ABA – WORKSHOP DE BRANDING – 14/JUNHO – SP

Objetivo
Transmitir os modernos conceitos de branding e apresentar as principais ferramentas para a construção e consolidação das marcas como principal diferencial competitivo da empresa. Programa que abordará os princípios gerais para construção de brand equity (Marcos Machado), o design na construção de marcas (Carlos Danger), a nova abordagem do storytelling (Júlio Moreira) e métricas para gestão de marcas (Eduardo Tomiya).

Público-Alvo
Diretores e gerentes de marketing, gerentes de marca e de produtos. Profissionais de marketing, serviços de marketing, agências de propaganda e comunicação, bem como todos que desejam manter-se familiarizados com os mais atualizados conceitos de branding.

PROGRAMA
8h30 às 18h15

08h30 às 10h30
Tendências de Mercado e Branding
&bull Tendências de mercado – Concorrência e globalização – Marcas próprias – Desafios e oportunidades.
&bull Esclarecendo o que é e o que não é Branding – Brand Equity: pilares para sua construção e fortalecimento. Construindo a Identidade de Marca
&bull Atributos – Associações organizacionais – Naming – Símbolos Visuais – Personagens.
&bull Personalidade de Marca: formando a personalidade de marca e a sua importância como diferencial competitivo.
Marcos Machado, Sócio-Consultor da Top Brands Consultoria de Branding. 10h30 às 11h00 – Coffee-break 11h00 às 12h30
Posicionamento de Marcas
&bull Metodologia de posicionamento – Definindo amplitude de categoria e extensão de marca – Escolhendo o público-alvo – Pontos de paridade e diferenciais da marca.

Arquitetura de Marcas
&bull Relações entre marcas – Marcas endossantes, diferenciadoras, de combate ou imagem – Alternativas de modelos de arquitetura de marcas – Matriz marca/produto para análise de portfólio de marcas.
Marcos Machado, Sócio-Consultor da TopBrands Consultoria de Branding. 12h30 às 14h00 – Almoço Livre 14h00 às 15h30
O Design na Construção de Marca
&bull O processo criativo – Seleção de alternativas e processo de aprovação.
&bull Marca e Linguagem Visual
&bull Os desafios da implantação: não basta uma marca forte (cases Drogasil, Tigre e Vale).
Carlos Dranger, Diretor Associado da Cauduro Associados. 15h30 às 16h00 – Coffee-break 16h00 às 17h00
Brand Storytelling: Como Criar uma Narrativa para a sua Marca
&bull A Construçao da Relevância
&bull Significados que Mexem com seus Clientes
&bull Conquistando e Envolvendo seu Consumidor
Júlio Moreira, Sócio-Consultor da TopBrands Consultoria de Branding. 17h00 às 18h15
Monitorando um Programa de Branding: Um Sistema de Métricas de Gestão do Valor da Marca
&bull Por que monitorar um programa de branding.
&bull Derrubando mitos sobre brand valuation.
&bull Scorecards e mensuração de ROI.
Eduardo Tomiya, Diretor Geral da BrandAnalytics.

Marcas do bem

Especialistas avaliam o mais novo investimento da ONG de Nelson Mandela, a grife de roupas 46664 Apparel, que foi lançada em março, para financiar os projetos de combate à Aids na África do Sul

No início de março, a ONG 46664, fundada por Nelson Mandela, apresentou ao mundo uma nova marca baseada na imagem do ex-presidente da África do Sul e ícone da luta contra o Apartheid.

Batizada de 46664 Apparel, a grife de roupas femininas e masculinas traz estampada na etiqueta o número que

Mandela carregou durante os 27 anos que passou na prisão, como resultado de sua luta política contra o regime que, por mais de quatro décadas, separou brancos e negros.

A primeira coleção deverá ser apresentada aos sul-africanos a partir do segundo semestre, quando uma loja-conceito da marca será inaugurada em Joanesburgo. O próximo passo será a implantação de um site direcionado à venda online dos produtos. Tudo isso para a entidade atingir a sustentabilidade financeira necessária à realização de programas de combate à Aids na região. “O número 46664 é historicamente popular e, quem levar uma peça da marca, estará levando uma parte significativa da história da África”, comenta Achmat Dangor, diretor-executivo da Fundação Nelson Mandela, durante o lançamento da grife, que está sendo desenvolvida em parceria com a Seardel, maior fabricante têxtil da África do Sul.

Para Eduardo Tomiya, diretor-geral da BrandAnalytics, a marca tem tudo para se transformar em um case não só no segmento do marketing social, mas também na área de branding. “Ao combater a discriminação racial e outras formas de preconceito, Nelson Mandela passou a ser um símbolo mundial, que agrega uma série de atributos positivos a sua imagem. O desafio agora está em como conceber um modelo de licenciamento, alinhado aos valores da fundação que essa grife vai representar.”

O especialista em branding assegura que a causa é forte e tem um grande poder de penetração junto à sociedade.

“Temos muitos casos de empresas que se vestem com o tema da responsabilidade social, porque no mercado de capitais esse valor é muito importante”, avalia Tomiya. “Nos últimos 10 anos, as ações das empresas sustentáveis valorizaram duas vezes mais do que as das companhias não sustentáveis, segundo o índice Dow Jones. E a responsabilidade social é apenas um dos pilares da sustentabilidade. ”Tomiya cita o Instituto Ayrton Senna como um dos grandes cases nacionais na área de responsabilidade social. “A instituição trabalha com inúmeros produtos licenciados, mas tem regras claras para que a qualidade e os atributos da marca sejam percebidos pelos consumidores.”

Neste caso, não faria sentido licenciar a marca 46664 de Nelson Mandela para uma indústria tabagista. “Saber administrar esse processo de licenciamento é uma arte, porque a identidade da marca passa para as mãos de um terceiro. É por isso que muitas franquias falham”, observa o executivo.

Imagem de valor

Criado em 1994, o Instituto Ayrton Senna é um dos maiores incentivadores da educação no Brasil. Ao todo, o IAS administra nove programas educacionais em 24 estados, atendendo a 2 milhões de crianças.

“Trabalhamos com três marcas – Ayrton Senna, Senninha e Instituto Ayrton Senna. Quando uma empresa licencia uma delas, automaticamente está fazendo uma ação social, já que 100% dos royalties são investidos nos projetos educacionais”, explica o gerente de marketing do Instituto Ayrton Senna, Irineu Villanoeva. “O IAS investe cerca de R$ 20 milhões por ano em educação, sendo que mais de 55% dessa cifra é gerada por meio do licenciamento de nossas marcas.”

De acordo com o gerente de licenciamento do IAS, Mauro Ratto, atualmente, mais de 40 empresas utilizam a marca Ayrton Senna e outras 25 companhias trabalham com o personagem Senninha. “Licenciamos desde ações sociais até produtos. No caso da marca Ayrton Senna, os principais licenciamentos são para vestuário, capacetes, relógios e óculos. Já com o Senninha, óculos, calçados e alimentos são os itens mais licenciados.”

Ele lembra ainda que o primeiro produto a ser licenciado foi o cartão de crédito do Instituto Ayrton Senna para a Credicard, há 16 anos. “São essas parcerias sociais que estabelecemos com as empresas que dão sustentabilidade aos projetos do IAS”, assegura Ratto, que já negou muitos pedidos de licenciamento por acreditar que determinados produtos não dividem a mesma filosofia da entidade. “A grande ciência está em ano é aumentar nosso volume de negócios em 30%”, prevê Villanoeva, que acaba de lançar uma campanha nas redes sociais para mostrar como os programas educacionais da organização acontecem na prática. Criada pela JWT, a ação Turma da Educação é protagonizada pela atriz Maria Fernanda Cândido, que apresenta como funciona o Programa Acelera Brasil na sala de aula de escolas das cidades do Rio de Janeiro (RJ), Remígio (PB) e Conceição da Barra (ES). Para cada view, a Credicard – empresa parceira do projeto – está doando R$ 2 ao Instituto Ayrton Senna. Quando o internauta assiste ao vídeo até o final, ele ganha um certificado de que concluiu uma “aula” e é convidado a compartilhar essa experiência nas mídias sociais, estimulando a participação de outras pessoas em torno da causa. “Nosso desafio agora é ampliar os pontos de contato de nossas marcas com o público, principalmente, com aquela geração que não viveu a era Ayrton Senna na Fórmula 1. Por isso, estamos trabalhando os atributos do piloto e do IAS nas redes sociais”, finaliza o gerente de marketing do Instituto Ayrton Senna.

Amil será apenas marca corporativa

Fonte: Valor Econômico
Por Beth Koike

Publicado em 19 de maio de 2011

SÃO PAULO – Avaliada em R$ 386 milhões pela consultoria BrandAnalytics, a marca Amil deixará de existir como plano de saúde. Ela passará a ser uma marca exclusivamente corporativa a partir do próximo mês. Com a mudança, o plano atualmente denominado Amil ou Amil Blue passa a se chamar apenas Blue – categoria voltada normalmente para as classes média e média-alta.A operadora conta ainda com outras três linhas de planos de saúde. A One Health, destinada ao público premium, a Medial que atende as pessoas da classe média-baixa e a Dix, cujo foco é o público de baixa renda.”A Amil será a marca-mãe, a bandeira da empresa. Nessa nova fase, vamos sempre associar as nossas quatro linhas de planos de saúde à marca Amil, que é muito forte”, explicou Norberto Birman, diretor corporativo da Amil. A operadora é a maior empresa de planos de saúde do mercado com 5,5 milhões de beneficiários.”Trata-se de uma estratégia ousada porque a marca Amil é muito conhecida, basicamente por causa do seu plano de saúde”, disse Eduardo Tomiya, sócio da consultoria BrandAnalytics. “Mas outras empresas, como a Fiat e Volkswagen, por exemplo, já fizeram ações semelhantes, de migrar a marca de um produto para uma marca corporativa e foi uma experiência bem sucedida”.Estudo elaborado pela BrandAnalytics mostra que entre as 50 marcas mais valiosas de todo o mercado nacional, a Amil está posicionada como 32ª. O valor da marca Amil no ano passado era de R$ 386 milhões, alta de quase 149% em relação a 2009. Na área da saúde, a operadora tem a marca mais valiosa.

As marcas mais valiosas do Brasil em 2011

Capa_Istoé_Ranking2010Fonte: ISTO É Dinheiro
Por Ralphe Manzoni Jr
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Publicado em 13 de maio de 2011

Puxadas pelo consumo da nova classe média brasileira, as 50 maiores grifes nacionais ganham força e atingem um valor inédito de R$ 135 bilhões. Saiba como Petrobras, Itaú, Bradesco, BB e Natura se consagraram no topo do ranking DINHEIRO/BrandAnalytics

Clique e ouça um resumo da reportagem
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Vídeo: conheça detalhes sobre o estudo e sua importância para o mercado
Em abril de 2010, uma gigantesca mancha de óleo espalhou-se pelo Golfo do México, comprometendo a reputação da maioria das empresas de petróleo. O acidente em um poço em águas profundas da British Petroleum (BP) obrigou a companhia britânica a gastar mais de US$ 40 bilhões em indenizações, multas e nos esforços para tapar o vazamento, que levou poluição e destruição à costa da Louisiana e do Alabama e Texas, nos Estados Unidos. Os danos, contudo, não foram só ambientais.
A imagem da BP saiu, literalmente, manchada do episódio, que respingou também em muitos concorrentes. Por esse motivo, chega a ser surpreendente que o valor da marca Petrobras tenha crescido 39% nesse período e chegado a US$ 13,4 bilhões (R$ 23,6 bilhões). Esse desempenho fez com que a petrolífera brasileira fosse, pela segunda vez consecutiva, a marca mais valiosa do Brasil e a 61ª do mundo – à frente, inclusive, da BP, que viu sua grife recuar  27% –, de acordo com a pesquisa As Marcas Mais Valiosas do Brasil em 2011, realizada em parceria pela DINHEIRO e pela BrandAnalytics/Millward Brown.
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Ao contrário da sua rival britânica, a Petrobras é reconhecida como uma companhia com tecnologia de ponta e especialista na exploração de petróleo em águas profundas. Some-se a isso a descoberta do pré-sal e da bem-sucedida capitalização de R$ 120 bilhões, em setembro, a maior da história do capitalismo e se terá uma boa parte da explicação para o salto do valor da marca da Petrobras, em 2010.
“A companhia melhorou sua imagem por ser considerada uma empresa que se preocupa com o meio ambiente e devido ao sucesso de sua captação na bolsa”, diz Eduardo Tomiya, diretor-geral da BrandAnalytics e coordenador do estudo. A estatal brasileira, presidida por José Sergio Gabrielli,  pretende dar um salto mais ousado em 2011. “Temos uma infinidade de marcas, como Transpetro, Petrobras Distribuidora, Petroquisa e Gaspetro”, diz Wilson Santarosa, gerente-executivo de comunicação institucional da Petrobras. “Vamos unificá-las.”
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Gabrielli, da Petrobras: a capitalização de R$ 120 bilhões e a experiência em exploração de petróleo
em águas profundas fizeram da Petrobras a marca mais valiosa do Brasil pela segunda vez consecutiva
O brilho da Petrobras foi acompanhado de empresas de outros setores que também aproveitaram os bons ventos da economia brasileira. O Itaú assumiu o segundo lugar do ranking e se tornou a instituição financeira mais valiosa do Brasil, à frente do Bradesco – ambos também presentes na lista global na 90ª e na 98ª posição, respectivamente. A seguradora Porto Seguro foi a que mais se valorizou neste ano.
Marcas com apelo popular, como Anhanguera Educacional, MRV e Gol, também se destacaram. De uma forma geral, as 50 marcas mais valiosas do Brasil souberam tirar proveito do crescimento econômico, puxado pela força de consumo da classe C, e atingiram um valor inédito de US$ 76,9 bilhões (R$ 135,3 bilhões), alta de 55% em comparação ao ano anterior.
Em reais, a expansão é menor – 37%. Pode-se argumentar que a apreciação da moeda brasileira tenha ajudado as grifes nacionais a alcançar esse resultado. Em parte, a alegação é verdadeira. No entanto, vale a pena observar o desempenho das 100 maiores marcas globais, listadas num ranking produzido pela Millward Brown, a mesma consultoria da pesquisa brasileira. Em 2010, elas se valorizaram apenas 17%. A Apple, que fabrica o iPad e o iPhone, superou o Google e se transformou na marca mais valiosa do mundo.
A versão local do levantamento avaliou 200 marcas de 150 companhias brasileiras de capital aberto. No estudo, são consideradas apenas as marcas brasileiras. Assim, estrelas globais como Google, Microsoft e Coca-Cola não participam do universo pesquisado. Da mesma forma, ficam de fora as nacionais pertencentes a empresas fechadas, a exemplo de O Boticário, Habib’s e Claro, entre outras.
Além de mensurar o valor, a BrandAnalytics/Millward Brown realizou uma pesquisa para identificar as marcas mais queridas dos brasileiros, incluindo nessa sondagem as internacionais. A investigação estabelece o grau de identificação e a lealdade do consumidor para com este ou aquele nome. Para isso, foram ouvidas 14,8 mil pessoas em todo o País.
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Para eles, não há marca que mereça mais fidelidade do que o McDonald’s, que assumiu, pela primeira vez, a liderança do ranking A Marca Mais Forte do Brasil, superando o sabão em pó Omo, da Unilever. “Não seríamos uma marca reconhecida se não tivéssemos estabelecido um bom relacionamento com o consumidor”, afirma Marcelo Rabach, presidente da Arcos Dourados no Brasil, que opera o McDonald’s na América Latina.
Uma leitura atenta dos números do estudo é reveladora do que aconteceu no País em 2010. O ranking deste ano foi fortemente influenciado  pela pujança da economia brasileira, que cresceu 7,5%. Setores diretamente beneficiados  pela expansão do consumo, como moda, distribuição de combustível e transporte aéreo observaram o valor das suas marcas subir como um foguete. O primeiro teve valorização de 315%. O segundo e o terceiro, 144% e 142%, respectivamente.
Só o segmento de telecomunicações patinou, com uma valorização de 7%. Entre as 50 marcas mais valiosas do Brasil, a Oi e a Embratel foram as únicas que perderam valor. “Esse é um sinal de que os serviços estão padronizados e o consumidor não vê diferenciação entre eles”, afirma Tomiya, da BrandAnalytics.  Entre as estreantes no ranking estão Droga Raia, OdontoPrev, Riachuelo, Banrisul, Hering e Multiplus.
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Marcelo Rabach, do Mcdonald’s: a marca reformulou o cardápio e apostou na classe C.
Com isso, se transformou, pela primeira vez, na mais admirada pelos brasileiros
“Graças à associação com o Bradesco, passamos a vender pelo canal bancário nossos planos odontológicos”, afirma Randal Zanetti, presidente da OdontoPrev. “Temos planos de expansão para a classe média, com planos familiares e individuais.”  Os bancos, mais uma vez, dominam as primeiras posições do ranking. Entre os cinco primeiros lugares, três marcas são do setor financeiro: Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. A fabricante de cosméticos Natura é a quinta colocada. “O resultado mostra que as empresas começaram a entender que a gestão de marcas é importante”, diz Tomiya.
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Nada mais ilustrativo disso do que a fusão entre o Itaú e o Unibanco, uma das operações mais delicadas no tema gestão de marcas em 2010. “O Itaú tinha atributos de modernidade e tecnologia e o Unibanco, mais jogo de cintura e flexibilidade”, diz Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco. Como unir duas instituições tão diferentes?
“Precisávamos manter as coisas que eram valorizadas no Unibanco, principalmente a questão do relacionamento com o cliente. Depois de criar uma nova cultura corporativa – trabalho no qual foram ouvidos  16 mil funcionários –, o Itaú Unibanco partiu para as tarefas mais complicadas: definir a marca que iria prevalecer e promover a migração de mil agências do Unibanco. “Pensamos em criar um novo nome, mas as pesquisas mostraram que a marca do Itaú era mais forte e valia mais do que a do Unibanco”, diz Zeca Rudge, vice-presidente de marketing do banco.
O desafio era transferir para a nova marca Itaú os atributos que eram valorizados no Unibanco. O primeiro comercial veiculado, em maio de 2010, que usava a música Imagine, de John Lennon, como tema, deu o tom da transição, com a frase: “Meu nome é Itaú Unibanco, mas pode me chamar de Itaú.” Serviços conhecidos e valorizados pelos clientes do Unibanco ganharam a assinatura do Itaú, como o Itaú 30 horas e o Itaú Uniclass.
As novas agências apostaram em ambientes amplos e transparentes, sem portas giratórias e sensores na entrada. Em vez de filas, o cliente passou a ter à sua disposição sala de espera e senhas para ser atendido. Os correntistas receberam comunicado com bastante antecedência sobre as mudanças e a forma como ela iria ocorrer.
Nas reformas das agências e na integração tecnológica, foram gastos R$ 835 milhões. Trata-se de um gasto quase bilionário, mas que trouxe resultados bem visíveis. A bem-sucedida fusão fez com que a marca Itaú se valorizasse 44% em 2010, avaliada em US$ 9,6 bilhões.
O crescimento de valor da marca do Itaú só não foi maior que o do Banco do Brasil (BB), entre os bancos. Em 2010, a marca da mais antiga e tradicional instituição financeira do País valorizou-se quase 50%. Durante os anos de 2009 e 2010, quando a maioria dos seus competidores ficou na retranca e tornava mais rígida a liberação de empréstimos, o banco estatal assumiu uma postura diferenciada, mais sintonizada com as demandas dos clientes.
“A concorrência estava com um pé atrás”, afirma Aldemir Bendine, presidente do BB. “Adotamos uma abordagem mais incisiva no crédito.” O resultado, que beneficiou pequenas e médias empresas, como também a nova classe média brasileira, fez com que o banco ganhasse credibilidade junto ao público. “Os clientes passaram a enxergar que o banco estava ao lado deles nos momentos bons e ruins”, diz Bendine.
“Houve uma percepção muito forte da população e isso reforça os atributos da nossa marca.” A estratégia mostrou-se acertada. O Brasil foi um dos primeiros países a sair da crise financeira global. Além de ganhar participação de mercado, o BB melhorou também seu desempenho. No primeiro trimestre de 2011, a instituição lucrou R$ 2,9 bilhões, cifra recorde para o período.
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Roberto Setubal, do Itaú: a bem-sucedida fusão com o Unibanco custou R$ 835 milhões e fez a marca se valorizar 44%
Lucro e valorização. Foi isso o que colheu quem apostou na força de consumo da classe C. “A educação passou a ser um bem de consumo dessa classe”, diz Alex Dias, CEO do grupo Anhanguera Educacional, maior instituição privada de ensino do País. Com receita de R$ 1 bilhão em 2010, a Anhanguera tinha 30 mil alunos em 2006. Hoje, esse número multiplicou-se por dez.
A receita líquida da construtora mineira MRV saltou mais de 80% no ano passado. Com forte presença na classe média, a companhia tem 85% de suas vendas atreladas ao projeto Minha Casa Minha Vida, do governo federal. “Não temos três ou quatro marcas para atender nichos diferentes”, diz Rubens Menin, presidente da MRV, que está presente em 42 cidades e 17 Estados brasileiros. “Nosso foco sempre foi a classe média.” Com essa atuação, a MRV passou a Cyrela e se transformou na marca mais valiosa no setor de construção.
Muitas empresas resolveram criar marcas novas, voltadas exclusivamente para atender a classe C. A estratégia faz sentido quando se trata de uma marca de combate, cujo único apelo é o preço. Essa abordagem não se sustenta no caso das grandes grifes. Considere-se o exemplo do McDonald’s.
A rede de lanchonetes desenvolveu a campanha “Grandes prazeres, pequenos preços”, na qual oferecia, a preço reduzido por um determinado período de tempo, um sanduíche tradicional de seu cardápio. “Algumas empresas caem na armadilha de ter produtos especiais para a classe C”, diz Rabach. A promoção se transformou na porta de entrada de novos consumidores à rede, que recebe diariamente 1,5 milhão de clientes em seus 616 restaurantes espalhados por quase todos os Estados brasileiros.
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A marca que mais se valorizou em 2010, no entanto, não apostou nesses novos consumidores. A Porto Seguro, que se uniu ao Itaú Unibanco, em 2009, passou a oferecer seus seguros em mais de quatro mil agências do Itaú no ano seguinte. Resultado: em 2010, sua marca exibiu um crescimento de impressionantes 323%. Mas isso, de forma isolada, não explica o resultado.
A seguradora,  mais do que qualquer outra no setor, apostou em um forte relacionamento com o seu cliente. Habitualmente, o consumidor tem contato com uma seguradora em dois momentos: na hora de assinar o contrato e no caso de um sinistro. Na Porto Seguro, quem compra um seguro de carro recebe assistência em casa para problemas elétricos ou com seus equipamentos da linha branca e eletroeletrônicos.
No ano passado, um milhão de residências foram visitadas por técnicos uniformizados da empresa. “Fugimos da commodity”, diz Fábio Luchetti, vice-presidente-executivo da Porto Seguro. “Passamos a interagir com o cliente.” Para estar entre as marcas mais valiosas, é preciso saber que isso faz toda a diferença.

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Entenda como é feita a pesquisa

O que é o ranking das marcas brasileiras mais fortes e mais valiosas?

O ranking das marcas brasileiras mais fortes e mais valiosas é realizado pela BrandAnalytics em conjunto com a revista DINHEIRO, pelo grupo WPP e utiliza a base das pesquisas de mercado da Millward Brown, chamada de BrandZ.

Qual a diferença entre o ranking de marcas mais valiosas e o de marcas mais fortes?

O ranking de marcas mais fortes compila as informações da pesquisa de mercado do BrandZ e classifica as marcas mais fortes do Brasil a partir da lealdade do consumidor. O segundo é um ranking que considera basicamente o valor das ações das empresas em mercado e o seu desempenho financeiro. O ranking de valor de marca integra os dados de mercado (como conhecimento, preferência por uma marca, satisfação e lealdade) com dados financeiros (valor dos ativos tangíveis, rentabilidade e liquidez das operações).

Como é feito o ranking das marcas mais fortes?

A partir da base de dados do BrandZ, é feita uma pesquisa de mercado com os consumidores. É perguntado aos consumidores de diversas categorias qual a marca que o entrevistado conhece. Tradicionalmente, a força de uma marca era medida pelo seu Top of Mind. A esse conceito foram adicionados parâmetros que refletem a conversão do conhecimento em preferência e em lealdade. Daquele conhecimento, quanto está sendo convertido para a preferência (e influência no processo de compra) e quanto está se convertendo em consumidores leais. Em nossa pesquisa de mercado foram consideradas 37 categorias e feitas 14.800 entrevistas. Foi analisado o comportamento de 460 marcas brasileiras e multinacionais no País. Obtivemos para cada marca, em cada categoria pesquisada, a presença (conhecimento) e multiplicamos pelo nível de lealdade (voltage). Esse indicador é a base para classificarmos as marcas brasileiras mais fortes.

Como é calculado o valor da marca?

Empresas são compradas e vendidas diariamente no mercado de capitais. O produto resultante da multiplicação do preço pelo número de ações em circulação, nos fornece o valor de mercado da empresa. Esse valor, ajustado pelo valor do endividamento e itens não operacionais, nos fornece o valor da empresa. Desse valor, parte são ativos tangíveis (máquinas, equipamentos, capital, estoques) e parte são os denominados ativos intangíveis (capital humano, organizacional e de relacionamento).

Nas 50 mais valiosas, os ativos intangíveis representam 56% do valor da empresa e essa proporção varia de empresa para empresa. Na categoria de cosméticos, por exemplo, os intangíveis representam aproximadamente 96% do negócio. Em empresas de serviços, 88%. Do valor dos ativos intangíveis é separada a importância da marca na geração de valor ao acionista. E para chegar a esse número são feitas pesquisas de mercado com consumidores finais, clientes e investidores com o objetivo de compreender qual a contribuição da marca em relação a outros intangíveis da empresa.

Portanto, a contribuição da marca é baseada nos seus diferenciais competitivos versus seus principais concorrentes na categoria. Também é feito um múltiplo de mercado que considera o risco da marca em função da sua força, levando-se em conta parâmetros como conhecimento, lealdade, condições de mercado e proteção legal.

Para o ranking “As Marcas Mais Valiosas do Brasil em 2011”, a primeira etapa relacionada com o valor dos ativos intangíveis é baseada em dados de mercado das empresas (preços das ações) e estrutura de capital. Esses dados utilizados em nosso estudo são obtidos na Bloomberg. Já a segunda etapa é relacionada a pesquisas de mercado e análise legal das marcas. A pesquisa de mercado é feita utilizando-se o BrandZ, maior banco de dados de força de marca da Millward Brown.

Como se calcula a contribuição da marca?

Com base nos diferenciais percebidos da marca, em relação aos concorrentes. A pesquisa, realizada para cada categoria e público mencionado, nos oferece um grande “mapa de percepções” e de atributos de escolha para uma marca na categoria. Na categoria bancos, por exemplo, o Bradesco é a marca mais percebida em relação à presença e à acessibilidade. Mas, no quesito confiança, o mais reconhecido é o Banco do Brasil.

Em tecnologia, o Itaú é o mais recordado. Além dos atributos mais emocionais, a pesquisa também testa os funcionais (preços mais baixos, qualidade de produtos, entre outros) e de relacionamentos como melhor atendimento. Em cada categoria, é definido qual atributo é importante e quanto ele é associado à marca.

Isso constitui os diferenciais competitivos percebidos. Essa análise resulta no quão dependente da marca é esse atributo. Em outras palavras: se uma empresa perdesse a marca, qual o impacto no seu resultado econômico? Para o caso de uma empresa como a Natura, a importância da marca é muito elevada (70%). Em empresas B2B, a marca tem uma contribuição bem mais baixa (3%).

Com crescimento rápido, TIM se aproxima da Claro em assinantes

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Renato Cruz

Publicado em 03 de maio de 2011

Lucro líquido da operadora aumentou 291%, para R$ 213,5 milhões, no primeiro trimestre deste ano

A TIM tem crescido mais rápido que o mercado. A empresa fechou o primeiro trimestre com 25,1% do total de acessos no Brasil, apenas 589 mil clientes atrás da concorrente Claro, a segunda maior operadora celular do País. Há um ano, a diferença era de 3,215 milhões de acessos, de acordo com a consultoria Teleco.

Ontem, a TIM divulgou seu resultado do primeiro trimestre. O lucro líquido avançou 291%, quando comparado ao mesmo período de 2010, somando R$ 213,5 milhões. A receita líquida da companhia aumentou 9%, chegando a R$ 3,46 bilhões.

Luca Luciani, presidente da TIM Brasil, defendeu a posição da empresa como uma operadora 100% móvel, num mercado de operações integradas. “A gente falou por muito tempo na substituição do tráfego de voz fixa pela móvel”, disse Luciani. A Oi tem operações fixas e móveis e a operadora fixa da Telefônica está incorporando a Vivo.

O resultado reflete a oferta de planos agressivos, chamados Liberty e Infinity, que hoje respondem por 85% da base da TIM. Quando foram lançados, alguns analistas chegaram a apontar que os planos não eram sustentáveis. “Agora, todo mundo está copiando”, disse o executivo.

Luciani procurou reduzir a importância do ranking de operadoras por total de assinantes. Segundo ele, a briga principal da TIM é por ganhar participação nas receitas do mercado de telefonia móvel. Segundo a Teleco, por esse critério, ela é a segunda do mercado, com 27,3% de participação na receita líquida do setor. A Vivo tem 33,8% e a Claro, 19,3%.

Qualidade. Mas o crescimento acelerado não acontece sem dores. Em março, a TIM foi a operadora com mais reclamações por mil assinantes na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), chegando a 0,483. “As reclamações que chegam à Anatel são uma fração muito pequena dos atendimentos que passam pelo nosso call center”, minimizou Luciani. “Um problema de energia que interrompa o trabalho de nosso call center em Santo André pode ter um impacto muito grande nesse número.”

O executivo disse que o atendimento das metas de qualidade da Anatel são um indicador muito mais importante. Em março, a TIM conseguiu atender 100% das metas, mesma marca da concorrente Vivo. A Claro atendeu 94,3%.

Nos quiosques, uma nova forma de vender relógio

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Naiana Oscar

Publicado em 03 de maio de 2011

Touch Watches ganha mercado ao apostar em marca própria, design e preços acessíveis

A ideia de vender relógios surgiu na Espanha, mais precisamente numa praia das Ilhas Baleares. Foi num dos bares de imigrantes, no início da década de 90, que o carioca Marcelo Amado e o gaúcho Marcelo Di Giorgio conheceram um suíço, designer de relógios, e começaram a dar os primeiros passos para a criação da rede de franquias Touch Watches, que, desde a inauguração, dois anos atrás, já abriu 67 unidades pelo País.

A empresa – de inspiração suíça, produção chinesa, design espanhol e capital 100% brasileiro – se estabeleceu no mercado com um modelo de negócio muito parecido com o da rede Chilli Beans, que levou para quiosques de shoppings apenas óculos de marca própria, a preços acessíveis. Esse é um detalhe importante no modelo de negócios das duas redes, porque em pontos de venda multimarcas os acessórios teriam de dividir espaço com a concorrência.

Na primeira fase da empresa, na década de 90, os relógios eram vendidos em lojas de roupa e de acessórios na Europa. O suíço Philip Marcham, filho de relojoeiros, produzia as peças artesanalmente e os brasileiros cuidavam das vendas, no atacado. “Ele não era um empresário, era um sonhador, que queria fazer relógios com design a um preço baixo”, lembra Marcelo Amado.

A empresa durou cerca de três anos e fechou com a morte de Marcham depois de um acidente de barco. Os sócios deram fim ao estoque e seguiram outro rumo. Cada um abriu pelo menos mais dois negócios, em segmentos completamente diferentes até se encontrarem de novo, no Brasil, em 2006. Dez anos depois de criarem a Touch Watches, na Espanha, Amado e Di Giorgio decidiram reativar a marca.

Com um investimento de R$ 1,2 milhão, eles abriram um escritório de design em Barcelona, terceirizaram a fabricação na China e formataram a rede de franquias. A primeira loja foi aberta em 2009, em Búzios. No ano passado, a Touch atingiu faturamento de R$ 42 milhões. A marca conta com mais de 200 modelos diferentes de relógios, com preços a partir de R$ 59.

A rede se estrutura para lançar em média dez novos modelos por semana. É uma forma de garantir a sobrevivência num mercado tão competitivo, em que se concorre, ao mesmo tempo, com grifes internacionais e produtos pirateados. A Touch conseguiu se diferenciar das principais marcas brasileiras porque adotou uma operação de varejo, coisa que as concorrentes nacionais não têm. “Fazemos parte de um segmento muito tradicional e muito forte na indústria. O que eles estão fazendo é uma novidade”, diz Oswaldo Moreira, diretor de marketing do Grupo Seculus, que tem mais de 50 anos de atuação no mercado brasileiro.

Classe C. A intenção da Touch, como de tantas outras redes, é conquistar o cobiçado cliente da classe C, mas também há espaço para produtos sofisticados. A linha mais exclusiva tem modelos a R$ 1,2 mil. O próximo passo é começar a produzir os modelos mais caros no Brasil. A Touch está investindo R$ 6 milhões na construção de uma unidade em Manaus. A planta deve ficar pronta ainda neste semestre. Inicialmente, a produção em território nacional vai representar apenas 5% do total de 1 milhão de peças montadas por ano. “Queremos aumentar essa proporção gradativamente até alcançar 30% em 2013″, diz Marcelo Amado.

Segundo ele, a produção em Manaus vai contribuir com o processo de internacionalização da marca. Os empreendedores fazem planos de exportar os acessórios para a terra natal da marca. “Mas isso é no futuro, porque status agora é estar no Brasil.”

Brasil vira líder mundial em perfumes

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por
Fernando Scheller
Publicado em 05 de maio de 2011

O Brasil foi alçado à condição de maior mercado para perfumes no mundo em 2010, superando os Estados Unidos, segundo dados da consultoria Euromonitor. Enquanto o faturamento com a venda de fragrâncias em território americano permaneceu na casa de US$ 5,3 bilhões no ano passado, as receitas no Brasil subiram de US$ 4,5 bilhões, em 2009, para US$ 6 bilhões, em 2010 – uma alta de 33%.

Há, porém, uma distorção nos números da consultoria: além do crescimento do mercado nacional, eles são influenciados pela valorização do real, que favorece o Brasil na comparação com outros mercados, feita em dólar. Segundo dados do Sipatesp, sindicato das indústrias de perfumaria e cosméticos, as vendas das duas categorias no País subiram 18,4% em 2010.

Segundo Marcel Motta, analista responsável pelo levantamento da Euromonitor, o consumo de perfumes no Brasil se concentra principalmente em marcas populares, que respondem hoje por 93% das vendas. As líderes do setor, de acordo com a consultoria, são Natura e O Boticário, que, juntas, somam 60% de participação.

Hábitos. Apesar do forte crescimento, as empresas de perfume ainda têm um terreno inexplorado a conquistar. A diretora de marketing e vendas de O Boticário, Andréa Mota, diz que, atualmente, 61% dos brasileiros usam algum tipo de perfume. Ou seja: há quase 40% de consumidores em potencial. E a proporção está mais ligada a costumes regionais do que à renda: no Nordeste, diz ela, cerca de 90% das famílias usam algum tipo de perfume, enquanto no Sul a proporção é bem mais baixa, de 40%.

Além disso, os produtos mais vendidos pela marca O Boticário – que contabiliza 54% de suas receitas no segmento de perfumes – mostram que o preço não tem necessariamente o maior peso na decisão de compra. Hoje, a empresa vende mais de 80 itens de perfumaria, mas o carro-chefe no segmento masculino é o Malbec, vendido a R$ 92. Já a principal fragrância feminina é a Egeo Dolce, de R$ 62,90. “Com o aumento da renda, as pessoas passam a testar novos tipos de produtos”, diz Andréa.

Para a gerente de perfumaria da Natura, Denise Coutinho, é importante que as empresas saibam identificar tendências regionais: no Nordeste, por exemplo, as colônias tipo splash – que ficam menos tempo na pele – dominam as vendas. “É uma questão cultural. No Nordeste, as pessoas tomam vários banhos por dia. Então, não é preciso que o perfume permaneça por 12 ou 24 horas”, explica. “E a formulação permite que o produto seja aplicado no corpo inteiro.”

Ela diz que as diferenças regionais influenciam diretamente a estratégia de negócio: no Nordeste, o foco são as promoções, pois o consumidor não precisa ser convencido a usar perfume. Já no Sul, onde o uso é mais baixo, a Natura precisa também empreender um processo de convencimento do consumidor em aderir ao hábito de usar o produto com mais frequência.

Enquanto O Boticário e Natura permitem-se lançamentos de maior valor agregado – na Natura, a linha Essencial pode custar R$ 136 -, a Água de Cheiro concentra-se fortemente em atender às necessidades da classe C. O presidente da empresa, Henrique Alves Pinto, diz que o recente processo de renovação de embalagens pela qual a linha da empresa passou não afetou o preço dos produtos. “Para o meu público, eu preciso apresentar uma relação custo-benefício clara”, afirma Alves Pinto. “Somos um País que tem 100 milhões de pessoas na classe média. Esse público já representa metade da economia do País – e são essas pessoas que nós queremos atender.”

Equilíbrio

HENRIQUE PINTO – PRESIDENTE DA ÁGUA DE CHEIRO

“Eu percebi que, para vender para a classe C, a gente tinha de oferecer uma embalagem mais atraente. Mexemos nas embalagens, mas mantivemos os preços acessíveis.”

O invejável drama da SWATCH

Fonte: The New York Times - O Estado de S. Paulo
Por
Raphael Minder
Publicado em 02 de maio de 2011

Para atender consumidores ávidos, gigante dos relógios precisa contratar 2 mil funcionários, o que se transformou numa batalha

Nick Hayek, diretor executivo do Swatch Group, vê-se diante de um problema que muitos dos seus pares podem invejar: sua empresa está prosperando demais. A Swatch, maior fabricante mundial de relógios, corre para aumentar sua capacidade para produzir um volume suficiente para atender à demanda. A empresa planeja ampliar seu quadro de funcionários com até 2 mil novas contratações este ano – sendo que 1.500 dessas vagas devem ser preenchidas na Suíça. E a dificuldade está em encontrar funcionários suficientemente qualificados. “Detesto a ideia de estar perdendo vendas por causa da falta de produtos”, disse Hayek.

Atípico. Com o inseparável charuto, Hayek, executivo e acionista da Swatch, tem estilo oposto ao dos elegantes executivos do setor
Os problemas da Swatch refletem a boa situação de um setor que se recuperou bem após a crise financeira. A demanda por relógios aumentou muito na Ásia, região que respondeu por mais da metade das exportações da Swatch em 2010. No ano passado, a Swatch registrou um aumento de 42% no lucro líquido, que chegou ao recorde de US$ 1,22 bilhão, e de 19% na receita.

Ainda assim, Hayek busca uma mudança no modus operandi do setor, prevendo regras mais rigorosas para a definição do conceito de um relógio “fabricado na Suíça” e até obrigando a concorrência a fabricar suas próprias peças. A empresa tem conversado com as autoridades reguladoras da concorrência na tentativa de determinar até que ponto sua divisão de peças pode ser reduzida sem que isso prejudique os fabricantes que dependem da Swatch. “O único negócio verdadeiramente atraente é vender produtos acabados com a nossa marca”, disse. “Estamos numa situação ridícula, equivalente a ver a BMW fornecendo os motores dos carros Audi e Mercedes.”

O recuo da Swatch no setor de peças representaria uma mudança de mares para o ramo. Como resultado, “uma decisão como essa não pode ser tomada da noite para o dia”, disse Jean-Frédéric Dufour, diretor executivo da Zenith, do grupo francês LVMH e uma das poucas marcas suíças que não compram peças da Swatch.

Dufour disse que, ainda assim, a decisão de Hayek de obrigar a concorrência a investir mais na produção “poderia ajudar o setor a recuperar a situação de 100 anos atrás, quando as fabricantes de relógios realmente se diferenciavam umas das outras em termos da qualidade de seus mecanismos internos”.

Legado. A hegemonia da Swatch é parte do legado deixado pelo pai de Hayek, o libanês Nicolas, que morreu no ano passado e foi idolatrado como o salvador da indústria dos relógios. Atuando como consultor administrativo, Nicolas fora contratado por bancos para fechar duas fabricantes no início da década de 80, numa época em que as relojoarias suíças estavam sendo esmagadas pela concorrência dos produtos japoneses, mais baratos. Mas, desviando do plano original, ele fundiu as duas empresas e comprou ações delas, promovendo um renascimento da Swatch com os baratos relógios de plástico.

Por sua vez, a moda inaugurada pelos coloridos modelos exigiu que o grupo desenvolvesse uma capacidade de produção em massa, consolidando a posição de liderança com a aquisição de mais fabricantes de peças. Em volume, a Swatch controla 70% ou 80% da produção de mecanismos internos do setor, segundo estudo da firma de investimentos Stanford C. Bernstein & Co.

Os Hayeks são donos de aproximadamente 35% das ações do grupo, garantindo que a Swatch continue a ser essencialmente uma empresa da família. Além da direção executiva de Hayek, a irmã dele, Nayla, é presidente da Swatch.

Antes de se juntar ao pai em 1994, Nick Hayek esteve no ramo de filmes, onde começou atuando no marketing. Depois de estudar cinema em Paris, fundou uma produtora de documentários e curtas-metragens. Numa indústria na qual os executivos tendem a imitar a aparência refinada retratada nos anúncios dos relógios de luxo, Hayek – um apaixonado pelos charutos – parece destoar, mais afinado com a bandeira pirata que guarda em seu escritório. Os últimos botões da camisa ficam abertos, e uma das mangas está enrolada quase até a altura do cotovelo, exibindo um reluzente Swatch turquesa.

Hayek se orgulha por não ter respondido às previsões alarmistas que sugeriam uma redução da produção no início da crise financeira. Ele diz também que os EUA e outros países ocidentais foram rápidos demais em abandonar o setor da manufatura, que constituía a espinha dorsal de suas economias. “Em vez culpar a China, esses países deveriam perceber que terceirizar a maior parte da produção é um grande erro”, disse ele.

A Swatch pode também recomprar um número maior de ações, mas o objetivo não é tirar a empresa da bolsa. Ainda assim, Hayek parece ocupado demais para pensar no mercado financeiro. Dez anos atrás, Hayek abandonou o único road show do qual já participou após reunir-se com um administrador californiano de fundos de pensão que nem sequer sabia quais marcas pertenciam à Swatch. “Decididamente não pretendo passar por essa aula novamente. Somos vendedores de relógios, e não de ações.”

AS MARCAS MAIS VALIOSAS DO BRASIL

A BrandAnalytics, IstoÉ Dinheiro, Millward Brown e WPP convidam para o evento de lançamento do Ranking das Marcas Mais Valiosas do Brasil edição 2011.
Apresentação dos cases CIELO e BRF Brasil Foods e palestra do Dr. Christos Pitelis, Diretor do CIBAM – Judge Business School – Universidade de Cambridge. Veja como participar.

CONVITE: AS MARCAS MAIS VALIOSAS DO BRASIL

CONVITE: AS MARCAS MAIS VALIOSAS DO BRASIL

2º Seminário: Construindo marcas de sucesso na moda

Folha de S. Paulo – Seminários Folha

DATA 18 e 19 de maio – 2011

HORÁRIO 08h30 às 13h30

LOCAL Hotel Renaissance (Teatro) Al. Jaú, 1620 – São Paulo

Participe do seminário, que reunirá marcas que fazem da moda um grande negócio. Você terá a oportunidade de conhecer a trajetória de reconhecidas marcas, seus desafios e oportunidades, posicionamento e estratégia.

Palestrantes convidados

AberturaGloria Kalil

ArezzoFabio Luis Figueiredo

BrandsclubPaulo Humberg

Crawford e SiberianDácio Oliveira

Dress ToRodrigo Braga

H.SternChristian Hallot

Lita MortariEliana Moreira

RennerJosé Galló

SalinasAntonio de Biase

CoordenadorAzov – Luiz Antonio Secco

Roteiro

Cada um dos palestrantes fará uma apresentação abrangendo:

Histórico da marca

Problemas e oportunidades

Estratégia de expansão

Relacionamento com público alvo

Posicionamento e marketing da marca (coleções, desfiles, catálogos, CRM, eventos)

Futuro da marca

www.folha.com.br/moda