Alimento puxa o crescimento de franquias

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Cirilo Junior
Publicada em 26 de setembro de 2010

Expansão da massa salarial e da classe C estimulam esse mercado, que avança cerca de 30% e deve faturar R$ 75 bi

Setor alimentício tem os melhores indicadores; MegaMatte e Yogoberry são exemplos de redes bem-sucedidas no país

O mercado de franquias passou ileso pela crise e segue em forte expansão no país, especialmente as redes ligadas a alimentos.

O aumento da massa salarial e a ascensão da classe C vêm proporcionando crescimento acelerado, que chega a avançar acima de 30% em um ano. A projeção é que as franquias tenham faturamento recorde neste ano, em torno de R$ 75 bilhões.

Acessórios pessoais, vestuário e alimentos devem continuar apresentando os maiores aumentos, segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising).

“A crise, de certa forma, beneficiou o mercado de franquias. As empresas tiveram que adotar alternativas, voltar-se para canais eficientes. E o varejo sentiu menos os efeitos da crise”, afirma Ricardo Camargo, diretor-executivo da ABF.

Atualmente, pouco mais de 1.700 marcas utilizam o sistema de franquia. No ano passado, 240 empresas aderiram, e, em 2010, estima-se que mais 150 adotem o sistema. Segundo a ABF, o Brasil é o quinto maior mercado de franquias no mundo.

MARCAS FLUMINENSES

Uma das franquias que surfaram bem pelo mar revolto da crise foi a fluminense MegaMatte, que segue a linha de produtos naturais.

Em 2009, o número de lojas da rede cresceu 30% em relação a 2008. No final deste ano, serão 80 ao todo, 54% a mais do que as 52 unidades de dezembro de 2009.

Inaugurada em 1994, a MegaMatte passou a abrir franquias em 2005. Vanessa Medeiros, gerente de comunicação, explica que a estratégia prevê foco no Sudeste, especialmente em São Paulo.

Baseada especialmente no Rio, onde estão 59 das 66 lojas, a rede chegou a São Paulo no ano passado e terá, até o final deste ano, oito unidades. Será aberta também uma loja em Salvador.

Para investir na MegaMatte, é preciso ter de R$ 130 mil a R$ 250 mil. A expectativa é de faturamento mensal de R$ 60 mil.

Outra franquia emergente no ramo de alimentação é a Yogoberry, especializada na fabricação de frozen yogurt. Inaugurada em 2007, trouxe como novidade os produtos que lembram sorvetes e têm menos calorias -desde que o consumidor resista à tentação de incrementá-los com as várias coberturas e guloseimas oferecidas.

A rede já tem 60 lojas franqueadas e duas próprias, espalhadas por dez Estados. Nesta semana, inaugura a segunda loja no Nordeste, em Fortaleza -a outra unidade fica em São Luís (MA).

O diretor de expansão da Yogoberry, Marcelo Bai, lembra que a ideia inicial era ter apenas lojas próprias. Mas a multiplicação do negócio acirrou a concorrência e alterou a estratégia da empresa.

A rede também surgiu no Rio de Janeiro e chegou a São Paulo no ano passado. No mercado paulista, já conta com 20 lojas. O investimento para abrir uma loja da Yogoberry chega a R$ 300 mil, e o faturamento estimado é de R$ 90 mil mensais.

“Naturalmente, o maior espaço para crescer será em São Paulo, temos muito espaço lá, ainda estamos começando”, ressalta Bai.

Empresas criam blogs para divulgar suas marcas na internet

Fonte: O Estado de S.Paulo
Por Aiana Freitas
Publicado em 27 de setembro de 2010

Ferramenta tem sido considerada tão importante como as redes sociais Twitter e Facebook; produção passou a ser terceirizada

No início do mês, dezenas de consumidoras tiveram seus nomes incluídos numa lista de espera para comprar um tamanco da marca Corello, tamanha foi a procura pelo modelo após o lançamento. O inusitado dessa história não é o sucesso da venda em si, mas o fato de o produto ter sido lançado em um blog, ferramenta que começa a ser usada pelas empresas no Brasil como espaço de divulgação de marcas.

Diante do alcance e da amplitude que uma informação divulgada no blog pode ter, eles têm se tornado tão importantes para algumas empresas como as redes sociais, como o Twitter e o Facebook. A produção, no início quase amadora, passou a ser terceirizada: equipes de jornalistas, designers e publicitários fazem o conteúdo. O objetivo é tornar o site complementar aos anúncios tradicionais, veiculados em mídia impressa ou na TV, e permitir a interação com o público.

A Corello criou o seu há três anos. Além de mostrar as novidades da marca, o “Pé na Moda” traz entrevistas e reportagens relacionadas ao universo feminino e conta 2 mil acessos diários. “O blog se tornou uma ferramenta indispensável para a marca. Ele fideliza as clientes e serve como complemento de um plano geral de mídia”, afirma Alice Ferraz, diretora criativa da agência de propaganda Ferraz Inteligência de Moda, que desenvolveu o projeto. A agência já criou blogs também para marcas como Le Postiche, Costume, Lita Mortari e Arno. “Para dar certo, o blog precisa ter informação relevante para o público daquela marca, e não fazer apenas autopromoção.”

Branding. O blog também pode ajudar a construir ou modificar a imagem que uma marca tem para o mercado e para o público. A marca de lingeries Hope, que passa por um processo de desindustrialização com foco no varejo, criou o “Loucas por lingerie” em julho. “Já tínhamos um trabalho com blogueiras de moda que divulgavam nosso trabalho. Decidimos criar o nosso porque consideramos que é uma ferramenta de branding muito interessante, que permite um retorno muito rápido das consumidoras”, afirma Sandra Chayo, gerente de marketing da empresa. O blog acumula cerca de 25 mil acessos por mês.

Desde o ano passado, a C&A mantém o blog “Tá na vitrine, tá na C&A”. “O blog foi a primeira ferramenta de redes sociais da marca. O retorno é excelente. É uma forma de estar perto do público, transmitir informação de moda e mostrar conteúdos e produtos da empresa”, diz o diretor de marketing, Élio França.

A tendência, ainda restrita ao mundo da moda, começou a ser amplificada pela indústria de esmaltes. As empresas do setor perceberam que poderiam gastar pouco e ter muita publicidade com a divulgação de seus lançamentos, em primeira mão, para blogs que tratam do assunto. O resultado é que hoje muitas delas, como Risqué e Mohda, têm os seus próprios endereços.

Vivendo além dos limites – Gilles Lipovetsky

Fontes: Folha.com
Por Izabela Moi
Publicado em 28 de setembro de 2010

Gilles LipovetskyO sociólogo francês Gilles Lipovetsky, 66, tornou-se popular por escolher o consumo, a moda e o luxo como objetos de estudo. De jeans e sandálias, o autor de “A Felicidade Paradoxal” e “O Império do Efêmero” recebeu a reportagem na cobertura de um prédio na zona sul de São Paulo, onde foi hospedado.

Entrevista com o filósofo francês Gilles Lipovetsky, que esteve em São Paulo para uma palestra sobre consumo

Na cidade para um fórum mundial de turismo, Lipovetsky veio falar sobre o “consumo de experiência”. Abaixo, fala também da obsessão pela saúde e afirma: bem-estar é o novo luxo.

Folha – O que é “consumo de experiência”?

Gilles Lipovetsky – Vai além dos produtos que podem me trazer esse ou aquele conforto, ou me identificar com essa ou aquela classe. As razões para escolher um celular, hoje, vão além das especificações. Queremos ouvir música, tirar fotos, receber e-mails, jogar. Ter vivências, sensações, prazeres. É um consumo emocional.

Então, o que é o luxo, hoje?

O luxo, apesar de ainda existir na forma tradicional, também está mudando.

Quando buscamos um hotel de luxo hoje, não queremos torneiras de ouro, lustres. O luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar pode oferecer. Spa, sala de ginástica, serviço de massagem. O bem-estar é o novo luxo.

Como consumir bem-estar?

Nos anos 60 e 70, quando o consumo de massa possibilitou que famílias de classe média se equipassem com produtos, o bem-estar ainda era medido em termos de quantidade. Hoje, o que está na cabeça das pessoas é o bem-estar qualitativo: a tal qualidade de vida. O que inclui a qualidade estética.

Qual a relação entre busca de bem-estar e uma sociedade mais e mais “medicalizada”?

A obsessão com a saúde e a prevenção é o lado obscuro do hiperconsumismo, gerador de ansiedade quase higienista. A quantidade de informação disponível torna o consumo complicado. Na alimentação, os consumidores estão ávidos pela leitura dos rótulos: quais são os ingredientes, de onde vêm, podem causar câncer, engordar? Há 40 anos, íamos ao médico uma vez por ano, se muito. Hoje, um indivíduo faz até dez consultas por ano. O consumo de exames, para nos fazer sentir “seguros”, cresce exponencialmente. Sintoma do hiperconsumismo: queremos comprar nossa saúde.

Como vê as campanhas contra o cigarro e a obesidade?

O hiperconsumidor está preso num emaranhado de informações e ele tem muitas regras a seguir. Parar de fumar faz parte da lógica da prevenção. É um sacrifício do presente em prol do futuro. No hiperindividualismo, a gestão do corpo é central. Esse autogerenciamento permanente explica, também, a onda do emagrecimento.

Expor-se ao sol é arriscado, mas é considerado bonito ter a pele bronzeada. Privar-se de comer é privar-se do prazer. É um paradoxo que todos vivem e, por isso, no caso dessas mulheres subjugadas ao terrorismo da magreza, elas sentem culpa. As regras são contraditórias.

Qual é a saída para toda essa ansiedade?

As compras. Antes as pessoas iam à missa, agora elas vão ao shopping center. Comprar, ir ao shopping, viajar -são as terapias modernas para depressão, tristeza, solidão. Você pode comprar “terapias de desenvolvimento pessoal”. Um fim de semana zen, um pacote de massagens. Todas as esferas de vida estão subjugadas à lógica do mercado.

Por que as pessoas não se sentem felizes?

O hiperindividualismo aparece quando nossa sociedade nega as instituições da coletividade. A religião, a comunidade, a política. Os deuses são os homens. O indivíduo é um agente autônomo que deve gerenciar a própria existência. Esse indivíduo pode fazer escolhas privadas -que profissão fazer, com quem se casar, o que comprar- mas está submetido às regras da globalização econômica de eficácia, de produtividade, juventude, consumo. O acesso ao conforto material, enquanto sociedade, não nos aproximou da felicidade. Há tanta ansiedade, tanto estresse, tanta angústia e tanto medo que a abundância não consegue proporcionar um sentimento de completude.

Consumimos para esquecer?

Também. Mas há um outro lado. Desenvolvemos o que eu chamei de “don juanismo” [ele cita o personagem "Don Juan", da ópera de Mozart, que "conheceu" 1.003 mulheres]. Todos nos transformamos em Dons Juans. Somos todos colecionadores de experiências. Temos medo que a vida passe ao largo. Existe um senso comum que nos diz que se não tivermos vivido tal ou tal experiência, teremos perdido nossa vida. É uma luta contra o tédio, uma busca incansável e viciada pela novidade, pela fuga da rotina.

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Gilles Lipovetsky fala, sem culpa, sobre o luxo de ontem e hoje
Fonte: Portais da Moda
Por redação Portais da Moda

O filósofo Gilles Lipovetsky está em São Paulo para uma série de palestras por conta do lançamento de seu livro “O Luxo Eterno — da idade do sagrado ao tempo das marcas”. Já apresentou o tema na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, no Sesc Pompéia e nesta segunda (22.08) faz uma nova palestra na Casa do Saber (r. Dr. Mário Ferraz, 414, Jardim Paulistano, tel.: 3707-8900), às 18h30.

As vagas para a palestra da Casa do Saber já estão esgotadas mas o tema desta vez é o livro “O Luxo Eterno”. Na publicação, Lipovetsky analisa o luxo derrubando culpas de seu consumo em uma sociedade de imensas diferenças sociais e põe por terra as fronteiras que ligam o luxo ao inútil, relacionando palácios, pirâmides etc ao seu interesse turístico.

O filósofo ainda narra a história do luxo, de seu nascimento nas sociedades primitivas aos ritos de trocas de presentes. “O luxo estava relacionado ao excesso e servia para mostrar poder”, diz.

Sobre o bombardeio da publicidade de artigos de luxo ele afirma: “Até pouco tempo, as marcas de luxo não queriam fazer publicidade. Isso era vulgar. Hoje a publicidade está em qualquer lugar. Os métodos de marketing se renovaram de acordo com a velocidade do tempo e da produção de massa”. Sobre democratização dos desejos, dispara: “Hoje, até quem mora numa favela sonha com as mesmas coisas, pois todos querem exaltar a vida presente. A nova religião é o aqui-agora.”

“A idéia do luxo como supérfluo é nova e boba”, assegura o filósofo explicando que hoje o luxo está associado a uma experiência emocional, não mais de mostrar, ostentar, mas de sentir , ter prazer ao adquirir luxo. “O luxo hoje não mais quer mostrar classe social, mas está relacionado à individualidade e à aparência, numa dinâmica subjetiva, em contrapartida às coisas que desaparecem rapidamente. Existe um desejo de que as coisas durem mais. Esta é a nova fronteira do consumidor do século XXI”, conclui.

Marca francesa de cósmeticos planeja entrada no país com venda parcelada

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Gabriel Baldocchio
publicada em 26 de setembro de 2010

Marca de cosméticos de luxo tem estratégia para a classe C, com vendas em 12 vezes, e busca espaço em shoppings

Depois de precisar contratar funcionárias brasileiras para dar conta das compradoras do Brasil nas suas lojas em Paris, a marca de cosméticos francesa Sephora planeja agora seu desembarque no Brasil.

A marca está em negociação com shoppings para a abertura de lojas, mas vai aproveitar a estrutura do site Sacks, comprado em julho. O grupo francês de bens de luxo LVMH, dono da Louis Vuitton, comprou 70% do site brasileiro de cosméticos, em negócio estimado em R$ 250 milhões.

Num esforço para alcançar a classe C, a empresa pretende manter o parcelamento em 12 vezes –tradicional na Sacks– nos produtos da marca Sephora.

“Precisamos tornar o luxo mais acessível. Dá pena ver que os brasileiros viajam para fora e consomem lá porque os preços são muito melhores”, diz Carlos André Montenegro, presidente-executivo do site Sacks, que deve se transformar até 2012 em sephora.com.br.

Ele também diz que vai tentar convencer o governo a diminuir as tarifas para a importação de produtos de beleza, que chegam a 79%. Apesar de surpreso com pesquisas de mercado que indicaram conhecimento da marca francesa pelas brasileiras, Montenegro afirma que a Sacks ainda tem mais força. Ele e seus sócios ainda detêm 30% da Sacks.

A Sephora tem 700 lojas em 13 países (250 apenas nos EUA). O nome é uma fusão de “sephos”, o termo da Grécia Antiga para beleza, com Zípora, mulher de Moisés no livro do “Êxodo” da Bíblia.

Participe da 100ª edição da NRF com o grupo segmentado Varejo Premium

NRF (National Retail Federation)

Nova York, USA – JANEIRO

Maior evento mundial de varejo que acontece todo mês de janeiro em Nova York. O evento apresenta as últimas tendências e inovações do varejo. A GS&MD forma uma delegação que cresce a cada ano e conta com uma equipe de apoio totalmente dedicada á organização e aproveitamento do conteúdo apresentado no evento. Na programação, existem visitas técnicas planejadas com consultores internacionais, além de reuniões de “wrap ups” com os sócios da GS&MD, transfers e três jantares exclusivos para o grupo. Na edição de 2009, o grupo exclusivo GSMD foi formado por 1536 executivos, o Programa Pré NRF contou com visitas guiadas ao varejo de New Jersey e o Programa Pós com visitas guiadas em Washignton. Conheça em breve os Pacotes NRF 2010 da GS&MD!

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Pacote Varejo Premium:

07 a 15 de janeiro de 2011 (NY)

A MCF Consultoria e Conhecimento, especializada nas ferramentas de gestão e inovação do Luxo e Premium, é responsável pela coordenação de visitas de experiências do seleto e especial Grupo de Varejo Premium

Além da participação na centésima edição da maior feira de varejo do mundo, a NRF. O grupo juntamente com Carlos Ferreirinha visitará as operações de varejo de Luxo em Nova Iorque, experienciando de perto como algumas das mais prestigiadas do mundo atuam.

Principais vantagens:

- Hospedagem em localização privilegiada – Hotel Ritz Carlton – Central Park

- Equipe de apoio durante toda a viagem

- Transfers exclusivos durante todo o evento (aeroporto – hotel – convenção – jantares exclusivos)

- 3 jantares exclusivos durante o grupo e 2 almoços durante as visitas

- Visitas técnicas guiadas nas maiores referências do varejo internacional de luxo

- Prováveis locais a serem visitados: Burberry, Armani, Barneys, Kiehl’s, Moma e Limelight Market Place *

- Reunião de abertura e warp ups exclusivos, com apoio de consultores especializados

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Valor diferenciado até 15/10/2010

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www.gsmd.com.br

Site do evento: www.events.nrf.com/annual2011/public/enter.aspx

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Cargill paga R$ 600 milhões por fábrica e marcas de molho de tomate da Unilever

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Fernando Scheller
Publicado em 25 de setembro de 2010

Alimentos. Depois de vender a Seara, multinacional americana buscava novas oportunidades no País; na negociação com a Unilever, que prefere investir em marcas globais, a empresa ficou com os rótulos Pomarola, Tarantella, Elefante e Pomodoro

No primeiro movimento desde a venda da marca Seara para o frigorífico Marfrig, há um ano, a multinacional americana de alimentos Cargill anunciou ontem um acordo estimado em R$ 600 milhões para adquirir a unidade de molhos, polpas e extratos de tomate da anglo-holandesa Unilever no Brasil, tornando-se líder do segmento. Entre as marcas incluídas no negócio estão rótulos tradicionais como Pomarola, Tarantella, Elefante e Pomodoro.

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Investimento. Sede da Cargill em São Paulo: gigante americana estava capitalizada desde a venda da Seara, no ano passado

A aquisição inclui as unidades de produtos para o varejo e “food service” (grande consumidores, como restaurantes), além de instalações e da fábrica em Goiânia. As empresas esperam concluir a transação no final deste ano. O acordo estará sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “A aquisição da unidade de produtos de tomate da Unilever exemplifica nosso compromisso de longo prazo com nossos negócios no Brasil”, disse, em nota, Sergio Rial, vice-presidente sênior da Cargill.

As especulações sobre a venda da unidade de molhos de tomate da Unilever circulavam há meses no mercado. O mercado comentava que a principal rival da multinacional anglo-holandesa no País – a Hypermarcas, fundada por João Alves de Queiroz Filho, ex-dono da Arisco – poderia vir a comprar as marcas arrematadas pela Cargill. Mas, para a analista Daniela Bretthauer, da Raymond James, o negócio não se enquadraria na estratégia de expansão da Hypermarcas, que prioriza setores de maior valor agregado, como o farmacêutico e o de higiene pessoal. “Acho até bom para a Hypermarcas que ela não tenha comprado (o negócio de molhos), pois o preço me parece um pouco alto”, diz.

Segundo Fabiana Fakhoury, diretora da consultoria Alvarez & Marsal, a Unilever vendeu o negócio de molhos porque ele não se encaixava na estratégia da empresa de trabalhar com marcas globais, reduzindo investimentos em marketing e propaganda, por exemplo. “Eram marcas locais, de um mercado em crescimento, mas que não se encaixavam na estratégia”, diz Fabiana. De acordo com a Nielsen, o mercado de molhos prontos de tomate cresceu 11,3% ao ano entre 2007 e 2009, de carona no aumento do consumo de produtos prontos pela classe C; na mesma comparação, a venda de polpa e purê de tomate caiu 8,2%.

Variedade. Para a Cargill, entretanto, a expansão do portfólio faz sentido, de acordo com a diretora da Alvarez & Marsal. Não faz diferença, segundo ela, se as marcas são locais, pois a empresa não tem tradição de atender o varejo na maioria de seus mercados. “A Cargill está com dinheiro em caixa desde a venda da Seara para a Marfrig, e dinheiro em caixa nunca é bom – ela já estava sendo pressionada a fazer algum investimento.”

Além disso, a analista aponta que os molhos de tomates são um negócio complementar que otimizará a rede de distribuição que a multinacional já montou no Brasil. “A empresa já distribui suas marcas atuais, como Liza, Mazola e Gallo, nos supermercados que venderão esses novos produtos”, explica.

Shell planeja tornar Brasil plataforma para distribuição de biocombustíveis

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Nicola Pamplona
Publicado em 21 de setembro de 2010

Multinacional anglo-holandesa, que criou uma joint venture com a Cosan, prevê investimentos de US$ 1,5 bilhão no País e quer tornar o etanol de cana um combustível global

Com um orçamento de US$ 1,5 bilhão para investimentos na nova empresa que está compondo com a Cosan, a Shell está confiante de que fará do Brasil sua plataforma de distribuição de biocombustíveis para o mundo. Além dos aportes na ampliação das atividades brasileiras, a companhia espera testar, no País, tecnologias de etanol de segunda geração que vêm sendo desenvolvidas pela Iogen Energy, que faz parte do acordo com a Cosan.

“No longo prazo, o objetivo é criar uma companhia global de biocombustíveis e penso que a joint venture (com a Cosan) tem potencial não só no Brasil, mas para ser um grande ator nesse mercado”, disse o vice-presidente de estratégia, portfólio e energia alternativa do grupo Shell, Mark Gainsborough, que veio ao País participar da feira Rio Oil & Gas, na semana passada.

A joint venture com a Cosan foi anunciada em fevereiro e prevê a fusão dos ativos das duas companhias nos segmentos de distribuição de combustíveis e produção e pesquisa de novas tecnologias de etanol. Com valor estimado em US$ 12 bilhões, a companhia nasceu com 4,5 mil postos de combustíveis, além da maior capacidade para produção de etanol do País.

“O negócio (de distribuição de combustíveis) vai crescer nos próximos anos e estamos com uma posição bastante forte no mercado”, disse Gainsborough. Ele disse esperar a aprovação da joint venture pelos órgãos de defesa da concorrência para os próximos meses, dando início ao processo de consolidação e investimentos da nova empresa. Já a partir do próximo ano, a rede de postos Esso, controlada pela Cosan, deve começar a receber a marca da Shell.

Exterior. O passo principal, porém, será dado em direção ao mercado externo. “Achamos que há um grande potencial para o etanol de cana-de-açúcar do Brasil. O mundo já percebeu que o Brasil criou, nos últimos anos, um mercado de biocombustíveis bastante competitivo”, afirmou Gainsborough.

Ele reconhece, porém, que há um “grande trabalho” a ser feito em termos logísticos e políticos – neste caso, no sentido de romper barreiras comerciais e tarifárias impostas pelos países desenvolvidos. Mas acredita que a presença da Shell nos maiores mercados consumidores pode ajudar o esforço brasileiro pelo fim das barreiras.

No final do ano, os Estados Unidos decidem pela renovação ou não dos subsídios concedidos aos produtores locais. “Nossa percepção é que muitos formuladores de políticas começam a reconsiderar a questão das tarifas de importação”, disse. “Manter as tarifas não faz muito sentido quando se fala em sustentabilidade.”

O executivo evitou dar maiores detalhes sobre os primeiros movimentos da nova empresa com a Cosan, mas disse que uma das possibilidades futuras é intensificar a pesquisa com biocombustíveis de segunda geração também no Brasil.

“Combinar a expertise operacional da Cosan com a expertise da Shell em pesquisa é uma forma de acelerar o desenvolvimento dos biocombustíveis”, disse o executivo. A Shell tem hoje quatro centros de pesquisa relacionados aos biocombustíveis ao redor do mundo. Já os investimentos em pesquisa da Cosan são mais voltados à produção agrícola.

Para Gainsborough, a chegada dos biocombustíveis de celulose aos mercado europeu e americano abrirá portas para o etanol brasileiro. “É preciso ter acesso ao biocombustível de celulose para que as pessoas se acostumem com isso.”

Via Uno se renova e cresce no rastro da rival Arezzo

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Fernanco Scheller
Publicado em 06 de setembro de 2010

Depois de substituir os sapatos de material sintético pelos de couro, marca gaúcha investe para sofisticar os pontos de venda

Sete anos após trocar as sapatarias multimarcas por unidades próprias, a Via Uno passa por um segundo “banho de loja” de olho nas mulheres das classes A e B. A marca gaúcha, que fechará o ano com 300 lojas em todo o mundo, vai remodelar suas unidades ao longo dos próximos cinco anos. Os tons pastéis, especialmente o marrom e o bege, remetem a rivais como a Arezzo, da qual a Via Uno se tornou concorrente direta ao elevar o preço de seus produtos e investir na estratégia de varejo próprio.

De acordo com Paulo Kieling, diretor de marketing da Via Uno, as novas lojas refletem a transformação do produto ao longo dos últimos anos: os sapatos, antes feitos com materiais sintéticos, hoje são predominantemente de couro. Os preços de produtos da marca mais que dobraram nos últimos anos: no verão, o valor médio de um par de sapatos Via Uno será R$ 120 – no inverno, pode dobrar. “A consumidora notou que o produto mudou. Agora adequamos o ponto de venda a ele”, diz Kieling.

Ao abandonar as multimarcas, a Via Uno deixou de atender 2,4 mil varejistas pelo País. O retorno ao mercado “popular” se deu com o lançamento da linha Naturezza, em 2009. Feitos com materiais sintéticos, esses calçados se assemelham aos que a Via Uno produzia nos anos 90.

A entrada no varejo monomarca trouxe a reboque a decisão de transformar a Via Uno em uma companhia de moda, encerrando a fase industrial da empresa, fundada em 1991. Nos últimos anos, a Via Uno se desfez das fábricas próprias – hoje, toda a produção é terceirizada. Com faturamento de pouco menos de R$ 500 milhões, a empresa reduziu seu quadro para cerca de 300 pessoas, concentradas nas áreas de estilo e marketing.

Segundo Fernando Lucena, presidente do Grupo Friedman, que presta consultoria de varejo para marcas de calçados, a disputa entre Via Uno e Arezzo mostra como é difícil para uma empresa desse ramo manter-se à frente dos concorrentes. “O público feminino não é fiel. Mesmo que a empresa líder antecipe tendências, a cliente pode buscar algo novo”, explica. Ele ressalta que, apesar de ter se aproximado da Arezzo, a Via Uno não navega em águas tranquilas no mercado de valor agregado: “Mesmo que a Arezzo tenha errado recentemente, ela está mais firmada nesse setor.”

Desenvolvimento. O consultor em varejo Eugênio Foganholo diz que a ascensão da Via Uno reflete a pouca sofisticação do varejo calçadista nacional. “A experiência de compra nas sapatarias multimarcas é igual há 30 anos: o cliente vê o calçado na vitrine, pede para o vendedor e espera ele procurar no estoque”, diz. A diferença, explica Foganholo, é que Arezzo e Via Uno permitem o contato direto da cliente com o sapato, o que faz diferença na hora da compra. Ele diz que o movimento da Via Uno, ao perceber essa necessidade, foi “bem feito”. “Era uma área com pouca competição e carente desse tipo de atendimento.”

Oficialmente, Via Uno e Arezzo não se assumem como grandes rivais. Kieling afirma que a Via Uno prioriza a consumidora de 20 a 40 anos das classes A e B. Já Anderson Birman, fundador da Arezzo, diz que “qualquer empresa do ramo de sapatos é concorrente”. A Arezzo, também dona das redes Schutz e Ana Capri, iniciou o modelo de lojas próprias e produção terceirizada há 14 anos, seguindo o molde de gigantes como a Nike. Birman diz que a receita do grupo deve superar R$ 800 milhões em 2010.

Ao escolher um nicho sofisticado e buscar a internacionalização, uma das preocupações da Via Uno é manter a identidade visual – não importa aonde a expansão das franquias leve a companhia. Hoje, mais de 40% das lojas estão no exterior. Além de estar presente em locais com tradição na moda, como Paris e Milão, a empresa abriu mercados como Filipinas, Jordânia e Cuba. Até o fim do ano, chegará à Austrália com cinco unidades. “O clima do país e o gosto do consumidor são parecidos com o que observamos no Brasil. Isso facilita as coisas”, diz Kieling.

Apesar de terceirizada, a fabricação de sapatos, acessórios e material de ponto de venda da Via Uno é concentrada no Brasil – a produção é de 6 milhões de peças ao ano. De carona na estratégia de gigantes como a rede de cafeterias Starbucks, a Via Uno desenvolve a estratégia de varejo em sua sede: os franqueados ao redor do mundo recebem um kit para montar a loja. “Queremos uma marca global. Por isso, o padrão tem de ser idêntico. Daí a necessidade de se definir tudo internamente”, explica Kieling.

O valor de um patrocínio

Fonte: O Povo
Por Luar Maria Brandão
Publicado em 23 de setembro de 2010

Empresas investem em grandes eventos culturais e esportivos para posicionar e agregar valores à marca. No caso das multinacionais, ainda há a vantagem de regionalizar ações. Mas não vale investir em qualquer coisa, a marca tem que ”aderir” ao evento

Você, consumidor, pode até nem notar, mas, quando uma empresa resolve colocar a marca dela (e o dinheiro) estampada em grandes eventos culturais e esportivos, ela está a fim de ser percebida. Da melhor forma. Associar os atributos de um evento à marca é o principal objetivo de quem aposta nos patrocínios. E há quem aposte alto.

Nesta semana, por exemplo, a organização do Planeta Terra Festival 2010 anunciou aumento de 112% no faturamento obtido com as cotas de patrocínio. Os patrocinadores masters Nokia, Gillette, Telefonica, Tridente e Volkswagen, além de outros cotistas de apoio, vão investir R$ 17,5 milhões no festival de música que acontece em São Paulo, no dia 20 de novembro.

Engana-se, no entanto, quem pensa que tanto dinheiro assim é pouco frente ao retorno em vendas para as empresas. Mais que gerar volume de vendas, como faz uma propaganda convencional em mídia tradicional, “o patrocínio cria percepção de marca, posicionando-a no mercado e capitalizando atributos emocionais”, segundo definição do diretor-geral da consultoria de marcas BrandAnalytics, Eduardo Tomiya.

Ele cita o exemplo recente do Bradesco ao patrocinar a companhia circense Cirque du Soleil. Para Eduardo Tomiya, vincular o nome do banco ao espetáculo foi “estratégia fundamental” para lançar o Bradesco Prime. “Sempre tido como banco ‘popular’, o Bradesco associou sua marca aos atributos do sofisticado Cirque para atingir a alta renda”, afirma.

Outro exemplo foi a Petrobras que, na briga com a Shell pela percepção da marca como conceito de tecnologia, patrocinou a Honda na Fórmula 1. “Se a Petrobras estivesse fora disso, talvez tivesse sido mais difícil internacionalizar a marca”, avalia Eduardo Tomiya.

Ação: Não basta, no entanto, expor as marcas. Segundo o publicitário Andrey Ohama, a briga pela percepção de uma marca nos grandes eventos vai depender das experiências que esta marca proporciona às pessoas lá. É a chamada brand experience ou ativação de marca.

”Há três anos, criamos, junto ao camarote da Coca-Cola, no Ceará Music, uma garrafa gigante que explodia em papel picado e djs que roubavam a cena nos intervalos dos shows. A concorrência teve que se virar nos trinta para não passar despercebida. Mas passou”, conta o publicitário.

E MAIS: Recentemente, a Honda deixou a Fórmula 1. Mas, sem detalhes, o diretor da BrandAnalytics, Eduardo Tomiya, afirmou que a Petrobras deve retornar, em breve, às pistas.

O Ceará Music 2010 tem investimentos de cerca de R$ 4,5 milhões e terá como patrocinadores Renner, Coca-Cola, Antarctica e Vivo.

Bate-pronto

Eduardo Tomiya. Diretor-geral da consultoria de marcas BrandAnalytics.

O POVO – Uma empresa pode investir em qualquer evento?

Eduardo Tomiya – Não vale patrocinar qualquer evento só porque a diretoria simpatiza, por exemplo. Além de ser perda de tempo, vai soar estranho ao consumidor. Tem que se pensar, antes de tudo, no posicionamento da marca, numa ideologia que a identificação de bons eventos nos quais apostar. Se não agregar valor, é contra-senso.

OP – Uma marca pode sair perdendo com um patrocínio?

Eduardo Tomiya – Isso aconteceu com o Pão de Açúcar ao patrocinar o show (da banda irlandesa) U2. O casamento entre os dois era perfeito, mas o Pão de Açúcar tentou colocar ingressos à venda em suas lojas e não conseguiu atender à demanda. Era uma multidão. Foi um fracasso. Clientes e fãs ficaram muito bravos, lojas tiveram que ser fechadas. Se o show for um fiasco também a marca se prejudica. É um risco.

OP – Quanto dura um patrocínio?

Eduardo Tomiya – O patrocínio como qualquer investimento tem começo, meio e fim. Se bem feito, no primeiro ano, quando os consumidores conhecem a novidade, o retorno é grande; no segundo ano é para manter. Já nos dois anos seguintes o retorno quase não existe, porque as pessoas já perceberam e incorporaram a marca. É a teoria da utilidade: a utilidade marginal de qualquer investimento tende a ser decrescente. Patrocínio é algo estratégico. Quando se esgota é preciso enxergar outras ferramentas.

Criação de espaços culturais para aproximar cliente e marca

Além de patrocinar eventos, as empresas têm criados espaços próprios de cultura com o objetivo de aproximar o cliente da marca e agregar valor social. Em São Paulo, por exemplo, a banco multinacional HSBC investia no Cine Belas Artes. Aqui, no centro Cultural Dragão do Mar, temos o exemplo do Espaço Unibanco, também com salas de cinema.  Segundo o diretor-geral da consultoria de marcas BrandAnalytics, Eduardo Tomiya, a marca cria vínculo com as pessoas no entorno desses lugares. “As pessoas percebem que a marca tem ações específicas visando o público local. Cria um engajamento que é fundamental para a lealdade do público”, diz. O Pão de Açúcar é outro, que ao promover “maratonas” entre os clientes de Fortaleza, reafirma sua atuação na Cidade, mesmo sendo paulista.  Já a construtora Porto Freire resolveu investir mais alto com a criação do Espaço Cultural Porto Freire, inaugurado em março deste ano, na Cidade dos Funcionários, e já com quatro exposições no currículo. “A empresa sempre difundiu valores como a educação e dentro dela, a cultura. É um equipamento cultural oferecido a uma região de Fortaleza tão pouco contemplada”, pontua a coordenadora do lugar, Ilnah Vasconcelos.  Na penúltima exposição, a dos cangaceiros, o projeto da construtora Escola Amiga da Arte levou 500 alunos ao Espaço e agora encerra exposição fotográfica Cariri Mágico, de Tiago Santana. “Passamos a ser percebidos como uma marca que agrega valores às pessoas, principalmente”, avalia Ilnah, que também é coordenadora de marketing e comunicação da Porto Freire. (LMB)

Pirataria Ching-Ling

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Fabiano Maisonnave (enviado a província de Fujian)
Publicado em 19 de setembro de 2010

Folha visita reduto de fábricas clandestinas na China que exportam Havaianas e Melissas falsas para todo o mundo

As sandálias não se deformam, não soltam tiras e não têm cheiro. Mas essas Havaianas não são as legítimas.

São as da empresa chinesa Bright Coast, que mantém um site “oficial” da marca em inglês e chinês, pode produzir até 500 mil pares mensais e exporta um dos produtos-símbolo do Brasil para a África e o Oriente Médio.

“Só não conseguimos ainda reproduzir a lista lateral reta”, admite o funcionário da Bright Coast, no amplo escritório da empresa em Xiamen, sul da China, ao mostrar vários modelos de Havaianas falsas.

A Bright Coast é só uma das dezenas -provavelmente centenas- de fábricas no sul da China que, nos últimos anos, diversificaram de nomes mais famosos, como Nike, e agora produzem também imitações das brasileiras Melissa, Ipanema e Mormaii, além das Havaianas.

A reportagem da Folha se apresentou como compradora de marcas brasileiras piratas em quatro cidades da Província de Fujian.

Encontrou uma ampla cadeia produtiva, que envolve de grandes empresas legalizadas a pequenas fábricas familiares, dezenas de milhares de funcionários e um sistema sofisticado de venda para praticamente qualquer parte do mundo. Tudo com certa conivência oficial.

Entre as brasileiras, a mais copiada são as Havaianas. Na Bright Coast, as sandálias vêm em embalagem e, numa etiqueta com holograma, se lê: “Apenas as legítimas Havaianas têm este selo de autenticidade. Não seja enganado por cópias”.

O preço por unidade é de 8 yuans, o equivalente a R$ 2, incluindo a tramitação pelo porto de Guangzhou, o mais fácil para passar pirataria. O valor é um décimo do cobrado no site oficial das Havaianas verdadeiras pelo mesmo modelo.

O negócio é feito de forma aberta. No site, há uma breve explicação da história das Havaianas e até fotografias da fábrica. O dono, Liao Gui Long, controla uma firma de eventos e é o vice-presidente da associação de empresas de propaganda de Xiamen.

A Bright Coast tem rivais. Cópias mais baratas e menos sofisticadas são facilmente encontradas nas dezenas de lojas de fábrica em Jinjiang -vizinha a Xiamen. Em apenas uma hora, a reportagem encontrou cópias de Havaianas e Ipanema em seis lojas.

Em uma delas, a vendedora oferece cópia em PVC das Havaianas, no atacado, por 6 yuans (R$ 1,50). Seu mercado, diz, são as Filipinas, para onde exporta alguns milhares todos os meses. “É um país quente, e essas sandálias duram três meses.” Qual é capacidade de produção mensal? “Milhões”, e sorri.

Internet facilita a divulgação de itens falsificados

DO ENVIADO À PROVÍNCIA DE FUJIAN

Maior site da China em vendas no atacado, o Alibaba.com é sinônimo de sucesso e credibilidade: tem o Yahoo! como sócio minoritário (40%), e o seu fundador, Jack Ma, recebeu a visita do governador do Estado da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, no início deste mês.

É ali que as fábricas de sapatos piratas encontraram a plataforma ideal para as vendas de seus produtos.

Na semana retrasada, a reportagem fingiu interesse em comprar sandálias da marca Melissa para vender ao Egito.

Conseguiu negociar, por meio de um chat do site, 5.000 pares com a Guohao Shoes, a R$ 15 cada par, incluindo o frete. Garantiram a entrega em até sete dias. Tudo em 20 minutos.

A reportagem visitou a fábrica Xingao, que tem um link do Alibaba.com no seu endereço virtual. A unidade, de quatro andares, está num bairro pobre em Jinjiang.

“Do Brasil, fazemos Mormaii [marca de roupas e acessórios]. Acabamos de enviar 100 mil desses pares para o Chile”, diz um funcionário, com uma sandália na mão.

Jack Ma tem ainda o Taobao.com, o maior site de varejo, com 200 milhões de usuários. Somente de Havaianas, havia, duas semanas atrás, 7.876 vendedores, a maioria de cópias piratas.

Procurado, o Alibaba.com disse que apenas promove o intercâmbio entre os compradores e os vendedores, sem representar nenhum dos lados. (FM)