Cachaça Havana vence rum cubano na luta por registro

Cachaça_HavanaFonte: Folha de S. Paulo
Por Paulo Peixoto de Belo Horizonte
Publicado em 28 de setembro de 2011

Cachaça Havana vence rum cubano na luta por registro

Após 22 anos tentando registrar a marca Havana, os herdeiros de Anísio Santiago, o criador da cachaça artesanal brasileira, venceram a primeira batalha judicial contra a Havana Club, produtora do rum cubano.

Desde o último dia 6, a cachaça de R$ 50 a dose está inscrita, pela primeira vez, no Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Agora constam lá as marcas Havana Club e Havana.

A Havana Club Holding, joint venture franco-cubana, recorreu da decisão da Justiça Federal em Minas.

A empresa tenta derrubar a ordem que permitiu o registro da cachaça antes do processo transitar em julgado.

O Inpi também recorreu. A autarquia federal também é ré no processo movido pela pequena destilaria de Salinas, no norte mineiro.

A cachaça é produzida na Fazenda Havana desde 1946. Em 1971 ela foi registrada na Junta Comercial de Minas e, em 1989, Santiago tentou registrar sua marca no Inpi, mas não conseguiu porque a Havana Club havia entrado com o pedido antes.

Luxo direto da fonte

Fonte: ISTOÉ Dinheiro
Por Ale OUGATA
Publicado em 23 de setembro de 2011

Nunca o ato de beber água foi tratado com tanta pompa e circunstância como agora, com o contínuo lançamento das águas minerais superpremium, como a norueguesa Voss

As largas fronteiras do mundo globalizado têm estreitado cada vez mais a troca de experiências entre os consumidores de luxo ao redor do mundo. E esse movimento modificou até mesmo o prosaico ato de se refrescar com um copo de água. O mercado de águas minerais sofisticou-se de tal maneira que é possível categorizá-las em premium e superpremium, transformando o produto num importante feudo do universo da alta gastronomia. As vendas estimadas  desse tipo de bebida já estão batendo os dez bilhões de litros por ano, cerca de 4% do consumo mundial total de águas engarrafadas, segundo a consultoria inglesa Zenith International. Não por acaso, cada lançamento é aguardado com a mesma expectativa dos raros destilados. Como é o caso da última novidade a aportar por aqui, a norueguesa Voss, apreciada pelo ator Will Smith e o cantor Bono Vox, líder da banda U2.

Segundo o CEO da empresa, o norueguês Jack Belsinto, o produto inaugura no País o consumo da categoria superpremium, um patamar acima das já conhecidas San Pellegrino, Panna e Perrier, representantes da ala premium de águas. A Voss equipara-se à americana Bling H2O e à galesa TY Nant, vendidas a até 2.500 de euros a garrafa. A boa notícia para os consumidores brasileiros mais exigentes é que a garrafa de 375 ml da Voss, apesar de toda a aura glamorosa que a acompanha, será vendida no País  por cerca de R$ 20. A embalagem da água, extraída diretamente de uma fonte localizada em um deserto de gelo, na cidade que lhe dá o nome, no sul da Noruega, foi criada pelo ex-diretor criativo da Calvin Klein Neil Kraft. Não à toa, seu elegante recipiente mais parece um frasco de perfume.
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O prazer da Pureza: “A ideia é que as águas superpremium adquiram o mesmo status dos grandes vinhos”, diz Jack Belsinto, CEO da VOSS
As pessoas podem se perguntar como é possível classificar uma insípida e límpida água em comum, premium ou superpremium. De acordo com os especialistas, muitas vezes o que as qualifica é o valor que cada uma agrega. Por exemplo, o fato de ser lançadas em parceria com estilistas cultuados, como o japonês Issey Miyake, ou decoradas com cristais, as credenciam como um produto superpremium. Além, claro, de suas propriedades. “Kraft criou uma garrafa ao mesmo tempo sexy e simples, características que cativam o consumidor”, afirmou Belsinto, com exclusividade à DINHEIRO, durante sua passagem pelo Brasil, no início do mês, para promover o novo produto. “Também precisávamos transmitir a ideia de pureza, já que a Voss é protegida por uma camada de pedra e gelo e livre de qualquer tipo de poluição”, disse o CEO da Voss.
Outro quesito importante na determinação dessas águas estreladas é o caráter de exclusividade. Além do preço, bem mais elevado que o das águas comuns, todas elas são vendidas em poucos e estratégicos pontos de venda. “Procuramos como parceiros comerciais hotéis de luxo, restaurantes conceituados, spas e empórios sofisticados”, diz Belsinto. Ele afirma que, por enquanto, a Voss só será vendida nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, em locais como os hotéis Emiliano e Fasano. “Nossa expectativa é de faturar US$ 40 milhões nos dois primeiros anos aqui”, diz Belsinto. Apesar de no Brasil o consumo das águas premium e superpremium estar ganhando força só agora, em 2009 o País importou 762 mil litros de água da França, Itália e do Uruguai, entre outros. No mesmo ano, o consumo mundial total de águas engarrafadas foi de 150 bilhões de litros, movimentando US$ 100 bilhões. Em 2010, a procura pelo produto aumentou cerca de 67% no mundo.
Esse crescimento deveu-se principalmente ao incremento da oferta de tipos da bebida, como os que preparam a boca para a apreciação de vinhos e cafés. Com a diversidade de tipos, abriu-se espaço para o surgimento de um novo especialista: o sommelier de água. No Brasil, ainda são poucos os estabelecimentos que adotam a carta de águas. O restaurante Pobre Juan, com unidades em São Paulo e Brasília, é um deles. “É um trabalho lento”, diz o CEO Belsinto. “Mas a ideia é que as águas premium e superpremium adquiram o mesmo status do vinho aqui no Brasil.”

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O intangível está de volta ao debate

Fonte: Valor Econômico
Por Nanette Byrnes e Dena Aubin | Reuters, de Chapel Hill e Nova York
Publicado em 8 de setembro de 2011

Se ativos intangíveis – patentes, por exemplo – dominam grande parte da economia moderna, por que continuam, em grande parte, fora dos balanços das maiores companhias americanas?

Algumas vendas de patentes alçadas às manchetes reacenderam o interesse pela questão. Entre elas: o leilão, com arremate por US$ 4,5 bilhões, de patentes de tecnologia sem fio da Nortel, em 1º de julho, e os US$ 12,5 bilhões pagos pelo Google em 15 de agosto pela Motorola Mobility Holdings e suas 24,5 mil patentes e pedidos de patentes pendentes, além de outros ativos.

Agora, a agência australiana que estabelece normas contábeis em nome de um grupo mundial do qual faz parte a Financial Accounting Standards Board americana está colocando o tema na agenda da contabilidade mundial. A entidade realizou, recentemente, uma pesquisa com empresas, auditorias e reguladores sobre a contabilização de intangíveis e se mudanças devem ser feitas.

Nos EUA, ativos intangíveis, como marcas, relacionamento com clientes, patentes e outras informações tecnológicas, são contabilizados de uma forma se criadas nas próprias empresas – e de outra maneira, caso adquiridas.

Os ativos intangíveis de uma empresa, quando desenvolvidos por ela própria, têm seu valor contabilizado por pouco mais do que as taxas legais e de registro, porque pesquisas são deduzidas como despesas, e não capitalizadas. Ativos adquiridos, por outro lado, como as patentes que o Google obterá com a compra da Motorola, são contabilizados pelo “valor justo”.

Os críticos dizem que a diferença faz com que seja difícil realizar comparações entre empresas e muitas vezes oculta os ativos mais importantes.

O tratamento diferenciado implica que uma patente desenvolvida por uma empresa e depois vendida para outra pode ser originalmente avaliada por um valor praticamente nulo, e então, quase da noite para o dia, passar a valer milhões – ou até mesmo bilhões – de dólares, diz Esther Mills, presidente da Accounting Policy Plus, uma firma de consultoria de Nova York especializada em questões contábeis complexas.

Mills está entre os que sustentam que intangíveis criados internamente devem constar do balanço pelo seu valor de mercado ou por um montante que reflita mais plenamente os custos do esforço de pesquisa e desenvolvimento que tenha resultado na criação de um ativo intangível.

A diferença contábil pode resultar em comportamento distorcido, adverte Abraham Briloff, um professor emérito de contabilidade no Baruch College, já que torna tentador, para uma empresa, comprar propriedade intelectual em vez de realizar pesquisas.

O valor de patentes compradas é subtraído dos lucros ao longo de sua vida útil, mas em setores como telecomunicações, nos quais as empresas são avaliadas com base em seu Ebitda (lucro antes da dedução de juros, impostos, depreciação e amortização), esses custos tendem a ser largamente ignorados por analistas e investidores.

Alguns peritos em contabilidade contra-argumentam que levar patentes e outros intangíveis para o balanço patrimonial criaria riscos de abusos. “É uma boa maneira de manipular os lucros”, diz Robert Willens, diretor de serviços tributários e contábeis da consultoria que leva seu nome. Por exemplo, empresas poderiam inflar seus lucros capitalizando tanto os custos diretos como indiretos do desenvolvimento de intangíveis, evitando que virem despesa na demonstração de resultados,diz ele.

Não é fácil determinar o valor correto de um intangível e pode ser particularmente difícil em situações como a do Google. Além de qualquer valor que as patentes da Motorola Mobility poderão proporcionar em termos de fluxo de caixa futuro, o Google também está contando com as patentes como uma defesa contra ações judiciais de concorrentes. Isso é particularmente subjetivo e de difícil avaliação, segundo especialistas.

A questão tornou-se mais importante à medida que a economia americana fica cada vez mais dominada pelos intangíveis. De acordo com a Ocean Tomo, especialista na avaliação de ativos com sede em Chicago, 80% do valor de mercado das empresas componentes do S&P 500 em 2010 podem ser atribuídos a ativos intangíveis, contra 68% em 1995 e 32% em 1985.

Desde 1999, ágios têm sido sistematicamente pagos por ativos intangíveis, embora sejam mais baixos hoje do que no auge da bolha de tecnologia em 1999 e 2000, segundo análise de mais de 6 mil fusões e aquisições no setor de tecnologia e telecomunicações realizadas para a Reuters pela Capital IQ, uma monitoradora de dados.

O exame adicional de apenas 848 operações que atribuíram um valor mensurável a intangíveis adquiridos mostrou que o prêmio pago por bens intangíveis tem variado ao longo do tempo, mas atingiu um pico recente, em 2010, quando os compradores pagaram em média 15 vezes o valor dos ativos intangíveis das empresas-alvo.

Um estudo realizado por Carol Corrado, da associação de pesquisas da The Conference Board Research Association, e pelo professor Charles Hulten, da Universidade de Maryland, publicado em 2010, mostrou que em meados dos anos 1990 as empresas começaram a investir mais em ativos intangíveis do que em ativos tangíveis, como prédios e máquinas. De lá para cá, a diferença só cresceu. Uma razão para o descompasso entre a economia e a contabilidade pode ser a falta de interesse dos executivos em corrigir a situação.

Robert Herz, ex-presidente do Financial Accounting Standards Board (Fasb), dos EUA, disse que, em 2006 e 2007, quando seu grupo e o International Accounting Standards Board (Iasb) realizaram consultas a investidores, gestores e auditores sobre o que eles deveriam focar, a contabilização de intangíveis, de modo geral, não foi considerada tão relevante como uma série de outros temas.

Baruch Lev, um professor da New York University que tem estudado largamente os ativos intangíveis, disse que o status quo protege os gestores em algum grau. “Eles têm financiamentos fora de balanços e ativos fora de balanços – e estão muito satisfeitos com intangíveis fora dos balanços”, disse Lev. “Intangíveis são arriscados, não há dúvida sobre isso, e eles podem ter de zerá-los contabilmente e responder a questionamentos embaraçosos. Eles perguntam: ‘Por que precisamos disso?’”

Os investidores podem estar sendo prejudicados por entender pouco sobre questões relacionadas com propriedade intelectual. James Malackowski, diretor-executivo da Ocean Tomo, salienta o desempenho – superior ao do mercado – do índice criado por sua empresa, que engloba as 300 empresas que possuem as patentes mais valiosas em relação a seu valor contábil. Segundo cálculos da empresa, o Ocean Tomo Patent Index 300 vem superando o S&P 500 desde sua criação, em 2007.

Por não dispor de dados suficientes sobre quem detém as patentes e seu valor, diz, os investidores estão ignorando o verdadeiro valor de muitas boas empresas.

Classe C ganha lingerie, eletrônicos e cabeleireiros chiques e acessíveis

Fonte: UOLEconomia em São Paulo
Por Aiana FreitasBasic_Beauty
Publicado em 28 de setembro de 2011

O crescimento da renda da classe C tem atraído novas empresas para o Brasil e feito com que companhias que atuavam no país focadas na população mais endinheirada mudem sua estratégia de negócios.

A marca de lingerie Baci, criada há um ano nos Estados Unidos, está chegando ao país para vender o que chama de “luxo acessível”. Outras empresas estão lançando produtos mais populares ou criando novas marcas para atender a esse público.

Mais de metade da classe C compra perfume importado, mostra pesquisa

“O objetivo da empresa é se tornar uma marca mundial, e o aumento do consumo e do poder de compra da mulher brasileira chamaram a atenção”, diz Marta Moraes, detentora da marca Baci no país. “A marca oferece produtos com preços até 90% mais baratos do que outras empresas de luxo do setor.”

A marca já está presente em 24 países. No Brasil, os produtos serão vendidos inicialmente em lojas multimarcas de lingerie, mas a ideia é abrir franquias nos próximos anos. As lingeries, com preços que partem de R$ 25, começam a chegar às lojas até o fim do ano.

A fabricante de eletrônicos Sony, que já tinha atuação expressiva no mercado brasileiro com produtos direcionados para as classes A e B, decidiu neste ano mudar sua estratégia de negócios no país. O objetivo da empresa é passar a servir como símbolo de ascensão social para os consumidores emergentes.

Para atender à demanda desses consumidores, em vez de reduzir o preço dos eletrônicos, a empresa está analisando os hábitos de consumo e ampliando a oferta de produtos para a população de renda mais baixa. Equipamentos de som para casa e para o carro e câmeras digitais são alguns dos produtos pensados para atrair a classe C.

Rede de salões cria segunda marca para consumidor emergente

A estratégia do Grupo Jacques Janine, dono da tradicional rede de salões de beleza de mesmo nome, foi criar uma segunda marca, a Basic Beauty, específica para atender ao consumidor emergente. A expectativa da empresa é que entre cinco e sete unidades da loja Basic Beauty sejam abertas em São Paulo em 2012 por meio de franquias.

Uma unidade-piloto está em funcionamento no Shopping Largo 13, na zona sul da cidade, e faz cerca de 600 atendimentos por mês. Lá, o corte de cabelo sai a R$ 40 –no Jacques Janine, o preço médio é R$150.

“Para conseguirmos oferecer o serviço por um preço mais em conta, reduzimos o número de fornecedores da nova marca e optamos por trabalhar com produtos como xampus e condicionadores de marca própria”, afirma o diretor-administrativo do grupo, Olivier Chemin.

Lojas de departamento fazem parcerias com estilistas famosos

A professora de marketing e comportamento do consumidor do Provar-FIA (Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração), Elaine Brito, cita outras empresas que se aproveitaram do crescimento da renda da população de classe C para criar marcas específicas para esse público, como Boticário (que lançou a Eudora neste ano) e Kopenhagen (que criou a Brasil Cacau).

Outro sinal da atração gerada pela classe C ocorreu no sentido inverso: estilistas famosos passaram a firmar parcerias com lojas de departamento, atingindo um público que até então estava distante.

A Riachuelo, por exemplo, já lançou coleções assinadas pelos estilistas Pedro Lourenço e Oskar Metsavaht (criador da marca Osklen). Já a C&A contratou o estilista Renato Kherlakian, que era da Zoomp, para criar a linha de jeans premium da rede.

O Boticário amplia linha Nativa SPA

Fonte: M&MOnline
Por Beatriz Almodova Lorente
Publicado em 21boticario_spa de setembro de 2011

Linha lançada em 2006 já é a primeira em faturamento da marca

Perfumes chegam nas fragrâncias Ameixa, Guaraná, Açaí, Blueberry e Verbena

Depois de anunciar recentemente a construção de uma fábrica na Bahia com investimentos de R$ 355 milhões, O Boticário apresenta novidades na sua linha de produtos mais rentável, a Nativa Spa. Lançada em 2006, a linha é a principal fonte de receita da marca e está sendo ampliada chegando a 85 produtos, incluindo assessórios e itens faciais. Os produtos privilegiam os cuidados com o corpo, inspirando mulheres por meio de cheiros e sensações. Umas das novidades são os cinco perfumes que acompanham cada linha com as fragrâncias nas versões ameixa, guaraná, açaí, blueberry e verbena. Além disso, a marca está inaugurando quatro lojas dedicadas exclusivamente a Nativa SPA.

De acordo com Vanessa Schroeder, gerente de categoria de cuidados pessoais da marca, as mudanças começaram a ser planejadas há dois anos quando O Boticário decidiu fazer pesquisas com consumidores para saber como aprimorar os produtos. “Nativa SPA evoluiu com as mulheres e por isso trouxemos inovação, praticidade e formulações com ainda mais benefícios às consumidoras”, explica.

Os produtos já podem ser encontrados nas lojas, porém a campanha será lançada apenas no começo do mês de outubro com criação da AmapBBDO.

Fittipaldi: talento nas pistas e nos negócios

Fonte: M&MOnline
Por Robert Galbraith
Publicado em 09 de setembro de 2011

Ex-piloto fala sobre como capitaliza sua imagem no mundo do marketing

Aos 65 anos Fittipaldi é um dos mais atuantes garotos propagandaEmerson_Fittipaldi

Emerson Fittipaldi não foi apenas o piloto que abriu as portas da Fórmula 1 para os outros brasileiros, mas também um dos primeiros esportistas do País a capitalizar sua imagem no mundo do marketing. Hoje com 65 anos é um dos mais atuantes garotos propaganda, tendo protagonizado campanhas em todo mundo com direito a uma curiosa quebra de protocolo nos seus tempos de Fórmula Indy nos anos 1990. Fittipaldi falou à reportagem do Meio & Mensagem sobre diversos temas, incluindo sua recente associação ao McCann Worldgroup para lançamento da agência de marketing esportivo Momentum Sports

Momentum Sports une McCann e Fittipaldi
Associação entre a rede global e o ex-piloto brasileiro comprova que o marketing esportivo e o promocional andam de mãos dadas
ROBERT GALBRAITH| » 05 de Setembro de 2011 • 09:25

O aquecido mercado de marketing esportivo no Brasil, que vem aproximando sua atuação do mercado promocional, acaba de ganhar mais um player de peso. A Momentum, rede global de marketing promocional do McCann Worldgroup, firmou sociedade com Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1. Ele torna-se sócio do escritório brasileiro da Momentum Sports, nova unidade de marketing esportivo que irá disputar as oportunidades de negócios que serão geradas ao longo dos próximos cinco anos com a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil.

Com a proposta de “transformar fãs do esporte em fãs de marcas”, a Momentum Sports terá atividade independente da Momentum, mas responderá ao presidente da rede no País, Marcos Lacerda. Fittipaldi fará parte do conselho administrativo da Momentum Sports que terá também Washington Olivetto, chairman da WMcCann, e Kevin McNulty, chief marketing officer da Momentum Worldwide e presidente mundial da Momentum Sports.

No Brasil, a empresa já procura um executivo para a função de diretor geral da operação esportiva, que terá como principais ofertas de serviços a consultoria estratégica em esporte, a ativação de patrocínios e a gestão de carreira para atletas.

Lacerda conta que a Momentum Sports foi lançada nos Estados Unidos pouco antes das Olimpíadas de 2008, com o objetivo de ser uma unidade temporária para atender os interesses de seus clientes em ações visando os jogos na China. No entanto, o envolvimento da Momentum com projetos olímpicos data desde 1996 nos jogos realizados em Atlanta (EUA). A McCann Erickson, por sua vez, detém a conta publicitária dos Jogos de Londres 2012.

“A partir de agora, porém, teremos uma rede que terá no Brasil sua primeira filial”, conta Lacerda. As próximas filiais a serem lançadas pela Momentum Sports serão em Londres e Pequim, mas também há planos para montar operações nos Estados Unidos e no Japão, onde Fittipaldi também deve colaborar por conta de sua experiência internacional no ramo do marketing.

Todas as unidades da Momentum Sports atuarão subordinadas aos comandos locais da Momentum, afirma Lacerda, com o objetivo de coordenar inteligência promocional com o know how específico das ações esportivas. “Isso facilitará inclusive um eventual alinhamento de clientes da Momentum, que terão a nova unidade de esportes à sua disposição”, frisa ele.

Com a sociedade firmada entre sua empresa, a EF Marketing, e a Momentum, Fittipaldi conta que também está delegando ao novo empreendimento a tarefa de gerenciar a sua própria carreira de garoto propaganda. “Sou sócio e também cliente”, diz. O ex-piloto conta que a aproximação com a Momentum aconteceu com a intermediação de Washington Olivetto, amigo de longa data e também parceiro em algumas campanhas publicitárias, com a desenvolvida no final do ano passado pela WMCann para a Braskem tendo Fittipaldi como garoto-propaganda. Com a Momentum, o ex-piloto desenvolve um projeto com exposições para comemorar os 40 anos de sua primeira vitória na Fórmula 1, conquistada em 1970, e seu primeiro título, dois anos depois.

Indagado sobre o papel efetivo que terá na Momentum Sports, Fittipaldi lembra que seus mais de 40 anos de trânsito na condição de ídolo no circuito mundial de automobilismo lhe conferem uma experiência diferenciada no mundo dos negócios do esporte. “O automobilismo é o esporte pioneiro em termos de aproximação com o marketing. O Emerson, por sua vez, também é um dos pioneiros no Brasil nesse ramo”, afirma Olivetto. “Sempre lidei com os principais executivos de montadoras e de empresas que patrocinam os esportes a motor”, emenda o bicampeão da F1.

Outro trunfo foi a sua inclusão na Laurus World Sports Academy, uma associação que reúne 47 dos maiores ícones do esporte mundial em prol de projetos sociais em todo mundo – Franz Beckenbauer, Nadia Comanec, Mark Spitz e John McEnroe, entre outros –, dentre os quais Fittipaldi é o único representante brasileiro. O projeto apoia 84 projetos sociais em todo mundo graças aos 40 milhões de euros arrecadados com a ajuda dos ídolos. “A proximidade com esses ídolos também pode abrir muitas portas”, acredita Fittipaldi.

Lacerda acrescenta que cultivar a proximidade com as principais confederações esportivas do Brasil e do mundo também será uma das atribuições do empreendimento. Para tirar o melhor proveito das leis de incentivo ao esporte foi contratado o escritório Peixoto & Curi, para prestará consultoria jurídica a Momentum Sports. Os nomes confirmados até o momento na equipe da agência são as executivas de conta Vanessa Braga e Bruna Iglesias, além do executivo de negócios Bruno Mendonça.

Gigante dos pré-pagos investe no Brasil

Fonte: Folha de S. PauloBlackhawk
Por Camila Fusco – de São Paulo
Publicado em 10 de setembro de 2011

De olho em um mercado que movimentará US$ 18 bilhões nos próximos anos, a americana Blackhawk, operadora de cartões pré-pagos de presente e de débito, desembarca no Brasil.

A empresa, que no mundo administra cartões de presente de marcas como Nike e Sephora –e de conteúdo digital como do iTunes, da Apple– abrirá escritório em São Paulo. As parcerias no país ainda não estão definidas.

Segundo o modelo de negócios, a Blackhawk fecha parceria com as marcas, sejam lojas físicas ou de conteúdo digital, sejam empresas de varejo, onde os cartões são vendidos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, é comum ver cartões de presente da rede de roupas GAP à venda em redes de supermercados como a Target ou conteúdo de presente de jogos da Disney na varejista de eletrônicos Best Buy.

“O mercado brasileiro cresce rapidamente com uma classe média emergente de grande potencial para o consumo de cartões pré-pagos, como já ficou provado no mercado de telecomunicações”, diz Daniel Dmochowski, líder de expansão internacional da marca.

Estima-se que, em 2010, o mercado nacional de cartões pré-pagos de celulares tenha movimentado US$ 10 bilhões.

MERCADO NACIONAL

Até hoje a empresa atuava em 18 países – EUA, Canadá e Japão, entre eles – com cartões em 100 mil pontos de venda. Na América do Sul, o Brasil é o primeiro país a receber o escritório.

Segundo levantamento da Mastercard ao qual a FOLHA teve acesso, o setor deverá crescer nove vezes até 2017 em relação aos US$ 2 bilhões movimentados em 2009.

O valor fica acima da média mundial para o período, que será de três vezes de expansão, segundo o estudo.

Para Dmochowski, o Brasil deve seguir a tendência semelhante à dos EUA no início da década passada, quando o segmento de cartões pré-pagos começou a se popularizar. Hoje, US$ 40 bilhões são movimentados or ano.

O conteúdo comrecializado pela Blackhawk inclui serviços on-line, conteúdo digital e lojas físicas, além de cartões de débito pré-pagos.

No mundo, a empresa tem parceria com a Visa. O comprador que escolhe um cartão do gênero (chamado de “open-loop”) escolhe o valor do crédito, que pode ser gasto nos estabelecimentos que aceitam a bandeira do cartão.

O modelo de negócio da Blackhawk é basedo na emissão dos cartões, compartilhamento da receita sobre a venda e serviço para ativação junto às marcas.

Até o fim do ano, os planos do Blackhawk envolvem a venda de cartões pré-pagos para jogos de internet, em até duas redes de varejo ainda não divulgadas. O grupo que ainda negociar cartões com produtos locais.

Pirateada na China, Wizard cria rede social

Fonte: Folha.com
Por Camila Fusco – de São Paulo
Publicado em 10 de setembro de 2011

Principal franqueador de escolas de idiomas e dWeSpeake ensino profissional do Brasil com 3.500 unidades, o grupo Multi, dono da Wizard, do Yágizi e da Skill, criou uma rede social para ensinar inglês.

Batizada de WeSpeak, a rede gratuita é baseada nos pilares de áudio, vídeo, lições escritas e plantão de dúvidas.

Pelo modelo, o usuário se cadastra, define o nível de conhecimento do idioma e tem acesso às lições. Também pode publicar posts e fotos, como no Facebook, e interagir com outros estudantes.

A rede social estreia na próxima segunda-feira com a proposta de complementar o ensino nas aulas presenciais e ser uma aliada no projeto de expansão internacional do grupo.

Hoje com 50 escolas em dez países como EUA, China, Irlanda e Japão, o Multi enfrenta dificuldades para rentabilizar as operações franqueadas, cuja principal fonte de receita é a venda de material didático.

“Crescemos com base em franquias no Brasil, mas é um desafio implantar o sistema em outras regiões do mundo”, diz Carlos Wizard Martins, fundador do grupo.

Na China, onde tem 10 mil alunos numa parceria firmada com a secretaria local de educação, a rede enfrenta a pirataria de material didático e por isso estreará a WeSpeak simultaneamente à operação no Brasil.

“Estamos há quase dois anos por lá e vimos a necessidade de mudar o modelo comercial. Na China, será o ensino virtual a principal fonte de receita.”

ENSINO À DISTÂNCIA

Para comandar a estrutura pedagógica, o Multi contratou Michael Moore, um dos gurus do ensino à distância.

O executivo será responsável pela estrutura do portal a partir dos EUA.


Uma das funcionalidades do site será aproximar professores e alunos, numa espécie de LinkedIn do ensino.

Num espaço específico, os professores de qualquer lugar do mundo poderão apresentar seus serviços. A contratação é feita pelo site e o usuário pode pagar com cartão de crédito.

Do total recebido pelo professor, a rede social fica com 20%. As comissões serão seu principal modelo de negócios por não haver assinatura cobrada dos alunos

A ideia é chegar até o fim do ano a 1 milhão de usuários do serviço e, segundo Martins, não haverá concorrência com as aulas presenciais.

Os investimentos nos dois primeiros anos de operação serão de R$ 10 milhões.

EXPANSÃO LOCAL

Após os investimentos de mais de R$ 200 milhões com aquisições em 2010, o grupo Multi passou o primeiro semestre do ano focado na integração das empresas.

Os planos, porém, são de continuar a estratégia de consolidação, principalmente em sistemas de ensino.

A rede mantém os planos de abertura de capital, mas não tem prazo estabelecido.

“A entrada do fundo Kinea [braço de investimentos do Itaú] no fim do ano passado colaborou como preparação de governança corporativa. Agora estamos ajustando outros controles”, diz Martins.

Nextel atualiza identidade visual

Fonte: M&MOnline
Por Roseani Rocha Nextel_novo
Publicado em 19 de setembro de 2011

Companhia busca uma face condizente com seu posicionamento de marca arrojado

A Nextel anuncia oficialmente, nesta segunda-feira, 19, sua nova identidade visual, com a qual pretende ampliar a sintonia com seu “clube” de clientes. As mudanças tiveram o Brasil como protagonista: foi a filial brasileira quem indicou a consultoria de branding norte-americana Landor para tocar a repaginação visual da companhia.

As novidades começam pelas cores. Sai o bordô, entra em cena um laranja vibrante. O asterisco que até aqui caracterizou a marca será substituído por um ícone “conector”, para transmitir a ideia de aproximação entre as redes, pessoas e seus sonhos/realizações.

As mudanças serão amplas. Envolverão a papelaria da empresa, a fachada dos escritórios, toda a linha de embalagens e um novo site para e-commerce. Até a remodelação “dramática”, como dizem os envolvidos no processo, de todas as suas 98 lojas no Brasil, a começar por São Paulo e Rio de Janeiro, com finalização prevista para início de 2012. A Nextel Brasil é parte da NII Holding, com sede nos EUA, com presença também no Chile, Peru, México e Argentina.

Vice-presidente de marketing da Nextel Brasil, Gustavo Diament diz que há dois anos a empresa iniciou um “projeto forte”, denominado Consumer Market Expansion (CME), ligado às licenças de 3G que poderia adquirir naquele momento. Somente Chile e Peru possuíam a permissão. No Brasil e México, mercados mais importantes, a empresa pleiteava esse direito, que, no caso brasileiro, começará a valer em 2012. “Dentro das iniciativas do CME, a marca era importante e já estava ficando antiquada, mesmo para falar com nossos clientes corporativos, quanto mais para pessoas físicas”, diz Diament. Investimento previsto? “À altura de um grande lançamento.”
 
“Seu mundo. Agora”

O posicionamento adotado no Brasil em 2008, apoiado pela campanha “Bem-vindo ao clube”, fez o valor da marca dobrar, calcula o executivo. No ano seguinte, a valorização teria sido de outros 70%. A necessidade, então, era uma nova logomarca, código de cores e assinatura, que passa a ser “Seu mundo. Agora”. Alex Rocco, há três meses diretor de comunicação da Nextel, acrescenta que as mudanças incluirão novo mobiliário nas lojas, mais confortável.

Diament garante que a nova identidade visual foi exaustivamente testada junto ao público-alvo da empresa, hoje com 3,7 milhões de clientes no Brasil e muita expectativa diante da entrada no mercado 3G, com o qual espera triplicar essa base até 2015.
 
Quebra de paradigma

Além de evento de lançamento da nova identidade no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 19, à noite, com direito a show de Lulu Santos, entra no ar campanha desenvolvida pela Loducca, com veiculação até o fim do ano. Reaparecem nesta fase personagens da fase “Bem-vindo ao clube”, cuja linguagem inovou a comunicação do segmento.

Desta vez, frases dos filmes anteriores são pronunciadas pelos personagens Alex Atala, Herbert Vianna, MV Bill, Fernanda Young e Fábio Assunção, mas os quatro atuam em meio a outras pessoas que circulam pelos cenários, parte deles lembrando as famosas escadas dos quadros de Escher. O filme de 60 segundos terá duas versões de 30, uma somente com música e outra com locuções das personagens. Os comerciais são embalados pela trilha do clássico “Come together”, na versão da banda norte-americana Blake Mills.

O plano crossmedia, além de TV, contempla mídia impressa (revistas, jornais) e uma plataforma online, que inicialmente apresentará as novidades na identidade visual da companhia e, em um segundo momento, aposta na interação com os clientes e potenciais clientes.

A invasão de dólares

Fonte: ISTOÉ Dinheiro
Por Lilian SOBRAL
Publicado em 16 de setembro de 2011

A invasão de dólares

O private equity deve captar US$ 12 bilhões em 2011 e US$ 20 bilhões em 2012, novas casas abrem as portas e o mercado se diversifica. Conheça quem está financiando o empreendedorismo brasileiro

O Brasil entrou de vez na rota do private equity. Nunca tanto dinheiro vindo desses fundos foi destinado a empresas brasileiras. Quatro fatos demonstram bem o novo momento do setor:
• Entre 2004 e 2007, 150 companhias abriram capital na bolsa. Desse total, 41, ou 27%, contavam com um fundo entre seus acionistas antes do lançamento. Esse percentual mais que dobrou. Neste ano, até setembro, foram realizados 11 lançamentos de ações e seis deles, ou 55%, tinham participação dos fundos. Os fundos participaram de oito dos 11 lançamentos de 2010, ou 73%.
• A gestora brasileira Ocroma, que começou a operar em 2008, lançou neste ano um fundo de fundos de private equity. Seu foco são as pessoas físicas com R$ 1 milhão ou mais para investir. ”O mercado está maduro para oferecer esses fundos aos investidores individuais”, diz Leonardo Ribeiro, sócio da Ocroma.
• A abertura de capital da fabricante de relógios Technos, em julho, teve a participação não apenas de um fundo de private equity, mas de dois deles. O chamado ”club deal”, ou investimento em grupo, comum nos Estados Unidos, mas que nunca havia ocorrido por aqui até então.
• Em 2010, o brasileiro TreeCorp começou suas atividades. É o primeiro fundo dedicado apenas a empresas embrionárias, o chamado capital semente, em que os aportes são relativamente pequenos, mas os retornos podem ser grandes. ”Buscamos boas ideias com bom potencial”, diz Daniel McQuoid, sócio do Tree.


Num cenário como esse, os números falam por si mesmos. Os fundos no Brasil devem captar US$ 12 bilhões neste ano, cifra que deve subir para US$ 20 bilhões em 2012, segundo um levantamento do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getulio Vargas (FGV). Esse dinheiro representa o capital disponível, não o total já investido nas empresas. Só para comparar, entre 1994 e 1999, o total enviado para a América Latina foi de cerca de US$ 12 bilhões. Entre 2000 e 2004, os investidores mantiveram-se retraídos, por temerem a crise na Argentina e a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi o chamado ''inverno nuclear'', em que a indústria quase não recebeu dinheiro novo. No entanto, tudo mudou a partir de 2004, devido às boas perspectivas para a economia brasileira. A partir daquele ano, a vinda de recursos subiu para US$ 4 bilhões anuais. Em 2010, essa cifra avançou para US$ 5,5 bilhões. Com uma diferença importante: na década passada, o Brasil recebia 50% dos aportes para a América Latina. Agora, esse percentual supera os 90%.
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O crescimento não é só quantitativo. Também é qualitativo. Mais que simplesmente exibir números bem robustos, o setor mudou de patamar e ampliou seu escopo. ''Houve uma convergência de fatores positivos'', diz Marco Nicola D'Ippolito, sócio responsável pelas aplicações em private equity da empresa de administração de recursos Pátria. Segundo D'Ippolito, com a estabilidade e a pujança da economia, os grandes poupadores passaram a enxergar o Brasil como uma alternativa importante, num momento em que os retornos na Europa e nos Estados Unidos pioraram. Além disso, os ganhos colhidos por quem já está aqui há mais tempo são um argumento irrespondível. ''O tempo é dedo-duro'', diz D'Ippolito. ''Quando vários gestores mostram resultados bons e consistentes durante anos, todos percebem que não é fogo de palha.'' No caso do Pátria, a rentabilidade média em dólares é de 27% ao ano, desde o início de suas atividades, há mais de uma década contra 36% da média do mercado.  ''Atualmente, os gestores buscam oportunidades em todos os setores'', diz Patrice Etlin, sócio da empresa de gestão de recursos Advent, uma das mais tradicionais no Brasil.
Um desses garimpeiros de bons negócios é a Kinea, empresa de gestão de investimentos alternativos do Itaú Unibanco. Fundada em 2007, ela começou a estruturar seu private equity em 2009 e já administra R$ 500 milhões, 25% do portfólio total. Fazendo jus ao nome ''kinea, em grego, significa movimento '', o crescimento tem sido acelerado. ''Nosso estilo de gestão é assumir posições minoritárias nas empresas e ajudar na gestão'', diz Cristiano Gioia Lauretti, sócio responsável pela área. O foco da Kinea são empresas com geração de caixa em torno dos R$ 300 milhões e os investimentos oscilam entre R$ 70 milhões e R$ 200 milhões. O primeiro aporte ocorreu em novembro do ano passado, uma injeção de R$ 200 milhões no grupo Multi, dono da rede de ensino de idiomas Wizard. A abundância de oportunidades permite que os fundos se especializem. A Rio Bravo, criada pelo ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, opera dois fundos dedicados ao Nordeste. ''É uma região com um crescimento acima da média nacional e decidimos aproveitar esse potencial'', diz Luiz Eugenio Figueiredo, diretor da Rio Bravo. O primeiro fundo, de cerca de R$ 20 milhões, foi aberto em 2002, já aplicou em quatro empresas, e desinvestiu de duas.
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O segundo dispõe de R$ 130 milhões. ''Há setores que crescem com a melhor distribuição de renda e outros, ligados à exportação, têm grande potencial devido à posição geográfica do Nordeste'', afirma Figueiredo. A Rio Bravo tem quase R$ 5 bilhões sob gestão, sendo que R$ 500 milhões estão divididos em oito fundos de private equity e de venture capital. ''Estamos estudando lançar dois novos'', afirma Figueiredo, que espera estruturar as novidades até dezembro. A pesquisa da FGV indica que 20 novas gestoras deverão começar suas atividades por aqui neste ano. ''O Brasil tem setores aquecidos e empresas que precisam de profissionalização, o que atrai os fundos'', diz o professor Adalberto Brandão, coordenador da pesquisa. Escolhendo empresas pequenas ou grandes, os gestores terão de brigar mais pelos melhores negócios de agora em diante. É o caso da Kinea. Seu segundo aporte ocorreu em junho, quando comprou 47% do capital da locadora de automóveis Unidas, ao lado da Vinci Partners, de Gilberto Sayão, ex-Pactual, e da Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Cada uma das três gestoras colocou uma fatia igual de R$ 100 milhões na empresa. Esse tipo de negócio, em que mais de um fundo se une em torno de uma mesma compra, chama-se ''club deal''. Foi uma das primeiras transações desse tipo registradas no Brasil, ao lado da abertura de capital da Technos.
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Sua realização mostra que o mercado está mais competitivo. Até há alguns anos, um fundo poderia se dar ao luxo de procurar preços. Hoje, os bons alvos têm vários interessados e será preciso partilhar os melhores negócios. ''A concorrência maior vai aumentar o número de 'club deals' ", diz Lauretti. Além dos recém-chegados, quem já está por aqui deve pisar no acelerador. Um bom exemplo é a americana General Atlantic, que desembarcou por aqui no ano 2000, mas passou vários anos apenas flertando com o mercado. No entanto, ao subir ao altar, ela mostrou que suas intenções eram sérias. Seu primeiro investimento só foi realizado em 2007, quando comprou uma participação de 10% na então Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) por cerca de US$ 600 milhões. Esse foi o maior investimento do grupo, de um total de US$ 1 bilhão aplicado no País. ''Com esse investimento, pudemos apoiar o processo de abertura de capital da BM&F e também sua fusão com a Bovespa'', diz Fernando Marques Oliveira, que comanda a operação da General Atlantic. O IPO, porém, não foi a porta de saída da companhia, que permanece como acionista da atual BM&FBovespa. ''Decidimos que vale a pena ficar mais tempo com esse investimento'', diz Oliveira. Outro fundo de private equity que começa a crescer nos rankings é o britânico Actis, que já investiu em três empresas. Uma delas é a gaúcha XP Investimentos, que congrega corretagem de ações e educação financeira e anunciou na quinta-feira 8 a compra do site de finanças pessoais InfoMoney.
A XP anunciou sua intenção de abrir capital até 2012. ''Tomamos a decisão e definimos essa estratégia em uma reunião do Conselho de Administração, em Londres'', adiantou em junho o sócio da XP, Guilherme Benchimol. A iniciativa de montar um Conselho e fazer reuniões periódicas para alinhar a estratégia foi uma ''sugestão'' da Actis. ''Abrir capital era só uma ideia, mas com a entrada da Actis nós percebemos a necessidade de melhorar nossa governança corporativa antes de ir ao mercado'', afirmou Benchimol. A estratégia da Actis no Brasil é buscar empresas capazes de receber pelo menos US$ 50 milhões. O fundo já aplicou R$ 290 milhões. Além da XP, receberam recursos a rede de supermercados paranaense Companhia Sulamericana de Distribuição (CSD) e a fabricante de produtos de higiene e limpeza paulista Gtex. Seu poder de fogo é apreciável. Dos US$ 2,9 bilhões geridos, US$ 450 milhões são destinados à América Latina, principalmente ao Brasil. ''Vamos anunciar dois novos investimentos em breve, um na área de educação e outro no setor de alimentos, em um total de US$ 180 milhões'', disse Chu Kong, sócio da Actis na América Latina, com exclusividade à DINHEIRO.
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Nas pegadas da Actis, sua compatriota 3i, com 12,7 bilhões de libras (US$ 20,1 bilhões) sob gestão, também veio para cá. Ela abriu escritório em abril e, após avaliar mais de 100 empresas, está finalizando o primeiro investimento. Discreto, o sócio Marcelo di Lorenzo não confirma nomes ou números, mas não disfarça a animação. ''Queremos investir diretamente e também apoiar as companhias estrangeiras nas quais participamos e que se interessem por fazer negócios no Brasil.'' Os setores preferidos são consumo, tecnologia, saúde e serviços financeiros. O mais recente dentre os calouros é a americana Hamilton Lane, que tem ativos globais de US$ 17 bilhões sob gestão e abriu sua representação na quinta-feira 8. ''O Brasil conta com muitas empresas jovens, ou seja, novas oportunidades'', diz o CEO mundial Mario Gianini. A empresa trará para o Brasil a chamada aplicação secundária, em que o gestor oferece saída para investidores que precisam vender suas aplicações antes do previsto. A companhia também está de olho nos ''club deals''. Se uma empresa vender 100% de seu capital aos fundos, a Hamilton Lane compraria, no máximo, 40%. ''Isso diversifica nosso portfólio e reduz o risco'', diz Filipe Caldas, vice-presidente para o Brasil.
O setor tem se mostrado tão aquecido que os fundos começam a vender suas participações para concorrentes. A General Atlantic comprou, no fim de 2008, uma participação estimada de 42% na empresa de saúde coletiva Qualicorp (nenhum dos participantes do negócio confirma os números). Menos de dois anos depois, em julho de 2010, as ações foram vendidas para o Carlyle Group, que levou toda a Qualicorp. Pelo script tradicional, a General Atlantic só venderia suas ações em 2013. No entanto, o Carlyle fez uma proposta irrecusável. ''Foi uma ocasião excepcional'', comemora Oliveira, da General Atlantic, sem revelar o lucro obtido na transação. Da mesma forma, a abertura de capital da Qualicorp não teria sido possível sem essa injeção de dinheiro dos fundos. Para um empreendedor, ter um desses pesos-pesados entre seus sócios pode significar a diferença entre tornar-se caçador ou virar caça. ''Esse investimento era o que precisávamos para continuar nossa expansão'', diz Alberto Menache, presidente da Linx, empresa paulista de tecnologia para o varejo que recebeu um aporte da General Atlantic.
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Compradora agressiva, antes do aporte a Linx fez sete aquisições em três anos, como, por exemplo, a empresa de software gaúcha CustomBS. Boa parte dessas compras contou com o financiamento de recursos do BNDES. Segundo Menache, o apetite da Linx atraiu vários fundos. O que fez a decisão pender em favor da General Atlantic foi sua rede de contatos: ela investe em um certo Facebook, iniciativa de um tal Mark Zuckerberg - ativo que não consta do balanço de nenhum banco por aqui. ''Dinheiro é fácil para as empresas arrumarem, mas a experiência e a rede de relacionamentos que podemos oferecer é o mais importante'', diz Patrick Ledoux, sócio da Actis na América Latina. O capital e as conexões são bálsamos para qualquer empreendedor, mas não são os únicos. Há mais vantagens. Uma pesquisa da Manpower mostra que 64% dos empresários brasileiros avaliam que contratar funcionários é uma de suas principais dificuldades. A escassez de mão de obra passa pelos operários e técnicos, mas é mais aguda entre os executivos de média e alta gestão - aqueles profissionais com vastas doses de experiência e bons relacionamentos, capazes de abrir portas antes intransponíveis.
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Contratar um profissional desses não custa apenas (muito) dinheiro. É preciso oferecer-lhe um desafio que enriqueça seu currículo. Nesse ponto, diz Etlin, do Advent, a presença de um fundo amplia enormemente as possibilidades de contratação. Ser o timoneiro de uma companhia fechada em sua jornada para a abertura do capital na bolsa ou para os braços de um conglomerado internacional não oferece apenas visibilidade. ''O executivo pode acabar com um bom dinheiro no bolso'', afirma Etlin. Um bom exemplo é a Cetip, empresa que presta serviços de registro, custódia, negociação e liquidação de ativos financeiros, em que a Advent investiu em 2009. Na ocasião, a Advent comprou 32% da Cetip e mantinha ainda 10% até julho deste ano, quando se desfez das últimas ações. Seu CEO, Luiz Fernando Vendramini Fleury, então presidente do banco IBI, foi recrutado para conduzir a abertura de capital. ''Para ele foi uma excelente oportunidade'', diz Etlin. A esta altura, pode-se pensar que a atuação dos fundos de private equity seja a panaceia para os males empresariais, capaz de transformar companhias medíocres na próxima General Electric. Mas não são.
A vinda de um fundo frequentemente ameaça a zona de conforto dos empresários. Para um empreendedor, aceitar a participação de um private equity representa abrir mão do controle absoluto e passar a submeter algumas decisões à aprovação dos sócios. Nesse capítulo estão incluídos desde novos investimentos e aquisições até o lançamento de produtos e serviços, por exemplo. Ao admitir a entrada de um fundo, o empresário precisa ter claro que no mesmo instante acabou sua trajetória de dono, de senhor absoluto, que não raras vezes confunde a empresa como a extensão de seu patrimônio. Como diz o velho dito popular, ''quem tem sócio tem patrão''. Nem todos os empreendedores estão dispostos a se submeter a isso. Para não perder bons negócios, a saída encontrada pelos fundos tem sido assumir parcelas muito grandes no capital das empresas. Foi o caso da participação da Advent na rede gaúcha de lojas de material de construção Quero-Quero. Depois de várias conversas, a decisão do fundo, que entrara no negócio com a intenção de adquirir uma participação minoritária, foi comprar a quase totalidade das ações para evitar conflitos com os antigos controladores nas operações do dia a dia. Da mesma forma, os gestores de fundos não são oniscientes. Nem todas as empresas que recebem recursos são casos de sucesso.
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Ao contrário, mesmo ícones como Armínio Fraga tomam decisões ruins. Em 2007, seu fundo investiu US$ 120 milhões na companhia aérea BRA, que deixaria de voar em 2010. Da mesma forma, o GP Investimentos aplicou US$ 126 milhões na empresa de implantes odontológicos Imbra. O investimento foi feito paulatinamente a partir de outubro de 2008. No entanto, em junho de 2010, as ações foram vendidas por apenas US$ 1. Procurados, GP e Gávea não atenderam aos pedidos de entrevista. O investimento nas operações de private equity vem atraindo nomes inesperados. Um exemplo é o fundo Pitanga, criado por empresários do porte de Luiz Seabra e Guilherme Leal, fundadores da Natura, e pelos banqueiros Pedro Moreira Salles, presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Fernão e Cândido Bracher, do Itaú BBA. Por que gente como eles, com conhecimento das finanças, trânsito no mercado e dinheiro no bolso, optou por investir em pequenas empresas? ''Esse fundo permite aos sócios diversificar o portfólio pessoal'', diz Eduardo Vassimon, um dos sócios-gestores do Pitanga. ''Além disso, eles têm em comum a história de ter trabalhado em empresas que ajudaram a fazer crescer, uma expertise importante nessa indústria'', afirma Fernando Reinach, que divide com Vassimon a gestão do fundo.
O Pitanga tem R$ 100 milhões disponíveis para aplicar. Seu foco é investir na inovação. Seus sócios já esquadrinharam as contas de diversas companhias e colocaram 15 delas na mira, diz Reinach, biólogo responsável pelo sequenciamento genômico no Brasil. Fundo de venture capital, o Pitanga investe em companhias menores e em estágio menos avançado de desenvolvimento que as escolhidas pelos fundos de private equity. Os riscos crescem exponencialmente, mas os ganhos também podem ser bem maiores. Nos Estados Unidos, a média é uma em cada dez companhias que recebe dinheiro dar lucro. ''Um bom fundo de venture capital é aquele que ganha o suficiente com os bons investimentos para pagar os prejuízos das escolhas que não deram certo'', diz Vassimon. Não custa lembrar: em 1999, um fundo desse tipo cacifou os então desconhecidos estudantes de Stanford Larry Page e Sergey Brin, que queriam testar um mecanismo de busca chamado Google.
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Colaborou Cláudio Gradilone