Nestlé assume Nestea no Brasil

Fonte: Mundo do Marketing

A Nestlé passa a ser responsável pela comercialização e distribuição do Nestea no Brasil, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica determinar a saída da Coca-Cola da joint venture que tinha com a companhia suíça, em virtude da compra da Leão Junior. Lançada em 2002 no Brasil, a marca de chás gelados é líder em países da Europa e nos Estados Unidos. Aqui, o produto ganhará novas embalagens estampando o nome Nestlé em sua linha.

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Notícia Complementar

Nestlé venderá produtos no estádio do São Paulo

Fonte: Mundo do Marketing

A Nestlé fecha parceria com o São Paulo Futebol Clube. Com a iniciativa, a empresa será responsável por toda a venda ambulante dentro do estádio Cícero Pompeu de Toledo, além de contar com um camarote corporativo no local e exposição da marca Nescau no campo e nos Centros de Treinamento. A marca também participará da modernização do Morumbi, estádio que sediará os jogos da Copa de 2014.

A força da Hyundai

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Amauri Segalla e Tom Cardoso

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O médico paraibano Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono do grupo Caoa, representante da Hyundai no Brasil, não sabe articular uma frase em inglês, mas uma palavra do idioma ele consegue pronunciar com precisão britânica de tanto ouvi-la do alto comando da montadora coreana: “Splendid!” (esplêndido) foi o que Andrade ouviu mais uma vez em janeiro, ao receber em São Paulo o vice-presidente mundial da Hyundai, Chang Hwan Han. Ao colar os olhos nos números de venda do mercado brasileiro do início de 2010, em que a Hyundai já aparece em sétimo lugar no ranking das montadoras, o executivo coreano disparou novamente um rosário de elogios. De fato, os números da Hyundai no Brasil impressionam. No acumulado de 2009, a montadora vendeu 71.069 veículos por aqui, um aumento de 62% sobre 2008. Na comparação com o mercado como um todo, a performance da Hyundai foi cinco vezes melhor. O avanço garantiu uma escalada no ranking brasileiro. Além de ultrapassar Toyota e Peugeot, a marca colou no retrovisor de Honda e Renault, e já não é exagero afirmar que ela pode sonhar com a quinta posição, atrás apenas do quarteto que historicamente domina o setor no País (Fiat, Volks, GM e Ford). No mundo, os coreanos também foram velozes. O forte crescimento, principalmente no mercado americano, fez com que a montadora coreana superasse pela primeira vez a Ford. Resultado: a Hyundai já é a quarta maior fabricante de automóveis do planeta, atrás de Toyota, GM e Volkswagen. “Vamos chegar a 10% do mercado brasileiro em três anos. Pode escrever aí”, diz, confiante, Andrade. Hoje, a empresa tem pouco mais de 3%. A participação é pequena, mas, levando-se em conta a velocidade de expansão da marca no Brasil, não é de espantar que, em breve, ela realmente incomode as gigantes do setor. “A Hyundai deixou de ser uma preocupação distante para se tornar uma ameaça real para as quatro líderes do mercado”, diz Stephan Kees, diretor da Roland Berger no Brasil.

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O que explica a ascensão de uma montadora que há pouco mais de uma década nem sequer figurava entre as dez primeiras do ranking mundial de automóveis? Poucas empresas do mundo conseguiram dar uma guinada tão veloz em sua imagem quanto a Hyundai. Durante muitos anos, os carros coreanos foram motivo de piada. Cópias malfeitas dos carros japoneses, eram feios e, pior ainda, pouco confiáveis. Alguém se lembra do Excel, que chegou a ser vendido por aqui nos anos 90? O modelo, de tão ruim, simplesmente desapareceu do mercado. O Atos Prime, outro lançamento daquele período, virou sinônimo de mico. No Brasil, a Hyundai iniciou sua escalada de vendas em 2005, quando o grupo Caoa decidiu apostar na vinda do Tucson, importado da Coreia, para competir com outros utilitários esportivos. O Tucson ganhou espaço rapidamente ao desbancar veículos do mesmo nível tecnológico – caso do Honda CR-V -, mas que possuíam preços maiores. O modelo básico do Tucson custa em torno de R$ 68 mil, menos do que os R$ 88 mil cobrados pelos CR-V O sucesso da Hyundai se repetiu com o sedã de luxo Azera e mais recentemente com o hatch i-30. Em todos os casos, a Hyundai conseguiu conquistar o consumidor valendo-se da irresistível combinação preço-qualidade. O Azera custa em torno de R$ 90 mil e seu principal concorrente, o Ford Fusion, sai por R$ 100 mil. Já o i-30 (na faixa de R$ 60 mil) leva vantagem por oferecer a maior lista de equipamentos de série, como airbag frontal e lateral e freios ABS, algo que os modelos da concorrência, como Astra e Golf, oferecem apenas como opcionais (leia-se custo excedente). “Nos últimos anos, a Hyundai tem quebrado paradigmas, aumentando os programas de garantia, reforçando sua rede de concessionárias e lançando produtos de qualidade com preços atrativos”, afirma Corrado Capellano, sócio da consultoria Creating Value.

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Como a Hyundai conseguiu o milagre de oferecer carros de qualidade a preços semelhantes ou às vezes inferiores aos dos rivais? Em primeiro lugar, é preciso entender o próprio modelo desenvolvido na última década pela montadora. No final dos anos 90, Chung Mong-Koo, filho do fundador, assumiu a empresa e tomou uma decisão de imediato: trocou todos os diretores, na sua maioria formados por administradores de empresas ou contadores (como é tradição na Coreia do Sul), por engenheiros de formação. Ou seja, gente que acima de tudo entende de carro. Um diagnóstico feito por ele mostrou que apenas 100 profissionais eram responsáveis por todo o controle de qualidade da companhia. Em apenas um ano, ele ampliou por dez esse número, para um total de mil funcionários. Mong-Koo fez isso porque sabia que a qualidade era o ponto fraco da companhia. O tema se tornou uma espécie de obsessão dentro da empresa. Em 2005, a Hyundai atrasou em seis meses o lançamento do sedã Sonata. O motivo: o Sonata não apresentava índices satisfatórios de segurança. Antes desse episódio, seria impensável para a empresa adiar um lançamento porque estava receosa quanto à qualidade do veículo.

Na virada do século passado, Mongkoo transmitiu uma determinação a seus subordinados. Era a hora de introduzir em suas plantas industriais o modelo de gestão da japonesa Toyota, uma espécie de benchmark do setor. O chamado Sistema Toyota de Produção consiste numa cadeia de suprimentos enxuta e altamente terceirizada, que prevê a eliminação dos estoques e a busca permanente pela agilização do processo produtivo. Isso só é possível com a eficiência logística. Nesse aspecto, a Hyundai levou ao extremo o conceito de just-in-time. A unidade da Hyundai em Ulsan, na Coreia do Sul, maior complexo industrial do mundo, está instalada ao lado de um porto. Depois de prontos, os carros passam pela inspeção e seguem para o pátio que dá acesso ao porto. Detalhe: o trajeto não dura mais do que três minutos. De lá, os automóveis partem para os mais diferentes pontos no mundo, processo tão eficiente que reduz de forma significativa os custos logísticos da empresa, tornando- os os mais baixos de toda a indústria automobilística. “Hoje, a Huyndai está entre as montadoras que possuem os métodos produtivos mais eficientes”, diz o consultor Stephan Keese.

A agilidade produtiva e a eficiência logística são apenas alguns aspectos que contribuem para os preços menores dos carros da Hyundai. À exceção dos Estados Unidos, suas fábricas estão localizadas em países emergentes (além da própria Coreia do Sul, China, Índia, Turquia e Brasil), que têm custos de produção inferiores aos de nações desenvolvidas. As despesas com mão de obra da fábrica de Ulsan, na Coreia do Sul, são 30% mais baixas que as da Toyota no Japão. Resolvido o problema da qualidade e com os preços baixos a seu favor, faltava à Hyundai contornar uma de suas maiores fragilidades: o design. Há uma década, a empresa passou a contratar os estúdios de design italianos, reconhecidamente os melhores do mundo, para desenvolver carros sob encomenda. A empresa também abriu um centro de desenvolvimento de design em Russelsheim, na Alemanha, e todos os seus carros globais passaram a ser criados ali. Um deles, o i-30, foi inteiramente concebido por desenhistas alemães.

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No Brasil, Andrade adotou uma série de iniciativas que, associadas ao modelo global da Hyundai, levaram a montadora coreana a reduzir sua distância para os concorrentes. A Hyundai foi a primeira montadora a oferecer um programa de garantia de cinco anos, muito acima dos 12 meses tradicionais. Embora de início pareça uma desvantagem, representa uma fonte importante de receitas para o grupo. É fácil de entender. Só tem direito à garantia quem fizer religiosamente todas as revisões definidas pela montadora, que acontecem a cada dez mil quilômetros. Essas revisões custam caro (no Tucson, em torno de R$ 1,5 mil, valor que sobe à medida que os carros envelhecem). No fundo, são os clientes que pagam pela revisão estendida. Andrade é dono de 63 das 163 concessionárias Hyundai no Brasil e fatura alto também com os serviços. A montadora coreana fechou 2009 com R$ 7,8 bilhões de faturamento, o que dá uma média de R$ 100 mil por carro vendido. Como os veículos da Hyundai custam em média R$ 70 mil, os serviços acabam tendo peso decisivo nas receitas do grupo. Ao lucrar com isso, ele compensa os ganhos menores gerados por sua política agressiva de preços baixos – é algo como “eu perco aqui, mas ganho ali”.

Refestelado em uma confortável poltrona na sala de sua casa, Andrade acompanha em tempo real os dados fornecidos pela Bloomberg a respeito da cotação das principais moedas do mundo. Ele usa os dados a seu favor. Durante a crise mundial, iniciada no fim de 2008, o iene, a moeda japonesa, se valorizou fortemente perante o dólar, enquanto o won, a moeda coreana, deteriorou- se. “Com isso, eu passei a importar carros com preços ainda mais atrativos que os da Honda, por exemplo”, diz Andrade. “O Tucson, que eu comercializava entre R$ 70 a R$ 80 mil, hoje é vendido com preço 20% menor”, afirma Andrade. Assim que uma determinada cotação o favorece, ele aumenta os pedidos de carros à matriz. Algumas regras impostas por ele nos negócios da Hyundai no Brasil contrariam práticas tradicionais no mercado brasileiro. Quem quiser abrir uma concessionária Hyundai no Brasil precisa comprar antes todos os carros que estarão à venda nas lojas. Com isso, Andrade antecipa receitas que, nos concorrentes, só são geradas com a venda efetiva dos carros. Ele diz que também consegue oferecer preços mais baixos porque conta com uma estrutura extremamente enxuta. O grupo Caoa é administrado por apenas seis diretores, algo como a metade de outras empresas do setor. “Sou centralizador mesmo”, diz Andrade. “Isso diminui a burocracia e torna a operação mais racional.”

No Brasil, os investimentos estão sendo intensificados. A matriz desembolsou US$ 700 milhões para começar, em maio, as obras da fábrica em Piracicaba, no interior de São Paulo, que a partir de 2012 terá capacidade para produzir 150 mil veículos, entre eles um novo carro desenvolvido especialmente para o mercado brasileiro. A Hyundai, que no Brasil se caracterizou por comercializar carros mais caros, irá fabricar por aqui modelos populares, com motor 1.0 e 1.6. Com isso, entrará de vez na briga por consumidores de classe média, faixa de renda amplamente dominada por Volkswagen, Fiat, GM e Ford. Se o novo carro repetir o histórico de sucesso de outros carros da marca no País, o Brasil tem grandes chances de ultrapassar a China e se tornar o terceiro mercado mundial da Hyundai, atrás apenas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Pelo contrato de Andrade com a Hyundai, que vai até 2028, sua fábrica em Anápolis, em Goiás, ficará responsável por todos os carros 2.0 e acima dessa cilindrada, enquanto a nova fábrica produzirá as versões mais populares. Oliveira garante que o carro produzido especialmente para o mercado brasileiro, já pronto na Coreia, também vencerá a concorrência pelo mesmo motivo pelo qual carros como Tucson, Azera e i-30 bateram em vendas seus principais concorrentes. “Será um carro com tecnologia de ponta, que terá um custo-benefício muito maior.” Com ações como essas, Andrade espera ouvir muitas vezes a palavra “splendid” de seus chefes na Coreia.

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General Motors vai encerrar a marca de utilitários Hummer

Fonte: G1

GM2A General Motors anunciou nesta quarta-feira (24), em Detroit (EUA), que a venda da marca Hummer ao grupo chinês Sichuan Tengzhong Heavy Industrial Machines Co. Ltd não pôde ser finalizada. O motivo não foi divulgado, mas a GM confirma que irá encerrar as operações da marca.

De acordo com a montadora, 3 mil funcionários serão demitidos. No entanto, a empresa destaca que alguns destes funcionários trabalham com outras marcas, o que deve minimizar o impacto real sobre o emprego.

A Hummer, que já foi fonte de lucro para a companhia norte-americana e ganhou grande destaque na guerra do Iraque, tornou-se um peso após o aumento dos preços dos combustíveis no país. Assim, a demanda por seus veículos utilitários de alto consumo de gasolina caíram drasticamente.

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“Nós consideramos uma série de possibilidades para Hummer durante esse percurso e estamos desapontados que a negociação com Tengzhong não pôde ser completada”, afirmou  o vice-presidente de planejamento corporativo e alianças da GM, John Smith.

A partir de agora, a GM vai diminuir gradativamente as atividades de Hummer, mas continuará oferecendo serviços de suporte e peças de reposição para os proprietários.

A top model de vinil

Fonte: Época Negócios
Por Ivan Padilla

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Se fosse de carne e osso, com as mesmas proporções, a boneca Barbie seria uma mulher magra, muito magra. Com 1m68 de altura, teria 73,6 centímetros de quadril, 50,8 de cintura e 68,5 de busto. Para efeito de comparação, a cantora britânica Victoria Beckham, célebre pelas medidas anoréxicas, tem a mesma altura, porém com oito centímetros a mais de cintura. Pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália apontam que a chance de alguém exibir essas diminutas curvas é de uma em 100 mil. Outro estudo, do Hospital Central da Universidade de Helsinque, na Finlândia, revela que uma mulher com esse corpo não chegaria a ter 17% de gordura corporal, taxa mínima para menstruar regularmente.

Nas lojas de brinquedo, a Barbie de vinil, com 29 centímetros de altura e 8,9 de cintura, já chegou a exibir alguns milímetros a mais de busto e outros a menos no quadril. As alterações foram feitas devido às críticas ao padrão irreal de beleza propagada – mas foram em vão. A boneca nasceu em 1959, época em que a mulher começava a se emancipar. Apenas quatro anos depois, Betty Friedan publicaria Mística Feminina, um marco do feminismo. Para sua época, a Barbie foi uma revolucionária. Nasceu linda, esbelta, emancipada, sem filhos, com tempo para investir na carreira, mas não para cuidar da casa – em resumo, o oposto do estereótipo da dona de casa americana do pós-guerra.

A Barbie foi a primeira boneca a ter feições de mulher e usar maquiagem. Nesses 50 anos, representou as aspirações femininas. Foi astronauta antes da chegada do homem à Lua, cirurgiã quando poucas mulheres ainda manuseavam o bisturi e candidata a presidente dos Estados Unidos – esta, uma conquista ainda inédita. Andou de Ferrari, desfilou com vestidos de estilistas como Versace e, recentemente, ganhou botas feitas pelo famoso designer de sapatos Christian Louboutin. De tão independente, chegou a se separar. No enredo criado pela fabricante Mattel, Barbie e Ken se conheceram em um set de filmagem e começaram a namorar em 1961. Como ele relutava em se casar e ela tinha cada vez mais compromissos, romperam em 2004. Hoje, são bons amigos.

A CADA 3 SEGUNDOS 1 BARBIE É VENDIDA NO MUNDO.
MAS EM 2008 O LUCRO DA MATTEL CAIU 37%

A Barbie foi também a primeira top model. A musa do final dos anos 50 era a curvilínea Marilyn Monroe. Nos anos seguintes, a magreza e a altura se consagrariam como atributos de beleza – e tudo indica que esses padrões estejam novamente em discussão. Muitas meninas ainda sonham ser Gisele Bündchen, mas há também quem prefira ser Juliana Paes ou Scarlett Johansson, mais cheias de corpo. Está em curso um movimento de libertação da imagem feminina. Em Madri, foi proibida a participação de modelos muito magras em desfiles. Recentemente, a revista americana Glamour lançou um catálogo com modelos com abundantes gordurinhas na cintura. Um anúncio da Ralph Lauren, em que o excesso de retoques deixou a cintura da modelo mais estreita que sua cabeça, provocou protestos pela internet.

Nesses tempos de luta das mulheres contra a ditadura da beleza, a Barbie perde popularidade, embora mantenha ainda a fama de ser a boneca mais adorada do mundo. De acordo com a Mattel, no mundo inteiro, uma unidade sai das lojas de brinquedos para as mãos das meninas a cada três segundos. Nos últimos anos, no entanto, as vendas estagnaram ou estão em declínio. Em 2008, o saldo foi negativo, de 9% em relação ao ano anterior. No terceiro trimestre de 2009, a queda foi de 8%. Nesse mesmo período, a receita da empresa caiu 8%, e o lucro líquido ficou 3,5% menor. A Barbie responde por um quinto da receita anual da Mattel, de US$ 6,5 bilhões. Por isso, quando suas vendas caem, o balanço da empresa sente. Em 2008, o lucro de US$ 379,6 milhões da companhia foi 37% menor.

Outro termômetro da perda de apelo da Barbie é o ranking das 100 marcas mais valiosas do mundo elaborado anualmente pela consultoria americana Interbrand. Em 2001, a boneca estava na 84ª colocação, avaliada em US$ 2,037 bilhões. Em 2003, caiu para a 97ª posição, com valor de US$ 1,873 bilhão. A partir de então, saiu da lista.

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MUNDO COR-DE-ROSA
A Casa da Barbie, construída em tamanho real na praia de Malibu, na Califórnia, marca as comemorações de 50 anos da boneca; o closet abriga coleção de 50 pares de sapatos

RIVAIS MAIS ENCORPADAS

Enquanto isso, suas concorrentes ganham mercado. As bonecas Bratz, produzidas pela americana MGA, foram lançadas em junho de 2001. São quatro amigas com cara de adolescentes travessas, lábios carnudos e grandes olhos amendoados pintados com sombra. A sexualidade sugerida por suas roupas curtas e seu efeito sobre as meninas chegaram a causar preocupação na Associação Americana de Psicologia. Nos primeiros cinco anos, estima-se, foram vendidas 125 milhões de Bratz no mundo. Em 2005, as vendas atingiram US$ 750 milhões, segundo a consultoria BMO Capital Markets. Em 2006, o mercado das chamadas fashion dolls, as bonecas ligadas à moda, praticamente se dividiu: as Bratz ficaram com 40%, e a Barbie manteve seus 60%.

Mesmo com todo esse sucesso, as Bratz correm o risco de desaparecer. A MGA foi acionada pela Mattel em 2004. A alegação: o designer americano Carter Bryant era funcionário da fabricante da Barbie quando projetou as Bratz. O processo se arrastou até 2008, quando a corte americana deu ganho de causa para a Mattel. A MGA foi condenada a pagar US$ 100 milhões à concorrente e interromper as vendas da boneca. O prazo final foi o Natal de 2009. Foi um golpe duro. Somente no ano passado, as Bratz e seus acessórios renderam US$ 500 milhões à empresa, o equivalente à metade de seu faturamento. Os direitos da boneca passaram para a Mattel, mas a empresa ainda não decidiu se elas serão mantidas nas lojas.

A MGA se refez do baque e rapidamente contra-atacou. Em julho, lançou as Moxie Girlz, um meio-termo entre a Barbie e as Bratz. Elas são sensuais sem ser sexy, usam roupas muito coloridas mas não tão justas e já nasceram multiétnicas – a Barbie, originalmente loira de olhos azuis, ganhou uma versão negra somente aos 21 anos de idade, em 1980. Elas não andam em carros esportivos beberrões de gasolina, mas em modelos elétricos mais sustentáveis. Seu slogan é “Be true! Be you!” (Seja verdadeira! Seja você!).

NA REDE DE LOJAS RI HAPPY, A BARBIE RESPONDE POR 91% DAS VENDAS DE BONECAS

As Moxie Girlz foram as bonecas mais vendidas do terceiro trimestre de 2009, segundo a empresa americana de pesquisas NPD. Elas apareceram na famosa lista dos 20 presentes mais legais para o Natal do guia Toy Insider, publicado pela revista Redbook, uma referência no setor de brinquedos. A expectativa era que suas vendas gerassem, nesses cinco meses de 2009, cerca de US$ 40 milhões apenas nos Estados Unidos, número considerado alto para uma estreia. “O que é fantástico na indústria de brinquedos é que há lugar para qualquer produto, de qualquer empresa”, afirmou Isaac Larian, CEO da MGA, a Época NEGÓCIOS. “A melhor ideia sempre vencerá. As vendas iniciais mostram que as Moxie Girlz já são uma força considerável no mercado das fashion dolls.”

Outro quarteto de bonecas, as Liv, também ameaça o reinado da Barbie. Lançadas em julho, as Liv foram posicionadas pela fabricante canadense Spin Master como as “anti-Bratz”. Representam adolescentes bonitas, porém menos provocativas, usam roupas despojadas adequadas aos tempos de recessão e andam de scooter. A empresa quis reproduzir as feições de um rosto de verdade. Para desenhar os lábios foram utilizadas fotos da namorada de um dos sócios como referência. As Liv também entraram bem no mercado. As projeções de vendas até o final do ano eram de US$ 30 milhões.

Num primeiro momento, as Liv não serão vendidas no Brasil. Já as Moxie Girlz poderão ser encontradas em breve por aqui. A representante será a Estrela. Diz Aires Leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela: “As Bratz foram as primeiras fashion dolls a ter mais atitude, a demonstrar ousadia. Em sociedades mais conservadoras, como o Brasil, não fizeram tanto sucesso. Mas comeram um bom pedaço do mercado da Barbie e mostraram um caminho. As Moxie Girlz são mais dóceis que as Bratz. Tenho certeza de que cairão muito bem entre as mães e as filhas brasileiras”.

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O FUTURO DA MARCA
A primeira flagship store, ou loja de referência, da Barbie (na foto acima) foi inaugurada no ano passado em Xangai, na China. Com a queda nas vendas da boneca nos Estados Unidos, a Mattel aposta nos mercados emergentes

SUCESSO NO BRASIL

A Estrela fez história ao lançar a primeira grande rival da Barbie no Brasil. A Susi chegou ao mercado em 1966. O conceito é o mesmo: uma fashion doll com cara de adulta, que acompanha a moda e o comportamento. A mesma Estrela começou a importar a Barbie em 1982. As duas bonecas conviveram até 1985, quando a Susi foi retirada de circulação por pressão da Mattel. Quando a companhia americana abriu uma representação no Brasil, em 1997, a Susi foi relançada. A boneca brasileira foi líder de mercado até 2002, quando perdeu o posto para a americana. Na Ri Happy, a maior rede de brinquedos da América Latina, com 94 lojas em todo o Brasil, a Barbie responde por impressionantes 91% das vendas de bonecas, enquanto a Susi tem apenas 3,5%, em dados de janeiro a novembro de 2009.

Se no mundo a Barbie perde território, no Brasil reina absoluta. Por que isso acontece? Em parte, devido a um investimento agressivo da Mattel em produtos e em marketing. Há uma preocupação em refletir o mundo real da moda – um planeta, digamos, bastante volátil. A cada ano, cerca de 98% de todo o portfólio é trocado. Isso inclui de escovas e bolsas a geladeiras e carros. As novidades são divulgadas em ações como a Casa da Barbie, um caminhão itinerante que percorreu 50 municípios, em comemoração aos seus 50 anos. No interior do veículo, as crianças foram saudadas pela Barbie em um telão e encontraram réplicas dos móveis da casinha da boneca.

A CADA ANO, 98% DOS ACESSÓRIOS, DA ESCOVA AOS MÓVEIS DA CASA, SÃO RENOVADOS

“Nossa forte presença no mercado brasileiro é uma questão de investimento, de inovação. É dinheiro por trás”, afirma Isabel Patrão, gerente de marketing da linha de brinquedos para meninas da Mattel. “Fazemos pesquisas no mundo inteiro, falamos com crianças de todos os continentes. Agradar a essa meninada de hoje, com acesso a tanta informação, é tarefa árdua. Elas sabem o que querem e têm mais voz ativa em casa.” Todo esse esforço, no entanto, não surtiria efeito se a Barbie não representasse, ainda hoje, as aspirações das meninas brasileiras. “Nós, mulheres, conquistamos independência, mudamos muito e abrimos possibilidades para outros modelos femininos. Mas o ideal de prestígio para as meninas ainda é a loira de olhos azuis bem-sucedida profissionalmente”, afirma a antropóloga Mirian Goldenberg.

A Barbie nasceu sexy, mas hoje sua beleza parece inocente perto das concorrentes. Em sociedades mais conservadoras, é um trunfo. “Em questão de educação, o Brasil ainda é muito retrógrado. Enquanto os meninos podem tudo, as meninas brincam de casinha. A Barbie reproduz esse mundo. Ela é linda sem ser exageradamente sexy. É emancipada e extremamente feminina ao mesmo tempo. As mulheres mudaram muito nos últimos anos, mas as meninas continuam cor-de-rosa”, diz Mirian. E como estará a Barbie daqui a 50 anos, quando completar o centenário? Continuará rainha ou viverá apenas em lembranças? O comportamento das pré-adolescentes do futuro vai ditar os rumos da boneca mais famosa de todos os tempos.barbie6

Tiger Woods: Rehabilitating A Human Brand

Fonte: Branding Strategy Insider
Por Derrick Daye

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It’s been announced that Tiger Woods will be sitting down in Florida tomorrow with “friends, colleagues and close associates,” not, as some might think to make additional apologies for his off-the-course activities, but to launch a new, 2010 version of Tiger Woods.

Think of it as this year’s Human Brand re-launch, a re-introduction into the marketplace of an actual human being who represents 100% of the values, imbued meaning, and differentiation in the category in which they compete. The operative phrase being in the category in which they compete. And make no mistake about it, no matter what you’ve read or heard about hotel bedrooms, the category in which Tiger’s human brandness resounds is still golf.


But Human Brands – Tiger Woods IS still a Human Brand no matter what you think of his record for fidelity whether coasting along or under assault, do better in the milieu that represents their values and skills best. Closure and contrition is come to against a background that resonates with the Human Brand’s skill set. Kitchens for Martha Stewart, construction sites (highest floor possible, please) for Mr. Trump. Places they can be themselves or, more accurately, be the brand they are. For Woods, the setting is a golf course.


The golf course was the one place (aside from sponsorship and promotional and advertising venues that showed Tiger playing golf) that Tiger captivated the world, until the world was captivated by the stories of how he cheated on his wife. Think of it as his outdoor rehab facility, very effective for refurbishing images and mending marketing fences.


Because for most of the people out there who watch or play at golf (including the ones who slap palms every time a new lover of Woods shows up in a supermarket tabloid and those who find his extramural pursuits repugnant), there are enough people who only want him to come back, play golf, and start winning tournaments again.


In a recent study we conducted in the UK updating our Commodity-to-Human-Brand Continuum we included Tiger in the mix to see where he’d end up. For fans and foes alike, we can report that consumers still see him as a Human Brand, which provides a good deal of flexibility when it comes to sponsorships, promotional opportunities and marketing.


For anyone who’s played the game before they know that there are lots of Rules in Golf. In professional golf there are very few when it comes to rehabilitating a Human Brand: Be contrite, find closure, and work on that 375-yard drive.

PRESERVAR IMAGEM É UM DOS DESAFIOS

Fonte: ZeroHora

Admitir publicamente uma falha em um produto e não ter a imagem da marca arranhada é o desafio enfrentado pelas empresas que deparam com a necessidade de convocar um recall de seus produtos. Desde carros até singelos brinquedos, especialistas em imagem e marcas afirmam que as empresas precisam agir rapidamente e oferecer a maior facilidade possível ao consumidor na hora do recall.

É o caminho que permite, inclusive, converter um chamado desse tipo em melhora na imagem da empresa, segundo o consultor da Brickmann & Associados, Carlos Brickmann:

– A marca ganha confiança. É o contrário de quando se recusa a fazer recall, passando a ideia de que o consumidor não tem importância.

O especialista em marcas Eduardo Tomiya, diretor geral da consultoria BrandAnalytics, sustenta que o investimento no recall vale a pena por eliminar prejuízos maiores com desgaste da imagem e eventuais acidentes que gerariam demandas judiciais. A situação ocorria até as décadas de 80 e 90, antes da consolidação dos chamados no mundo, especialmente a partir dos anos 2000.

É o caso de um dos maiores recalls da história. Somente após sofrer centenas de ações judiciais de vítimas de acidentes com camionetes Ford Explorer ao longo do anos 1990, nos Estados Unidos, Ford e Firestone decidiram fazer um recall de 6,5 milhões de pneus defeituosos, que podiam provocar capotagens.

A ação correta, no entanto, não garante a absolvição da reputação da empresa pelos clientes.

– O consumidor vai preferir o que nunca dá recall – afirma Tomiya.

De olho nesse risco, a indústria automotiva deve encarar a atual onda de recalls como um sinal de alerta para conter a repetição nas convocações, de acordo com Paulo Ely, do Instituto Gaúcho de Estudos Automotivos (Igea):

– As montadoras devem dar maior atenção a seus fornecedores para rever mecanismos de certificação de qualidade.

Para monitorar melhor a produção, José Bento Amaral, coordenador de projetos da FGV Projetos, sugere a revisão de processos de qualidade, além de renegociações dos limites e prazos de entrega de componentes.

E agora, Sap?

Fonte: Istoé Dinheiro
Por Ralphe Manzoni Jr.

sap1A cena é comum no continente asiático, onde executivos de grandes empresas pedem desculpas publicamente sobre os erros de suas companhias. Lágrimas e dramas fazem parte do teatro. No final de janeiro, o presidente mundial da Toyota, Akio Toyoda, foi à tevê pedir perdão aos consumidores sobre os sucessivos recalls da fabricante, que já atingiram mais de oito milhões de carros. Mas é surpreendente ver o alemão Hasso Plattner, 66 anos, um dos fundadores da SAP, a maior desenvolvedora de software corporativo do mundo, admitir que errou e mandar um recado para os seus clientes. “Não esquecemos de vocês”, disse ele em uma tensa conferência por telefone com analistas e jornalistas para explicar a saída de Léo Apothekeras da presidência da companhia no domingo 7.
No lugar do antigo CEO, o poder vai ser compartilhado por Bill McDermott, da área de desenvolvimento de produtos, e Jim Hagemann Snabe, do segmento de operações. “Perdemos o rumo e estou totalmente comprometido com a equipe para mudarmos isso, e rapidamente”, afirmou Plattner.

O desabafo de Plattner, que é chairman da SAP, é o retrato final de uma sucessão de erros que culminaram com a insatisfação dos clientes e dos funcionários e que levaram a receita e o lucro da companhia para baixo. O faturamento de 10,6 bilhões de euros, em 2009, foi 8% menor do que o ano anterior. O lucro também encolheu 4%. Em vez de culpar apenas Apothekeras, o fundador da empresa resolveu assumir sua parte nos resultados. “Eu estava pessoalmente envolvido nestas decisões”, disse ele, referindo- se à determinação de aumentar as taxas de manutenção no ano passado, pagas pelas empresas para receber correções, atualizações do software e serviços. “A SAP escolheu um péssimo momento para aumentar a taxa de manutenção”, confirma à DINHEIRO, de Lyon, na França, Fernando Birman, diretor mundial de estratégia de tecnologia e arquitetura da Rhodia. A empresa do setor químico é uma das maiores usuárias dos softwares da companhia alemã no mundo, utilizando-os nos 25 países em que está presente. “Muitas empresas deixaram de pagar, principalmente em razão da crise.”

As críticas à SAP não se esgotam nos preços das taxas de manutenção. O Business One, software desenvolvido para pequenas e médias empresas, também nunca emplacou. Ele é considerado caro, difícil de instalar e pesado. No Brasil, essa foi uma brecha para que a brasileira Totvs, líder do segmento no País, ganhasse ainda mais mercado.
Nem os funcionários estavam felizes. Uma pesquisa interna revelou que apenas 50% deles apoiavam a alta direção da companhia. Alguns analistas do mercado de tecnologia saudaram o discurso de Plattner. “É bom vê-lo de volta ao comando”, declarou Paul Hamernan, da empresa de pesquisa Forrester, ao jornal britânico Financial Times. Outros reagiram com mais cautela. “O desafio da SAP é maior do que simplesmente substituir o CEO”, escreveu Thomas Otther, da consultoria Gartner, em seu blog. “Ela precisa voltar a ter espírito.” Será que a SAP conseguirá retomar o seu rumo?

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Femsa traz 5 cervejas europeias do portfólio da Heineken

Fonte: Agência Estado

A Femsa está trazendo ao Brasil cinco cervejas europeias que integram o portfólio internacional da Heineken. Amstel Pulse (da Holanda), Birra Moretti (Itália), Edelweiss (Áustria), Murphy’s Irish Stout e Murphy’s Irish Red, ambas da Irlanda, são marcas com mais de 100 anos de tradição e, a partir de agora, devem integrar o segmento premium brasileiro.

Segundo o diretor de Marketing da Femsa Cerveja Brasil, Ricardo Morici, a chegada dessas cervejas ao País estava sendo programada pela Femsa há aproximadamente um ano e meio, e não tem relação direta com a compra da divisão de cervejas da Femsa no Brasil pela empresa holandesa. Antes da operação, anunciada em janeiro, a Heineken já possuía 17% de participação na Femsa Cerveja Brasil.

De acordo com o executivo, a Femsa avaliou, dentro do portfólio da Heineken, quais marcas teriam espaço no Brasil. Escolhidas as cervejas que seriam trazidas ao País, a companhia iniciou o processo para autorizar as importações.

O lançamento é nacional, mas Morici informou que a distribuição deve ser focada em grandes metrópoles e algumas marcas devem ser mais direcionadas para as regiões Sul e Sudeste do País. A distribuição também será principalmente direcionada a restaurantes, bares especializados e supermercados voltados para a classe A e AA.

De acordo com o executivo da Femsa, o segmento premium responde por 1% do volume total de cerveja comercializado no País. Em faturamento, a participação seria de 1,5%, com esse nicho movimentando aproximadamente R$ 300 milhões por ano, ante R$ 20 bilhões de todo o mercado de cerveja.

Na Europa Ocidental, as cervejas premium chegam a representar 40% do setor. Na Argentina, essa participação seria de 10% e no Chile, de 8,5%. “Acredito que, no médio e longo prazo, podemos alcançar uma fatia em linha com a América Latina”, disse o executivo. Para ele, trazer novas opções de produtos para o consumidor deve ajudar a desenvolver o segmento premium no País.

II Maratona Executiva – Trevisan

Fonte: Trevisan

A Trevisan Escola de Negócios realiza a 2ª Maratona Executiva, um ciclo de palestras que abordará os principais temas que, atualmente, direcionam as decisões de negócios.

As palestras são gratuitas com vagas limitas. Inscrições pelo e-mail: posgraducao@trevisan.edu.br.

Confira abaixo a programação:

Making Branding: dicas quentes de como fazer a melhor gestão das marcas de sua empresa

Data: 23/02 – Horário: 20h

Palestrante: Marcos Hiller

Competências de liderança para o mundo globalizado

Data: 23/02 – Horário: 20h

Palestrante: Danilo Talankas

Estratégia fiscal, como decidir?

Data: 24/02 – Horário: 20h

Palestrante: Ageu Barros

A gestão de risco existe?

Data: 24/02 – Horário: 20h

Palestrante: Marcos Assi

Perspectivas de um Brasil esportivo

Data: 24/02 – Horário: 20h

Palestrante: José Carlos Brunoro

Governança corporativa e geração de valor nas organizações

Data: 25/02 – Horário: 20h

Palestrante: Armando Santi

Por dentro do Planeta Nike

Fonte: Época Negócios
Por Edson Porto

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A NIKE EM NÚMEROS
>>> FUNDAÇÃO_Janeiro de 1964
>>> FATURAMENTO_US$ 19,1 bilhões
>>> FUNCIONÁRIOS_34 mil
>>> PAÍSES EM QUE ATUA_Mais de 160
>>> ESCRITÓRIOS PELO MUNDO_75
>>> FÁBRICAS CONTRATADAS_Cerca de 700
>>> LOJAS PRÓPRIAS_674
>>> PARES DE TÊNIS POR ANO_300 milhões

A americana Nike pertence àquele escasso time de companhias reputadas por revolucionar o setor em que operam. Maior fabricante mundial de artigos esportivos, a Nike foi pioneira no movimento de terceirização da produção, que acabou por se tornar um padrão global. Sem fábricas próprias, a empresa passou a se concentrar na inteligência de marketing, design e inovação. Também transformou sua marca em um ícone mundial ao casar cultura popular com esportes e elevar o culto ao atleta a um ponto nunca antes imaginado. Nesse processo, criou o marketing esportivo moderno e produziu uma legião de milionários. Por trás dessas decisões havia sempre a cabeça do fundador, Phil Knight. Conta-se que quando Knight assistiu a Tiger Woods, então com 20 anos, vencer pela terceira vez seguida o campeonato amador de golfe dos Estados Unidos, em 1996, comentou: “Espero que a gente contrate esse garoto. Senão, espero que ele vire médico”.

Embora Woods estudasse economia na Universidade de Stanford, Knight acabou sendo responsável por tornar qualquer preocupação acadêmica do jogador uma questão supérflua: dias depois da vitória, ele pagou US$ 40 milhões para fechar um contrato de cinco anos com o atleta. Muitas vezes descrito como genial, enigmático, idiossincrático, competitivo e imprevisível, Phil Knight construiu, em quatro décadas, seu império esportivo com tacadas como essa. A simbiose entre empresa e criador é tão profunda que por três vezes Knight flertou com a aposentadoria, mas teve de retomar as rédeas para mudar o rumo e salvar a companhia do desastre. Por muito tempo, especulou-se que a Nike jamais sobreviveria à sua partida.

POR MUITO TEMPO ESPECULOU-SE QUE A NIKE NÃO SOBREVIVERIA À PARTIDA DE SEU FUNDADOR PHIL KNIGHT. SEU SUCESSOR, O CEO MARK PARKER, MUDA ESSA PERCEPÇÃO

O executivo que está mudando essa percepção é Mark Parker, 54 anos. Um veterano que ingressou na companhia em 1979, Parker completa agora em janeiro quatro anos como o número 1 da Nike. “Phil Knight é um ícone, não só para a Nike mas também para o mundo dos esportes”, afirma Parker. E quão desafiador tem sido substituir um mito? “Eu vejo menos como um desafio e mais como uma oportunidade de continuar a cultivar uma cultura que é incrivelmente especial e poderosa”, diz Parker, em sua sala repleta de objetos, brinquedos, quadros e fotos no QG da companhia em Beaverton, uma pequena cidade ao lado de Portland, no estado de Oregon. Alto e esguio, ele parece ser uma síntese de seu chefe Knight, hoje na presidência do conselho de administração, e do outro sócio fundador da Nike, o técnico de corridas Bill Bowerman, já morto, e tido como o primeiro grande inovador da empresa. Assim como Knight, Parker foi um corredor apaixonado, na juventude, que gostava de percorrer grandes distâncias. Tiago Pinto, diretor de marketing da Nike do Brasil, diz que uma das cenas mais marcantes para ele quando trabalhou na matriz, por dois anos, entre 2006 e 2008, era ver o CEO frequentar uma trilha de corrida famosa ao lado de muitos funcionários. “Depois do treino ele se reunia na lanchonete conosco, com o barro cobrindo suas pernas.” Recentemente, Parker trocou as corridas pela bicicleta devido a um problema nos joelhos. Mas além dos vínculos com o esporte, ele possui um longo currículo na área de inovação.

Claus Lehmann

APENAS FAÇA
Da entrada, onde está destacado o célebre slogan Just Do It, até as trilhas de corrida, nas quais realiza competições, a Nike transpira esporte o tempo todo

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Cercado por obras de arte, o CEO, Mark Parker, em seu escritório. Na página ao lado, Phil Knight, fundador e presidente do conselho da companhia, em foto de 1986
UM HOMEM DE PRODUTOS

Ainda estudante de administração na Universidade da Pensilvânia, Parker costumava mexer em seus tênis, adicionando espuma nos solados e criando proteções com neoprene nas meias. Empregado como designer, trabalhou ao lado de Bowerman e desde então se envolveu diretamente em dezenas de projetos. O mais decisivo foi a criação do Air Jordan, lançado em 1985 como o tênis do então desconhecido jogador de basquete Michael Jordan, que se tornou o maior sucesso de vendas da história da Nike. Parker foi também responsável pela implementação do primeiro laboratório de pesquisas esportivas, em 1980, e é visto internamente acima de tudo como um homem de produto. Com frequência vai aos centros de inovação para questionar o que está sendo desenvolvido ou apontar os projetos promissores. “Ele é provavelmente um dos melhores gestores de produtos que existe”, afirma o designer Jay Meschter, uma das principais estrelas criativas da Nike.

Em uma empresa que costuma mudar os gestores de função a cada dois ou três anos, para incentivar uma visão global do negócio, Parker ocupou 12 posições antes de chegar a CEO. Em 2001, assumiu a copresidência de marcas, ao lado do colega Charles D. Denson. Tinha-se como certo que um dos dois seria o próximo comandante. Mesmo com toda essa experiência, só chegou ao topo depois de um imprevisto. Em 2004, Knight decidira mais uma vez sair de cena, após perder um dos dois filhos num acidente de mergulho. Foi buscar um sucessor no mercado, por acreditar que a Nike precisava de sangue novo e um currículo que misturasse bom desempenho financeiro com a habilidade para controlar múltiplas marcas. A escolha recaiu sobre o executivo William Perez, cuja carreira foi construída na SC Johnson, fabricante de material de limpeza. Knight via nele a combinação entre a experiência profissional e um perfil de quem entendia o que era uma companhia com uma cultura insular. Foi provavelmente um dos julgamentos mais equivocados de Knight. Ao perceber que Perez não conseguiria se integrar ou entender o que faz a Nike ser o que é, ele se voltou para Parker.

Knight criou na empresa uma cultura extremamente informal, baseada nos princípios de ampla autonomia e responsabilidade. Os funcionários podem coordenar os próprios horários e treinar a qualquer momento do dia. Jogos e aulas de ginástica são constantes e as academias nunca estão vazias. “Participei de muitas reuniões fazendo ginástica”, diz Cristian Corsi, presidente da Nike do Brasil, que viveu em Portland entre 2002 e 2003. Uma das áreas centrais do campus da empresa é dominada por dois gramados de futebol profissionais, batizados de Ronaldo Fields, em referência ao jogador brasileiro que até hoje é um dos atletas mais importantes da Nike. Os campos formam uma pequena parte da estrutura. Há ainda um terceiro campo de futebol, uma pista oficial de corrida e quadras de tênis e basquete, além de duas modernas academias de ginástica.

A NIKE DÁ AUTONOMIA E COBRA RESULTADOS DOS FUNCIONÁRIOS. ELES FAZEM SEU HORÁRIO E PODEM TREINAR A QUALQUER HORA EM DUAS ACADEMIAS

O desenho desses espaços físicos não é aleatório e se reproduz em menor grau nas principais filiais pelo mundo, incluindo a brasileira. A intenção é cultivar o espírito de um negócio feito por esportistas para esportistas. A lógica é simples: como atletas ou apaixonados por esportes, os funcionários vão conseguir entender melhor as necessidades e os desejos do consumidor. Um exemplo de como essa atenção gera frutos é um modelo inovador de tênis batizado de Nike Free. Em conversas com treinadores e colegas de corridas, os designers descobriram que alguns deles utilizavam um método de treinamento pouco comum: correr descalços sobre a grama. Os adeptos afirmavam que isso os fortalecia e ajudava na prevenção de lesões. A teoria foi testada à exaustão no laboratório de pesquisas esportivas e, quando se concluiu que de fato havia benefícios, foi dada a partida na produção.

Knight, que por vezes se comunicava com acenos de cabeça e frases enigmáticas, era adepto de um estilo radical de delegação. Cevou a fama de escolher as pessoas certas para os postos certos, e depois sair da frente. Scott Bedbury, consultor e autor de O Novo Mundo das Marcas e ex-executivo responsável por um dos slogans mais relevantes da história da propaganda, o Just Do It (algo como Apenas Faça), conta que ao assumir o posto de diretor de publicidade corporativa, em 1987, descobriu que vigorava na empresa uma forte cultura oral, com pouquíssimos documentos que pudessem ajudá-lo a montar uma estratégia. “Qual a coisa mais importante que posso fazer por você neste momento?”, perguntou ao chefe, durante uma reunião. Knight respondeu: “Faça coisas grandes”. Ao que Bedbury replicou: “Mas e se eu por acaso cometer um erro?”. Knight disse que ele não deveria se preocupar com isso: “Só não cometa o mesmo erro duas vezes”.

Segundo Margaret Gilliam, analista de mercado que monitora a Nike desde a abertura de seu capital, em 1980, Parker é um sujeito muito identificado com a cultura da Nike. “Não está reinventando a roda, mas aperfeiçoando-a”, diz. É um CEO incumbido de liderar uma reestruturação às avessas: está radicalizando, em vez de mudar práticas tradicionais da empresa. Uma delas é a obsessão pelo contato com os consumidores, a quem os funcionários sempre se referem como atletas. Parker substituiu as antigas divisões de produtos – calçados, roupas e acessórios – por seis categorias: futebol, basquete, corrida, esportes de ação, roupas esportivas e itens para mulheres. Essas áreas ganharam autonomia e funcionam hoje virtualmente como núcleos, com equipes dedicadas de designers e pessoal de marketing, vendas e promoções. Parker também cortou 5% da mão de obra direta, ou 1,75 mil pessoas, e reorganizou as regiões geográficas. O corte atingiu principalmente camadas intermediárias de gerenciamento e diminuiu a distância entre o topo e a base. O número de regiões cresceu de quatro para seis, com a criação de áreas exclusivas para a China e o Japão, que não existiam, e um agrupamento de países de mercados emergentes, do qual o Brasil faz parte. Com isso, o caminho das principais filiais até o topo também foi encurtado.

Ao ganhar agilidade, diversidade e ampliar a conexão com o mercado, Parker diz que espera alimentar com ideias a estrutura de inovação da Nike e mantê-la como uma fábrica de novidades em todas as áreas, dos produtos ao marketing. “Quero tornar a companhia ainda mais competitiva e relevante, por estar mais conectada aos atletas. E usar o conhecimento que nasce desse processo em inovações”, afirma Parker. (Leia a entrevista.)

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TRABALHO E SUOR
Cristian Corsi, presidente da Nike do Brasil na sede em Alphaville (SP), que, a exemplo da matriz, foto abaixo, é ambientada com murais e imagens de atletas que contam a história da empresa. Acima, o cofundador Bill Bowerman trabalha em um tênis

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CRIATIVOS
Michael Donaghu e Jay Meschter são diretores da chamada Cozinha da Inovação e responsáveis por algumas das mais importantes criações lançadas nos últimos anos. Tudo o que inventam passa pelo crivo de testes exaustivos no laboratório de pesquisas

INOVAÇÃO RADICAL

Seus executivos sabem que a abertura de canais cada vez mais sofisticados de conexão com os consumidores não terá o retorno esperado se a empresa não for capaz de produzir inovações contínuas. É por isso que um prédio do campus de Beaverton que homenageia Mia Hamm, jogadora campeã de futebol, ocupa um espaço prioritário na estratégia da corporação. É nesse edifício que palpita o centro nervoso dos processos de inovação da Nike. Ali ficam os designers, as bibliotecas de materiais, um laboratório de tendências e os principais centros de pesquisa e desenvolvimento.

O mais importante laboratório foi batizado de Cozinha da Inovação. É onde surgiu a maioria das novidades relevantes geradas nos últimos anos. E é também um dos redutos mais secretos e reclusos do campus, o que não é pouco, para uma empresa que proíbe fotos em 75% dos prédios de sua sede. A entrada é vetada até para funcionários de outras áreas. Clientes só podem entrar na Cozinha depois de assinar um contrato de confidencialidade.

PARKER FOI INCUMBIDO DE UMA REESTRUTURAÇÃO ÀS AVESSAS: RADICALIZAR A CULTURA, EM VEZ DE MUDAR PRÁTICAS TRADICIONAIS

Descrito como um local caótico, repleto de computadores, bancadas de trabalho e vários tipos de equipamentos industriais utilizados na produção de calçados e vestuários, o laboratório começou a ser idealizado em 1999, ano em que morreu Bill Bowerman. Embora já não fizesse parte do dia a dia, ele era tido na Nike como o primeiro grande inovador e uma espécie de força inspiradora. Além disso, no mesmo período, Phil Knight estava em uma de suas tentativas de aposentadoria e os problemas se acumulavam. A Nike patinava depois de mais de uma década de desempenho espetacular. Do ponto de vista criativo, havia um vazio de lançamentos, e a morte de Bowerman acabou sendo um catalisador. “Ficou evidente que não estávamos inovando no nível que deveríamos”, afirma o designer Jay Meschter. O centro foi criado para juntar talentos que estavam dispersos e estimular saltos radicais de inovação. “Decidimos que deveríamos colocar tudo junto e ampliar a abordagem”, diz Michael Donaghu, diretor global de inovação da Nike. Antes da Cozinha, o processo de trabalho estava fragmentado entre departamentos e áreas operacionais. “Nossa intenção era fazer menos do que chamamos de inovação sequencial, quando o laboratório faz uma coisa, o engenheiro faz outra e assim por diante”, diz Donaghu. O grupo inicial de pesquisadores, formado por 25 profissionais (hoje são 75), tinha licença para arriscar e errar. Uma regra não escrita da Cozinha é que todos que ali trabalham precisam gastar parte de seu tempo sonhando.

Na estrutura da matriz, o laboratório opera como área de apoio às várias categorias de esportes, vinculando a cada modalidade um especialista. Mas, numa empresa que lança até 1,8 mil produtos por trimestre, em mais de 160 países, os pesquisadores da Cozinha não poderiam ser responsáveis por todas as novidades que chegam às prateleiras. Sua função principal é definir o futuro e ajudar a refinar processos de inovação de outras áreas. Nessas tarefas, um dos maiores parceiros é o Laboratório de Pesquisas Esportivas, que fica no mesmo prédio.

UMA DAS REGRAS NO CENTRO DE INOVAÇÃO É QUE TODOS DA EQUIPE TÊM DE GASTAR UMA PARTE DE SEU TEMPO SONHANDO E PENSANDO EM CONSTRUIR O FUTURO

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DETALHES
Com um molde do pé da tenista Maria Sharapova na mão, o diretor do laboratório de pesquisas esportivas Mario Lafortune explica como seus equipamentos medem com precisão os movimentos humanos

UM TÊNIS PARA CADA PÉ

O Lab, como é chamado internamente, emprega 25 cientistas em tempo integral (oito deles Ph.Ds.) e ocupa uma área de 1,5 mil m2. Nele é possível testar praticamente tudo o que se queira saber sobre a biomecânica ou a fisiologia do corpo humano, de acordo com seu diretor, o canadense Mario Lafortune. O centro do laboratório é dominado por uma pista de corrida de 70 metros, equipada com câmeras que captam até 2 mil enquadramentos por segundo e são capazes de gerar imagens tridimensionais utilizadas para analisar os movimentos de um corredor. No ambiente envidraçado do laboratório, chama a atenção um gramado artificial usado para testes de futebol e uma quadra de basquete. Na câmara ambiental, que se assemelha a um frigorífico, é possível reproduzir a temperatura, a umidade e a luz do sol de qualquer parte do planeta.

Em meio a tanta tecnologia, um dos xodós de Lafortune é uma caixa preta com um furo no topo para colocar o pé. O equipamento foi desenvolvido em parceria com diferentes universidades. Com aparência de um caixote sem graça, oculto em seu interior há um equipamento de laser e oito câmeras minúsculas, que gravam em detalhes milimétricos as dimensões de um pé e transmitem essas informações para uma máquina de modelagem. “Podemos obter em três horas um molde perfeito do pé de qualquer pessoa”, afirma Lafortune, ao apontar o de Maria Sharapova, a celebrizada tenista russa patrocinada pela Nike.

Atualmente, há duas grandes tendências nos planos estratégicos em curso. A primeira é o que os pesquisadores chamam de tecnologia sensorial, da qual o NikePlus é um exemplo preliminar. À primeira vista, o sistema não passa de um pequeno sensor que, ao ser colocado no tênis, permite a comunicação com um iPod, o tocador de música da Apple, ou com um relógio de pulso, para registrar a velocidade média e a distância percorrida pelo corredor. Até esse ponto, ele não apresenta nenhuma grande novidade em relação a produtos que já existiam. O que transformou o NikePlus em uma sensação foi a possibilidade de transferir os dados para um site, que rapidamente se tornou uma enorme comunidade de corredores.

NA SEDE, É POSSÍVEL IDENTIFICAR AS DIFERENTES TRIBOS POR SUAS ROUPAS E TATUAGENS. CULTIVAR A DIVERSIDADE FAZ PARTE DA ESTRATÉGIA DA NIKE

Nele, os usuários trocam mensagens, participam de competições virtuais, recebem dicas de corrida e até discutem sobre músicas para embalar os exercícios. Essa combinação atraiu até agora 2 milhões de usuários. Para a Nike, a experiência ajudou a vender produtos e também se transformou em um case exemplar do marketing que ela está buscando, já que ajuda a fidelizar clientes e divulgar a marca com custos muito baixos. Além de tudo isso, o site é um ponto de contato direto com os consumidores. “Essa é uma área em que o desenvolvimento está apenas no início”, diz o designer Jay Meschter. “Uma das grandes questões para nós é como vamos interagir com todos os computadores e games que estão por aí.”

A outra área de desenvolvimento é uma espécie de santo graal do mundo dos calçados esportivos: a customização em massa. A maioria das companhias desse setor – incluindo a própria Nike e a rival Adidas – tem perseguido essa ideia há décadas. O mais perto que a Nike chegou desse desejo pode ser visto nos estúdios ou no site do programa NikeID, que permite às pessoas customizarem as cores e os detalhes de centenas de itens do catálogo. Mas o plano de customização que está sendo cozinhado na Nike é o de um calçado para cada pé. Seus pesquisadores afirmam ter encontrado uma maneira de viabilizá-lo graças a um novo sistema batizado de Flywire. Essa tecnologia consumiu sete anos para ser desenvolvida e se inspirou em pontes suspensas. Em vez de se apoiar em camadas de tecidos para estruturar o calçado, o sistema usa a costura de fios finos e super-resistentes. Além de permitir a combinação de leveza com resistência, o Flywire utiliza um método de produção com máquinas de costura automatizadas – fabricar calçados ainda é uma atividade de mão de obra intensiva. “Estamos analisando modelos que têm grande precisão e autonomia, o que pode gerar uma flexibilidade de produção que não existe atualmente”, afirma Meschter. Em uma indústria muito automatizada, o sonho da customização se torna mais fácil.

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MALHAÇÃO
Funcionários se exercitam na maior academia da matriz, que leva o nome de Lance Armstrong, supercampeão do ciclismo

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MEMÓRIA
A história corporativa é lembrada em estátuas como a de Michael Jordan (à dir.), em pôsteres ou no nome dos prédios. O que homenageia o corredor Prefontaine é uma mistura de templo e museu

ESPORTE, ESPORTE, ESPORTE

A consciência de que está mudando para manter tudo como está fez com que o centro da estratégia de Parker seja reforçar as principais características da Nike, a começar pelo culto ao esporte. Na sede, parte das vagas do estacionamento leva nomes de atletas, incluindo os de Romário e Ronaldo. Cada um dos 17 edifícios espalhados em mais de 370 mil m2 do QG são batizados em homenagem a esportistas ou treinadores. O prédio que abriga os escritórios dos principais executivos reverencia John McEnroe, o histriônico tenista dos anos 70. O centro de convenções se chama Tiger Woods e a maior academia de ginástica homenageia o ciclista Lance Armstrong. Nos corredores cobertos que ligam alguns desses prédios, a cada coluna é possível ver uma placa de bronze com personagens importantes da história corporativa, na maioria atletas. Nas áreas internas, dos halls de entrada aos corredores, isso se repete. É praticamente impossível olhar para qualquer lado e não deparar com uma foto, um pôster, um aparelho de televisão ou uma peça de memorabilia que lembre ao visitante que se está em um templo dedicado a esportistas. “Para quem gosta de esportes, ir para o trabalho é como ir para a Disneylândia todos os dias”, brinca Jayme Martin, vice-presidente para mercados emergentes. A reorganização por modalidades esportivas, implementada nos últimos anos, reforçou essa ligação dos funcionários com seus esportes. Também ampliou a necessidade de diversificação e flexibilização. Ao andar pelo campus ou almoçar num de seus refeitórios é possível identificar, a distância, as diferentes tribos da Nike. O pessoal ligado a esportes de ação pode ser localizado pelas roupas largas e descoladas, piercings e tatuagens. Os corredores se vestem de maneira mais contida e andam normalmente com agasalhos da marca. Os jogadores de golfe são os mais chiques. Mas a roupa não é a única diferença entre os grupos. Suas rotinas também variam bastante.

A NIKE EXPLORA A MITOLOGIA ESPORTIVA, CONSTRUINDO HERÓIS E CONTANDO SUAS HISTÓRIAS. FOI COM ESSE ARQUÉTIPO QUE PROJETOU UMA MARCA DE SUCESSO

FUTEBOL E HIP-HOP

Como diretor de design para a área de futebol, o britânico Andrew Caine passa parte de seu tempo viajando para conversar com jogadores e acompanhar os jogos. “Precisamos encontrá-los para saber como podemos melhorar as chuteiras e entender suas necessidades”, diz Caine. Já a agenda de um grupo de profissionais da divisão de esportes de ação, que visitou o Brasil em dezembro passado para discutir tendências, incluía um show de hip-hop e passear de skate à noite pela capital paulista. O funcionário brasileiro que recebeu o grupo não tem horário fixo. “Isso é normal na Nike”, diz o presidente da subsidiária brasileira, Cristian Corsi. “Temos de nos conectar com o mundo que queremos atingir. Se esse mundo acontece na balada ou na rua, não faz sentido ter alguém que chegue às 8 horas e saia às 17.”

NA DÉCADA DE 80, AS CAMPANHAS COM MICHAEL JORDAN E O SLOGAN JUST DO IT COLOCARAM A COMPANHIA NO IMAGINÁRIO POPULAR DO PLANETA

Com essa proximidade, a marca pretende também recuperar sua força nos segmentos em que perdeu a aura de invencibilidade. Um deles é o dos calçados de corrida de alta tecnologia. A despeito de dominar as vendas mundiais dos modelos esportivos, com uma fatia do mercado que tem girado em torno de 35%, a empresa perdeu espaço nos últimos anos na preferência de corredores de rua em vários países, inclusive no Brasil. “A Nike demorou para falar com o consumidor de corrida aqui e perdeu para empresas focadas somente nesse mercado, como a Mizuno e a Asics”, diz Rodrigo Carneiro, sócio da Velocità, rede de lojas multimarcas. Quando se fala com treinadores e atletas amadores, em geral eles dizem que Nike é muitas vezes o primeiro tênis de um corredor, mas raramente o definitivo. E isso não ocorre apenas no Brasil. Na maratona de Nova York, por exemplo, marcas especializadas dominam o cenário.

Para os executivos da Nike, não se trata apenas de volumes de vendas, mas de uma questão de autenticidade. Boa parte de sua mística é construída em torno de ter os melhores e mais inovadores produtos. Sem a confirmação da elite de usuários amadores, fica difícil espalhar o apelo. “Esse é um nicho muito pequeno para nós, que servimos a um conjunto muito maior de corredores”, afirma Corsi. “Mas com nossa reestruturação estamos atacando essa área.” Um exemplo foi a realização, em outubro passado, de uma corrida de revezamento inédita de 600 quilômetros de distância entre o Rio de Janeiro e São Paulo, da qual participaram 200 corredores amadores selecionados em clubes de corrida de todo o país. Eles passaram três dias competindo com alguns dos modelos mais sofisticados da marca nos pés. Dificilmente a experiência vai provocar uma mudança imediata, mas a intenção é se aproximar dessas pessoas e mostrar que os produtos da empresa podem competir com as marcas mais especializadas.

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CULTO INTERNO
O tatuador Derik Olsen (à esq.) afirma ter tatuado mais de 30 funcionários em 18 meses. E o executivo Jayme Martin, que cursou MBA só para ingressar na empresa

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VERDE E AMARELO
Atletas brasileiros são destacados no campus da companhia, entre eles o corredor Joaquim Cruz e o jogador Ronaldinho Gaúcho. Mas Ronaldo é o craque mais homenageado

MITOS E RELIGIÃO

Um dos aspectos mais curiosos da cultura da Nike é como a empresa se aplica na prática de construir heróis e contar histórias. Foi com esse arquétipo da mitologia que a marca se projetou. “A competição esportiva proporciona o mecanismo que distingue homens comuns de heróis”, diz Laurence Vincent, autor de Marcas Legendárias. “A Nike usa esse mito para criar uma das poucas plataformas de marca que não precisam se esforçar para contar sua história.”

Dentro da mitologia corporativa, porém, o atleta mais reverenciado é um desconhecido hoje. Steve Prefontaine foi o melhor corredor americano de sua geração e emanava uma imagem que combinava rebeldia, brilhantismo e vitórias. Foi o primeiro competidor de alto nível a usar produtos da companhia, quando ela ainda se chamava Blue Ribbon Sports – a lenda interna é que o nome Nike surgiu do sonho de um funcionário com a deusa da vitória grega, em 1971. Prefontaine morreu em 1975 em um acidente de carro. Desde então passou a compor, ao lado de Bowerman e Knight, a tríade que representa a identidade e os valores da empresa. Valores que são reforçados desde a admissão.

EM 2009 A COMPANHIA ENFRENTOU UMA SÉRIA QUEDA DE VENDAS. EM UM TRIMESTRE, O FATURAMENTO GLOBAL CHEGOU A CAIR 12% , EM DÓLARES

Cada novo funcionário mergulha nessa herança ao frequentar um curso de dois dias, com vídeos e palestras. A rua de entrada no campus em Beaverton se chama Bowerman e o primeiro prédio do complexo, o Prefontaine, funciona como um misto de museu e capela, onde se venera a história corporativa. O paralelo com religião não é um exagero. Trata-se, provavelmente, de um caso único de multinacional em que funcionários tatuam no corpo a logomarca do empregador. O grupo que deu início a essa tradição se chama Ekin (inversão de Nike). É uma espécie de tropa de elite surgida nos anos 70, que visitava lojas de material esportivo com especialistas que instruíam sobre prevenção de lesões e organizavam cursinhos de vendas. Em novembro passado, durante um encontro mundial de Ekins, em Beaverton, seis deles foram até a pequena casa de tatuagem Black Hole, perto do campus, para gravar o logo da empresa na pele. “Dos seis, três saíram tatuados”, diz o tatuador Derik Olsen, diante de um pequeno desenho do símbolo da companhia em um papel. “Os outros desistiram na última hora.” Olsen calcula que pelo menos 30 pessoas saíram de sua loja com o swoosh no último ano e meio. “A empresa é uma religião, e as pessoas são convertidas. Eu ainda sou”, diz Alejandro Pinedo, diretor-geral da Interbrand no Brasil e um ex-funcionário que tem o logo tatuado na perna esquerda.

Histórias como essas ajudam a criar em torno da Nike uma aura que, na prática, contribui para atrair talentos. Não é incomum encontrar quem não se veja trabalhando em outro lugar. É o caso do americano Jayme Martin. Com uma carreira bem-sucedida em contabilidade, ele resolveu se inscrever em um MBA em Harvard com um único objetivo: ir trabalhar na Nike. Isso, mesmo sem conhecer ninguém da empresa ou sequer ter ido uma única vez a Beaverton. Martin revelou seu plano no primeiro dia de aula. “Cresci vendo o desenvolvimento da Nike e sempre nutri um desejo de fazer parte dele”, afirma.

Durante os dois anos de estudo, ele manteve a ideia fixa. “Depois de um tempo, a minha mulher começou a dizer que eu deveria pensar em uma alternativa, para o caso de terminar meu período de reciclagem e não conseguir o emprego.” Mas ele diz que isso nunca passou por sua cabeça. Nos meses finais de estudo, Martin realizou um projeto no qual criava estratégias para a Nike. A pesquisa abriu portas e ele foi convidado para um cargo na área financeira. Em pouco tempo, passou para o segmento de produtos e, 13 anos depois, chegou à vice-presidência.

PELA REDE

A estratégia de chegar cada vez mais perto dos consumidores está se refletindo também em uma outra área central para a empresa: o marketing. Depois de passar muito tempo sem grandes orçamentos publicitários, em meados da década de 80 a Nike começou a reescrever a história do marketing esportivo e dos comerciais de TV. Em 1987, Phil Knight, um homem que na época afirmava não acreditar em propaganda, contratou a agência de publicidade Wieden & Kennedy e formou uma parceria que faria história, com comerciais de TV e anúncios clássicos, carregados de emoção, como o que apresentou ao público um Michael Jordan ainda desconhecido voando para uma cesta de basquete: “Quem disse que o homem não pode voar?”. Campanhas dirigidas pelo cineasta Spike Lee também ajudaram a colocar o logo da companhia no imaginário popular do planeta. Data dessa época o slogan Just Do It. Knight encapsulou a lógica em uma frase: “Você não pode explicar muito em 60 segundos, mas, quando você mostra Michael Jordan, você não precisa. É simples assim.”

AOS 71 ANOS E DONO DE UMA FORTUNA DE US$ 9,5 BILHÕES, PHIL KNIGHT ESTÁ HOJE MAIS INTERESSADO EM SUA PRODUTORA DE FILMES E ATÉ EM ESCREVER UM ROMANCE

O sucesso dos comerciais e das parcerias fechadas com atletas, que se revelaram uma mina de ouro, reverteu uma fase de declínio, na qual a Nike perdia terreno para a então ascendente Reebok. Estabeleceu ainda um novo padrão de marketing, que seria seguido por toda a indústria durante praticamente uma década e meia. Esse modelo, agora, está em transformação. “Acho que os dias das grandes propagandas, com os grandes atletas e os grandes tênis, não funcionam mais. A forma que as pessoas consomem histórias está mudando”, disse a Época NEGÓCIOS Trevor Edwards, vice-presidente de marca global e o homem forte do marketing na Nike. A principal influência é obviamente a internet. Na visão da empresa, as pessoas têm uma opção cada vez maior de escolha, conexão e colaboração, principalmente por causa da rede mundial e da ampliação da concorrência, o que na opinião de Parker “claramente coloca o poder na mão dos consumidores”.

Isso não quer dizer que os executivos estejam gastando menos dinheiro, apenas que investem de maneira diferente. Nos últimos anos, o orçamento de marketing da Nike tem girado em torno de 11% a 13% do faturamento, algo por volta dos US$ 2 bilhões anuais. A empresa não divulga detalhes de como distribui essa verba, mas dados de agências de publicidade americanas são um forte indicativo. Nos últimos dez anos, a média dos gastos com anúncios de televisão nos Estados Unidos caiu da casa dos 55% para um patamar próximo dos 30%. O dinheiro está sendo investido numa miríade de áreas que envolvem internet, eventos, serviços e em alternativas que misturam tudo isso.

COPA DO MUNDO

A reestruturação da Nike não foi motivada exatamente pela crise financeira internacional. Ela começou a ser colocada em prática ainda em 2006, quando a empresa passou a enfrentar uma concorrência feroz em todos os seus mercados e não pôde se dar ao luxo de ficar para trás na corrida da inovação ou da percepção de tendências. Parker sabe que as duas maiores crises da história da Nike aconteceram quando ela não conseguiu fazer isso. Em 1983, a companhia ignorou a onda da aeróbica nas academias e viu sua rival Reebok dominar esse segmento. Em pouco tempo a concorrente assumiu a liderança no mercado americano e, em 1987, ultrapassou a Nike em vendas. O jogo só começou a ser virado após o sucesso da campanha estrelada por Michael Jordan.

A segunda crise ocorreu no final da década de 90. A empresa não percebeu a tempo a queda de demanda por tênis caros no mercado americano e ainda foi atingida por acusações de uso de trabalho infantil nas fábricas subcontratadas na Ásia. As vendas, que haviam dobrado, entre 1994 e 1997, para US$ 9,2 bilhões, estagnaram, e em 2000 haviam recuado para US$ 9 bilhões. A recuperação passou por uma transformação profunda na liderança da companhia, com a contratação de vários executivos de fora e a criação de um código de responsabilidade social. Ainda hoje a empresa mantém uma equipe de 70 profissionais dedicados exclusivamente a monitorar as fábricas dos terceirizados.

O cenário atual não chega a ser ameaçador. De 2004 a 2008, a Nike ampliou seu faturamento a uma média de 12% ao ano. Além disso, sua maior rival, a Adidas, enfrentou nesse mesmo período as dores da incorporação da Reebok, que comprou em 2005, sem ter conseguido até agora materializar a prometida ameaça de tomada da liderança, ainda em poder da Nike, com uma participação de 35% ante 22% da concorrente. Apesar disso, não faltam desafios. Entre setembro e novembro passados, o faturamento global caiu 4% e, no trimestre anterior, a queda foi maior: 12% – ou 7%, quando se desconta a desvalorização da moeda americana. “O último ano foi um dos mais difíceis da nossa história”, afirma Parker. Por ser uma empresa que atua em um grande número de segmentos e países diferentes, ela também enfrenta ameaças de todos os lados. Apenas no mercado de calçados ela compete com 13 empresas de porte mundial, além da Adidas.

O mais importante, porém, não são os resultados imediatos. Todo o mercado de artigos esportivos tem enfrentado quedas fortes. A grande questão para a Nike em sua nova fase é o que vai acontecer quando a crise passar. Parker afirma estar confiante de que a empresa sairá da recessão mundial melhor do que entrou. Ele não mexeu na meta, anunciada em 2007, de atingir o faturamento de US$ 23 bilhões em 2011. Para alcançar essa cifra, Parker está focado no portfólio dos principais esportes da companhia. Em março de 2008, após uma aquisição de US$ 582 milhões, a Umbro passou a fazer parte do conjunto de marcas controladas pela Nike, ao lado de Converse, Cole Haan e Hurley. Recentemente, a empresa se desfez de duas marcas pouco conhecidas no Brasil: a Bauer e a Starter. Fabricante de chuteiras e roupas para futebol, a Umbro se encaixa na estratégia global para essa área. Trabalhando com hóquei e roupas esportivas que eram vendidas no Walmart, a Bauer e a Starter não se encaixavam.

No final do ano passado, enquanto os pedidos nos Estados Unidos, ainda o principal mercado da Nike, caíram 4% e no Japão, 10%, nos mercados emergentes eles subiram 38%. Com exceção da China, que é tratada à parte por seu tamanho, os emergentes ainda representam pouco – giram em torno de 10%. A expectativa, porém, é que isso mude, graças particularmente ao Brasil, que se perfila entre os 15 maiores mercados da Nike (a marca ocupa hoje a terceira posição no ranking nacional de vendas), mas recebe tratamento semelhante ao dos cinco prioritários. “Há uma conexão natural com o mercado brasileiro para nós e agora, com a Copa e a Olimpíada, isso vai ser acelerado”, afirma Parker.

Como presidente do conselho e principal acionista, Knight ainda tem grande influência em todos esses movimentos estratégicos, mas desde que colocou Parker como CEO, o fundador se afastou de fato. Sua presença hoje na Nike é mais forte como fonte de inspiração. Há fotos dele espalhadas pelo campus e milhares de mensagens escritas por atletas e personalidades que lembram sua importância, em paredes de halls e corredores da sede. Há também uma mesa constantemente reservada no principal restaurante, com a edição do dia do jornal USA Today, seu preferido, para o caso de Knight resolver almoçar por lá, algo cada vez mais raro.

Aos 71 anos e dono de uma fortuna estimada em US$ 9,5 bilhões, Knight está hoje mais interessado em escrever e na sua produtora de filmes animados, chamada Laika. O interesse na produtora tem a ver com seu filho Travis, que trabalhava no local quando o estúdio quase faliu, em 2001, e foi salvo por Knight, que o comprou. Ele também gasta seu tempo nutrindo a ideia de escrever um romance, e chegou a frequentar aulas na Universidade de Stanford, na qual se graduou como contador em 1962 e para a qual já doou mais de US$ 105 milhões. Seu interesse por livros e filmes é um sinal de que, pelo menos na sua opinião, Mark Parker está no caminho certo.

Sua aprovação se reflete na valorização das ações na era Parker. Embora tenham se mostrado voláteis em meio à crise do ano passado, entre 2004 e 2009, elas se valorizaram 60%, enquanto o Standard and Poor’s 500, um dos principais índices da bolsa de Nova York, caiu 18%. O faturamento, no mesmo período, saltou de US$ 13,7 bilhões para US$ 19,1 bilhões. Tal como o presidente Barack Obama, Parker agora pode dizer “I can” (Eu posso), curiosamente um slogan criado pela Nike, em meados dos anos 90.

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BOLA NA REDE
A presença de Ronaldo, do estacionamento às estátuas, mostra como o futebol se tornou um dos esportes mais importantes para a Nike; à direita, uma cafeteria da sede

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“Somos obcecados por inovação”nike14

O maior desafio de mark parker, o atual ceo da nike, é preencher o espaço deixado por phil knight. Para fazer isso, ele comanda uma reestruturação que aprofunda o legado de seu antecesso

Quem entra pela primeira vez na sala de Mark Parker, CEO da Nike, impressiona-se com a quantidade de objetos, brinquedos, quadros, fotos e memorabilia. Depois de passar por um ambiente relativamente mais sóbrio, onde trabalham os vice-presidentes, o visitante se depara com uma camisa amarela emoldurada, assinada pelo ciclista Lance Armstrong. “Essa ele usou na vitória do Tour de France de 2005”, diz Parker, referindo-se à prova mais difícil do ciclismo mundial e a um dos atletas mais bem-sucedidos já patrocinados pela Nike.

Entre artigos esportivos e fotos de figuras importantes na história da companhia, muitos dos objetos que abarrotam estantes, escrivaninhas e até a mesa de vidro do executivo não têm a ver diretamente com esporte. São obras de artistas urbanos, inclusive brasileiros, e o que os especialistas chamam de brinquedos de arte, ou toy art. Eles compõem a enorme coleção que Parker acumula em viagens pelo mundo, um testemunho de sua vocação de designer. Nesta entrevista a Época NEGÓCIOS, Parker comenta as mudanças que conduz desde que chegou ao comando da Nike, em 2006.

Como é substituir Phil Knight? Trabalhei com Phil Knight por 30 anos, desde que cheguei à empresa, e ele tem sido uma grande fonte de inspiração, assim como o outro cofundador, Bill Bowerman. Tenho fotos deles aqui nas paredes do meu escritório. Eu me relaciono com o Phil de uma forma muito natural. Sempre tivemos uma excelente comunicação. É uma pessoa eclética, assim como era o Bill, o que eu gosto. Tendo a gravitar em torno de pessoas assim. Ele é um mito, um ícone, não apenas para a Nike mas também para o mundo dos esportes. Acabamos de passar um dia juntos durante o encontro do conselho de diretores. Ele tem muita confiança em mim e isso é algo que se desenvolveu ao longo dos anos. Mas fora as reuniões do conselho, não interagimos regularmente. Talvez duas ou três vezes, de forma bem breve e informal.

Mas substituí-lo como gestor não é um grande desafio? Vejo menos como um desafio e mais como uma oportunidade de continuar a cultivar uma cultura incrivelmente especial e poderosa. O espírito de inovação, a conexão com o atleta, a fixação em novidades que são efetivamente relevantes… são todos elementos centrais. Os melhores atributos dos esportes são os melhores atributos da Nike. É muito natural por aqui, temos muitos atletas. Fui um corredor competitivo, assim como Phil. Você encontra pessoas que foram atletas de alto nível, alguns até ganharam medalhas olímpicas. Há um grande sentimento de trabalho em equipe, adoramos nos unir, dividir ideias e competir, não entre nós, mas em relação ao nosso potencial.

O que o fato de a Nike ter como CEO um profissional com um longo currículo em design revela sobre a empresa? Acho que meu histórico em design aponta para como o produto é importante para a nossa cultura. Nosso sucesso é fundamentalmente baseado na força de nossos produtos. Somos uma empresa obcecada com inovação de produtos, e com inovação em geral. Por isso, valorizamos o design no mais alto nível. Sinto que é uma grande oportunidade para mim, vindo de uma experiência como essa, chegar a uma posição de liderança e poder ajudar a levar isso a um patamar ainda mais alto.

O que vocês fazem para manter a companhia inovadora e criativa? Reorganizamos a empresa para que as divisões se dediquem a categorias de esportes. Cada esporte está hoje estruturado quase como uma companhia individual. Se formos visitar a área de skate, ela se parece com uma empresa de skate. As pessoas são novas, têm tatuagens, usam piercings, são muito conectadas com a cultura desse esporte e dos esportes radicais. Já a área de golfe é diferente. Quebramos a grande Nike em vários grupos menores, competitivos e profundamente conectados com seus públicos. São times que mergulham no esporte para retirar sacadas profundas desses universos e transformar isso em inovações de produtos, em comunicação, em mensagem. Permanecer conectado com o atleta e com o consumidor é crítico para nós.

Quais são os resultados desse processo? Ele está dando frutos? Sim, totalmente. Se tomarmos como exemplo o trabalho que estamos fazendo em futebol, à medida que nos preparamos para a Copa do Mundo na África do Sul, sabemos que vamos apresentar algumas das melhores inovações que já fizemos nesse esporte. Serão lançamentos muito relevantes tanto do ponto de vista de performance como cultural.

nike15A reestruturação ocorreu porque a empresa está se tornando muito grande e vem perdendo a conexão com os consumidores? A reorganização é mais uma evolução natural dentro da empresa. Parte da força da Nike é que somos capazes de mudar quando a mudança não parece necessária. Muitas companhias têm de enfrentar um problema, um obstáculo, antes de mudarem. Mas nossa filosofia é que a distância entre a Nike e os nossos competidores é muito menor do que a distância entre a Nike e o seu potencial. Então nos focamos no nosso potencial e não em nos sentirmos bem sobre quanto somos melhores do que os nossos competidores.

Quando começou esse processo não havia relação com a crise, mas de alguma forma ele ajudou a preparar a companhia para a queda da economia mundial? A Nike tem um grande time de gestão, bem equilibrado. Venho de um histórico de design, mas me considero uma pessoa que usa tanto o lado direito quanto o lado esquerdo do cérebro. Acho que temos uma experiência forte e coerente em nosso time de gestão. Temos a habilidade de operar com excelência na área financeira ao mesmo tempo em que incentivamos a inovação, a criatividade e o design. Equilibramos essas coisas de tal maneira que nos permite sermos bem-sucedidos mesmo em tempos difíceis. E o último ano foi um dos anos mais difíceis da nossa história. Mesmo assim, fomos capazes de ganhar mercado sobre nossos concorrentes e melhorar nossa posição de liderança no mundo todo.

A Nike vai sair da crise diferente? Tomamos algumas decisões em 2009 para tornar a empresa mais forte. Tudo o que fizemos foi no sentido de conectar mais a empresa aos consumidores e aumentar a competitividade. Estamos também focando na disciplina financeira, para que possamos continuar apresentando resultados e equilibrando isso com um grande crescimento. Vamos sair dessa crise em uma posição ainda melhor para realizar o nosso potencial.

De onde virá o crescimento no futuro? Da China, dos mercados emergentes, da compra de outras empresas? Todas essas áreas são boas e importantes. A China é obviamente uma grande oportunidade para a Nike e muitas outras companhias. Nos sentimos muito bem em relação à nossa posição de liderança na China e estamos comprometidos a realizar o nosso potencial de crescimento lá, não apenas para a marca Nike, mas para o portfólio da empresa. O Brasil é outro enorme mercado para a Nike. É muito relevante por causa da cultura esportiva, muito rica e arraigada. O Brasil é um lugar fascinante, onde já estive várias vezes. A convergência de esporte, arte e música é algo em que nos encaixamos muito bem como marca. E agora, com a Copa do Mundo e a Olimpíada, isso vai ser acelerado e amplificado. O outro lado disso será ajudar o Brasil a realizar o seu potencial no cenário mundial, na arena do esporte.

A Olimpíada na China foi muito importante para o desenvolvimento da Nike no país. O senhor vê paralelos com o Brasil? Sim, acho que é um modelo. Para a Nike, as Copas do Mundo e as Olimpíadas representam um palco mundial, no qual apresentamos as últimas novidades em tecnologia, inovação e também sustentabilidade. Na China, aproveitamos para mostrar novos níveis de sustentabilidade que foram construídos nos produtos que muitos dos atletas usaram nos jogos. Também foi muito importante para construir a relação com as federações de esporte do país. A maioria dos times que competiram pela China era formada por times da Nike. E eles tiveram um desempenho de altíssimo nível, inclusive excedendo as expectativas. Também apoiamos programas para a comunidade e atletas novos, o que ajuda a desenvolver a cultura esportiva. Não vamos para um país apenas para ser parte do evento e depois ir embora. O objetivo é ajudar a construir a cultura esportiva de uma forma muito ativa.

Como nasce um tênis

Designer descreve a criação de um calçado inspirado em pontes suspensas

nike16Um bom exemplo de que como a Nike desenvolve uma nova tecnologia é o sistema Flywire. Lançado em 2008, depois de sete anos de trabalho, ele é uma das principais novidades tecnológicas do mercado de calçados esportivos nos últimos anos.

A ideia surgiu da cabeça de Jay Meschter, designer e diretor do principal centro de inovação da Nike, a Cozinha da Inovação. Meschter afirma que uma das metas constantes dos seus designers é encontrar formas de fazer calçados cada vez mais leves e resistentes.

O problema é que normalmente a leveza é inimiga da resistência. “Os tênis são feitos mais ou menos da mesma forma há mais de cem anos”, diz ele. “Fundamentalmente, você pega o molde de um pé, cobre de tecido e costura. Para aumentar a resistência é preciso colocar camadas extras de tecido, o que torna o calçado mais pesado.”

A solução para esse dilema começou a surgir da observação de pontes suspensas, que utilizam cabos para dar solidez às suas estruturas. A suposição de Meschter é que o mesmo poderia ser feito em um calçado: fios, em vez de novas camadas de tecido, formariam a base de sustentação.

O insight criou entusiasmo dentro da Cozinha de Inovação e um grupo de pessoas foi destacado para ajudar. Mas os obstáculos não demoraram a aparecer, e o primeiro era qual material usar. “Foi um pesadelo achar o material, batemos em todas as portas da indústria de superfibras e ninguém tinha material que podia ser costurado”, conta Meschter.

As primeiras apostas recaíram sobre cabos utilizados na produção de helicópteros e pela indústria espacial, mas quando se descobriu que o custo por unidade seria de US$ 50 mil, o projeto foi temporariamente arquivado.

Os designers, no entanto, continuaram trabalhando em um problema paralelo: como costurar os fios. A costura semi-manual, que é parte do processo mais convencional, não se mostrou adequada, porque para o sistema funcionar seria preciso combinar pontos longos com pontos curtos.

O objetivo era que os microcabos funcionassem como tendões do pé e dessem apoio apenas às partes que sofrem pressão na hora que uma pessoa se movimenta. “Não sabíamos como fazer isso”, diz Meschter. “Mas começamos a experimentar com uma máquina de costura computadorizada que temos no laboratório.” O equipamento era utilizado, na verdade, para bordar e teve de ser modificado.

Depois de muitas tentativas, os designers conseguiram programar a máquina para costurar toda a estrutura do tênis em uma tela plana, que depois seria dobrada e colada ao solado. O achado significava que eles tinham conseguido ao mesmo tempo criar um protótipo e uma maneira de produzi-lo em massa. “Ficamos tão felizes da primeira vez que a gente corria pelos corredores gritando ‘funcionou, funcionou’”, relembra Meschter.

O sucesso convenceu os diretores de inovação da viabilidade do projeto e a busca por material foi desengavetada. O kevlar parecia ser a alternativa definitiva até se descobrir que ele perdia qualidade quando exposto ao sol. O pessoal da Nike finalmente encontrou a resposta num fio usado em missões espaciais, o Vectran, quase tão resistente quanto o carbono e, ainda assim, flexível.

Os primeiros protótipos foram testados pelo corredor Michael Johnson, ganhador de quatro medalhas de ouro olímpicas. Após sete anos de idas e vindas, os primeiros pares de tênis usando o sistema foram apresentados nas pistas de corrida da Olimpíada da China. Hoje, ele é usado em vários produtos, inclusive calçados de basquete.