Fonte: Franqueando.wordpress
Publicado em 21 de Maio de 2013
Nossa conversa traz um dos temas com mais relevância quando falamos de negócio: BRANDING – Construção e gestão de marcas.
Para isso, convidamos uma autoridade no assunto, Eduardo Tomiya, fundador e diretor geral da BrandAnalytics, empresa com projetos de avaliação e estratégia para marcas como Bradesco, Petrobras, Vale, Santander, Fiat, Serasa Experian entre outras.
Foi diretor de avaliação de marcas na Interbrand (2000-2004, América Latina) e sócio diretor de corporate finance na Trevisan. Seus estudos e pesquisas na avaliação de marcas são publicados por veículos de grande expressão como a ISTO É DINHEIRO de ABRIL/2013 (nº 809) que trouxe um ranking com as marcas mais valiosas do Brasil.
Abaixo você poderá conferir a conversa afiada que fizemos sobre os temas: branding + franchising, confira:

1 – No ranking das 50 marcas mais valiosas do Brasil, 4 delas (Brahma, Localiza, Havaianas, Arezzo) tem o franchising como a sua estratégia de expansão e operação. Como você enxerga o setor, apontando os pontos fortes e fracos para a construção e posicionamento de uma marca?
<TOMIYA> A característica empreendedora do brasileiro aliado à um bom modelo de negócio faz realmente a franquia quando bem estruturada um projeto solidificado, e muito baseado em marca. Somada às marcas acima gostaria de adicionar algumas outras marcas que merecem uma atenção especial no franchising brasileiro, como por exemplo: O Boticário, Girafas, Wizard, Yazigi, McDonald’s entre muitas outras.
No meu entendimento, os pontos fortes é a perenidade dos negócios por parte dos franqueadores e também por parte dos franqueados, uma expansão exponencial de uma marca jamais acontece no setor sem um bom parceiro.
Deixa-me explicar melhor isto: por parte do franqueado, quantos brasileiros não sonham em ter seu negócio próprio? Inúmeros querem sair de seu emprego tradicional e empreender. O problema é que empreender sem uma boa marca realmente é muito difícil. Pior ainda, sem uma estrutura de processo e principalmente sem modelos de gestão bem estruturados, fica quase impossível, tanto isto é verdade que o índice de mortalidade das micro e pequenas é enorme. Uma das possíveis soluções para isso são as franquias.
Do outro lado, para as franqueadoras é uma maneira muito interessante de alcançar a capilaridade com consistência de marca e relativamente um pequeno capital empregue, é o famoso modelo win-win, ao qual todos ganham. Não é à toa que a Renner recentemente adotou o modelo de franquia (a centenária Renner).
Os pontos fracos são em realidade quando esta relação entre franquia-franqueado não se torna saudável e, por inúmeras divergências – que por exemplo, podem ser financeiras – mas não se limitam a isto. Esta relação pode ter consequências muito ruins para ambos os lados.
2 – As Havaianas tem um case de muito sucesso no Brasil e traça uma trajetória internacional brilhante, com uma “brasileiridade” muito forte em seu branding. Você acredita que mais marcas brasileiras, deveriam aproveitar os pontos fortes da nossa cultura (principalmente com eventos importantes para acontecer nos próximos anos)?
<Tomiya> Somente vejo este caminho. Certa vez fiz uma entrevista para um projeto de marca país, e um empresário do setor de franquias me disse o seguinte: “Como nossa infraestrutura de logística e tributos é muito ruim, temos que ser muito bons em nossa proposta de valor, ela tem que ser muito mais clara que qualquer outra empresa do mundo. por que temos que provar a todos que nossos produtos são bons”. Usar o atributo “brasilidade” pode ser interessante para empresas de bens de consumo, porém tenho dificuldade de ver uma empresa de b2b usar isto como proposta de valor. Porém para a proposta de valor de algumas categorias como calçado, fast-food, e mercados fashion acho muito interessante.
3 – Em junho acontece em São Paulo o maior evento da América Latina do setor, a Expo Franchising 2013. Nela a expectativa é tenhamos 470 expositores de diversos segmentos, sendo que, serão 48 novos expositores (ou 10% do total) de novos negócios que nunca participaram da feira. Em sua opinião, o que esses novos e outros possíveis empresários que pensam em franquear no futuro devam se atentar no lançamento das suas marcas?
<Tomiya> Diria a estes empresários que é um caminho fértil na busca de perenidade de marca, pois conforme mencionado é uma relação que busca o win-win, e com muito respeito de ambas as partes e espirito de parceria, estou certo dos ótimos resultados que podem ser obtidos. Mas cuidado com a imagem que você (um dos 48 novos expositores) vai deixar. Digo sempre que a primeira impressão é a que fica. O seu “cliente” (potencial franqueado) deve ter a impressão que sua empresa não é uma aventureira e tem planos muito consistentes para o negócio e para a marca. O futuro franqueado deve se sentir parte especial neste processo, portanto deve ter vontade e segurança de iniciar um empreendimento com você.
4 – Pra finalizar, qual a dica para que os empresários e executivos do franchising coloquem o Branding como destaque em suas agendas?
<Tomiya> Não existe franquia sem marca. Marca talvez sejam um dos alicerces de uma franquia. Você conhece alguma franquia sem padronização, processos, procedimentos, típicos de uma marca? Eu não conheço nenhuma. Portanto o branding é um dos ativos intangíveis mais valiosos das empresas no segmento de franquias. Invista com consistência neste tema, e faça parte deste seleto casos de sucessos bem mencionados.