O que o caso New Coke ainda pode ensinar

Fonte: Mundo do Marketing
Por Thiago Terra
Publicado em 27 de outubro de 2010

Coca-Cola teve o seu maior fracasso de planejamento mesmo com base em pesquisa

new cokeQuando a Coca-Cola anuncia um lançamento o mercado agita até a bolsa de valores. A expectativa é grande e o sucesso é quase certo. Sim, quase… Não foi bem isto o que aconteceu em 1985 quando a multinacional conheceu o seu maior fracasso: New Coke. O refrigerante tradicional sofreu alterações em sua fórmula com o objetivo de superar a concorrente em vendas, já que a promoção “Desafio Pepsi” ameaçava a preferência dos jovens por Coca-Cola.

A trapalhada se concretizou quando a empresa obteve o resultado de uma pesquisa com cerca de 200 mil americanos. A fórmula da New Coke foi aprovada pela maioria e o produto foi lançado com grande expectativa no país. Com sabor mais doce e semelhante ao produto concorrente, o mercado americano recebeu bem a New Coke – que até teve um bom desempenho em vendas no início -, mas não esperavam que a original fosse substituída.

Sem a Coca-Cola tradicional nos pontos de venda, os americanos se revoltaram. Protestos e cartas se multiplicavam na sede da empresa. Até o presidente da companhia na época, Don Keough, fez um pronunciamento afirmando que “Nem dinheiro e nem pesquisas puderam medir os laços emocionais e a paixão que os consumidores tinham com a Coca-Cola original”.

Fórmula equivocada

Este caso mostra que, mesmo baseado em resultados de pesquisa, é importante perceber o mercado e, principalmente, conhecer o consumidor. O erro de interpretação dos dados colhidos foi fundamental para o fracasso de New Coke porque o consumidor sempre buscará novas opções. “O erro foi buscar o atributo do ‘novo’ quando a marca é regida pela tradição e lançar a New Coke não como extensão, mas substituindo o tradicional”, acredita Eduardo Tomiya, Diretor Geral da BrandAnalytics.

Outro fator que contribuiu para os protestos foi o comportamento do consumidor naquela época. Mais tradicionais do que hoje, na década de 1980 as pessoas eram menos abertas a novidades. “Hoje as marcas agregam produtos ao seu portfólio. Ele pode até não estourar, mas a empresa usará como imagem de marca. No caso de New Coke, este era um refrigerante substitutivo”, explica Elizabeth Salmeirão (foto), Diretora de varejo da TNS International Research.

Três meses após o lançamento equivocado de New Coke, a multinacional voltou atrás e relançou o produto original batizado de Coca-Cola Classic. Certa ou não, esta estratégia parece ter sido a mais sensata do projeto. “Reconhecer o erro reforçou o atributo de tradição da Coca-Cola, que foi pressionada a fazer isso de forma rápida. O ativo da marca não poderia ser mexido”, diz Eduardo Tomiya.

O Pedido de Desculpas

Em pronunciamento, o presidente da Coca-Cola na época fala porque a empresa resolveu trazer de volta o sabor original do refrigerante. O executivo afirmou que nem dinheiro e nem pesquisas puderam medir os laços emocionais e a paixão que os consumidores tinham com a Coca-Coca original. Os consumidores exigiam o sabor da marca de volta e “queriam logo”. O presidente leu a reivindicação de consumidores como “Mudar a Coca-Cola é como se Deus mudasse a grama para a cor roxa” e pede desculpas aos consumidores.

Coca X Pepsi

O lançamento de New Coke, segundo especialistas, teve respaldo em uma promoção da Pepsi que perguntava aos jovens americanos se eles gostariam de continuar consumindo o refrigerante que seus pais bebiam. Com a maioria de respostas negativas, a Coca-Cola entendeu que sua concorrente levava vantagem sobre ela principalmente pelo mote “The Choice of a New Generation” (A Escolha da Nova Geração), lançado em 1984.

A reação equivocada da Coca-Cola, porém, desencadeou todo o processo. “Já que a nova geração preferiu um novo sabor, a Coca-Cola mexeu no produto acreditando não estar mais agradando. A marca achou que a campanha da Pepsi falava de sabor, mas era de comportamento”, afirma Marcelo Boschi, professor de Branding da ESPM-RJ, ao Mundo do Marketing.

Mesmo diante de um case de insucesso, a empresa ganhou força no mercado mundial. “Com este erro, ficou claro para o mercado e para as pessoas como não ser arrogante porque o risco pode ser danoso”, acrescenta Tomiya, da BrandAnalytics. “A ideia errada que muitas empresas têm é de que se o produto é mal visto, basta copiar a marca líder para que o consumo seja aumentado”, completa Boschi, da ESPM.

Rumo à expansão: Bombril lança linha de ceras para casa e calçados

Fonte: Guia da Embalagem
Publicada em 01 de dezembro de 2010

A nova linha Q’Brilho é lançada com 23 itens que trazem o aval e a qualidade Bombril para os consumidores que buscam praticidade e brilho extra

bombrilQbrilho

Seguindo a estratégia de se tornar a maior e melhor empresa de higiene e limpeza do país com produtos em todas as categorias que facilitam o dia a dia das tarefas da casa, a Bombril – líder no mercado de esponja de aço e uma das maiores empresas de soluções de limpeza doméstica – lança a linha Q’Brilho, composta por ceras para pisos, móveis e calçados.

“Queremos oferecer ao nosso consumidor um portfólio completo para os cuidados com o lar e ingressar em novos nichos de mercado que também atendem às suas necessidades”, explica Marcos Scaldelai, diretor de marketing da Bombril.

Durante o processo de pesquisas para o desenvolvimento dos novos produtos a Bombril mapeou diversos hábitos e necessidades dos consumidores. Os principais fatores de compra da categoria são: praticidade, fragrâncias duradouras e brilho rápido sem necessidade de polimento, todos estes atributos estão no tripé de qualidade e performance da nova linha de ceras para piso.

Dados da Nielsen mostram a força dos três mercados juntos (ceras para pisos, móveis e calçados). Em 2009 foi registrada a expressiva quantia de R$ 484 milhões, representados em 10% (produtos para calçados); 30% (lustra móveis) e 60% (cera para pisos). As expectativas de negócios com o lançamento de Q’Brilho são as melhores possíveis. “Queremos atingir em dois anos 5% de participação do mercado”, ressalta Scaldelai.

Conheça os produtos:

Cera líquida para pisos Q’Brilho: disponível em quatro versões diferentes de 750ml. Cada embalagem possui uma cor diferente e é destinada para um tipo de piso: madeira (amarelo), ardósia (verde), pisos escuros (vermelho) e pisos em geral (azul). Todos os produtos possuem ação antiderrapante e proporcionam brilho com efeito espelhado e perfume agradável de longa duração. Os consumidores também podem adquirir os refis de 500 ml.

Lustra Móveis Q’Brilho: composta em três versões líquida: flor de laranjeira, flor de lavanda e erva doce, os lustra móveis Q’Brilho podem ser encontrados em dois tamanhos diferentes: 500ml e 200ml. Os produtos promovem brilho instantâneo e removem o pó criando uma camada protetora que ajuda a não formação de manchas d’água. Em breve, a empresa lançará mais uma versão.

Cera para calçados Q’Brilho: oferecida em quatro variantes de cera líquida para serem usadas em calçados de cor preta, marrom claro, marrom escuro e incolor. As ceras líquidas são fáceis de usar e promovem brilho extra aos sapatos. Sua fórmula inovadora não deixa marcas d’água nem manchas. Em breve, a empresa irá lançar a versão em pasta.

Fonte: Texto Imagem

Brasil vira prioridade para empresas de bebidas; setor pode investir até R$ 4 bilhões

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Mariana Barbosa
Publicado em 31 de outubro de 2010

A combinação de crescimento do poder de compra da população com real forte transformou o Brasil em prioridade para as companhias globais de bebidas.

Após crescer a taxas constantes na última década, o consumo de bebidas engarrafadas, como refrigerante, cerveja e destilados, alcançou volumes expressivos: o consumo per capita nas três categorias no país já é maior que na Europa Ocidental.

“Até recentemente, o Brasil chamava a atenção pois crescia bastante, enquanto nos mercados desenvolvidos, na América do Norte ou na Europa, o avanço era pífio ou negativo”, diz o pesquisador de Brasil da consultoria Euromonitor, Marcel Motta.

“O que muda agora é que o Brasil ganhou importância também em magnitude.”

Isso explica os investimentos que o setor está atraindo. Coca-Cola e AmBev, por exemplo, estão investindo, cada uma, R$ 2 bilhões neste ano, sendo a maior parte disso em aumento de capacidade. O volume de recursos só é comparável ao investimento desses grupos na China.

Com Copa e Olimpíada em vista, empresas devem manter o nível de investimento. “Um evento como Copa muda o patamar de consumo de bebidas engarrafadas”, diz o vice-presidente da Coca-Cola Brasil, Marco Simões.

“As empresas aumentam a capacidade e toda a sua estrutura para atender a demanda durante os eventos e depois têm de manter o nível de vendas para justificar o investimento.”

O Brasil disputa com a China o posto de terceiro maior mercado para a Coca-Cola. Há cinco anos e meio a companhia vem exibindo taxas constantes de expansão. No último trimestre, a empresa cresceu 13% no Brasil, ante avanço global de 5%.

BRITÂNICA MIRA BRASIL

Para a britânica Diageo, a região que a empresa chama de mercado internacional –América Latina, África e aeroportos– é a que está sustentando o desempenho da companhia neste ano.

E, nessa região, o Brasil é o grande destaque. O país já é o maior mercado consumidor de uísque Johnnie Walker Red Label do mundo. A vodca Smirnoff, outra marca da companhia, detém cerca de 30% do segmento que movimenta mais de R$ 1 bilhão.

“A cada ano, o Brasil galga posições de relevância na Diageo, não só pelo crescimento que entrega, mas também pelas perspectivas que surgem com a Copa e a Olimpíada e o aumento da classe média”, diz Luis Eduardo Osório, diretor de relações corporativas da Diageo.

Internet Explorer agora tem menos da metade do mercado

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Mariana Lang
Publicado em 06 de outubro de 2010

Navegador perde espaço para o Firefox e para o Google Chrome

A história da internet pode não ser mais a mesma após a divulgação de um relatório da empresa de estatísticas StatCounter ontem. Em marco inédito, o Internet Explorer, navegador da Microsoft, registrou menos de 50% de participação no mercado mundial em setembro.

Segundo as contagens do relatório, a participação do Internet Explorer caiu para 49,87% em setembro. O browser é seguido pelo Firefox, com 31,5% de participação de mercado.

Para efeito de comparação, o IE detinha 58,37% do mercado no mesmo período, uma diferença de 8,5 pontos percentuais em relação a setembro de 2010.

O navegador que prossegue em crescimento é o Chrome, do Google: se ele tinha 3,69% do mercado em setembro de 2009, o percentual de setembro de 2010 chega a 11,54% -ou um crescimento de 221%.

“É certamente um marco na guerra dos navegadores da internet”, disse o executivo-chefe da StatCounter, Aodhan Cullen. “Há apenas dois anos, o Internet Explorer dominava o mercado mundial, com 67%.”

O acordo de competitividade feito entre a Microsoft e a União Europeia -a fim de que a empresa oferecesse escolha aos usuários europeus sobre os navegadores além do IE- foi diretamente proporcional à queda global do browser, afirmou ele.

As contagens da companhia se baseiam em uma amostra que excede 15 bilhões de visitas a páginas por mês, coletadas a partir de mais de 3 milhões de sites.

Justiça condena shopping de luxo por usar grife sem autorização

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Frederico Vasconcelos
Publicado em 30 de setembro de 2010

Propaganda do Cidade Jardim, em São Paulo, trazia roupas da Max Mara

O shopping center Cidade Jardim, luxuoso centro de compras na zona sul de São Paulo, foi condenado a indenizar a empresa AMW Comercial Ltda., representante da marca italiana de vestuário feminino Max Mara.

Shopping Grife

A causa foi o uso sem autorização de peças daquela grife em campanha publicitária para o Dia das Mães em 2009. A decisão –da qual cabe recurso– é inédita e pode abrir precedente para os mercados publicitário e de moda.

O juiz Régis Rodrigo Bonvicino, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, decidiu que peças de vestuário são protegidas pelo direito de imagem e pelo direito autoral.

Bonvicino determinou que o shopping pague R$ 102 mil a título de danos morais e, por danos materiais, o valor da veiculação e da produção dos anúncios (cálculo a ser fornecido em 48 horas pela AMW, cujo valor deve ser depositado em juízo pelo shopping no prazo de cinco dias).

Ao fixar os danos, o juiz considerou que o shopping “é o mais caro da cidade de São Paulo e um dos mais caros do Brasil” e que ele “se utilizou das peças para incrementar seu comércio às vésperas do Dia das Mães”.

ARGUMENTOS

A AMW alegou que as peças da nova coleção haviam sido cedidas gratuitamente à agência de publicidade L’Officiel para divulgação na revista “Vogue”. E que se surpreendeu ao ver as roupas em anúncios do shopping veiculados na Folha, no “Estado de S. Paulo” e nas revistas “Veja” e “Caras” às vésperas do Dia das Mães.

Antes de entrar com a ação, a AMW notificara o shopping, para suspender a campanha e reparar os danos pelo uso das peças. O shopping afirmou que não violou o direito de propriedade, pois a marca não fora identificada no anúncio.

Alegou ainda que não houve prejuízo de imagem à marca Max Mara, diante do “elevado nível e excelente conceito” do shopping perante o público em geral.

A AMW sustentou que as peças foram entregues com etiquetas Max Mara e que os modelos “retornaram sem as respectivas identificações”.

No processo, o shopping não informa o nome da “pessoa da equipe de produção que cedeu a referida peça graciosamente e sem qualquer interesse comercial”.

Para o juiz, “o próprio réu admite que a autora [AMW] é proprietária das peças”. Bonvicino entendeu que o shopping center, ao não pagar os “copyrights”, obteve enriquecimento ilícito.

O advogado da AMW, Luiz Roberto de Arruda Sampaio, disse que os tribunais ainda não firmaram posição sobre o direito de imagem e o direito autoral no ramo porque “somente nos últimos dez anos o universo da moda foi enfatizado no país”, com as semanas de moda e a vinda de grifes internacionais.

O que investidores estrangeiros estão vendo na Renner

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Melina Costa
Publicado em 04 de outubro de 2010

Rede virou símbolo do fenômeno do consumo no País. Mercado agora discute se ela já chegou ao limite de valorização na bolsa

Na semana passada, José Galló, presidente da varejista Lojas Renner, e o diretor financeiro e de relações com investidores da rede, Adalberto Pereira dos Santos, deixaram a sede da empresa, em Porto Alegre (RS), e foram até São Paulo participar de um evento para investidores promovido pelo banco britânico Barclays. “Como a empresa vai dar conta de seu agressivo plano de expansão? Os funcionários estão preparados para o crescimento? Como a logística vai suportar esse movimento?” foram algumas das perguntas com as quais os dois se depararam. Sabatinas semelhantes ocupam boa parte do tempo desses executivos e se repetem quase toda semana. O interesse explica-se: a Renner tornou-se uma das principais apostas dos investidores no fervilhante varejo brasileiro – especialmente os estrangeiros, que detêm quase 90% das ações.

“Há poucos lugares no mundo em que o potencial de crescimento do consumo é tão grande. E o aumento de demanda da classe média deve continuar por muitos anos – se não por décadas”, diz Nick Robinson, diretor do escritório brasileiro da Aberdeen Asset Management, gestora britânica que comprou ações da Renner em 2005 e tem aumentado sua participação na empresa desde então. “A Renner é uma das melhores histórias no segmento de consumo do Brasil.” Com quase 15% do capital, hoje a Aberdeen é a maior acionista da companhia.

Desde o início do ano, as ações da Renner subiram mais de 50%, de acordo com a empresa de dados financeiros Economatica. Foi a segunda maior alta entre as empresas do Índice Bovespa, atrás apenas da fabricante de cigarros Souza Cruz. “Durante a crise, o varejo foi um dos setores mais atingidos, mas, desde o fim do ano passado, passou a se beneficiar diretamente da queda no desemprego e do aumento da renda e da confiança do consumidor”, diz Renata Coutinho, analista de varejo do banco Deutsche Bank.

Novo patamar.[ ] [/ ]A mudança no cenário macroeconômico não afetou todo o varejo da mesma forma. Ao passo em que as ações da Renner atingiram um novo patamar, as da Lojas Americanas, por exemplo, subiram cerca de 1%. Já os papéis do Grupo Pão de Açúcar apresentaram queda de mais de 7%. “A Lojas Americanas tem tido seu desempenho afetado pela B2W (rede de varejo eletrônico controlada pela Lojas Americanas), que vem perdendo participação de mercado. Já o Grupo Pão de Açúcar ainda gera dúvidas no que diz respeito à integração com a Casas Bahia”, diz o analista Guilherme Assis, do banco Raymond James.

O que separa, então, a Renner desse grupo? Boa parte da resposta está no produto vendido. O vestuário, com margens mais altas que eletrodomésticos e alimentos, tem sido a grande estrela do setor. O valor das ações das redes varejistas de roupas Marisa e Hering mais que dobrou desde o início do ano. Mas, ao contrário da Renner, que tem 100% das ações negociadas no mercado, trata-se de redes com liquidez bastante inferior – ou seja, o investidor não tem a mesma facilidade para comprar e vender os papéis.

A rede gaúcha negocia uma média de R$ 56 milhões em ações por dia. Na Marisa, o fluxo é 16 vezes menor. “A estrutura moderna de capital é muito bem vista pelos investidores estrangeiros”, diz o analista do HSBC, Francisco Chevez, que trabalha no escritório do banco em Nova York. “Na Renner, não existe família controladora para dificultar as decisões.”

Cortar e crescer. O desempenho na bolsa é mérito também da gestão da Renner. No segundo trimestre do ano, a empresa atingiu margens de lucro recordes, resultado de um trabalho de controle de custos que começou durante a crise, com a renegociação de contratos para redução de gastos. Ao mesmo tempo, a remuneração dos vendedores, que variava de acordo com o desempenho, passou a ser, em grande parte, fixa (desse modo, o valor aumenta menos com o crescimento de vendas).

Se a companhia economizou de um lado, decidiu investir em outro. Em março, anunciou que vai aumentar seu ritmo de abertura de lojas nos próximos cinco anos. Até o final de 2010, a Renner terá aberto 14 lojas. Em 2011, serão 30. A estratégia está calcada em um modelo de lojas compactas, com metade do tamanho das tradicionais, algumas delas localizadas em ruas de grande movimento (hoje, 93% das lojas da Renner estão em shoppings).

O plano de expansão agradou o mercado, que passou a pagar mais caro pelas ações. Agora, para muitos analistas, a empresa já estaria perto de seu pico de valorização. Hoje, ela vale em torno de US$ 4 bilhões. A gigante americana JCPenney, que controlava a Renner até 2005, está avaliada em US$ 6 bilhões. “O preço da ação já incorporou muito do crescimento anunciado para a rede “, diz Marcel Moraes, do Credit Suisse. Hoje, 18 bancos e corretoras acompanham o desempenho da Renner. Metade recomenda apenas manter os papéis da companhia. A outra metade recomenda comprar novas ações.

“Eu pessoalmente acho que as ações estão caras”, diz Aquico Wen, diretor do fundo de investimentos em mercados emergentes da gestora Legg Mason. O fundo não tem mais ações da Renner e hoje investe em bancos, empresas aéreas e construção civil no Brasil. “A Renner não é um caso isolado. Todo o setor de consumo no País está caro. Decidimos aproveitar o crescimento do consumo de modo indireto, por meio de setores em que os preços estão mais atrativos.”

Apesar da percepção de que o valor das ações da Renner já chegou perto do limite, a própria Legg Mason admite que perdeu parte do movimento de alta. Depois que o fundo saiu da empresa, em meados do ano, as ações continuaram subindo.

São duas as questões que devem influenciar a oscilação da empresa na bolsa daqui para frente. A primeira é a execução do plano de crescimento. Os analistas ouvidos pela reportagem acreditam na capacidade de gestão de Galló e seus executivos, mas alertam que a Renner tem um grande desafio pela frente.

Ao abrir lojas menores, a Renner não vai fazer apenas uma cópia reduzida das atuais. Terá de fazer ajustes no que diz respeito à logística de abastecimento, ao mix de produtos, ao número de funcionários e até à maneira de expor os produtos. A tarefa dos executivos é fazer tudo isso mantendo a mesma rentabilidade das lojas tradicionais. Não é à toa que o assunto mobilizou os investidores durante a apresentação de Galló e Santos na semana passada.

A segunda questão é o desempenho dos cartões com bandeiras Visa e Mastercard lançados recentemente pela companhia. Com o produto, a empresa deve ampliar a receita financeira, já que passará a receber uma taxa por compras realizadas fora de suas lojas. Nesse ponto, os analistas se perguntam se a empresa não deveria dividir os riscos do negócio com um banco, como já fizeram vários outros varejistas. “Temos uma base de clientes sofisticada e operamos com cartão (bandeira própria) há 36 anos. Nosso processo de análise de crédito é igual ou superior ao de bancos”, diz Pereira dos Santos, diretor financeiro da Renner.

Quanto ao varejo em geral, as mesmas condições que trouxeram a Renner até aqui devem continuar a empurrá-la para frente. A única dúvida é se poderiam empurrá-la ainda mais. Hoje, o público-alvo da varejista está na classe B, basicamente. “Se atendesse a classe C, ela conseguiria capturar melhor o potencial de crescimento”, diz Assis, do Raymond James. “O aumento de consumo não é só da classe D que se torna classe C. É da classe C que se torna classe B. Vamos nos manter no nosso público-alvo”, diz Galló.

A Fototica planeja triplicar de tamanho até 2014

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Clayton Netz
Publicado em 07 de outubro de 2010

Animado com os números do varejo óptico brasileiro, que movimenta cerca de R$ 7,5 bilhões por ano com a venda de artigos como óculos, armações e lentes de contato, o fundo de private equity holandês Hal Investments, controlador da Fototica, pretende mais do que triplicar o faturamento da rede nos próximos quatro anos: a ideia é passar dos atuais R$ 200 milhões para algo em torno de R$ 750 milhões até 2014. No plano de negócios da Fototica está desenhado que a forma de alcançar esse objetivo passa pela expansão do número de lojas, que aumentariam de 118 (101 próprias) para 500 unidades. “O foco da expansão deve estar nas capitais brasileiras e nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul”, afirma Marcello Macedo, presidente da Fototica. “São mercados com maior poder aquisitivo e oferecem as melhores oportunidades.”

Segundo Macedo, o plano de crescimento está baseado em três frentes: aquisições de redes locais e abertura de franquias e de lojas próprias. O valor investido, por conta das modalidades de expansão, pode variar de R$ 150 milhões (no caso de prevalência de abertura de lojas próprias) até R$ 450 milhões (se predominarem as aquisições). O investimento em lojas próprias será, no mínino, de R$ 50 milhões. “A melhor opção são as aquisições, pois já herdarmos o público e o ponto comercial consolidados”, diz Macedo. “No entanto, essas negociações são mais difíceis e costumam demorar mais. Temos transações que já duram cinco anos e ainda não foram concluídas.”

Dinheiro para bancar a estratégia não é problema para a Fototica, afirma Macedo. Uma das maiores varejistas ópticas do mundo, com mais de quatro mil lojas espalhadas pelos quatro quantos do globo, o fundo holandês, que também atua no ramo imobiliário, faturou 3,44 bilhões de euros em 2009. De acordo com Macedo, ainda não há recursos definidos para bancar a operação, pois a Hal costuma fazer os aportes necessários assim que as transações são fechadas. “Depois de concluída uma negociação, vamos até a matriz passar o pires”, diz Macedo.

Agressiva. A Hal iniciou sua operação no Brasil em 2007 de forma agressiva, com a compra quase simultânea de duas empresas do setor: a Fototica, em São Paulo, que acabou tendo seu nome incorporado por toda a rede, e a baiana Fábrica de Óculos. Em 2009, foi a vez da pernambucana Clock’s. Em comum, as empresas tinham atuação voltada prioritariamente para a classe A. Com o crescimento da renda das classes B e C, Macedo decidiu implementar um ajuste, assestando sua mira nos consumidores emergentes. “Queremos ampliar nossa base de clientes”, diz. Para isso, a rede investiu desde o ano passado R$ 30 milhões em pesquisas de mercado, treinamento de pessoal e na reformulação de sua identidade visual.

Faz parte dessa opção em favor da nova classe média uma recém-celebrada parceria com a cantora baiana Ivete Sangalo. Usando o gingado de Ivete e seu carisma e conexão com o público, a Fototica lançará uma linha exclusiva de óculos da cantora, cuja verba publicitária será de R$ 7 milhões. “ Vamos aproveitar a popularidade de Ivete para conquistar clientes nessas faixas de renda.”

Marca da região ganha espaço

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Jordana Viotto
Publicado em 10 de outubro de 2010

Empresários investem em registro dado a um produto típico de um local, como vinho gaúcho

Outro tipo de marca tem ganhado a simpatia dos empresários: o relacionado à indicação geográfica.

Conhecida pelo termo francês “terroir”, é uma espécie de certificação de itens típicos de uma região com características influenciadas por clima, solo e outras propriedades geográficas.

Em países europeus, o “terroir” é valorizado. Na França, por exemplo, há mais de 400 itens típicos certificados pelo instituto francês de origem e qualidade.

Por aqui, o processo ainda é incipiente -existem no Brasil oito registros de indicação geográfica expedidos pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

Mas o interesse vem aumentando. Se em 2005 e em 2006 houve um registro por ano, em 2009 foram sete e, neste ano, nove.

A expectativa de produtores é que o consumidor veja na indicação geográfica um produto superior e que, assim, as vendas cresçam.

“O registro tem valor mercadológico, é uma maneira de se diferenciar da concorrência”, considera Edson Fermann, gerente da unidade de acesso à inovação e tecnologia do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Richard Vinic, coordenador dos cursos de pós em marketing da Fundação Armando Alvares Penteado, concorda. “O consumidor não compra só um produto, mas uma experiência.”

MAIS VALOR – É nisso que apostam a Asprovinho (Associação dos Produtores de Vinhos Finos de Pinto Bandeira) e a Aproarroz (Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho), ambas no Rio Grande do Sul.

As entidades pilotaram projetos para obter as respectivas indicações geográficas.

“Tivemos de comprovar cientificamente que temos um produto diferente”, afirma Clóvis Terra dos Santos, presidente da Aproarroz.

Mas a obtenção do registro, por si, não garante visibilidade. “É como construir uma marca”, avalia Daniela Khauaja, professora e coordenadora acadêmica da pós-graduação em marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Por isso produtores que desejam dar caráter comercial à indicação geográfica precisam pensar em um investimento de longo prazo.

Só o processo de adequação dos fabricantes de couro acabado do Vale dos Sinos (RS) para obtenção do registro demandou quatro anos, R$ 500 mil da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e R$ 200 mil do Sebrae.

“Estamos em fase de análise desse diferencial entre calçadistas e lojistas”, assinala Paulo Ricardo Griebeler, diretor-executivo da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul.

Pedido de registro de marca cresce 24% no país

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Caroline Pellegrino
Publicado em 10 de outubro de 2010

Micro e pequenas empresas lideram aumento do número de solicitações

Neste ano, a quantidade de pedidos de registro de marcas feitos por micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais cresceu 24%, segundo o Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual).

De janeiro a agosto foram protocoladas 24.115 solicitações. No mesmo período de 2009 foram 19.378.

O aumento foi superior ao registrado entre médias e grandes companhias, que tiveram incremento de 6%. Juntas, elas somaram 45.886 neste ano e 43.212 em 2009.

Um dos motivos para a alta é a redução do valor do pedido de marca para pequenas empresas. Até maio do ano passado, o Inpi cobrava R$ 260 -agora pede R$ 120.

Desde janeiro deste ano, microempreendedores individuais também passaram a pagar R$ 120 pelo serviço.

Especialistas creditam esse crescimento a outro fator: o aquecimento da economia brasileira.

A criação de modelos de negócio, produtos e serviços faz empresários ficarem mais atentos ao registro da marca. Sem ele, não há resguardo legal caso um concorrente adote o mesmo nome.

“Há um aumento de competitividade”, pontua o diretor de assuntos internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Ivan Pinto.

Entre novas marcas nessa disputa está a da especialista em marketing Thais Angelotti, 29. Neste ano, a empresária registrou a JellyG.com.br, clube de descontos na web.

“Foi tudo feito pela internet, em apenas 15 minutos.

Material Complementar:

Pequenas têm aumento de 130%

Maioria das empresas não faz registro de marca no Inpi; para especialista, falta conscientização

O número de pedidos de marcas feitos por empresas de pequeno porte mais do que dobrou de janeiro a agosto deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

O aumento de 130% (veja ao lado) não está relacionado só à redução de valor promovida pelo Inpi, na avaliação da coordenadora-geral de articulação institucional, Rita Pinheiro Machado.

Desde que os pedidos de marca passaram a ser feitos pela internet, em 2006, o volume tem crescido.

Além disso, diz, as atividades educativas do Inpi têm ajudado a conscientizar os empresários sobre a importância de registro da marca.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Hoje, o Inpi tem 600 mil registros de marca em vigor -há 5,1 milhões de empresas. Desse total, 98% são micro e pequenas, segundo o Sebrae-SP.

“A maioria ainda não tem o registro, mas é ele que traz proteção à marca. Falta conscientização”, destaca.

ADESÃO

Quem também impulsionou o aumento de pedidos de marca entre as firmas de menor porte foi o MEI (microempreendedor individual).

Em vigor desde julho do ano passado, o programa permite formalizar trabalhadores com renda anual de R$ 36 mil. Até setembro deste ano, 566 mil profissionais tinham aderido ao programa.

Parte deles, como o engenheiro José Hélio de Brum Muller, aproveitou para fazer o registro da marca.

Muller aderiu ao MEI neste ano e, em maio, solicitou o registro da marca Bolsa de Produtos no Inpi.

“O pedido foi rápido: em três dias estava pronto”, conta ele, que contratou um escritório de advocacia especializado para registrar também a patente da ferramenta de negociação eletrônica e o nome da empresa.

O próprio empresário pode pedir o registro pessoalmente ou pela internet, mas é possível contar com o serviço de escritórios especializados que cobram de R$ 1.000 a R$ 6.000. O especialista deve ser cadastrado pelo Inpi -a lista com os nomes pode ser vista em www.abapi.org.br.

Não compramos por impulso

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Gustavo Cerbasi
Publicado em 11 de outubro de 2010

O consumidor brasileiro tem maior poder de escolha e assim compra por prazer e não exatamente por impulso

Na semana passada, ampla pesquisa publicada pelo Popai Brasil sobre o consumo dos brasileiros em supermercados revelou alguns novos hábitos, e outros nem tanto.

Um dos dados mais alarmantes não é novidade: mais de 80% dos brasileiros escolhem os produtos no ato da compra, ou seja, compram por impulso. O percentual é o mesmo de uma pesquisa publicada pelo Programa de Varejo da Fundação Instituto de Administração em 2002.

Eu poderia abrir uma discussão sobre a dificuldade de aprendizado do brasileiro nesses oito anos, mas a mesma pesquisa nos convida a fazer uma análise por outro ângulo.

Em 1998, os homens eram 16% dos compradores em supermercados. Hoje, eles correspondem a 32% do público comprador. A participação masculina nas pequenas compras dobrou em pouco mais de uma década.

Seriam os homens os responsáveis por tamanha impulsividade ao consumir? Creio que não. Na verdade, após acompanhar mais de 700 famílias de classe média em oito anos de consultoria financeira, minha conclusão é a de que as mulheres cometem deslizes com mais frequência do que os homens. Porém, os motivos estão longe da questão hormonal ou do número de neurônios no cérebro.

A questão é preponderantemente sociológica, ligada às tradições familiares. A mulher simplesmente erra mais porque se expõe mais ao consumo, ou assume para si o papel dos pequenos gastos familiares.

Visite uma papelaria e veja quem está comprando material escolar para os filhos. Quem compra medicamentos na farmácia quando alguém adoece em casa? Quem vai ao shopping comprar os presentes de aniversário dos amigos e parentes?

Como uma espécie de vício social desde os tempos em que só o homem trazia dinheiro para casa, a mulher ainda “abastece” o lar. Como se expõe mais ao consumo, expõe-se mais ao jogo de sedução por trás da arte da venda e, mais frequentemente que o homem, faz escolhas que não estavam nos planos.

Porém, com o aumento da presença masculina nas compras cotidianas, essa diferença tende a cair por terra. Homens ainda compram menos, e “só” erram quando compram. Os casais estão aprendendo a viver a tal da igualdade pela qual as mulheres tanto batalharam.

Ao analisar a manutenção do mau hábito da compra por impulso entre quatro de cada cinco brasileiros, não podemos deixar de levar em consideração o grande crescimento da educação financeira no Brasil, principalmente através da mídia jornalística. Talvez, há oito anos, pudéssemos nos referir às compras por impulso como sendo fruto de desconhecimento, de ingenuidade ou de falta da tal educação.

Mas se, em consequência do aprendizado, o endividamento dos brasileiros vem caindo, assim como vêm crescendo a poupança e as boas escolhas financeiras (como contrair dívidas mais baratas), os argumentos para explicar a impulsividade não são mais os mesmos.

A renda aumentou, e com ela a possibilidade de fazer escolhas. Algumas famílias escolheram comprar a casa própria, outras trocaram de automóvel e outras decidiram poupar para o futuro. Porém, praticar a indulgência e deliciar-se com a possibilidade de comprar no supermercado o que der vontade na hora também pode ser uma escolha.

Provavelmente isso explica, ao menos em parte, o fenômeno da impulsividade. Talvez as compras cotidianas estejam saindo do âmbito da necessidade e passando para a área do bem-estar.

Isso não é necessariamente bom, pois é solo fértil para que a indústria nos venda gato por lebre com embalagens e campanhas que prometem mais do que entregam.

Por outro lado, é admirável o fato de o consumidor brasileiro poder fazer escolhas como a de optar pela qualidade em vez do menor preço.

Isso já se fazia quando o consumidor era fiel a marcas, mas obrigava a uma compra de menos itens.

Hoje, mesmo comprando por impulso, adquire-se 125% mais do que o previsto. Ingenuidade? Talvez.

Mas é também maior poder de escolha. O brasileiro está vivendo melhor, comprando por prazer e não exatamente por impulso.

GUSTAVO CERBASI é autor de “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” (ed. Gente) e “Como Organizar Sua Vida Financeira” (Campus). Internet: www.maisdinheiro.com.br

@gcerbasi