Arquivos da Categoria: MBA em Branding
Aula 5.1 – Avaliação de Marca
Estratégia e política da marca Knorr
Autores: Daniela Guizelini Denizo, Claudio Barbosa e Vanessa Bergamini
Trabalho apresentado na disciplina de Branding do MBA de Gestão Estratégica e Econômica de Mercado da FGV-SP – turma 5. (Setembro 2009)
Estratégia e política da marca Knorr
1. A empresa – Unilever
A Unilever Bestfoods Brasil Ltda é a quinta maior empresa de alimentos do Brasil. É líder em categorias chaves como sorvetes, caldos, molhos de tomate, sopas e maionese e possui marcas fortes como Kibon, Knorr, Arisco e Hellmann’s.
Em 2.007, o faturamento da Unilever Bestfoods Brasil Ltda foi de R$ 9,7 bilhões, segundo o relatório de sustentabilidade Unilever 2007, e possuía em torno de 12 mil funcionários, em todas as 12 fábricas e 4 escritórios.
1.1. Divisões de negócios

Fonte: site da Unilever
A empresa Unilever do Brasil possui três divisões de negócios: a Unilever Bestfoods, Kibon e Unilever Higiene e Beleza. A Unilever Bestfoods foi criada após a compra da Bestfoods pela Gessy Lever. Hoje, esta divisão possui marcas conhecidas no mercado como Knorr, Arisco, Ades, Hellmanns, Maisena e Food Solutions (venda para Food Service).
A Kibon foi comprada pela Unilever, porém continua como uma unidade independente, uma vez que toda a estrutura de produção, distribuição e vendas é muito diferenciada.
A unidade Unilever Higiene e Beleza é a unidade mais importante e rentável para a empresa. Ela é dividida em higiene pessoal, com marcas como Dove, Axe, Seda, Lux, Rexona e Close up. Há também a unidade de limpeza doméstica com marcas como Omo, Brilhante, Comfort, Fofo, Ala e Surf.
2. Marca: Knorr
2.1. Logotipo:
O logotipo da Knorr contém a assinatura original de Carl Heinrich Knorr, o fundador da empresa. O logotipo é o mesmo utilizado no mundo inteiro.

2.2. Descrição da marca:
A marca Knorr é uma marca internacional voltada para o mercado de alimentos e possui diversas linhas de produtos voltados para “soluções culinárias”.
2.3. Missão da marca:
“Na Knorr, nós queremos que as pessoas apreciem bons alimentos a qualquer hora, todos os dias.”
2.4. Portifólio de produtos:
2.4.1. Knorr no mundo
No mundo, segundo o instituto de pesquisa Mintel, a marca Knorr atua em diversas categorias de alimentos em diversos países do mundo, como molhos e temperos, sopas, refeições, acompanhamentos entre outras categorias. Os principais mercados da marca, em termos de número de categorias, são os países da Europa, Alemanha, Holanda, Áustria e Espanha, além do Brasil, Argentina, Japão, Estados Unidos, México e África do Sul.
2.4.2. Knorr no Brasil
No Brasil, a marca Knorr atua em 12 segmentos diferentes: caldo Knorr, caldo Knorr Vitalie, Knorr tempero TOK!, Knorr Meu arroz, Knorr sopão, Knorr sopão Vitalie, Sopas Knorr Coma colorido, Sopa instantânea Knorr, Extrato de tomate Elefante, Molho especial Knorr, Molho pomodoro Knorr Cica e molho de pimenta Knorr Cica.

Fonte: Euromonitor
2.5. Prisma de identidade da marca Knorr:

2.5.1. Físico:
- Alimentos que auxiliam no preparo das refeições.
- Temperam ou dão sabor aos alimentos: caldos, sopas e molhos
- Sabor acentuado/ forte
2.5.2. Relacionamento:
- Associação com pessoas relacionadas à culinária como, por exemplo, Ana Maria Braga
- Marca com grande proximidade às consumidoras com grande distribuição e ações de comunicação
2.5.3. Reflexo:
- Mulher moderna que possui pouco tempo para cozinhar, porém quer oferecer o melhor para sua família, assim como sua mãe e avó faziam.
2.4.4. Personalidade:
- Chef de cozinha – Inovador, sempre ligado às tendências culinárias, e ao mesmo tempo, prático, rápido e experiente
- Familiar, amigo
2.5.5. Cultura:
- Sempre estar ligado à tendência de mercado – produtos saudáveis
- Produtos ligados ao estilo de vida e gosto dos brasileiros
- Foco em inovação
2.5.6. Auto-conhecimento:
- Produtos saborosos e de alta qualidade.
- Produtos de tradição e confiáveis
- Refeições em família
* O prisma de identidade da marca Knorr foi elaborado a partir das análises da comunicação da marca pelos autores. Não foi fornecida nenhuma informação pela Unilever, a não ser as disponíveis ao público.
Aula 2 – Identidade de Marca
Aula 1 – O que é Branding?
Designing Brand Identidy – Alina Wheeler & Ed Wiley
A terceira edição deste livro de Alina Wheeler está mais completa e é leitura obrigatória para quem estuda ou trabalha com Branding.
Este guia de Branding em sua primeira parte apresenta os conceitos fundamentais necessários para rapidamente entender o processo, a criação de identidade de marca e disseminar o vocabulário utilizado em Branding. Na segunda parte apresenta processos de identidade de marca com comentários dos escopos e a natureza dos projetos feitos pelos maiores escritórios de branding do mundo todo, permitindo ao leitor entender um pouco a visão de cada uma destas empresas.
Esta seção responde a pergunta: Porque demora tanto tempo um projeto de Branding?
Na última parte ele apresenta cases de sucesso e suas melhores práticas. Locais e globais, públicos e privados, que inspiram e exemplificam por serem originais, flexíveis e com soluções duradouras como: Obama, RED, MoMA, Coca Cola e a brasileira IUNI. Este ano pela primeira vez duas empresas brasileiras estão entre os cem cases apresentados a Per Creare Branding e a liDBrand sua parceira, com o case IUNI Educacional, um dos dez maiores grupos de educação do país.
Este livro pode ser encontrado na Amazon.com e ser lançado em português até o final do ano pela editora Bookman.
Wandy Cavalheiro – especialista em Branding pela FGV /SP, Diretora Executiva da Per Creare Branding | Gestão de Marcas. Autora de diversos capítulos e artigos de Branding.
e-mail: wandy@percreare.com.br
Cacau Show – Daniella Griesi, Pedro Paulo Moraes, Thales Ferri Juliani
Trabalho apresentado na disciplina de Branding do MBA estratégia de mercado da FGV-SP – turma 5. (Setembro 2009)
Como Surgiu a Cacau Show
Foi na Páscoa de 1988 que um rapaz de 17 anos vendeu um monte de ovos pequenos de um fabricante de chocolates. Só que ele descobriu mais tarde que aquele tamanho de ovo estava fora de linha.
Em vez de frustrar seus clientes, o rapaz resolveu fazer ele mesmo os ovos, com a ajuda de uma senhora que fazia chocolates caseiros. Essa operação gerou um lucro líquido de aproximadamente US$ 500,00. Com esse capital inicial, a Cacau Show Ltda. iniciou suas atividades no bairro da Casa Verde, em São Paulo.
Filosofia
A CACAU SHOW fabrica muito mais do que chocolates e deliciosas trufas. O que produz são pequenas demonstrações de carinho que fazem as pessoas se sentirem lembradas e amadas.
A marca se esforça ao máximo para que o maior número de pessoas possa fazer um doce gesto capaz de provocar sorrisos, abraços e beijos.
Dados Gerais
A primeira Loja
A primeira loja só veio em 2001, construída num pequeno espaço de 40 metros quadrados, na cidade de Piracicaba. Pouco depois, ainda neste ano, a empresa implantou o sistema de franquia.

Faturamento: R$ 165 milhões
Lojas: 670 aproximandamente
Fábricas: (3) Itapevi , Campos do Jordão e Curitiba
Funcionários: 500
Produção: 12 mil toneladas de chocolates ao ano
Público: classe B e C principalmente
Informações
Mensalmente são produzidos mais de 15 milhões de trufas, de 25 sabores.
É a maior indústria na produção de chocolates finos do Brasil. Além disso, se tornou uma das maiores franqueadoras do país, sendo a maior rede de chocolates finos do Mundo.
Os produtos seguem um padrão internacional de qualidade alinhado a uma competitividade excelente.
Atualmente existem mais de 670 lojas com a marca Cacau Show, em mais de 330 cidades, em 24 estados, todas estão disponíveis para visita e análise de operação.
FRANQUIAS
Um dos grandes diferenciais da franquia é a garantia de recompra. Desta forma é demonstrado o compromisso e a certeza da franqueadora para o sucesso do franqueado, possível a partir da solidez de um negócio adequadamente estruturado e rentável.
Royalties: 50% do valor dos produtos comprados. Quanto ao retorno do investimento, aproximadamente 80% dos franqueados obtiveram-no até a primeira Páscoa, que é o melhor momento do ano para a venda de chocolates, dificilmente ultrapassa a segunda Páscoa.
1. “Não existia nenhuma loja de chocolates que trabalhava o público de classe média. Até então, as empresas do setor focavam apenas nas classes A e AA, de forma que os consumidores das classes B e C careciam de produtos com maior valor agregado. Principalmente fora da capital São Paulo, havia um grande público que não era atingido”, explica.
2. “Por meio de qualidade e preço, conseguimos atingir uma camada da população com condições de dar volume e sustentação ao negócio. É muito difícil crescer quando somente se vende para a classe A”.
3. A estratégia da Cacau Show parece ser a mais acertada, já que o ambiente econômico permitiu que a classe C aumentasse de 63 milhões para 86 milhões de pessoas, entre 2005 e 2007, somando mais de 20 milhões de brasileiros à faixa intermediária.
PRISMA DE IDENTIDADE DA MARCA

FÍSICO
» 670 lojas com a marca Cacau Show;
» Franquia com espírito de inovação, preço e qualidade dos produtos;
» Lojas bem distribuídas, confortáveis e uma variedade grande de produtos (chocolates, trufas, bombons, presentes, arranjos, etc
RELACIONAMENTO
» Reforça os conceitos de qualidade x artesanato em seus produtos (chocolates finos);
» Prevalece a demonstração de carinho na distribuição/comercialização dos seus produtos;
» Comunica-se através da satisfação em saborear seus produtos.
REFLEXO
» Público Geral (jovens, adolescente, mulheres, homens, idosos, etc);
» Preocupação com a satisfação instantânea/imediata de seus produtos (sensação de prazer, sorrisos);
» Supera as expectativas
» Doce, gostoso mas fino.
» “Porque pagar caro se a qualidade e tão boa quanto ou ate mesmo superior?”
PERSONALIDADE
» Alexandre Tadeu da Costa;
» Jovem visionário, empreendedor;
» “Sucesso não depende da faculdade. Ajuda, mas depende sim de suor, sensibilidade e conhecimento…”
CULTURA
» Exemplo de simplicidade com qualidade;
» Retorno garantido sobre o investimento (ROI);
» Satisfação em vender sabor, sorrisos e felicidade,
» Sustentável.
AUTO RECONHECIMENTO
» Saboroso, diversificado;
» “Melhor do que a concorrência”;
» Franquia de sucesso (Excelente investimento);
»Diferente (simples, acessível – preço – e fino)
POSICIONAMENTO DA MARCA
ESTRATÉGIA NEGÓCIOS
» Venda de Franquias (Valorização da Marca e retorno aos Franqueados);
» Preço, qualidade e capilaridade são pontos Fortes e Marca e tradição o “ponto a melhorar”;
» O maior objetivo estratégico é a liderança total no segmento.
CONTEXTO COMPETITIVO
» Kopenhagen como concorrente direto;
»Crescimento crescente produção caseira em massa (trufas, etc),
»Mercado aberto à produtos importados.
NECESSIDADES PÚBLICOS ESTRATÉGICOS
» Divulgação/fidelização Marca;
» Novidades em relação ao mix de produtos (atualizações de mercado e frente à concorrência direta),
» Promoções
Autores: Daniella Griesi, Pedro Paulo Moraes e Thales Ferri Juliani
Deu no New York Times – Larry Rohter
Esse livro ficou famoso, pois é o autor que era correspondente do New York Times no Brasil e teve algum atrito com o presidente Lula. Mas não é esse o único tema desse livro. Esse livro é uma referência para os que querem conhecer mais sobre a cultura dos brasileiros em uma perspectiva de um “gringo” ou de uma pessoa de fora do Brasil.
Para que tenham uma idéia do livro, o autor descreve que jamais esquece um aviso que foi colocado em um restaurante em Copacabana: “É terminantemente proibido fazer batucada nas mesas, cantar ou tocar instrumentos musicais enquanto a clientela está comendo”. Diz o autor que somente no Brasil poderia existir uma situação como essa que ele presenciou. O autor é um daqueles correspondentes do NY Times no Brasil que descreve sobre diversas experiências sobre cultura, sociedade, Política, Amazônia, economia e outros tópicos diversos.
Em um artigo, “As exportações valiosas do Brasil se valem de escravos e terras arrasadas”, referente à Amazônia, o autor explica uma experiência do trabalho em regiões remotas da Amazônia. O autor critica duramente o sistema de trabalho utilizado. O autor ressalta que empresas moveleiras como Ethan Allen e a L. & J. G. Stickley dizem que Mogno vem de fornecedores que vem de práticas sustentáveis, porém compram matéria prima da região.
É um pouco do cuidado que temos que ter quando comunicamos responsabilidade social e sustentabilidade. Neste caso, a marca que adquire produtos de um sistema de produção com essas características é, sim, corresponsável.
Portanto, temos que entender que ao articularmos um posicionamento de marca, temos que verificar se em todos os relacionamentos com os públicos estratégicos, a marca deve ter sua proposta de valor bastante consistente. De nada adianta comunicar que é socialmente responsável se em todos os pontos de contatos a marca não tem este posicionamento. O que vai para a mídia é constantemente checada pelos públicos estratégicos e uma notícia dessas pode acabar com o posicionamento da marca.
Recomendo fortemente a leitura dessa obra para todas que estão envolvidos com branding e que querem ter a percepção de um “gringo ” que foi e é apaixonado pelo Brasil.
As Marcas – Jean-Noël Kapferer
O livro “As Marcas” é a referência primária dos cursos de MBA de Branding que leciono.
O Senhor Jean-Noël Kapferer é uma referência acadêmica e profissional quando se tratar do tema de branding.
A primeira parte do livro explica a importância do Branding nas organizações, partindo do conceito de que marcas são ativos intangíveis valiosos para empresas e que seu processo de gestão gera um substancial valor para os acionistas. Nesta primeira parte do livro o autor não se limita à indústria de bens de consumo, pois trata também a questão do branding no segmento de marcas próprias, marcas de luxo e diversos outros setores e indústrias.
A segunda parte do livro aborda a conceito de identidade de marca e posicionamento de marca. Estes dois conceitos e dois capítulos talvez são no meu entendimento para o conceito de branding e gestão de Marcas, por detalha um ferramenta que pode auxiliar muito a revelar uma identidade de marca que é o Prisma de Identidade.
A terceira parte diz respeito ao processo de criação e sustentabildade da marca no longo prazo.
O livro traz em detalhe todas as etapas sobre gestão de marca. O capítulo 8, em específico, se responsabiliza por trabalhar o lançamento de marca, passando por desafios de mercados maduros, o conceito de ciclo de vida de marca, brand life cicle, chegando até arquitetura de marcas e gestão multi-brand portfolios.
Além disso, o livro traz excelentes contribuições para o tema de reposicionamento de marcas e administração de mudanças de nomes (pós-aquisição) e gestão global de marcas.
A quarta e última etapa, diz respeito à avaliação financeira de marcas. Pois, ao final, para completar o ciclo, marcas geram valor ao acionista.
Existe a versão em português do livro (Terceira Edição – “As Marcas”), porém confesso que prefiro mais a quarta edição do livro (ainda somente em inglês – “The New Strategic Brand Management“). A razão de minha preferência é que a terceira edição traz muito exemplo de marcas francesas e quando muito europeias. Já a Quarta edição do livro traz exemplos de marcas globais. Isto faz uma certa diferença, principalmente se você não conhece profundamente as marcas Francesas.
Pró-Logo – Michel Chevalier & Gérald Mazzalovo
Assim como acredito que o No Logo é um movimento consolidado, é indiscutível que o Pró-Logo também seja um movimento consolidado. Na verdade, as grandes marcas podem ser entendidas também como fator de progresso, no sentido de garantir um padrão de qualidade global, além de práticas e processos que asseguram uma visão de sustentabilidade de longo prazo.
Soma-se a isso a leitura de que marcas facilitam a nossa vida. Imagine se você tivesse que conhecer todos os produtos e serviços sem um endosso das marcas, quanto tempo levaria, por exemplo, uma simples compra de super-mercado?
Uma forma de vermos isto de maneira muito pratica é o exemplo do que ocorreu no Brasil no segmento de automóveis. Antes da abertura de mercado tínhamos quatro montadoras, a diferença de um veículo comprado no Brasil versus um veículo norte-americano era brutal. Hoje, ainda que a diferença exista, podemos entender que a diferença diminui drasticamente, pois a nossa indústria de automóvel possui muito mais competidores e onclusive hoje mostra um nível de segmentação muito interessante. Prova disso é que a Hyundai conseguiu uma percepção de marca em muito curto espaço de tempo no mercado nacional. Prova disto é que diversas operações de multinacionais tiveram seus fortes resultados financeiros associados à operação no Brasil.
Neste livro meus colegas colocam uma visão sobre o mundo das marcas, a questão do posicionamento das mesmas e o papel dos consumidores com relação a elas, e aqui um achado interessante: se engana os profissionais de marketing que acham que possuem o controle sobre as marcas. A marca está na mente dos consumidores e nos públicos estratégico. O diretor de marketing ou as ações de marketing são apenas meios e agentes para se construir (ou destruir) tais percepções.
Ao final o autor traz um alinhamento interessante entre marcas e globalização.