Farmacêutica aposta em setor estético

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Carolina Matos
Publicado em 07 de setembro de 2010

Brasileira quer crescer em filão dos “dermocosméticos” e ganhar mercado das estrangeiras que atuam no país.

Segundo Biolab, os itens fabricados localmente são de 30% a 40% mais baratos nas prateleiras para os consumidores

Aproveitando a maior demanda dos brasileiros por tratamentos de saúde-no embalo do aumento da renda-uma empresa nacional quer crescer em um setor dominado pelos estrangeiros.

A Biolab aposta no segmento de “dermocosméticos”, como têm sido chamados os cosméticos com valor terapêutico.

São itens como cremes de hidratação profunda, filtros solares com alto fator de proteção e loções que prometem o clareamento da pele.

Esses produtos representam um mercado doméstico de R$ 2,9 bilhões, cuja maior fatia (63%) pertence a estrangeiras, como as francesas Vichy e La Roche Posay.

“Acreditamos no potencial do setor. O dermatologista passou a ser mais visitado pelos brasileiros”, diz Cleiton de Castro Marques, presidente da Biolab.

Segundo o executivo, os itens fabricados localmente são de 30% a 40% mais baratos para o consumidor. E esse não seria o único atrativo. “Os produtos domésticos são mais adequados à pele brasileira”, diz.

A Biolab investe, em pesquisas, 7% do faturamento, que deve chegar a R$ 610 milhões em 2010.

Entre estudos envolvendo medicamentos (negócio principal) e dermocosméticos, a empresa tem 35 moléculas em desenvolvimento. “O plano é dobrar o faturamento até 2014″, diz Marques.

ANVISA

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tem uma categoria específica para dermocosméticos.

Mas informou à Folha que “produtos com finalidade ou valor terapêutico não são aceitos como cosméticos”.

Flávia Addor, vice-presidente da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que o uso dos “dermocosméticos” começou a se intensificar na década de 1990.

Hoje, segundo ela, cerca de 40% das prescrições dos dermatologistas de clínica particular contemplam os produtos.

Mas Addor faz uma ressalva: é preciso avaliar a real necessidade do uso dos dermocosméticos. “Eles são mais caros e a relação custo-benefício também conta.”

Um relógio que leva 9 meses para ficar pronto

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Fernando Scheller
Publicado em 08 de setembro de 2010

Suíça Patek Philippe recusa aumentar a escala e podruz 42 mil unidades por ano

O presidente da fabricante suíça de relógios de luxo Patek Philippe, Thierry Stern, vive à margem do afã de fusões e aquisições entre marcas para ganho de escala e conquista de novos mercados. Em termos empresariais, sua posição pode ser vista como anômala: tem muito mais clientes do que pode atender e pretende manter as coisas assim.

Aos 40 anos, Thierry substituiu o pai no comando do negócio da família no fim do ano passado. Sua meta: manter a produção em 42 mil unidades por ano – cada unidade leva nove meses, em média, para ficar pronta. Ele diz que o número reduzido de relógios no mercado reforça o caráter de exclusividade: no Brasil, os produtos são vendidos por até R$ 262 mil. O modelo mais barato, para ‘novatos’ na marca, sai por R$ 36 mil.

Fundada em 1839 e administrada por quase um século pelo polonês Antoni Patek e pelo francês Adrien Philippe, a companhia foi vendida, em 1932, para uma família de parceiros comerciais de longa data, os Stern, que mantiveram o nome original. Thierry é o quarto comandante da linha sucessória dos Stern.

Além de não ver razão de se associar a uma grande marca de luxo, Thierry diz que seria impossível enquadrar a Patek Philippe em um modelo de negócios tradicional. ‘Tenho certeza de que meus funcionários não permaneceriam num modelo de escala. Todo o conceito ruiria’, disse Thierry ao Estado, em visita ao Brasil na semana passada.

Emergentes. O País ainda tem uma participação pequena nas vendas da companhia, mas o crescimento é exponencial, assim como em outros emergentes. A Europa ainda concentra 45% das vendas, enquanto a Ásia, com destaque para China e Japão, já é o segundo maior mercado, com 25% de participação.

No Brasil, os produtos são distribuídos com exclusividade pela joalheria H. Stern – em todo o mundo, a marca é distribuída por meio de 600 parceiros de varejo. Todos os anos, a H. Stern recebe entre 70 e 80 unidades, lote que é inteiramente vendido.

Embaixador da H.Stern, Christian Hallot diz que demorou cinco anos para convencer o primeiro cliente a desembolsar dezenas de milhares de dólares por um relógio de pulso da Patek Philippe: embora a parceria tenha sido estabelecida em 1990, a primeira unidade só saiu em 1995.

Hallot explica que a parceria com a H. Stern representou a reintrodução da Patek Philippe no Brasil. Ele conta que, no início do século 20, a relojoaria Gondolo & Labouriau, do Rio de Janeiro, criou uma espécie de consórcio da marca no País. ‘As pessoas pagavam uma cota. Um relógio trazido da Europa era sorteado uma vez por mês.’

Com o fim da parceria com a Gondolo & Labouriau, em 1930, a Patek Philippe ficou ausente do País por 70 anos. Mas a importância histórica do primeiro parceiro em território nacional não foi esquecida: uma das linhas da marca hoje leva o nome Gondolo, em homenagem ao antigo revendedor.

Segundo Thierry Stern, o objetivo da empresa é que os relógios sejam transformados em relíquia familiar, repassada de pai para filho. Não raramente, explica ele, o relógio de ontem pode ser o objeto de colecionador de hoje. Quanto mais exclusivo o modelo, maiores as chances de o produto ganhar valor no circuito internacional de leilões.

Um modelo presenteado a um executivo de uma grande companhia, em 1930, foi vendido em 2009 por US$ 325 mil. Já o complexo relógio de bolso de comemoração aos 150 anos da companhia, em 1989, foi arrematado por US$ 5 milhões. Mas o recorde pertence a um modelo único, de 1932, feito sob encomenda para o banqueiro americano Henry Graves: US$ 11 milhões.

‘Quanto mais complicado e exclusivo o modelo, mais valioso ele será. Daqui a muitos anos, um modelo que só teve 100 unidades fabricadas terá um valor maior no futuro, pois seu caráter de raridade será sempre mantido’, explica o presidente da Patek Philippe.

Neurociência vira ferramenta de marketing

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Carolina Matos
Publicado em 21 de agosto de 2010

Técnicas como monitoração visual, que prometem desvendar os desejos dos consumidores, chegam ao Brasil

A Millward Brown, sócia do Ibope no Brasil, traz instrumentos testados em pesquisa de mercado na Europa e nos EUA

Desvendar as preferências do consumidor é o desafio de marcas no mundo todo.

O que pensam e sentem compradores em potencial em relação a produtos, logotipos e propagandas?

A resposta pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de um lançamento. Mas não é fácil chegar a ela.

Uma aposta do segmento das pesquisas de mercado -contratadas para sondar o que o público quer de um produto- é o uso de ferramentas da neurociência.

São instrumentos de análise que não dependem de resposta verbal ou escrita dos entrevistados.

Os mecanismos de “avaliação implícita” se propõem a mapear reações dos consumidores quando expostos a uma imagem, por exemplo.

A direção do olhar -captada por uma câmera instalada na tela de um computador, onde pode ser exibido um filme de propaganda- é uma das reações monitoradas.

Outra seria o comportamento das ondas cerebrais -proposta mais controversa, segundo neurocientistas (leia ao lado).

O instituto de pesquisa de mercado Millward Brown começa a utilizar as técnicas no Brasil, um ano depois de iniciar o trabalho na Europa e nos Estados Unidos.

E o plano é levar os métodos a outros mercados da América Latina.

Nascida na Inglaterra há 30 anos, a Millward é sócia do Ibope no Brasil há dez anos e possui cerca de 50 clientes ativos (multinacionais e empresas domésticas).

PRECISÃO

“Com as ferramentas de neurociência, a análise das preferências do consumidor é muito mais contundente “, diz Silvia Quintanilha, vice-presidente de atendimento da Millward Brown Brasil.

Segundo a executiva, o público, especialmente o latino, tem dificuldade em explicitar o que lhe desagrada.

“E ter essa informação com a maior precisão possível é fundamental para as empresas tomarem decisões sobre produtos e estratégias de comunicação”, completa.

A ilustração ao lado mostra resultados de testes feitos pela Millward usando instrumentos da neurociência.

A pesquisa a partir das fotos dos modelos em trajes de banho revelou os pontos para onde mais se olhava.

“Em se tratando do modelo masculino, dificilmente os homens consultados destacariam as mesmas áreas verbalmente”, diz Quintanilha.

“Também verificamos que as consumidoras deram mais atenção à mão esquerda do modelo, onde havia uma aliança”, completa.

ANÁLISE

Os equipamentos para os testes são fornecidos à Millward por empresas privadas de neurociência aplicada da Europa e dos EUA. Essas empresas também trabalham na análise dos resultados.

Segundo Quintanilha, a análise por neurocientistas é importante para não haver distorções na interpretação das pesquisas.

“É preciso saber avaliar. O fato de o consumidor gastar mais tempo observando determinada área de um anúncio pode indicar que a informação ali está confusa.”

Em relação ao preço dessas tecnologias, a executiva afirma que as pesquisas que utilizam as ferramentas são de 10% a 15% mais caras que as tradicionais, de pergunta e resposta.

Mesmo assim, segundo ela, todos os clientes do instituto no país já mostraram interesse em contratar pelo menos uma das novas técnicas.

Behavioral commerce

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Julio Vasconcellos
Publicado em 19 de agosto de 2010

Táticas de economia comportamental têm gerado grandes inovações nos sites que as utilizam

VIROU MODA falar de “social commerce” -a nova onda que está revolucionando o comércio eletrônico no mundo com sites como Groupon e Gilt, nos Estados Unidos, e Peixe Urbano e Brands Club, no Brasil. O “social commerce” é uma novidade, mas na verdade pouco relacionada a uma experiência de compras mais social.

Essa geração de sites de e-commerce é baseada em modelos de psicologia e comportamento, uma tendência que eu chamo de “behavioral commerce”.

Alguns anos atrás, a revista “The Economist” ofereceu duas opções de assinatura: por US$ 59 o cliente poderia comprar uma assinatura somente para a versão digital da revista, ou por US$ 125 ele poderia optar pela assinatura conjunta da versão digital junto com a versão impressa. Somente 32% dos clientes escolheram a versão conjunta.

Depois de um tempo a “Economist” acrescentou uma terceira opção -uma opção de somente a versão impressa pelos mesmos US$ 125 da assinatura conjunta. Obviamente, 0% dos clientes optaram pela nova opção inferior, mas o que foi mais interessante foi que, agora, 84% dos clientes optaram pela versão conjunta!

A experiência da “Economist” demonstra um padrão de comportamento comum -ao introduzir uma versão parecida, mas inferior à opção disponível, o consumidor é levado a enxergar a opção original de uma maneira mais favorável.

No exemplo da “Economist”, a versão piorada da assinatura fez com que a assinatura conjunta fosse vista como mais atraente. Esse exemplo, apresentado pelo economista Dan Ariely, do MIT, tornou-se um clássico exemplo de um novo ramo de pesquisa que mistura psicologia com economia -chamado de “economia de comportamento”.

A aplicação desses avanços em pesquisa de comportamento formam a base para a revolução de “behavioral commerce”.

Os sites de compras coletivas funcionam devido ao efeito psicológico da escassez eminente. O usuário se encontra em uma situação de luta contra o relógio, uma vez que a oferta vai acabar no fim do dia; no clube de compras, esse sentimento é relativo ao estoque, já que o usuário sabe que existe um número limitado de cada peça em promoção.

Nessas situações de escassez, o usuário sente uma onda de adrenalina e passa a encarar a compra com mais seriedade e excitação -se ele não comprar agora, provavelmente vai perder o produto.

Esse uso da escassez, junto ao medo de perder uma boa oportunidade, não é novidade no ramo de e-commerce.

Quem já não se sentiu pressionado a comprar uma passagem aérea ao saber que restavam somente dois assentos no voo desejado? Quem não quis dar um lance um pouco acima do preço máximo cogitado para não perder uma compra no leilão?

O que é novo nessa tendência de “behavioral commerce” é que essas táticas estão ocupando funções centrais no desenvolvimento de novos modelos de negócio e estão gerando grandes inovações nos sites que as utilizam.

O “behavioral commerce” é importante também pelo fato de criar um laboratório em tempo real que ajuda, em muito, o desenvolvimento de novos conhecimentos no comportamento de consumidores.

A internet facilita o lançamento de milhares de miniexperiências em tempo real que deixam usuários avaliarem diversas opções com formatações diferentes.

Com esse laboratório estatístico e sem custos adicionais para experiências, podemos aprender muito sobre como as pessoas fazem suas escolhas e, assim, criar modelos de interação na web que sejam mais divertidos e que sirvam para melhorar a vida do internauta.

JULIO VASCONCELLOS, 29, economista, é fundador e presidente-executivo do site de compras coletivas Peixe Urbano e gerente para o Brasil do Facebook. Escreve às quintas-feiras, mensalmente, nesta coluna.

julio.folha@yahoo.com

A negação devasta marcas

Fonte: Folha de S. Paulo / The New York Times
Por  Peter S. Goodman
Publicação nacional em 30 de agosto de 2010

Quem acha que toda publicidade é boa jamais previu a onda de catástrofe que assolou três empresas de primeira grandeza ao longo do último ano.

A montadora Toyota, a gigante da energia BP e um ícone de Wall Street, o Goldman Sachs, puseram a perder algumas das mais preciosas reputações da Terra.

“Foram verdadeiras implosões de reputação”, disse Howard Rubinstein, um dos luminares das relações públicas.  “Nos três casos, as empresas se viram sob ataque por causa das próprias características que eram centrais para as suas identidades corporativas e marcas globais fortes.”

Para o setor de gerenciamento de crises, as calamidades oferecem estudos de caso a respeito das ciladas a evitar quando um desastre chega.

Conforme a sabedoria convencional, as empresas pioraram seus problemas ao descumprir o protocolo: quando a notícia é ruim, divulgue-a imediatamente, sob pena de cair na espiral mortal da perda de credibilidade.

Na opinião de muita gente paga para retirar corporações de situações ruins, a Toyota, a BP e o Goldman exacerbaram seus problemas ao se negarem a confessar imediatamente, pondo a culpa em terceiros ou assumindo posturas de contraposição à opinião pública, ao governo e à imprensa.

“Empresas que tipicamente lidam bem com as crises -dessas você nunca ouve falar”, diz James Donnelly, vice-presidente sênior de gerenciamento de crises da Ketchum, um colosso no campo das relações públicas.

Mas o estrategista de comunicações Eric Dezenhall argumenta que as estratégias-padrão são inúteis quando os fatos são suficientemente desagradáveis.  (Ele chegou a representar Michael Jackson após as acusações de molestar menores sexualmente.)

Quando os fatos são terríveis, argumenta ele, o melhor conserto em termos de relações públicas pode ser absorver o golpe e voltar ao trabalho.  “Duas coisas às quais é muito difícil sobreviver são hipocrisia e ridículo”, diz Dezenhall.  “O objetivo não é fazer com que as pessoas não odeiem [as empresas].  É fazer com que odeiem menos.”

Evitar e negar

Especialistas em gerenciamento de crises concordam que as três empresas cometeram erros graves.  A BP lidera a lista.

“Foi uma das piores abordagens de RP que vi nos meus 56 anos de atividade”, diz Rubinstein.  “Eles tentaram ser opacos.  Deram todas as desculpas do manual.  Logo de cara deveriam ter aceitado a responsabilidade e reconhecido o desastre.  Eles acharam que poderiam, distorcendo, se livrar da catástrofe.”

Não foi bem assim, protesta a empresa petrolífera.  “Desde o começo da crise, a BP deu um passo à frente e aceitou a responsabilidade”, diz Andrew Gowers, que supervisiona as comunicações da BP.

Entre os tropeços da companhia, estrategistas citam seu esforço para pôr a culpa em empresas terceirizadas.  Isso passou uma impressão de que a BP estava mais preocupada com a responsabilidade jurídica do que com as famílias dos 11 trabalhadores que morreram na explosão de sua plataforma, e com as comunidades que tiravam seu sustento do golfo do México.  (A BP não quis comentar essas afirmações.)

Muitos analistas atribuem a culpa ao ex-executivo-chefe da BP, Tony Hayward.  Ao pedir desculpas aos afetados, ele acrescentou: “Quero minha vida de volta”.  Acabou sendo obrigado a pedir demissão.

A empresa estava recebendo conselhos contraditórios.  Em tempos de crise, os estrategistas amolecem a opinião pública com expressões de preocupação, enquanto os advogados advertem que a contrição pode ser interpretada como admissão de culpa em processos judiciais potencialmente custosos.  Só que, afinal, “até que o óleo parasse [de jorrar], não havia nada que pudesse ser feito para tornar a coisa melhor, mas havia muito que poderia ser dito para piorá-la”, diz Keith Michael Hearit, professor de comunicação da Universidade do Oeste de Michigan, em Kalamazoo.

Boa vontade perdida

A Toyota estava em melhor posição, segundo estrategistas.  Ela gozava de imensa boa vontade.  Era o maior fabricante mundial de automóveis, fazendo carros de bom desempenho e rendimento de combustível.  Tinha também o estereótipo cultural da corporação japonesa disciplinada, rigorosa no respeito aos padrões.

Estrategistas acham incrível que uma empresa com a reputação da Toyota tenha ignorado relatos de problemas com aceleradores, que causavam acidentes fatais.

A fábrica, então, relutantemente confirmou os indícios, fazendo com que a notícia se tornasse mais danosa do que já era.

“A Toyota estragou tudo”, diz Brad Burns, que comandava as comunicações na WorldCom, gigante arruinada por um escândalo contábil em 2001.  “Em vez de colocar a segurança acima dos lucros, eles parecem ter dado ouvidos aos advogados especializados na responsabilidade civil dos produtos, e se perderam.”

Coordenadores de comunicações da Toyota dizem que a empresa nunca se esquivou dos problemas.  Como a BP, a Toyota tinha um executivo-chefe não americano.  Ao pedir desculpas ao Congresso dos EUA, Akio Toyoda falou um inglês com sotaque carregado, e lia com hesitação as suas anotações.  “Eu disse na hora: ‘Ah, meu Deus, ele não está se comunicando conosco’”, recorda Rubinstein.

Mas o desempenho de Toyoda no Congresso pode ter também reforçado outro estereótipo associado aos japoneses: a aversão à vergonha.

Um ponto forte dos humanos é a capacidade de aprender com os erros.  Mas as burocracias corporativas colocam a busca do lucro acima dos sentimentos.  “Você não pode botar uma corporação na cadeia”, diz Hearit.

O gerenciamento de crises é feito com o estresse e a falta de sono sobrevindo à habitual politicagem e às disputas de facções que afligem qualquer grande organização.  “A realidade é um caos absoluto”, diz Dezenhall.  “Uma corporação em crise não é uma corporação.  É uma coleção de indivíduos em pânico, motivados pela autopreservação.”

Wall Street obscura

Se houve pânico e caos dentro do Goldman Sachs, a companhia escondeu.  Mas, ao optar por revelar pouco e montar uma defesa agressiva, a empresa parece ter se tornado um símbolo da mentira em Wall Street.  Em julho, o Goldman aceitou pagar US$ 550 milhões num acordo judicial relacionado a supostas fraudes com títulos federais.

Diante da perda de empregos, casas e poupanças, Wall Street estava fadada a sofrer duros questionamentos sobre seu papel no colapso financeiro.  E o Goldman enfrentava uma complicação a mais, pelo fato de seu negócio ser tão obscuro.  Para complicar mais os seus problemas, o executivo-chefe Lloyd Blankfein declarou a um repórter que ser banqueiro, na sua opinião, era um “trabalho divino”.

Analistas dizem que os problemas de RP do Goldman são agravados por uma realidade maior do que qualquer instituição individual.  “É o problema de ganhar quantias obscenas de dinheiro de maneiras que ninguém entende, no meio de um derretimento econômico”, sugere Dezenhall.

“Não acho que haja uma maneira de fazer as pessoas amarem um banco que ganha dinheiro no meio de uma recessão.”

Volta ao básico

“Essas empresas cometeram os mesmos erros”, diz Rubinstein.  “Violaram a regra cardinal do gerenciamento de crises: elas não pareceram ter um plano de crise à mão.  Elas buscaram minimizar a extensão dos seus problemas e jamais pareceram demonstrar um entendimento quanto à situação em que se encontravam.”

Mas talvez tenham, sim, entendido, e não houvesse nada a fazer senão voltar ao fundamental: produzir derivados de petróleo, fabricar carros, ganhar dinheiro.  “É preciso ter uma expectativa realista sobre o que as comunicações podem conseguir”, diz Dezenhall.

“Ninguém nunca diz: ‘Ah, que comunicação maravilhosa; agora a gente se sente bem’.”

Dudalina aposta no público feminino

Fonte: Folha de S. Paulo
Por Grazielle Schneider
Publicado em 30 de agosto de 2010

Empresa revisou meta com bom desempenho das vendas e espera fabricar 45 mil camisas femininas em 2010

dudalina

Com mais de 53 anos de experiência na produção de camisas masculinas de tecido, a catarinense Dudalina lança oficialmente, na próxima semana, a sua primeira linha focada nas mulheres.

Para os modelistas da empresa, houve inspiração abundante na hora de criar o design dos produtos. Dos 1.300 funcionários da empresa, mais de mil são mulheres.

“Não nos faltou modelo para provar e aprovar. Só aqui eu já tenho uma venda garantida”, brinca Sônia Hess de Souza, presidente da Dudalina e filha dos fundadores da empresa.

Sônia afirma que, em 2010, terá uma equipe de vendas de 12 pessoas para a linha, mas que em janeiro, quando lançar a coleção de inverno, pretende ter 25 representantes pelo país. A meta é vender para mulheres no Brasil inteiro -a coleção masculina está disponível em 1.800 pontos de venda.

A Dudalina já experimenta a venda das camisas femininas em, pelo menos, dez pontos, e está “vendendo muito”, de acordo com Sônia. A previsão inicial era de produzir 15 mil camisas até o fim do ano, porém, com a boa aceitação, a empresa já considera produzir o triplo.

“Quando tomamos a decisão, o espaço que eu tinha na produção era disso [15 mil], mas fomos procurar alternativas para fazer essas 45 mil peças que o mercado quer.”, explica a empresária.

AGORA É A HORA

Apesar de afirmar que a decisão de lançar a linha feminina foi tomada rapidamente, Sônia conta que a ideia vem de longe. Só agora, porém, teve “coragem” de botá-la em prática.

“A gente só faz quando tem certeza que será um sucesso. A mulher tem um detalhe: ela não leva uma só. Ela leva duas, três, e volta para buscar mais.”, aponta.

A confiança de Sônia no sucesso de vendas é justificada pelo aumento da presença da mulher no mercado de trabalho e pelo desejo por camisas de qualidade.

“A gente não vai fazer roupa de “frufrus”. É uma camisaria em que a mulher veste a camisa e fica linda, poderosa e pronta para qualquer ocasião, tanto para o dia de trabalho como para a balada ou um evento social”, diz.

Sônia destaca a característica “simples, mas não simplória” do design das peças.

FRANQUIA

Em 2006, a empresa lançou uma franquia própria, a Dudalina Concept, para a venda exclusiva dos produtos das suas três marcas -Dudalina, Base e Individual. No entanto, grande parte das vendas ainda é feita em lojas multimarcas.

As lojas franqueadas são seis: cinco no Sul e uma em São Paulo, no aeroporto de Congonhas.

Até o fim de 2011, a empresa pretende abrir ao menos mais dez lojas.

Segundo a presidente, a Dudalina não está indo “com muita gula” na expansão da franquia. O foco agora é a abertura de uma loja com um novo conceito em São Paulo.

“Ela vai ter algumas coisas diferentes, é uma forma de comunicar com o consumidor diferente, pois eu quero estar muito perto dele. Não vai ser um “concept” na sua forma de shopping, que geralmente é padronizado”, afirma.

Fundadora vendia camisas em caminhão

A empresa Dudalina, que já vendeu mais de 52 milhões de camisas desde a sua fundação, em 1957, nasceu do espírito empreendedor de Adelina Clara Hess de Souza, mãe de 16 filhos, na pequena cidade de Luiz Alves, no interior catarinense.

“Poderia ser um drama rural, com uma mulher tendo filhos em casa com uma parteira, um atrás do outro. Mas ela foi à luta o tempo todo e construiu o que é, hoje, uma empresa respeitada”, diz Sônia Hess de Souza, presidente da empresa e filha de Adelina.

Sônia conta que a família tinha uma pequena venda de secos e molhados. Em certa ocasião, o pai, Rodolfo Francisco de Souza Filho -que era poeta- precisou ir às compras em São Paulo sem a esposa, que estava grávida.

Seu Duda, como era conhecido, acabou fazendo uma compra excessiva de tecido, que encalhou na venda.

Adelina viu ali uma boa oportunidade para fazer negócios.

Ela pegou o tecido, cortou camisas e chamou duas costureiras para ajudá-la no acabamento.

O negócio foi crescendo e Adelina precisou alugar uma casa para continuar a produção. Ela mesma passou a sair em um caminhão para vender as camisas.

A empresa cresceu e tem hoje quatro fábricas -em Blumenau, Luiz Alves, Presidente Getúlio (SC) e Terra Boa (PR)- e fatura mais de R$ 170 milhões por ano.

É uma das principais exportadoras de camisas masculinas da América Latina, sendo responsável por 70% das exportações de camisas do Brasil, segundo dados da própria empresa.

A companhia também é responsável por parte da produção de grifes como Daslu, Via Veneto e Zara.

NOS BASTIDORES

Adelina deixou o comando da empresa para seus 16 filhos há mais de 30 anos -dois deles foram presidentes antes de Sônia, que assumiu em 2003.

No entanto, Adelina nunca deixou de estar presente. “Enquanto esteve viva [até 2008], todas as terças-feiras ela vinha almoçar comigo aqui na empresa. Era a forma que ela tinha de passar a experiência dela”, lembra Sônia, que afirma querer fazer um filme com a história de sua família.

“Se “2 Filhos de Francisco” foi um sucesso, imagina os 16 de dona Adelina?”, diz a presidente da empresa.

Grifes vão para as mãos de chineses e indianos

Fonte: Financial Times
Por Henny Sender e Vanessa Friedman
Publicado em 01 de setembro de 2010

Luxo: Com desvalorização dos ativos nos EUA e na Europa, asiáticos passam de consumidores a donos das marcas

Obama assumiu com um terno Hickey Freeman, que agora é da indiana SKNL

É um dia úmido e quente em Manhattan, mas os compradores na Bloomingdale ‘ s, Saks Fifth Avenue e outras renomadas lojas de departamento têm sido seduzidos a deixar suas tocas refrigeradas e se dirigir aos escritórios de uma companhia indiana chamada S. Kumars Nationwide Limited no centro da cidade. A atração? As mais recentes coleções de ternos masculinos de nomes veneráveis dos Estados Unidos como Hickey Freeman, o alfaiate predileto do presidente Barack Obama.

À medida que passam por descomunais cartazes promocionais fotografados por Annie Leibovitz, eles vão considerando qual será o visual dos trajes masculinos de alta qualidade na primavera (local) de 2011. Uma conclusão: muito mais global do que tem sido.

Poucas semanas depois que Obama assumiu vestindo um terno Hickey Freeman, a HMX, de Chicago, detentora daquela grife, bem como da Hart Schaffner Marx, entre outras, requereu recuperação judicial. Depois de um leilão realizado em agosto do ano passado, a SKNL de Mumbai tornou-se o mais recente grupo asiático a comprar uma coleção de marcas de moda europeias de alta qualidade.

Com a aquisição, ela se juntou à Megha Mittal, da dinastia siderúrgica indiana Mittal, que em 2009 comprou a grife de luxo Escada; à Li & Fung, de Hong Kong, que há dois anos arrebatou a Hardy Amies, a casa de costura da família real.

De consumidores de artigos de luxo, os chineses e indianos se tornaram compradores de companhias de artigos de luxo, numa mudança que traz implicações de longo alcance para o setor que fatura US$ 82 bilhões ao ano. Muitas aquisições recentes têm sido motivadas por um desejo de elevar os padrões na Ásia e, no longo prazo, de mudar um dogma do setor de luxo: a importância da produção no “país de origem”. A noção de que, para fazer jus a seu preço, um item de luxo precisa ser feito no país em que ele é projetado e onde sua marca nasceu está em decadência. O objetivo de muitos novos proprietários é o de mudar a inscrição das etiquetas para “feito na Índia” ou “feito na China”.

A primeira etapa na transformação – transferência de titularidade – não só começou, mas, como diz Luca Solca, analista-chefe do setor de luxo no Sanford Bernstein na Suiça “é uma tendência que só agora está tomando impulso”.

Inevitavelmente, tudo isso está sendo impulsionado pela prosperidade crescente e por expectativas de uma classe média explodindo nos dois maiores mercados emergentes do mundo. Na China, as vendas de artigos de luxo deverão alcançar US$ 14,6 bilhões até 2014, segundo a consultoria Bain.

Toda cidade chinesa de segunda ou terceira categoria atualmente ostenta shoppings elegantes. Na Índia, estima-se que o mercado de luxo, embora ainda pequeno, esteja crescendo a um ritmo de 25% ao ano – e o empresariado local está em um “incrível processo de acúmulo de riqueza que considera essas companhias como ativos com preços bem razoáveis”, diz Solca.

Muitas empresas asiáticas acreditam que possuem uma vantagem comparativa ao assumir o controle de marcas de luxo de vestuário, porque elas podem mudar a produção para instalações de menor custo próximas da sede e elevar as margens, ao mesmo tempo em que também usam a mágica dos nomes de grife e seus canais de distribuição nos EUA ou Europa para elevar as vendas.

Sung-Joo Kim, o magnata sul-coreano que em 2005 comprou a MCM, a marca de bolsas de luxo, conseguiu dobrar as suas receitas em parte graças a um enfoque na Ásia. A estratégia da SKNL, por sua vez, inclui usar as tecelagens de lã que comprou na Escócia como parte da aquisição da HMX e as fiações de seda que controla na Itália para elevar a qualidade dos têxteis que usa na sua produção de vestuário na Índia.

“Queremos introduzir a criatividade e o profissionalismo americanos na Índia”, diz Tushar Maloo, que supervisiona as operações de Nova York da SKNL, fabricante de tecidos, roupas e têxteis de cama mesa e banho.

Os demais, igualmente, estão à espreita. A Welspun, outra companhia indiana, tentou sem sucesso comprar uma produtora do setor de cama mesa e banho dos EUA como a Stevens Point há alguns anos. Agora, com a ajuda de um grande investimento do Temasek, o fundo soberano de Cingapura, ela retomou suas buscas ativamente.

Podem ocorrer reveses, sem dúvida. “As marcas não significam nada, a menos que se saiba o que fazer com elas”, diz o CEO de uma das mais bem-sucedidas redes de vestuário dos EUA.

No horizonte mais próximo, seja como for, há quem admita a lógica corporativa. “A vantagem competitiva das companhias chinesas e indianas é a sua capacidade de terceirizar de forma barata”, diz o diretor de uma grande firma de aquisições de ativos de Nova York. “A Ásia é eficiente em produção em massa. O jeito de ganhar dinheiro é partir pra o mercado de baixa renda. Não é fino, mas é lucrativo.”

Apesar de no papel muitas aquisições parecerem lógicas, a execução pode representar trabalho árduo. As companhias indianas, por exemplo, estão acostumadas a sobreviver num ambiente com capital caro e altas taxas de juros. Isso lhes confere um foco no retorno sobre seus investimentos. Mas muitas vezes eles podem não dispor dos recursos necessários para investir nas marcas que adquirem.

“Assim como na década de 1970, [quando] o ‘Fabricado no Japão’ tinha uma mancha negativa, hoje o mesmo ocorre com o ‘Fabricado na China’ ou o ‘Fabricado na Índia’”, diz Mark Bandak do Blackstone. A questão é: como se muda essa imagem?

Com o reposicionamento de todo o processo industrial na Ásia, as empresas podem arriscar desvalorizar as marcas pelas quais pagaram. Além disso, diz Alessandra Coppola, analista financeira no Standard & Poor ‘ s em Londres, os países europeus onde as grifes estão lutarão para proteger seus legados. ‘A Itália já tem leis sobre o que é necessário para que um produto porte a etiqueta ‘Fabricado na Itália’”, ela diz. Para se capacitar, duas etapas do processo de produção devem ocorrer no país.

“Nós temos marcas que cobrem a pirâmide toda”, diz Maloo da SKNL, cujo patrão pagou US$ 25 milhões pela HXM , mas assumiu US$ 125 milhões em dívidas da grife que, além de marcas próprias, possui termos de licenciamento com outras, incluindo a Austin Reed, do Reino Unido. “Nós não pegamos marcas sofisticadas como a Hickey Freeman para o mercado de baixa renda. Somos uma companhia empenhada em fazer clientes gastarem centenas de dólares, não como o Walmart, que está focado nos gastos de centavos.”

Existem também outras formas de aperfeiçoar o desempenho. A SKNL aproveitou a flexibilidade na lei de recuperação judicial nos EUA para racionalizar a estrutura da sua aquisição. A HMX possuía oito fábricas nos EUA e no Canadá, nenhuma operando a plena capacidade, cada qual gerida como um feudo. Hoje, só três unidades estão funcionando e a força de trabalho foi reduzida de 3,8 mil pessoas para aproximadamente 1,7 mil.

Apesar de a Giorgio Armani ter por anos usado a China para fabricar apenas a Armani A/X, sua linha mais barata, hoje a linha intermediária Armani Collezione também é produzida na Ásia, diz Solca, da Sanford Bernstein. Ou, nas palavras de Coppola, da S&P: “Na realidade, está ficando cada vez mais evidente que artigos de luxo poderiam ser produzidos fora dos seus ‘ países de origem ‘ com a mesma qualidade”. No fim, mais e mais companhias precisarão enfrentar a questão formulada por John Studzinski, executivo-chefe da Blackstone Advisory Partners: “Vai se contentar em apenas comprar o leite, ou será mais inteligente possuir a vaca?” (Tradução de Robert Bánvölgyi)

BRANDING APLICADO AO SEGMENTO FARMACÊUTICO

Data: 26 e 27 de outubro

Horário: 8.30h às 18.00h

Local: Novotel São Paulo Morumbi

Rua Ministro Nélson Humgria, 450, Morumbi – São Paulo, SP – www.novotel.com

farma

Descrição:

Por que não marca?

Está é a pergunta que devemos nos fazer ao falarmos sobre o valor de um determinado medicamento.

Mais que um logotipo ou a forma de comunicação a marca representa a tradição e a cultura de uma empresa sob o ponto de vista do cliente.

Logicamente que no segmento farmacêutico as informações científicas, que garantem a eficácia e segurança de um produto, são imprescindíveis para o sucesso ou insucesso de um medicamento. Porém, além desta decisão lógica, baseada em critérios racionais existe também o fator intangível diretamente ligado à empresa que comercializa o produto.

Quando falamos em produtos isentos de prescrição, o fator marca assume uma importância ainda maior em função da livre compra destes medicamentos pelos consumidores finais. Como representantes das empresas, responsáveis pela negociação de alianças estratégicas que envolvem marcas, os profissionais da área de novos negócios devem estar cientes deste valor, apesar de sua característica não tangível. Deste modo, com apoio de experts no assunto pretendemos desenvolver, juntamente com os participantes, uma metodologia que possa ser aplicada a este importante mercado.

Programa Preliminar

Dia 26/10

Boas-vindas

Branding no Segmento Farmacêutico

Branding: conceito

Identidade de marca

Discussão: É Possível Falarmos de Branding no Setor Saúde? Cases Possíveis

Exercício 1: proposta de identidade de marca no setor saúde (exceto medicamentos)

Dia 27/10

Posicionamento de marca

Arquitetura de marca

Valor de marca e formas de mensuração

Exercício 2: proposta de criação e desenvolvimento de marca no segmento farmacêutico através da escolha estratégica de uma área de medicamentos

Apresentação e discussão

Encerramento

Palestrante:

Eduardo Tomiya é sócio-fundador da BrandAnalytics Consultoria , uma das principais consultorias de marcas do País e parceira na região da América Latina, Portugal e Espanha da MillwardBrown Optimor. Atualmente atende clientes como Petrobras, Bradesco, Grupo Santander Brasil, Nextel, RPC, entre outros. Foi diretor geral da Interbrand no Brasil, Espanha e Portugal. É engenheiro, Mestre, Phd (ABD) em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP e, ainda, professor da disciplina de branding para MBAs na FGV, FAAP, Universidade Positivo, SENAC, INPI, Rio Branco. A BrandAnalytics é responsável pelo principal ranking de valor de marcas lançado no Brasil anualmente e publicado pela revista IstoÉ Dinheiro.

•INFORMAÇÕES ADICIONAIS: ligue 11-5044-4857 ou escreva para info@farmaacademia.com.br

•INSCRIÇÕES: através do site ou pelo telefone 11-5044-4857

•VALOR DA INSCRIÇÃO:

EMPRESA PARTICIPANTE CLUBE DE NOVOS NEGÓCIOS DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Uma inscrição: R$ 2.160,00

Duas a quatro inscrições da mesma empresa: R$ 1.900,00(cada)

Cinco ou mais inscrições da mesma empresa: R$ 1.620,00(cada)

EMPRESA NÃO PARTICIPANTE do CLUBE DE NOVOS NEGÓCIOS DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Uma inscrição: R$ 2.464,00

Duas a quatro inscrições da mesma empresa: R$ 2.160,00(cada)

Cinco ou mais inscrições da mesma empresa: R$ 1.828,00(cada)

Este valor inclui coffee break pela manhã e a tarde, almoço, materiais, certificado de participação e estacionamento no local durante o período do evento.

Menos é mais até no mundo corporativo

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Fernando Scheller
Publicado em 30 de agosto de 2010

Estudo da consultoria Booz & Co. diz que atuação específica traz melhores resultados para as companhias

Uma piada recorrente na série 30 Rock, ambientada na sede da rede de televisão norte-americana NBC, é o fato de o executivo Jack Donaghy, vivido por Alec Baldwin, ser o diretor de programação do canal de TV e da divisão de micro-ondas da GE, conglomerado que controla a emissora. A brincadeira da ficção é um problema real, afirma o vice-presidente sênior da consultoria Booz & Company, Cesare Mainardi. Segundo ele, um negócio que não sabe definir sua vocação pode estar em apuros.

O estudo The Coherence Premium (A Vantagem da Coerência), que será lançado em formato de livro no fim deste ano, mostra que, no mundo corporativo, menos também é mais – quanto mais específica a atuação, maiores as chances de sucesso. A GE é um exemplo de companhia muito diversificada que vem, ao longo do tempo, buscando um verdadeiro foco. O grupo, que já teve 150 subsidiárias, hoje tem 18. ‘No caso da GE, parece que a empresa é melhor nos negócios que envolvem engenharia do que na administração da rede NBC’, exemplifica o executivo.

De acordo com Mainardi, empresas líderes de mercado têm de saber gerenciar a pressão de acionistas por margens maiores. A gigante dos refrigerantes Coca-Cola, por exemplo, decidiu comprar o estúdio de cinema Columbia Pictures em 1982. A experiência durou cinco anos – o tiro fatal veio com o fiasco Ishtar, de 1987, filme que custou US$ 51 milhões e arrecadou menos de US$ 13 milhões nas bilheterias.

Para a Booz & Company, todas as empresas estão sujeitas a passos em falso – especialmente embarcando em tendências passageiras. ‘Todo mundo tenta encontrar novos nichos lucrativos. Atualmente, muitos de nossos clientes buscam negócios em bem-estar e nutrição. Mas, antes de levar a estratégia adiante, é preciso perguntar como essa tendência se encaixa no negócio, se reforça a estratégia geral. Não dá para apenas agregar algo novo.’

Para Mainardi, é preciso que os empresários estejam atentos para não ‘trair’ a própria história ao competir no mercado internacional, onde enfrentam diferentes situações regulatórias, de canais de venda e de poder aquisitivo da clientela. ‘É importante se adaptar ao gosto local, mas com a consciência de respeitar o próprio DNA’, afirma.

União. Uma ferramenta para ganhar coerência, segundo Mainardi, é agrupar diversas linhas de negócios. ‘Uma empresa com 19 subsidiárias geralmente gerencia todos de forma diversa. O segredo é questionar a consistência de cada um desses negócios, para que eles possam ser reagrupados’, diz. O consultor afirma que o objetivo não é que as empresas se livrem de alguns departamentos, mas que descubram quais deles são realmente necessários à sua atuação. Assim, defende ele, os objetivos de longo prazo se tornam mais claros.

O estudo afirma também que a real capacidade de uma empresa não é necessariamente um produto – o executivo da Booz & Company defende que a gigante varejista Walmart, por exemplo, não se caracteriza pelas mercadorias que vende ou pelo design de suas lojas. ‘O negócio do Walmart é o preço baixo – todo o resto vem a reboque. Eles entendem o consumidor que mora nas proximidades das unidades e desenvolvem a cadeia de fornecedores para oferecer os produtos que os clientes querem a valores atraentes’, afirma Mainardi.

Itaú é caso de estudo em livro sobre coerência
Cesare Mainard cita Natura e Rede Globo como empresas brasileiras “coerentes” . Mas a única a figurar no livro sobre o tema é o Itaú Unibanco. O estudo diz que a empresa teve sucesso ao adaptar uma longa lista de aquisições a seu DNA corporativo.

Carlyle compra dono da TriFil

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por Cátia Luz e Melina Costa
Publicado em 29 de agosto de 2010

Fundo adquire o controle do grupo Scalina por cerca de R$ 400 milhões; esta é a terceira aquisição desde o início do ano

O fundo de private equity Carlyle deve anunciar hoje (29 de agosto de 2010) a aquisição do controle do grupo paulista Scalina, dono das marcas TriFil e Scala. Segundo o Estado apurou, o negócio foi fechado por cerca de R$ 400 milhões. O pagamento deve ser feito em dinheiro. O objetivo do fundo americano é fazer uma grande expansão da fabricante de meias e lingeries no Brasil.

Hoje, a Scalina conta com uma rede de 95 lojas e a intenção é chegar a 300. Essa é a terceira aquisição feita pelo Carlyle no Brasil desde o início do ano. Em julho, o fundo comprou 42% do grupo de saúde coletiva Qualicorp por cerca de US$ 850 milhões (o equivalente a R$ 1,5 bilhão). Em janeiro, adquiriu o controle da maior operadora de turismo do País, a CVC, por um valor estimado em R$ 700 milhões.

No negócio fechado com a Scalina, ficou acordado que os dois sócios fundadores, Ronaldo e Bruno Heilberg, permanecerão na gestão da empresa, mas será contratado um novo presidente executivo. O banco de negócios BR Partners e o escritório de advogados Pinheiro Neto assessoraram o fundo no processo de aquisição, que já vinha sendo negociado desde o início do ano. Do lado da Scalina, a operação foi feita pelo banco Credit Suisse e pelo o escritório de advocacia Souza Cescon. Procurado, o fundo Carlyle preferiu não comentar o negócio.

A Scalina faturou no ano passado em torno de R$ 400 milhões. A empresa detém 40% de mercado no segmento de meias calças e outros 10% em lingerie. Além disso, produz peças para a marca de surfe Mormaii e para a linha Turma da Mônica.

Começo. O grupo controlado pela família Heildberg nasceu no bairro do Cambuci, em São Paulo, no ano de 1963. Na época, a pequena indústria de meias revolucionou o mercado com a confecção de meias em teares de três fios – por isso o nome TriFil. Mais recentemente, a Scalina lançou no mercado uma nova marca de lingerie, a Scala, que vinha crescendo até duas vezes mais que a própria TriFil. No ano passado, a novata foi responsável por 20% do faturamento do grupo.

Antes da negociação com o grupo Carlyle, a Scalina havia anunciado um plano de expansão mais modesto. A empresa pretendia chegar a 150 lojas nos próximos dois anos. Além de franquias, os produtos da fabricante são comercializados em cerca de 13 mil postos de vendas no País e no exterior. Do total de 120 milhões de peças produzidas por ano, cerca de 5% são exportadas.

De olho no Brasil. O grupo Carlyle, segundo maior fundo de private equity do mundo “estreou” no Brasil em janeiro deste ano, com a compra de 63,6% da CVC. Em todo o mundo, o Carlyle Group administra ativos avaliados em US$ 90 bilhões, distribuídos em 67 fundos, em 19 países.

Em conjunto, as empresas do portfólio do Carlyle somam mais de US$ 84 bilhões em faturamento e empregam quase 400 mil pessoas. Desde a fundação, em 1987, o grupo investiu US$ 60 bilhões em quase mil transações. / COLABOROU NAIANA OSCAR