Quero ser Jovem

Fonte: ISTOéDinheiro
Por  Carolina Guerra, de Nova York

A grife sueca Gant contrata o estilista Michael Bastian para modernizar suas coleções e anuncia que vai abrir sete novas lojas no Brasil até 2012

No descolado bairro do Soho, em Nova York, onde galerias de arte dividem espaço com grifes moderninhas, uma longa fila chama a atenção na entrada de uma quadra de esportes. Não se trata de nenhum jogo e os termômetros marcam uma temperatura abaixo de zero. Mas a sensação térmica para quem aprecia o mundo da moda é de um calor senegalês. É que o lugar serviu de palco para a Gant, marca criada nos Estados Unidos e sediada na Suécia, apresentar uma coleção esportiva desenvolvida pelo estilista americano Michael Bastian, o novo queridinho do mundo da moda.

“Contratamos Michael Bastian para dar à Gant uma expressão mais fashion”, disse à DINHEIRO Dirk-Jan Stoppelenburg, o CEO da Gant. Com isso, a grife pretende expandir sua base de clientes masculinos, hoje na faixa dos 40 anos, atraindo tipos mais jovens. Mais: com a imagem renovada, a empresa, dona de 300 lojas próprias e de um faturamento de cerca de € 1 bilhão, quer aumentar a sua presença em mercados-chave na Europa e no Brasil. “Acredito que em alguns anos o Brasil estará entre nossos principais mercados”, aposta Dirk-Jan.

Para isso, a empresa preparou um ambicioso plano de investimentos que prevê a expansão do número de lojas no País. Até 2012 a marca saltará dos atuais três pontos de venda para dez lojas espalhadas pelo Brasil. E o desempenho de vendas das roupas criadas por Bastian, que se inspirou no lacrosse – esporte cujo objetivo é fazer gols passando a bola entre os jogadores com um bastão que possui uma rede na extremidade –, servirá de termômetro para analisar o mercado brasileiro.

“Não gosto da ideia da moda retrô. Prefiro criar peças atuais, que o homem vá de fato usar”, diz o estilista à DINHEIRO. Essa filosofia de Bastian, descrito por vezes como um designer à moda antiga, é o que faz com que ele tenha o perfil da Gant, cuja característica mais marcante é mesclar a casualidade americana com a elegância europeia.

1Versatilidade: A coleção apresentada pela Gant (acima), em nova york, será vendida em lojas como a da rua bela cintra (abaixo), em São Paulo

“A Gant é uma marca para o homem que quer andar bem-vestido sem ser demasiado tradicional. Ainda não é um nome conhecido do grande público, mas tem muito espaço para crescer”, explica André Robic, diretor do Instituto Brasileiro de Moda (IBModa). Além de roupas masculinas, que respondem por 62% do faturamento, a Gant possui uma linha feminina, com 19% das receitas, e atua nos segmentos infantil e de decoração, que, juntos, respondem  por 19% das vendas. Seus principais concorrentes são a Ralph Lauren e a Tommy Hilfiger.

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A marca foi fundada em 1949, nos EUA, por Bernard Gantmacher, um imigrante da Ucrânia que se tornou célebre ao fazer camisas com um pequeno G bordado no colarinho. Com o crescimento da grife, que chegou a ter entre seus clientes o herdeiro do trono inglês Eduardo VIII (1894 – 1972), o nome mudou  para Gant.

Nos anos 80, três suecos com experiência no mercado têxtil, Lennart Björk (atual chairman da grife), Klas Käll e Staffan Wittmark, adquiriram os direitos da marca para vender a Gant na Suécia. Em 1999, o grupo de suecos adquiriu o controle da grife. Mas foi em 2008 que a marca deu o grande salto. Comprada numa oferta hostil pelo grupo de investimento suíço Maus Frères, dono da Lacoste, ela passou a expandir sua operação.

No Brasil, quem detém o direito de comercializar a marca é o grupo têxtil português Ricon, que fabrica cerca de 60% das roupas da Gant. “Agora, com a chegada do grupo, podemos focar nossas estratégias para o longo prazo, o que antes era quase impossível”, conta o CEO Dirk-Jan.

3“O Brasil estará entre nossos principais mercados”

Entrevista

Dirk-Jan Stoppelenburg, o CEO da Gant, falou à DINHEIRO durante a apresentação da nova coleção da grife. Acompanhe:

Por que contratar Michael Bastian para desenhar a coleção da Gant?
Queríamos dar uma expressão mais fashion para nossas coleções de moda esportiva. Foi isso que Michael nos trouxe. Na próxima estação, queremos que ele faça uma linha feminina. 

Quais são os outros planos da Gant para 2010?
Nosso foco é abrir grandes lojas conceito. Acabamos de abrir em Estocolmo e em Londres e logo abriremos em Hamburgo e Milão.

E quanto à Gant no Brasil?
A Gant chegou ao Brasil há apenas dois anos. Mas acredito que em cinco anos o Brasil estará entre nossos principais mercados.

Seminário Construindo Marcas de sucesso na Moda

Fonte: Folha de São Paulo

Participe do seminário, que reunirá marcas que fazem da moda um grande negócio. Você terá a oportunidade de conhecer a trajetória de reconhecidas marcas brasileiras, seus desafios e oportunidades, posicionamento e estratégia.

PALESTRANTES CONVIDADOS

AberturaAlcino Leite – Folha de S.Paulo
Osklen – Luis Fernando Justo – CEO
Havaianas - Márcio Utsch – Presidente da Alpargatas
Richards – Ricardo Ferreira – Sócio
Animale – Kátia Alfradique – Diretora Comercial
Farm – Marcello Bastos – Sócio
Reserva - Rony Meisler – Sócio
Iódice – Valdemar Iódice – Presidente e Diretor de Criação

ROTEIRO
Cada um dos palestrantes fará uma apresentação abrangendo:

Histórico da marca
Problemas e oportunidades
Estratégia de expansão
Relacionamento com público alvo
Posicionamento e marketing da marca (coleções, desfiles, catálogos, CRM, eventos)
Futuro da marca

DATA / HORÁRIO / LOCAL

dias 27 e 28 de abril – 2010
das 9h às 13h30
Hotel Renaissance (Teatro)
Al. Jaú, 1620 – São Paulo – SP

PARA MAIORES INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES

telefone 0800 777 0360

ou pelo site “moda.folha”

Valor de Marca

Fonte: Revista RI  n°131
Por Eduardo Tomiya
Publicado em abril de 2009

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Uma abordagem que considera os diversos métodos de avaliação de marcas para minimizar o risco da decisão.

Por Eduardo Tomiya

Com tantos casos de utilização de Valor de Marca para suporte a operações de Fusão e Aquisição (MARCA como um dos ativos intangíveis da organização), securitizações (MARCA como garantia de empréstimos) e joint-ventures cremos que é importante mostrar que, talvez a melhor maneira de abordar o tema, é utilizando alguns métodos complementares. Ou seja, este artigo não tem o objetivo de criticar nenhuma metodologia e sim de ressaltar a vulnerabilidade da utilização de um só método.

No decorrer da década de 1980-90, foram desenvolvidos e aprimorados diversos métodos para determinação do valor de marca, que são utilizados por algumas empresas. No processo de avaliação de marcas é muito comum utilizarmos uma metodologia como referência primária, porém, sempre tentamos utilizar pelo menos mais uma ou duas metodologias como referências secundárias, pois sempre são fontes muito interessantes de informações para completar nossa análise.

Para os conhecedores do mercado de Fusões e Aquisições, costumamos classificar em três grupos os métodos de avaliação, de maneira análoga ao procedimento que é feito na precificação de valor de empresas nestes processos e também em privatizações: baseada no custo, no negócio e no mercado.

O primeiro grupo envolve o valor de investimentos já realizados na marca. É uma informação extremamente importante e atualizada. Na analogia com o processo de due dilligence, este é o valor patrimonial ajustado.

O segundo grupo é baseado nas estimativas de lucros gerados pela marca obtidos a partir do Fluxo de Caixa atual do negócio. A atualização destes lucros da marca a uma taxa de descontos nos fornece um valor de marca, ou, o que chamamos de valor econômico da marca. O quociente do Valor obtido no uso econômico pelo Custo incorrido pode nos dar uma noção do Retorno sobre o Investimento já realizado. Mais ainda, se o valor do custo incorrido for maior do que o valor econômico gerado, muito provavelmente o investimento realizado não está remunerando o capital investido. Na linguagem de Corporate Finance, isso acontece quando o valor patrimonial ou de livros de uma empresa é superior ao valor econômico.

O terceiro grupo é o chamado Valor de Mercado, que pode ser obtido em função de um valor potencial de mercado. Este valor potencial pode ser determinado por três metodologias: Premium Price, Royalty e Múltiplos de Mercado. Ele reflete o potencial de valor da marca, que também é uma informação importante, pois, alguns casos, quando o valor do potencial é superior ao Valor econômico, significa que o ativo Marca tem potencial de geração econômica de maior ao seu acionista, seja através de ações da empresa ou através da venda ou associação com algum outro player para o qual a marca tem poder maior de geração de valor ao acionista.

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Então, está informação quando comparada com o valor econômico obtido, pode ser de grande valia.

Estes três métodos são absolutamente complementares e, em função do uso podem perfeitamente atuarem em conjunto. Isto é, aliás, fortemente recomendável.

Cada um destes métodos é detalhado a seguir.

  1. CUSTO INCORRIDO

Este método calcula o valor dos desembolsos diretamente efetuados pela marca, como publicidade, pesquisa e marketing atualizados a valor presente.

É o valor do desembolso efetuado pela empresa para a construção da marca.

Esta métrica, quando utilizada como referência primária para a determinação do valor da marca, possui algumas limitações, pois não existe uma relação direta entre o custo histórico e o valor de marca. Esta relação é exatamente o que se busca e, no fundo, é o retorno sobre o investimento. Existem marcas que investiram muito pouco e conseguiram um elevado valor, como é o caso da Body Shop, que utilizou uma estratégia que construiu uma marca muito forte com pouco investimento em mídia.

Esta informação é extremamente relevante para o processo de Gestão de Marcas. Se bem administrado, o valor do custo incorrido deve ser inferior ao valor da marca.

  1. USO ECONÔMICO

Segundo este método, o valor de uma marca corresponde ao valor presente líquido dos lucros da marca. Por este método, a marca está dentro do contexto negócio, e é um dos ativos intangíveis da empresa. Dentre os ativos intangíveis, destacam-se o capital humano, sistema de distribuição, sistema de conhecimento, base de clientes, monopólios, patentes, contratos e o que desejamos separar, a marca.

A seguir a metodologia, sumarizadamente composta pelas seguintes etapas:

a)      Análise Financeira – projeção de resultados financeiros para os próximos 5 anos ( Receita Liquida, Custos, Despesas, Investimentos em ativo fixo, e capital de giro operacional). Obtemos a projeção dos resultados econômicos deste período (Economic Earnings), que é basicamente o Lucro Operacional após o Imposto de Renda deduzido da remuneração da utilização dos ativos tangíveis.

b)      Análise de Mercado – Do lucro dos ativos intangíveis devemos separar o que é a marca dos outros ativos intangíveis da empresa. Obtemos importância da marca ( Brand Contribution) em relação aos outros intangíveis através da análise dos diferenciais competitivos percebidos pelos clientes quando escolhem a marca entre vários concorrentes. Ou seja, é a percepção da marca junto aos consumidores, e como eles utilizam dela para suportar seu processo de compra.

c)      Análise da Marca – Toda projeção de resultados econômicos possui uma taxa de risco associada à mesma. Quanto mais forte é a marca, menor será o risco de uma projeção. Entendemos uma marca forte como uma marca com liderança (marcas fortes possuem diferenciais únicos, líderes na atitude), geografia (marcas globais conseguiram romper barreiras culturais para manter a consistência de seus posicionamentos no mundo), estabilidade (marcas possuem públicos estratégicos leais, reconhecimento e familiaridade), suporte (em todos os pontos de contato, marcas fortes possuem consistência legal (marcas fortes são protegidas legalmente). Quanto mais forte for a marca, menor será seu risco. Determinamos a partir desta análise a força da marca (índice de 0 à 100) e uma taxa de desconto.

d)      Valor da marca – O valor da marca é o Valor Presente dos resultados exclusivamente associados à marca atualizados por uma taxa de desconto que reflete o risco da marca.

A metodologia do uso econômico é utilizada para a elaboração do Ranking das Marcas Brasileiras mais Valiosas, estudo da BrandAnalytics publicado anualmente pela Revista Istoé Dinheiro, baseado em dados de pesquisas de mercado da Millward Brown. Esta mesma base de dados também é usada no Ranking Global de Marcas mais Valiosas, da Millward Brown, estudo publicado anualmente pelo Financial Times. Estes rankings apontaram o Bradesco como a marca mais valiosa no Brasil e a Google como a marca mais valiosa do mundo em 2008.

  1. PREMIUM PRICE

Segundo este método, o valor de uma marca corresponde à projeção de lucros futuros atualizados por uma taxa de desconto. Os lucros futuros são obtidos pelo produto do premium price unitário pelo faturamento projetado.

Este processo entende que, se os consumidores pagam um premium price por produtos iguais, este premium price deve ser à marca.

Com certeza é um valor potencial e o método nos fornece algumas informações interessantes:

1)      Em algumas situações, onde as informações financeiras da empresa não estão muito bem estruturadas para fornecer a projeção de Economic Earnings para os próximos 5 anos (em alguns casos, pelo fato da empresa não ter um sistema de Custos por atividades para alocar Custos, Despesas, Ativo Fixo para cada segmento, ou em algumas Instituições Financeiras que não possuem um VAR – Value at Risk – que possa alocar o capital tangível por segmento), este método é recomendado.

2)      Aplicável em determinadas situações em que a marca está em um ambiente de negócios onde a ineficiência da utilização de outros ativos intangíveis (como Capital Humano, Sistemas de Distribuição e outros) esteja de alguma maneira prejudicando o valor do acionista e conseqüência prejudicando o valor da marca.

3)      Também em caso de determinação de um valor potencial para um possível comprador de empresa, quando a mesma deseja mostrar sua estrutura de custos e despesas bem como seu Plano de Negócios.

Porém, restrições se fazem necessárias à utilização do premium price como método primário, pois:

· Referência: Premium Price em relação a quê? Em tese, a referência deveria ser uma marca sem equity nenhum, o que é muito difícil. Outro ponto é que, em geral, o premium price não é devido exclusivamente à marca. Existem alguns outros ativos intangíveis associados a este premium. Por exemplo, no caso de companhias aéreas, o premium price é devido a diversos outros intangíveis, como atendimento, disponibilidade de vôos, aeronaves e suas condições, e até mesmo programas de milhagem. Precisamos estar muito atentos em relação à referência, pois pode fazer uma diferença muito grande.

· Premium Price às vezes não é garantia de lucros ao acionista – Em alguns casos, o investimento necessário para obter o premium price é superior ao beneficio econômico. Ás vezes, marcas em contextos operacionais podem ter rentabilidade totalmente distintas. Quanto vale a marca Rolls-Royce, que foi vendida a Volkswagen? Bem, nas mãos da Volkswagen havia uma sinergia que permitia um nível de rentabilidade superior do que quando estava nas mãos dos antigos acionistas, sendo que a marca manteve sua prática de mercado. Nas mãos da Volkswagen, por exemplo, a empresa conseguiu viabilizar uma unidade industrial no Reino Unido para a produção de veículos das marcas Rolls-Royce e Bentley juntos. Ainda nas mãos da Volkswagen a marca Rolls-Royce gerava mais valor do que quando nas mãos dos antigos acionistas, exercendo o mesmo premium price. Então, um dos problemas deste método é que ele ilustra um potencial e fortalece muita ênfase à avaliação de um stakeholder, o consumidor final, tratando-a como independente do negócio, o que definitivamente é um fator limitante.

Por isso, recomendaremos a utilização do método do premium price como uma referência do potencial de mercado do valor, porém com algumas limitações de utilizá-lo como método primário para a avaliação de marcas.

  1. MÉTODO DO ROYALTY

Neste método, o valor da marca é o valor presente líquido dos lucros futuros da marca atualizados a uma taxa de desconto que reflete o seu risco. Os lucros futuros são estimados com uma taxa de royalty pelas vendas projetadas. A taxa de royalty é a estimada com base em múltiplos comparáveis de marcas similares, como sendo uma proporção sobre a receita das empresas. Com certeza é um valor potencial da marca, e teria as mesmas vantagens do método do premium price. Talvez a maior limitação para a utilização do royalty como método primário é que a marca pode incorrer em imprecisões, e assim como no caso do premium price, a taxa de royalty não possui uma relação direta com a rentabilidade do negócio.

Porém para a referência potencial do valor de uma marca, este parâmetro pode ser importante.

  1. MÚLTIPLOS DE MERCADO

Através deste método, o valor da marca é obtido através de múltiplos de mercado, que são obtidos em função de dados disponíveis de mercado. Por exemplo, se uma marca foi vendida por R$ 500 milhões: se seu faturamento é de R$ 100 milhões, o chamado múltiplo de faturamento é 5, ou: O valor da Marca corresponde a 5 vezes o seu faturamento.

A limitação para esse tipo de abordagem é que não é muito comum uma operação de compra e venda exclusivamente de marcas. Em geral, a marca é adquirida dentro de um contexto de negócio, ou seja, faz parte de um conjunto de ativos intangíveis, como capital humano, sistema de distribuição, sistema de comercialização, entre outros.

Em alguns casos, são utilizados múltiplos de rankings de marcas valiosas publicados, como os da Interbrand, Millward Brown Optimor, Brand Finance, BrandAnalytics, etc.

Como um método alternativo que busca qualificar um potencial de valor de marca, pode ser bastante útil.

CONCLUSÃO

Sem dúvida, no processo de valorização de marcas lidamos com um ativo intangível de natureza bastante peculiar que, em alguns casos, uma tentativa de simplificação pode vulnerabilizar a utilização de ferramenta como um todo.

Com este paper, entendemos que estes processos de avaliação deveriam, no fundo, minimizar riscos. Talvez a melhor maneira de se fazer isto seja através da melhoria da qualidade de informação disponível.

Acreditamos na metodologia do uso econômico como base na avaliação de marcas, bem como no uso dos demais métodos como complementos importantes, capazes de proporcionar conhecimentos adicionais úteis para a compreensão e gestão das marcas.

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eduardo_tomiya(*) Eduardo Tomiya é engenheiro, Mestre, Phd em Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, sócio fundador da BA – BrandAnalytics Consultoria de Marcas. Foi por 6 anos Diretor de Brand Valuation da Interbrand (América Latina e Ibéria) e por 5 anos foi sócio diretor da Trevisan na área de Corporate Finance. É professor de branding na FAAP, FGV, INPI, Rio Branco. (E-mail: eduardo.tomiya@brandanalytics.com.br)

Costurado com arte e estilo

Fonte: Revista Marketing
Por Claudia Pereira
Publicado dia 01 de março de 2010

A tradicional temporada de moda que movimenta a cidade de São Paulo no primeiro mês do ano já acabou e não foram apenas as roupas, as modelos, os sapatos e os estilistas que mereceram destaque. Para que todo esse glamour fosse possível houve um grande investimento e as marcas precisaram mostrar toda sua criatividade para atingirem seus objetivos frente a um público cada vez mais exigente e atento aos mínimos detalhes.

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A cada ano, a produção do evento conta, em média, com investimentos na ordem de R$ 8 milhões. Além disso, grifes e estilistas participantes aplicam cerca de R$ 7,5 milhões por temporada. Esse giro de capital impulsiona a criação de mais de 5 mil empregos diretos e indiretos. Os grupos de comunicação também são grandes investidores da SPFW e, anualmente, negociam R$ 19 milhões em permutas de espaços publicitários e horas de programação relacionados ao evento.

A movimentação financeira em razão da semana de moda – que é a principal da América Latina e que figura entre uma das mais importantes do mundo, integrando um circuito que conta ainda com Paris (França), Milão (Itália), Londres (Inglaterra) e Nova York (EUA) – abrange também setores como o turismo, que tem considerável crescimento no período. De acordo com a SPTURIS (Empresa de Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo), a SPFW faz a cidade movimentar mais de R$ 1,5 bilhão; R$ 85 milhões referem-se à movimentação direta por receber um público de 100 mil pessoas, com 38 mil turistas nacionais/internacionais. O fato de 35% dos visitantes serem de fora de São Paulo também amplia os negócios em segmentos como serviços, hotelaria, alimentação, transporte e varejo.

moda-spfw-inverno-2010-dia22-andre-limaUma das ações que comprovaram que moda é um grande negócio foi a parceria da BMW com Glória Coelho, que uniu inovação, design e tecnologia em sua coleção inspirada no BMW Vision Efficient Dynamics, modelo lançado pela montadora no último Salão do Automóvel em Frankfurt (Alemanha). A estilista desenvolveu quatro peças com traços que transmitiam a sensação de movimento e velocidade.

A Cadbury também apostou em um grande nome da moda para divulgar seus Chiclets. Com projeto desenvolvido pela Ideiascustomizadas!, a empresa de confeitos uniu-se a Ronaldo Fraga, que assinou cerca de mil sacolas e capas para iPod. O kit contou ainda com cinco croquis com looks criados pelo estilista mineiro como teaser para a primeira coleção de roupas da grife Chiclets, que será lançada este ano. Na passarela, Fraga mostrou três modelos criados com materiais inusitados e desenvolvidos especialmente para a marca.

Outro anunciante que desenvolveu forte ação de marketing foi a Seda, da Unilever, que montou um espaço de 234 metros quadrados em parceria com as grifes Neon, Osklen e André Lima. A marca trabalha fortemente na consolidação de seu novo posicionamento, que é levar fórmulas top com qualidade profissional e com preços acessíveis, e atendeu cerca de 60 convidados por dia, que tiveram a oportunidade de fazer um diagnóstico completo dos fios e couro cabeludo, além de ganhar um tratamento com a nova linha Cocriadores, inspirada nos maiores experts em cabelos do mundo.

A 14ª edição da SPFW contou ainda com os parceiros Oi, BB Estilo, TAM, Iguatemi, Melissa, C&A, Coca-Cola, Santana Textilles, Fiat, HP, AMD, Rexona, AOC, Marles, Dalutex, Kalimo, Inmod, Ministério do Turismo, Prefeitura de São Paulo, Spturis, Abest, Texbrasil, Abit e Apex.

Loucos por futebol

Fonte: Revista Marketing
Por Daniel Milani Dotoli
Publicado dia 01 de fevereiro de 2010

mascoteComparando as últimas edições dos dois principais eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo da Alemanha, realizada em 2006, teve uma audiência acumulada de 26 bilhões de pessoas, número quase cinco vezes maior do que os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, que não chegou a 6 bilhões de telespectadores em todo o mundo. Os valores que movimentam o maior torneio esportivo do planeta são tão grandiosos quanto. Em 2006, o Mundial injetou US$ 12 bilhões na economia da Alemanha. Só os turistas gastaram cerca de 800 milhões de euros durante os dias da realização do evento. Aliás, a Alemanha teve, em 2006, um aumento de 19,3% no fluxo de turistas. As companhias aéreas apresentaram um crescimento de 52%; setores hoteleiro e alimentício, 25%; e a publicidade, 18%. Já a Fifa embolsou US$ 1,7 bilhão só com a venda dos direitos televisivo, e seu site teve 4,2 bilhões de acessos durante os 31 dias do Mundial. Para a África do Sul estão previstos US$ 3,1 bilhões em faturamento com patrocínio e direitos de transmissão.

E o turismo deve injetar US$ 1,6 bilhão na economia local, no evento que se inicia no próximo dia 11 de junho e tem sua final marcada para 11 de julho.

Quanto ao Brasil, o mercado publicitário e promocional, castigado pela crise econômica em 2009, esfrega as mãos pelas oportunidades que irão surgir. Se a última Copa já foi responsável por um incremento de R$ 3,5 bilhões para o setor, essa promete ainda mais. até porque é um grande aquecimento para o Mundial de 2014, que será realizado aqui.

Parte dessa verba será desembolsada pelas empresas que possuem o direito de usar a marca da Fifa e da Copa do Mundo em todas as suas ações mercadológicas. São os chamados Fifa Partners – Adidas, Coca-Cola, Emirates, Hyundai/Kia Motors, Sony e Visa. Para conquistar esse direito, por exemplo, a Coca-Cola renovou seu contrato com a Fifa para o período entre 2007 e 2014 (englobando duas Copas) por cerca de US$ 500 milhões, pois a Copa do Mundo da África do Sul é extremamente importante para a Coca-Cola Brasil, não só pela ligação do brasileiro com o torneio, mas também por causa da próxima edição do Mundial. “Estamos tratando o evento como a abertura de um grande ciclo de atividades que se estende até a Copa do Mundo de 2014. Por ser um dos mercados mais importantes para a Coca-Cola no mundo, ser o país do futebol e sede do próximo Mundial, o Brasil é considerado a bola da vez”, afirma Luciana Feres, diretora de marketing da Coca-Cola Brasil. Tanto é a bola da vez que dois dos filmes globais da companhia de bebidas com relação à Copa do Mundo foram gravados aqui. Um deles faz parte da campanha “Comemore do seu jeito”, que convida as pessoas a expressar a sua felicidade com a comemoração espontânea do gol. Gravado no estádio Engenhão, no Rio de Janeiro, tem como protagonista um dos grandes craques da Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália: o camaronês Roger Milla, que comandou a melhor seleção africana da história das Copas e que comemorou seus gols naquele Mundial de forma irreverente. “Também está no ar a campanha sobre a passagem pelo Brasil do ‘Tour da Taça da Copa do Mundo Fifa por Coca-Cola’, que percorre 86 países e é uma propriedade exclusiva da parceria entre Coca-Cola e Fifa. Entre 6 e 9 de fevereiro, a taça estará no Brasil. Teremos dois grandes eventos, no Rio e em São Paulo, que receberão 40 mil pessoas, com conteúdo sobre Copas do Mundo, uma área de entretenimento e o momento especial para o visitante tirar uma foto ao lado da autêntica Taça da Copa do Mundo, entregue ao país campeão. Para distribuir os convites para esses eventos nas duas cidades, lançamos promoções com Mc Donald’s, Cinemark e Walmart”, ressalta Luciana.

“Estamos tratando o evento como a abertura de um grande ciclo de atividades que se estende até a Copa do Mundo de 2014. Por ser um dos mercados mais importantes para a Coca-Cola no mundo, ser o país do futebol e sede do próximo Mundial, o Brasil é considerado a bola da vez”

Outro ponto que mostra que a escolha do Brasil para ser sede do Mundial de 2014 impacta nos investimentos da companhia é que, segundo a executiva, o investimento em marketing no Brasil já para a Copa do Mundo de 2010 será mais que o dobro do que foi aplicado na Copa da Alemanha, em 2006. E até a Copa de 2014 a equipe de marketing da empresa será dobrada. “Os investimentos para o período de 2010 a 2014 somarão R$ 11 bilhões, contra R$ 6 bilhões investidos de 2005 a 2009”, diz, lembrando da ligação da Coca com a Copa do Mundo. “Estamos presentes em todas as edições do evento desde 1950 e somos parceiros oficiais da Fifa desde a década de 70. Temos orgulho de, ao longo de todos esses anos, participarmos dessas histórias inesquecíveis com campanhas publicitárias e ações de marketing que marcam gerações”, completa.

A bola da vez

Outra parceira histórica da Fifa, a Adidas é a fornecedora da bola oficial da Copa desde 1970. Este ano é a vez da Jabulani, que significa celebração em Bantu isiZulu, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul. A bola, por sinal, está exposta no Museu do Futebol, que fica anexo ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, junto com as outras 10 bolas da marca que ficaram na história das Copas: Tesltar (70), Tesltar Durlast (74), Tango Rosario (78), Tango España (82), Azteca (86), Etrusco Único (90), Questra (94), Tricolore (98), Fevernova (02) e Teamgeist e Teamgeist Gold (ambas em 2006, sendo que a última foi usada apenas na final entre Itália e França, que deu o tetracampeonato mundial para a seleção italiana).

Paulo Ziliotto, gerente de comunicação da Adidas Brasil, afirma que a Copa do Mundo é uma oportunidade de negócios muito especial para a marca aqui no País, pois é uma época de lançamentos de produtos inovadores e exclusivos. “É um momento muito pertinente para falar com o consumidor e ratificar nossa posição de líder mundial em futebol. Ele está totalmente ligado ao esporte e receptivo para saber sobre nossos produtos e conceitos”, diz, ressaltando que até a Copa estará na mídia no Brasil a campanha “Todo time precisa”, capitaneada pelo ex-craque francês Zinedine Zidane. Nela, o astro roda o mundo atrás de um time perfeito. Astros como o brasileiro Kaká, o argentino Messi, o togolês Adebayor e o inglês Gerrard tiveram suas imagens estilizadas em HQ, como se fossem estrelas de um filme, com o título “A Grande Busca – O Maestro” (Kaká), “O Detonador” (Messi), “O Matador” (Adebayor) e “A Potência” (Gerrard). “O fechamento dessa ação, durante a Copa do Mundo, será a maior campanha da história da Adidas em valores, número de ferramentas e alcance”, completa o executivo.

A marca exclusiva de Piva

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Suzana Barelli
Publicado em 26 de fevereiro de 2010

O empresário Otávio Piva de Albuquerque, dono da importadora Expand, descobriu o vinho no final da década de 1970. Em viagem ao Chile, ele provou um tinto da safra de 1952, o ano de seu nascimento, oferecido pelo produtor Arturo Cousiño. Logo no primeiro gole, Piva se encantou com seus aromas e não tardou para que ele passasse a importar os rótulos da vinícola Cousiño Macul para o Brasil. E foi nesta história antiga, que ele gosta de contar aos amigos, que Piva buscou inspiração para o que chama de nova fase de sua empresa.

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Depois de amargar a saída de vinhos importantes de seu portfólio, como os da italiana Marchesi di Antinori e da argentina Zuccardi, além do fim da exclusividade na importação dos rótulos da gigante chilena Concha y Toro, a Expand investe para superar a crise que a fez perder a liderança no mercado de importação de vinhos no Brasil e lança um vinho próprio, batizado de Don Arturo, elaborado no Chile.

O nome escolhido é uma clara homenagem ao primeiro produtor a apostar no sonho do então jovem Piva. No seu início, a Expand representou a Cousiño Macul no Brasil, antes de se tornar a importadora exclusiva da Concha y Toro. São três vinhos, o branco elaborado com a uva chardonnay e dois tintos, um cabernet sauvignon e um carménère, esta a uva emblemática do país andino, que acabaram de chegar ao mercado brasileiro. Cada garrafa será vendida a R$ 19,80 e marca a aposta da Expand na categoria batizada de reservado, de vinhos básicos, de pouca complexidade.

Os planos são vender 20 mil caixas de 12 garrafas até o final deste ano e mais 80 mil caixas em 2011. Somente no ano passado, os rótulos reservados das vinícolas chilenas Concha y Toro, Santa Carolina, Santa Helena e San Pedro venderam, juntos, mais de 800 mil caixas, de 12 garrafas cada uma, no Brasil. “Os reservados somam o maior volume, quase um terço do total dos vinhos chilenos que entraram no Brasil em 2009”, afirma Piva. No ano passado, o país andino liderou a importação no Brasil com cerca de 2,4 milhões de caixas de vinho.

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A estratégia de Albuquerque é comercializar uma bebida acessível, mas com qualidade maior do que a oferecida pela concorrência. “Vendemos por menos de R$ 20, um vinho que vale R$ 40”, afirma ele. Na degustação, o vinho comprova a teoria de Piva. É um bom custo-benefício. Ele aposta que o Don Arturo pode lhe trazer os mesmos dividendos do episódio conhecido como vinho da garrafa azul. Não será fácil. Na década de 1980, Piva sugeriu a um produtor do vinho branco alemão que produzisse sua bebida para o Brasil em garrafas na cor azul. Foi uma revolução. Dos cerca de 2 milhões de caixas que o País importava na época, 1,2 milhão delas eram deste vinho.

O Don Arturo foi moldado pensando no consumidor brasileiro, num modelo diferente do que Piva teve com o seu primeiro projeto de ter seu próprio vinho. Na década passada, ele se associou aos donos do grupo vinícola português Dão Sul para fazer brancos e tintos no Vale do São Francisco, no Nordeste. Dois anos atrás, os portugueses compraram a parte de Piva no negócio, num episódio que marcou o início da saída de várias vinícolas do portfolio da importadora brasileira.

Hoje, com estrutura mais enxuta – até a sede mudou, passando da nobre Vila Olímpia para um prédio no bairro de Pinheiros, em São Paulo –, Piva fala em apostar no Don Arturo e nas marcas de pequenos produtores, conhecidos como vinhos de butique, entre eles a Domaine de La Romanée-Conti, o mais badalado produtor da Borgonha, e os premiados Casanova di Neri, da Itália, e Achaval Ferrer, da Argentina.

E, ao contrário do que se pode pensar, não é a Cousiño Macul que vinifica os rótulos chilenos de Piva, mas sim o Viños e Bodegas Córpora, que pertence ao grupo Córpora, que atua na área de agroindústria e turismo (são donos dos hotéis de luxo Explora). “Os vinhos Don Arturo são produzidos na vinícola de Totihue”, informa Lídia Cortez, gerente comercial do grupo.

Nos vinhos, o grupo Córpora elabora bebidas exclusivas também para clientes nos Estados Unidos e na Alemanha e a sua parceria com a Expand é uma forma de aumentar a sua presença no Brasil – mesmo com um número menor de vinícolas, a Expand tem um cobiçado canal de distribuição, com 40 lojas pelo Brasil. Em 2007, o grupo chileno exportou 17,9 mil caixas de 12 garrafas de vinho para cá. No ano passado, foram 25,3 mil caixas. Se a aposta de Piva der certo, a Córpora também sairá ganhando.

Perdigão fica com o comando, mas marca forte é da Sadia

Fonte: Estadão
Por Raquel Landim

Alguns dias após a compra da Sadia pela Perdigão, Luiz Fernando Furlan convidou diretores e gerentes para um churrasco. Furlan era o neto favorito do fundador da Sadia, Atílio Fontana. Ao ver as rodas de conversa, brincou com Nildemar Secches, que presidia a Perdigão: “Olha só, Nildemar! Se eu tiver de apontar os meus, e você, os seus, não vamos conseguir diferenciar.”

Boa parte desses executivos veio de famílias do Oeste de Santa Catarina, uma região colonizada por italianos e alemães, onde nasceram a Sadia e a Perdigão. São pessoas que falam, agem e pensam parecido. Não é raro encontrar funcionários com mais de 20 anos de casa. Mas isso não significa que a união será fácil. “Nunca tinha trabalhado em um setor com tanta rivalidade. Fiquei chocado”, conta o CEO da Brasil Foods (BRF), José Antonio do Prado Fay, que chegou a Perdigão em 2006, quando a companhia comprou a Batavo.

Ele terá a missão de unificar as duas equipes na BRF, que surgiu da fusão entre Sadia e Perdigão, anunciada em maio do ano passado. Desde então, a consultoria McKinsey, acionistas e alguns conselheiros independentes desenham a Brasil Foods. O estudo será finalizado este mês e a BRF entra em contagem regressiva para o início das atividades. O negócio aguarda a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O Estado teve acesso ao novo organograma da BRF. Na época da venda, o negócio foi anunciado como fusão, mas, na prática, o comando ficou com a Perdigão. Das 10 vice-presidências, só duas serão ocupadas por profissionais da Sadia: mercado interno e food service (fornecimento para prestadores de serviços, como hotéis e restaurantes). Outras duas vagas estão disponíveis. As seis vice-presidências restantes ficaram com a Perdigão.

As áreas da Perdigão são estratégicas, como finanças, fusões e aquisições e operações e tecnologia. Abaixo das vice-presidências estão 42 diretorias. Nesse nível, a distribuição entre Sadia e Perdigão é mais harmoniosa. Segundo Secches e Furlan, o desequilíbrio no topo ocorreu porque a Sadia vem perdendo executivos desde que revelou prejuízos bilionários com derivativos financeiros, em setembro de 2008.

Gilberto Xandó, que comandava a exportação, pediu demissão pouco antes da união com a Perdigão. José Luis Salazar ? trazido da Oi para salvar as finanças depois da crise dos derivativos ? também deixou a empresa. Além disso, a demora do Cade em julgar o caso aumentou a insegurança entre muitos executivos, que saíram quando assediados pela concorrência. Alguns diretores da Sadia foram para o frigorífico Marfrig.

Isso não significa, no entanto, que as qualidades que fizeram da Sadia a líder de mercado serão deixadas para trás. “Não tem equipe vitoriosa ou equipe derrotada”, garantiu Secches, que hoje divide com Furlan a presidência do conselho de administração da BRF. “Societariamente foi uma aquisição, mas do ponto de vista de operação, estamos fazendo uma fusão”, disse Fay.

O objetivo do estudo da McKinsey é identificar os melhores processos de Sadia e Perdigão e trazer novas ideias de fora. A governança da BRF terá a marca da Perdigão: rígido controle de custos, gestão de risco conservadora e transparência. A empresa também pretende manter o excelente retorno que a Perdigão dava aos acionistas.

Em agropecuária e produção, as duas empresas eram igualmente boas. Em pesquisa e tecnologia, o foco da Perdigão é reduzir custos, enquanto a Sadia é especialista em inovação. A BRF vai misturar os dois.

A herança da Sadia para a BRF é a atuação no mercado interno, porque seus processos (posicionamento de marca, precificação do produto, marketing) foram considerados melhores. “O acidente de percurso da Sadia não tinha nada a ver com o produto. As vendas cresceram, os produtos seguiram líderes, e os lançamentos continuaram. Graças a Deus, isso está sendo preservado”, disse Furlan.

O consumidor não deve notar as mudanças. A Sadia manterá um mix de produtos que permite um preço médio mais alto, como já é hoje. A estratégia da BRF é deixar as forças de vendas das marcas separadas. “Não vamos reduzir um vendedor. O custo de vender não é o mais alto. A questão é a entrega”, disse Fay.

Os ganhos de sinergia foram estimados entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. Segundo os executivos, algumas fábricas devem se especializar em determinados produtos, mas não estão previstas demissões. Na área administrativa, os cortes devem ser pequenos, porque a Sadia fez um enxugamento na crise. Juntas, as empresas geram 110 mil vagas, um dos maiores empregadores do País.

Dívida. Os executivos garantem que a situação financeira da BRF é saudável, apesar dos pesados passivos herdados da Sadia. Em junho passado, a BRF lançou ações e captou R$ 5,2 bilhões, boa parte repassada à Sadia. A nova companhia também emitiu US$ 750 milhões em bônus para alongar e melhorar o perfil da sua dívida.

Se receber o sinal verde do Cade, a BRF vai elaborar até dezembro seus planos de investimento para os próximos cinco anos. As projeções iniciais apontam para um crescimento de 10% ao ano, mais voltado para o mercado internacional. No mercado doméstico, a empresa está presente em quase todas as categorias de produtos refrigerados (como embutidos ou iogurtes), com exceção de sorvete. E não tem interesse de entrar em massas e biscoitos. A carne bovina também é considerada um negócio estranho para a companhia.

Em contrapartida, o mercado internacional é um desafio. A BRF já é uma das maiores exportadoras do País, mas principalmente de carne de frango e suína, in natura ou resfriada, que é considerada uma commodity. Com a musculatura financeira e produtiva que ganhou, a Brasil Foods pretende se internacionalizar e conquistar mercados com suas marcas.

As prioridades são Estados Unidos e Ásia. Aquisições de fábricas e marcas estão no radar, principalmente nos EUA, já que barreiras comerciais disfarçadas de sanitárias dificultam a entrada do produto brasileiro. Antes da Sadia, a Perdigão chegou a avaliar a americana Pilgrim”s Pride, que foi comprada pela JBS.

A marca Sadia foi escolhida para liderar o esforço internacional, porque já é bem conhecida na Rússia e no Oriente Médio, onde alcança a liderança em alguns produtos. Sob o comando da Perdigão, a Sadia deve chegar a cada vez mais consumidores ao redor do globo.

Insinuante e Ricardo Eletro juntas

Fonte: Meio e Mensagem
Publicada em 29 de Março de 2010

As redes estão se unindo para gerar uma operação capaz de concorrer com as Casas Bahia/Grupo Pão de
Açúcar: a Máquina de Vendas. Com um faturamento anual aproximado de R$ 5 bilhões, supera o Magazine
Luiza

A rede Insinuante, nascida na Bahia, e a Ricardo Eletro, de origem mineira, anunciaram nesta segunda-feira, 29, a união de suas operações, configurando assim mais uma gigante do varejo. A holding que surge desse acordo se chama Máquina de Vendas. O negócio surge quase quatro meses depois do acordo feito entre o Grupo de Pão de Açúcar e as Casas Bahia.

A nova empresa soma 528 lojas presentes em 17 estados. O faturamento anual é de aproximadamente R$ 5 bilhões, como é informado no comunicado oficial da operação. Com isso, a companhia supera o Magazine Luiza, que, com R$ 3,8 bilhões, passaria ao terceiro lugar no setor. 

As redes detêm 50% do novo negócio, cada uma. A meta da holding para daqui a quatro anos é chegar a mil lojas e atingir um faturamento de R$ 10 bilhões. O número de funcionários deve dobrar, segundo o comunicado: de 15 mil funcionários para 30 mil.

No Norte e Nordeste, prevalecerá a bandeira Insinuante. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a bandeira trabalhada será a Ricardo Eletro. O plano da nova empresa é abrir mais 50 lojas neste ano. As empresas prosseguirão com suas agências de publicidade: a ProBrasil segue atendendo à Ricardo Eletro, enquanto a Propeg continuará com a conta da Insinuante. A verba de marketing para 2010 será de R$ 250 milhões, mesmo valor que as duas, separadas, investiram em 2009.

O comando da companhia deve ficar com Ricardo Nunes, da presidente e fundador Ricardo Eletro. Luís Carlos Batista, presidente da Insinuante, ficaria no conselho de administração da nova empresa.

Conforme o ranking Agências & Anunciantes 2009, publicado por Meio & Mensagem, a Insinuante ocupa a 15ª posição, com investimentos em mídia de R$ 149 milhões (valor com desconto). Sua conta é atendida pela Propeg. Já a rede Ricardo Eletro, cuja agência é a Pro Brasil, investiu R$ 98,1 milhões, ficando no 30º lugar. Esses números são relativos a 2008.

Na sexta-feira 26, outra notícia do setor causou impacto no mercado: o Ponto Frio, rede que foi adquirida pelo Pão de Açúcar em 2009 – e que faz parte da nova empresa formada em dezembro a partir do acordo com as Casas Bahia -, anunciou que sua conta publicitária ficará com a Y&R.

O círculo virtuoso dos negócios de sucesso

Fonte: Época Negócios
Por Carlos Gottschalk

sucesso negociosHá quatro pontos-chave comuns às empresas que conseguem alcançar e manter o sucesso de seus negócios de maneira virtuosa e sustentável, estando recorrentemente na lista de preferências do consumidor em determinada categoria.

- Entender o consumidor Entender o comportamento do consumidor e suas atitudes em relação à determinada categoria de um produto é o primeiro passo para companhias que almejam posição de destaque em seus mercados. Sem conhecer as expectativas do cliente, dificilmente a empresa conseguirá criar ideias que sejam capazes de atender às suas necessidades.

- Desenvolver “claims” de superioridade do produto
Claim significa promessa, afirmação. A empresa precisa definir claims que ajudem a garantir a superioridade de seu produto naquilo que é mais relevante para o consumidor. Ou seja, precisa ter afirmações claras quanto às características e diferencias de seu produto nas questões que o consumidor julga fundamentais. Os claims podem ser de natureza competitiva como também dirigidos a desenvolver a categoria ou o consumo na categoria. Por exemplo, se a usuária de um xampu acredita que ter um produto que deixe os cabelos mais lisos é o mais importante, aquele fabricante precisa ter claims que digam que o xampu X é o que garante o cabelo mais liso entre todos os concorrentes do mercado. Outro exemplo aconteceu no mercado de enxaguatórios bucais, em que os claims prometeram uma forma fácil de tornar a boca mais limpa e saudável. O crescimento desse mercado após a execução desses claims foi notório.

- Buscar sustentabilidade para os “claims”
A empresa precisa ter uma sequencia de inovações que a protejam de novas ofertas da concorrência para conquistar seus consumidores. O investimento dirigido à inovação e renovação dos claims garante sustentabilidade e blindagem contra as novidades dos competidores.

- Ter uma comunicação eficiente criativa
Esse ponto é de extrema importância e traz diversos desdobramentos na estratégia corporativa. No briefing inicial de qualquer campanha de comunicação, é preciso definir quais serão os objetivos da propaganda (o que se espera dela, desenvolvimento da categoria, reforço da marca?) e a estratégia da propaganda propriamente dita.

Na estratégia de comunicação, é fundamental definir quatro pontos:

Qual o público-alvo
Quanto mais focado, melhor para o sucesso da propaganda.

Qual o benefício básico do produto
Na definição do benefício básico, deve-se responder a pergunta “Por que o consumidor vai escolher o meu produto?”

Quais são as razões que sustentam o benefício básico, “reason why”

Qual o tom da propaganda e o caráter que se pretende dar para a marca e/ou usuário da marca

A estratégia precisa estabelecer, entre esses quatro pontos, onde estará o foco da comunicação, uma vez que há muitos elementos e a comunicação eficiente é aquela focada em uma ideia principal. O mais importante é o benefício básico? Ou deve-se dar foco ao “reason why” ou ao tom da comunicação? É muito importante consultar as atitudes e comportamentos do consumidor, pensar bem nos objetivos e na estratégia da propaganda, pois muitas vezes o caminho do sucesso não é aparente. A comunicação é tão boa quanto é a sua estratégia. O desafio exige planejamento, dedicação e muito trabalho (muitas vezes com a ajuda de parceiros ou pessoas que enxerguem o empreendimento com algum distanciamento), mas o resultado é, sem dúvida nenhuma, compensador.

*Carlos Gottschalk, ex-presidente da Johnson & Johnson no Brasil, é sócio da CFN Consultoria (www.cfnconsultoria.com.br).

Copa 2010: marcas buscam a jogada de Marketing perfeita

Fonte:  Mundo do Marketing
Por Thiago Terra

Gillette, Netshoes e Claro investem em promoções relacionadas ao maior evento esportivo do ano

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Dez entre 10 pessoas vão citar a Copa do Mundo como o grande evento esportivo do ano. Mas nem todas as marcas possuem a verba necessária para se associar a este torneio. Sendo assim, resta às empresas buscarem outras formas de conquistar o consumidor com uma jogada de Marketing desconcertante que faça a concorrência tremer e o comprador lembrar-se dela como um golaço na final.

A Gillette fez isso. Ao patrocinar a Seleção Brasileira, automaticamente a marca será vista por todo o mundo. Desta forma, é possível comunicar-se com o consumidor de forma emocional, e é o que a Gillette vem fazendo há mais de 100 anos ao investir em Marketing esportivo.

Porém, além de não poder patrocinar o evento, diversas marcas também não têm cacife para patrocinar a seleção. Por isso, muitas recorrem ao Marketing de guerrilha ou a ações que remetem ao futebol. É o caso da Netshoes. O site oferece uma promoção que levará seus e-consumidores para a África do Sul.

Táticas e estratégias…de Marketing

ronaldo_netshoesOutra empresa que percebeu a oportunidade foi a Claro. A operadora criou um quiz mobile com o objetivo de agregar valor aos seus serviços e gerar entretenimento para os assinantes usando mecânicas inovadoras e interativas. “Trata-se de mais um serviço diferenciado e relevante que auxilia na construção de um relacionamento sólido com os nossos clientes”, diz João Victor Martins, Gerente de conteúdos da Claro, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A Netshoes também percebeu a oportunidade de pegar uma carona com o futebol com o objetivo de aumentar suas vendas. Ao criar uma promoção que levará internautas para o país sede da Copa do Mundo mediante a compra de camisas do Brasil, o site projeta um crescimento nas vendas de até 30% durante o período da ação. “Não podemos levar ninguém para a Copa, e sim para a África do Sul. Devido a importância da seleção para o brasileiros, fizemos esta promoção. Esperamos que essa ação inicie um cenário bom para os próximos quatro anos”, conta Ronaldo Cunha (foto), Diretor de Marketing da Netshoes, ao site.

Já a Gillette investe em Marketing esportivo desde 1900. Em maio de 2009, a marca da Procter & Gamble iniciou o patrocínio ao time de futebol do Brasil. A duração do contrato é de 14 meses – termina após a Copa do Mundo 2010 – e até lá a empresa já tem planos definidos. “Estamos planejando eventos, promoções e até mesmo lançamento de produto antes do fim do contrato”, afirma Poliana Sousa, Gerente de marketing da Gillette.

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Mobile entra no time de Marketing
Além de aumentar as vendas, outro golaço das marcas que investem no futebol neste período são os benefícios que podem ser percebidos ao estar associado a um evento deste porte. Além de toda a visibilidade gerada e a exposição da marca em todos os meios de comunicação, a Gillette sabe que estará mais perto dos brasileiros. “A Seleção Brasileira é referência em todo o mundo quando o assunto é futebol, por isso, para a marca, isto significa apoiar uma das mais autênticas manifestações da cultura popular brasileira”, ressalta Poliana.

Apesar de ainda serem pouco exploradas no Brasil, as ações mobile são uma boa opção para um bom relacionamento entre empresa e cliente. De forma distinta, a Claro atinge usuários de perfis diferentes com um quiz sobre futebol que dará como prêmio uma viagem para a África do Sul com ingressos para os três primeiros jogos do Brasil na primeira fase do torneio.

Segundo Martins, da Claro, as ações mobile têm sido exploradas e a operadora sempre busca parcerias como nesta ação, onde a empresa se aliou a Sony Music e a Day 1. “Este tipo de ação tem grande adesão e aceitação entre nossos usuários”, aponta.

copa_claudinei_espmGol contra
Porém, existe a possibilidade de uma empresa levar a pior em uma dividida de bola com a FIFA caso ela não seja patrocinadora do evento e cite em suas peças a marca oficial da Copa do Mundo de Futebol. É preciso tomar cuidado porque as promoções são da FIFA e não podem usar o nome de acordo com a lei. “Ações relacionadas à seleção, por exemplo, podem ser feitas. Há uma série de ações possíveis, como levar o consumidor para o país da Copa”, explica o coordenador do Núcleo de Estudo em Negócios do Esporte da ESPM, Claudinei Santos (foto), em entrevista ao site.

Cada vez mais o Marketing das empresas tem investido em eventos de modo geral. Estes, sem dúvida, são bons momentos para divulgar um produto ou até mesmo uma marca. Desta forma, patrocinar a seleção brasileira, um dos jogadores, ou um grupo deles, é uma ação indireta e vantajosa porque expõe a marca ao mundo de qualquer maneira. Outra maneira de ser lembrada em eventos mundiais sem gastar muito – ou quase nada – é usar o Marketing de guerrilha.

Esta é a estratégia preferida para pequenas e grandes empresas que querem se associar ao evento de alguma forma. “É praticado, mas não é de boa qualidade e está sujeito a restrições. Não recomendo, mas muita gente fará isso”, afirma Claudinei Santos. Já o retorno para uma marca patrocinadora oficial é muito grande e gera uma exposição que nenhuma campanha de TV jamais conseguiria. “É para marcas globais”, completa Santos.