Uma máquina de construir casas

Fonte: O Estado de São Paulo
Por Naiana Oscar

Campeã de vendas do programa Minha Casa, Minha Vida, MRV tem planos de construir 70 mil
casas por ano até 2015, o que pode transformá-la na maior construtora do mundo

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Aos 12 anos de idade, Rubens vendeu uma vaca, presente do pai, e investiu o dinheiro em dólar e ouro. Aos 19, estagiário de engenharia numa construtora de Belo Horizonte, descia o carro na banguela para economizar gasolina. Aos 23, apostou com o chefe um jantar à base de camarão se conseguisse construir uma casa a um custo abaixo do estimado. O imóvel está lá, na Rua dos Maçaricos, zona norte da capital mineira, como pedra fundamental do que é hoje a MRV ? maior construtora do País voltada para a baixa renda e também a que mais fatura com o programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal, segundo dados de mercado.

O jeito austero com que Rubens Menin, de 54 anos, tratou suas contas desde a infância está impresso na empresa criada em 1979, em sociedade com dois primos. “Somos espartanos”, gosta de dizer. Cortar custos é a alma do seu negócio. Foi assim que ele fez da MRV uma máquina de construir ? na semana passada, com valor de mercado de R$ 5,7 bilhões. Ela disputa com a PDG Realty o posto de segunda empresa imobiliária mais valiosa da Bovespa, atrás da Cyrela.

No ano passado, a MRV produziu 13 mil casas e apartamentos e vendeu 23 mil, faturando R$ 2,8 bilhões. No prazo máximo de cinco anos, Rubens quer tornar a MRV um fenômeno mundial, com uma média de 70 mil unidades construídas por ano. A mexicana Homex, hoje a que mais constrói, coloca em pé 53 mil casas. No Brasil, só a Encol, que foi a maior do País e faliu em 1997, chegou tão perto. “É um objetivo ousado, mas não chega a ser impróprio, desde que haja escala”, diz o professor de Real Estate da USP, João da Rocha Lima Jr.

Isso significa instituir uma produção em série na companhia, coisa que a MRV já faz, mas precisa aperfeiçoar. Originalidade não é uma palavra que se costuma pronunciar nos corredores da empresa, nos canteiros e nos plantões de venda. Menin se orgulha disso. Abre um sorriso quando avista a fachada padrão de seus imóveis. “Reconhece?”, costuma perguntar. “É nosso.” Todos os apartamentos são iguais nas 75 cidades onde está presente. O piso salmão da sala é o mesmo em São Paulo e em Porto Alegre. As 135 mil janelas encomendadas para este ano não diferem em nada umas das outras. Para ter escala, a MRV tenta aumentar ao máximo o número de unidades por canteiro de obra, sem ter de multiplicar o número de empreendimentos.

As novas metas de Menin começaram a ser delineadas em um fim de tarde de dezembro de 2008. “A Dilma está no telefone e quer falar com o senhor”, avisou a secretária. Era a Rousseff, convidando-o para uma reunião em Brasília. Além dele, outros seis empresários da construção se sentaram à mesa para discutir o programa. O plano chegou meio torto: as construtoras teriam participação secundária e dependeriam das terras do poder público para construir. As empresas ajudaram a reformular o programa. “No dia do anúncio, fomos morrendo de medo para Brasília. Não sabíamos o que nos esperava”, lembra Menin. “Acabou saindo melhor do que a encomenda.” Todas as propostas das construtoras foram aceitas e o governo ainda decidiu subsidiar parte dos imóveis.

Assim que o Minha Casa, Minha Vida engrenou, a MRV refez as metas. O crescimento, estimado no início do ano em 15% em relação a 2008, foi ampliado para 50%. As vendas quase dobraram. O programa, criado para facilitar a compra de imóveis por famílias de baixa renda, caiu como uma luva para a construtora, com uma experiência de três décadas nesse segmento.

Trator. Menin, que já era uma máquina no trabalho, virou um trator. Ele viaja duas vezes por semana, num avião particular, para visitar obras, terrenos e concorrentes. O jato sai de Belo Horizonte impreterivelmente às 5h55. Quem atrasa fica para trás. “Corremos contra o pôr-do-sol porque no escuro não dá para ver obras.” Nas cidades que ele levava no máximo 1h30 para percorrer, hoje precisa de quase cinco horas, porque as paradas se multiplicaram. Há duas semanas, numa quinta-feira, Rubens esteve em São José do Rio Preto, Araçatuba, Sorocaba e Itu, no interior de São Paulo ? Estado que concentra um terço do negócio. O recorde foram 12 municípios em um dia.

Naquela quinta, de calça cáqui, sapato social, camisa Lacoste e uma bolsa preta a tiracolo, Menin esteve em 22 canteiros, 20 terrenos e em cinco concorrentes no período de 12 horas. Uma comitiva, formada por diretores regionais e corretores, esperava por ele em cada um dos destinos com um mapa da cidade e imagens de satélite dos terrenos. Menin acompanha todos os trajetos no mapa e fica aflito se não consegue identificar em que rua está passando. “Você não disse que esse terreno estava em área urbanizada, Tonhão?”, perguntou a um dos diretores e amigo de faculdade. “Isso aqui está no meio de um clarão. Não tem nada perto.”

O empresário diz que revolucionou o mercado de baixa renda ao mostrar que é possível construir condomínios baratos dentro da cidade. Por isso, o sucesso de um empreendimento depende da escolha do terreno. Todos são visitados por Menin e passam por sua aprovação. “Ele sempre quer saber se tem padaria perto”, diz um dos corretores. “Eu e o Elie Horn (da Cyrela) somos os que mais rodamos”, conta Menin. “Às vezes me ligam para dizer que ele acabou de passar por uma obra nossa. E ligam para o Elie para contar que me viram numa obra deles.”

Na visita aos canteiros, ele circula entre os operários e entra em pelo menos um imóvel do empreendimento. Depois de um tapinha nas costas do engenheiro responsável, dispara uma série de perguntas-padrão: prazo, número de funcionários, unidades concluídas, custo, nada escapa. “Essa é a sua pior obra em produtividade, não é?”, perguntou a um dos supervisores, que em resposta deu um sorriso sem graça. Na saída, Rubens sacou o gravador: “Parque Alba, 350 homens, 30 apartamentos, produtividade baixa.”

Cobrança. São até 100 gravações por viagem. Entre uma cidade e outra, Menin liga para a secretária, em Belo Horizonte, e “descarrega” o que gravou. Ela envia as mensagens para os gestores responsáveis por cada área. Na viagem que o Estado acompanhou, um dos diretores recebeu três e-mails enquanto dividia o mesmo carro que o chefe.

A cobrança por resultados é aplicada aos 18 mil funcionários. O cumprimento das metas é recompensado com bônus, prêmios, participação nos lucros e ações da empresa. Hoje, R$ 420 milhões ? 7,1% do capital ? estão nas mãos de executivos e conselheiros. Menin tem 34,6% das ações. A maioria dos executivos é formada por amigos pessoais. “O Rubão liga o tempo todo, até no fim de semana, para tratar de negócios, sugerir um vinho ou saber os resultados de um exame médico”, conta Lucas Cabaleiro, diretor de desenvolvimento imobiliário.

Desde janeiro, Cabaleiro disputa o primeiro lugar no ranking dos diretores que mais compram terreno e mais conseguem fazer permuta (oferta de imóveis como parte do pagamento). Se atingir a meta, pode ser recompensado com até 12 salários. Engenheiros que reduzem prazos e custos podem ganhar até oito. Este ano, os supervisores de obra passaram a ser motivados por um concurso próprio, com prêmios que variam de R$ 10 mil a R$ 50 mil.

O comprometimento com a redução de custos é alvo de programas específicos, com bônus próprios. Em 2008, no auge da crise, a construtora lançou a “brigada de custos”. Cada um dos diretores ficou responsável por reduzir os gastos numa área que não é a sua. A meta de Menin, por exemplo, é diminuir a conta de telefone. Fazer economia pode significar até 30% a mais na participação dos lucros no fim do ano. Desde o início da brigada, a empresa economizou R$ 42 milhões ? dinheiro suficiente para construir 800 unidades.

Em casa, nem a fatura dos cartões de crédito dos três filhos casados escapa à calculadora de Menin. “É incrível como ele consegue cuidar da empresa e das nossas despesas ao mesmo tempo”, disse a filha Maria Fernanda, 30 anos, promovida no mês passado ao cargo de diretora-jurídica da empresa. Só o filho mais novo, João Vitor, 28 anos, não está na MRV. Rafael, de 29, também foi promovido recentemente, com a reestruturação do organograma. A mudança está diretamente ligada a uma futura sucessão de Menin, mas ele não fala em aposentadoria. “Se parar, embota.” Disposição ele tem. Na viagem que o Estado acompanhou, iniciada quando o sol ainda não tinha nascido, Rubens só ameaçou o primeiro bocejo às 18h58.

Um processo para gestão do Valor de Marca

Fonte: Revista RI  n°137
Por Eduardo Tomiya
Publicado em outubro de 2009

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QUAL É A POSSÍVEL DEFINIÇÃO PARA BRANDING?

O termo “branding” tem sido utilizado por muitos autores e mesmo no mercado não existe uma definição muito precisa. São inúmeras as definições e muitas delas corretas.

Por Eduardo Tomiya

Em 2001 a ANA (Associação Norte Americana de Anunciantes) reuniu especialistas para buscar uma possível definição para o termo. “O consenso obtido nesta discussão é que a marca representa o negócio. O negócio é um reflexo de todos: seus colaboradores, seus parceiros, seus fornecedores e seus consumidores. A Marca efetivamente representa a cultura de todos os que possuem contato no negócio”

A partir desta definição entendemos que a marca não pode se limitar ao stakeholder ‘cliente’, bem como a marca não pode simplesmente ser um logotipo bonito ou um nome bem feito. A marca representa a cultura de todos os públicos estratégicos que possuem contato com ela, portanto qualquer posicionamento derivado dela deve estar extremamente consistente com sua essência e seus valores, ou com sua identidade.

A polêmica gerada pelo tema é grande. O lançamento do livro “NO LOGO” de Naomi Klein (Editora Picador, 1999) gerou uma grande discussão, no meu entender extremamente saudável, pois traz à tona uma ideologia que coloca de maneira muito clara que as marcas globais são instrumentos de dominação de países desenvolvidos.

Por exemplo, ao utilizar mão de obra infantil para fabricar bolas de futebol na Ásia, uma marca de esportes pode não estar tendo uma postura muito ética com a sociedade. A despeito de a marca esportiva contra-argumentar que o trabalho infantil faz parte da forma como as famílias trabalham naquela região do mundo, o tema levanta uma questão muito importante. A marca tem que zelar pela consistência de sua imagem em todos os pontos de contato com os públicos estratégicos e seus valores e princípios devem reger todas as ações da empresa.

Portanto, para quem trabalha com branding e entende este princípio e esta definição, o ‘NO LOGO’ auxilia e muito a enriquecer a visão sobre o tema Gestão de Marcas. O livro reforça a visão de que hoje, com todos os meios de comunicação disponíveis, é impossível que ações prejudiciais à imagem desejada passem despercebidas.

Em paralelo a toda esta tendência, já se observou no mercado de capitais alguns fenômenos interessantes. A década de 90 foi caracterizada pelo excesso de processos de Fusões e Aquisições. Segundo o jornal britânico Finacial Times 75% delas, naquele período, tiveram resultado abaixo das expectativas dos acionistas. Ou seja, os tais problemas com o pós-aquisição ou com a integração das empresas.

Um dos pontos observados à época foi a falta de uma definição clara da cultura da empresa que surgiria da fusão. É comum até hoje observarmos que, em uma fusão, a primeira reação do mercado é temor, pois se espera confusão.

Vejamos um exemplo, no mínimo atípico, cujas informações foram baseadas no livro “BRAND FAILURES: A verdade sobre os 100 maiores erros de Branding de todos os tempos” de Matt Haig (Editora Kogan Page). Trata-se do case “Quaker Oats Snapple in understanding the essence of the brand”

Criada em 1972 a marca Snapple foi criada como uma marca bem posicionada, criando uma cultura muito forte:

· If it is not found in nature, it is not found in Snapple (Slogan)

· Sempre se posicionou como uma alternativa aos refrigerantes (Comunicação, Canal – era vendida em pequenas lojas de conveniência – Produto).

· Wendy Kauffman – personagem que representava em propagandas a recepcionista que respondia cartas de fãs com declarações sobre sua experiência com a marca Snapple.

· Sucesso nos Estados Unidos.

Em 1994 a Snapple foi comprada pela Quaker por US$ 1,7 Bi:

· Empresa busca mudar seu posicionamento da marca , a fim de otimizar a sinergia de canal com a Quarker.

· Altera-se o posicionamento de marca – estratégias de comunicação e de canal para uma marca de massa.

Em 1997 a Snapple foi vendida para Triarc por US$ 0,3 Bi:

· Foi considerado pela revista Business Week: “o pior negócio da década de 90”!

Em 2000 a Snapple foi vendida pela Triarc para a Carbury por US$ 1,0 Bi:

· Em 1997 a marca retorna a sua essência e identidade, e, com várias ações (entre elas o retorno da Wendy Kauffman), é vendida em 2000 por um valor bastante substancial.

Este caso, por outro lado, mostra sim um problema na pós-aquisição. Porém, também mostra para o mercado de capitais que marcas possuem essência, identidade e que estas, quando mal posicionadas, podem ter um resultado final – como valor do acionista – bastante ruim. Mostra ao mercado e aos private equities ou venture capitals, por outro lado, que existe uma grande oportunidade: a de se comprar barato, recuperar a empresa ou o negócio e potencializar e realizar uma quantidade de lucros bem expressiva.

A partir da década de 90 inicia-se uma maior consciência sobre o tema “valor de marcas e branding”, e sobre o fato de que o processo poderia ser estruturado de forma a otimizar o valor do acionista. Este processo poderia ter uma definição a partir de uma essência ou identidade, passando-se ao posicionamento e arquitetura de marcas e finalmente chegando-se a um sitema de métricas para implementação do programa na organização. Afinal, o que se mede se gerencia (Gets Measured Gets Done).

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Vamos pegar alguns exemplos recentes de empresas que primam em ter muito claro este conceito e implementar o mesmo em seu dia-a-dia. A AmBev, que sai em meados de 1995 com uma marca Brahma, evolui no posicionamento da mesma, adquire a Antártica, reposiciona a Skol, consolida as marcas no Brasil, parte para internacionalização na América Latina, realiza a fusão com a InBev, e, finalmente compra a tradicional Anheuser –Busch. Quanto foi o valor agregado ao acionista deste processo como um todo? No último ranking – em 2009- ‘As Marcas Brasileiras mais Valiosas’, lançado anualmente pela BrandAnalytics, a soma do valor das três marcas foi de R$ 7.844 Milhões. A marca Havaianas, por exemplo, aparece no mesmo ranking com valor de R$ 416 Milhões.

Definitivamente estas marcas entenderam o processo de criação e gestão de marcas, e que o mesmo não deve se limitar a um logotipo bonito ou a uma propaganda legal – ainda que estas duas coisas sejam parte integrante do processo de construção de marcas.

Quais são as características necessárias para um processo para implementação de Branding?

São duas as características importantes neste processo:

· Deve ser orientado à otimização do valor do acionista de longo prazo.

· Deve ser orientado como métricas para otimização do valor dos ativos intangíveis, uma vez que o conceito de geração e extração de valor deve ser sempre acompanhado de métricas que auxiliem na definição e implementação do conceito.

Ou seja, as ações de um programa de branding devem sempre e necessariamente construir valor para o acionista – hoje isso está muito mais no valor dos ativos intangíveis que nos ativos tangíveis.

Percepção é a Realidade e é a forma pela qual as empresas extraem valor de seus ativos intangíveis

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Algumas das questões mais importantes a serem ressaltadas são a diferença entre os pontos fortes ou diferenciais da empresa na ótica dos públicos internos e a percepção dos públicos externos, que muito freqüentemente encontramos na implementação deste processo. A seguir, ilustramos com um gráfico adaptado de Sullivan:

Neste gráfico, o Valor Gerado representa os diferenciais competitivos da empresa, tais como Capital Humano, Capital Organizacional e Capital de Relacionamento. O Valor Gerado somente é extraído quando os diferenciais competitivos são percebidos como proposta de valor dos públicos externos. Por exemplo, se for relevante para um banco ter um bom atendimento na sua proposta de valor, então o Capital Humano da empresa deve ser percebido como diferencial nos públicos externos, ou seja, atendimento é um driver de escolha do banco. Caso contrário o valor é gerado e não extraído – ou seja, é um investimento que a empresa possui cujo valor não estaria sendo extraído nos resultados econômicos da corporação (receita, custo, despesas e projeção de custo de capital).

Outro ponto de risco pode ocorrer quando a percepção existe – foi criada eventualmente por uma campanha ou propaganda – porém, ou aquela proposta não tem muita correlação com a identidade da marca (o jeito de ser e fazer as coisas) ou os pontos de contato da marca não estão alinhados (produto/ serviços, atendimento, experiência de compra, pós-venda entre outros).

A situação ideal é quando os diferenciais competitivos que efetivamente existem na corporação são percebidos pelos públicos estratégicos. A consistência desde processo cria os atributos da marca na mente dos públicos estratégicos e propiciam à organização a sustentabilidade de longo prazo. Conseqüentemente, otimizam o valor do ativo intangível na organização.

Cópia de RI-137 25A primeira etapa deste processo é o entendimento da Identidade da marca ou da Essência da marca. A BrandAnalytics entende que o conjunto Capital Humano, Capital Organizacional e Capital de Relacionamento podem conter um elemento comum que é o jeito de a empresa fazer.

Por exemplo: uma coisa é o banco ter um bom gerente – supomos que este seja o João. O João pode por si só propiciar um bom atendimento a seu cliente. Aí estaria o valor exclusivo do capital humano. Porém, se o João for de um banco e não limitado ao João apenas – isso começa a migrar para a marca da instituição.

Ou seja, o atendimento começa a criar percepção que qualquer que seja o gerente, o atendimento tem consistência e será o mesmo ( jeito de ser do banco). Vantagens? Se o João sair da instituição X para a Y, ele terá dificuldade de carregar consigo a carteira de clientes, pois está lidando com uma marca forte – isso é muito comum no segmento Private. É uma vantagem competitiva associada à organização e à marca, que pode minimizar o risco de uma operação. É a forma de ficarmos cada vez mais preparados para a economia dos intangíveis.

Usei um exemplo para Capital Humano, mas poderia fornecer exemplos para Capital Organizacional ( o jeito de a empresa estruturar seus processos) e para Capital de Relacionamento (o jeito de a empresa se relacionar com seus públicos). Este modelo justifica o ativo intangível.

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“O posicionamento de marca é a maneira de articular a proposta de valor, a fim de que seja otimizado o valor dos acionistas. Este posicionamento é derivado de um extensivo processo de análise dos públicos, da identidade da marca e, principalmente, em linha com a estratégia de negócios da empresa (visão, valores, missão).”

A Identidade da Marca é o jeito de ser das empresas e tem muito a ver com a ideologia e princípios dos fundadores da mesma. Quantos são os casos de pessoas que um dia pensaram de maneira diferente e estabeleceram uma cultura por detrás da empresa? Os exemplos são inúmeros. Cito, no Brasil, o Comandante Rolim, da TAM, o Sr. Amador Aguiar, do Bradesco, o Sr Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar. No exterior destaco Steve Jobs, da Apple, Bill Gates, da Microsoft, Howard Schultz, da Starbucks, entre tantos outros influenciadores da cultura organizacional. Estes brilhantes empresários se cercaram de profissionais e estruturaram corporações extremamente alinhadas com esta ideologia e as marcas criaram percepções externas junto aos seus públicos. Revelar a identidade da marca é mapear este processo através de um profundo diagnóstico junto aos públicos internos e externos. A pergunta que sempre faço: Você tem de maneira muito clara a identidade de sua marca?

O posicionamento de marca é a maneira de articular a proposta de valor, a fim de que seja otimizado o valor do acionista. Este posicionamento é derivado de um extensivo processo de análise dos públicos, da identidade da marca e, principalmente, em linha com a estratégia de negócios da empresa (visão, valores e missão).

O posicionamento deve obedecer algumas características, tais como: ser confiável, único, relevante e perene. É uma declaração que orienta todos os pontos de contato dos públicos externos com a marca e define como a empresa vê o negócio, em que a marca se diferencia dos concorrentes e o que a marca de fato entrega para suportar sua proposta de valor. Um ponto importante nesta etapa é já ter alinhado e quantificado todos os riscos do posicionamento em cada ponto de contato com a marca, deixando extremamente claras as mensagens chaves para cada um deles e métricas para suportar e implementação do mesmo.

Algumas perguntas que o posicionamento deveria responder:

1.Qual a melhor estratégia para realizar patrocínios?

2.Supondo que existiam várias marcas – inclusive a corporativa – e supondo que realizou alguns patrocínios, que marca deve capitalizar estes patrocínios?

3.Existe a necessidade de flexibilidade na estratégia global em mercado local – por exemplo, a Petrobras entrando no mercado Argentino?

4.Quantas marcas de fato são necessárias para a empresa?

5.Quando tenho que lançar um novo produto, supondo que tenho várias marcas, em que marca lanço este novo produto?

6.É claro o nível de endosso da marca Corporativa em meus produtos?

Dizem que grande parte do sucesso de um programa de Branding está na sua implementação, portanto é fundamental a elaboração de um guia para implementação do programa em cada ponto de contato da marca, com procedimentos (não exclusivamente de logotipia ou de comunicação), mas também referente a deixa muito claro o jeito de ser do capital humano, capital organizacional e capital de relacionamento. Este é um exemplo de Brand Book.

Ao final, para cada segmento da marca, são estabelecidos Brand Scorecards, que mensuram a efetividade do programa nas dimensões.

1.Financeira de longo prazo – Valor dos ativos intangíveis e da marca

2.Financeira de curto prazo – vendas, lucro, EVA

3.Percepção da Marca – processo de decisão de compra

4.Processos internos do branding – monitoramento de métricas de processos internos do marketing: comunicação interna, externa, mídia, CRM, etc.

5.Força de Marca – Brand Equity, gaps em relação ao posicionamento.

Este conjunto de atividades é uma das possíveis abordagens para a implementação do conceito do Branding nas organizações e quer otimizar o valor da marca em todos os pontos de contato, dando suporte para que as empresas entendam o correto valor deste ativo. Você tem isto em sua empresa? Ou você entende que a marca é somente um logotipo bonito ou uma bela peça publicitária?

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(*) Eduardo Tomiya é engenheiro, Mestre, Phd em Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, sócio fundador da BA – BrandAnalytics Consultoria de Marcas. Foi por 6 anos Diretor de Brand Valuation da Interbrand (América Latina e Ibéria) e por 5 anos foi sócio diretor da Trevisan na área de Corporate Finance. É professor de branding na FAAP, FGV, INPI, Rio Branco. (E-mail: eduardo.tomiya@brandanalytics.com.br)

Sem limite para crescer

Fonte: Época Negócios
Por Jean-Claude Larreche

Qual o segredo das empresas que dão saltos quânticos em vendas e lucros por anos
seguidos, enquanto concorrentes avançam pouco ou estacionam? Um estudo revela:
não é mágica, mas uma excepcional habilidade para se antecipar, criar e lançar
produtos matadores

semlimitesfoguete01Produzir crescimento lucrativo ano após ano – eis o principal desafio dos líderes empresariais. Muitas empresas enfrentam dificuldades para alcançá-lo, outras conseguem aos solavancos, mas poucas excedem com consistência. Como conseguem? A resposta está no efeito momento.

Trata-se de um poderoso fenômeno pelo qual, em condições específicas, um crescimento orgânico excepcional é criado e se alimenta de si mesmo. O momento acumula energia do próprio sucesso e fornece aceleração cada vez maior para empresas ágeis o suficiente para aumentá-lo e aproveitá-lo. Essas empresas avançam de sucesso em sucesso com uma facilidade desconcertante. O crescimento impulsionado pelo efeito momento exige uma combinação sutil de diversos elementos. Essa combinação pode ser proposital ou ocorrer por acidente, mas sua mágica só funciona de verdade se for executada dentro de uma cultura especial e com certo tipo de liderança.

Foi o impulso por trás do desempenho extraordinário da Microsoft, do Wal-Mart e da Dell – até que perderam o momento e lutam até hoje para recuperá-lo. A mesma energia quase irresistível está impulsionando hoje a Apple, a Toyota, a Virgin e a Nintendo. Mas caso não consigam mantê-lo com inteligência, verão o momento por trás de seu crescimento desaparecer. Essa é a parte complicada: o momento é transitório. Sem cuidados constantes, sua força pode se mostrar efêmera.

O impulso que fornece a base inicial necessária para desenvolver o momento vem de novas ideias e descobertas sobre o mundo do cliente. Boa parte do sucesso do videogame Nintendo Wii vem da simples compreensão de que ficar se mexendo é mais divertido que ficar sentado, e que quando mexem seus corpos as pessoas interagem mais naturalmente com quem está ao seu redor do que quando estão sentadas. Usar os braços para controlar uma raquete de tênis, um bastão de beisebol ou uma luva de boxe dá uma sensação mais real do que usar o polegar, assim como ficar de pé ao lado dos oponentes, em vez de sentar ao seu lado, permite que os jogadores se olhem mais, se toquem mais, conversem mais e fiquem mais envolvidos e ativos em todos os aspectos. Em suma, todos se divertem mais.

Uma estratégia bem-sucedida exige que uma ambição seja compartilhada por toda a empresa: satisfazer, reter e envolver os clientes

Para descobrir essas novas ideias, no entanto, as empresas precisam explorar o espaço de seus clientes, sua visão de mundo e as emoções que motivam seu comportamento. Nem todos os caminhos para a estratégia de momento podem ser indicados tão facilmente pelos clientes. Como dizia Henry Ford, “se eu tivesse perguntado aos clientes o que queriam, teria inventado um cavalo mais rápido”. A exploração significa estar à frente de todos, incluindo os clientes: são as ideias reveladas por essas explorações que descobrem fontes originais de valor e impulsionam o crescimento excepcional. Para explorar essas oportunidades com sucesso, as empresas precisam elaborar ideias com grande poder de atração de clientes, como ocorreu com o Wii.

São ofertas tão pertinentes, irresistíveis e poderosas que os clientes se sentem atraídos pelo seu magnetismo. Não é apenas outro nome para desenvolvimento de produtos. Isso inclui a imagem, um relacionamento, a confiança, o status trazido por ser “membro” do “clube” de usuários. Envolve também moldar todos os aspectos para aumentar a percepção de valor para o público-alvo. Nada ilustra melhor a capacidade da Toyota de elaborar uma oferta poderosa que gera impulso do que o Scion, um modelo de carro para motoristas mais jovens. Para eles, o valor está na customização e na individualidade, e a internet possui um papel crítico em suas vidas. O que fez a Toyota? Concebeu um carro que não se parece com o do papai e da mamãe, que pode ser projetado online pelo cliente e recheado de opcionais, como sistemas de som de vanguarda e desenhos radicais na carroceria.

O Wii e o Scion são exemplos de produtos que não poderiam ter sido criados da maneira tradicional. O processo de descoberta que revela ideias irresistíveis é muito mais ambicioso que a análise detalhada de grandes quantidades de dados que qualquer empresa realiza. Análise é bom, mas a dependência excessiva do cálculo racional, em contraste com a exposição à realidade subjetiva do mundo de cada cliente, possui sérias limitações e corre o risco de ignorar ideias valiosas.

Richard Branson deu o nome de “Virgin” (virgem) às suas empresas e produtos para indicar que nada sabia sobre os negócios com os quais estava se envolvendo. A mensagem à concorrência era clara: “Eu nada sei, e essa é a minha grande força. Vou desenvolver novas soluções. Você pode achar que a experiência é sua grande vantagem, mas é seu calcanhar de aquiles: você está preso à tradição”. Branson inovou em diversos mercados, entre eles música, varejo e companhias aéreas.

Em nenhum desses setores a Virgin realizou inovações tecnológicas. Todas foram impulsionadas por um melhor entendimento de seus clientes. Das várias empresas do grupo Virgin, a companhia aérea Virgin Atlantic destaca-se como um dos exemplos mais completos de empresas movidas a momento. Devido ao seu foco nos clientes, a Virgin Atlantic sempre se destacou por fazer as coisas de um jeito diferente. Ela criou um novo nome, “Upper Class” (classe alta) para um serviço com padrões de primeira classe e preços de classe executiva. Foi a primeira a oferecer serviço de limusine, check-in no estacionamento e área de espera diferenciada. Também foi a primeira a oferecer sistemas de entretenimento em vídeo a todos os passageiros.

semlimitesvirgin02VIRGIN ATLANTIC
Um alfaiate na sala executiva no aeroporto de Heathrow, em Londres, tira as medidas do passageiro, enquanto ele aguarda o embarque para Hong Kong. Uma alfaiataria em Hong Kong recebe as medidas e põe mãos à obra enquanto o cliente voa. O terno feito sob medida, já passado, é entregue ao passageiro quando ele chega ao destino. É uma história que se conta aos amigos, produzindo boca a boca positivo para a empresa. Inovações como essa surgem da busca contínua por mais valor para os clientes. A equipe da Virgin é excelente na exploração aberta que gera ideias irresistíveis.

Entender as necessidades antes do próprio cliente

Por muitos anos, a BMW conseguiu ter ideias irresistíveis sobre o que os clientes realmente desejavam. Os níveis de serviço, o design e o marketing integrado que marcavam seus produtos e serviços eram resultado não só de uma engenharia esplêndida visível e glamourosa mas também do ato mais simples e menos visível de prestar atenção nas necessidades dos clientes e enxergar tendências.

Um exemplo excelente foi a integração do iPod ao sistema de som dos carros. A BMW foi a primeira montadora a entender o potencial do iPod, o aparelho eletrônico mais legal de sua geração. A empresa o integrou aos seus carros em junho de 2004, seis meses antes de seu concorrente mais próximo. Os motoristas da BMW podiam simplesmente colocar o iPod em seu encaixe e operá-lo com os controles normais do volante e do painel. Muitas outras montadoras seguiram o modelo em 2005, incluindo a Volvo, a Ferrari e a Honda.

É importante notar, no entanto, que a Ford e a General Motors demoraram até agosto de 2006 para correr atrás do prejuízo e entender que seus clientes também gostariam de ter essa função. Dois anos! Como isso é possível?

Atrasos assim ocorrem porque empresas sem momento tendem a depender demais de análises de pesquisa de mercado. Elas nunca têm ideias como essa. Seus questionários provavelmente não continham a pergunta “Em uma escala de 1 a 5, qual seria a utilidade para você de um encaixe para o iPod no carro?”. Mas os executivos de uma empresa aberta a descobertas passam algum tempo com seus clientes e percebem que as pessoas que estão ouvindo seus iPods sempre seguem o ritual de remover os fones ao entrar em seus carros. É nesse momento que a lâmpada acende sobre suas cabeças com os dizeres: “Se gostam dessas coisas tanto assim no lado de fora, por que não iriam gostar ainda mais dentro de seus carros?”. Isso é ter ideias sobre o cliente.

As empresas inteligentes devem entender as necessidades melhor do que os próprios clientes conseguem ou estão dispostos a expressar. A descoberta de ideias irresistíveis nos permite uma compreensão melhor do que é capaz de motivar esse valor. Ao explorar o que é valorizado pelos clientes, é preciso ir além das óbvias necessidades financeiras e funcionais, e trabalhar no entendimento das motivações humanas mais profundas que estão por trás desse valor. Esse processo entra em contato com os sonhos, as fantasias e os pesadelos dos consumidores para chegar à essência de suas emoções.

Essa investigação é um processo eterno. Por exemplo, a BMW e outras montadoras enfrentam hoje o desafio de descobrir os novos elementos de design que os clientes mais valorizam em um momento em que uma parcela cada vez maior da população está preocupada com problemas ambientais.

Uma estratégia de momento bem-sucedida exige que uma ambição seja compartilhada por toda a empresa, um objetivo que se espalhe pelos diversos níveis da organização. Todos precisam se concentrar em satisfazer, reter e, acima de tudo, envolver os clientes. Líderes inspiradores, como Richard Branson na Virgin, Steve Jobs na Apple, Lou Gerstner na IBM e Sam Walton nas primeiras três décadas do Wal-Mart, foram excelentes exemplos disso.

Mas o que é preciso para fazer um CEO dar pulos de alegria? Daniel Vasella, presidente da Novartis, uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo, descobriu a resposta em abril de 1999, quando recebeu um relatório sobre um novo fármaco desenvolvido por sua divisão de oncologia. Cobria a primeira fase de pesquisa de um produto conhecido na época como STI571, e mais tarde batizado de Glivec, desenvolvido para tratar uma forma de câncer chamada de leucemia mieloide crônica (LMC). Na época, havia cerca de 40 mil pacientes diagnosticados sofrendo de LMC no mundo todo, com uma expectativa de vida de apenas quatro ou cinco anos após o diagnóstico. Devido aos altos custos envolvidos e à pequena população de pacientes, um cálculo puramente financeiro teria mostrado que não valia a pena desenvolver e produzir o remédio. Contra esse cenário, os resultados na mesa de Vasella mostravam uma eficácia incrível de 100%. O remédio tinha o potencial real de prolongar a vida dos pacientes. Apesar de uma população de pacientes tão pequena representar uma oportunidade de negócios aparentemente limitada, Vasella tornou o Glivec uma prioridade urgente. Ele sabia que vidas se perderiam a cada dia que o produto não chegasse ao mercado. Normalmente, seria preciso mais de uma década para levar um medicamento da primeira fase de pesquisa até o lançamento, dez anos em que os pacientes continuariam a morrer. Envolvendo funcionários, clientes e stakeholders importantes para que compartilhassem de sua paixão – foi assim que Vasella conseguiu construir um momento interno e externo que impulsionou um desempenho inédito. Com a força desse momento, o Glivec conseguiu chegar ao mercado em menos de três anos e colocou a Novartis Oncology no caminho para se tornar uma empresa movida a momento.

semlimitesswatch03SWATCH
O Swatch é um “acessório de moda que por acaso também é um relógio”. Essa proposta de moda poderosa e com alta aceitação evoluiu progressivamente. A Swatch levou bastante tempo para descobrir e cristalizá-la, mas ela marca claramente que tipo de cliente provavelmente compra um Swatch e o que a empresa espera dele. Não é apenas uma premissa de comunicação. A proposta é apoiada por designs inovadores que são renovados constantemente. Mais de 20 anos após sua criação, a Swatch ainda está lançando novas tendências e crescendo de modo lucrativo.

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NINTENDO
Apesar de o público-alvo do Nintendo Wii ser mais endinheirado que os consumidores tradicionais, sua maior vantagem em termos de patrimônio financeiro é que, diferentemente dos fanáticos por jogos eletrônicos mais jovens, esses consumidores não exigem desempenho máximo em termos de velocidade, gráficos e outros componentes. Esse fator permitiu que a Nintendo usasse hardware muito mais lucrativo que o de seus concorrentes, habituados a vender seus equipamentos a preço de custo e lucrar apenas com o software. A combinação de baixos custos de produção e umnovo perfil mais afluente de consumidores resultou em um aumento significativo no patrimônio da empresa.

O que um “Heureca!” faz pela empresa

O momento pode ser criado seguindo-se uma estratégia , ou seja, um conjunto de ações coerentes centradas na criação das condições específicas. Mas como, exatamente, esse fenômeno é provocado? A combinação especial de fatores que cria o crescimento excepcional é importante demais para ser deixada ao darwinismo dos empreendedores ou à sorte das empresas. Precisamos de um processo sistemático para implementar uma estratégia de momento. O que um processo como esse envolveria? A história do Glivec nos dá algumas pistas.

O mais importante foi o “heureca!” do doutor Vasella quando percebeu o potencial de valor desse novo remédio e decidiu acompanhá-lo do começo ao fim, apesar do tamanho aparentemente pequeno da população de pacientes. O valor que percebeu era amplo: atendia pacientes, suas famílias, seus enfermeiros, a comunidade médica em geral e a própria Novartis. Apesar de parecer um pequeno potencial econômico, seu potencial em termos de responsabilidade social e orgulho dos funcionários era enorme.

E essa é uma questão crucial. Empresas movidas a momento se concentram nos principais stakeholders. Entendem que o conceito de cliente é muito mais amplo que apenas a pessoa que compra o produto. Vasella sabia que os clientes não eram apenas as pessoas comprando o remédio. Diversos stakeholders estavam envolvidos, cada um oferecendo algo diferente à Novartis. Porque entendia o valor diferente que o Glivec tinha para uma grande gama de pessoas interessadas, assim como o valor de cada grupo para a empresa, Vasella sabia que seu dever era se envolver com todos esses diferentes clientes. Grandes líderes equilibram as demandas de cada grupo gerando valor para cada um deles de modo a envolver todos no processo.

Veja o Skype, uma empresa de telefonia via internet criada em 2003 por dois jovens escandinavos, Niklas Zennström e Janus Friis. Depois de menos de três anos no setor, o Skype tinha 53 milhões de usuários. Em 2005, a empresa foi vendida ao eBay por mais de US$ 3 bilhões, um valor incrível para 36 meses de trabalho. Como o Skype conseguiu criar tanto valor em tão pouco tempo? O momento do Skype nasceu originalmente de seu entendimento superior dos clientes potenciais, nesse caso, os usuários de internet de banda larga. Essa ideia irresistível foi o ponto de partida da jornada em direção a um enorme potencial. Os clientes do Skype já possuem acesso a uma conexão de internet de alta qualidade para acelerar sua capacidade de enviar e receber informações.

Eles usam serviços de chat, mas também precisam se comunicar oralmente. Infelizmente, um telefone fixo exige equipamentos e fiação e ocupa mais espaço na mesa. E a telefonia tradicional não permite a transmissão de vídeo, diferentemente da banda larga. Essa foi a ideia inicial, a necessidade de uma ferramenta que integrasse conversa pela internet, comunicação em áudio e transmissão de vídeo no mesmo PC usado para outras tarefas. O que os consumidores do Skype valorizam? A conveniência na comunicação em texto, áudio e vídeo é o ponto de partida. Além disso, sendo usuários de informática, querem um serviço confiável e, como qualquer outro consumidor, valorizam custos baixos. Como fazem uso intensivo da internet, também se sentem conectados a uma cultura de livre disseminação de informações.

semlimitestoyota05TOYOTA
O Prius oferece um pacote de valor irresistível para os habitantes de grandes cidades com consciência ambiental. Com sua baixa emissão de carbono, praticidade para uso nas cidades e associação com celebridades, o Prius é mais do que um carro: é uma afirmação sobre quem é o motorista. Enquanto as montadoras americanas buscaram impulsionar o crescimento com promoções de vendas e descontos para movimentar seus estoques, a Toyota tornou-se a maior e mais lucrativa montadora do mundo aproveitando uma onda fantástica de momento. Por trás de todas as suas conquistas está uma compreensão profunda de seus clientes.

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RED BULL
Eventos para promover o envolvimento dos consumidores devem ser planejados com um público-alvo claro em mente. Uma empresa que teve bastante sucesso com essa abordagem é a fabricante de energéticos austríaca. Coerente com a promessa da marca (“Red Bull te dá asaaaas”), a empresa promove o Air Race, um evento com manobras aéreas para envolver o público jovem, seu alvo. Esse envolvimento é o grande responsável pelo crescimento explosivo da bebida em todo o mundo.

O brilhantismo foi reconhecer o valor do público

A palavra livre possui um significado emocional para esses usuários, não só financeiro. Enfim, como são pessoas comunicativas, sentem prazer ao compartilhar a diversão de se comunicar. Esse é o valor irresistível.

O patrimônio que esses clientes oferecem ao Skype pode ser mais difícil de enxergar. O produto é gratuito, então como o Skype pode extrair valor? O jeito mais óbvio é a venda cruzada de serviços adicionais. Por exemplo, nem todos os amigos e familiares dos clientes estarão dispostos ou serão capazes de realizar ligações telefônicas via computador. Os clientes do Skype, no entanto, ainda gostariam de conversar com esse pessoal menos tecnológico.

Assim, em 2004, o Skype lançou seu primeiro serviço com geração de receita, chamado SkypeOut. Esse serviço permite que os assinantes façam ligações de seus PCs para telefones fixos em diversos países por cerca de dois centavos por minuto, independentemente de onde a ligação é realizada. Outros produtos pagos se seguiram, e o Skype até estabeleceu parcerias com os fabricantes de fones de ouvido e aparelhos manuais ligados à internet 1.0.

Mas o patrimônio dos clientes era mais do que uma oportunidade de venda cruzada. O brilhantismo da empresa ao se concentrar em usuários de internet de banda larga foi reconhecer seus atributos especiais: eles estão em contato regular com sua rede de amigos, familiares e colegas; são os primeiros a adotar novos produtos de comunicação; são um alvo valiosíssimo de publicidade; levaram o poder das recomendações pessoais a um novo nível; e possuem capacidade de formar redes sociais. Esse é um patrimônio irresistível.

O próximo passo foi integrar esse entendimento a um modelo de negócios superior, ou seja, uma oferta poderosa. Olhando depois, o potencial de um negócio que oferece comunicação de voz gratuita, que aproveita as redes de clientes para realizar marketing viral e que lucra com a venda cruzada de produtos pagos para o mesmo grupo de usuários, é estupidamente óbvia. Mas só depois. Foi o entendimento detalhado de seus clientes e a engenhosidade dos fundadores do Skype que permitiu que criassem a oferta poderosa que ninguém mais estava vendo. A última genialidade do marketing do Skype foi: “o mundo inteiro pode falar de graça”. Não havia modo melhor de se conectar com a geração da internet.

O brilhantismo dessa frase, o poder dessa comunicação, marca o ponto em que o projeto de ofertas poderosas, potencializadas pelo impulso adquirido pela empresa, encontra-se com a execução necessária para iniciar o momento.

semlimitesikea07IKEA
Sua proposta é tornar móveis de concepção inteligente acessíveis às massas. A empresa cria valor transferindo alguns tradicionais custos de fabricação para seus clientes, já que eles precisam montar os próprios móveis. O público-alvo da rede de varejo sueca são clientes com carteiras magras. Para eles, o dinheiro é mais importante do que a rapidez e o conforto. Buscando economizar, eles estão preparados para investir seu tempo indo à loja, perdendo-se em seu labirinto e, depois, montando em casa os próprios móveis.

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SKYPE
A oferta poderosa do Skype foi executada com perfeição. Primeiro, o serviço era simples de usar, fácil de instalar e robusto. Em suma, cumpria o que prometia: uma grande vantagem sobre muitos outros novos produtos tecnológicos. Acima disso, o Skype sabia que seus usuários há anos se sentiam vítimas de cobranças excessivas por parte das empresas de telefonia e teriam muita satisfação em se livrar dos altos preços das conexões de banda larga vendidas por elas. A satisfação é uma resposta emocional, e para essas pessoas o prazer de derrotar uma grande corporação como uma empresa de telefonia seria uma doce recompensa.

Propulsores, pioneiros e paredões
Como foi feito o estudo que comprovou, na prática, o “efeito momento”

Investigamos o efeito de investimentos de marketing no crescimento de corporações da lista das mil maiores do mundo, entre 1985 e 2004. Para tanto, classificamos as empresas em três grupos: Propulsores, Paradões e Pioneiros. Propulsores são empresas que buscam aumentar as vendas por meio de aumentos agressivos nos gastos relativos em marketing. Neste grupo, a proporção de investimentos em marketing em relação a vendas cresceu 3% em 20 anos. Os Paradões, o segundo grupo, mantiveram os investimentos. No último terço estavam aquelas empresas que, por coragem ou imprudência, seguiram o caminho oposto ao dos Propulsores e diminuíram em 4% seu gasto relativo com marketing no mesmo período. Ao analisar o porcentual de mudança em valor para o acionista durante os 20 anos para os três grupos, constatamos que permanecer na zona de segurança do marketing estável não é uma opção viável: os Paradões tiveram desempenho 28% abaixo do mercado de ações.

Os aumentos em proporção de publicidade dos Propulsores realmente produziram valor significativamente maior para o acionista, acompanhando a evolução do índice Dow Jones, demonstrando assim a lógica da crença ortodoxa do poder do marketing. O que a análise convencional provavelmente não conseguiria prever era o desempenho dos Pioneiros. Apesar de terem reduzido a proporção dos investimentos em publicidade em relação a vendas, essas empresas criaram valor para o acionista 80% acima do índice Dow Jones. Oitenta por cento!

Os Pioneiros também se saíram muito melhor em lucratividade, que cresceu em média 58% mais do que os Propulsores.É vantagem impressionante, mas claramente menor do que a diferença no crescimento da receita. Apesar do desempenho muito inferior dos Propulsores em termos de crescimento da receita, e do fato de estarem aumentando seus gastos com marketing, o grupo claramente conseguiu recuperar um pouco do território perdido: sua diferença relativa em termos de crescimento dos lucros é menos grave do que seria esperado. Como conseguiram? Cortando outros custos, especialmente de produção e P&D. A combinação desses cortes e as economias de escala mais do que compensaram o aumento na proporção dos investimentos em publicidade em relação a vendas, permitindo que os Propulsores se recuperassem um pouco ante a enorme vantagem dos Pioneiros em termos de crescimento dos lucros.

Em suma: apesar da combinação de esforços, investimentos em marketing e cortes de custos poder produzir crescimento, as conquistas dos Pioneiros demonstram que há uma alternativa mais criativa, mais animadora e mais inteligente que produz resultados ainda melhores. Obviamente, não basta apenas reduzir a proporção dos investimentos em marketing. Um simples corte em publicidade muito provavelmente resultaria em menor crescimento. Na verdade, nosso estudo mostra que os Pioneiros movidos a momento aumentaram seus gastos totais em marketing em termos reais. Devido ao crescimento superior da receita dos Pioneiros, sua proporção de investimentos em publicidade em relação a vendas estava se reduzindo apesar do fato de estarem gastando mais.

Em um mundo de concorrência cada vez mais intensa, os recursos de marketing também crescem. É inevitável. Mas se pretendem gerar crescimento sustentável e lucrativo, esses investimentos devem ser feitos de uma maneira eficaz. Em comparação com os Propulsores, o aumento de investimentos em marketing dos Pioneiros produziu crescimento superior ao mesmo tempo em que reduziu a proporção entre investimentos em marketing em relação a vendas, o que melhorou a lucratividade. Essas empresas alcançaram maior eficiência com seu marketing porque descobriram um caminho diferente: criaram as condições que deram início a um crescimento orgânico excepcional que se alimenta de si mesmo.

semlimitesapple09A APPLE sempre entendeu a importância do design e da interface com o cliente, mas o iPod é muito mais do que isso. O iPod é cool. Captura a imaginação dos clientes. Hoje existem dúzias de sucedâneos mais baratos, mas o iPod ainda está no topo. Quando o Índice de Satisfação do Consumidor americano começou a ser mensurado, a Apple ocupava uma das últimas posições no setor de informática. A volta por cima começou com o lançamento do iMac, em 1998. Apenas dois anos depois, os índices de satisfação dos clientes da Apple haviam saltado para o terceiro lugar no setor. Em 2004, apoiada pelo efeito positivo do iPod, a Apple chegou à primeira posição, de onde nunca mais saiu.

semlimitesDassault10O Falcon 7X foi o primeiro avião projetado com um novo software que permitia que os engenheiros simulassem o impacto de todas as ações possíveis. A Dassault decidiu usar essa plataforma virtual para envolver usuários, empresas de manutenção e fornecedores para as discussões sobre o protótipo. A imagem da aeronave virtual permitiu que as diferentes partes contribuíssem para o projeto antes de sua finalização. O tempo de montagem foi reduzido em mais de 50% em relação a modelos anteriores, e os custos caíram em 66%. O avião não ficou apenas mais barato, também era melhor. A notícia se espalhou. A pré-venda estourou.

Anos de ouro
Quanto se estima que o efeito momento se prolongou em diferentes empresas

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Identidade de MARCA

Fonte: Revista RI  n°135
Por Eduardo Tomiya
Publicado em agosto de 2009

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Um dos fundamentos mais importantes do branding é o conceito de identidade de marca, que talvez seja o início de todo processo de construção de marcas. Mas então, o que é a identidade de marca e como o conceito impacta o papel das diversas unidades da empresa? Entender isso é fundamental para os investidores e acionistas. Afinal, marcas fortes geram um substancial valor ao seu acionista. O objetivo deste artigo é desenvolver este conceito.

Por Eduardo Tomiya

Identidade de Marca: o que é isto?

Jim Collins, autor de duas obras que são grandes referências no mundo dos negócios – ‘Good to Great’ e ‘Build to Last’ – citou em uma entrevista recentemente à revista Exame (01/07/2009) que as empresas podem ter cinco estágios de declínio. Os três primeiros, em geral, explicam que a empresa pode parecer saudável, mas, na verdade, estar em uma crise eminente. No quarto grupo estão empresas como IBM e Apple, entre outras, que em determinados estágios de seu ciclo passaram por crises muito grandes, mas que tiveram em suas estratégias de recuperação a volta à essência ou a identidade da marca. As que não sobreviveram são do quinto grupo, como, por exemplo, Arthur Andersen.

Quando Lou Gestner assumiu a IBM, no início da década de 90, ele dizia que o ativo mais valioso da empresa eram três letras: I B M. Mesmo expandindo para um novo segmento, o de serviços, e o fato da marca significar a abreviação de “Indústria de Business Machines” (motivo pelo qual, alguns especialistas de marketing da época criticavam a utilização da marca IBM, afirmando que o nome deveria ser alterado – em razão de um significado que teoricamente não poderia ser estendido aos novos segmentos), a empresa unifica, através de uma estratégia muito forte e com foco (a IBM tinha quase 40 unidades de negócios utilizando seu nome de maneira bastante distinta e em alguns casos de forma não harmônica e contraditória), seus esforços em uma marca forte com um posicionamento arrojado e de retorno à sua essência.

De uma empresa quase quebrada, a IBM hoje é uma das marcas mais valiosas do mundo – segundo a pesquisa publicada no Financial Times, da Consultoria Millward Brown Optimor. Ocupa a quarta colocação no ranking mundial, com um valor de US$ 66,6 bilhões. O foco e a volta à essência da marca geraram uma substancial vantagem competitiva e um relevante valor ao acionista.

Em 1997, quando Steve Jobs retornou à Apple, um dos fatores críticos da recuperação da empresa foi o resgate à sua cultura original. Nos trechos a seguir, extraídos de uma entrevista à Business Week (12/10/2004), fica claro que um dos fatores mais importantes desse processo foi o engajamento dos colaboradores no jeito de ser da Apple:

“Business Week: Então o ponto mais importante é ter boas pessoas com a paixão pela excelência?

Steve Jobs: Quando eu voltei, a Apple havia se esquecido de quem era. Você se lembra da campanha “Thinks Different” [featuring great innovators from Einstein to Muhammad Ali to Gandhi]. Certamente era para os consumidores, mas foi muito mais para a Apple (empresa) mesmo.

Nossos heróis podem revelar muito de quem somos, de nossa identidade. Aquela propaganda lembrava-nos quem são nossos heróis e quem nós somos. Havíamos nos esquecido disso. Em alguns momentos eles se lembravam novamente, e em alguns não.”

Em geral, algumas empresas – por conta de planos de expansão, oportunidades de negócios (por exemplo, a Harley Davidson lançando Perfumes: seus consumidores mais fanáticos perguntavam-se se o perfume tinha essência de óleo) ou da ótica de sempre buscar ganho em escala – perdem um pouco de sua essência e os princípios que a fizeram chegar até aquele estágio. Essas companhias se esquecem que a marca reflete sua cultura nos públicos estratégicos, ou seja, em muitos casos ela está fora, inclusive, dos limites da empresa.

Quantas vezes não comentamos que a marca X não é mais aquela, pois não entrega mais tais atributos que no passado entregava? Não seria um problema de identidade de marca?

A identidade de marca é um verdadeiro mapa, documento que estabelece para o médio prazo o que é a marca, no que reside seu caráter único e as diferentes facetas da mesma.

Entre outras, seguem algumas utilizações da identidade de marca:

1) Decisões de RI – Como me comunicar com meus investidores? Qual é o seu estilo, linguagem e tom de voz da minha comunicação?

2) Decisões de RH – Qual é o perfil que reflete a cultura da minha empresa? Como motivar e reter os colaboradores da empresa?

3) Decisões de Marketing – A marca pode patrocinar tal evento, tal esporte? Como descentralizar as decisões de comunicações e regiões ou em nível internacional, permanecendo a certeza de que elas construirão de forma adequada uma única e mesma marca?

4) Decisões de produtos – A marca pode estender para outras categorias de produtos? Quais são as características do produto para utilizar a marca? Quais são as oportunidades de parcerias?

Modelos para revelar a Identidade de Marca

Como podemos revelar esta identidade? Existem modelos para se revelar a identidade de uma marca?

Antes de adentrar nos modelos teóricos utilizados em minhas aulas de branding, vale à pena entendermos como esta cultura é criada e como a marca se torna o reflexo de onde estão inseridas. Marcas são reflexos da cultura de um empreendedor ou de um grupo de empreendedores que possuem determinados valores ou uma filosofia em comum.

Esta filosofia cria uma cultura interna, uma cultura organizacional ou um jeito de ser e fazer a organização. É exatamente desta vocação (no caso da Apple, “Pense diferente”; no caso recente da TAM, “O prazer em voar e servir”), proveniente da essência das próprias pessoas, que as empresas conseguem transmitir sua cultura para os públicos externos – de maneira consistente em todos os pontos de contato da relação marca “versus” públicos estratégicos.

Em diversos casos, a marca é profundamente influenciada pela cultura estabelecida por seus empreendedores. No caso da Oi, por exemplo, um símbolo de sua cultura pode ser o seu atual presidente, Luiz Fernando Falco. No caso do Bradesco, o Amador Aguiar. Vemos que estes executivos influenciam muito o jeito de ser ou a cultura organizacional das empresas – e continuam a fazê-lo ainda.

Esta cultura interna é a identidade da marca. A cultura estabelecida pelos públicos externos (consumidores, sociedade, clientes, investidores) é a imagem ou percepção da marca. Entre alguns problemas que empresas com este perfil enfrentam, podemos destacar a fase de disseminação e expansão desta cultura, logo após o sucesso consolidado em escalas menores.

Quando a empresa cresce, esta cultura interna deve ser assimilada e compreendida por milhares de pessoas e, em alguns casos, até mesmo por públicos que estão fora do “controle” da mesma: distribuidores, órgãos independentes ou mesmo profissionais terceirizados. Assim, uma ferramenta capaz de garantir a cultura da empresa esteja alinhada, e sua identidade verdadeiramente clara, é fundamental.

As maiores demandas que observamos em nossa consultoria de gestão de marcas concentram-se em empresas com este problema. A companhia cresce, ganha mercado, e então confronta-se com as diversas alternativas estratégicas possíveis. Neste momento, é imperativo que seja estabelecido um processo de gestão capaz de garantir a manutenção de sua essência. Mais ainda, que tenha um sistema de métricas que garantam que as ações da empresa estão gerando valor ao acionista. Afinal, o que se mede, se gerencia.

Bem, como revelamos a identidade da marca

Existem inúmeras maneiras de revelarmos a identidade de uma marca. Uma das que mais vemos aderência com o conceito de branding exposto acima é do autor Jean Noel Kapferer.

Em Primeiro lugar, existem duas grandes dimensões:

  1. Públicos internos e externos
  2. Atributos tangíveis e intangíveis

Segundo a definição do autor, “A Marca” é a combinação ideal entre atributos tangíveis e intangíveis, funcionais e hedonistas, visíveis e invisíveis, em condições economicamente viáveis para ela. Algumas pessoas tendem a entender a marca somente como atributos emocionais, mas a percepção é construída com o todo.

Uma possível maneira de se combinar as duas grandes dimensões á através de um Prisma. Este prisma é composto por: atributos do público externo, atributos físicos, de relacionamento, e de reflexo. No caso dos públicos internos, temos: personalidade, cultura e o auto-reconhecimento. Veja a figura a seguir:

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Para cada marca, todas estas dimensões devem ser descritas, a fim de que possa se tornar clara a identidade da marca e suas principais percepções externas.

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Somente para exemplificar, um grupo de alunos do MBA Fundação Getúlio Vargas explicou em seu trabalho o Prisma de Identidade de Marca: Banco Real

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RI-135 39 prisma 2

“O papel da área de RI é, cada vez mais, oferecer um ponto de contato relevante com os públicos estratégicos, uma vez que toda a comunicação com investidores deve ser realmente consistente”

Esta definição pode permitir de maneira mais clara o entendimento da identidade da marca e, principalmente, dos Gaps entre a identidade e imagem de marca. Por meio deste monitoramento podemos assegurar que os conceitos estejam alinhados e que, portanto, a essência esteja sempre presente. Entendemos que este é o primeiro passo para a implementação do branding em uma organização, uma vez que este é diagnóstico de quem somos e como somos percebidos. Esta é nossa identidade e é através dela que os princípios documentados geram elevada consistência em todos os pontos de contato da empresa com públicos estratégicos. Afinal, esta integração é imprescindível para criarmos uma percepção positiva e gerar valor para o acionista no longo prazo.

Então, as marcas de sua empresa possuem um mapa como este, tornando claro e documentado o que é a marca e qual sua percepção?

Em caso negativo, este é um bom momento para você começar a pensar no assunto branding não como um lindo logotipo ou uma bela campanha de publicidade, mas como algo que flui do interior das organizações para, então gerar substancial valor ao acionista.

Por estes motivos, o papel da área de RI é, cada vez mais, oferecer um ponto de contato relevante com os públicos estratégicos, uma vez que toda comunicação com investidores deve ser realmente consistente. Atualmente, o investidor pode ser – simultaneamente – consumidor (cliente), colaborador (funcionário), formador de opinião e membro da sociedade (por exemplo, empresas estatais); enfim, desempenhar todos os papéis nos públicos alvos.

Reflita sobre isto. Definitivamente, o branding não se limita a despesas de publicidade ou a criação de um slogan para campanhas. Saiba que você, enquanto executivo de uma empresa, não possui a marca: ela está na cabeça dos públicos estratégicos. O que podemos fazer, através da implementação de modelos métricos e de gestão, é direcionar ações para construir maior valor a marca.

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(*) Eduardo Tomiya é engenheiro, Mestre, Phd em Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, sócio fundador da BA – BrandAnalytics Consultoria de Marcas. Foi por 6 anos Diretor de Brand Valuation da Interbrand (América Latina e Ibéria) e por 5 anos foi sócio diretor da Trevisan na área de Corporate Finance. É professor de branding na FAAP, FGV, INPI, Rio Branco. (E-mail: eduardo.tomiya@brandanalytics.com.br)

Harley Davidson vai à Justiça no Brasil

Fonte: Estadão
Por Melina Costa

A fabricante americana de motos Harley Davidson conseguiu na Justiça uma liminar para rescindir seus contratos com seu distribuidor exclusivo no Brasil, a empresa HDSP Comércio de Veículos, pertencente ao Grupo Izzo. Segundo a decisão, publicada no último dia 12, a rede de concessionárias continuará a comercializar os produtos da marca Harley Davidson por um prazo de 120 dias. “Esse tempo será usado para a busca de novos parceiros comerciais. A Harley Davidson não vai paralisar suas atividades no Brasil”, diz Celso Caldas Martins Xavier, sócio do escritório Demarest&Almeida e representante da Harley Davidson. O Grupo Izzo informou que vai pedir a reconsideração do juiz e recorrer da decisão.

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Fabricante americana conseguiu liminar para quebrar contrato com empresa do Grupo Izzo, distribuidora exclusiva das motos no País

Segundo a ação judicial a que o Estado (jornal) teve acesso, um dos principais argumentos da Harley Davidson para pedir a quebra do contrato foi a suposta violação do acordo de exclusividade entre as partes. A HDSP teria vendido motos e produtos de marcas como Ducati, Benelli, Malaguti, Polaris e Husqvarna. No processo, os advogados da empresa americana citam cupons fiscais da compra de produtos de concorrentes em que constam o CNPJ da HDSP. Consultado, Paulo Izzo, representante do Grupo Izzo, afirmou que não vende marcas diferentes da Harley Davidson sob o CNPJ da HDSP.

Outro argumento apresentado pela fabricante americana diz respeito à “associação indevida da marca Harley Davidson às marcas de competidores”. Na ação, são apresentados cartões de visita das lojas do Izzo em que o emblema da Harley Davidson aparece ao lado do símbolo de concorrentes. A Harley Davidson também alega que houve uma alteração na estrutura societária da HDSP, com a entrada de duas novas empresas que possuem a autorização da Superintendência da Zona Franca de Manaus para montar uma fábrica de motos da marca Triumph – o que configuraria um caso de conflito de interesses. Para ambas as acusações, Izzo informou que a HDSP “se adequou aos pedidos feitos pela Harley Davidson”.

Reclamações

Por fim, a Harley Davidson baseia sua ação no suposto mau atendimento a clientes. A empresa cita que alguns consumidores chegam a esperar entre 30 e 60 dias pelo emplacamento de suas motos. O atraso seria resultado de um esquema ilegal em que a concessionária empenharia as motos já vendidas a bancos como garantia para empréstimos de fluxo de caixa. Em resposta, Izzo afirmou que o único modelo utilizado pela concessionária é o chamado “floor plan”. Segundo ele, trata-se de uma estratégia legal e comum entre concessionárias de veículos em que os bancos passam a financiar a revendedora com a fábrica.

No processo, a Harley Davidson cita, ainda, diversos blogs e comunidades na internet em que consumidores reclamam da qualidade do serviço prestado pela Izzo. “Para a Harley Davidson, a satisfação do cliente é a grande prioridade. Com a frustração dos consumidores, a empresa viu que precisava agir”, diz Ronald Mincheff, presidente da agência de comunicação Edelman no Brasil e porta-voz da fabricante americana.

Izzo rechaça as acusações. “Qualquer marca recebe reclamações. Somos premiados pela Harley Davidson por nosso desempenho há anos. Só em 2009, ganhamos prêmios globais da empresa de melhor design de loja, maior taxa de crescimento e excelência em serviço”, diz Izzo. “Como alguém pode ganhar tanto prêmio e ser tão incompetente como a empresa diz?”

Para Izzo, a explicação para a disputa judicial movida pela fabricante americana está na intenção da Harley Davidson em mudar seu modelo de atuação no Brasil. “Fui comunicado pela matriz que a empresa queria assumir a gestão do negócio no Brasil e abrir espaço para novos concessionários antes do fim do nosso contrato, que vai até dezembro de 2015″, diz. Hoje, muitas das decisões estratégicas da Harley Davidson no Brasil estão sob responsabilidade da HDSP, como a política de marketing e comercial. A Harley Davidson afirma, no entanto, que a ação contra a concessionária foi motivada apenas pelo desrespeito às regras contratuais.

Muito além do cashmere

Fonte: Época Negócios
Por Por Aline Ribeiro

Cucinelli1Sentado num banco embaixo de uma árvore, rastelo ao lado, um senhor por volta dos 80 anos retrata com fidelidade como se vive em Solomeo, um vilarejo na Úmbria, Itália. “Estou aqui sentindo o cheiro das flores, tomando um vento”, diz. Em meio à paisagem bucólica, um castelo medieval se destaca. É de lá que sai o estilista Brunello Cucinelli, tom de voz alguns decibéis acima do normal. Aos desavisados, fica difícil compreender que o homem de aparência rude e fala exagerada é o dono da construção centenária, figura influente nas redondezas.

O empresário de 55 anos é o criador de uma das marcas de luxo mais admiradas da Europa. Em junho, a companhia Brunello Cucinelli venceu, pela terceira vez, o Best of the Best, conceituado prêmio da revista americana Robb Report, a bíblia do glamour. Mas o que mais chama a atenção na história de Cucinelli são seus meios heterodoxos de trabalhar. O estilista é um empreendedor reconhecido por se preocupar genuinamente com os funcionários. Seus empregados ganham 20% mais do que a média do setor. “Sempre sonhei em construir algo que não tivesse só o lucro como base”, afirma. “Os resultados financeiros têm valor se acompanhados de uma meta maior, fazer o bem às pessoas.”

Sua companhia movimentou 144 milhões de euros em 2008 e cresceu mais de 20% nos últimos três anos. Detalhe: sem nenhuma hora extra. Uma regra restringe, com rigor militar, quanto cada empregado trabalha, e ninguém cruza os portões da fábrica depois das 18 horas. Seguindo o conceito de uma “nova forma de capitalismo”, Cucinelli olha para além do próprio negócio. Recentemente, foi até a Mongólia averiguar como vivem os pastores das ovelhas que fornecem lã para sua fábrica.

Trabalho Sustentável2Até os 25 anos, a vida de Cucinelli resumia-se a um boteco e jogo de cartas. Sem diploma universitário, começou a confeccionar cashmere. Com o tempo, percebeu que era possível tingir a lã para torná-la mais atraente – algo inédito até então. Em 1985 e já exportando, comprou o dilapidado castelo medieval do século 14, em Solomeo, e ajudou a reerguer a aldeia, abandonada. O vilarejo foi revitalizado e tem hoje 700 habitantes, 200 deles funcionários da empresa. Cucinelli destina 20% dos lucros para obras nos arredores da vila. Construiu teatros, reformou igrejas e hospitais. “São projetos para a vida toda, diferentemente das roupas que fabrico”, afirma.

Um estilista peso-pesado

Fonte: Época Negócios
Por Marcos Todeschini


“Cool!” Clic, clic, clic.

marc Ecko1Não importa se está diante de uma obra de arte, de uma parede pichada ou de um rascunho para uma estampa de camiseta. É sempre essa a palavra que Marc Ecko usa quando gosta de algo. A exclamação geralmente vem acompanhada do clique da câmera fotográfica de seu celular, que registra tudo o que Ecko acha de fato legal – ou cool. Algumas das fotos vão direto para seu blog. Outras ficam como referência pessoal na hora em que vai pensar um novo projeto. Com tênis branco, jeans e camisa, sempre mascando chiclete e falando por monossílabos, Marc Ecko poderia ser tomado como qualquer americano de classe média, bem-criado e sem muita coisa na cabeça, além dos cabelos espessos com muito gel. Mas não é bem assim. Com 37 anos, Ecko é o número 1 da Marc Ecko Enterprises, um conglomerado de marcas de roupa, mídia, canais de TV online e projetos sociais com faturamento que gira em torno de U$ 1,5 bilhão. Mais da metade da receita é obtida com a grife Ecko de camisetas, jeans e acessórios voltados ao público jovem e reconhecida pelo rinoceronte estilizado que lhe serve de logotipo.

A marca está no Brasil desde 2005, comercializada em quase 700 lojas multimarcas e em uma loja própria. Mas o país está agora no topo das prioridades de investimento de Ecko. Nos próximos cinco anos, ele pretende ampliar para mais de 40 suas lojas no Brasil. “Temos uma aceitação excelente e a cultura brasileira serve de inspiração para as criações. O país é um dos nossos maiores focos no momento”, disse Ecko a Época NEGÓCIOS, enquanto fotografava bandeirinhas de São João com o celular.

No mês de junho, Ecko esteve em São Paulo para participar da São Paulo Fashion Week e conhecer o Cidade Escola Aprendiz, projeto social com o qual tem parceria e cuja missão é oferecer cursos de capacitação para crianças de escolas públicas. Por conta do projeto, ele entrou pela primeira vez numa favela brasileira. Ecko foi a Heliópolis, localizada no extremo sul da periferia de São Paulo, onde vivem 125 mil pessoas, distribuídas em mil quilômetros quadrados. A visita lhe rendeu um dia inteiro de cliques e “cools”.

Apesar de sua marca ser uma notoriedade para quem consome moda, inclusive entre o público da periferia de vários países, a passagem de Ecko por Heliópolis passa tão incógnita quanto a de qualquer comitiva de gringos. Apenas um ou outro curioso se interessa por saber quem são aquelas pessoas bem-vestidas e de óculos escuros falando inglês e bebendo Guaraná. Um dos chefes da comunidade as acompanha a escolas, ao centro recreativo, à rádio e a um curso de corte e costura. Por onde passam, ouvem a pergunta feita em voz baixa: “Quem é ele?”.

Não espanta que Marc Ecko passe incógnito pelo país. O mesmo acontece nos Estados Unidos, onde sua marca tem mais força e onde um em cada três jovens tem uma peça Ecko no armário. Há dois anos, uma empresa de consultoria de marcas fez uma pesquisa para testar a popularidade de Ecko. Eram mostradas aos entrevistados quatro fotografias e eles apontavam quem achavam ser o dono da marca Ecko. A esmagadora maioria escolheu a que retratava um homem negro e descolado. Quase ninguém optou por aquela que mostrava o jovem de sardas.

Marc Ecko2fotoEM TEMPO REAL_Marc Ecko fotografa sua palestra a alunos do Instituto Europeo di Design, em São Paulo. Minutos depois, o registro já estava em seu blog

Marc Ecko3bandeirinhasINSPIRAÇÃO NA FAVELA_Com a esposa, Alisson, o estilista Ecko busca em Heliópolis elementos que possam ser usados em suas coleções

O fato de seu rosto não estar ligado à marca joga muito mais a favor do que contra, porque faz com que a grife Ecko não tenha uma cara específica, podendo, assim, moldar-se a vários mercados. “As marcas geralmente têm seus donos como porta-voz. Por ter tirado de Marc essa função, a Ecko conseguiu ser uma das grandes marcas globalizadas do mundo da moda”, afirma Tarcisio D’Almeida, professor de moda da Universidade Anhembi Morumbi. “Por não ter um rosto que dita o que as pessoas devem usar ou consumir, elas se sentem acolhidas pela marca.”

Esse posicionamento tem explicação na forma como tudo começou, com Marc Ecko e uma lata de spray, pintando camisetas dos colegas de escola na garagem dos pais. Ele tinha 14 anos e, cobrando pelos trabalhos, conseguia juntar US$ 600 por semana. “Era mais do que os meninos ligados ao tráfico de drogas tiravam”, diz Ecko, que nasceu Marc Milecofsky e passou a infância e a adolescência no bairro de Lakewood, em New Jersey.

Quando sua mãe estava grávida, o médico disse que havia um eco não identificado ao lado do feto. O bebê era a filha Marci. O “ecko” era, mais tarde se descobriria, Marc, irmão gêmeo de Marci. A criação num bairro pobre ajudou a desenvolver sua versatilidade. Nascido em uma família judia, Ecko conviveu desde cedo com hispânicos e negros, ricos e pobres. Esse ambiente multicultural tornou-se referência e teve influência direta na confecção de roupas que montaria mais tarde, aos 20 anos.

“A diversidade foi importante para desenvolver a habilidade de me adaptar. Queria que minha marca fosse assim, sempre adaptável”, diz Ecko. Adaptável inclusive ao fracasso. Antes de construir seu império da moda, Ecko passou por um aprendizado forçado. “Nosso primeiro plano de negócios era patético”, diz Ecko, que largou a faculdade de farmácia no terceiro ano e nunca assistiu a uma aula de economia. Quando se deram conta, ele e Seth Gerzberg, sócio e vizinho de rua, estavam com uma dívida de US$ 36 milhões. Era final da década de 90 e Ecko tinha 26 anos.

Todas as pessoas com quem conversaram lhes recomendaram declarar falência. Mas os sócios fizeram o oposto: saíram atrás de mais dinheiro para financiar a produção de mais camisetas. Conta sua mulher, Alisson, com quem está há 17 anos e tem três filhos: “Ele tinha medo de largar a faculdade para tentar levar adiante um negócio furado. Eu dizia: ‘Faça. Se não der certo, você pode começar tudo de novo’. Afinal, essa é a vantagem de quando se é jovem”. Não foi preciso recomeçar. Depois de conseguir um investidor, os negócios começaram a fazer sentido. Impulsionada pela explosão da cultura hip hop, a venda de camisetas que incorporavam estilos de grafite foi um sucesso extraordinário.

Marc Ecko4mosaico24 HORAS COM MARC ECKO_Na favela de Heliópolis, em São Paulo, Ecko visita o ateliê onde são feitas as roupas da Losaul, grife da comunidade (1, 3, 4 e 8). Ele fotografa detalhes daquilo que lhe chama a atenção (2 e 5). Dá entrevista na rádio comunitária (6). Conversa com moradores (9 e 12). E, no período da tarde, grava entrevista para rede de TV (10). Com Gilberto Dimenstein (com a mão no queixo), avalia trabalhos de alunos do projeto Aprendiz, com quem sua empresa tem parceria (7). O anel no dedo mindinho é a única marca mais ousada de seu modo de vestir (11)

As vendas saltaram de US$ 15 milhões, em 1998, para US$ 96 milhões, no ano 2000. Era o fim das dívidas e o começo de um império. “A moda de Marc tinha influência da cultura que vinha dos subúrbios. Mas logo se popularizou entre todos, porque tem estilo e qualidade”, diz o americano Russell Simmons, um dos criadores da cultura hip hop.

Uma pesquisa da consultoria de varejo NPD Group entre as marcas presentes nos centros urbanos mostrou em números essa proliferação. Com crescimento de mais de 20% nos últimos cinco anos, a grife Ecko está entre as cinco que mais ganharam mercado nas metrópoles. Mais curioso é o fato de a marca ser também uma das que mais crescem nos subúrbios e no interior. Embora tenha crescido sob a influência do grafite, com estampas feitas com jatos de tinta, a grife vai na contramão da maioria das competidoras, que elegeram um nicho específico de consumidores, como os que gostam de música ou de esportes. “Percebemos que existem, sim, pessoas que são loucas por apenas uma coisa. Mas a grande maioria faz de tudo um pouco: joga basquete, ouve música, curte videogame. Nossa marca reflete essa mistura”, diz Ecko.

Graças a essa versatilidade e por conseguir falar com diferentes públicos é possível encontrar as camisetas do rinoceronte vestindo pessoas tão diferentes quanto um jovem americano de classe alta e um morador da maior favela do Brasil. “Aqui a Ecko é sinal de status. Eu mesmo paguei R$ 109 por uma camiseta”, diz o bibliotecário Edson Arthur Alves da Silva, 23 anos, morador de Heliópolis. A penetração da marca em bairros de periferia é tal que nos bailes funks do Rio de Janeiro ficou famoso o pancadão Buffalo Bill, também conhecido como Bonde do Rinoceronte, que tem o seguinte refrão: “Quem não é não se esconde/é o bonde do rinoceronte”. Em contraposição a isso, a primeira loja própria da marca Ecko no Brasil foi aberta na cidade paulistana de Campos do Jordão, o reduto de inverno dos paulistanos de classe média alta.

A mistura de grafiteiro e estilista confere a Ecko uma certa excentricidade. Sua casa em forma de castelo é decorada com motivos da série Star Wars

O modelo para a marca foi escolhido por acaso. Um dia Ecko entrou na casa do pai e prestou atenção em enfeites com o formato de rinoceronte. Achou que poderia ter apelo, pois trata-se de um animal que transmite força. “O logo é o resumo daquilo que a marca conseguiu fazer: transitar entre brancos e negros, urbanos e interioranos, herança e novidade”, afirma o americano Lucian James, CEO da agência Agenda Inc., que fez os projetos de posicionamento para a marca. “Ela aproxima mais as pessoas do que as afasta, porque é aberta a todos os tipos de grupo.”

Há três anos Marc Ecko não investe um centavo em propaganda. Uma de suas premissas é usar a criatividade para fazer barulho. Com recursos multimídia, sua equipe faz isso muito bem. Em 2006, por exemplo, quando o YouTube ainda engatinhava, circulou por e-mail um vídeo de dois minutos, feito à noite. Ele mostrava Ecko pulando uma cerca e correndo na direção do avião presidencial americano Air Force One. Ele picha a turbina do Boeing 747 e sai em disparada. Com audiência de mais de 10 milhões de pessoas, foi um dos vídeos virais de maior repercussão naquele ano. Mas tratava-se de uma montagem. Ecko alugou um avião e pintou sua fuselagem como a da aeronave do presidente. Logo após o vídeo ter virado febre, ele apareceu em outro, contando porque tinha feito aquilo. Usava, em seu discurso, expressões como direito de liberdade e abertura ao diálogo para reconhecer o grafite como forma de arte. O vídeo divulgou a marca e seu trabalho. “O 747 saiu caro. Mas a quantidade de acessos e o impacto que tivemos foi algo sem preço”, afirma Ecko, sobre a brincadeira que lhe custou mais de US$ 1 milhão.

Essa mistura de menino travesso, artista, grafiteiro e estilista rende a Ecko uma certa excentricidade. Ele construiu um castelo no centro de New Jersey e o decorou com motivos de Star Wars, sua série favorita. “George Lucas é um exemplo de como manter uma marca jovem e vibrante”, diz Ecko. Pelo lado dos negócios, ele conseguiu fazer com que camisetas pintadas à mão na garagem se tornassem um ícone para jovens em cerca de 60 países. Ecko tem uma equipe de mais de uma centena de desenhistas e diz que hoje se dedica ao negócio. Mas nunca desliga seu radar – e sua câmera. Usando os cliques e conversas com pessoas de várias partes do mundo, ele interfere na criação. Não é de surpreender, portanto, se a próxima coleção da Ecko for inspirada em bandeirinhas de São João fotografadas na favela de Heliópolis.

Marc Ecko5mosaicoINTIMIDADE REVELADA_No escritório de dois andares de Marc Ecko, em Nova York, os detalhes mostram sua formação eclética e seu estilo despojado. Estantes guardam discos de vinil e livros que vão da história do design à arqueologia (1 e 3). Uma meia quadra de basquete estilizada com o carimbo da marca, o rinoceronte, está disponível para quando Ecko quer relaxar (2)

Marc Ecko6rino

Alguns números que mostram o sucesso de uma empresa que há dez anos era só mais uma marca de camisetas

5 MIL lojas vendem roupas com a marca Ecko

US$ 1,5 bilhão é quanto fatura o grupo Ecko

US$ 36 milhões era o tamanho da dívida há uma década

20% foi o crescimento nos últimos cinco anos

60 é o número de países onde a marca está

NAS PEGADAS DO RINO
Marc Ecko convocou sua equipe de marketing para pensar estratégias criativas que divulgassem a marca. Eis algumas delas

Marc Ecko7aviao

O AVIÃO PICHADO_Um Boeing 747 foi alugado e pintado para ficar idêntico ao do presidente americano. Ecko fingiu invadir a pista e pichar sua turbina. Gravou um vídeo visto por 10 milhões de pessoas em 2006

Marc Ecko8carro

MACY’S PARADE_A Ecko investiu US$ 250 mil em um carro alegórico em forma de rinoceronte para o desfile do Dia de Ação de Graças da loja Macy’s. Conseguiu audiência de mais de 50 milhões de telespectadores

Marc Ecko9barrybonds

BEISEBOL_Depois de pagar US$ 750 mil pela bola usada pelo astro Barry Bonds para quebrar um recorde no beisebol, Ecko montou um site e 10 milhões de pessoas sugeriram doá-la a instituição de caridade

Você é o DNA da sua empresa

Fonte: Revista EXAME
Por José Augusto Corrêa

Muitos empreendedores, ocupados em fazer sua empresa florescer e multiplicar as vendas, se esquecem de uma missão que não se pode delegar a ninguém – determinar quais são os valores que devem ser cultivados e partilhados pelos funcionários. É um desafio mais árduo e importante do que pode parecer à primeira vista. O sonho de qualquer empresário deveria ser construir um negócio que cresça consistentemente e exista por muito tempo. Um dos pilares que fundamentam essa obra de engenharia é a criação da cultura da empresa — a sua empresa. Ela não pode ser diferente de você nem de suas crenças.

Cabe ao empreendedor, e somente a ele, determinar os valores que irão orientar as ações, reações e decisões das pessoas a seu redor. Quando o negócio é de pequeno porte, tudo fica mais fácil. O contato direto com empregados e fornecedores irradia os princípios e objetivos que o dono acalenta. Mas uma definição mais clara dos valores passa a ser indispensável no momento em que a empresa começa a crescer. As características de sua personalidade e seus valores não são mais imediatamente percebidos e assimilados, como no início. Para complicar, a expansão traz caras novas, que, conforme suas convicções, podem se comportar até em oposição aos princípios que você prioriza.

Se houver um vácuo, cada responsável por uma área implanta, mesmo sem perceber, os próprios princípios de vida, que nem sempre são os que você deseja para sua empresa. Uns podem ser ríspidos com os subordinados, outros agem com complacência excessiva. Uns colocam o cliente em primeiro lugar, outros são obcecados por planilhas. Uns são apagados demais, enquanto outros passam por cima de qualquer coisa (inclusive do que não devem) para consumar uma venda.

Nesse ambiente, podem surgir células doentes, disseminando conceitos peculiares de comportamento, ocupando espaços. Isso pode provocar sérias mutações no DNA de seu empreendimento, trazendo conseqüências imprevisíveis. O perigo é a empresa exibir um distúrbio de personalidade que, além de deixar os clientes atordoados, gere falta de coesão na busca dos objetivos originais. A definição prévia dos valores da empresa serve como vacina para um comportamento capaz de corroer as bases do que você construiu com tanto esforço.

Sua empresa depende de uma rede cujo bom funcionamento é essencial para seu sucesso. Lembre-se de que, além de criar uma empresa, você criou uma comunidade. Essa rede inclui as pessoas que mantêm relação com seus clientes, aparecendo para eles como a imagem daquilo que você criou.

É preciso tomar certas precauções ao estabelecer os princípios. Eles não podem ser rígidos a ponto de engessar a competitividade. É preciso prestigiar os funcionários que comungam dos valores da empresa, ainda que eles não alcancem os melhores resultados, e eliminar aqueles que hostilizam esses princípios, mesmo que seu desempenho seja excepcional. Os novos funcionários, uma vez incorporados aos quadros, devem conhecer e aprender a respeitar esses princípios. O importante é criar um ambiente no qual os funcionários já familiarizados com essa cultura facilmente percebam quando algum penetra não preenche os requisitos. Um organismo sadio cria rapidamente anticorpos. Assim, seus valores são naturalmente preservados, mantendo saudável o DNA de sua empresa.

José Augusto Corrêa – Coordenador do Centro de Empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas  jacorrea@fgvsp.br

“Somos un lujo asequible”

Fonte: El País (Espanha)
Por Luis Meyer

ENTREVISTA: VINCENT TERMOTE Director general de Nespresso Iberia

Vincent_TermoteA entrevista acontece no Terminal 4 do aeroporto de Barajas. A única maneira de roubar uma hora da agenda Termote Vicente, CEO da Nespresso para Espanha e Portugal, é estar muito perto da ponte aérea. Aparência saudável aos seus 46 anos, este belga de sorriso perene bem que poderia protagonizar um dos anúncios de sua marca. Ou de creme dental.

Termote está exultante. Traz a pasta debaixo do braço, ainda quentes, os resultados do último ano da Nespresso, uma filial da multinacional suíça Nestlé. A empresa vende o café que muitos criticam como sendo caro, mas cujo o desenho de máquinas, todos querem ter em casa. “Têm sido excelentes”, diz ele, depois de servir um café ao jornalista (sobra aclarar de qué marca). A empresa, que vende café encapsulado, e as únicas maquinas que os podem fazer, cresceu 22% no ano passado, abaixo da média dos 30% que mantinha desde o início do século “mas é um número notável quando se leva em conta a recessão econômica.”

Continua o festival de números: “Temos faturado 2.770 milhões francos suíços [1.890 milhões de euros], empregamos 4.500 trabalhadores em todo o mundo e temos 190 boutiques [a organização define assim suas lojas]”. Vinte delas estão na Espanha, mas este ano eles querem chegar a 30. Madrid, Barcelona, Valência, Alicante, Bilbao, San Sebastian e Terrassa, são de momento as escolhidas “Ainda estamos negociando, e não posso adiantar nada, mas nós chegaremos a outras cidades”, diz Termote.

Pergunta: De 190 lojas em todo o mundo, 30 na Espanha. Ninguém bebe mais café que nós?

Resposta: [Risos]. Não, mas a Espanha é um mercado muito importante para nós.

Pergunta: Qual a importância?

Resposta: é o terceiro país em faturamento do grupo. E o faturamento da empresa cresceu aqui no ano passado mais de 22% da marca mundial.

Pergunta: Quanto?

Resposta: Não posso fornecer essa informação ainda, mas posso dizer que o comportamento da empresa na Espanha foi o melhor.

Pergunta: A Nespresso  existe desde da década de setenta, mas ainda soa como algo novo …

Resposta: Na verdade, a empresa começou em 1986, o que fizemos durante os últimos 15 anos foi investigar como produzir o melhor café expresso. Um café que, naquela época só poderia ser tomada em cafeterias. Queríamos que cada cidadão pudesse apreciar sem sair do sofá em casa. Aqui na Espanha começamos em Barcelona, em 1996, mais focado em negócios B2B. Foi em 2003, quando a empresa decidiu apostar fortemente na Espanha e, posteriormente, começaram as “boutiques” Nespresso como nós as conhecemos hoje.

Pergunta: Seja sincero: se em 2003 tivessem visto a crise que estava chegando, teriam investido tanto em Espanha?

Resposta: Precisamente, a crise nos levou de volta ao conceito original: as pessoas ficam mais tempo em casa, mas os apreciadores de um bom expresso, não o renunciam. Isso é precisamente o que nós oferecemos.

Pergunta: Mas não podemos negar que a Nespresso tem um espírito elitista, não é um produto precisamente barato. E em plena crise isso pode ser um fator negativo …

Resposta: Os resultados estão aí. E nós mostramos que a crise não nos há afetado muito. Somos também a marca que mais cresce dentro do grupo Nestlé. É verdade que somos exclusivos, mas não é caro. Cada café Nespresso feito em casa custos entre 33 e 38 centavos. É muito mais barato do que um café de cafeteria, e na maioria dos casos, infinitamente superior em sabor e aroma. A cada duas maquinas de café expresso que são vendidas, uma é Nespresso.

02-NespressoPergunta: George Clooney teve bastante a ver com isso? (“garoto propaganda” da marca)

Resposta: Ele ajudadou, mas não é vital para nós. Mais de 50% de novos clientes não são, pela publicidade, mas sim pelo “boca a boca”. No começo, nós oferecemos o nosso café para os líderes de opinião, que incluía políticos, empresários, cozinheiros … Foram eles que começaram a nos recomendar, e a marca começou a crescer.

Pergunta: Internet, telefone e boutiques da marca. Você não acha que iria facilitar as coisas para os clientes, se encontrasse o seu café em outros supermercados e mercearias?

Resposta: Nós oferecemos 16 variedades de café, além de dois especiais à cada ano. E um de nossos selos de marca é que estejam sempre disponíveis. Se nós vendemos as cápsulas no Mercadona, para dar um exemplo, manteriamos apenas quatro ou cinco “best-sellers”. Além disso, eu não posso imaginar um balconista de supermercado recomendar ao cliente: “Prove o arábica robusta, tem um aroma excepcional. Essa atenção personalizada de especialistas só se pode conseguir em lojas próprias.

Pergunta: E como se defende uma marca suíça em países com mais tradição em café, que é o caso da Espanha?

Resposta: Na Europa, há dois países onde há o que eu chamo de “enólogos de café”: Itália e Portugal. Houve sempre um bom café, portanto eram mercados difíceis, mas estamos indo muito bem. Na Itália, demos doses do nosso café e de marcas reconhecidas no país, com o rótulo coberto (“teste cego”). 70% se encantaram pelo nosso café sem saber a marca.

Conteúdo original

La entrevista tiene lugar en la Terminal 4 del aeropuerto de Barajas. La única manera de robarle una hora a la agenda de Vincent Termote, director general de Nespresso para España y Portugal, es quedar bien cerca del puente aéreo. De aspecto saludable a sus 46 años, este belga de sonrisa perenne bien podría protagonizar uno de los anuncios de su marca. O uno de pasta dentífrica. Termote está exultante. Trae en una carpeta bajo el brazo, aún calientes, los resultados del último ejercicio de Nespresso, filial de la multinacional suiza Nestlé. La compañía vende ese café que muchos critican por caro, pero cuyas máquinas de diseño todos quieren tener en casa. “Han sido excelentes”, dice, tras servirle un expresso al periodista (sobra aclarar de qué marca). La firma, que vende el café encapsulado y las únicas máquinas en que puede hacerse, creció un 22% el año pasado, menos que la media de 30% que ha mantenido desde el principio de siglo, “pero una cifra sobresaliente si se tiene en cuenta la recesión económica”.

Continúa el festival de cifras: “Hemos facturado 2.770 milones de francos suizos [1.890 millones de euros], empleamos a 4.500 trabajadores en todo el mundo y tenemos 190boutiques [la compañía denomina así a sus tiendas]“. Veinte de ellas están en España, aunque este año quieren llegar a 30. Madrid, Barcelona, Valencia, Alicante, Bilbao, San Sebastián y Terrassa son, por el momento, las elegidas. “Estamos negociando todavía y no puedo adelantar nada, pero vamos a llegar a otras ciudades”, dice Termote.

Pregunta. De 190 tiendas en todo el mundo, 30 en España. ¿Bebemos más café que nadie?

Respuesta. [Ríe]. No, pero España es un mercado muy importante para nosotros.

P. ¿Cómo de importante?

R. Es el tercer país en facturación del grupo. Y la facturación de la empresa ha crecido aquí durante el año pasado bastante por encima del 22% de la marca global.

P. ¿Cuánto?

R. No puedo dar ese dato todavía, pero sí puedo adelantar que el comportamiento de la empresa en España ha sido mejor.

P. Nespresso existe desde la década de los setenta, pero sigue sonando como algo nuevo…

R. Realmente la firma empezó en 1986, lo que hicimos durante los 15 años anteriores fue investigar la manera de producir el mejor café expresso. Un café que por aquel entonces sólo se podía tomar en cafeterías. Nosotros queríamos que cualquier ciudadano pudiera disfrutarlo sin moverse del sofá de su casa. Aquí en España empezamos en Barcelona en 1996, pero enfocamos el negocio a las empresas. Fue en 2003 cuando la firma decidió apostar fuerte por España, y a partir de entonces empezaron las boutiques Nespresso tal y como las conocemos ahora.

P. Sea sincero: si en 2003 hubieran vislumbrado la crisis que se avecinaba, ¿habrían invertido tanto en España?

R. Precisamente, la crisis nos ha devuelto al concepto original: la gente se queda más tiempo en casa, pero los cafeteros no renuncian a un buen expresso. Eso es precisamente lo que ofrecemos.

P. Pero no me negará que Nespresso tiene un halo elitista, no es un producto económico, precisamente. Y eso en plena crisis puede jugar en su contra…

R. Los resultados están ahí. Y demuestran que no nos ha afectado demasiado la crisis. Somos, además, la marca que más crece dentro del grupo Nestlé. Es verdad que somos exclusivos, pero no es lo mismo que caros. Cada café Nespresso hecho en casa cuesta entre 33 y 38 céntimos. Es mucho más barato que un café de cafetería, y en la mayoría de los casos, infinitamente superior en sabor y aroma. De cada dos máquinas de café exprés encapsulado que se venden, una es Nespresso.

P. George Clooney habrá tenido que ver bastante.

R. Ha ayudado, pero no es vital para nosotros. Más del 50% de los nuevos clientes no lo son por la publicidad, sino por el boca a boca. En los inicios, ofrecimos nuestro café a líderes de opinión, entre los que había políticos, empresarios, chefs… Fueron ellos los que empezaron a recomendarnos, y la marca empezó a crecer.

P. Internet, teléfono y boutiques de la marca. ¿No creen que le facilitarían las cosas al cliente si pudiera encontrar su café también en supermercados y otras tiendas de alimentación?

R. Nosotros ofrecemos 16 variedades de café, más dos especiales cada año. Y uno de nuestros sellos de marca es que siempre estén disponibles todas. Si vendiéramos las cápsulas en Mercadona, por poner un ejemplo, sólo mantendrían las cuatro o cinco que mejor se vendiesen. Además, yo no me imagino a un dependiente de hipermercado recomendando al cliente: “Pruebe usted el arabica robusta, tiene un olor excepcional”. Esa atención personalizada de expertos sólo se puede conseguir en tiendas propias.

P. ¿Y cómo se defiende una marca suiza como Nespresso en países con más tradición cafetera que es el caso de España?

R. En Europa hay dos países en los que hay lo que yo llamo “enólogos del café”: Italia y Portugal. Allí siempre ha habido muy buen café, y por eso eran mercados difíciles, pero nos está yendo muy bien. En Italia dimos a probar dosis de nuestro café y de otras dos marcas reconocidas de allí, con la etiqueta tapada. Un 70% se decantaron por el nuestro sin saber la marca.

Na boleia do caminhão

Fonte: Revista Marketing
Por Anna Gabriela Araujo
Publicado dia 01 de fevereiro de 2010

manNo final de 2008, uma nota divulgada pela Volkswagen Caminhões e Ônibus agitou o já disputado segmento nacional de transportes de carga: a venda da empresa para o grupo alemão MAN AG por 1,175 bilhão de euros. Quase um ano depois do acordo, a marca de caminhões ingressa

oficialmente no Brasil por meio de uma estratégia de marketing comandada pela agência AlmapBBDO.

O primeiro passo foi lançar a marca por meio de uma campanha institucional que associava a MAN à Volkswagen Caminhões e Ônibus. “Aproveitamos a Fenatran 2009, principal feira do segmento de transportes de carga da América Latina, para anunciar a chegada da MAN ao Brasil”, informa o gerente de marketing da MAN, Ricardo Marion. “Decoramos nosso estande com os caminhões da MAN e da Volkswagen para mostrar que as duas marcas irão atuar em conjunto.” Segundo ele, a empresa irá manter o premiado conceito “Sob Medida”, que conquistou três Leões no Festival de Publicidade de Cannes (dois de prata em 2008 e um de bronze em 2009) ao mostrar os caminhões das linhas Constellation, Worker e Delivery, simbolizados por embalagens de diversos produtos, como leite, alimentos, cimento e garrafas. “Vamos continuar desenvolvendo ações, como o patrocínio do seriado ‘Carga Pesada’ e a Seleção VolksBus, case que venceu o último Marketing Best”, comenta Marion. “As estratégias são diferentes, mas se complementam, já que a MAN Latin America é a soma da Volkswagen Caminhões e Ônibus com a experiência da multinacional de 250 anos que agora começa operar no Brasil. Nosso DNA continua sob medida.”

O executivo explica que os produtos da MAN irão complementar o portfólio da Volkswagen no segmento de caminhões extrapesados, com potências acima de 400cv e capacidade acima de 57 toneladas. “Em nenhum momento uma marca irá competir com outra, já que a linha de produtos da Volkswagen é composta por veículos de carga com potência de 140cv até 380cv e capacidade de carga entre 5 toneladas e 57 toneladas”, explica Marion. “Nesse primeiro ano da MAN no Brasil os produtos serão importados, para competir diretamente com as marcas Scania e Volvo. Até o início de 2011, esses caminhões serão produzidos na unidade brasileira.”

O plano de marketing traçado pela equipe de Marion acompanha a implantação da marca no País. “Neste primeiro trimestre ainda estamos investindo em uma campanha institucional para apresentar a empresa aos brasileiros.” Na próxima fase haverá a realização de ações de marketing de relacionamento e test drive para os principais frotistas do Brasil. “Em meados de 2010 iremos investir em uma terceira etapa, com um comercial de apresentação dos produtos da MAN.”

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Sem revelar a verba de marketing da companhia, Marion afirma que para colocar esse novo projeto de comunicação em prática a empresa teve que ampliar em 20% seus investimentos. “Já este ano, para manter a imagem da Volkswagen Caminhões e ainda agregar a nova marca ao mercado nacional, vamos ampliar em pelo menos 30% nosso budget em relação a 2009.”

Grande parte dessa verba será direcionada às ações de relacionamento que a empresa desenvolve na Fórmula Truck, a competição de caminhões que em termos de público perde somente para a Fórmula 1. “A cada etapa, levamos mais de 5 mil clientes ao autódromo para conferir o desempenho dos caminhões Volkswagen. Agora, estamos trabalhando para colocar uma nova equipe, a da MAN, nessa categoria que é muito popular no País”, adianta o gerente de marketing da companhia. “Com essas ações, estamos transferindo para a MAN a força da marca Volkswagen Caminhões e Ônibus, que há sete anos consecutivos ocupa a liderança do segmento brasileiro de transportes de carga. Em 2009 conseguimos abrir 1,5% de market share para o segundo colocado (Mercedes-Benz), fechando o ano com 32% de participação. A partir deste ano, a diferença tende a crescer, já que passamos a atuar com duas marcas no setor”, prevê Marion.

Próximo Passo

Outra montadora que está ampliando seus investimentos em marketing é a Iveco. Assim como a MAN, ela também utiliza a Fórmula Truck como canal de relacionamento entre clientes e concessionários da marca. Este ano, a novidade é a contratação do piloto mineiro Cristiano da Matta, que no próximo dia 7 de março, no Autódromo Internacional de Guaporé (RS), estreia como segundo piloto da Scuderia Iveco na temporada 2010 da Fórmula Truck. “Este é um evento que nos permite trabalhar diversos atributos de marca, além de oferecer grande visibilidade para os nossos produtos, já que todas as corridas são transmitidas ao vivo pela Rede Bandeirantes”, detalha o gerente de marketing da Iveco, Fernando Ribeiro.

Fora das pistas de corrida, a montadora de caminhões do Grupo Fiat conta ainda com um garoto-propaganda de peso para divulgar sua marca. Há dois anos, as campanhas institucionais da Iveco são apresentadas pelo piloto Felipe Massa, da Ferrari, que renovou seu contrato com a marca por mais um ano.

massa

Em outra frente, no final do ano passado, enquanto a MAN era apresentada ao mercado nacional, a Iveco lançava um novo posicionamento de marca, focado no conceito de sustentabilidade. “Utilizamos a Fenatran 2009 para mostrar ao consumidor tudo o que a montadora tem desenvolvido em termos de produtos ‘amigos do meio ambiente’,

motores com uso de combustíveis alternativos e tecnologias verdes.”

Como exemplo, ele cita o primeiro veículo comercial leve movido à energia elétrica na América Latina, que foi desenvolvido pela Iveco em parceria com a Usina Itaipu Binacional. “Movido com 100% de energia limpa e renovável, o novo Daily Elétrico marca todo esse posicionamento de vanguarda da marca, que em 2010 irá intensificar os investimentos em ações de marketing capazes de reforçar o posicionamento de sustentabilidade.”

A divulgação do novo conceito é feito a partir do projeto Próximo Passo, um programa que tem por objetivo promover ações de curto e longo prazo em benefício da comunidade, dos funcionários, fornecedores e clientes da marca. “Nosso objetivo é ir além da preservação do meio ambiente e atingir o fortalecimento da cidadania e sustentabilidade em comunidades carentes próximas à fábrica da Iveco, em Sete Lagoas (MG)”, ressalta Ribeiro. Baseado em três pilares – econômico, social e ambiental – o projeto conta com uma série de iniciativas, como o patrocínio do grupo teatral Patrulha da Alegria e da ONG Favela é Isso Aí. “Reunimos todas essas novidades em um blog, que tem contribuído para a consolidação da marca no Brasil. Por meio dele, já realizamos inúmeras ações de marketing promocional e até o lançamento online de um caminhão”, informa o gerente de marketing da Iveco, que continuará investindo nesse meio em 2010.

A força do relacionamento

Presente no mercado nacional há 52 anos, a Scania está entre as montadoras que não deverão alterar seus investimentos em marketing no decorrer do ano, segundo o diretor comercial, de marketing e comunicação da marca, João Miguel Capussi. “Continuaremos seguindo a política do relacionamento e da divulgação de anúncios em revistas e jornais especializados, já que nosso foco é restrito ao segmento de caminhões pesados e extrapesados.” Isso significa que dos quase 115 mil caminhões vendidos no Brasil em 2009, apenas 32 mil unidades foram de veículos pesados. “Vendemos equipamentos para um grupo restrito, que não justifica o investimento em mídia de massa”, explica Capussi.

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Com essa filosofia, a equipe de Capussi investe grande parte da verba de marketing em ações de relacionamento com três públicos distintos. O primeiro é o motorista de caminhão, “que na Scania é tratado como o embaixador da marca, porque esse público não é o decisor de compra, mas sua opinião é levada em consideração pelo transportador, que sabe que a escolha da marca do caminhão é fator de retenção de mão de

obra qualificada”, salienta o executivo. “Por isso marcamos presença em todos os eventos, feiras e competições do setor.”


O segundo público é composto pelos operadores logísticos, que são usuários de caminhões pesados, que frequentemente são convidados para lançamento de produtos e viagens à fábrica da montadora no exterior. “Por último, desenvolvemos ações de relacionamento com a nossa rede de concessionários, que representa a nossa marca para o cliente”, comenta Capussi. “Todo esse trabalho é feito em parceria com a agência Rino Publicidade, com a qual criamos o conceito GPS Scania, com o objetivo de integrar gente, produto e serviços em uma só marca.” Implantado há dois anos, esse projeto passou a vender a imagem da marca Scania como uma solução completa para as empresas do segmento de transportes de carga. “Mais do que vender veículos, cuidamos de toda a operação, manutenção e até treinamento dos operadores da frota do cliente. Por isso nosso slogan é ‘Scania. Tudo por você’.”