Um plano, uma só Ford e um sucesso

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Leonardo Attuch

Como o executivo Alan Mulally utilizou uma fórmula simples
para resgatar a montadora americana e como pretende
fazer do Brasil uma das principais plataformas de expansão
da companhia

Alan Mulally, presidente mundial da Ford, sobe ao palco do World Trade Center, em São Paulo. É noite, na terça-feira 6, e ele tem que manter o público animado depois de um show de simpatia de Juliana Paes, um desfile com modelos estonteantes, explorando a diversidade brasileira, performances de bailarinos, homenagens a atletas olímpicos, como Maureen Maggi, e um espetáculo inspirado da cantora Thalma de Freitas – a quem um dos homens mais poderosos da economia global havia admirado, minutos antes, com ar de fascinação.

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“éramos uma casa de marcas. Hoje somos uma só empresa, onde o Brasil nos ensina muito ” - Alan Mulally, CEO da Ford, num evento que reuniu os revendedores da marca, na terça-feira 6, em São Paulo

Do palco, Mulally sorri para os quase mil convidados da Ford na maior convenção já realizada no Brasil – havia ali concessionários, revendedores e parceiros. E começa a falar convencido de que a única maneira de manter a plateia excitada é apresentar algo ainda mais impactante. Eis então que entra em cena a nova versão do Fiesta, um carro que chega ao Brasil ainda no primeiro semestre, pouco antes de ser lançado nos Estados Unidos.

E que, em 19 dos 20 mercados em que já está disponível, especialmente na Europa, ocupa a primeira ou segunda posição em vendas. O público delira. Mulally quer saber como se diz “really cool” em português. Ecoam então os gritos: “genial”, “fantástico”, “maravilhoso”, “do c…”. Os revendedores sabem que, em poucas semanas, terão um produto quente nas concessionárias, como pão recém-saído do forno. Depois de descer do palco, Mulally fala à DINHEIRO.

“O que eu vi aqui nesta noite reforça a minha convicção: o Brasil é um líder no novo mundo”, disse ele. Antes da convenção, Mulally havia concedido à DINHEIRO sua única entrevista exclusiva durante a passagem de uma semana pela América Latina. “Já somos uma empresa global, com produtos cada vez mais globais”, disse ele.

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Allan Mullaly (1945)

Em meio à maior crise da indústria automobilística americana, o presidente da Ford recusou o socorro do governo, reduziu os custos em 47%, fez a empresa retomar lucros bilionários e ainda conseguiu ultrapassar a GM em vendas

O novo Fiesta, de certa forma, é o símbolo da nova Ford. Estará presente em todos os mercados em que a empresa atua. E 65% de suas peças serão as mesmas em qualquer parte do mundo. No caso do Fusion, um sedã de alto luxo, os componentes comuns chegam a 80%, o que significa uma padronização da qualidade. A fórmula nasceu em 2006, quando Mulally aceitou o convite de Bill Ford, bisneto do fundador Henry Ford, para deixar o comando da Boeing e assumir a direção da montadora.

Chegou com um conceito simples. Minimalista. Ele batizou seu plano, capaz de ser compreendido por qualquer pessoa, de “One Ford – one team, one plan, one goal”, ou seja, “Uma Ford – um time, um plano, um objetivo”. Até hoje ele anda com uma cópia plastificada do plano no bolso. Todos os dias. Há quem diga até que dorme com uma versão ao lado da cama. “Estou contando a mesma história desde que cheguei”, diz ele. Deu certo. Na era Mulally, o preço da ação subiu de US$ 2 para US$ 13,40 – uma alta de 570%.

Nos Estados Unidos, a empresa acaba de superar a General Motors, como a número 1 em vendas. Globalmente, ultrapassou a Volkswagen, alcançando a segunda posição. E, embora não tenha ainda tomado o primeiro lugar da Toyota, já é mais admirada do que a rival japonesa, segundo uma pesquisa recente feita pela Bloomberg – e sem recorrer à ajuda do governo de Barack Obama, como fizeram as rivais Chrysler e GM.

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O novo Fiesta é a aposta para 2010 no Brasil. Em 19 dos 20 mercados, ele já é líder

Tudo isso contribui para que Mulally já comece a ser visto como uma figura mítica do mundo automobilístico – um nome que, no futuro, poderá estar no panteão da indústria, ao lado de gênios como Lee Iacocca, Alfred Sloan Jr. e o próprio Henry Ford. Recentemente, ao ser indagado sobre quem seria o executivo mais admirável do mundo, o empreendedor Howard Schultz, fundador da Starbucks, não pensou duas vezes. “É Alan Mulally, pois a virada da Ford se deve ao foco que ele trouxe à companhia.”

O plano One Ford poderia também ser chamado de Ford Focus. A palavra foco, usada por Schultz para simbolizar o renascimento da marca, é a pedra de toque da gestão Mulally. Em pouco mais de três anos, ele vendeu várias marcas de luxo, como Aston Martin, Jaguar, Land Rover e, recentemente, a Volvo – neste caso, para a chinesa Geely.

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80% das peças do fusion são iguais em todo o mundo. A Ford projeta carros globais, com a mesma qualidade

“Éramos uma casa de marcas e não dávamos a devida atenção a algo fantástico daqui de dentro, que é o nosso azul oval”, diz o CEO da montadora. “Blue oval” é como ele se refere à marca criada por Henry Ford. E diz que a visão que ele trouxe para a companhia é semelhante à que foi projetada, há mais de um século, pelo fundador. Na época de Henry Ford, o slogan da companhia era “Abrindo estradas para toda a humanidade”. “Ele acreditava em produtos de massa, de alta qualidade e que pudessem chegar aos consumidores do mundo inteiro”, diz Mulally.

No detalhamento que fez do plano One Ford, o CEO sintetizou ideias parecidas. E, ao longo da entrevista que concedeu à DINHEIRO, Mulally, um engenheiro, rascunhou no papel a matriz que demonstra sua fórmula (leia à página 48). Colocou todas as divisões da Ford – das Américas, da Europa e da região Ásia-Pacífico – trabalhando juntas em torno de três objetivos comuns: GP, SB e BW. O que isso significa?

Great products (grandes produtos), strong business (uma empresa sadia) e better world (mundo melhor). “São os três fatores que o consumidor moderno avalia na hora de comprar um carro”, diz Mulally. “Ele quer saber se o carro é bom, se a empresa vai durar e se contribui para uma vida melhor.” Ele garante que todos os carros da Ford, sejam eles grandes, sejam médios ou pequenos, serão os mais eficientes do mundo do ponto de vista energético. Será o caso, por exemplo, da nova geração do Ecosport, que será desenvolvida a partir da fábrica de Camaçari, na Bahia, para o mundo inteiro, com motores flex fuel, os bicombustíveis. “O Brasil é, inegavelmente, o líder global em combustíveis limpos”, diz ele.

O Brasil é um capítulo à parte na guinada da Ford. Nos últimos anos, a participação de mercado subiu de 8% para 10,3%. No ano passado, pela primeira vez em sua história, a montadora vendeu mais de 300 mil carros no País. E, enquanto o mercado americano encolheu drasticamente em 2009, o Brasil continuou crescendo. “Estávamos na contramão do mundo”, disse à DINHEIRO o presidente da Ford na América do Sul, Marcos de Oliveira (assista ao vídeo da entrevista que ele concedeu ao site da DINHEIRO no endereço www.istoedinheiro.com.br).

Para este ano, ele projeta um mercado de 3,4 milhões de veículos no Brasil, com um market share ainda maior da Ford. Segundo ele, o entrosamento com Mulally foi facilitado por um fato muito simples: enquanto o Hemisfério Norte enfrentou cenários adversos, o Brasil foi parte da solução. Embora a empresa tenha anunciado um lucro total de US$ 2,7 bilhões em 2009, a maior divisão da companhia, a dos Estados Unidos, retornou ao azul apenas no último trimestre.

“Aprendemos a lição com vocês e voltamos ao lucro no fim do ano”, disse Mark Fields, presidente da Ford Americas, na convenção com os revendedores. Fields prometeu que a Ford americana será lucrativa em todos os trimestres de 2010 e “solidamente lucrativa” em 2011. Disse ainda que o plano One Ford deverá contribuir para o sucesso porque, pela primeira vez na história, “os consumidores do mundo inteiro caminham na mesma direção”. Até recentemente, a Ford não produzia carros pequenos para o cliente norte-americano – focava jipões, picapes e SUVs. “Várias de nossas fábricas nos Estados Unidos foram adaptadas para que pudéssemos entrar nesse jogo”, disse Alan Mulally à DINHEIRO.

Desde que assumiu o cargo, em setembro de 2006, Mulally reduziu os custos operacionais da Ford em 47%. Fez isso para evitar o destino das outras duas montadoras americanas, GM e Chrysler, que caíram no colo do governo Obama. “Não desejávamos ser uma estatal e queríamos liberdade para agir”, diz ele.

No ano passado, com os clientes e os acionistas satisfeitos, Mulally recebeu um pagamento anual de US$ 17,9 milhões, dos quais US$ 16,5 milhões em ações – se essa quantidade de dinheiro tivesse caído no bolso de executivos da GM ou da Chrysler, ou de banqueiros de Wall Street socorridos pelo governo Obama, certamente seria motivo de escândalo. “O Alan Mulally realmente ganhou o dinheiro que levou para casa”, disse o consultor americano Joseph Phillippi, presidente da empresa Auto Trends Consulting.

No dia a dia, Mulally tem também um método muito eficiente de administrar seu tempo. Cada tema a ser discutido nas reuniões da companhia é classificado de acordo com as cores verde, amarela e vermelha. O verde é aquilo que segue em linha com o plano traçado ou está até melhor – e essa foi a cor do Brasil nos últimos anos.

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Parte da solução: à frente da operação na América do Sul, Marcos de Oliveira entregou bons resultados.

Pela primeira vez na história, a montadora vendeu mais de 300 mil carros no Brasil num único ano. 
E o País já é o terceiro maior mercado da Ford no mundo, atrás de EUA e China

O amarelo é o que encontra obstáculos, mas que também já conta com um plano alternativo para resolvê-los. E o vermelho representa a situação em que a estratégia não vem dando os resultados previstos, sem que haja uma solução à vista. E são justamente as questões vermelhas que demandam o tempo do CEO. “É tudo muito simples, direto e objetivo”, diz o diretor de relações institucionais, Rogélio Goldfarb, que participou de várias reuniões com Mulally. “E o plano funcionou porque foi rapidamente compreendido e abraçado por todos.”

Com uma rotina atribulada, Mulally também consegue combinar as exigências profissionais com a vida pessoal. Ele veio ao Brasil com a esposa, Jane, e passou o fim de semana em Salvador, onde passeou no Pelourinho, antes de visitar a fábrica de Camaçari. “Provei todas as caipirinhas”, disse ele.

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Depois da festa com os revendedores, em São Paulo, ele embarcou, na quarta-feira 7, para a Argentina, onde teve um encontro com a presidente Cristina Kirchner – em Buenos Aires, também visitou casas de tango com a esposa. Um dia depois, Mulally estava em Brasília, encontrando-se com o presidente Lula. “Vim dizer a ele que o Brasil é hoje parte da solução para os problemas mundiais e também uma plataforma para os carros globais da Ford, como o novo Ecosport.”

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Na viagem ao Brasil, o CEO da Ford esteve acompanhado de seus braços direitos. Além de Fields, responsável pelas Américas, esteve aqui Jim Farley, um vice-presidente que foi “roubado” da Toyota e ajudou a traçar os quatro grandes pilares da Ford na área automotiva: design criativo, qualidade, segurança e eficiência energética. Farley disse aos revendedores que eles estão diante “da maior oportunidade de negócios que já tiveram em suas vidas”.

Nunca, segundo ele, tiveram produtos tão atualizados e competitivos como os que estão chegando às concessionárias. E, quando terminou a convenção da Ford, o presidente da divisão sul-americana, Marcos de Oliveira, despediu-se de todos com um aperto de mãos e a mesma pergunta: “Vamos vender mais?”. Depois do sim, muitos queriam ainda tirar fotos de recordação ao lado de Mulally – um simpático americano de 64 anos que trouxe a Ford de volta aos bons tempos.

ENTREVISTA: “O que eu espero do Brasil? Mais, mais e mais”

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Em entrevista exclusiva à DINHEIRO, o CEO da Ford, Alan Mulally, detalhou o plano de reestruturação da companhia e revelou que o Brasil desenvolverá carros globais, como a nova versão do Ecosport

Quais foram os fatores cruciais para a virada da Ford?
As decisões tomadas. A primeira delas: focar nossos esforços na marca Ford, o que nos levou a vender ativos como Aston Martin, Jaguar e recentemente a Volvo. A segunda: ter uma família completa de veículos, pequenos, médios e grandes, disponíveis em todos os mercados mundiais. A terceira: a de que seríamos os melhores alunos da classe, tanto em qualidade como em eficiência energética, assim como segurança e design. E a última foi a de “fundir” a Ford, criando uma única empresa globalmente. 

Havia várias Fords dentro da Ford?
Sim. E passamos a trabalhar juntos na linha de produtos e no desenvolvimento de novos veículos. Assim nasceu o slogan One Ford. Hoje, temos uma mesma linha de produtos e uma mesma política para atender todos os nossos clientes no mundo.

Como foi a implementação do plano? Mais simples ou mais difícil do que imaginava?
Foi fantástico. Na verdade, mais fácil do que eu previa. Temos pessoas talentosas no mundo inteiro, que logo se entusiasmaram com a ideia de que poderíamos trabalhar melhor a força da marca Ford. 

Mas e os interesses daqueles que conduziam as marcas que foram vendidas?
Quando decidimos vendê-las, muitas das pessoas que estavam associadas a essas marcas foram junto. Hoje, todos querem trabalhar juntos, para integrar os produtos, a engenharia, as compras, a comunicação e assim por diante. 

Isso significa que os carros serão os mesmos em todos os países? 
Sim. Alguns dos nossos modelos, como o Ford Fusion, terão 80% das peças idênticas em todos os países do mundo. 

O que significa que os carros brasileiros terão um maior conteúdo tecnológico? 
Sim. E isso vai se dar de forma muito rápida. Todos os nossos veículos caminharão para uma plataforma global. E a nova geração do Ecosport, por exemplo, será desenvolvida no Brasil para atender ao mundo inteiro. O novo Fiesta, que é hoje o primeiro ou segundo carro mais vendido em 19 dos 20 mercados em que já está presente, especialmente na Europa, será também o mesmo no mundo inteiro. 

O sr. visitou a fábrica de Camaçari. Ela já é tão competitiva quanto as outras?
Sim, é uma fábrica excepcional, que nos permite criar e desenvolver do Brasil produtos globais. E que está melhorando ano após ano, aumentando sua produtividade.

Nos Estados Unidos, vocês foram a única empresa a não recorrer aos cofres públicos? Por quê? 
Por uma razão muito simples. Porque não estávamos quebrados. E não queríamos ser uma empresa estatal. Queríamos ter a liberdade para agir – e de forma rápida. Hoje, a imagem que desfrutamos decorre da percepção de que a Ford é hoje uma empresa saudável e muito sólida financeiramente. 

O sr. tem hoje mais liberdade do que seus concorrentes americanos, como GM e Chrysler? 
Certamente. E podemos agir de forma mais ágil, focando-nos no consumidor, num ambiente extremamente desafiador. Em 17 dos últimos 18 meses, nosso market share cresceu. Saímos de 13% para 16%. E nós acreditamos que ele continuará crescendo.

Houve uma mudança de cultura nos Estados Unidos? Vocês, por exemplo, estão introduzindo carros pequenos no mercado americano. 
Na verdade, os carros pequenos sempre foram populares nos Estados Unidos. Nós é que estávamos fora desse jogo. Estamos convertendo algumas fábricas de caminhões e de carros para a produção de carros menores, voltados para os americanos.

Qual será a eficiência desses modelos no tocante ao consumo de combustíveis?
Não só os pequenos, mas todos os nossos veículos serão os mais eficientes em suas categorias. O Ford Fusion, por exemplo, faz 41 milhas por galão – oito milhas a mais do que o concorrente da Toyota. Asseguro que todos os nossos carros serão os melhores da classe nesse quesito.

O sr. participou de uma comissão pública sobre eficiência energética nos Estados Unidos. Essa é uma questão de segurança nacional no seu país? 
Não só nos Estados Unidos, mas em todos os países a independência energética é uma questão central. O que significa que, a cada ano, os carros terão de ser mais e mais eficientes. Os carros flex, híbridos e elétricos farão parte da solução. Cada um terá seu papel. No caso do etanol, os Estados Unidos certamente terão de desenvolver uma infraestrutura melhor de distribuição.

O etanol brasileiro é o mais competitivo?
O Brasil encontrou uma solução muito eficiente na cana de açúcar e é claramente um líder global nesse campo. Nós, como produtores de automóveis, temos que produzir carros flexíveis. E os governos é que decidirão que tipo de combustível será utilizado. 

Nos Estados Unidos, vocês já são a montadora mais admirada, superando a Toyota, e também acabam de se tornar a segunda maior em vendas no mundo, à frente da Volks. No Brasil, no entanto, a Ford ainda é a quarta em vendas. Quais são as suas ambições para o País? 
Se eu pudesse resumir em uma palavra, eu diria mais.

Alguma meta de market share? 
Mais, mais, mais.

Globalmente, quantas empresas restarão no futuro?
Há quem fale em uma nos Estados Unidos, uma na Europa, uma no Japão e talvez outra na Ásia.  Acredito em mais consolidação no futuro. E estou convencido de que a Ford é hoje a empresa mais bem posicionada para ser uma empresa global. Porque serve seus clientes de forma global e competitiva.

E as empresas chinesas? Qual será o papel delas no futuro? 
Bom, a China já tem hoje o maior mercado de automóveis do mundo, maior até do que o dos Estados Unidos, e é natural imaginar que eles venham a ter grandes montadoras. Mas lá nós estamos muito bem posicionados. 
E a qualidade dos produtos? Quando eles compram uma marca como a Volvo, não mudam a percepção deles sobre qualidade? 
Eu falo sobre a Ford, onde a atuação na China é cada vez maior, assim como no Brasil. 

Vocês venderam a Volvo por muito menos do que pagaram. Foi um mal negócio?
Quando se fala sobre valor, é preciso olhar para a floresta completa. A ação da Ford subiu de dois dólares para US$ 13,40. Portanto, estamos criando valor para nossos acionistas. E outra medida de valor é a reputação corporativa. Tivemos o maior ganho de reputação já registrado em toda a história da indústria automobilística. 

Mesmo reduzindo custos agressivamente?
Sim, porque foi parte da solução. Não pedimos dinheiro do governo, tomamos decisões difíceis e criamos as condições para que a empresa pudesse voltar a investir. O consumidor toma sua decisão olhando para três pontos. Você tem bons produtos? Tem uma empresa sadia, que continuará servindo o cliente de forma satisfatória no futuro? Contribui para um mundo melhor? Acho que estamos nos enquadrando de forma positiva nas três questões. 

Qual é a sua mensagem para o presidente Lula, na visita ao País? 
Que o Brasil foi parte da solução para a crise econômica global. E que o Brasil se tornou uma plataforma para a produção de carros globais, onde nossos investimentos nos próximos cinco anos serão de US$ 2,4 bilhões.  Aqui, vamos desenvolver a nova geração do Ecosport para vendê-lo no mundo todo.

Como a sua experiência na  Boeing o ajudou na Ford?
Embora eu seja engenheiro, sempre fui uma pessoa voltada para o cliente, para o que as pessoas desejam, seja num avião, seja num automóvel. Como homem de tecnologia, também acredito no poder da inovação. Além disso, conheci bem os ciclos econômicos globais. E o mais importante é estar preparado para os períodos ruins, tomando as decisões difíceis no momento certo. Por útlimo, sempre gostei de trabalhar em equipe, comunicando mensagens que sejam simples e diretas. O plano One Ford é bom porque todos o compreendem rapidamente. Assim como a visão de Henry Ford. 

O sr. resgatou o espírito do passado?
Henry Ford dizia que era importante “abrir estradas para toda a humanidade”. Ele acreditava numa companhia global, desde a sua criação, há mais de um século. 

O plano One Ford pode levar a companhia à liderança?
Os consumidores decidirão, mas o fato é que estamos conquistando participação de mercado em todos os países, em todos os últimos trimestres. Estamos fazendo a nossa parte e cada vez mais confiantes.



Branding no mercado de capitais

Fonte: Revista RI  n°124
Por Eduardo Tomiya
Publicado em agosto de 2008

Cópia de RI-124 28 contracapa

O presente estudo analisa o tema da comunicação dos ativos intangíveis da corporação para o mercado. Esta abordagem poderia ser o registro de valor de marca em Balanços Patrimoniais. Esta alternativa pode esbarrar em aspectos contábeis que mencionaremos, como, por exemplo, a liquidez deste ativo (marca) isolado do negócio, entre outros aspectos.

Por Eduardo Tomiya

Uma outra abordagem é o resultado do estudo Intelectual Assets e Value Creation 2004-2006, realizado pela Organization for Economic Co-Operation and Development (OECD) que reside no estabelecimento de regras para a comunicação dos ativos intangíveis em um relatório. Em minha visão, prefiro esta última abordagem, que é a criação de um relatório dos ativos intangíveis das empresas.

NOVIDADES DA LEI 11.638/07

Em 28 de Dezembro de 2007 foi sancionada a Lei 11.638/07, que fez importantes alterações em relação à Lei 6.404/76 (lei das S/As).

Existiram inegáveis melhorias, tais como:

1. Inclusão de um Grupo de Intangíveis no Ativo Permanente (artigo 179).

2. O critério de avaliação destes ativos será pelo custo incorrido na aquisição, critérios para efetuação dos testes de impairment (análise sobre reputação de valores registrados no imobilizado, intangíveis e diferido).

A partir daqui nossa análise tem foco na Marca – um dos ativos intangíveis da corporação.

Devemos esclarecer que a nova lei não permite o registro de valor de marca ou de outros ativos intangíveis avaliados pelo método da rentabilidade futura no balanço patrimonial, exceto em casos de compra, venda, fusão ou aquisição.

Então, no caso de empresas que desde sua origem utilizaram uma marca (é o caso de Coca-cola, Banco do Brasil, Petrobras, entre outras), são classificadas no chamado grupo de empresas com marcas geradas internamente, e não podem ter seu valor de marca registrado em balanços patrimoniais.

FAZ SENTIDO O VALOR DE MARCA SER REGISTRADO NO VALOR CONTÁBIL DAS EMPRESAS?

Na metodologia de avaliação de marcas da BrandAnalytics é utilizado o princípio do uso econômico. Este princípio norteia o processo de avaliação das empresas pela rentabilidade futura – ou seja, uma empresa vale pelo quanto de lucro futuro ela pode gerar ao seu acionista. Para os que desconhecem, a metodologia do uso econômico é um dos métodos mais utilizados pelas empresas de auditoria/ consultoria quando necessitam justificar através de um parecer do goodwill, fundo de comércio ou ágio oriundo de uma aquisição. Em vários casos, este procedimento foi utilizado para determinar o preço mínimo de empresas em leilões de privatização e operações de fusões e aquisições.

Uma marca vale o quanto ela desempenha o papel da geração econômica – financeira de lucros futuros da empresa. Já essa metodologia de avaliação de marcas parte do valor dos lucros futuros e entende através de pesquisas de mercado junto a consumidores a importância da marca no processo de compra (como a marca alavanca os lucros do negócio) e quão forte ela é para dar maior estabilidade aos lucros futuros da marca. O valor da marca é o valor presente líquido dos lucros futuros da marca.

Sendo assim, se o balanço patrimonial dos ativos tangíveis da empresa (diferença entre ativos passivos da corporação na data-base), então:

1)      Em primeiro lugar, faria sentido refletir no balanço Patrimonial o valor de um ativo cujo valor foi determinado em função de uma projeção de rentabilidade futura?

2)      Quais são implicações legais e fiscais para este registro?

3)      Qual é a liquidez deste ativo “marca” isolado do negócio? Ele possui liquidez de maneira isolada? Esta é uma das dificuldades com os quais lidamos quando em uma securitização de dívidas, mais especificamente fornecendo marcas como garantias de empréstimos. Os bancos têm dificuldades de realizar este ativo fora do contexto normal de operação desta marca. Uma marca tem valor para um determinado contexto operacional ou dentro do contexto de normalidade dos negócios da empresa. O caso de um “default” do pagamento de um passivo significa em primeiro lugar que a empresa não está mais no contexto de normalidade. Então, a marca teria dificuldades de liquidez isoladamente. Vou exemplificar com o caso do Mappin. No ano passado a marca Mappin foi a leilão. Isoladamente, qual é o valor deste ativo? Nenhum interessado deu um lance mínimo determinado no leilão, ainda que existisse uma grande procura por informações para a participação no mesmo.

Tanto o FASB (Financial Accounting Standards Board – através do FASB 141/142) e o IAS (International Accounting Standard – IAS 38) recomendam muito fortemente que o valor da marca e ativos intangíveis não sejam registrados quando a marca for gerada internamente.

Acredito que, talvez, este seja o maior argumento para não se registrar o valor de marca em balanços patrimoniais, pois tanto nos Estados Unidos como na Europa os padões contábeis não permitem o registro de ativos intangíveis (a não ser em casos de aquisição, compra, etc.) no balanço patrimonial.

ENTÃO, COMO EFETUAR O DISCLOUSER DOS ATIVOS INTANGÍVEIS DA EMPRESA?

A alternativa que está sendo muito discutida é a criação de um novo relatório de informações ao mercado, o denominado relatório de Intelectual Asset Statement.

Yoshiaki Tojo, Líder da Divisão de Economia e Estatística da OECD menciona as três conclusões de um estudo inicial sobre Intelectual Assets Value Creation conduzido pela instituição referente ao período 2004 – 2006.

1. Os Inteclectual Assets desempenham papel substancial no crescimento da economia. A boa gestão das empresas é indispensável:

· Deve-se encorajar a difusão de melhores práticas de nonfinancial reporting e IA management

2. As empresas necessitam acessar o capital humano qualificado, base de conhecimento e controle sobre o uso dos IA (patentes registros de marcas, etc.)

3. O papel dos Intelectuais Assets em inovação e o processo de criação de valor necessitam ter uma investigação mais detalhada.

· Deve-se conduzir um estudo sobre a medição dos Ias para as empresas em nível macro-econômico.

O Professor Patrick Sullivan (University of Stanford) descrevem um modelo que é ilustrado na página seguinte que mostra a cadeia do valor do IA. Utilizamos esta abordagem em projetos a fim de compreender e mensurar o valor dos IA.

O governo da Dinamarca (Ministério da Indústria e Comércio) publicou um documento “A Guideline for intellectual Capital Statements – a key to knowledge management”. Este trabalho iniciou-se em 1998, foi coordenado pelo Ministério em 17 empresas privadas participantes, a auditoria Arthur Andersen, Copenhagen Business School e The Aarthus School of Business.

Neste trabalho foram estabelecidos padrões e indicadores recomendados para empresas elaborarem o Relatório de Capital Intelectual.

Entendemos que iniciativas como a do Governo da Dinamarca poderiam ser seguidas pelo governo brasileiro, uma vez que esta pode ser uma fonte importante para a competitividade das empresas nacionais e, como mostrou um dos itens do relatório da OECD, pode ter importantes impactos positivos para a economia do País.

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A inserção de empresas brasileiras no contexto global e no contexto dos ativos intangíveis faz com que cada vez mais as empresas precisem entender o valor dos ativos intangíveis e, principalmente a definição de uma estratégia de comunicação clara em seus relatórios financeiros disponíveis ao mercado.

Entendo também que a solução de se registrar o valor de ativos intangíveis (e de marca) em balanços patrimoniais, exceto em casos de Fusões e Aquisições, pode ser algo que está muito contra todas as tendências e talvez seja contra alguns princípios básicos da contabilidade.

A criação de um relatório dos ativos intangíveis com métricas não exclusivamente financeiras, envolvendo os públicos estratégicos da empresa (Marca, Capital Humano, Sistema de Distribuição, Base de Clientes, Reputação Corporativa, Tecnologia, P&D, Patentes, etc), pode ser uma alternativa interessante para que as empresas (brasileiras) consigam tangibilizar para outros mercados o seu real valor.

Entendemos a relevância de trabalho de branding junto aos investidores para empresas de capital aberto nacionais, principalmente considerando um contexto de Investment Grade que favorece muito as nossas corporações. As empresas brasileiras precisam ser conhecidas e reconhecidas fora do Brasil e hoje podem acessar um capital que anteriormente seria bem mais difícil. É indiscutível os diferenciais das corporações brasileiras, mas para um investidor que pode estar em qualquer parte do mundo, estes diferenciais talvez não sejam muito claros.

Para isso, as empresas precisam se preparar e estruturar seus procedimentos internos a fim de que este disclosure seja bastante tangível e gerenciá-los para que este valor seja sempre otimizado.

(Gets Measured, Get Done, Gets Capitalized).

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eduardo_tomiya(*) Eduardo Tomiya é engenheiro, Mestre, Phd em Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, sócio fundador da BA – BrandAnalytics Consultoria de Marcas. Foi por 6 anos Diretor de Brand Valuation da Interbrand (América Latina e Ibéria) e por 5 anos foi sócio diretor da Trevisan na área de Corporate Finance. É professor de branding na FAAP, FGV, INPI, Rio Branco. (E-mail: eduardo.tomiya@brandanalytics.com.br)

Grifes de luxo terão proteção legal contra o comércio eletrônico

Fonte: O Estado de S. Paulo
Por James Kanter

UE aprova normas que permitem às companhias desse segmento não fornecerem a empresas
[br]online sem lojas físicas

Diversos fabricantes de perfumes, roupas e bolsas de alto preço poderão impedir que os varejistas que vendem somente pela internet continuem comercializando seus produtos, segundo as novas normas emitidas pela Comissão Europeia.

As normas constituem uma aparente vitória de companhias, como LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, fabricante francês de artigos de luxo, que empreendeu uma campanha para conseguir a sua aprovação. Em determinadas circunstâncias, essas empresas poderão se recusar a fornecer a centros de venda online que não tenham lojas físicas.

Segundo as novas regras, os fabricantes de bens cuja parcela de mercado é inferior a 30% terão essencialmente a liberdade de decidir como querem distribuir e vender seus produtos.

Importância. Guy Salter, porta-voz da European Alliance, um grupo que representa associações de produtores de bens de luxo, entre os quais LVMH, Gucci e Burberry, disse que a comissão “reconheceu a importância do setor de bens de luxo para a Europa”. A “qualidade, o serviço e a autenticidade dos produtos de luxo serão mantidos.”

No sumário de normas, a comissão disse que “os fornecedores deveriam estar livres para decidir quanto ao número e tipo de distribuidores que querem ter em seus sistemas de distribuição”. E acrescentou: “Os fornecedores podem querer apenas vender a distribuidores com um ou mais pontos físicos “.

O comissário para a concorrência da UE, Joaquín Almunia, que supervisionou a redação das novas normas, disse que continuaria vigilante para impedir que os fabricantes sejam alvo de práticas abusivas. O site de leilões eBay disse aplaudir o compromisso de Almunia. Mas advertiu que, se isto não ocorrer, “os consumidores estarão impedidos de usufruir dos benefícios dos produtos oferecidos por distribuidores que operam exclusivamente online”.

Este mês, os varejistas online Pixmania, Price Minister, Rue du Commerce e 3 Suisses uniram-se à Amazon e eBay em uma carta que pede a Almunia que elimine as exigências.

As companhias online advertiram que os fabricantes de brinquedos, relógios, produtos eletrônicos de consumo e eletrodomésticos estão dispostos a usar as novas normas “para restringir a disponibilidade destes produtos via e-commerce, e portanto, manter altos preços em prejuízo do consumidor final”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

‘Jogo aberto’ é arma de melhores empresas para trabalhar

Fonte: O Estado de São Paulo
Por Fernando Scheller

O combate à incerteza dos trabalhadores e à “rádio corredor” em tempos de mudanças ou crise é apontado pelas empresas brasileiras mais bem colocadas na edição 2010 do prêmio “Melhores Empresas para Trabalhar na América Latina”, do Instituto Great Place to Work, como a principal arma para a garantia da satisfação dos funcionários. Para executivos da Caterpillar do Brasil (3.ª posição no ranking, atrás da Kimberly Clark de El Salvador e da IBM do Peru) e da Chemtech (7.º lugar), o salário deve ser justo, mas dinheiro não cria um bom ambiente de trabalho.

Segundo o presidente do Instituto Great Place to Work, José Tolovi Júnior, os vencimentos devem estar dentro do nível razoável do mercado. “Se o salário for alto demais, a pessoa ficará na empresa pelo motivo errado. Deixará de aceitar propostas estimulantes porque está financeiramente confortável. Entre as melhores empresas para trabalhar no mundo todo, nota-se que o pagamento é justo.”

Embora as características que tornam uma empresa boa para trabalhar não sejam palpáveis, elas garantem resultados práticos, segundo a Great Place to Work. De acordo com o presidente do instituto, em 2009, quando a economia andou para trás em boa parte da América Latina, as cem empresas do ranking na região tiveram crescimento médio de 18,6% no faturamento.

Para Luiz Carlos Calil, presidente da fabricante de máquinas Caterpillar, de Piracicaba (SP), transparência cria união. Em 2008, quando a empresa sofreu uma queda de 80% em suas exportações, o executivo fez questão de ir à fábrica conversar pessoalmente com os funcionários sobre eventuais demissões. Mesmo com o corte de mil vagas, a companhia optou por fazer comunicados claros aos funcionários: com isso, os boatos foram mantidos em patamar mínimos.

Com a amenização da crise e as boas perspectivas de crescimento, especialmente nos setores de construção e mineração, a Caterpillar já iniciou o processo de recontratação de profissionais, readmitindo quase 50% dos funcionários dispensados na crise. A empresa fechou 2009 com cerca de 4 mil funcionários, número que deve subir a 4,8 mil até o fim deste ano. A média de tempo de casa dos trabalhadores na Caterpillar é de dez anos.

Reestruturação

Para a Chemtech, empresa do Rio especializada em projetos de engenharia e solução industrial, a mudança veio em uma reestruturação societária. Fundada em 1989 por três engenheiros, a companhia teve o controle acionário comprado pela Siemens em 2001 e foi inteiramente adquirida pelo grupo alemão sete anos depois. No início de 2010, veio a “separação” definitiva do desenho inicial: dois dos fundadores da Chemtech, incluindo o presidente Luiz Eduardo Rubião, deixaram a companhia.

A Chemtech tem hoje 1,3 mil funcionários. O principal cliente é a Petrobrás, embora também tenha contratos de fornecimento com Vale, CSN e Braskem. Apesar do crescimento, a diretora de recursos humanos da empresa, Denise Cardoso, conta que as estratégias de comunicação da empresa com os funcionários foram mantidas pela nova controladora.

No total, 17 empresas brasileiras fazem parte da lista divulgada na terça-feira, 13, pelo instituto.

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Outras empresas brasileiras na lista, por ordem alfabética:

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Palm cambia de estrategia para imponer sus teléfonos

Fonte: Mercado (Argentina)
Publicado em 08 de abril de 2010

El Pre es el teléfono que sacó Palm con intenciones de recuperar un poco la fama
y el mercado que supo conquistar cuando fue la marca creadora de los productos
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palm-pixi-2Hoy no se está vendiendo bien ni el Pre ni su modelo más barato, el Pixi. Las acciones de la compañía cayeron 30% un negro día del mes pasado cuando un analista declaró que el Palm es “una caída en espiral hacia la muerte”.

Muchos achacan la responsabilidad del desastre a la poco feliz campaña de publicidad, que la compañía está ahora a punto de modificar. La nueva estrategia es exhibir los productos en los puntos de venta. Nadie se engaña pensando que Palm puede dominar – de la mañana a la noche — el mercado de los teléfonos inteligentes. Pero sí superar una situación motivada por una combinación de publicidad equivocada que no logró crear una buena imagen para el teléfono Palm.

La primera campaña para el Pre – que lo presentaba como “el teléfono más anticipado del año” – fue producida por as produced por Modernista para el lanzamiento en junio 2009. No logró demostrar, sin embargo, las poderosas capacidades del aparato.

Tampoco fueron aciertos ni la distribución ni el momento elegido, pues apple anunció su iPhon 3GS una semana después del lanzamiento del Pre.

Para corregir el derrotero, la compañía proyecta concentrarse en marketing en punto de venta capacitando a vendedores de Verizon, Sprint y probablemente también AT&T – para que sean los embajadores de la marca. Llevando aparatos Pre ajustados a sus cinturas.

Eso significa que Palm apuesta a que los consumidores no tienen ya una decisión tomada cuando entran a un negocio buscando un teléfono.

Resta saber si jon rubinestein, CEO de Palm, insiste con publicidad hecha por Modernista, una agencia que acaba de perder Cadillac, su cuenta más grande, y cerró sus oficinas en Amsterdam.

Más clientes se retiran por mal servicio que por precio

Fonte: Mercado (Argentina)
Publicado em 12 de abril de 2010

Según una encuesta reciente de Accenture, para mucha gente es más importante
un buen servicio que un precio bajo.

consumidor compraLos clientes valoran más recibir un buen servicio que comprar barato. 67% de los respondentes abandonó a un proveedor en el último año por insatisfacción con el servicio que brindaba. 

El servicio, llamado “High Performance in the Age of Costumer Centricity se basa en una encuesta llevada cabo entre 4.100 compradores en ocho países de los cinco continentes. Mediante la encuesta, los clientes daban su opinión sobre la atención al cliente proporcionada a través de varías vías, como teléfono, correo electrónico, web corporativa, correo ordinario o chats online.

En total, dos terceras partes (67%) de quienes respondieron se cambiaron de empresa proveedora por haber recibido un servicio deficiente en diferentes sectores industriales. Este porcentaje era del 59% hace doces meses. Como consecuencia de esta subida, dice Accenture, se ha erosionado la fidelización media del cliente.

Por cuarto año consecutivo, el estudio de Accenture muestra que el precio del producto o el servicio que quieren adquirir tiene menos peso que el trato recibido por el proveedor. En concreto, sólo 53% de los entrevistados cambiaron de proveedor después de haber encontrado ese producto a un precio más bajo.

En los Estados Unidos, este dato es especialmente significativo, ya que 73% de los encuestados afirmaron haber cambiado de proveedor debido a un mal servicio, frente al 47% que lo hicieron después de haber encontrado un precio mejor.

El Corte Inglés se pone el chándal

Fonte: El País (Espanha)
Por Fernando Barciela

Dentro de unas semanas se cumplirá un año desde que El Corte Inglés pusiera en marcha su última iniciativa diversificadora: Sportown, una cadena dedicada a la ropa y los accesorios de moda de inspiración deportiva. ¿Una más? No. Al contrario de la mayoría de las cadenas de ropa y equipos deportivos existentes, que comercializan ropa de competición y para uso de calle, El Corte Inglés se ha centrado con su nueva enseña en un público básicamente consumidor de moda deportiva, no tanto para la práctica de deportes (que también) sino para su vida normal. De ahí seguramente el nombre escogido, Sportown, que define el deseo del gigante de la distribución español de situarse en el punto de encuentro de las estéticas sport con el casual más urbano, entre el que destaca el llamado streetwear.

Una estrategia que confirma la propia empresa al subrayar que en Sportown “nos dirigimos a un público urbano que sigue las tendencias de moda y al que le gusta sentirse cómodo”. Uno de los pocos segmentos en el que, además, el consumo sigue creciendo a buen ritmo, pese a la crisis. Lo que explica la determinación con la que el grupo está desarrollando su nuevo negocio. En apenas seis meses ha abierto ya 10 tiendas a pie de calle y en centros comerciales de Madrid (4), Santiago, Albacete, Málaga, A Coruña, Palencia y Vitoria. “Esta primavera se abrirán nuevos locales especialmente en Andalucía y Galicia”, informan en la compañía.

Tan buenas le deben parecer al gigante de la distribución las perspectivas de Sportown que en alguna ciudad, como Vitoria, la nueva enseña se ha quedado con un espectacular local de más de 900 metros cuadrados (dos plantas), en la calle de Dato, que antes era de Sfera, una cadena fundada en 2001 y que sigue en pérdidas (27,2 millones de euros en su último ejercicio).

Lo que define a las Sportown, frente a otros conceptos, según explican fuentes de la empresa, “es que son tiendas con una superficie media de 350 metros cuadrados (si bien algunas llegan a los 900), muy centradas en el calzado, del que se ofrecen unas 20 marcas y más de 350 referencias”. Esto, además de sudaderas, prendas de baño o complementos como gorras, mochilas o relojes, todo de marcas como Adidas, Nike, Le Coq Sportif, Munich, Fred Perry o New Balance.

imagemEl sentido de la apuesta es evidente. El amplio sector de la ropa, el calzado, los accesorios y los equipos deportivos ha crecido de forma maratoniana en los últimos 10 o 12 años, “como efecto” -explican en AFYDAD, la asociación de fabricantes de este sector- “de una mayor afición a las prácticas deportivas y a una cultura urbana en la que prima cada vez más la comodidad”. Lo que hace de las prendas de inspiración deportiva las preferidas por amplios sectores juveniles, y no tan juveniles.

Entre 1998 y 2007, la facturación total del sector de ropa y accesorios deportivos ha pasado, según SportPanel, una firma de estudios de mercado, de 3.140 a 5.325 millones de euros, un 70% más.

Pero, más que la práctica del deporte, lo que ha propiciado el boom de este tipo de ropa ha sido, explica Antonio de León Torres, un ejecutivo del sector, “la tendencia a usarla a diario, incluso para el trabajo”. Lo que se debe, prosigue, a que “es más cómoda, no necesita planchado, se seca rápido, tiene buen toque, protección ultra violeta y no deja olores”.

Pese a que el sector perdió algo de brillantez durante los años 2008 y 2009 y bajó un 7,2% entre 2007 y el pasado ejercicio, de 5.325 a 4.937 millones facturados, esto no es nada comparado con otras ramas de la distribución que han sufrido caídas del 15% o del 20%.

Y lo que es más importante, las cifras de ventas de las principales empresas productoras(cada vez más traders que encargan o compran producto hecho en Asia) y de las grandes cadenas de distribución parecen haberse salvado de la quema, que sí ha afectado a los fabricantes y comerciantes más pequeños. Decathlon pasó, por ejemplo, de facturar unos 630 millones de euros en 2006 a 1.047 millones en 2008. Forum Sport, de Eroski, tampoco parece haber sentido mucho la recesión ya que, pese a esta, logró elevar sus ventas entre 2008 y 2009 de 119 a 121 millones de euros.

Es temprano aún para saber si el nuevo experimento de El Corte Inglés va a tener el mismo éxito que otros anteriores, que han logrado incluso resistir a la crisis económica. Y la razón está justo en el enorme atractivo del negocio, que ha provocado la confluencia de cada vez más actores.

A pesar de su esfuerzo por eludir a los competidores, situándose en zonas céntricas de las ciudades (lo habitual es que las grandes cadenas del sector estén en la periferia), Sportown tendrá que enfrentarse a que todos quieren ahora vender moda deportiva. Hipermercados como Carrefour o Alcampo, cadenas como Decathlon (con superficies de 4.000 o 5.000 metros), Forum, Intersoport o SportsZone, tiendas especializadas (en surf, montañismo, pesca, skateboard o lo que sea), una infinidad de tiendas multimarca que sobreviven en el centro de las poblaciones e incluso tiendas de marca, como es el caso de Adidas.

Además, el dominio de las grandes cadenas sobre el mercado es cada vez mayor. Forum Sport, de Eroski, va ya por las 39 tiendas, Decathlon (de la francesa Oxylane) dispone de 75. Y esto no es todo, muchos de estos grupos están segmentando su oferta con nuevas enseñas. Decathlon lanzó en 2008 una cadena de bajo coste (Koodza), que fue seguida de otra de tiendas pequeñas (con superficies de entre 500 y 1.000 metros), Decat, que competiría más directamente con Sportown, al año siguiente.

Luego está la crisis, claro, que perjudica más a los nuevos entrantes que a los ya instalados. Siendo cierto que el sector ha notado menos la caída del consumo que otras actividades, la realidad es que la presión del consumo a la baja ha obligado a todos los grupos a iniciar verdaderas guerras de precios, con bajadas de precios de vértigo, que están reduciendo sus márgenes y rentabilidad.

Decathlon, que vende un 60% de marcas propias, inició ya en el verano de 2007 una bajada de precios del 25% en sus productos de mayor rotación, que intensificaría al año siguiente con una rebaja adicional del 10%. Lo que muestra claramente la dureza imperante en el sector y la determinación del grupo francés de no ceder un ápice de su cuota de mercado. Lógicamente, desde Sportown no podían más que seguir la tendencia. La cadena está ofreciendo ahora mismo un 20% de descuento (convertible en tiques de compra) en calzado deportivo adquirido entre el 26 de marzo y el 18 de abril. Esto, mientras prosigue con sus planes de expansión.

Autograph Collection de Marriott

Fonte: El Universal (Venezuela)
Publicado em 12 de abril de 2010

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El Grupo Kessler Hotels y Marriott International, Inc. anunciaron que la Casa Mónica Hotel es la primera propiedad que pasa a formar parte de Autograph Collection, marca recientemente introducida por Marriott, caracterizada por hoteles independientes, representando íconos y centros turísticos. Las 138 habitaciones del hotel Casa Mónica se encuentran en St. Augustine, Florida, Estados Unidos y este es uno de los siete hoteles Kessler que se unirán a Autograph Collection.

A principios de este año, Marriott introdujo la marca Autograph Collection, definiéndolo como un grupo de hoteles y resorts independientes de clase superior y propiedades de lujo con personalidad distintiva. Para lanzar Autograph Collection, Marriott se ha asociado con Kessler, un hotelero independiente de renombre, ávido coleccionista de arte, cuyas propiedades independientes son ampliamente consideradas como únicas e inspiradoras. Está previsto que para finales de abril seis hoteles adicionales de Kessler serán parte de Autograph Collection.

“Es emocionante ver nuestra visión intuitiva de hoteles independientes que ofrecen un alto nivel de servicio personalizado, que sea adoptada por una marca representada internacionalmente como lo es Marriott”, dijo Richard Kessler, CEO, The Kessler Collection. “La exposición global y el potencial de reservaciones que ofrece Marriott es excepcional, y tengo gran confianza en los planes de desarrollo para Autograph Collection”.

Casa Mónica, la primera de las siete propiedades de Kessler Collection para unirse a Autograph Collection, es un hotel restaurado de 1888. Pertenece al Registro Nacional de Lugares Históricos y es el único hotel en St. Augustine galardonado por AAA con cuatro diamantes. Restaurado en 1999, Casa Mónica es una mezcla de un pasado legendario con las comodidades modernas.

La colección privada de arte de Kessler cuenta con más de 10 mil obras, muchas de las cuales se muestran en las propiedades de Kessler Collection.

Após disputa, Martelinho de Ouro vira franquia

Fonte: Agência Estado
Publicado dia 13 de abril de 2010

A expressão Martelinho de Ouro virou sinônimo de funilaria artesanal e estampa a fachada de milhares de oficinas pelo País. São tantas com o mesmo nome que até parecem integrar uma rede.

Mas só agora isso deve começar a acontecer. Depois de duas décadas no ramo, o funileiro Pedro Santana, um dos precursores da atividade no Brasil, conseguiu registrar essa marca e abriu uma franquia para expandir os serviços da oficina, sediada em São Bernardo do Campo (SP).

A iniciativa é polêmica. Quem já usa o nome Martelinho terá de aderir à franquia ou tirá-lo da logomarca, sob pena de ser multado. Desde dezembro, seis contratos foram assinados – três deles já usavam a expressão e outros três são novatos na atividade. “Sabemos que é um trabalho de longo prazo, de convencimento”, diz Edvaldo Santana, filho de Pedro e idealizador do sistema de franquia. Essa foi uma das 264 empresas que se tornaram redes de franchising em 2009.

A atividade de funilaria artesanal ficou popular entre as décadas de 70 e 80 na região do ABC paulista. Nesse período, os antigos funcionários da Volks, com habilidade para desamassar a lataria sem necessidade de repintura, começaram a deixar a empresa para abrir seu próprio negócio nas ruas próximas à montadora. Pedro Santana foi um dos primeiros a pedir demissão da empresa para empreender. “Éramos muito procurados por vendedores de carros usados, que queriam desfazer pequenos amassados nos veículos”, conta. “Foram eles que nos deram o apelido de Martelinho de Ouro.”
Disputa. O nome pegou. E em pouco tempo a marca passou a ser disputada. Pedro Santana, conhecido como Pedrinho, entrou com o processo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 1994. Depois dele, outras 12 oficinas tentaram. O registro da marca foi obtido três anos atrás, mas só em 2009 conseguiram formatar a franquia. “Ficamos esse tempo todo tentando encontrar a melhor maneira de aproveitar a marca”, conta Edvaldo. Ele e o pai contrataram uma consultoria para levar a ideia adiante.

O primeiro passo foi fazer um mapeamento aproximado de quantas oficinas se apropriaram da expressão Martelinho de Ouro. Chegaram a 3 mil redes de médio e grande porte no País. Inicialmente, o foco é tentar converter essas oficinas que já existem em franqueadas. Quem integrar a nova rede será treinado para executar o serviço. A primeira oficina da franquia, além da piloto que já existe em São Bernardo, será instalada num supermercado Extra da região. “O contrato já foi assinado, estamos implementando”, afirma Edvaldo.

A oficina vai entrar nesse mercado com três tipos de franquia. O modelo mais simples exige um investimento total de R$ 140 mil, para prestar apenas o serviço de martelinho. A segunda possibilidade é de um investimento de R$ 170 mil para oferecer também o serviço de polimento. E a mais cara delas exige uma quantia inicial de R$ 220 mil, que inclui a repintura de veículos.

O lucro líquido estimado é de 25% sobre a receita bruta e a promessa é de que o investimento retorne em 18 meses. O serviço custa de R$ 80 a R$ 2 mil. “A meta é chegar a 30 franquias no País até o fim do ano”, diz Marcos Nascimento, da Companhia do Franchising, consultoria contratada pela marca.

Entre os empresários que já usam o nome Martelinho de Ouro para caracterizar a oficina, a ideia de se tornar franqueado não pareceu muito simpática. “Se entrarem em contato com a gente, vamos optar por tirar a marca do nosso nome. Não queremos pagar taxa”, disse Jorge Sato, sócio de uma rede de oficinas com 11 unidades no Paraná. Apesar da “oposição”, o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF) aposta na marca como uma das franquias que mais tem potencial para crescer no País. “Esse setor é uma mina de oura em termos de mercado, porque estamos falando de uma frota de veículos que não para de crescer.”