo, 150 pessoas participaram do estudo.

“A maior preocupação era não produzirmos resultados estereotipados pelos olhos do pesquisador tradicional. Queríamos um frescor nesse olhar. E acabamos, após seis meses de trabalho, fazendo achados que derrubam mitos que se tornaram verdade absoluta no nosso meio”, conta Cintia Gonçalves, diretora de planejamento estratégico da AlmapBBDO.

Alguns dos vícios recorrentes nas mensagens publicitárias estão, por exemplo, no uso de fórmulas estabelecidas, como nos comerciais das redes varejistas, sempre uns decibéis acima para destacar as ofertas. “Esse tipo de propaganda é para pegar pobre”, diz um dos pesquisados. Ao contrário do que se prega, “eles rejeitam desordem, bagunça, gritaria e falta de espaço. A harmonia faz parte do imaginário que projetam”, aponta a pesquisa.

Fase inaugural.

Outro erro clássico, segundo a pesquisa, é interpretar a classe C como um bloco, e não como um grupo heterogêneo de 110 milhões de pessoas de origens e hábitos distintos. Muitos acham que esses consumidores não têm repertório cultural e desprezam design. “Eles não querem ser rotulados e vivem uma fase de transição. Acabaram de sair de uma situação, com a melhora do poder de compra, e ainda não entraram em outra, porque experimentam consumos antes inexistentes em seu cotidiano. É uma fase inaugural na vida deles”, afirma Cintia.

Nas áreas de planejamento e pesquisa, é comum partir de condições preestabelecidas na hora de ir a campo desbravar um novo universo. E isso, como diz Cintia, leva, no caso da atual classe C, a já se sair com um briefing errado no momento de criar a comunicação da marca, justamente por essa classe estar vivendo esse momento inaugural.

Mesmo com o ganho de poder de consumo, os integrantes desse segmento, definido pelos padrões de pesquisa como os que recebem entre R$ 1.115 a R$ 4.807 por mês, não podem abrir mão da vida em coletividade, até mesmo para garantir essa crescente capacidade de consumo. “Rede social é novidade só para a classe AB”, brinca Daniel Arthur Machado, gerente de planejamento da agência.

A ideia de coletividade ganha relevância porque vem da herança de escassez. Nas comunidades em que moram, eles se ajudam. Uns tomam conta dos filhos dos outros, trocam conhecimentos e até compartilham compras em cartão de crédito. Isso aumenta o poder de compra deles. Se saírem dessa teia de valores baseada na ajuda mútua, perdem uma receita indireta e difícil de ser contabilizada.

Ética da superação.

“A classe C na internet não é sinônimo de Orkut, ela está também no Facebook. Assim como ela também não vê apenas novelas e Ratinho. É uma visão distorcida. Os integrantes dessa classe conhecem as séries americanas, como House, e gostam do humor sofisticado do personagem”, acrescenta Machado.

Outro aspecto relevante para quem quer falar com esse consumidor é ter a noção de que, para ele, saber se virar é mais importante do que ser vencedor. “É a ética da superação”, diz Eduardo Nasi, gerente de inteligência da agência. “Eles estão habituados a conviver com altos e baixos. Ouvimos coisas como ‘quem precisa de terapeuta é rico’. Acostumados a perdas, preferem superar a se lamentar.”

A criatividade é o que gera envolvimento com uma propaganda. Para eles, a publicidade é uma espécie de porta-voz de mudanças, por trazer novas ideias. Cenas que abominam nas novelas, por considerarem irreais, aceitam na propaganda. Mas tendem a rejeitar os extremos: só informação ou só entretenimento.

Herchcovitch para menores

Fonte: ISTOÉ Dinheiro
Por Érica POLO
Publicado em 30 de setembro de 2011

A marca de roupas infantis paulista Tip Top lança coleção assinada pelo famoso estilista e faz parceria com a Estrela

Em suas últimas férias, em julho deste ano, o empresário David Bobrow, 37 anos, dono da marca de roupas infantis Tip Top, quase não desgrudou do MSN. A maior parte das mensagens não era dirigida aos seus amigos, mas para Daniela Boll, gerente de marketing da companhia. Foi durante o bate-papo virtual que eles acertaram os últimos detalhes da estratégia que está sendo colocada em prática neste ano pela marca. Uma das ações é a coleção de roupas de bebê assinada pelo badalado estilista paulistano Alexandre Herchcovitch, que acaba de chegar às vitrines da rede Tip Top. A ideia nasceu no início do ano, quando Herchcovitch trabalhou na criação de estampas para a tecelagem TDB Têxtil, controlada pela família Bobrow desde 1987. Na época, a Tip Top ainda pertencia ao seu fundador, o alemão Eugênio Saverin, avô de Eduardo, o brasileiro que ajudou o americano Mark Zuckerberg a criar o Facebook e é dono de uma fortuna estimada em US$ 2 bilhões.

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Bobrow, da Tip Top: “Sempre fui a favor de parcerias entre grandes marcas porque ambas se fortalecem”

Além da coleção fashion de Herchcovitch, a Tip Top fechou uma parceria com a fabricante de brinquedos paulista Estrela. Modelos de roupas idênticas às que vestem as bonecas Meu Bebê e Nenenzinho vão chegar às vitrines para o Dia das Crianças, em 12 de outubro. É com ações desse tipo que a direção da Tip Top espera dar sua maior arrancada em número de lojas e no faturamento, desde que a empresa estreou no varejo, em 2008. No ano passado, a cadeia era composta por 37 pontos de venda. Em 2013, o objetivo é chegar a 100 lojas. O faturamento, que foi de R$ 23 milhões em 2011, vai quase dobrar nesse ano, segundo a previsão de Bobrow. “Sempre fui a favor de parcerias entre grandes marcas porque ambas se fortalecem”, afirma o empresário. Até agora, os maiores investimentos, da ordem de R$ 10 milhões, foram feitos em marketing, contratações e importação de produtos. Isso porque a Tip Top não fabrica itens como bolsas, sapatos e bichinhos de pelúcia, necessários para complementar as coleções e formar os looks que tanto agradam às meninas.

“A iniciativa de vestir a criança como a boneca segue a linha de comunicação utilizada por empresas internacionais”, diz Liana Bittencourt, sócia-diretora do Grupo Bittencourt, consultoria especializada em franquias. “Mas ainda é uma estratégia pouco explorada no Brasil.” A cadeia americana de brinquedos American Girls, por exemplo, vende roupas e acessórios iguais aos de diversas bonecas. Observar o que fazem os concorrentes daqui e as empresas estrangeiras tem ajudado Bobrow a cavar seu espaço em um segmento que movimenta US$ 4,5 bilhões por ano, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Até 2008, por exemplo, as roupas da Tip Top eram comercializadas apenas em lojas multimarcas e redes especializadas em vestuário como C&A, Renner e Riachuelo. Ao notar que havia poucas lojas de roupas para crianças de até quatro anos, Bobrow resolveu investir em suas próprias unidades.
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Marca pop: Alexandre Herchcovitch (acima) tem associado seu nome a diversos produtos. O mais recente são roupas infantis
“Não inventei a roda”, afirma o empresário. “Outros fabricantes já estavam tomando esse caminho.”, diz ele, referindo-se à experiência de marcas como Hope e Hering. A primeira unidade da Tip Top foi aberta no Shopping Bourbon, em São Paulo, em 2008. Na época, foram investidos R$ 700 mil. Das 37 lojas, somente quatro são controladas pela família. Depois de fortalecer sua posição em São Paulo, mercado que responde por 40% das vendas do setor, segundo a Abit, a Tip Top pretende fortalecer as vendas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em setembro, Bobrow cortou a fita da loja de Teresina. Em novembro, ele vai inaugurar uma unidade em São Luis do Maranhão. Ele afirma que a fabricante de roupas de bebê está preparada para acelerar o ritmo de crescimento. Afinal, a empresa conta com três fábricas, localizadas em São Paulo, Campo Grande e Sidrolândia, as duas últimas em Mato Grosso do Sul. Juntas, elas têm capacidade de produzir até 2,2 milhões de peças por mês.

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Arezzo estuda marca ‘popular’

Fonte: O Estado de S. Paulo
Publicado em 21 de setembro de 2011

ArezzoEmpresa quer ganhar mercado na classe C

A rede Arezzo, que atua no setor de calçados, bolsas e acessórios femininos com as marcas Arezzo, Schutz, Alexandre Birman e Anacapri, está atenta a oportunidades de aquisição de empresas focadas em classes populares e estuda a possibilidade de criar uma rede com uma marca destinada ao público masculino.

A empresa, que teve a oferta inicial de ações (IPO) mais bem-sucedida do ano na bolsa brasileira e fatura cerca de R$ 700 milhões ao ano, concentra suas estratégias de expansão no mercado interno, após algumas experiências malsucedidas na tentativa de disputar mercados internacionais.

“Buscamos novas marcas (para aquisição) que possam ser rentáveis, inclusive na classe C, porque é o consumidor que mais cresce. Queremos atuar em toda a pirâmide social”, afirmou o presidente da companhia, Anderson Birman, após participar, em São Paulo, do Fórum de Varejo da América Latina.

Birman destacou que a empresa pretende crescer no mercado masculino, mas que encontra dificuldades em encontrar oportunidades de aquisição nesse segmento. “Isso é uma possibilidade”, disse. Ele explicou que as redes atualmente no mercado não têm escala de venda e que se “adapte” ao modelo da Arezzo. A intenção seria criar um formato semelhante ao da marca principal, mas para os homens.

O executivo ressaltou ainda que a empresa vai “ampliar esforços” com a marca Anacapri, pela expansão de lojas e campanha mais incisivas na mídia, para o fim deste ano. “Vamos começar a mostrar mais a ‘cara’ da Anacapri. Estamos trabalhando internamente para fortalecer a marca, com várias ações coordenadas”, afirmou. Segundo ele, essa rede, especializada na venda de sapatilhas, sem salto, tem hoje apenas seis lojas, todas localizadas em São Paulo.

De acordo com Birman, a empresa encerrou, recentemente, as negociações para a compra da rede varejista de calçados e acessórios femininos Santa Lolla porque o “preço aumentou”, além de a negociação ter enfrentado outras dificuldades. Ele informou que a Arezzo já estudava a compra da Santa Lolla antes mesmo da abertura de capital.

Exterior.

De acordo com Birman, a parceria da Arezzo na China foi revista, sobretudo após a criação da tarifa antidumping imposta ao calçado chinês que ingressa no Brasil. Isso porque a parceria com os chineses da Prime Sucess previa um desenvolvimento de produtos para os dois mercados. “Saímos da China há um ano, por todos esses problemas de relações internacionais. Mas um dia podemos voltar a nos interessar por esse mercado.”

Além disso, a empresa encontrou até problemas culturais no plano de vender calçados para o consumidor chinês. “Vimos que seria um trabalho ‘leonino’ ingressar na China”, disse. O plano inicial da empresa era ter 300 lojas no país asiático até 2016.

O executivo destacou ainda que outros mercados internacionais nos quais atua, como Venezuela, Portugal, Bolívia e Uruguai, não são considerados prioritários neste momento. “Desde 2008, focamos no mercado interno”, disse. Nos seis primeiros meses deste ano, a receita da Arezzo no exterior recuou 14,4% em comparação com o mesmo período do ano passado. / R.P.

O que podemos aprender com Zara & Apple

Fonte: Revista RI -Relações  com Investidores
Por
Eduardo Tomiya
Publicado na edição 156 de setembro de 2011

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Quase na mesma semana dois fatos marcaram a vida de duas grandes marcas: Zara e Apple. Entendo que existem lições importantes a tirar destas marcas. Primeiramente, a Apple é a marca global mais valiosa do planeta segundo o Financial Times, com um valor de US$ 153 bilhões. A Zara também é uma das marcas mais valiosas do mundo, com um valor de US$ 10 bilhões. Dois casos excepcionais de marcas que souberam construir seu valor.

Porém, em meados de agosto último, as duas marcas viveram dois fatos que no mínimo foram dignos de destaque nos principais veículos de imprensa do mundo inteiro. A Zara, utilizando fornecedores que contratam mão de obra em regime semi escravo. Com certeza se o livro “NoLogo” de Naomi Klen fosse lançado neste ano, fatalmente apareceria como sendo um ato bastante condenável de marcas globais bastante valiosas que possuem uma percepção junto à consumidores muito positiva, porém aparentemente não respeitam preceitos éticos em sua cadeia de valor.

O resultado foi imediato e o mercado reagiu fazendo com que as ações da empresa caíssem mais de 4% em um único dia. Este fato evidencia que o mercado de capitais não tolera mais estas atitudes e entende que as mesmas no longo prazo não são perenes.

Ainda que a empresa justifique que o fato se restringe à fornecedores terceirizados e não diretamente ligados à Zara, fica clara a vulnerabilidade da declaração, pois a empresa é responsável pela sua cadeia de valor. Na realidade fica evidenciado que a empresa não possui um plano de contingências para situações deste tipo.

Talvez para não usarmos somente exemplos negativos, seria mais interessante ver um caso de sucesso. A Johnson & Johnson (J&J) com o caso Tylenol. Assim que ocorreu o problema a empresa retirou todos os produtos das prateleiras porque suspeitaram que o Tylenol havia contaminado e matado 7 pessoas com cianeto em Chicago (1982).

As primeiras explicações da empresa mencionavam que o Tylenol havia sido adulterado na distribuição. Outro detalhe, a fabricação do Tylenol era realizada pela sua pequena subsidiária McNeil Consumer Products Company.

Existia portanto a possibilidade de simplesmente culpar a distribuição (canal) ou até mesmo uma pequena subsidiária pelo problema, e a J&J simplesmente sair como vitima da história. Não foi nenhum destes caminhos o escolhido pela J&J.

A empresa foi bastante transparente mostrando à imprensa detalhes do sistema de produção que demonstravam que os riscos de contaminação eram mínimos.

Ela também alterou a embalagem do Tylenol, fazendo com que se reduzisse muito o risco de adulteração.

Ou seja, ao invés de colocar culpados na própria cadeia de valor, a empresa mostrou sinais evidentes de mudanças e aprendizados com o erro, e ao final saiu com sua imagem bastante fortalecida, apesar do desastre como o ocorrido.

O caso Zara nos mostra que é fundamental ter uma cadeia integrada, e danos à imagem podem afetar o valor de uma marca. A empresa tem que estar preparada para problemas desta natureza, que podem acontecer, mas principalmente ter planos contigenciais para estas situações.

O dia 24 de Agosto de 2011 é um dia que ficará marcado em toda a comunidade Apple. É o dia em que a carta de Steve Jobs foi publicada notificando sua saída do comando da empresa, e passando para Tim Cook este papel na organização. Sem dúvida, Steve Jobs é um “Corporate King”. É dispensável qualquer menção sobre o sucesso da marca mais valiosa do planeta. É dispensável também mencionar qualquer coisa sobre Steve Jobs. Sem dúvida é uma grande referência.

Porém, no dia de seu anúncio as ações da Apple caíram quase 7%, enquanto à dos principais concorrentes subiram.

É indiscutível que existe uma reflexão sobre o quanto o fato de concentrar as forças da empresa em uma pessoa pode ser uma vantagem competitiva perene.

Aí entramos em um tema muito importante que é a sucessão empresarial.

A imagem da marca ou da empresa influencia muito no desempenho do seu valor de mercado, pois tanto analistas como investidores estão bastante atentos à princípios de gestão que garantam a perenidade da empresa.

O quanto de fato a Apple estava preparada para este momento?

A tarefa que Tim Cook é no mínimo muito difícil.

E isto deveria ser uma reflexão forte para as empresas brasileiras. O quão dependente estamos do “Corporate king”? Qual é o real papel do “Corporate King”? A empresa possui um plano de contingência para situações desta natureza? É possível preparar uma outra pessoa para rapidamente assumir a postura do antigo líder?

Este caso da Apple mostra que o fato da empresa ter um “Corporate King” pode ser bastante vulnerável para a perenidade dos negócios. Caso a empresa esteja nesta situação, tem que ter um plano de contingência muito eficiente.

O ponto que gostaria de ressaltar é que a imagem da marca ou da empresa influencia muito no desempenho do seu valor de mercado, pois tanto analistas como investidores estão bastante atentos à princípios de gestão que garantam a perenidade da empresa. E o que antes se limitava a um público muito seleto, que são os conceitos de Sustentabilidade e Governança Corporativa, casos como estes confirmam que estes pilares de fato influenciam no valor de mercado de uma empresa, fazendo com que a correta estruturação de planos de contingências para contextos como acima mencionado podem ser alavancas importantes à imagem e ao valor do acionista.

Eduardo Tomiya

Diretor Geral da BrandAnalytics

Grupo Extra reposiciona marca em nova campanha

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Mariana Sallowicz
Publicado em 24 de setembro de 2011

logo_extraO Extra lança amanhã campanha para reposicionar a marca, que já responde por mais de 35% das vendas do Grupo Pão de Açúcar, acima dos 10% da rede que dá nome à empresa. Os dados são do primeiro semestre do ano.

Com investimentos de R$ 10 milhões, o objetivo é mostrar o Extra como uma empresa multiformatos, com hipermercados, supermercados, drogarias, postos de combustíveis, minimercados e vendas pela internet.

“Realizamos pesquisas para identificar as necessidades dos consumidores e constatamos que eles estão cada vez mais multicanais. A campanha surge como resultado desse trabalho”, diz o diretor de marketing do Grupo Pão de Açúcar, Marcelo Bazzali.

A consultoria Kantar Worldpanel divulgou recentemente pesquisa que confirma a tendência. O levantamento aponta que 44% dos entrevistados usaram de sete a nove canais de venda para se abastecer no primeiro semestre do ano. Enquanto isso, somente 14% utilizaram até quatro canais no período.

O material da campanha do Extra mostra consumidores comprando produtos em diferentes canais da rede.
Em sua estratégia, a varejista também vai investir na relação dos brasileiros com a família, com menos ênfase nos preços.

Promoções

“Continuaremos investindo fortemente nas promoções, com a garantia do preço mais baixo. Queremos, porém, trazer mais essa mensagem para o cliente”, afirma Bazzali.

Segundo a rede, a empresa especializada em “branding”, Troiano Brighthouse também participou dos estudos e identificou a forte relação dos brasileiros com seus familiares. Para 46% dos entrevistados, os parentes são indispensáveis.

A campanha “Por uma vida mais família” será veiculada em redes de TV, jornais, revistas e peças nos pontos de venda.

Cias. abertas do País perdem US$ 378 bi em valor

Fonte: Agência Estado
Publicado em 23 de setembro de 2011

São Paulo – Do final de 2010 até ontem, as empresas de capital aberto brasileiras perderam US$ 378,1 bilhões em valor de mercado. O cálculo é da Economática consultoria, que analisou 301 empresas com ações negociadas na bolsa de valores. No final de 2010, as companhias avaliadas tinham valor de mercado de US$ 1,43 trilhão. Já em 22 de setembro, o valor registrado foi de US$ 1,057 trilhão, uma queda de 26%. Segundo a Economática, a diferença equivale à soma dos valores de mercado da Petrobras, Vale, Ambev e do Banco do Brasil no dia 20 de setembro de 2011.

Ampliando a análise para companhias abertas da América Latina e dos Estados Unidos, as perdas são lideradas pelas empresas norte-americanas, com US$ 1,5 trilhão, valor que representa uma queda de 10,9% sobre o valor registrado em 31 de dezembro de 2010.

Dentro da América Latina o Brasil lidera o ranking das perdas de valor de mercado na região, seguido pelo México, com retração de US$ 100,8 bilhões em um universo de 91 empresas. O valor passou de US$ 474,0 bilhões em dezembro de 2010 para US$ 373,1 bilhões, ontem. A terceira maior queda nominal de valor de mercado na América Latina é do Chile, cujas 138 empresas perderam juntas US$ 73,7 bilhões, para US$ 240,4 bilhões, também ontem. Já a Argentina ficou em quarto, com uma perda acumulada em 2011,até 22 de setembro, de US$ 28,5 bilhões.

Por empresa, a Petrobras foi a que apresentou a maior queda nominal de valor de mercado no ano, até ontem, em toda a região da América Latina e nos Estados Unidos, com US$ 87,0 bilhões – diferença entre US$ 228,2 bilhões em 31 de dezembro de 2010 e US$ 141,2 bilhões, ontem. A segunda companhia brasileira com maior queda nominal foi a Vale, com US$ 45,8 bilhões, sexta posição do ranking, atrás de HP (5º), JP Morgan (4º), Citigroup (3º) e Bank of America (2º). Em décimo lugar está outra companhia brasileira, o Itaú Unibanco, com valor de mercado de US$ 33,5 bilhões.